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31.10.19

NOTÍCIAS


Boa noite amigos, depois de ter passado cinco horas no hospital de Santa Maria, duas delas à espera que o olho cedesse às gotas e dilatasse, e as outras três em exames e consultas, as notícias são mais do mesmo. Tudo na mesma, o professor diz que já falou com os colegas, está tudo combinado para a cirurgia dupla que eu necessito, mas a brevidade dessa cirurgia não depende deles. Como em todos os transplantes, não chega que haja uma córnea, é necessário que ela seja compatível comigo. Assim sendo não há nada a fazer, a não ser esperar.
Como vêem não sou grande coisa como bruxa. Nem consigo pôr um olho novo...

E PORQUE HOJE É DIA DAS BRUXAS...


Pois é. Dizem que hoje é o dia das bruxas, e pronto cá estou eu. Como dizia o outro "Se não podes vencê-los junta-te a eles"



E hoje irei de novo ao Hospital de Santa Maria por causa do olho. Vamos ver quais serão as notícias.
Quando chegar dou notícias





30.10.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE VIII




Levantou-se cedo no dia seguinte. Tomou o duche, vestiu um fato azul-escuro com uma camisola de malha de gola alta, e dirigiu-se à cozinha, onde a empregada já se aprestava para lhe fazer o pequeno-almoço.
-Bom-dia Celeste.
-Bom dia, senhor.
- Só vou beber um café. Quando volta a Maria?
- As férias dela terminam hoje. Amanhã já cá estará.
-Muito bem. Suponho que estes dias tem trabalhado além do desejado. Tenho andado tão preocupado que me esqueci de que está sozinha com todo o trabalho da casa.
- Não me queixei senhor.
- Eu sei que não. Mas hoje mesmo vou pedir à agência que me arranje uma substituta para a Fátima. E a Celeste telefone à Odete. Se ela ainda estiver sem trabalho e quiser voltar, diga-lhe que venha falar comigo.
- Assim farei. Mas se o senhor me permite, e uma vez que infelizmente dona Sara não voltará, se a Odete voltar, nós três damos perfeitamente conta do recado. A Fátima estava ao serviço exclusivo da sua esposa, como sabe, não será necessário substituí-la.
Das quatro empregadas que anteriormente tinha em casa, uma estava de férias, outra tinha casado e abandonara o trabalho. E Odete, que além de cozinheira, era uma espécie de governanta, fora despedida num dos ataques de mau humor que Sara vinha tendo nos últimos dias antes da tragédia. A casa, com os dois pisos e os seus múltiplos cómodos, era demasiado grande para uma única empregada, a pobre da Celeste devia andar derreada.
Gil acabou de beber o café, poisou a chávena em cima da mesa, pegou na pasta com o portátil e dirigiu-se à porta. Porém antes de sair, voltou-se e disse:
- Não venho almoçar, mas janto em casa.
Saiu. No ar frio que o envolveu, havia um agradável cheiro a terra molhada, fruto da chuva que caíra toda a noite.
Entrou no carro, pôs o motor a trabalhar e saindo da sua propriedade, seguiu em direção aquela que fora até agora uma das suas empresas em sociedade com o seu irmão, e que ia agora passar totalmente para ele.
Apesar da sua fortuna, Gil não esquecia as suas origens, nem os deserdados da fortuna que continuavam a existir no seu país, e especialmente no bairro onde viveu. Um dos seus grandes sonhos,  era criar uma fundação, que se dedicasse, a fazer com que essas crianças pudessem vir a ter as mesmas condições de futuro, de todas as outras. Que pudessem estudar, ou fazer uma formação profissional, que lhes permitisse terem um futuro melhor, do que aquele que os seus pais tiveram. Ele sabia que muitas dessas crianças iriam perder-se nos caminhos da droga e prostituição, se ninguém fizesse nada por elas. Algumas não chegariam sequer à idade adulta.
Anos atrás, quando ainda era um jogador de seleção, tivera conhecimento de uma fundação que se dedicava a construir escolas, abrir poços, montar pequenos hospitais, em locais remotos de África. Gil não sabia quem era o fundador dessa fundação, nem sequer sabia se era obra de um ou vários homens. Só sabia que o homem que estava à frente da mesma, mantinha um anonimato completo, e que era muito rigoroso com a admissão de colaboradores dessa obra.  Inicialmente pensara candidatar-se a colaborador nessa obra, mas depois pensou que era mais lógico que fizesse uma coisa parecida pelas crianças carentes do seu país. Não precisaria construir escolas nem hospitais, bastava dar-lhes meios para que frequentassem as que havia.
E projetara utilizar uma boa parte da sua fortuna, para realizar esse sonho. Atualmente com o êxito dos seus livros, e o excelente trabalho do seu diretor financeiro, que estudava o mercado e lhe investia parte do dinheiro sempre com excelentes resultados, a sua fortuna aumentava todos os dias. Por isso Gil achava que tinha chegado a hora de transformar esse sonho em realidade.


29.10.19

CELESTE

Este conto é uma reedição. Os mais antigos já o conhecem, mas como tenho vários leitores que não tinha na altura em que foi publicado, e como parece que a violência doméstica não tem fim à vista...




