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31.3.18

29.3.18

LAÇOS (TIES) - PROJECT DIRECT





Este pequeno filme não é novo, mas eu gosto imenso dele, e como se trata de uma história de amor e esperança, pensei que se enquadrava nesta época. Espero que gostem.

28.3.18

VALE A PENA VER



Como sabem estou no Algarve. Peço desculpa pela ausência nos vossos blogues, mas como já vos disse, não tenho computador aqui e com o telemóvel é muito difícil. Estes posts estão agendados.
obrigada pela vossa compreensão.

26.3.18

SE O PARAÍSO EXISTE


Uma foto do Gerês. Fico sempre encantada com o Gerês, com as suas quedas de água, o verde luxuriante, a paz. Fico tão apaixonada , que ás vezes penso que se o paraíso existe, é aqui.

24.3.18

CURIOSIDADES











Há dias deu-me para ver o miolo do Sexta. Isto é, o que já publiquei  e aquilo que aparentemente mais agradou.

E os três lugares do pódio estão assim distribuídos.

1º  BOM FIM-DE-SEMANA  29/01/2010 com 2785 visualizações.

2 º  25 de Abril do mesmo dia no ano 2012  com 1901 visualizações

3 º Quando um comentário vira post   16/07/2011 com 1047 visualizações


Nos meus poemas o mais visto foi

Poema para um emigrante    com 1000 Visualizações, e curioso, que Tintinaine, Duarte, Edumanes, Emilia Pinto, António QueridoAflores  e Dorli, Já eram visita habitual, o que quer dizer que há seis

anos me aturam.

Dos contos que já publiquei o mais visualizado até hoje, é "Uma história de Amor" com a maioria dos capítulos a ultrapassar  as 600 visualizações. Não há dúvida que os leitores gostam mesmo é de histórias de amor.

23.3.18

CONVERSANDO COM O LEITOR




Nunca em todos os outros contos ou novelas (eu chamo-lhes conto, a minha professora de literatura, diz que são novelas, contos são os outros curtos que escrevo de vez em quando)  que vos tenho contado, um personagem foi tão controverso como este João. E o que era ele? Um homem bem sucedido profissionalmente, que escondia uma vida pessoal, cheia de insegurança com uma vontade de ferro. Logo na apresentação vi-mo-lo ao espelho, e soubemos que se achava feio. Não gostava dos olhos, da boca  e do queixo, Depois vimos que era um homem muito solitário. Tinha que ser sempre o melhor nos estudos, e não convivia com os colegas. No fundo como vinha de uma família muito pobre, tinha medo da rejeição por parte deles. A primeira vez que se apaixonou, a amada trocou-o por um homem mais rico o que acentuou a sua insegurança, que ele tentava compensar com trabalho, porque aí ele sabia que era bom mesmo. Quando se apaixonou por Odete, hesitou em assumir esse amor, porque ela era mais jovem, Casou e o receio de que ela o trocasse por um homem mais jovem e mais bonito acompanhou-o sempre. Sem experiência amorosa, pensou que dando-lhe uma vida de Princesa ela ia amá-lo sempre. Quando ela o abandonou, ele sempre pensou na traição, com um homem mais jovem, mas o seu amor era tão grande que não contou a ninguém e secretamente esperava que ela voltasse. Ele perdoaria, faria com que ela voltasse a amá-lo e ninguém saberia. Esta foi a personagem que eu criei, e tentei passar-vos.
Por seu lado a Odete também era muito insegura. Era uma mulher muito jovem que se apaixonou por um doutor famoso, homem mais velho e experiente. Ela considerava-se inferior, e daí  ter ido estudar, mas ainda assim ela temia que ele a traísse por uma mulher com mais estudos, uma médica talvez, ou mais rica, como a Inês. Secretamente ela temia que ele se cansasse dela, e a trocasse por alguém ,mais dentro do estrato social dele.
A Inês, bom se a Inês não tivesse enviado aquela carta, vocês pensam que este casamento teria sido feliz? Não. Se não fosse a Inês seria outra coisa qualquer, o casamento não tinha pernas para andar a menos que os dois vencessem os demónios que traziam dentro de si
Mas ela teve sim impacto na trama. muito embora Inês  verdadeiramente não quisesse o João. Ela julgava-se uma Princesa e irritava-se que ele não lhe prestasse a atenção que os outros homens lhe prestavam. Daí que quando ele se apaixonou por ela perdeu o interesse. Quando voltou, e o encontrou casado, quis testar até que ponto ainda tinha influência sobre ele, e como ele não lhe ligou decidiu vingar-se. Mulher vivida percebeu logo o ponto fraco de Odete e agiu apenas por vingança.
Mas não foi de todo a culpada desta separação. Porque nesta história não há inocentes. Todos são culpados.
Foram enriquecedores para mim enquanto pessoa que gosta de escrever, os vossos comentários. eles são sempre o barómetro que me diz se estou ou não a passar na escrita aquilo que imaginei.
Foi curioso que senhoras e cavalheiros se viraram contra o doutor, por causa da chantagem exercida sobre a esposa. E tinham razão, Chantagem é sempre má mas quando exercida sobre a vida de uma pessoa é uma monstruosidade. O próprio João tem consciência disso, mas ele pensa que é uma arma como outra qualquer para reconquistar a mulher. De resto com puderam ler no final, o tratamento da sogra nunca esteve em causa.
Apesar de alguns se terem irritado a meio da história, o que me levou a pensar acabar a história mais cedo, deixando subentendido que o caminho seria o divórcio. Mas afinal provou-se que não era isso que queriam, com uma exceção.
A próxima história só começará em Abril. Não tem nada a ver com as últimas, desde logo porque começa em 1968, altura em que alguns de vós ainda não tinham nascido.
Mais uma vez obrigada a todos, pela atenção que dedicam às minhas histórias.





