22.6.18

O DIREITO À VERDADE V





Lena acordou, já passava das sete da tarde. Passou a mão pela testa transpirada, mais pelo sono inquieto, povoado de fantasmagóricas figuras que se riam dela, do que pelo calor, apesar do dia ter estado bem quente. Ainda assim a dor de cabeça, mercê do efeito das aspirinas, passara.
Foi à cozinha, ligou o esquentador, e dirigiu-se à casa de banho a fim de tomar um duche. Despiu-se, meteu a roupa no cesto da roupa suja e meteu-se debaixo do chuveiro. Fechou a água, esfregou energicamente o corpo com o gel duche, e voltou a abrir a torneira, deixando que a água tépida deslizasse sobre o corpo, como se fosse uma carícia.
Findo o duche, espalhou pelo corpo o creme hidratante e vestiu o roupão sobre o corpo nu. Olhou-se ao espelho enquanto secava o cabelo. As olheiras ao redor dos belos olhos denunciavam o sofrimento e as noites sem dormir dos últimos dias. Recordou o achado dessa tarde, e pensou no que poderia ter levado a mãe a mentir-lhe a vida inteira.
"Será que o tio Alberto sabe disto? É claro que sim. A mãe não podia ter escondido da irmã e cunhado um casamento e divórcio, quando eram a sua única família e eram tão amigos,” – pensou.
Tinha que falar com ele o mais rápido possível. Escovou o cabelo acabado de secar, e dirigindo-se à cozinha onde preparou uma torrada e aqueceu um copo de leite. Tinha comida no frigorífico que sobrara da véspera, mas ficaria para o almoço do dia seguinte, estava sem apetite.
Quando acabou de comer pegou no telemóvel e ligou ao tio.
- Tio, disseste que qualquer coisa te ligasse. Preciso de ti.
- Aconteceu alguma coisa? Sentes-te mal?
-Aconteceu que encontrei no armário da mãe uma caixa com documentos, Uma certidão de casamento, outra de divórcio, um anel de noivado e uma aliança, entre outras coisas, Sabias disto?
Um curto silêncio do outro lado. Depois a resposta do tio.
- Sabia.
-Como foi possível que ela me tivesse mentido a vida inteira? E como é que vocês nunca me contaram?
- Não podíamos fazê-lo. A tua mãe fez-nos jurar que não te dizíamos nada.
-Preciso que me contes tudo. Tenho o direito de saber, é a minha vida, as minhas raízes. Podemos almoçar juntos, amanhã?
- Claro. Vou-te buscar ao meio-dia. Tens preferência por algum sítio?
-Eu preferia almoçar em casa. Quero mostrar-te os documentos que encontrei e é mais sossegado para conversarmos. Posso preparar o almoço.
- De modo nenhum. Precisas descansar. Ainda há, aí na rua, aquele restaurante que serve comidas para fora?
- O Estrela-do-mar? Sim.
- Então não te preocupes. Eu passo por lá e levo o almoço. Já jantaste?
-Já – mentiu.
-Muito bem. Deita-te cedo e procura descansar. Amanhã falamos.





