27.6.17

SONHO AO LUAR -PARTE XV




Hélder entrou em casa. Tirou o casaco que pendurou no bengaleiro, e olhou para todos os lados, analisando cores e móveis. Respirou fundo. A sua casa. Era a primeira vez que a via, desde que partira há dez anos. E estava bem diferente após a remodelação que sofrera há meses. Antônia à porta, olhava-o espantada. Como é que ele tinha vindo sozinho? E onde estava o cão?
- Que se passa Antónia. Parece que viu assombração.
-Louvado Seja Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, -disse a mulher, juntando as mãos e erguendo os olhos. - O senhor está a enxergar!
-Estou. Mas com a fome que tenho, daqui a pouco não vejo nada de novo, - disse sorrindo.
-Não seja por isso, senhor. Vou já fazer o almoço, -disse saindo apressada para a cozinha.
Instintivamente dirigiu-se ao quarto e pousou a mala em cima de uma cadeira. Era estranho. Ele não sabia, onde ficavam os aposentos, mas bastava-lhe contar mentalmente os passos e sabia exatamente onde ficava cada um. Pegou no telemóvel, e ligou um número.
- Isabel?
- Sim.
- Estou em casa. Podes vir aqui agora?
-Não. Desculpa, foi muito gratificante trabalhar contigo e ler em primeira mão o teu novo livro, mas inclusivamente já não vivo aí. Deixei-te a carta de rescisão do contrato em cima da secretária.
- Rescisão? Não podes fazê-lo. Não sem antes falar contigo.
Não obteve resposta. Ela tinha desligado. Ligou de novo, mas ela desligara o telemóvel. Ficou furioso. Saiu disparado em direção à casa mais próxima e bateu à porta.
- Onde está a sua neta? – Perguntou mal a idosa abriu a porta.
Ela olhou-o espantada. Afastou-se um pouco para o deixar entrar e disse sorrindo:
- Que surpresa! Entra filho, conversamos na sala, que preciso de me sentar. Já não tenho idade, para um choque destes.
Deu-se conta, de que tinha sido demasiado brusco com a velha senhora, que realmente devia estar surpreendida, e curvando-se depositou um suave beijo na testa enrugada.
- Perdoe-me. Acabei de chegar, e a sua neta acaba de me dizer que se despediu. Fiquei destroçado, e não me portei bem com a senhora.
Já na sala, a senhora perguntou:
- Mas diz-me filho, que milagre é esse? Foste operado?
- Não. Há anos tive um acidente grave, quando caí de um cavalo e bati com a cabeça numa pedra. Tive uma hemorragia, fui operado de urgência, estive uns dias em coma. Quando recuperei, estava cego. Fiz muitos exames, os médicos diziam que eu não tinha nada físico que me impedisse de ver, mas o certo é que não via. Segundo eles só podia ser por qualquer trauma psicológico. Há um mês comecei a notar que distinguia umas sombras. Nada de muito relevante, mas assim que terminei o livro,  parti para ir consultar os médicos que me tinham tratado, e fazer novos exames. Eles confirmaram que estava a recuperar a visão. Fiquei muito admirado, pois pensava que sendo psicológico, quando recuperasse a visão, ficaria a ver normalmente e o que eu distinguia era um jogo de luzes e sombras. Distinguia vultos apenas. Os médicos disseram que era normal, os olhos são órgãos muito preguiçosos, e tinham estado quase quatro anos sem ver, pelo que a visão viria aos poucos, e tinha que fazer várias vezes ao dia, certos movimentos oculares, para os exercitar. Estive quinze dias numa clínica em Barcelona. Mas graças a Deus resultou.