22.3.18

A TRAIÇÃO - FINAL





Três anos mais tarde, a festa era grande, naquele hotel, onde se reuniam os familiares de Odete, incluindo os irmãos emigrados em França, e no momento de férias em Lisboa, com as mulheres e filhos, a irmã Laura, e o marido.  Também estavam presentes, a mãe e a tia de João, o psicólogo Manuel, seu grande amigo, e família. Isabel grávida de sete meses, o marido, e o filho de ambos, o pequeno Tiago, radiante, porque a sua mãe "tem na barriga o meu irmão" como faz questão de contar a toda a gente, e alguns médicos com quem João tem mais afinidade, bem como algumas colegas do Infantário onde Odete trabalha. O casal, mais feliz que nunca, festejava o décimo aniversário do seu casamento, e o batizado de Sara, a sua primeira filha.
Primeira sim, porque eles iam ter mais filhos, o segundo já estava a caminho, como Odete segredara nessa manhã ao marido, quando amorosamente descansava nos seus braços. 
Três anos antes, um quarto daquele hotel fora testemunha da reconciliação dos dois. Ali, ambos se perdoaram mutuamente por todos os erros que tinham cometido no passado. Pela falta de confiança de Odete, pelo excesso de trabalho de João. Pelos medos e insegurança dos dois. E quando Odete, quis destruir a carta que tanto sofrimento lhes tinha causado, João pediu para a guardarem, como uma lembrança de que dali para a frente, nada nem ninguém poderia fazer nada contra eles, porque ambos confiariam um no outro, e no amor que sempre os uniu.
- Numa coisa a Inês tem razão, meu amor, – dissera ele. Continuas a ser uma menina ingénua. Acreditaste mesmo que eu não faria tudo para tratar a tua mãe, se te recusasses a voltar a casa? Só utilizei aquele estratagema, porque estava doido de amor por ti, e  desesperado porque me convencera de que não me querias. Mas a cirurgia da tua mãe nunca esteve em risco. Ainda que não fosse a tua mãe. Acima de tudo sou médico, a minha missão é salvar vidas. Além do mais, como diretor clínico dum hospital público, nada me impedia de assinar a ordem de internamento da tua mãe, no "meu" hospital. 
 Nos braços um do outro,  numa catarse mútua, abriram o coração e amadureceram juntos. Ali se amaram sem reservas, enfim livres de todos os mal-entendidos. 
E ali naquele dia de tão fortes emoções, Sara fora concebida. Logo não havia como escolher outro local para festejar aquela data.


Fim

Elvira Carvalho




Amigos a partir de hoje será difícil visitar-vos, já que em Lagos só tenho o Smartphone e 
não sei bem andar pelos blogues com ele.
As postagens para os dias até ao meu regresso estão agendadas. 
Abraço-vos com carinho e desejo boa Páscoa.

A TRAIÇÃO - PARTE XXXII




Como era esperado, aquele dia foi complicado para o doutor João Santos. Toda a sua atenção esteve virada para os problemas que o hospital que dirigia enfrentava. Por isso foi com alívio que viu o dia chegar ao fim. Desejava acima de tudo, deixar as funções de diretor. A sua vocação eram os doentes, não resolver problemas burocráticos ou laborais. Estava decidido a pedir a demissão das suas funções como diretor.
A caminho de casa, relembrou os acontecimentos da véspera, e pela primeira vez, perguntou-se se não teria sido demasiado duro com a esposa. Certo que ele estava muito magoado, mas não era razão para a mandar embora. E se ela levasse à letra as suas palavras e voltasse a partir?
Aquele pensamento foi tão doloroso, que de forma inconsciente, carregou no acelerador.
Entrou em casa, e percorreu uma a uma as divisões da casa para constatar com tristeza que tinha sido de novo abandonado. Sentou-se num cadeirão e escondeu o rosto entre as mãos. Abandonado? De modo algum. Não podia queixar-se disso quando fora ele que a mandara embora.
Mas desta vez ela não fugiria para longe, não enquanto a mãe não estivesse totalmente restabelecida. Iria tomar um banho, mudaria de roupa e depois iria a casa dos sogros, pedir-lhe-ia desculpa por ter sido tão radical. Afinal não lhe dera ela na véspera, prova de que o amava? 
Decidido levantou-se e encaminhou-se para o quarto.
Foi então que viu a carta em cima da cómoda e pegou-lhe com mãos trémulas.
Era uma carta de hotel. Isso queria dizer que ela não tinha ido para casa dos pais. Talvez porque não quisesse dar um desgosto à mãe, ou talvez porque ainda tinha esperança de voltar para casa.
Sentou-se na cama, abriu o envelope e retirou as duas folhas de papel. Emocionou-se com a confissão da mulher e revoltou-se ao ler a missiva de Inês. Imaginou o sofrimento da esposa, e sem embargo nem vergonha, chorou. Chorou por ela, por ele, pelo sofrimento dos dois, pelos quase quatro anos de vida perdida.
Que Deus não permitisse que ele encontrasse Inês nos tempos mais próximos, era tanta a sua raiva que era bem capaz de cometer um disparate.
Deixou as cartas em cima da cama e foi tomar banho. Não só porque estava muito calor, mas porque simbolicamente queria livrar-se da sujeira moral, que Inês trouxera para a sua vida.
Minutos mais tarde saía de casa em direção ao hotel.

