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16.8.17

OBRIGADA AMOR





OBRIGADA AMOR


Pelos teus
silêncios,
pelos teus
beijos,
Pelo teu
sorriso,
pelo teu
olhar.
Pelas noites
que
adormeci
nos teus braços.
Pelas lágrimas
que
com teus lábios
me secaste.


Obrigada amor


Por seres
o farol
das minhas
noites
de loucura.
O raio de sol
dos
meus dias
sombrios.
O porto seguro
onde
ancorei
os meus sonhos
prestes
a naufragar

elvira carvalho


Porque hoje é um dia especial, não podia deixar de comemorá-lo, com os amigos.



10.8.17

CONVERSANDO


Mais uma história chegou ao fim. A todos os que a acompanharam, o meu muito obrigada, e o desejo de que não vos tenha desiludido.  Para os que gostam de me ler, amanhã terão aqui o inicio de Dívida de Jogo, a história de Eva, que espero vos agrade.
Um abraço para todos, e sejam felizes.


9.8.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXX


Aquele domingo de Abril, amanheceu radioso. Helena, o filho e os pais, tinham chegado dois dias antes ao Porto, e hospedaram-se no hotel, onde se realizaria a festa de casamento para os mais de duzentos convidados, que chegaram na véspera.
Helena jamais tinha sonhado com uma festa assim, mas Fernando não esquecia que lhe devia a vida, e quis que ela tivesse um casamento de princesa. Graças à armadilha montada pelo inspetor Morais, e sua equipa, conseguiram irritar Joaquim Salgueiro, que fez exatamente aquilo que eles esperavam. Tentou matar Fernando, o que não conseguiu, graças à pronta intervenção da agente que o acompanhava. Perseguido na fuga, e vendo-se encurralado, acabou disparando contra si próprio, a arma com que tentara alvejar Fernando. Com este desfecho, a polícia convocou a imprensa e contou toda a história. Os restantes membros da Orquestra, seus colegas, que se preparavam para regressar a Portugal, terminada que fora a sua digressão, foram então informados pela polícia americana do que se passara. Enquanto isso, ele regressara a Lisboa, para a sua doutora. Recuperara os seus documentos, apreendidos numa busca a casa do malogrado facínora, mas não a memória. Isso aconteceria, quinze dias mais tarde, quando numa academia de música, a que Helena o levou, por sugestão do psiquiatra, se sentou ao piano e deu livre curso à sua paixão. A Sinfonia nº 40 em sol menor de Mozart, com que devia estrear-se como solista nos Estados Unidos, penetrou nas profundezas da sua mente, e trouxe todo o passado para a atualidade. A magia da sua interpretação, fez com que as pessoas que se encontravam na academia, se fossem dirigindo para a sala, e aplaudissem entusiasmadas no final. Recuperada a memória, Fernando só tinha um desejo. Casar e regressar à sua casa na Póvoa, e à orquestra no Porto. Mas Helena, tinha que se despedir da clínica, e tentar a transferência do Hospital de Santa Maria para um hospital no Porto. E agora, tudo resolvido, envergando um belíssimo vestido branco, devidamente penteada e maquilhada pelos profissionais do hotel preparava-se para sair em direção à limusina que a levaria à Igreja da Lapa, onde o noivo a esperava cheio de ansiedade.
Mais tarde, pelo braço do pai avançou pela nave da igreja, confiante e feliz, sem desfitar o noivo, lendo nos seus olhos, as mais belas promessas de amor.
Quando a emocionante cerimónia chegou ao fim, e o padre lhe disse que podia beijar a noiva, Fernando beijou-a com paixão murmurando-lhe depois ao ouvido:
-Amo-te, doutora. Como nunca amei nada, nem ninguém.
Ela respondeu no mesmo tom.
- Amo-te tanto, que nem sei como consigo respirar.
Seguiram-se as felicitações. Primeiro, o próprio sacerdote, depois, o Inspetor Morais e a agente que durante uns dias fora “noiva” de Fernando, e que o noivo fizera questão de ter por padrinhos, Marta e o marido que foram padrinhos de Helena, os pais da noiva, e depois os familiares e amigos. Por fim os noivos encaminharam-se para a saída, da Igreja,  com Fernando carregando ao colo o pequeno Diogo, radiante por já ter um pai, como os outros meninos.