21.6.18

O DIREITO À VERDADE IV



A perplexidade tinha-se apossado do espírito de Helena Trindade, a jovem, a quem todos os amigos e conhecidos, tratavam por Lena. Não tinha dormido nada na noite anterior, doía-lhe terrivelmente a cabeça. Deixou a caixa em cima do sofá, levantou-se e foi à cozinha. Procurou numa gaveta, e encontrou uma caixa de aspirinas. Retirou dois comprimidos que engoliu com um copo de água e dirigiu-se para o quarto onde se deixou cair em cima da cama. Não se despira, só queria ver se descansava um pouco, de modo a aliviar a dor de cabeça, embora a recém-descoberta, não a deixasse sossegar. Como é que a mãe fora capaz de lhe mentir? E sustentar a mesma mentira durante tantos anos.
Segundo sabia, a sua mãe viera viver para aquela casa,há mais de vinte anos.  Decerto antes mesmo do seu nascimento, já que ela nascera na Maternidade Alfredo da Costa. Também segundo a mãe, não tinha mais família que a irmã casada e já com um filho. Segundo lhe contou, as duas viviam em S. Pedro do Sul, na casa que fora dos seus antepassados. Ana, a tia, empregara-se no hotel Vouga nas termas, enquanto Natália, a mãe, trabalhava numa loja de tecidos, na Praça do Município. A tia conhecera o jovem Alberto Castro, quando ele acompanhara a mãe, que precisava fazer um tratamento termal.  Foi amor à primeira vista, e quando dona Alzira terminou os tratamentos os jovens já falavam em casamento. 
Alberto vivia em Lisboa com os pais. Quando ele partiu as vizinhas diziam à jovem Ana, que não tivesse esperanças. O rapaz quisera divertir-se enquanto a mãe fazia os tratamentos, mas uma vez em casa nunca mais se ia lembrar dela. Não foi assim. Alberto escrevia regularmente, e por vezes telefonava. Pediu-lhe os documentos e disse que ia tratar do casamento. Ela disse-lhe que queria casar ali na terra, na Igreja de S. Francisco onde fora batizada. Ele aceitou e quando voltou a S. Pedro, no Verão de mil novecentos e oitenta e sete, vinha acompanhado dos pais e irmã, e tinham o casamento marcado para dois dias depois.
Ana, despediu-se da irmã, com um abraço apertado, a saudade já a marcar presença no seu coração, mas o dever da esposa é acompanhar o marido, e não podia impor a presença da irmã, à sua nova família que mal conhecia.
Natália continuara em S. Pedro, vivendo na casa que fora dos seus avós e mais tarde de seus pais. Tinha muitas saudades da irmã, que só via uma vez por ano, durante as férias. Quando a mãe ficara grávida, e contara à irmã,  e as duas decidiram vender a casa, e com a sua parte da herança, ela mudara-se para Lisboa, e alugara uma casa, precisamente aquela onde vivia, e que anos mais tarde quando a dona da casa morrera, o herdeiro decidira vender. Como inquilina, a mãe tinha prioridade na compra, que por esse mesmo motivo foi muito mais barata, que se estivesse devoluta. 
Isto fora o que a mãe sempre lhe dissera. Mas então segundo aqueles documentos a mãe, viera para Lisboa logo a seguir ao divórcio, provavelmente para que o marido não tivesse conhecimento de que estava grávida, e pudesse requerer o seu direito paternal sobre o bebé.
A mãe, sempre trabalhara numa loja, na Avenida Almirante Reis. Mas além do trabalho diário das nove  às dezanove horas, a mãe ainda fazia rissóis e croquetes que vendia aos vizinhos e às colegas na Loja. E às vezes ainda fazia pequenos arranjos em roupas aos fins-de-semana. Umas bainhas para subir ou descer, uma saia para apertar, uma gola de camisa para virar, enfim o que lhe aparecia. Como trabalhava perto de casa, não tinha despesas com transportes. Assim as duas foram vivendo sem que ela mexesse na maior parte do dinheiro, da sua parte, na  venda da casa e pinhal, que as duas irmãs tinham herdado. Natália depositara esse dinheiro numa conta a prazo. Com os juros altos da época, a conta cresceu, bastante  e assim pôde comprar a casa, em dois mil e dois, quando a senhoria morreu e o herdeiro a quis vender.





Gente, Toda a noite  choveu e a trovoada foi forte.  Vejam as fotos que acabei de tirar da minha varanda.  ( 9. 00 horas) Penso que alguém devia avisar o Senhor do Tempo, que o Verão começa hoje.