*****************************************************************************


E como hoje é dia de poesia, realizou-se na Biblioteca José Esteves, no Convento Madre Deus da Verderena, um evento que constou de três partes distintas. A primeira de Cante Alentejano, a segunda, crianças do 3º e 4º ano, disseram poemas da sua autoria subordinadas ao tema Moinhos, e terceiras, poetas da terra, leram poemas seus ou de poetas que admiram. 

Na foto abaixo, o momento em que lia um dos meus poemas.





21.3.18

DIA 21 DE MARÇO - UM DIA ESPECIAL


Todos vós sabeis que todos os dias são dias de qualquer coisa. Mas o dia de hoje é um dos que mais se destacam pelas diversas comemorações.  Assim sendo passo a citá-las.


Dia Mundial da Poesia, 

 Dia Mundial da Marioneta, 
Dia Mundial para a Eliminação da Discriminação Racial,
 Dia Internacional da Síndrome de Down,
 Dia Mundial da Floresta
 e
 Dia Nacional da Árvore.

Assim sendo A Traição só sairá pelas 20 horas. E vamos que vamos como diz uma nossa amiga, fazer comemorar então este dia, que até se apresenta com um radioso sol sobre um céu azul, tão limpo como não via desde o início deste ano. 


Começando pelo dia mundial de poesia, deixo-vos com um pequeno poema meu



Dia Mundial da Poesia,


O MAIS DIFÍCIL


O mais difícil
hoje
não é sonhar
ainda que
o sonho
seja pérola negra
aprisionada
na ostra
do quotidiano.

O mais difícil
hoje
é inventar a Vida
no espaço agónico
da sobrevivência.


Elvira Carvalho

Dia Mundial da Marioneta, Para quem vive em Lisboa ou no Porto, e tem disponibilidade de tempo, que tal uma visita ao Museu da Marioneta? Além do mais o de Lisboa fica no Convento das Bernardas, um edifício muito bonito





Dia Mundial para a Eliminação da Discriminação Racial.
Pois é, a foto diz tudo


 Dia Internacional da Síndrome de Down,
A foto seguinte também diz tudo






 Dia Mundial da Floresta

Dia nacional da árvore


Boa tarde para todos.

A TRAIÇÃO - PARTE XXXI




 Feliz Isabel apresentou-lhe o seu rebento, Tiago. Depois mudou-lhe a fralda e colocou-o nos braços da amiga enquanto preparava o biberon. Mais tarde, o bebé de novo na caminha, as duas almoçaram e por fim Odete despediu-se com um abraço e um pedido.
- Deseja-me sorte!  
Chegou ao hotel e escreveu uma longa carta ao marido. Falou do intenso amor que lhe devotara desde que o conhecera, do medo que sentia que ele se cansasse dela por ser uma mulher com poucos estudos e ele ser um médico brilhante, o que a levou a querer estudar. Depois  recordou tudo o que acontecera desde aquela noite em que encontraram Inês. A perseguição que ela lhe movera, as vezes em que lhe disse que estivera com ele, que se amavam e que ele só estava esperando uma oportunidade para lhe pedir o divórcio. O pouco tempo que ele estava em casa também contribuiu para que se sentisse insegura. Contou-lhe o telefonema que recebera de Inês, uns minutos antes de ele entrar naquele dia fatídico. E de como nesse telefonema, Inês lhe dissera que ele não estivera de plantão no hospital mas tinha ido dormir com ela, e que podia provar, com a carta que lhe dera e ele guardara no bolso interior do seu casaco. Lembrou do sofrimento que sentiu, quando depois de ele adormecer, revistou o casaco e achou a carta no bolso interior, tal como Inês dissera.
Falou do seu desespero, da sua dor ao imaginá-lo nos braços de Inês, de como procurou refúgio em casa da irmã, incapaz de o ver com outra mulher. Da luta que travou com os seus sentimentos antes de o procurar por causa da doença da mãe, da surpresa que sentiu, quando percebeu que ele não tinha contado à mãe a situação real do seu casamento. Terminou confessando que sempre o amou e sempre o amaria, e perguntava-lhe, o que faria ele se a situação fosse inversa. Se lhe dissessem que ela o traía e ele encontrasse nas suas coisas uma missiva tão comprometedora.
Juntou a fatídica carta de Inês que ele trouxera para casa naquele dia, no bolso do casaco, e que ela guardara religiosamente, meteu tudo num envelope do hotel, foi a casa e colocou a carta no quarto bem visível junto da moldura com a foto do casamento. Depois passou pela igreja onde foi cumprir uma promessa que fizera no dia da cirurgia da mãe.
Depois, com toda a fé que albergava no seu coração, suplicou ao Altíssimo que a ajudasse a recuperar o amor do marido.
Foi ver a mãe, com quem passou um bom pedaço de tempo a conversar, e por fim voltou ao hotel onde aguardou ansiosa pela reação do marido.



Já devem ter reparado que esta história está a ir muito depressa.  Poucos têm sido os dias que não saem dois capítulos.
Acontece que quinta feira vou para o Algarve e lá não tenho pc, o que torna difícil a publicação. É certo que podia deixar agendada como das outras vezes, mas para a semana é Semana Santa, e eu não queria continuar a história, e não achava justo deixar-vos com ela a meio. Por isso peço desculpa.