Fim

8.8.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXIX



Acordou cedo. Virou-se, procurando Fernando, mas a cama estava vazia. Esticou a mão e passou-a pela almofada que ainda mantinha a forma da sua cabeça. Estava fria. Não gostou. Saltou da cama, tomou duche e arranjou-se, pensando se o que se tinha passado na véspera, tinha acontecido mesmo ou ela tinha sonhado. Preparava as torradas quando ele apareceu na cozinha.
Bom dia, - disse sorrindo, enquanto a abraçava
-Deixaste-me sozinha,- queixou-se desviando o rosto para evitar o beijo. Porquê?
-Nada me daria mais prazer do que acordar a teu lado, doutora. Mas, e se o Diogo acordasse e fosse ter contigo ao quarto? Várias vezes o vi fazer isso quando acorda cedo. O que é que a cabecinha dele, ficaria a pensar?
Ele tinha razão. Que raio de mãe era ela que se esquecera do filho?
- Desculpa. Pões-me tão doida que não consigo pensar. É claro que temos de conversar com ele. Mas é melhor fazê-lo quando voltares.
- E porque não hoje? Tens medo, de que não volte?
-Não. Mas sinto-me inquieta. E se te acontece alguma coisa?
- Ouviste o que disse o inspetor. Não vai acontecer nada. E estou muito esperançado, de que à vista da minha casa, das minhas coisas eu recupere a memória.
- E se isso acontece e esqueces este espaço de tempo? Se não te lembras de mim?
- Isso não é possível, doutora. Estás aqui dentro, -disse apontando para o peito.
A eficiente doutora Helena, aquela que sabia sempre o que fazer, e que não tremia quando tinha de empunhar o bisturi, estava longe da mulher apaixonada, carente e insegura, que se sentia mal, só de pensar o que podia acontecer, naquela separação. Naquele momento as fatias de pão saltaram na torradeira, e ela concentrou-se em tirá-las e substitui-las por outras. Então o menino entrou na cozinha e depois de beijar a mãe, foi abraçar o tio, que o sentou nos seus joelhos.
- Bom dia, Campeão. Sabes que hoje começou um novo ano?
- Sei, E tu sabes que este ano já vou para a escola? Já sou crescido.
- Claro que sim, - disse com um sorriso. E como um menino crescido, vais escutar o que o tio Fernando, tem para te dizer sem ficares triste, está bem?
- Vais-te embora? – Perguntou muito sério.
Os dois adultos, entreolharam-se admirados com a perceção da criança.
- Tenho que ir, preciso resolver uns assuntos na minha terra. Mas volto em breve. Gosto muito de ti, Campeão. E da tua mamã. Gostava de ficar a viver convosco para sempre. Levar-te à escola, assistir às tuas atividades, levar-te a passear.
- Vais casar com a mamã?
Mais uma vez, os adultos se entreolharam.
- Gostavas que o fizéssemos?
- Sim. E depois eu já podia dizer aos meus amigos que também tenho um papá!
Emocionados, os dois adultos abraçaram a criança.