Mal o despertador tocou, Celeste saltou da cama. Lavou-se a correr e foi para a cozinha. Com gestos completamente automatizados, pegou no isqueiro e acendeu o fogão. Era noite ainda, mas Celeste trabalhava longe. Começou a fazer o almoço, para ela e para o marido. Uma lágrima soltou-se e veio cair no alguidar onde tinha as batatas para descascar. Estava cansada. Cansada daquela vida de miséria física e moral em que se encontrava. Onde tinham ficado os sonhos de menina? -Interrogou-se enquanto acabava de descascar as batatas. Onde a ilusão de um homem bonito, que se apaixonasse por ela e lhe desse uma vida de amor e felicidade?
Juntou duas postas de bacalhau às batatas e o sal, quase sem dar por isso absorta nas suas recordações.
Celeste era uma mulher bonita, sem ser nenhuma beleza estonteante. Era pequena, de pele trigueira, com aquela cor das pessoas que vivem à beira-mar. Tinha o cabelo preto e uns olhos castanhos, que muitas vezes se enchiam de lágrimas. Era uma menina ainda, com toda a inocência dos seus quinze anos quando conheceu aquele que era o seu marido.
Afonso era um homem bonito. Mais velho e mais vivido, não foi difícil apoderar-se do coraçãozinho de menina que batia no peito da Celeste.
Casaram um ano depois. Celeste já carregava no ventre um filho. Ainda menina, teve que aprender a ser mãe, e a cuidar daquele pequeno ser, que Deus lhe quisera enviar.
Depressa se apercebeu que o marido não era o príncipe com quem sonhara. Um dia, tinha o filho três meses, Afonso saiu depois do jantar, deixando-a em casa com o filho, e só regressou depois da meia-noite completamente bêbado.
Como se fora um autómato, Celeste apagou o fogão, escorreu a água às batatas e dividiu a comida pelos dois termos. Pegou as duas lancheiras, que estavam em cima do aparador, colocou um termo em cada uma, juntou uma carcaça do dia anterior, uma pêra e um garfo. Encheu uma garrafa de meio litro de tinto e colocou numa das lancheiras. Foi ao quarto e acordou o marido. Na volta pôs um pano de cozinha em cada lancheira e fechou-as.
Tirou as chaves que estavam na porta, pegou na carteira, e na lancheira, e atirou um seco até logo, saindo de seguida. Não foi ao quarto despedir-se do marido. Há muito que não trocavam um beijo carinhoso.
Enquanto se dirigia à paragem do autocarro, na cabeça fervilhavam as recordações, dos olhos soltavam-se as lágrimas.
O filho crescera e saíra de casa. Nunca se sentira lá muito bem, nem tivera uma relação de amor com o pai. E assim que se empregou, arranjou uma casita e foi morar sozinho. A sua vida ficara então mais triste, sem a presença do filho.
Já lhe ocorrera pedir o divórcio. Porém o medo e a vergonha sempre a faziam desistir da ideia.
Recordou a primeira vez que o marido lhe batera. E a desculpa com que teve que encobrir, perante a família, a vergonha e a dor que sentia tanto ou mais do que os hematomas. E os dias sem lhe falar. Dias em que ela lhe gritava o nome de manhã antes de sair de casa, e não se falavam mais.
Como agora que não se falavam desde que há oito dias ele lhe tinha voltado a bater. E tudo por causa do álcool. Mordeu os lábios para abafar um soluço ao lembrar - se daquela noite. Ela já dormia, quando Afonso chegou. E estava tão cansada que nem deu por ele se deitar. Acordou com o peso do marido em cima dela. E aquele bafo nauseabundo de bêbado. Quis empurra-lo, fugir da cama. Mas não conseguiu. Ele era muito mais forte e puxara-lhe os cabelos com violência. Virou o rosto e isso enfureceu mais " a besta". Porque Celeste não reconhecia mais o marido naquele selvagem. Quando consumados os seus intentos se virou para o lado e adormeceu, ela levantou-se e meteu-se debaixo do chuveiro. Esfregou o corpo com raiva, enquanto as lágrimas se misturavam à água. Voltou para a cama, e acomodou-se tentando não tocar no marido. Não dormiu mais. E agora enquanto esperava pelo autocarro, pensava que rumo dar à sua vida. O amor que sentira um dia por aquele homem, já sofrera muitas alterações. Foi raiva, medo, ódio, desprezo e agora era também nojo.
De repente saído do nada, veio-lhe à memória, o poema de António Gedeão.

Anda Luísa,
Luísa sobe...
Sobe que sobe,
Sobe a calçada...

Sacudiu a cabeça, ao mesmo tempo que pensava, se o poeta saberia da sua existência.
É que aquela Luísa era ela...