20.3.18

A TRAIÇÃO – PARTE XXX





- Ora vejam, quem voltou. Já me tinham dito, mas não acreditei. E o que é isso? Roupas de bebé? Não perdeste tempo.
- É verdade. E afinal, apesar de todas as tuas intrigas, o João não ficou contigo.
Era estranho, mas pela primeira vez desde que conhecera Inês, Odete não estava nervosa, nem tinha medo dela.
- Mas separei-vos, e vinguei-me do desprezo dele. E deu-me um enorme gozo, enganar-te. Tão fácil como enganar uma criança. Eras tão ingénua.
- Realmente. E digamos que meter aquela carta no bolso do casaco dele e telefonares-me de seguida, foi de mestre, - disse exaltando a vaidade da outra na tentativa de saber como o fizera.
- Ó, isso foi muito fácil, - disse Inês sorrindo com ar de superioridade, achando-se o máximo. Tinha um detetive a seguir todos os vossos passos. Adorava ver a tua cara de coelhinho assustado sempre que aparecia nos sítios onde vocês estavam. Sabia que ele estava de serviço nessa noite. Na equipa dele, havia um enfermeiro, que me olhava de modo especial sempre que eu ia lá ao hospital tentar ver o João. Foi só levar-lhe a carta, dizer-lhe que era uma surpresa que tu querias fazer-lhe, e que me pediras para te fazer esse favor. Tudo acompanhado do meu melhor sorriso. O que é que uma mulher como eu, não consegue com um sorriso, e um olhar intencional, - disse soltando uma gargalhada.
Embora sentisse uma enorme vontade de lhe apagar o riso, com uma boa bofetada, Odete não fez, nem disse nada. Limitou-se a virar-lhe as costas e a sair para a rua. Sentia-se uma idiota. Por insegurança, pela sua falta de confiança no marido, perdera quase quatro anos de vida sofrendo pela ausência do seu amor. E agora? Como fazer João compreendê-la e perdoá-la?
Quando se encontrou entre os braços da amiga, desabou num choro que deixou Isabel assustada. Quando conseguiu acalmar contou-lhe tudo o que acontecera desde que voltara a Lisboa.
- Sabes que nunca estive de acordo contigo e te aconselhei a teres uma conversa franca com o João, antes de partires. Agora aconselho-te o mesmo.  Acredito que se lhe abrires o coração ele te perdoará embora possa sentir-se magoado por teres duvidado dele. Segundo uma amiga minha, que trabalha no hospital, o Doutor João Santos é um homem sério, casado e que vive só porque a esposa está a tirar um curso no estrangeiro. Isso quer dizer que ele não disse a ninguém que estava separado, talvez porque tinha a esperança de que voltasses. Isso é amor, amiga.
O bebé acordou e Isabel apressou-se a ir ao quarto, seguida por Odete.

A TRAIÇÂO - PARTE XXIX





No seu quarto João continuava furioso. Podia esperar tudo da mulher, menos que o abandonasse por uma suspeita de traição.
Durante anos recriminou-se por trabalhar demais e pensar que ela o deixara pelo pouco tempo que lhe dedicara. E era capaz de compreendê-la se essa fosse a razão, mas afinal tudo não passara de uma estúpida suspeita de traição.  Nunca, se sentira tão ferido. Tinha-se dado por inteiro naquela relação. Ainda se fosse antes do casamento, poderia levar em conta a sua juventude. Mas quando partiu, Odete já tinha vinte e cinco anos. Tinham três anos de vida em comum. Isso não era suficiente para confiar nele? Deu um murro na parede. Como pudera acreditar que ela o amava? Nem lhe merecera a consideração de uma explicação. Era tal a sua raiva que tardou a adormecer. Apesar disso, acordou cedo. Tomou um duche vestiu-se e saiu. Comeria qualquer coisa na cafetaria do hospital. Não queria encontrar-se com a mulher.
Felizmente o dia ia ser complicado, com a reunião do pessoal de enfermagem de manhã, os membros do governo, e o pessoal do sindicato dos médicos, de tarde. Isso faria com que pelo menos durante umas horas esquecesse o fracasso da sua vida sentimental.
Enquanto isso, em casa, Odete acabava de meter numa mala algumas peças de roupa. Pela segunda vez ia deixar a casa e o homem que amava. Ia para um hotel. Não queria que a mãe soubesse, que se tinham separado de novo, ela estava tão feliz pensando que se tinham reconciliado. E depois o desgosto podia fazer-lhe mal.
Escolheu um hotel perto da casa da mãe, fez o registo e saiu para espairecer a cabeça. Já na rua, lembrou-se de telefonar à sua amiga Isabel a quem não telefonava desde a Páscoa e que decerto ia ter uma grande surpresa, pois a julgava em Leeds.
A amiga tinha sido mãe há pouco tempo, estava em casa, gozando licença de maternidade e ao saber que estava em Lisboa, logo a convidou para ir almoçar com ela.
Odete entrou no centro comercial Amoreiras a fim de comprar um presente para o bebé, antes de ir. Entusiasmou-se com as pequenas e delicadas peças e acabou por comprar dois bodies, um pijaminha, um babete, e umas botinhas.
Saía da loja, quando teve um encontro inesperado. Na sua frente, exuberante como sempre estava Inês.