7.8.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXVIII



Noite de passagem de ano. Fernando e Helena tinham acabado de adormecer Diogo, e preparavam-se para assistir ao programa televisivo de fim de ano. Não era o melhor programa do mundo, mas por causa do menino não podiam sair. Ela vestia um bonito vestido de lã branco, ele vestia umas calças de ganga, e uma camisola de gola alta também branca. 
- Queres dançar, doutora? Podíamos desligar a televisão e por um CD.
Em resposta ela agarrou no comando e desligou o aparelho. Ele procurou um CD e colocou-o no leitor. Depois pegou na pequena mesa de sala afastou-a para um canto da  mesma.  
- Assim temos espaço, doutora -disse enlaçando-a
 Dançaram durante algum tempo em silêncio, desfrutando do prazer que sentiam, os corpos juntos como se estivessem colados.
-Danças, muito bem, doutora.
- Porque me tratas sempre por doutora? O meu nome é Helena.
Ela parecia amuada. Ele sorriu apertando ainda mais o amplexo.
- Porque gosto. Porque chamar-te doutora, é para mim uma forma de dizer que te amo, sem ninguém mais entender.
- Amas-me? – Perguntou ela erguendo o rosto para o fitar, sentindo que a atmosfera se tornara mais pesada, e o coração lhe queria saltar do peito.
- Amo-te mais do que possas imaginar, mais do que eu mesmo sonhei amar algum dia, E amo o teu filho, como se fosse meu, e vou querer-vos na minha vida para sempre, doutora. Quero casar contigo e acompanhar e proteger o Diogo. E fazer amor contigo e ter filhos contigo, doutora. E espero sinceramente que não te seja de todo indiferente, e que aceites casar com um pianista desmemoriado.
Ela sorriu emocionada. Mal podia falar. Só conseguia pensar, que ele a amava, e que amava também o seu filho. Duas lágrimas rolaram-lhe pela face, e foram morrer na sua boca. E então ela murmurou:
- É claro que aceito. Tenho um fraquinho por pianistas desmemoriados, não sabias?
-Tinha uma leve desconfiança, - disse sorrindo e inclinando-se para a beijar.
Foi um beijo longo, apaixonado a língua dele, invadindo-a exigente. Helena, sentiu-se desfrutada com paixão. Sentiu que o desejo percorria o seu corpo, queimava a sua pele, arrastando-a para um abismo de sensações.  Não resistiu, soltou um gemido e disse-lhe com a sua própria língua, que iria até onde ele a levasse.
E então ele deu-lhe a mão e levou-a para o quarto.



6.8.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXVII



- Faço qualquer coisa, para descobrir o que se passou.
- A minha ideia é a seguinte. O senhor vai apresentar-se na terra. Vai dizer que foi atropelado, esteve hospitalizado, apaixonou-se pela enfermeira que cuidava de si, e deseja casar o mais rápido possível. Esperamos que ao sentir que com o casamento, a herança lhe fugirá de vez, o Joaquim faça alguma coisa. E aí temos a prova que precisamos para o apanhar. É um risco, mas é um risco relativo. A enfermeira que estará sempre consigo, é uma das nossas melhores agentes, e para além dela, temos já na Povoa, dois agentes, atentos a todos os movimentos do suspeito. Claro que terá que obedecer rigorosamente ao que a sua “noiva” lhe disser. Tem que ter presente, que qualquer atitude irrefletida da sua parte, pode por em risco não só o nosso plano, como a sua vida.
- Cumprirei à risca o que me for indicado. E quando devo começar?
- Faltam dois dias para o Ano Novo. Que tal no dia dois. Pode ser?
- Por mim até podia ser já. Não vejo a hora de ver isto resolvido. E a polícia americana, já foi avisada?
- Já os pusemos ao corrente do que se passa, e pedimos para não divulgarem a notícia do seu aparecimento até acabarmos a investigação. Sabemos que as televisões estão a seguir o caso, e não queremos que a notícia seja divulgada antes de tempo.
- Mamã, tenho fome! – Reclamou o pequeno Diogo, irrompendo na sala.
- Vamos já lanchar, filho. Desculpem-me – disse levantando-se e dirigindo-se ao menino.
O Inspetor levantou-se.
- Também já acabei. Desejo-vos uma boa passagem de ano, - disse estendendo-lhe a mão. 
- Obrigado. Desejo-lhe o mesmo, - disse ela retribuindo o cumprimento e seguindo com a criança para a cozinha.
Fernando acompanhou-o à porta e aí se despediram:
-Feliz Ano Novo, inspetor
- Feliz Ano Novo, Fernando. E os meus parabéns. O senhor é um homem muito rico.