FIM

 Elvira Carvalho



28.10.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE VII





Fosse qual fosse o desfecho da tragédia que  Gil vivia no momento, ele  tinha tomado algumas decisões que iria pôr em prática a partir do dia seguinte.
Quando deixou o futebol, e embora se tivesse associado ao irmão, nunca pensou que o seu futuro passasse pelo empresariado, fizera-o apenas para fazer progredir o negócio, e a verdade é que o conseguiu, pois, três anos depois abriram uma filial no Porto e ultimamente já estudavam a hipótese de abrir outra em Faro. De facto, ele ia pouco à firma, dedicando-se de alma e coração ao curso que terminara à pouco, e à escrita. Era Marco quem a geria e a fazia crescer, embora nunca o tivesse conseguido se ele não se tivesse tornado sócio e não tivesse injetado na firma, uma boa quantia monetária.   
Agora ele ia doar os seus sessenta por cento da empresa ao irmão, de modo a torná-lo completamente independente. Por outro lado, esperava montar uma boa clínica à sua irmã, que se formara em medicina e que estava de momento a terminar a especialização em neurologia em Nova Iorque. Depois com as suas vidas estabilizadas, ele podia dedicar-se por completo, à escrita, e à sua filha, se Deus permitisse que ela chegasse a nascer. Teria que contratar uma boa ama para lhe ajudar com a menina, pois nada sabia de como cuidar de um bebé.
Pouco jantou. Estava física e emocionalmente cansado. E no dia seguinte teria uma reunião com o irmão e o advogado, a fim de iniciar o processo de doação das suas ações. Mais tarde, teria que entrar em contato com a agência de emprego a fim de lhe enviarem algumas amas. Teria que fazer várias entrevistas, a vida da filha era demasiado preciosa para a colocar nas mãos de uma ama mal qualificada. Calculava que tivesse algum tempo, embora a bebé pudesse nascer a qualquer momento se surgisse algum problema na mãe, que pudesse por em risco a sua vida. Todavia ainda assim ela teria que estar algum tempo na incubadora. Nem por um momento queria pensar, que a bebé poderia morrer antes de ver a luz do dia. A filha era uma guerreira ia nascer saudável, apesar do corpo que a estava a gerar estar apenas artificialmente vivo.
 Todavia como passava as tardes no hospital, ficava apenas com as manhãs para tratar dessas entrevistas.
Fazia-lhe tanta falta a irmã. Decerto ela seria não só um grande apoio moral, como uma ajuda nos primeiros meses de vida da sua filha. Apesar de já lhe faltar pouco mais de  um mês para o regresso, não podia pedir-lhe que interrompesse a sua vida e os seus sonhos por sua causa.
Abrira o portátil e como todos os dias, durante mais de uma hora pesquisou sobre bebés prematuros. Depois desligou-o e dirigiu-se ao quarto no piso superior.  Preparando-se para dormir, foi à casa de banho,  escovou os dentes, despiu-se e vestiu o pijama. Voltou ao quarto e deitou-se. Porém a madrugava já se aproximava quando conseguiu adormecer.

27.10.19

PORQUE HOJE É DOMINGO





Um papagaio engoliu um comprimido  de Viagra distraidamente deixado ao seu alcance pelo dono.  Este, preocupado com o efeito, mete o papagaio no congelador para o acalmar.Um hora mais tarde o dono abre a porta e vê o papagaio todo suado e pergunta:
- Eh pá, como é que  podes estar todo suado no congelador?
E o papagaio responde:
- Achas que é fácil abrir as pernas a uma galinha congelada?


                                                        *********************


Numa manhã fria, dois velhinhos encontram-se na rua. Diz um para o outro:
- Alfredo, tudo bem? Vamos tomar um café e conversar um pouco?
E responde o segundo velhinho:
- Podemos conversar, mas estou evitando o café. Ele tira toda minha potência sexual!
Estranhando, diz o primeiro:
- Como? Desde quando o café tira a potência sexual??
E esclarece o segundo:
- É que acabo por queimar sempre a língua e os dedos



                                                           ************************

Um rapaz acompanha a sua namorada à porta de casa. São altas horas da madrugada. Encosta-se à parede e entala a sua querida entre a porta e o seu corpo:
- Dá-me lá uns beijinhos num sitio que cá sei!
Responde a rapariga:
- Não, é nojento…
Insiste o rapaz:
- Vá lá…
- Não dou! – recusa novamente a rapariga.
Sem desistir, mais uma vez pede:
- Dá lá… só um!
- Não! – responde a rapariga.
E o discurso manteve-se assim durante um tempo. Entretanto a porta abre-se, surge a irmã desgrenhada e sonolenta e diz:
- Olhe cavalheiro, o meu pai diz para eu dar o beijinho onde você quiser; se for preciso até ele vem cá abaixo e também dá, mas, por favor, tire a mão da campainha da porta que a gente quer dormir…

                                                        *********************

Dois amigos discutem formas de fazer amor:
- E sexo à rodeo? Já experimentaste?!
Responde o outro amigo:
- Sexo à rodeo? Nunca ouvi falar, como é?
Explica o amigo:
- Pões-te em cima da tua mulher, começas a fazer amor e segredas-lhe ao ouvido: esse teu perfume é igual ao da minha secretária.
E depois? – pergunta curioso o amigo.
Responde o primeiro:
- Depois? Depois tentas manter-te em cima dela pelo menos durante cinco segundos…