Rejeitado que foi o primeiro final, vamos então para o final da história como ela foi escrita desde o início. Na verdade só pensei em separar estes dois por causas dos vossos comentários que me passaram a impressão de que a maioria dos leitores não gostava da Odete. Bom afinal foi só impressão minha,



19.3.18

A TRAIÇÃO - PARTE XXVIII




Fizeram amor ali mesmo, no sofá da sala, ansiosos demais para aguardar a chegada ao quarto. Mais tarde, acalmada a tempestade que traziam dentro de si, e já no leito, voltaram a fazer amor, desta vez com menos paixão e mais amor. Depois Odete deitou a cabeça no ombro do marido e suspirou. Ele sussurrou.
- Amo-te tanto. Ia enlouquecendo de saudades.
- Estranho amor que não impede a traição.
- Traição? O que queres dizer com isso?
-Tu sabes. A Inês.
- A Inês, o quê - Perguntou afastando-a e sentando-se na cama.
- Porque pensas que me fui embora? - Perguntou ela, finalmente disposta a pôr a nu a dor que guardou durante quase quatro anos. Descobri a tua traição, e não conseguia viver contigo sabendo que me enganavas.
Ele pôs-se de pé sem se preocupar com a sua nudez. Estava pálido e furioso.
- Quer dizer que me abandonaste porque meteste na cabeça que eu tinha alguma coisa com a Inês?
- Não meti nada na cabeça. Eu sei que vocês eram amantes.
- Nunca fui amante da Inês, fui seu noivo, antes de te conhecer, e isso, eu próprio te contei. Depois que casei contigo não me deitei com mais ninguém. Que raio de homem, pensas que sou? E que tipo de mulher és tu, que pensando que eu sou esse ser amoral e promíscuo, foste capaz de fazer amor comigo?
Estava tão zangado que por momentos ela pensou que estava a falar verdade. Mas como podia ser, se ela tinha a prova?
Ele pegou na roupa e disse.
- Podes dormir aqui. Eu durmo no outro quarto. Amanhã podes partir. A obrigatoriedade de viveres nesta casa, terminou neste momento.
Dirigiu-se à porta. Ela enrolou-se no lençol e foi atrás. Agarrou-lhe num braço.
- Espera João, não podes estar a falar a sério. Vamos falar, esclarecer as coisas.
- Deixa-me. A hora de esclarecimentos perdeu-se no tempo. Saber que me abandonaste por uma suspeita ridícula e sem fundamento, que não confiaste em mim, nem foste capaz de me falar sinceramente, deixa-me doente. És a maior desilusão da minha vida. Nunca mais quero ver-te.
Saiu batendo a porta com estrondo. Ela atirou-se para cima da cama e durante muito tempo, chorou amargamente. Naquele momento teve a certeza de que o marido estava a ser sincero. Mas e aquela carta? Tinha sido uma intriga de Inês para separá-los? Depois de ter visto a dor e a raiva nos olhos do marido, não tinha a menor dúvida, no entanto continuava a fazer-lhe confusão, como aquela carta foi parar ao bolso do casaco dele, sem que de alguma forma tivessem estado juntos.
Já passava da meia-noite quando se levantou, tomou um duche, vestiu um pijama e voltou para a cama, pensando que tinha afastado de si a única hipótese de ser feliz.
Agora não havia volta a dar. O marido nunca lhe perdoaria. 
Tudo acabara de vez.





Parece que a história acabou. Qual é a vossa opinião? Ponho aqui um fim? Ou continuo?



DIA 19 DE MARÇO - DIA DO PAI

Porque hoje é um dia triste, o meu pai partiu há 9 anos, não interrompi a novela para um post alusivo ao dia. Apesar disso quero desejar a todos os amigos que por aqui passam, um feliz dia.









A TRAIÇÃO - PARTE XXVII







As quarenta e oito horas seguintes correram sem problemas, a paciente foi transferida para o quarto onde  o marido ou a filha, estavam praticamente o dia todo com ela. Oito dias depois, D. Arminda teve alta e regressou a casa.
 João voltou a contratar os serviços de uma enfermeira, para que a sua sogra tivesse o melhor tratamento até à sua recuperação total que andaria pelos três meses. Assim deixava Odete mais livre e sobretudo, o sogro podia retomar o trabalho sabendo que a esposa estava a ser bem tratada.
Aos poucos a vida foi retomando a normalidade, mas João começava a desanimar, pois apesar de todos os seus esforços, Odete não dava mostras de querer retomar a vida matrimonial, e ele não compreendia o que se passava, pois tinha a certeza de que a mulher o amava, e o desejava com a mesma intensidade de outros tempos. Ele sentia-o. Porém ela resistia, e ele estava a ficar desesperado.
Acabara de chegar do hospital e como era hábito ultimamente a esposa ainda não tinha regressado da casa da mãe. A senhora continuava a ter a companhia constante da enfermeira e estava cada dia melhor mas a filha passava mais tempo com ela, do que na sua casa. Às vezes pensava que ela só estava ali, pela chantagem que fizera com ela.
Sentado no sofá da sala, ouviu a chave na porta, sinal do regresso de Odete, pois a empregada só trabalhava de manhã.
- Boa tarde. Pensei que ainda não tinhas chegado.
- E eu pensei que estavas em casa. Passas demasiado tempo com a tua mãe, que tem quem cuide dela e que está quase boa.
- Queres proibir-me de a ir ver?
- Não ponhas na minha boca, coisas que eu não disse. Alguma vez te proibi alguma coisa, desde que casámos?
- Não? – Perguntou irónica.
Ele recordou a viagem de regresso de Aveiro, quando disse que não admitia encontros ou telefonemas com outro homem enquanto estivesse com ele, mas optou por não responder. Não queria de modo algum começar uma discussão. Estendeu o braço e puxou-a, fazendo com que se desequilibrasse e caísse a seu lado no sofá. Segurou o seu rosto entre as mãos e beijou-a. Não era a primeira vez que a beijava desde a sua volta. Mas desta vez não foi um beijo suave, carinhoso. Aquele foi um beijo intenso, simultaneamente apaixonado e desesperado. Ela não o repeliu. Pelo contrário devolveu o beijo com a mesma intensidade, enquanto as suas mãos acariciavam a nuca do marido, e o seu corpo se apertava contra o dele.
De súbito, o amor e a tensão sexual acumulada entre eles explodia com tal intensidade que não havia força humana capaz de os deter.