5.8.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXVI



Três dias depois, Helena recebeu uma chamada do inspetor, dizendo que estava a caminho da sua casa. Ela quis saber se tinham descoberto alguma coisa, mas ele não respondeu e desligou o telefone deixando-a preocupada. Que teria acontecido. Entrou na sala, onde Fernando brincava com Diogo e disse:
- Diogo, vai brincar um pouquinho para o teu quarto. A mamã precisa falar com o tio.
A criança afastou-se e ela informou:
-O inspetor Morais, telefonou. Deve estar a chegar. Não me deu qualquer informação, sobre o que se passa.
Ele levantou-se nervoso, exatamente no momento em que a campainha da porta se fazia ouvir. Helena apressou-se a ir abrir a porta e a introduzir o investigador na sala.
- Boa tarde.
-Boa tarde, inspetor. Descobriram alguma coisa?
- Algumas, senhor Fernando. Sabe quem é este homem? – Perguntou tirando uma fotografia do bolso e mostrando-lha.
- Não. Mas eu já vi este homem. Lembras-te do sonho que te contei ontem?- Disse voltando-se para Helena. Este foi o homem que me afastou, e não me deixou ver quem estava na urna.
- Que sonho foi esse? – Perguntou o policial.
- Conta-lhe tudo. Eu vou só ver como está o Diogo, e já volto.
Quando voltou, Fernando acabara de contar todo o sonho.
- Muito interessante. Então agora oiçam o que nós descobrimos. Há três meses morreu na Póvoa, o senhor António Loureiro, um homem muito rico. Era viúvo e não tinha família a não ser um sobrinho neto, de nome Fernando Monte Real, um jovem pianista, muito estimado por quem o conhece. E um afilhado, chamado Joaquim Salgueiro. O falecido, deixou toda a sua fortuna ao sobrinho-neto, com a ressalva de que se o herdeiro morresse sem descendência, toda a sua fortuna passaria para o afilhado Joaquim.  Por causa da leitura do testamento, o senhor não viajou para a América com os seus colegas.
Ora bem, já sabemos que o Joaquim não é flor que se cheire. Tem histórico de violência e os vizinhos não quiseram falar por medo de represálias. Pensamos que o que lhe aconteceu, foi um plano dele para acabar consigo e receber a herança. No mesmo dia, em que assistiu à leitura do testamento, com ajuda ou sozinho, deve tê-lo surpreendido. Agrediu-o selvaticamente, provavelmente mascarado, e julgando-o morto, abandonou-o bem longe de casa, não sem antes lhe roubar os documentos. Viajou depois para os Estados Unidos, fez o registo no hotel e voltou para Portugal com a sua própria documentação. Já estamos a examinar os registos dos voos provenientes da América naqueles dias.
 Mas não temos qualquer prova, e por isso pensámos preparar uma armadilha para o apanhar. Mas para o fazer, precisamos da sua ajuda.

4.8.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXV



- Como conseguiste? - Perguntou Helena quando saíram do quarto. Não tem pesadelos com muita frequência, mas quando os teve só acalmou quando o levei para a minha cama.
- Segredo masculino, - disse ele sorrindo.- O Diogo é um menino muito inteligente. Joga com a tua ansiedade, para conseguir o que quer. E todas as crianças, gostam de se meter na cama dos pais, quando acordam de noite.
- Parece que percebes muito de crianças. Será que tens filhos?
- Não o creio. Se os tivesse, a mãe deles já teria entrado em contacto com a polícia, não achas?
-Sim claro. Perdi o sono. Vou beber um copo de leite. Também queres?
- Não. Mas também estou sem sono. Tive outro sonho estranho.
Dirigiram-se à cozinha. Ele sentou-se. Ela abriu o frigorífico despejou o leite no copo e colocou-o a aquecer no micro-ondas. 
- Não queres mesmo um copo de leite? Talvez um chá…
Ele moveu a cabeça negativamente e ela sentou-se à sua frente. Deu um gole no leite, e disse:
- Estou a ouvir-te
Ele contou o sonho como o tinha vivido, até ao momento em que o grito de Diogo o acordou.
- Que te parece. Achas que está relacionado comigo?
- Pode ser. Mas também pode ser, um reflexo do teu inconsciente, ao que o inspetor disse. Ou ainda, um daqueles sonhos que não se relacionam com coisa nenhuma e parecem ser brincadeiras do nosso cérebro. Reconheceste alguém?
- Sim. Na verdade reconheci as pessoas importantes da terra, mas não vi quem era o morto. Nem sequer sei se era homem ou mulher.  Havia um homem que me empurrou, e fechou a urna. Parece que ele me queria afastar.
- Isso pode ser interessante. E quem era esse homem? Sabes?
- Não. Só que era pouco mais velho do que eu. E parecia que estava acompanhado da mãe.
- Olha são quatro horas, e a casa está fria. Porque não voltamos para a cama e de manhã pensamos nisso?
 Ele olhou-a intensamente e ela corou ao perceber o desejo nos olhos masculinos, e pensou que a sua ideia de voltarem para a cama podia ser interpretada como um convite.
Levantou-se, e voltou-se para colocar o copo no lava-loiça.
Ele aproximou-se, e pondo-lhe as mãos nos ombros, obrigou-a a voltar-se. Com o olhar fixo no dela, disse:
- Não tenhas medo, doutora. Por muito que te deseje, não vai acontecer nada entre nós, enquanto eu não souber, se sou digno de ti.
Virou-lhe as costas e dirigiu-se ao quarto.



