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17.7.19

CONVERSANDO COM O LEITOR



Bom amigos , até aqui estava tudo escrito e programado. Agora não há nada novo. Todos sabeis como este ano tem sido aziago para mim e família. começou com o meu olho, que continua sem ver, apesar de duas cirurgias e cinco meses de tratamento, depois a descoberta de um nódulo no estômago do marido, que graças a Deus não é nada de cuidado mas que nos deixou em pânico até chegar o resultado da biopsia, o AVC do meu cunhado há dois meses, o AVC do meu marido há 12 dias, e por último uma tendinite no meu braço direito que me tem deixado maluca de dor.
Como devem perceber não há disposição, nem inspiração que resistam. E se a houvesse também não há pc que coitadinho morreu há 15 dias. De modo que ou fecho a loja,  ou reedito outra história. Pelo menos até que o marido saia do hospital e possamos comprar um novo computador.

16.7.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE L









EPÍLOGO


-Agora que já nos conhecemos, aceitas sair comigo? - perguntou Ricardo
-Para onde? – perguntou Isabel.
- Por aí, ao sabor do destino. Estamos no mês de Junho, e  em Lisboa há um arraial em cada esquina. Amanhã é sábado, não precisamos levantar cedo. Podemos ir até um bar, ou simplesmente passear junto ao Tejo de mãos dadas. Tu decides.
- Dá-me cinco minutos para mudar de roupa, não me parece que estejamos adequadamente vestidos para esse tipo de programa.
- Muito bem, eu também vou.
Meia hora depois, os dois de calças de ganga e T-shirt passeavam de mãos dadas, junto ao Tejo, admirando os reflexos das luzes nas águas calmas do rio, misturando-se com os pares de namorados que por ali andavam.
Mais tarde, nessa noite, fizeram amor como nunca tinham feito. Apaixonadamente sim, mas também com muita ternura. Porque já não eram apenas os corpos que estavam em sintonia, nem o desejo que os unia. Nessa noite, os dois eram realmente um só de corpo e alma, unidos pelo sublime sentimento do amor. Mais tarde, deitados, os dois nus em cima dos lençóis, perfumados pelas pétalas de rosa, Ricardo disse, acariciando a cabeça que repousava no seu peito.
- Sempre foi muito bom, mas hoje foi maravilhoso. Saber que nos amamos mudou tudo. Despoletou emoções, intensificou sensações, transformou o bom em ótimo.
Ela não respondeu, e de repente ele ficou inseguro:
- Não foi assim contigo? - questionou
Ela levantou a cabeça e beijou-o
- Sabes que foi. Simplesmente de repente ocorreu-me um pensamento. E se algum dia o teu irmão descobre a verdade sobre a Matilde?
- Nunca o saberá. Se a Susana te disse que o encontrou e ele fingiu não reconhecê-la, não vai querer saber nada dela. Deve ter medo que a esposa descubra alguma coisa, e o deixe, já que o sogro é um homem muito rico, e a mulher é a única herdeira. É um bandalho, toda a vida tentou prejudicar-me, mas desta vez, o céu trocou-lhe as voltas. Deus escreveu direito por linhas tortas, como se costuma dizer, pois graças à sua canalhice, hoje temos uma filha maravilhosa, estamos juntos e felizes. E ainda que um dia nos encontre, ele nunca te conheceu nem sabe quem és. Não te preocupes, a Matilde é tão nossa filha, quanto os outros que me deres – disse beijando-a de novo e puxando-a suavemente para cima dele.
-Olá, hoje temos dose dupla - disse ela rindo
-Tu mereces, - respondeu segundos antes, da sua língua chegar ao mamilo dela.
Em seguida as palavras transformaram-se em gemidos e ela mergulhou num mar de sensações que a percorriam da cabeça aos pés.
 No dia seguinte, enquanto tomavam o pequeno-almoço, Ricardo disse:
- E se deixássemos a Matilde mais um dia com os avós e ficássemos com o dia para namorar? Uma espécie de mini lua-de-mel em qualquer sítio bonito. Achas que eles se importariam?
-Aqueles dois? Ficavam lá com ela nem que fosse a semana inteira. Adoram-na. O meu receio é que ela estranhe. Uma noite já ficou outras vezes, mas duas?
- Vamos vê-la e falamos com eles. Se ela chorar, telefonam e voltamos.
Não chorou, e eles passaram um dia maravilhoso na Ericeira, e uma noite de sonho, no hotel Vila Galé.
E se ambos pensavam que não poderiam ser mais felizes, descobriram o seu engano, um ano depois, quando o médico na sala de partos, levantou a bebé e a apresentou dizendo-lhes: 
- Pais, eis a vossa filha. Parabéns. É uma bela menina.