20.6.18

O DIREITO À VERDADE III





Emocionada retirou um envelope cheio de fotos suas. Cada uma recordava uma etapa da sua vida. Havia uma no berçário da maternidade, outra a andar num baloiço de bebé. Virou-a e viu que tinha no reverso a data. Era do seu primeiro aniversário. Pegou noutra e viu-se bem pequenina no meio de outras crianças a apagar duas velas pequeninas num bolo de aniversário. Havia muitas mais, o seu primeiro dia de aulas, a entrada para os escuteiros, com o fato de lobito, a sua primeira comunhão, os seus aniversários. A última fora tirada seis meses atrás.  A sua mãe tinha feito um registo fotográfico da sua vida, e ela nunca dera por isso.  Poisou-as a seu lado, pensando que tinha que comprar um álbum e organizá-las. Se algum dia viesse a ter filhos, seria interessante comparar as suas fotos com as várias etapas deles.
Em seguida, retirou da caixa, um envelope grande e lá dentro encontrou os documentos da casa, a escritura de compra, e o registo predial. Voltou a metê-los no envelope, e retirou da caixa um pequeno baú de madeira. Abriu-o e encontrou uma caixa de joalharia. Assombrada, porque nunca tinha visto a sua mãe com qualquer jóia, abriu-a e mais espantada ficou ao encontrar lá dentro um anel de noivado e uma aliança.
-De quem seriam? Da sua mãe não era com certeza, ela sempre lhe dissera que nunca se interessou suficientemente por ninguém para desejar casar. Seria dos seus avós? Rodou a aliança e viu que tinha uma inscrição no interior “Jorge 25 -5-1990”. Não podia ser dos seus avós. Mas então de quem podiam ser? E porque estariam na posse da sua mãe? Voltou a fechar o estojo e retirou do fundo da caixa um outro envelope. Abriu-o e tirou vários documentos. Uma certidão de nascimento em nome da sua mãe, Natália Trindade. Uma outra certidão de nascimento em nome de Jorge Noronha.
Cada vez mais intrigada procurou o seguinte. Uma certidão de casamento em nome da sua mãe e de Jorge Noronha. Procurou a data. A mesma que estava na aliança. Então a aliança e o anel de noivado eram da sua mãe? Mas se assim era, porque é que ela sempre lhe dissera que era solteira? O que a levara a mentir-lhe a vida inteira? E quem seria aquele homem com quem casara? E onde estaria? Procurou no fundo da caixa, mas não havia mais nada lá. Voltou a pegar no envelope e ao abri-lo para guardar os documentos verificou que havia ainda um outro documento lá dentro. Retirou-o e leu-o. Era o registo do processo de divórcio da sua mãe. A data do divórcio era de vinte e oito de Novembro de mil novecentos e noventa e um.
Ela nascera a vinte e dois de Maio de mil novecentos e noventa e dois. Fez rapidamente as contas. Cinco meses e vinte e quatro dias. Então aquele tal Jorge era o seu pai. Porque é que ela não tinha o seu nome? Tê-la-ia rejeitado? Seria por isso que a mãe se divorciara? Mas porque esconder-lhe os factos. Pior, porque lhe mentiu?
Tornou a guardar tudo na caixa. Estava arrasada. Desde que tinha memória a mãe sempre esteve a seu lado sozinha. Quando foi para a escola tentou saber porque não tinha pai como as outras meninas.
E a mãe disse-lhe que tinha ido a uma festa, bebera mais do que a conta e fizera amor com alguém. Um mês mais tarde soube que estava grávida, mas não se lembrava de nada e não sabia quem seria o seu pai. Porquê?