DIA 19 DE MARÇO - DIA DO PAI
Porque hoje é um dia triste, o meu pai partiu há 9 anos, não interrompi a novela para um post alusivo ao dia. Apesar disso quero desejar a todos os amigos que por aqui passam, um feliz dia.



18.3.18

A TRAIÇÃO - PARTE XXVI





A semana que se seguiu, foi de muita preocupação. Odete passava todo o tempo que o hospital permitia junto da mãe.
Os seus pais, sempre foram um casal muito unido, e o pai estava desesperado. Por isso, quando não estava no hospital, apoiava o pai. Chegava à noite emocionalmente destroçada. Se não fosse o apoio incondicional do marido, o seu carinho, ela não teria conseguido aguentar-se. Os dois estavam cada dia mais próximos, como se ela tivesse esquecido a traição que sofrera. E chegou finalmente o dia da cirurgia. Odete e o pai esperavam no hospital que a operação terminasse. Ela não parava de olhar o relógio. João tinha-lhes dito que a cirurgia demoraria entre quatro a cinco horas, havia quase seis horas que tinham levado a mãe e o marido não aparecia.
Finalmente João apareceu com um sorriso nos lábios, informando que tudo tinha corrido bem, a paciente já saíra do recobro, e fora levada para a UTI (unidade de terapia intensiva) onde ficaria durante quarenta e oito horas, permanentemente monitorizada. Durante esse tempo, eles não poderiam vê-la, apenas informarem-se acerca do seu estado na secretaria. Como médico, ele sim, poderia vê-la, e informá-los-ia, além de se manter em contato constante com o hospital, para saber como ela estava. De momento não podiam fazer mais nada, a não ser regressar a casa e esperar que tudo continuasse a correr bem. Se assim fosse, depois dessas quarenta e oito horas, ela seria transferida para o quarto e aí já podiam visitá-la. Emocionada Odete deu livre curso à sua alegria abraçando e beijando o marido.
Os três saíram então do hospital, para casa dos pais de Odete. Aí, enquanto o pai telefonava para os filhos, ela foi para a cozinha e começou a preparar o jantar. Mexia o refogado, quando o João nas suas costas, a abraçou pela cintura e a beijou no pescoço.
- Que fazes? – Perguntou quase sem voz
- Retribuo o abraço que me deste no hospital – murmurou ao seu ouvido.
- Por favor, o meu pai pode entrar.
- E então? Somos casados. O teu pai sabe que marido e mulher trocam carinhos.
- Mas tenho que preparar o jantar, - protestou.
- Não tenho fome de comida. A minha fome é outra, - murmurou mordiscando-lhe a orelha.
Corada e sentindo as pernas a tremer, ela soltou-se.
- Por favor, João. Deixa-me preparar o jantar, não sei se te lembras, mas nenhum de nós come há imensas horas. E se tu não tens fome, o mesmo não posso dizer eu e o pai.
- Pronto, pronto, rendo-me, - disse ele levantando as mãos num gesto cómico. - Vou para a sala.
Quando ele saiu, Odete encostou-se ao balcão. Cada dia lhe custava mais resistir às carícias do marido. Todo o seu corpo clamava por ele. Mas e a traição? Conseguiria ela algum dia esquecer que ele fora capaz de dormir com Inês, enganando-a duplamente porque lhe dissera que estava de plantão?



Esta história aproxima-se do fim. Mas pela primeira vez desde que venho escrevendo estas histórias eu fiz dois fins, e serão vocês a escolher o final. A história terminará no capitulo 28, ou seguirá para o outro final, tudo depende do vosso desejo. 