 Fim


15.7.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XLIX







Não se conteve ao ouvi-lo dizer pela segunda vez que a amava. Enlaçou-lhe o pescoço e procurou-lhe a boca para um beijo apaixonado. Porém quando as mãos dele desceram pelas suas costas numa carícia que parecia incendiá-la, afastou-se dizendo:
- Ainda não, se é para por a alma a nu, vamos despi-la os dois. Depois iniciaremos uma vida nova, sem mais dúvidas nem enganos.
Quando te conheci, eu era virgem de corpo e sentimentos. Tinha tido um namoro ainda muito jovem, se é que se pode chamar namoro, aqueles três meses em que me deixei acompanhar por um amigo que dizia amar-me e querer casar comigo. Na altura eu era muito nova, ainda nem tinha feito vinte anos. A minha mãe estava doente, tinha deixado de trabalhar, a minha irmã era uma criança, e eu tinha deixado os estudos e estava a trabalhar para aguentar a casa. Entre o trabalho, o cuidar da mãe doente e da Susana, não tinha tempo para passear, namorava um pouquinho à noite e sem qualquer intimidade. Três meses depois a minha mãe morreu, o meu namorado, queria casar rápido, mas queria que eu levasse a Susana para uma instituição. Dizia que eu não podia assumir a sua criação e educação, ele não ia casar comigo e assumir tal responsabilidade, nem gastar com ela, aquilo que seria dos nossos filhos.
Entre os dois, a escolha era óbvia. Nunca mais soube nada dele, até há cinco anos, quando o encontrei num supermercado, com a mulher grávida e duas crianças de tenra idade.
No dia do nosso casamento, ainda era virgem de corpo, mas já não de emoções, pois cada vez que me beijavas, deixavas-me em brasa, e fazias-me sentir e desejar coisas, que nunca tinha sentido. Nunca mais fui a mesma depois da noite de núpcias e não me refiro ao óbvio. Naquela noite antes de adormecer repeti a mim mesma, as promessas do casamento, certa de que te amava e te amaria sempre.
No início, fiquei deslumbrada com o sexo. Cada nova carícia me deixava mais louca, eu queria ficar o resto da vida nos teus braços. Depois percebi que isso acontecia porque só me demonstravas carinho na cama. No dia-a-dia, eras simpático, companheiro, querias sempre dar-me qualquer coisa, até quiseste dar-me um carro, sem perceberes que os bens materiais não me seduziam, que só queria o teu amor.  Mas não havia lugar para mim, na tua vida amorosa. Todo o teu amor era para a Matilde. Uma noite, depois de fazermos amor, tomei coragem e disse-te como estava feliz por ter acabado de fazer amor. Tu respondeste-me. “Amor? Fizemos sexo, Isabel. Não te iludas, nem confundas as coisas”
Na manhã seguinte fui à farmácia e comprei a pílula. Por muito que eu desejasse ter um filho, nunca o teria sabendo que ele não era fruto de amor dos dois. E a partir daí, contra o meu próprio desejo, sempre que podia fugia da nossa intimidade.
- Perdoa-me. Fui muito estúpido, confundi tudo. Esquece o que aconteceu, vamos começar de novo. Juro que não te vou dececionar.
Isabel olhou-o durante uns segundos e depois estendeu-lhe a mão direita
- Isabel Penha Sarmento.
Ele estendeu a sua e apertou-lha:
- Ricardo Souto Medina. Encantado em conhecê-la.



Pensei acabar a história aqui, deixando à imaginação de cada um o final, até porque a história já vai longa, mas depois pensei que se esta história tinha tido prólogo, também devia ter epílogo. E já que tiveram paciência até aqui...
 Mas não sei se vou publicá-lo se mantenho a história assim. 
DEIXO-VOS A DECISÃO. Querem um episódio mais ou fica assim?


14.7.19

PORQUE HOJE É DOMINGO







Marcelina era uma daquelas mulheres feias. Feia com força...!!! Tão desengonçada que nunca tinha conseguido arranjar um namorado. Foi pedir auxílio a uma vidente.

- Minha filha...!!! - disse a vidente. Nesta vida você não vai ser muito feliz no amor...!!! Mas na próxima encarnação, você será uma mulher muito cobiçada e todos os homens se arrastarão aos seus pés...!!!

Marcelina saiu de lá muito feliz e, ao passar por um viaduto, pensou:

'Quanto mais cedo eu morrer, mais cedo começará a minha outra vida!'