19.6.18

O DIREITO À VERDADE II




Parou o carro junto à porta da jovem, numa casa ali frente ao Jardim Constantino.
- Vai descansar querida. E não te esqueças de comer. Amanhã é outro dia. Não sei como estás de dinheiro, mas se precisares alguma coisa, telefona-me.
- Obrigada, tio. Agora que a mãe partiu, - não conseguia dizer morreu – não vou voltar à Universidade. Vou começar a procurar emprego. Felizmente que a casa é nossa, não preciso preocupar-me com a renda, mas há outras despesas, água, luz, gás. E preciso de comer. Tenho algum dinheiro, desde o décimo ano que dou explicações, e a mãe nunca me deixou gastar esse dinheiro, vai dando para me aguentar até arranjar algum trabalho.
-Devias acabar o curso. Afinal faltam-te dois semestres. E eu posso pagar-tos.
- De modo nenhum tio. Estive a pensar que posso alugar um quarto a uma estudante. A casa é demasiado grande só para mim, e a solidão é muito triste.
-É uma boa ideia, mas precisas ter cuidado com quem metes em casa. Tem que ser pessoa de bons princípios, senão em vez de ajuda, arranjas problemas. Agora tenho de ir, mas já sabes, alguma coisa que precises telefona-me.
A jovem desapertou o cinto, e beijou o tio com carinho.
- Fica descansado, se necessitar de alguma coisa, telefono-te, - disse abrindo a porta do carro e saindo.
Ele esperou até que ela entrou no prédio e só então ligou o motor e se pôs em marcha.
A jovem subiu as escadas até ao segundo andar, abriu a porta e entrou. Meteu a chave na porta e deu duas voltas. Depois lentamente começou a percorrer a casa. Uma entrada espaçosa, uma cozinha não muito grande, um quarto com entrada pela cozinha e com casa de banho, um corredor com várias portas que davam sucessivamente para a casa de banho a dispensa, o quarto da mãe, a sala-comum e o seu quarto. Entrou no quarto da mãe, abriu o grande armário e começou a colocar todas as roupas em cima da cama. Ia dobrá-las, e metê-las em sacos para depois levar para alguma instituição de caridade. Num canto do armário encontrou uma caixa de cartão, que colocou em cima da mesa-de-cabeceira.
Foi à cozinha, procurou numa gaveta, um rolo de sacos de plástico pretos, que a mãe usava para o lixo, e começou a dobrar e acomodar as roupas nos sacos. De vez em quando, passava pelo rosto alguma peça de que sabia que a mãe mais gostava. Era como uma última despedida.
Depois fez o mesmo com as três gavetas da cómoda. Separou algumas peças demasiado gastas pelo uso, mas que a mãe se negava a deitar fora porque lhe lembravam algum momento feliz, bem como a roupa interior, para deitar no lixo. O resto ficou tudo acomodado nos sacos. Feito isto, pegou na caixa de cartão, dirigiu-se à sala, 
Sentou-se no sofá e abriu-a.





18.6.18

O DIREITO À VERDADE - PARTE I


Esta escultura, recebe-nos na entrada do cemitério de S. Gonçalo em Lagos..
Não que esta história se passe em Lagos, mas é um bonito monumento composto por painéis. Chama-se A Passagem e simboliza exatamente isso .
A nossa passagem do mundo real da matéria, visível, para o mundo espiritual, o invisível.  