                                                   *****************************


O Joãozinho entra de repente no quarto e vê a mãe em flagrante deitada em cima do pai a fazerem sexo.
Que estás a fazer, mamã? – pergunta ele.
A mãe meio atrapalhada, responde:
- Ah… querido… bem… sabes é que o teu pai está muito gordo e eu estou a tirar todo o ar que está dentro dele…
E o Joãozinho:
- Não adiante mamã! Quando tu fores trabalhar, a vizinha do lado vai soprar-lhe no canudinho e ele volta a encher de novo…


                                                                      
E não se esqueçam : Às duas horas devem atrasar os vossos relógios uma hora. Mas se esqueceram e foram dormir, não se aflijam. Façam-no quando se levantarem.  Ainda gostava de saber porque raio foram escolher uma hora em que grande parte da população já está a dormir, para mudarem a hora.


26.10.19

PENSAMENTO DO DIA


Não importa saber se a gente acredita em Deus; o importante é saber se Deus acredita em nós


                                                                  Mário Quintana


Bom fim de semana

E não se esqueçam de acertar os relógios pela hora de Inverno

25.10.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE VI




Gil escreveu a história daqueles meninos até à idade adulta, e mostrou a uma amiga de outros tempos, agente de alguns grandes nomes na literatura mundial. Não tinha grande esperança de que o manuscrito tivesse muito valor, mas a agente ficou entusiasmada.
"Contrata-me como tua agente, e consigo-te um excelente contrato de exclusividade com uma das melhores editoras mundiais."
Ele aceitou com a condição de utilizar um pseudónimo, e a sua identidade ser absolutamente secreta. Nem nomes, nem fotos, nada. 
E Luna cumpriu o prometido.
O livro foi publicado em simultâneo em Portugal, Espanha, França, Estados Unidos e Brasil, e a primeira edição esgotou em dois dias, talvez fruto de uma boa campanha publicitária da editora, que elevou ao máximo a curiosidade dos leitores, por um escritor que ninguém conhecia. A critica não podia ser mais unânime nos elogios e as edições seguintes em várias línguas, esgotavam-se como pão fresco.
Entusiasmado com o sucesso, e também por pressão da editora, começou a escrever um novo livro desta feita sobre o mundo do futebol. Nele, descreveu os sonhos, os sacrifícios, os treinos diários, as amizades, as intrigas e invejas, as emoções da vitória, o desalento da derrota, as lesões, o medo de não se voltar à mesma forma, quando se sofre uma lesão, o espectro de um fim de carreira muito jovem, sem ter amealhado o suficiente para uma vida digna, pois só uma ínfima parte dos milhões de jogadores em todo o mundo, têm a sorte de se tornarem grandes profissionais pagos a peso de ouro. A grande maioria nunca chega a sair das divisões menores, em clubes pequenos, que não pagam muito, e quando acabam a carreira, não sabem fazer mais nada, pois desde bem pequenos viveram apenas para o sonho de se tornarem um novo Pelé, Eusébio ou Maradona.
E talvez porque não existiam livros sobre o assunto, ou porque existe do público uma grande curiosidade sobre o mundo do futebol, o livro teve um sucesso, ainda maior que o primeiro, esgotando a primeira edição no próprio dia do lançamento. Ninguém a não ser Luna, a sua agente e  o doutor Alcides, o seu advogado, conheciam a sua identidade. Nem mesmo aos irmãos ele tinha contado, embora tivesse oferecido ao irmão um exemplar de cada livro, dizendo-lhe que os lera e gostara.
A ele ainda lhe parecia um sonho, o que se estava a passar. A imprensa já dizia que o autor estava prestes a ultrapassar as vendas de Harry Potter de J. K. Rowling.
A imprensa escrevia, que o autor estava a usar o mistério, como uma arma para vender mais, mas não era esse o caso. Gil cansara da fama. De ser perseguido pelos fotógrafos a toda a hora, de não ter privacidade. Queria que o deixassem sossegado.
E de facto, a pressão dos média desaparecera e ele quase experimentara a doce sensação de ser um cidadão anónimo. Quase, porque havia sempre uma ou outra foto dele, seguida de uma pequena notícia, quando aparecia em algum evento de origem  beneficente, mas era uma coisa momentânea que não o incomodava muito. Esse “estado de graça” terminara, com o circo que a imprensa montara no hospital, no dia do assalto que acabara com a vida de Sara e as múltiplas chamadas que lhe faziam todos os dias a pedir uma entrevista.
Leu e releu o email de Luna. Nele, ela dizia-lhe que um produtor americano queria comprar os direitos do seu primeiro livro para o cinema. Mandava-lhe a cópia da proposta dele e na realidade era excelente.  Mas ele estava indeciso. Por um lado, tinha receio de que o filme deturpasse o verdadeiro sentido do livro, por outro receava ter que aparecer, e não estava preparado para isso.
Não agora. No momento, apenas queria pensar na sua filha, e na luta que era cada novo dia, até ao seu possível nascimento.