E decidiu atirar-se lá de cima, do viaduto. Mas, por uma incrível coincidência, Marcelina não morreu...??? Marcelina caiu de costas em cima de um camião carregado de bananas, perdendo, então, os sentidos...!!!

Assim que se recuperou, ainda atordoada e sem ver nem saber onde estava, começou a apalpar à sua volta e, sentindo as bananas, murmurou, com um sorriso nos lábios...!!!
- Senhores, por favor...! Um de cada vez...!!!




                                                                    **********************






Uma solteirona descobre que uma amiga ficou grávida com apenas uma oração que fez na igreja de uma aldeia próxima.
Dias depois, a solteirona foi a essa igreja e disse ao padre:
- Bom dia, padre.
- Bom dia, minha filha. Em que posso ajudá-la?
- Sabe, padre, eu soube que uma amiga minha veio aqui há umas semanas atrás e ficou grávida só com uma Ave-Maria. É verdade, padre?
- Não, minha filha, não foi com uma Ave-Maria... foi com um padre nosso... mas ele já foi transferido!



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Precisando de mais um piloto para a sua frota de aviões, uma empresa comercial lisboeta pôs um anúncio no jornal pedindo candidatos. Entre outros, aparece um alentejano.
Eis o conteúdo da sua entrevista:
- Então o senhor tem brevet de pilotagem?
- Tenho o queim?
- O senhor sabe pilotar aviões?
- Nã senhori.
- Percebe alguma coisa de coordenadas de voo?
- Nã senhori.
- Sabe, ao menos, falar Inglês?
- Nã senhori.
- Então o que é que veio cá fazer?
- Ê vim cá dzêri, pá nã contarem cá comigo!




`                                                             *******************


Como trabalho de casa a professora pede para os alunos fazerem uma rima.
No dia seguinte ...
- Diga a sua rima, Joãozinho ?
- Lá vem o canguru com uma flor no cu.
Indignada, a professora manda-o refazer a rima.
No fim da aula ...
- Joãozinho, diga novamente a sua rima
- Lá vem o canguru com uma flor na bochecha, porque no cu a professora não deixa


13.7.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XLVIII




Calou-se por uns segundos, como se passados todos aqueles anos, as recordações continuassem a ser muito dolorosas.
Ela sentiu vontade de se levantar, e de o abraçar fortemente, para mitigar aquela dor. Mas quando se aprestava para o fazer, ele retomou a palavra.
-Há coisas de que um homem não consegue falar, porque a dor lhe trespassa  o coração e a vergonha lhe rasga as entranhas.
Calou-se de novo por alguns segundos, passou a mão pelo cabelo e retomou a palavra.
 E então contou  como após o divórcio, se sentia motivo de troça de todo o bairro, de como isso destruíra a confiança em si próprio e nas mulheres, e dos cinco anos que passou em Luanda, trabalhando que nem um doido, tentando não só esquecer o passado, mas também juntar o máximo de dinheiro que lhe permitisse montar a sua empresa. 
Falou-lhe do seu primeiro carro que tinha de conduzir de dia, enquanto terminava o curso que abandonara quando casara. Falou dos pais, do irmão, da morte dos progenitores, enfim de tudo o que acontecera com ele até ao momento em que recebera no escritório a carta dela.
Mergulhado no mar tenebroso das lembranças, não deu pela aproximação da mulher, senão quando os braços dela o enlaçaram pelas costas e lhe disse:
- Perdoa, não queria fazer-te sofrer.
Voltou-se e segurando-lhe o rosto entre as mãos, disse:
- Não há nada para perdoar, Isabel. Tens razão, sempre a tiveste. Não podemos querer, que alguém retribua o nosso amor, se não deixamos que essa pessoa o descubra e nós próprios fazemos tudo para não acreditar nele .
- O que queres dizer com isso? - perguntou trémula.
-Vem, vamos sentar-nos e esclarecer tudo o que há para esclarecer de uma vez - disse pegando-lhe na mão e reconduzindo-a ao sofá.
Sentaram-se ambos lado a lado, mas não abraçados. Ricardo não queria perder a cabeça, antes de ter mostrado tudo o que lhe ia na alma, para que nunca mais houvesse uma dúvida a separá-los.
- Impus a mim mesmo duas regras de ouro. Nunca mais fazer sexo com ninguém sem proteção, e nunca mais entregar o coração a mulher alguma. Aproveitaria da vida as oportunidades que ela me desse e era tudo. Por isso eu nunca poderia ter-me envolvido com a Susana. Ela estava na idade em que eu fora enganado, e sei melhor que ninguém a marca que um desengano nessa idade pode deixar.
Quando fiz o teste do ADN, e descobri que a Matilde era minha sobrinha, decidi que ela tinha que ser minha. De um modo que não sei explicar, amei-a imediatamente. Era como se aquela outra criança que tanto amei e nem cheguei a conhecer, viesse agora para os meus braços. Porém eu não queria tirar-ta, e tu não te separarias dela. Estava num impasse quando o Artur me aconselhou a pedir-te em casamento. Hesitei. Tinha medo do que esse casamento me podia trazer. Tentei manter o coração à margem e guiar-me apenas pelo desejo que despertaste em mim. Mas ainda assim prometi a mim mesmo que tudo faria para que a nossa relação fosse agradável. Mas tu não ajudaste muito. Não aceitavas nada do que te oferecia, e aos poucos ias-te afastando de mim. Do modo que amavas a Matilde, sempre pensei que querias ter filhos e esperava que um dia me viesses dizer que estavas grávida.
 Eu não sabia que tomavas a pílula, e fazíamos amor praticamente todos os dias, mas nunca engravidaste. Comecei a pensar que era estéril, e mais dia, menos dia, ias descobri-lo. Cheguei a pensar que já o sabias e era por isso que ias perdendo a alegria e a naturalidade. E foi nessa altura que me dei conta de como te amava e de que ficaria destruído se te perdesse. 
  