17.3.18

A TRAIÇÃO - PARTE XXV





Duas horas mais tarde, Odete vestindo um conjunto de seda azul celeste, composto por calças e top, desceu do quarto de hóspedes, que ocupava desde que voltara na véspera, e encontrou o marido na cozinha, comendo uma sandes de presunto e bebendo cerveja.
- Que queres lanchar? – Perguntou levantando-se
- Nada. Não me apetece comer.
- Não podes estar muitas horas sem comer. Não ajudas em nada a tua mãe se ficares doente. 
- Eu sei. Como alguma coisa lá em casa se sentir fome.
- Então senta-te enquanto acabo de comer. Quero falar contigo antes de sairmos.
Sentou-se e aguardou.
-Estive ao telefone com o meu amigo e já está tudo tratado.
Amanhã às onze horas, vais com a tua mãe ao hospital S. Francisco, e pedes para falar com o Dr. Rui Teixeira. Dizes que vais da minha parte, ele já estará à vossa espera, para assinar os documentos de internamento. A tua mãe será operada, dentro de oito dias, mas terá que fazer vários exames, testes de anestesia, e tudo o que é necessário para acautelar possíveis problemas na cirurgia. Amanhã tenho um dia complicado no hospital, não posso acompanhar-vos, mas posso garantir-te que ela vai estar bem entregue, o Rui é do melhor que temos no país como cirurgião cardiovascular. E eu próprio o assistirei no dia da cirurgia, já combinámos.
Reparou no seu rosto preocupado.
- Não fiques assim. Vai correr tudo bem, verás. Queres um chá?
- Por favor, - respondeu quase sem voz.
Ele ligou a chaleira elétrica, pôs a garrafa de cerveja, vazia, no recetáculo de reciclagem, ligou a máquina do café, introduziu-lhe uma cápsula e tirou um café que encheu a cozinha de um aroma delicioso.
Depois de o beber, abriu o armário, procurou entre os vários pacotes de chá acabando por tirar um pacotinho de camomila que pôs na chávena despejando-lhe em cima a água que acabara de ferver.
- Açúcar, ou mel? Perguntou pondo a chávena na sua frente.
-Bebo simples. Obrigado.
- Come pelo menos duas ou três bolachas, - disse colocando o pote na sua frente. – Tens que te manter o mais serena possível. Sei que é difícil, mas tens de perceber que a tua mãe já está nervosa, e com medo, porque toda a gente teme a sala de operações mesmo que seja uma coisa muito simples, quanto mais quando mexe com o coração. Quanto mais serenos estiverem, tu e o teu pai, mais confiante, ela ficará. Os teus irmãos já sabem o que se passa?
- A minha irmã, ligou-me esta manhã, e com os meus irmãos falei ontem. Só o meu pai não sabe. Tive receio que ficasse desorientado e tivesse algum acidente.
- Está bem. Eu falo com ele quando chegar. Vai lavar a cara, para que a tua mãe não veja que choraste.
-Obrigado. Não sei como te agradecer. Tenho tanto medo que alguma coisa corra mal. Não estou preparada para perder a minha mãe.
- Não penses nisso, vai correr tudo bem, - disse passando-lhe a mão pelo rosto numa suave carícia  que ela não rejeitou

A TRAIÇÃO - PARTE XXIV




Chegaram a casa a meio da tarde, depois de uma paragem na Nazaré onde almoçaram uma deliciosa caldeirada. Não trocaram mais do que meia dúzia de palavras, no resto da viagem. O agradável convívio da tarde e noite de sábado, por certo ficara lá em Aveiro, já que agora se estudavam como dois antagonistas. Odete não conseguia perceber como João fora capaz de a trair. Como fora capaz de abraçar Inês, de se deitar com ela, depois de tudo o que tinham vivido em conjunto. E ficava furiosa consigo, por continuar a sentir-se atraída por ele, e por ter a certeza de que apesar do doloroso espinho que trazia no coração, o marido continuava a ser rei e senhor dentro dele. Tinha absoluta consciência de que teria sido sua, se ele o tivesse tentado na noite anterior. E essa consciência, deixava-a furiosa. Que tipo de mulher era ela afinal? Onde estava a sua dignidade?
Por seu lado, João sentia-se impotente, perante a indiferença da mulher. Não conseguia compreender como ela fora capaz de o abandonar, quando ele se entregou de corpo e alma a ela e ao amor que os unia. Tal como um condenado, conta os dias que faltam para a sua libertação, ele contou um a um todos os que passaram desde que ela se fora. Noite após noite, na solidão do seu leito, contabilizou, mais um dia que acabava sem saber dela. E foram muitos. Mil trezentos e  oitenta e sete dias exatos. Em tempos, pensou contratar um detetive. Desistiu, por pensar que seria indigno violar a privacidade da esposa.
- Finalmente em casa. Sei que deves estar ansiosa por ir ver a tua mãe, mas aconselho-te a tomares um banho e descansares um pouco. Está demasiado calor. Será melhor até para ela que descanse nestas horas de maior calor. O ideal será ires depois da hora do lanche. E eu acompanho-te.
Sentiu de novo vontade de o provocar.
- Porquê? Acaso pensas que me acoberto nas visitas à minha mãe para me encontrar com alguém?
Contraiu-se a expressão masculina. Cerrou os punhos e meteu as mãos nos bolsos das calças, para não ceder à tentação de lhe agarrar num braço e o apertar, como fizera no carro.
-Estás a ser perversa, e não te conhecia essa faceta,- disse com raiva. – Sempre tive um certo carinho pelos teus pais, e penso que dei sobejas provas disso. É natural que me preocupe com a tua mãe e queira ver como está.
- Desculpa. A gravidade da sua doença, e a minha vida atual, afetaram o meu discernimento.
Ele não respondeu. Virou-lhe as costas e dirigiu-se ao escritório. À entrada, voltou-se e disse quase sem expressão.
-No nosso quarto, estão todas as tuas coisas, roupas, calçado, tudo o que tinhas quando partiste.  Fisicamente não mudaste muito, por isso se precisares vai até lá e serve-te. Vou ficar por aqui uma meia hora, - disse fechando a porta atrás de si.
Ficou perplexa. Que homem guarda durante anos as coisas da sua esposa, depois de a ter traído?