Obrigada a todos os que ontem me deixaram mensagens de apoio. Como já expliquei aos que me enviaram mensagens particulares, eu não estou depressiva, nem é a falta de vontade que me tem mantido prostrada, mas uma sucessão de males, que quase todos os anos me atingem no Outono e que este ano talvez pela situação de stress que tenho vivido o ano inteiro vieram todos de enfiada, não me dando tempo a recuperar de um para cair noutro. O último foi uma virose com todos aqueles inconvenientes que vocês conhecem. Tenho tido sempre acompanhamento médico e penso que começo a melhorar, pelo menos já não tenho febre. 
De todo o coração, muito obrigada



24.10.19

PAULO

(REEDIÇÃO)

Lá fora, a noite dorme em silêncio.
A madrugada aproveita e vem devagarinho, pé ante pé para tomar o seu lugar. No céu, sem nuvens, as estrelas brilham como enfeites de Natal. Algures, em qualquer recanto deste nosso universo, alguém abre lentamente uma janela. É um homem. Um homem jovem em idade, mas carregando no peito uma angústia tão grande, como se fora a própria eternidade. Ele não sabe, porque se sente assim angustiado. Aliás Paulo não sabe explicar nada do que se passa com ele. Sentir sim. Ele sente cada hora, cada minuto amassado na rotina duma vida, que não deseja. Paulo é um homem novo, mas não raras as vezes se sente tão frustrado, como se fora um velho, a quem roubaram todos os sonhos. É um homem culto. Estudou. E completou os seus estudos, na leitura de grandes escritores. Lê muito. E escreve. Escreve belos e amargos textos nos quais deixa impregnado o que lhe vai na alma.
Poeta, apaixonado e sonhador, Paulo enamorou-se do próprio Amor. Na janela, ele olha sem ver a rua, absorto nos seus pensamentos. Na cama Graça, a mulher dorme. Paulo olha para ela, com um misto de amor e pena:
- Coitada, deve estar muito cansada – murmura entre dentes.
Graça é uma boa mulher. Que Paulo ama muito. Tem sido uma boa companheira, e deu-lhe dois filhos. Dois filhos por quem ele daria a própria vida. Graças a eles consegue suportar aquela vida insípida, que por vezes ameaça sufocá-lo.
Mas Graça está longe de ser o amor que Paulo tantas vezes idealizara. Ele sonha com uma mulher apaixonada, que tenha os mesmos sonhos, os mesmos anseios, os mesmos desejos. Graça é uma mulher simples, bonita, boa dona de casa, boa mãe, até mesmo boa amante. Mas com ela, ele não pode discutir aquele livro que o entusiasmou, não pode recitar aquele poema do Torga, que ele sente como se fosse escrito por ele, não pode contar-lhe das vezes, que deixa o seu corpo no emprego, e evade o espírito para outras paragens. Paulo não sabe se existe no mundo uma mulher como ele sonha. Mas tem uma certeza. Ele gostava que essa mulher fosse a esposa. Volta-se e olha-a.
Mais bonita do que nunca, no abandono do sono, os longos cabelos soltos espalhados na almofada.
Encheu o peito de ar, suspirou, e fechou a janela. Dirigiu-se para a cama. Graça acordou, olhou-o surpresa. Logo sorriu e esticando os braços enlaçou o marido e puxou-o para si. E enquanto se perdia nos braços da mulher, Paulo fez o que tantas vezes fazia no emprego. Deixou que o seu espírito se soltasse e voasse para longe. Para um lugar só dele, um lugar que apenas existe nos seus sonhos de homem insatisfeito.

Elvira Carvalho


A atravessar uma fase difícil, há 8 dias sem sair de casa, a maior parte do tempo sem mesmo sair da cama, restam-me as reedições para não fechar o "estaminé".