                                                           I


A urna desceu à terra, na presença de dois grupos distintos de pessoas. Em tamanho e em idade. De um lado, meia dúzia de pessoas de meia-idade. Do outro, um grupo mais numeroso de jovens, na frente dos quais se encontrava uma jovem alta, esbelta, morena, de cabelos e olhos tão negros quanto a roupa que tinha vestido.
Abeirou-se da sepultura, baixou-se e apanhou um punhado de terra. Ergueu-se e jogou sobre a urna uma singela gerbera cor-de-rosa, e de seguida o punhado de terra. Depois virou as costas e afastou-se, enquanto os dois homens pegavam nas pás e começavam s fechar a sepultura. Não queria vê-los, mas sentia no peito cada pá de terra que eles lançavam, enquanto lágrimas silenciosas corriam pelo seu rosto pálido. Sentiu que alguém lhe passava um braço pelos ombros, enlaçando-a em silêncio. Levantou o rosto e olhou o seu tio. Era um homem de sessenta e cinco anos, mas o seu rosto precocemente envelhecido, emoldurado por uma cabeleira totalmente encanecida, faziam com que aparentasse mais idade.
Alberto fora casado, com uma irmã da sua mãe. A sua tia Ana, falecera há dez anos, com a mesma doença que agora levara a irmã. O maldito cancro.
Os homens acabaram o trabalho de sepultamento e colocaram sobre a terra, as coroas, e demais ramos de flores. As pessoas começavam a abandonar o local, não sem antes lhe darem um abraço e algumas palavras de conforto, que não aliviavam a sua dor, mas que ela não deixava de agradecer.
- Vamos, querida, levo-te a casa, - disse Alberto. Já não há nada que a gente possa fazer por ela, a não ser rezar pela sua alma.
Helena concordou com a cabeça. Tinha dificuldade em se expressar. Começara a caminhar para o portão, mas de súbito parou e disse:
- Preciso falar primeiro com o agente funerário. Não sei se é preciso alguma coisa mais.
-Espera aqui, Eu vou lá falar com ele,  - disse Alberto.
Voltou pouco depois.
-Ele diz, que a agência trata de todos os trâmites, com a junta de freguesia, onde nasceu, para assinalar o óbito no registo, e com a Segurança Nacional, para que possas receber o subsídio. Normalmente leva oito ou dez dias até receberem a resposta, e então telefonam-te para te devolverem todos os documentos que lhes deixaste. Agora vamos, Lena. Estás de rastos, precisas descansar.
- Custa-me tanto voltar para casa, tio. Como é que eu vou viver, sem ela?
-Embora agora te pareça que o mundo desabou sobre a tua cabeça, vais encontrar forças para seguir em frente. Com tristeza, com muita saudade, mas continuamos. Como pensas que eu vivo? Há dez anos quando perdi a tua tia, encontrei força no teu primo para suportar a dor de ficar sem a única mulher que amei, Pior foi há três meses, quando o teu primo morreu naquele estúpido acidente.
- Perdoa, tio. Sou muito egoísta. Esqueci-me de que tu também estás com o coração ferido.
- Não te desculpes querida. Eu entendo, - disse abrindo-lhe a porta do carro.

17.6.18

SANTARÉM A CAPITAL DO GÓTICO


Santarém tem abrigado várias lendas acerca da sua origem. Uma delas está relacionada com a mitologia Greco-Romana e conta que o príncipe Abidis, fruto de uma relação do Rei Ulisses de Ítaca com a Rainha Calipso, foi abandonado pelo avô – Gorgoris, Rei dos Cunetas – que o lançou às águas do Tejo, dentro de uma cesta. Como por milagre a cesta que albergava o príncipe aportou na praia de Santarém, onde uma serva o criou. Tempos depois, Abidis foi reconhecido pela sua mãe, Calipso, tornando-se assim legítimo ao trono. A Santarém deu o nome Esca Abidis (“manjar de Abidis) e daí teria vindo o nome Escálabis. No segundo caso, à mártir Santa Iria, ou Irene, de muito provável ascendência peninsular. As duas origens marcaram profundamente os topónimos que ainda hoje são utilizados: Scallabis e Santarém (de Sant`Arein)”.


A conquista romana desta área inicia-se em 138 A.C., com a campanha militar de fortificação de Olisipo (Lisboa) e Móron por Décimo Júnio Bruto.
Seguindo a mesma linha, Júlio César cria, em 61 A.C., um acampamento militar em Santarém. A cidade toma nesta época a designação de Scallabis Praesidium Iulium.
No ano 715 passou para a posse dos mouros, que  passaram a chamar-lhe Shantarin, fixando-se o nome em  Santarém com a reconquista da urbe por D. Afonso Henriques em 1147.