12.7.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XLVII

Boa noite, amigos.
Hoje falei com o neurologista que acompanha o meu marido. Disse-me que o registo do holter estava normalíssimo. Que amanhã fará a RM, na Segunda feira fará o dopler das carótidas e começará a ir ao ginásio a fim de fazer fisioterapia pelo menos uma semana. no dia 19 fará um ecocardiograma e se continuar tudo bem, virá para casa. Entretanto eu estou com uma tendinite no braço direito. Que mais nos acontecerá neste ano que tem sido tão aziago.






Sentiu que uma garra gelada lhe penetrava no peito e o rasgava de cima, abaixo.
- Perguntou quase num sussurro:
- Queres o divórcio? Estás apaixonada por alguém?
“ Meu Deus! Como pode ser tão inteligente para os negócios e tão burro para as coisas do coração?”- pensou Isabel, sentindo que tinha chegado a hora de abrir o seu coração, e deixar que ele visse o que a trazia atormentada.
-É claro que não quero o divórcio. Mas não sei onde arranjar forças para continuar a aguentar este arremedo de casamento. Perguntaste se estou apaixonada por alguém. É óbvio que estou. Estou apaixonada por um homem que me quer dar segurança material, mas não me dá o seu coração. Estou apaixonada por um homem, a quem dei tudo o que tinha, o meu corpo, o meu coração, os meus pensamentos, os meus sonhos. E o que me deu esse homem, em troca? Sexo. O sexo é bom, tão bom que me deixei deslumbrar e pensei poder viver do prazer que ele me dava. Mas depressa verifiquei que era uma triste imitação daquilo que o meu coração ansiava. O homem por quem me apaixonei, nunca me falou da sua vida passada, dos seus sonhos para o futuro, nada. Eu amo tanto esse homem, que o maior sonho da minha vida, é ter um filho seu. Mas em momento algum, ele mostrou desejo de ter esse filho, e assim tomo a pílula todos os dias, não vá ter uma gravidez que ele não deseje, e acabar com a pouca esperança que me resta, de que um dia sinta por mim, o mesmo amor que sinto por ele.
Estava descontrolada. Chorava copiosamente, mas nem por um momento pensou em se calar. As palavras saíam em catadupa, cheias de amargura.
Ricardo levantou-se. O seu rosto estava tão pálido quanto o de um defunto. As mãos trémulas, ansiavam por acariciar a mulher. Mas de algum modo, sabia que se o fizesse naquele momento, ela rejeitá-lo-ia. Virou-lhe as costas e caminhou até à janela, deixando que ela chorasse até se acalmar. Quando percebeu que o choro tinha perdido intensidade, ele retomou a conversa, sem se voltar para ela, o olhar perdido no Tejo.
Aquele homem de quem te falei, apaixonou-se uma vez quando era ainda estudante, um miúdo que acabara de completar vinte anos. Nessa idade, o mundo é demasiado pequeno para os nossos sonhos, e fazemos tudo em demasia. Comemos demais, bebemos demais, amamos demais. Ele apaixonou-se loucamente, por uma mulher um pouco mais velha, e sentiu-se o homem mais feliz do universo quando num momento, que ele pensava ser de paixão retribuída, fez amor sem tomar precauções. Pouco tempo depois ela disse-lhe que estava grávida. Ele ficou aflito, ainda estava na faculdade, não tinha como sustentar uma casa, mas nem por um segundo, pensou livrar-se dela ou do bebé, que amou desde o primeiro momento. Falou com os pais, e eles assumiram as despesas do casamento, em troca dele transferir a matrícula para a noite, e ir trabalhar com o pai para a oficina, pois nessa altura já era um bom mecânico.
Sem se voltar uma única vez, Ricardo contou tudo o que passou com aquele casamento, o que sofreu, quando tomou conhecimento de como aquela mulher e o tinha enganado, da dor que foi descobrir que aquele pequeno ser que tanto amava e que nunca iria conhecer, por quem aguentou aqueles seis meses de martírio, não era nada seu. 