23.10.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE V


A mãe de Sara morrera muito jovem, e o pai, por desgosto ou por falta de trabalho no seu próprio país, que lhe permitisse dar uma vida digna à filha, emigrou para França, deixando a menina com a sua mãe.
A jovem, fora então levada para casa da avó paterna, por quem fora criada e para quem era a menina dos seus olhos. Mas o amor de uma velha avó, não é decerto o suficiente para fazer uma criança feliz e formar uma personalidade forte e segura, por muito grande que seja. Certo que materialmente nunca lhe faltou nada, pois o pai mandava rigorosamente todos os meses, a maior parte do que ganhava, a fim de que avó e neta não tivessem necessidades, mas a nível emocional faltou-lhe o apoio seguro dos pais, e isso fez dela uma jovem tímida e insegura.
 Essa terá sido a razão de não ter singrado na carreira de modelo.
Curiosamente essa mesma timidez e insegurança que a fragilizavam e a afastaram de uma possível grande carreira, foram o catalisador que fizeram com que ele se tivesse apaixonado por ela. Não por uma questão de domínio, mas porque ele, tinha desenvolvido um grande sentido de proteção aos mais fracos, e sentia-se feliz amando-os e protegendo-os. Era assim com os seus irmãos, foi assim com Sara.  
Todavia o casamento mudou por completo a jovem Sara. Gil não sabia se tinha sido o seu amor, se a grande visibilidade, que o facto de ter casado com ele lhe trouxera, mas a verdade é que Sara se transformara numa mulher arrogante e convencida, o que o desgostara e fizera arrefecer a relação. Depois vieram as suas lesões, a decisão de se retirar, a recusa em aceitar uma proposta para comentador desportivo na televisão, a decisão de ir para a universidade, e de levar uma vida anónima de empresário em sociedade com o seu irmão, fazendo da pequena loja de artigos desportivos, a maior do país, e conseguindo a representação nacional de algumas marcas. Todavia a machadada final no casamento, acontecera quando Gil  descobrira que a mulher não engravidava, porque contrariamente aquilo que sempre lhe afirmara, andava a tomar a pílula. Ela não queria ser mãe, para não estragar a figura, mas afirmava que o seu ginecologista lhe dizia que estava tudo bem com ela, que nada a impedia de engravidar, passando-lhe a ideia de que se isso não acontecia, a culpa era dele, que talvez fosse estéril.
Sentiu-se traído e decidiu divorciar-se, mas nessa altura a avó dela morreu, e ele decidiu guardar essa decisão, para outra época menos dolorosa.
Para compensar o fracasso do seu casamento, dedicou-se com mais afinco aos estudos. 
Quando era criança, Gil tinha muitos sonhos. O principal, era poder estudar, ir para a Universidade, formar-se e dedicar-se à escrita. Ele tinha consciência que era um sonho irrealizável, pois era o mais velho dos três irmãos, o que se esperava dele, era que arranjasse um emprego e ajudasse a mãe a criar os irmãos. Para esquecer, Gil dedicava o tempo livre a jogar à bola e depressa o seu incrível talento foi notado pelo olheiro de um clube. As promessas de sucesso, fizeram-no desviar-se do seu sonho principal e dedicar-se de corpo e alma ao futebol, conseguindo apenas terminar o secundário. 
Muitos anos mais tarde, com o fim da carreira e o afastamento dos relvados, podia enfim dedicar-se aos estudos e à escrita. 
 Sempre gostara de escrever, e decidiu escrever um livro que contava a história de vida de dez miúdos de uma rua nos arredores da cidade. Embora os nomes e a localidade fossem ficção era uma história autobiográfica, aqueles miúdos eram os seus amigos de infância. Ele conhecia as suas vidas de quase miséria, os sonhos de cada um, as lutas diárias, as desistências da escola, a violência doméstica, a entrega às drogas, o roubo e por fim a desistência da própria vida, como se conhecia a si mesmo. Dos dez apenas dois tiveram sucesso, ele e Raul Flores que graças ao seu enorme talento para a música, e ao interesse de um professor,  conseguira uma bolsa de estudo e a entrada no Conservatório. E atualmente dirigia uma orquestra em Londres. Dos restantes, um suicidara-se com apenas dezasseis anos, outro estava preso, dois morreram com uma overdose, dois emigraram para França, um estava desaparecido há mais de dois anos, e o último, era o seu irmão Marco, apenas dois anos mais novo do que ele.



22.10.19

A IMPORTÂNCIA DE TER UM NOME, OU O TRAUMA DE O NÃO O TER.


                                Foto de José da Silva


Quando era menina, a maior parte do povo português era de grande pobreza, de extrema miséria até em muitos casos. 
E a minha infância, como a dos meus irmãos não fugiu à regra. Vivíamos nas margens do rio Coina, num velho barracão de madeira, por onde entrava um calor abrasador no Verão e um frio que nos enregelava no Inverno. No entanto éramos felizes. Não desejávamos mais, porque não conhecíamos outra vida. Penso que o que nos torna a vida amarga, é o conhecimento daquilo que não pudemos ter. Se não sabemos que existe uma vida melhor, não pudemos desejá-la.
Ora uma coisa que eu sabia, era que tudo tinha um nome. As pessoas, os animais, as coisas. E o que mais  me aborrecia, quando comecei a entender-me era não ouvir ninguém dizer o meu nome, não lhe conhecer o som.  Pode? Pois é, meus pais chamavam-me umas vezes, Rapariga outras vezes filha. Meus irmãos, chamavam-me Mana. Só tive nome nos poucos anos que frequentei a escola, e acreditem que apesar de ser uma das coisas que mais desejava, na altura isso acabou por não me fazer muito feliz. Porquê? Porque como sabem aos carros antigos, chamam-lhes D. Elvira. E então nos recreios, as outras crianças olhavam para mim e diziam: "Dona Elvira, pó pó" E quanto mais irritada me mostrava, mais elas me chamavam. Fiquei com raiva da minha madrinha, pois sabia que fora ela quem me escolhera o nome.
Só frequentei a primária e logo fui trabalhar para a Seca do Bacalhau, onde meu pai era o Lenhador, e passei a ser a filha do "Manel da Lenha". Aos dezoito anos fui trabalhar para um laboratório em Lisboa e fiquei a viver em casa dum  tio, que era guarda florestal em Monsanto. No laboratório era tratada pelo número. Era a 35,  e na rua onde vivia o meu tio, toda a gente me conhecia pela sobrinha do guarda-florestal.
Mais tarde, namorei, casei e como meu marido era militar e nós estávamos muito apaixonados, eu acompanhei-o nas comissões que fez, em África, e aí passei a ser conhecida pela mulher do Carvalho.
Anos mais tarde, fui mãe e deixei de ser a mulher do Carvalho,  para ser a mãe do Pedro. Era assim na minha rua, na padaria, na escola, na paróquia, na sede dos escuteiros, para os amigos dele. Muitos anos mais tarde, deixei de ser a mãe do Pedro para ser a avó da Mariana. E se amanhã for atropelada ao atravessar a estrada, a notícia no jornal, será mais ou menos assim:
"Uma idosa ficou gravemente ferida, ao ser atropelada numa passadeira perto da sua residência. A idosa foi transportada para o Hospital do Barreiro onde ficou internada."
Felizmente hoje, graças à Internet, aos blogs, aos dois livros publicados e à Universidade Sénior, sou finalmente eu, Elvira Carvalho.
É claro que eu sei, que se pertencesse a outra classe social, tivesse um curso e um emprego de acordo com ele, a coisa teria sido diferente, mas sou uma mulher do povo quase sem instrução, que fora de casa, quase só trabalhou em fábricas, onde muitas vezes não passava de um número.