3.8.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXIV






Estavam no cemitério. Caminhava atrás de uma carrinha funerária. Ele e meia dúzia de pessoas. Um homem pouco mais velho do que ele, e dois outros bem mais velhos. E três mulheres. Todas idosas. Percebeu que uma delas seria a mãe do outro homem. As outras, as esposas dos outros dois. Ele estava sozinho. Atrás deles algumas pessoas importantes. Ele conhecia alguns. O doutor, o presidente da junta de freguesia, o dono do talho. Ele estava triste. Perguntou-se quem seria o defunto, mas não encontrou resposta para a sua própria pergunta. O carro funerário parou. Ao lado havia uma cova. Dois homens estavam ao lado das pás. Outros dois seguravam em cordas. A urna foi retirada da carrinha e colocada sobre uma banca ao lado da cova. Um padre aproximou-se e encomendou a Deus a alma do defunto. Depois o homem da funerária abriu a urna, para uma última despedida. O choro das velhas aumentou. Ele ia aproximar-se, para ver o corpo, mas o outro homem empurrou-o, e fechou a urna.  Nesse momento alguém gritou.
-Mamã, mamã…
Era uma voz de criança e chorava. Acordou em sobressalto. Saltou da cama e saiu disparado em direção ao quarto de Diogo, quase chocando com a mulher que acudia aflita ao grito do filho.
Encontraram o menino, sentado na cama com o rosto banhado em lágrimas.
-Pronto, filho a mamã está aqui. Foi só um sonho, meu amor, não tenhas medo, -dizia Helena abraçando-o e beijando-o para o acalmar.  
Fernando sentou-se na cama, e passou a mão pela cabeça do menino.
- Então Campeão, o que é isso? Um menino tão corajoso como tu, tem medo de quê?
-Não tenho medo, tio Fernando, -disse o menino empertigando-se.
- Bem me queria parecer, Diogo. Mas sabes uma coisa? É noite, e de noite as pessoas dormem. E os meninos que não têm medo, também. Vamos dormir?
A criança subitamente calma, deitou-se e Fernando aconchegou-lhe a roupa, e deu-lhe um beijo na testa, perante o espanto da mãe.


Hoje mesmo volto para Lagos. As postagens vão continuar a sair conforme programação anterior, mas do Smartphone não consigo aceder aos vossos blogues, pelo que vos peço desculpas pela minha ausência. Deixo um abraço e votos de felicidades para vós. Os posts sairão tal como estão agendados todos os dias.