11.7.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XLVI

BOA NOITE AMIGOS.  Meu marido está melhor, graças a Deus. Hoje já o puseram de pé e o ajudaram a andar. Continua com visão dupla e isso faz com que não consiga caminha sem alguém que o apoie. Ainda continua em exames, mas estamos com muita fé de que tudo vai correr bem. Muito obrigada a todos pelo vosso apoio. Que Deus vos abençoe






Ricardo que estava de costas junto da janela voltou-se quando a sentiu entrar, e foi ao seu encontro.
-Estás linda- disse pegando-lhe na mão e conduzindo-a ao sofá. 
-Obrigado! Tu também não estás nada mal- disse esboçando um sorriso, e estendendo-lhe o presente. 
Ele abriu-o e mostrou-se o seu agrado.
-Obrigado. É muito bonito - disse dando-lhe um beijo na face.
Curiosamente, como se tivessem combinado, também  ele tinha vestido, o mesmo fato cinzento-antracite que tinha levado ao casamento dos amigos. 
Naquele momento o porteiro informou-o pelo telefone interior que o jantar já ia no elevador. Ele encaminhou-se para a porta, que abriu assim que tocaram. Indicou a cozinha aos empregados que deixaram os recipientes com as várias iguarias sobre a mesa da cozinha, e saíram felizes com a gorjeta. A fatura iria para o seu escritório. Ricardo fechou a porta e voltou para a sala.
- Pedi para a Matilde ficar com os avós, a fim de ter uma conversa séria contigo. Porém será melhor irmos jantar e vamos conversando entretanto. Tenho fome, tu não?
- Nem por isso, mas vamos jantar. Vá que a tal conversa me desgosta tanto, que não consigo comer - disse Isabel, meio a brincar, para esconder a sua preocupação.
Levaram a comida para a mesa.
Ostras com molho de manga como entrada, Risoto de frutos do mar e gengibre, acompanhado por um Sauvignon Blanc, e para sobremesa morangos com chocolate. 
Mais uma vez, Isabel admirou a mesa com as melhores loiças, sobre uma impecável toalha branca, parcialmente coberta com pétalas de rosa e velas aromáticas
Durante a refeição falaram do trabalho, dos amigos, da menina. Do tempo quente de verão, que se fazia sentir lá fora e de uma possível ida à praia no fim-de-semana. Só não falaram daquilo que realmente os inquietava. O futuro da sua relação.
Depois do jantar, levantaram a mesa, levaram a loiça suja para a máquina e tomaram o café, lá mesmo na cozinha.
Quando terminaram, Ricardo enlaçou a mulher pela cintura e levou-a para o sofá. Depois puxou o cadeirão para a frente dela e sentou-se.
- Antes de terminar o serão vou contar-te uma história – disse ele. Era uma vez um homem que queria uma família. Ele conseguiu uma filha maravilhosa e uma companheira de eleição. A sua esposa, era uma mulher maravilhosa. O seu olhar tinha uma luz que o encantava. Ele nunca vira em nenhum outro ser uma tal luminosidade num olhar. Era como se a mulher trouxesse a alma presa nos olhos. Todavia não passou muito tempo, e a mulher foi perdendo essa luz, como se a sua alma estivesse a morrer lentamente. Hoje o homem vive desolado. Sente-se enganado e quer de volta a sua companheira, mas não sabe o que, ou como fazer para a ter de volta.
Estendeu a mão e agarrou a dela. Estava gelada.
- Será que podes ajudar este pobre homem, querida?
Ela inclinou-se para a frente e uma lágrima caiu sobre a mão dele, que ao senti-la empurrou para trás o cadeirão, e ajoelhou na sua frente.
- Que se passa Isabel? Porque choras? Estás arrependida do nosso trato?
Ela olhou-o com os olhos rasos de água e disse:
-Estou. Não sei se conseguirei continuar a levar esta farsa por muito tempo.