21.10.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE IV





Pousou o telemóvel sobre a mesa-de-cabeceira, e dirigiu-se  à casa de banho.  Despiu-se, enfiou a roupa que acabara de despir,  no cesto da roupa suja, abriu a torneira da água e meteu-se debaixo do chuveiro.  Depois do duche, enxugou-se, enfiou o robe sobre o corpo nu e regressou ao quarto.Retirou do armário umas calças de ganga e um suéter que vestiu. Voltou à casa de banho, pendurou o roupão no cabide atrás da porta  e olhou com desconfiança a imagem que o espelho lhe devolvia. Pese toda a atração que provocava no sexo oposto, Gil nunca se considerara um homem bonito. Podia reconhecer que no conjunto dos seus traços, tinha um aspeto agradável, mas bonito não era. Todavia a imagem que naquele momento, o espelho lhe devolvia, nada tinha que merecesse um segundo olhar.  Certo que continuava a ter um porte atlético, mas os olhos mortiços e rodeados de olheiras, o olhar cansado, a barba incipiente de quem passara o dia sem se barbear, o ricto amargo na boca e o cabelo húmido, estavam longe de lhe dar um ar muito atraente. Respirou fundo, passou os dedos pelos cabelos, puxando para trás uma madeixa rebelde, endireitou a gola do suéter azul, e apertou o cinto nas calças de ganga. Por fim saiu da casa de banho, desceu as escadas e dirigiu-se ao seu escritório. 
O jantar seria às oito como era hábito, ainda tinha tempo para ver o correio, e verificar alguns documentos que precisaria para o dia seguinte. Depois ao serão analisaria a proposta que Luna, a sua agente lhe fizera chegar. Precisava embrenhar-se no trabalho a fim de esquecer por algum tempo, o hospital, Sara e Mariana a sua filha. Gostava de pensar nela dando-lhe o nome que iria ter, e não como uma bebé. Era uma estupidez, o seu lado prático reconhecia-o, mas no seu coração era como se ao pronunciar-lhe o nome lhe enviasse um sopro de vida que a fortalecesse.
Mariana, fora o nome da sua mãe. Uma mulher humilde e trabalhadora que criara sozinha os três filhos, já que o marido, um mulherengo incorrigível, a quem ela ia perdoando todas as traições, acabara por troca-la por outra mulher mais jovem, logo após o nascimento de Laura, a mais nova dos três irmãos. Por isso, ele escolhera esse nome para a filha. Como uma homenagem e um agradecimento à mulher que tanto os amou e tanto se sacrificou por eles. Pena que tivesse morrido tão jovem, sem que ele pudesse dar-lhe a velhice que ela merecia, mas o maldito cancro acabara com ela em menos de um ano, precisamente na altura, em que ele ia assinar o primeiro grande contrato da sua vida. Graças a isso pôde montar a pequena empresa de artigos desportivos, com que o irmão sonhava e pagar a Universidade à irmã.
Depois foram oito anos em que somou verbas astronómicas não só com o futebol, mas também com os contratos publicitários. O nome de Gil Gaspar, tornou-se no toque de Midas. Foi já nos anos finais dessa época dourada que conheceu aquela que viria a ser a sua mulher.
Sara era uma jovem completamente desconhecida, muito bonita e com uma excelente figura, que sonhava vir a ser modelo, e que um agente de publicidade descobrira e convidara para fazer par com ele numa campanha publicitária.
Era uma beleza, mas mais do que isso foi a sua timidez e o seu ar ingénuo que os encantara, a ele e ao fotógrafo.
O anúncio fora um êxito, e a agência convidara-a para alguns desfiles, mas o mundo da moda é um mar de intrigas e interesses, onde é preciso muito mais do que uma carinha bonita e algum talento, para se chegar ao cume. 


