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9.12.18

A SURPRESA DO PAI NATAL










Foi com grande espanto que, num domingo de manhã, a Marta descobriu junto à lareira da sala um saco vermelho de feltro, em forma de bota. “Terá sido o Pai Natal?”, perguntou a si mesma. Mas, pelas suas contas, ainda faltavam mais de vinte dias para o Natal, o que é uma eternidade para quem espera ansiosamente por esse momento.
A Marta abriu o saco, mergulhou a mão lá dentro e a primeira coisa que agarrou foi um pequeno envelope. O remetente, claro está, era o Pai Natal. E a carta era dirigida a “todos os que querem viver mais felizes”. No fundo, podia ser para qualquer um. E dizia o seguinte:
Queridos Amigos,
Há muitos anos que ando preocupado com a forma como vivem a época de Natal, que, aliás, é muito parecida com a forma como vivem o resto do ano.
Por isso, resolvi mudar de estratégia. Este Natal, não contem com as tradicionais prendas na noite de 24, que ocupam demasiado espaço nas vossas casas. As prendas que eu tenho para oferecer este ano podem chegar já hoje, no preciso momento em que lêem esta carta. Chamam-se ‘ Tarefas’ e são uma prenda para cada um e para o mundo. Espero que elas vos ajudem a ter um Feliz e Sereno Natal.
Um abraço,
Pai Natal
A Marta ficou um pouco triste. Ela que já sonhava com a boneca de olhos azuis que pedira ao Pai Natal. Quanto às outras prendas, não se importava de não receber. Mas a boneca… Talvez a Tia Luísa, que era sua madrinha, tratasse do assunto.
Mas que tarefas eram essas que ela lera na carta? Não havia tempo a perder. Ao mesmo tempo que vasculhava o fundo do saco, a Marta chamou a mãe, o pai, os manos e a avó, para contar tudo.
— E o saco está cheio de papéis pequenos que parecem rifas. Devem ser as tarefas — disse, depois de explicar tudo. — Vamos ver o que sai daqui.
Então, cada um tirou uma rifa que lhe destinou uma tarefa para a época de Natal:
Plantar dois pinheiros
Oferecer as cinzas da lareira às plantas
Comer mais frutas do que doces
Não ir a muitas lojas
Andar e fazer tudo mais devagar
Descobrir as cores que a Mãe Natureza apresenta nesta época.
Apesar de não parecerem prendas, a verdade é que todos ficaram entusiasmados com as tarefas que o Pai Natal tinha proposto. E esta foi a época natalícia mais feliz que a família alguma vez vivera!
E, na noite de Natal, a Tia Luísa chegou com um embrulho na mão. O Pai Natal dera outras prendas mas não se esquecera de encomendar à madrinha da Marta a boneca que ela tanto queria.




Rosário Araújo e Catarina França
Brincar às escondidas e outras histórias da Mãe Natureza
Revista Pais & Filhos, 2009



18.3.18

A TRAIÇÃO - PARTE XXVI





A semana que se seguiu, foi de muita preocupação. Odete passava todo o tempo que o hospital permitia junto da mãe.
Os seus pais, sempre foram um casal muito unido, e o pai estava desesperado. Por isso, quando não estava no hospital, apoiava o pai. Chegava à noite emocionalmente destroçada. Se não fosse o apoio incondicional do marido, o seu carinho, ela não teria conseguido aguentar-se. Os dois estavam cada dia mais próximos, como se ela tivesse esquecido a traição que sofrera. E chegou finalmente o dia da cirurgia. Odete e o pai esperavam no hospital que a operação terminasse. Ela não parava de olhar o relógio. João tinha-lhes dito que a cirurgia demoraria entre quatro a cinco horas, havia quase seis horas que tinham levado a mãe e o marido não aparecia.
Finalmente João apareceu com um sorriso nos lábios, informando que tudo tinha corrido bem, a paciente já saíra do recobro, e fora levada para a UTI (unidade de terapia intensiva) onde ficaria durante quarenta e oito horas, permanentemente monitorizada. Durante esse tempo, eles não poderiam vê-la, apenas informarem-se acerca do seu estado na secretaria. Como médico, ele sim, poderia vê-la, e informá-los-ia, além de se manter em contato constante com o hospital, para saber como ela estava. De momento não podiam fazer mais nada, a não ser regressar a casa e esperar que tudo continuasse a correr bem. Se assim fosse, depois dessas quarenta e oito horas, ela seria transferida para o quarto e aí já podiam visitá-la. Emocionada Odete deu livre curso à sua alegria abraçando e beijando o marido.
Os três saíram então do hospital, para casa dos pais de Odete. Aí, enquanto o pai telefonava para os filhos, ela foi para a cozinha e começou a preparar o jantar. Mexia o refogado, quando o João nas suas costas, a abraçou pela cintura e a beijou no pescoço.
- Que fazes? – Perguntou quase sem voz
- Retribuo o abraço que me deste no hospital – murmurou ao seu ouvido.
- Por favor, o meu pai pode entrar.
- E então? Somos casados. O teu pai sabe que marido e mulher trocam carinhos.
- Mas tenho que preparar o jantar, - protestou.
- Não tenho fome de comida. A minha fome é outra, - murmurou mordiscando-lhe a orelha.
Corada e sentindo as pernas a tremer, ela soltou-se.
- Por favor, João. Deixa-me preparar o jantar, não sei se te lembras, mas nenhum de nós come há imensas horas. E se tu não tens fome, o mesmo não posso dizer eu e o pai.
- Pronto, pronto, rendo-me, - disse ele levantando as mãos num gesto cómico. - Vou para a sala.
Quando ele saiu, Odete encostou-se ao balcão. Cada dia lhe custava mais resistir às carícias do marido. Todo o seu corpo clamava por ele. Mas e a traição? Conseguiria ela algum dia esquecer que ele fora capaz de dormir com Inês, enganando-a duplamente porque lhe dissera que estava de plantão?



Esta história aproxima-se do fim. Mas pela primeira vez desde que venho escrevendo estas histórias eu fiz dois fins, e serão vocês a escolher o final. A história terminará no capitulo 28, ou seguirá para o outro final, tudo depende do vosso desejo.