16.3.18

A TRAIÇÃO - PARTE XXIII



Durante mais de uma hora viajaram calados. Odete olhava pela janela como se a sua vida dependesse da paisagem que rodeava a estrada. João conduzia atento ao trânsito. Por fim ela quebrou o silêncio.
- A tua mãe teria gostado que ficássemos para o almoço.
- A minha mãe é muito arguta. Se estivéssemos umas horas com ela ia perceber que não estamos felizes.
- Mas querias ir à praia. Pensei que só vínhamos mais tarde.
- Na praia estávamos longe dos seus olhares.
- Não te entendo. Se tinhas tanto medo que ela percebesse, alguma coisa, porque viemos?
- Porque já tinha combinado vir antes do teu regresso. E já não aguentava mais, ela querer saber de ti. Estiveste ao telefone com a tua mãe?
- Não. Tu deste-me notícias, e se vou estar com ela quando chegar, não valia a pena telefonar.
- Há uma coisa que quero que dizer-te. Enquanto estiveres na nossa casa, não quero encontros com outro homem. Nem telefonemas ou e-mails.
Revoltou-se. O que é que ele estava a insinuar? Acaso julgava que ela era capaz de ter um amante?
- O bom julgador por si se julga, - atirou mordaz
Travou repentinamente, provocando um solavanco que a assustou.
- Estás doido? Queres matar-nos?
- O que é que disseste?
- Eu? Nada que tu não saibas.
Apertou-lhe o braço com a força, olhando-a furioso.
- Larga-me. Estás a magoar-me.
Soltou-a e reparou na mancha vermelha no braço.
- Desculpa, -disse voltando a pôr o carro em movimento. -Não voltará a acontecer. Não é hora nem sítio para conversas desta natureza.
Na sua cabeça ecoava a frase que lhe ouvira. Que quereria dizer com aquilo. Ela é que o abandonara, sem ele sequer imaginar porquê, e punha as culpas nele? Em dois dias era a segunda vez que lhe mandava uma indireta como se ele fosse o culpado pela separação. O que é que ele fizera além de amá-la, e de trabalhar como um louco? Talvez porque dispunha de pouco tempo para ela? Mas  se era por ela que trabalhava tanto. Para lhe pagar os estudos lhe comprar roupas caras, lhe dar jóias. Pensava que dando-lhe tudo isso, compensaria a diferença de idade, e faria com que não se interessasse por nenhum homem mais bonito e mais jovem.   Decididamente não entendia as mulheres. Primeiro foi Inês, que se fingia apaixonada por ele e o traía. E que depois de divorciada, lhe fez uma marcação cerrada, jurando arrependimento, para uns meses depois voltar a casar. Só não caíra na sua teia, porque o amor que dedicava à mulher era mais forte do que qualquer outro sentimento que experimentara na vida. E depois Odete, que ele julgara diferente, que amara com todo o seu ser, e que sem uma explicação o abandonou, transformando a sua vida num verdadeiro inferno. Ninguém a não ser o seu amigo Manuel, sabia o quanto ele estivera à beira do abismo. A ele agradecia o ter conseguido superar o seu desespero e voltar a dedicar-se de corpo e alma à profissão. Muitos o invejavam, pelo seu sucesso profissional. Ele trocá-lo-ia pelo amor da mulher, sem a mínima hesitação.


A TRAIÇÃO - PARTE XXII





Acabava o pequeno-almoço, quando a sogra e a irmã chegaram da missa.
- Bons-dias. Passaram bem a noite? – Perguntou Antónia, a mãe de João.
- Que pergunta mulher. Na idade deles só passam mal a noite se estão doentes, - disse a tia Margarida.  E acrescentou de seguida, - vou assar um pedaço de cabrito para o almoço. Vocês só vão depois de almoçar, não é verdade?
- Estávamos a pensar ir antes, tia. Vai estar um dia de calor infernal, é melhor irmos já. Almoçamos pelo caminho, e chegamos com tempo suficiente para descansar um pouco e ir visitar a minha sogra. A Odete está preocupada com a mãe, não é verdade querida?
Não pôde deixar de o olhar, desconcertada. Minutos antes, estava a propor-lhe uma manhã de praia, e agora estava com pressa de regressar?
- É verdade que estou preocupada. Me desculpem, mas a ideia de vir foi do João, eu teria preferido ficar junto dela, mas apesar disso acreditem que gostei muito de conhecer a cidade, e de estar convosco. E prometo-vos que voltarei noutra altura para ficar mais tempo, - disse sem olhar para o marido. Agora se me dão licença, vou arrumar as minhas coisas.
Já no quarto, procurou no armário, lençóis limpos para fazer a cama, levando os outros para a casa de banho, onde se encontrava o recetáculo para a roupa suja.
Depois colocou a maleta em cima da cama e começou a meter nela as suas coisas. Estava desesperada. Devia estar doida quando pensou que conseguia enfrentar o marido com indiferença. Que a raiva que sentia lhe daria forças. E ali estava, sem saber qual o jogo que o marido estava a jogar, e por causa da doença da mãe, completamente nas suas mãos.  E pensar que ela pensara, que ele era a sua alma gémea. Sobressaltou-se com o toque do telemóvel. Atendeu, e durante uns minutos falou com a irmã que lhe telefonava para saber como estava a mãe. Terminava a chamada quando João entrou no quarto. Desligou o telemóvel e guardou-o, sem dar nenhuma explicação ao marido que a olhava com um ar interrogativo. Ele que pensasse o que quisesse.
- Estás pronta?
- Para dançar ao toque da tua música? Sim meu senhor, e meu amo, - disse com ironia
Ele não respondeu. Limitou-se a pegar na maleta e a sair sem olhar para ver se o seguia.



Parece que a maioria já entendeu que a Inês foi a culpada da separação destes dois. Mas será que foi mesmo? Será que os complexos dos dois, a sua insegurança não foi a real culpada?
Que vos parece? Vai acabar bem ou vai acabar num divórcio?