20.10.19

PORQUE HOJE É DOMINGO




Num manicómio, um médico entra numa sala cheia de
 pacientes e vê mais de vinte malucos a saltar sem parar.
 Diz ele:
- Então, o que se passa?
Diz um dos malucos:
- Somos pipocas a estalar!
O médico repara num paciente que está sentado num canto,
 sem ligar aos outros, aproxima-se e pergunta-lhe:
- Então, está tudo bem?
E responde o maluco:
- Mais ou menos… Fiquei agarrado ao fundo do tacho!




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O avô chama o seu neto, um jovem de vinte e três anos e 
diz-lhe:
- Lembraste de me falares de um tal spray novo que faz aumentar a erecção e a potência 
aos homens?
O neto:
- Perfeitamente, avô. Não me diga que o comprou!

O avô:
- Comprei-o, pois! E aquilo é mesmo bom! Olha, pelo teu conselho aqui tens dez euros da minha parte e… cinquenta da parte da tua avó!



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No cinema, uma miúda está a fazer sexo oral ao namorado, 

quando, de repente, chega o intervalo e se acendem as 

luzes. O rapaz coloca imediatamente o chapéu no colo 

enquanto ela finge que procura alguma coisa no chão.

- Onde estará? Onde estará? – diz ela a improvisar.

Uma velhinha, que estava sentada nuns bancos mais ao 

lado, comenta:

- Olha amor, se não a engoliste, vais ver que ainda está 

debaixo do chapéu…


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A secretária percebe que a braguilha do chefe está aberta e, 

para não parecer mal-educada, avisa-o de forma subtil:

- Dr., o senhor deixou a porta da sua garagem aberta!

Ele fechou-a rapidamente e, apreciando a criatividade da 

rapariga, perguntou cheio de malícia:

- Ana, por acaso a menina viu o meu Ferrari vermelho?

Responde ela:

- Não, Doutor! Vi apenas um Smart acastanhado, com os 


dois pneus traseiros carecas e totalmente em baixo.


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Durante o recreio o Joãozinho estava com um ar muito sério. 
Um colega ao vê-lo assim aproximou-se e perguntou-lhe:

- O que é que te aconteceu?

Diz o Joãozinho:

- Foi o professor que me ralhou e me mandou sair mais 

cedo da aula, só porque eu não soube resolver um 

problema.

Pergunta o colega:

- Que problema era? Diz-me lá, pois pode ser que eu te 

ajude.

O Joãozinho:

- O professor disse-me que, se ele me vendesse quatro 

laranjas a dez cêntimos cada, quantos cêntimos tinha eu de 

lhe dar.
O colega:

- E não soubeste?! Olha, quando voltares à aula, vai ter com 

ele e diz-lhe que são quarenta cêntimos.

O Joãozinho:

- Estás doido, pá! Eu disse que lhe dava cinquenta e,

mesmo assim, ele não aceitou…



19.10.19

CELEBRAR A VIDA, NA FELICIDADE

Sam Seaborn do blogue Copo Meio Cheio desafiou os seus leitores a escreverem sobre a felicidade. 
Como todos sabem a minha saúde neste momento está muito periclitante pelo que não me ocorre grande coisa.  
Meu pai costumava dizer que a vida era como uma nora, e os anos como os alcatruzes, que ora estão no cimo da nora, ora no fundo do poço. E de facto parece acertado, pois ninguém é toda a vida jovem, saudável e alegre nem toda a vida velho, doente e triste. Penso que é neste balanço da vida que aprendemos a dar-lhe valor.
 Por outro lado sempre pensei que a felicidade é algo que nasce connosco. Ou se tem ou não se tem. E eu tenho tido muita apesar de ou outro ano mau como este.  Então lembrei-me de mostrar quando sou feliz. E olhando para o post, chego à conclusão, que o sou quase sempre. Excepto quando estou doente, não tenho tempo para ser infeliz.

      A minha noção de felicidade, começou com o namoro...
                                             E quando casei, fui-o tão feliz ...
               que três anos depois resolvemos repetir a dose
Quando segurei nos braços o meu filho

Quando me dedico a ler poesia...
Ou quando assisto à minha neta a ler poesia.
                                       Quando me dedico a borrar telas



Ou a fazer bolos de aniversário para os que amo...




                                     

Quando me dedico ao artesanato

À reciclagem
Quando lancei o primeiro livro

E o segundo...
Quando vou fazer um programa com a neta, que está sempre a desafiar  os meus limites...
 até  quando me diz que já não sou capaz de subir às árvores...
                                          Quando faço visitas de estudo...

                                                     Ou vou de férias...

Quando no final de Julho o marido saiu assim do hospital depois de ter sofrido um AVC que o manteve lá um mês

Quando em Agosto segurei pela primeira vez a minha segunda neta, da qual não publico fotos, porque os pais não querem fazê-lo até que faça 6 meses.

 E termino como comecei. Apesar das rugas e dos cabelos brancos, namorar, continua a ser uma das coisas que me enche de felicidade.