 Foi uma das principais vilas medievais de Portugal, tendo adquirido o estatuto de "Sempre Nobre e Leal" 


No Século XVI encontram-se, ou relacionam-se com Santarém, grandes vultos da história de Portugal, como Pedro Álvares Cabral, Luís de Camões, Fernão Lopes, e Martim Afonso de Melo ( Primeiro Europeu a chegar à China por mar)
Durante as Invasões Francesas, foi quartel-general da tropas lideradas pelo General Maassena, e sitiada pelo duque de Wellington em 1810/11. Sá da Bandeira, Passos Manuel, e Braamcamp Freire, são exemplo de liberais nascidos e ligados a Santarém.
Almeida Garrett irá imortalizá-la em 1846 com a publicação do livro "Viagens na minha terra" uma história de amor infeliz entre Carlos e Joaninha.

Resta-me recordar que na revolução dos Cravos, Salgueiro Maia com as suas tropas saiu da Escola Prática de Cavalaria em Santarém.


Possuidora do maior núcleo antigo do país, Santarém tem muito que oferecer ao seu visitante.


Vale a pena ver o jardim das Portas do Sol, construído  no local do antigo castelo dos mouros, com os jardins rodeados das velhas muralhas medievais a fantástica vista sobre o Tejo, e a lezíria.


 Conhecida como a "capital do Gótico", Santarém tem muitos e belos monumentos de que destaco alguns. A actual Catedral,antiga Igreja do Seminário em estilo barroco, datada de 1640, a Igreja da Graça, do século XIV, onde pode ver a pedra tumular de Pedro Álvares Cabral, 

O Museu Arqueológico de São João de Alporão, a Estação dos Caminhos-de-ferro com os seus painéis de azulejo, a ponte D. Luís, a casa museu Passos Manuel, a Igreja de Santa Maria de Alcáçova, 

                                                   altar da igreja de Alcáçova
e a Igreja de Marvila, entre muitos outros monumentos de interesse.








Na Gastronomia a Açorda de Sável, a Fataça na Telha e a sopa de peixe são alguns dos pratos mais apreciados. Mas a Massa a Barrão, o Bacalhau com magusto, ou o Entrecosto com arroz de feijão, sejam também uma boa opção. Acompanhados é claro com o bom vinho do Ribatejo.
Para adoçar a boca, temos uma panóplia de doces conventuais, à base de  amêndoas, açúcar e ovos, de que destaco os Arrepiados, os Celestes e os Queijinhos do Céu. 
Temos ainda o Pampilho, outro doce local criado em homenagem ao campino.


E então vamos de férias para Santarém? 



fontes: A

SETÚBAL - A PRINCESA DO SADO


Setúbal existe desde 1514, com foral concedido por D. Manuel I. Embora não haja, registo de nenhum outro foral, sabe-se que esta zona foi habitada pelos Fenícios, Gregos e Cartagineses, que vinham à Ibéria em busca do sal,  e mais tarde pelos Romanos, que se fixaram na margem sul do Sado (hoje Tróia) e lhe deram o nome de Cetóbriga. Data dessa data a recolha de sal como o demonstram as salgadeiras aí encontradas.

A exemplo de outras cidades ibéricas e do sul da Europa, o topónimo 'Setúbal' pode estar relacionado com o topónimo do rio que banha a povoação, referido pelo geógrafo árabe Edrisi (Muhammad Al-Idrisi), como denominar-se Xetubre (sendo esta a tese do Prof. José Hermano Saraiva). Seja como for, o topónimo ‘Setúbal’ e a cidade perdem-se no rasto dos tempos.
Porém os movimentos de areia, forçaram os habitantes a procurarem outro local para se fixarem. Escolheram uma área, hoje chamada o Bairro do Troino, situada na margem oposta à primitiva fixação, e aí se desenvolveu o núcleo gerador da actual cidade.
Com a nova localização e o desenvolvimento crescente, Setúbal  tornou-se no reinado de D. Afonso III, um dos principais portos do País a par de Lisboa, Porto e Faro. Como a povoação se ia tornando cada vez mais importante. é necessário criar mecanismos que a defendessem. Assim se iniciou, no reinado de D. Afonso IV,  a construção de muralhas, das quais ainda existem na cidade  alguns pedaços que delas, dão testemunho.