2.8.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXIII









- Nenhuma – disse Helena, para quem aquela aventura vinha dar um ar de graça à sua vida tão rotineira.
- Muito bem. Tenho aqui a indicação da sua morada. Mas por todas as razões expostas, não aconselho o seu regresso. Teria que destacar um polícia para o proteger, o que poria de sobreaviso, quem quer que queira acabar consigo. Pela sua segurança, pela investigação, pelos cuidados médicos que decerto continuará a precisar, é aconselhável que continue com a doutora. Entretanto – acrescentou – vamos prosseguir as investigações, agora seguindo as pistas que a direção de orquestra nos forneceu. Segundo eles, o senhor é solteiro, vivia sozinho, e os seus pais já faleceram. Mas não sabem se tem familiares vivos. Não se lembra se tem irmãos, tios, sobrinhos? Alguém que tenha, consigo algum laço familiar, ainda que afastado?
- Não inspetor. A única coisa que recordei, que nem foi bem recordar, foi que quando a doutora Helena, disse que tinha de me arranjar um nome, imediatamente me veio à memória o nome de Fernando. Mas nem sequer sabia se era realmente o meu. Depois um dia tive um sonho que me deixou desconcertado. 
Contou ao inspetor o sonho, tal como antes o contara a Helena.
- Deveria falar com um psiquiatra. Pode ser que a sua memória vá aparecendo assim. Por agora está tudo dito. Entro em contato logo que tenha mais notícias. E já sabe, qualquer lembrança que tenha deve comunicar-me. Por mais insignificante que pareça. Espero que a resolução deste caso seja a seu contento.
Levantou-se e estendeu-lhes a mão dando a conversa por terminada.
Saíram. A caminho do carro, ela perguntou:
-Que se passa? Porque estás com esse ar tão macambúzio? Não é bom saberes quem és?
- Saber o meu nome, não é saber quem sou, doutora. Não percebeste que o inspetor suspeita de mim? Não percebes que posso ser um facínora?
- Tenho a certeza de que não o és, Fernando. Quando te olho, há desespero, e ansiedade no teu olhar. Maldade não. E eu acredito no que leio nos teus olhos.
- Deus te oiça, doutora, Deus te oiça.




1.8.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXII






Quando chegaram, o inspetor Morais, ainda não tinha regressado do almoço, mas tinha deixado ordens para que lhe colhessem as impressões digitais e as comparassem com as de Fernando Monte Real que já lhes tinham sido enviadas de manhã pelo Arquivo Central. Depois de recolhidas e enviadas para os peritos que as iam analisar, eles ficaram a aguardar, até que o policial regressasse o que demorou apenas um quarto de hora. Depois de os cumprimentar, pediu que entrassem no seu gabinete, e explicou-lhes o trabalho de pesquisa já efetuado junto da direção da Orquestra Nova do Porto, que lhes facultara todas as informações sobre o pianista desaparecido juntamente com a sua fotografia, e ou ele tinha um sósia perfeito, ou era realmente a pessoa em questão. Faltava apenas a resposta dos peritos na comparação das impressões digitais mas isso era muito rápido, devia estar a chegar. E chegou cinco minutos mais tarde por fax. Sem qualquer dúvida, ele era o pianista desaparecido em Los Angeles no dia cinco de Dezembro, quando se encontrava em coma no Hospital de S. José em Lisboa, desde o dia três. 
- Um mistério bem cabeludo, - disse o inspetor. Está claro para nós que alguém se quis livrar de si. Assim depois de o abandonarem morto na berma da estrada, - acredito que quem o fez, estava convencido que estaria morto, viajaram para os Estados Unidos com os seus documentos e registaram-se no hotel. Provavelmente quem o fez, viajou de volta para Portugal, com a sua verdadeira identidade. O seu desaparecimento seria comunicado à polícia americana, e o senhor seria sepultado em Portugal como indigente. E se fosse identificado, todas as investigações posteriores diriam que tinha viajado e desaparecido no estrangeiro, pelo que o caso seria arquivado sem solução. O que levaria alguém a elaborar um tal plano é o que temos de descobrir. Ou o senhor está metido com algum gang que já se fartou de si, ou viu alguma coisa que não podia, nem devia ver. Em qualquer dos casos a sua vida não está fácil. Vamos manter segredo sobre o facto de estar vivo. Quem se deu a tanto trabalho para se livrar de si, vai querer acabar o serviço, se souber que está bem de saúde. Vou-lhe pedir que evite aparecer em locais onde possa ser fotografado. Continua em casa da doutora?
- Sim, - disseram os dois em uníssono.
E há algum inconveniente em manter-se lá enquanto dura a investigação?


Bom dia amigos. Férias interrompidas, por três dias. Estou cheia de saudades dos vosso cantinhos. Espero visitar-vos  mais logo.