Ao longo do século XV, a vila desenvolveu actividades económicas, ligadas sobretudo, à indústria e ao comércio, tirando rendimentos elevados com os direitos cobrados pela entrada no porto.
Os primeiros conventos franciscanos, um deles o Convento de Jesus, foram construídos em Setúbal durante esse século.


A época dos Descobrimentos trouxe um grande desenvolvimento, tendo D. Afonso V, em
1458, partido do porto de Setúbal à conquista de Alcácer Ceguer.
 A construção de um aqueduto, em 1487, que conduzia a água à vila, iniciada por D. João II, (que era um apaixonado por Setúbal e que escolheu esta cidade para casr com D. Leonor em 1471) e terminou no reinado de D. Manuel. Este monarca reformou o foral da vila, em 1514, devido ao progresso e aumento demográfico que Setúbal tinha registado ao longo do último século.

Aqueduto e Igreja de Santa Maria, onde se realizou o casamento real.
Hoje é a Sé Catedral de Setúbal



O título de “notável villa” é concedido, em 1525, por D. João III. Foi este título que proporcionou a criação, em 1553, por carta do arcebispo de Lisboa, D. Fernando, de duas novas freguesias, a de S. Sebastião e a da Anunciada, que se juntaram às já existentes S. Julião e Santa Maria.
A cerca de dois quilómetros do centro de Setúbal, o Rei D. Filipe II mandou edificar uma fortaleza – de S. Filipe –, cujos trabalhos foram iniciados em 1582.
No início do século XVIII, a população setubalense solicitou que S. Francisco Xavier fosse eleito padroeiro da cidade.




O terramoto de 1755 destruiu e danificou muitos edifícios, tendo as freguesias localizadas na zona mais baixa de Setúbal sido as mais afectadas.
Ao longo do século XIX, o desenvolvimento económico e social transformou a vila num dos mais importantes centros comerciais e industriais do País. A elevação a cidade deu-se em 1860, por carta régia, após solicitação da Câmara, dois anos antes, ao Rei D. Pedro V.
Nessa altura, foi inaugurada a via-férrea Barreiro/Setúbal e, em 1863, a iluminação a gás.
 As obras de aterro sobre o rio iniciaram-se, fazendo nascer a Avenida Luísa Todi.



Setúbal foi elevada, em 1926, a sede de distrito e, em 1975, a cabeça de 
diocese.
 Na actualidade Setúbal oferece uma grande diversidade de interesses para quem nela quiser passar férias.
Desde os passeios pela serra da Arrábida, donde se pode ter uma magnifica panorâmica sobre a cidade e o rio, uma visita aos monumentos, dos quais destaco além do já citado Convento de Cristo, a casa-museu do Bocage, o poeta sadino, cujo monumento de encontra num largo com o seu nome


o museu do trabalho, 

 Uma mercearia antiga no museu do trabalho

a casa-museu do Corpo Santo

Reparem na beleza deste sacrário, na casa-museu

A casa-museu do Bocage

                                       
A praia do Portinho da Arrábida,



 o forte de S. Filipe, os golfinhos, Tróia, na outra margem do Sado, onde além das ruínas da vila românica, tem uma magnífica praia
Na gastronomia, a rainha de Setúbal é sem duvida a sardinha assada, mas outros pratos como o choco frito, o polvo, as ostras são pratos que não encontram igual em mais nenhuma parte do país. 
E depois temos as tortas e o queijo de Azeitão, e os vinhos da região de Setúbal

E então, vamos até Setúbal? 




Nota A primeira e ultima foto não são minhas.


Fonte
Wikipédia
 Apontamentos de visita de estudo
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