SONHO AO LUAR - PARTE XIV


Na manhã seguinte, quando Isabel chegou para o seu dia de trabalho, foi recebida por Antónia, que a informou da viagem do patrão. Disse-lhe que o patrão, antes de partir lhe dissera, para lhe comunicar que tinha deixado uma mensagem gravada para ela. Agradeceu o recado e dirigiu-se ao escritório para ouvir a mensagem. Ligou o gravador, e a voz grave fez-se ouvir.
- Bom dia, Isabel. Deves estar surpresa com a minha súbita partida, mas aconteceu algo que não posso adiar. Não sei quanto tempo vou estar ausente, espero que não seja muito. Até lá, estás de férias.
Que podia ter acontecido para que tivesse de partir tão repentinamente?Algum problema com a editora e a publicação do livro? Mas se era isso, porque não o dizia? De qualquer modo que importava isso agora? Não tinha decidido ir-se embora? Pois ali estava uma boa oportunidade. Quando ele voltasse, já estaria longe. Tinha pena de se afastar da avó, tinha quase oitenta anos, gostava de ter ficado junto dela o resto da vida. Mas o melhor que fazia era voltar para o escritório na cidade. O seu lugar não podia ser ali, ao lado do homem que amava e simultaneamente tão longe dele.
Pensou deixar-lhe uma mensagem gravada. Mas desistiu. Que podia dizer-lhe? Que os dois eram vítimas de uma brincadeira do destino? Não. Levantou-se, desligou e guardou o gravador, e chamou Antônia, a quem disse que a ordem deixada era para ir de férias até à volta do patrão. Despediu-se pois e voltou para casa. Foi para o seu quarto, pôs a mala em cima da cama, guardou as suas roupas, e quando fechou a mala, viu a avó parada na porta do quarto
A avó abriu os braços e ela correu para eles. Choraram juntas. Depois, mais calma a avó disse:
-Tenho medo de não voltar a ver-te, filha.
- Não digas isso, avó. Tinha, decido viver aqui contigo. Agora, não me sinto com coragem para isso. Mas prometo que venho ver-te muitas vezes. Um fim de semana, um feriado. O tempo suficiente para estar contigo, e não ter encontros dolorosos. O melhor mesmo era ires viver comigo, mas já sei que ninguém te arranca daqui.
- Vais-te embora já?
- Não. Só depois do almoço.
- Então vem. Vamos tratar dele agora.

26.6.17

SONHO AO LUAR - PARTE XIII


A avó viu-a entrar. Leu-lhe o desespero no olhar. Uma sombra de tristeza, perpassou-lhe pelos olhos cansados. Conhecia aquele filme. Tinha-o visto dez anos antes. E dessa vez ficou cinco anos sem ver a neta. Se a história se repetia, tinha a certeza de que nunca mais a veria. Esperou um pouco e seguiu-a. Ouviu o choro da jovem. Abriu a porta, e sentando-se na cama, perguntou:
- Que aconteceu, Isabel? Há uma hora atrás, parecia que estava tudo bem.
- Ele lembrou-se de mim, avó.
- Lembrou-se? Como assim?
-Disse que se esqueceu de perguntar-te pela tua neta, que sempre estava por cá nesta altura.
- E isso que tem, Isabel? Eram tão amigos, é natural que se lembre. Filha se não te explicas, não consigo perceber, porque é que isso te faz chorar. Afinal a minha neta, és tu.
- É que ele disse que a amava como uma irmã. Como uma irmã, avó. Entendes? Foi assim que ele me viu há dez anos, foi assim que sempre me amou. Em contrapartida, eu sempre o amei como homem. Desde os doze  anos, antes mesmo de saber o que era o amor. Não me consigo imaginar com mais ninguém. E não penses que nestes dez anos, não tentei. Eu pensei que se fosse trabalhar com ele, sem ele saber quem eu era, podia fazer com que se apaixonasse por mim. Mas ou sou a sua secretária, ou a amiga, com quem gosta de conversar. Nunca mostrou qualquer interesse pela mulher que sou. Acreditas que nunca me tocou?
-Nunca te tocou, como?
- Tu sabes que os invisuais sentem as coisas com a ponta dos dedos. Ele nunca me pediu para tocar o meu rosto. Não lhe interessa se tenho a pele lisa, ou cheia de rugas.
-Ele não acabou, já o livro? Então o que tens a fazer, é deixá-lo e seguires com a tua vida. Ainda que agora te pareça impossível, um dia acabarás por esquecê-lo. O tempo é um excelente remédio. Não queiras transformar-te numa heroína da Idade Média. Hoje em dia já ninguém morre por amor. Vamos lá, vai tomar banho e vem ajudar-me com o jantar. E vai pensando no que te disse.
Levantou-se e dirigiu-se para a porta. Embora sentindo-se impotente perante o sofrimento da neta, tinha que ser firme. Gostava do jovem. Conheceu-o de garoto, viu-o crescer e fazer-se homem. Depois os pais morreram, ele ficou sozinho, e de vez em quando, visitavam-se. Confiava tanto nele, que nem se preocupou com a admiração da neta por ele, nem com os constantes passeios dos dois. Nunca lhe passou pela cabeça que o perigo para a neta, viria dos seus próprios sentimentos. Nem mesmo quando mais tarde suspeitou disso, sempre pensou que era uma paixoneta de garota que logo esqueceria. Agora estava assustada com a força daquele sentimento.


SONHO AO LUAR - PARTE XII


Um mês depois, tinha-se estabelecido uma grande amizade entre os dois. O livro estava quase pronto, e era frequente vê-los, passeando, ora até à praia, ora aventurando-se pelos caminhos da serra. Para Isabel era como se tivesse voltado dez anos atrás, quando inseparáveis percorriam aqueles mesmos caminhos, em longas conversas.
Raro era o dia, que a avó não lhe chamava a atenção, preocupada que estava com a sua felicidade. Ela, fazia ouvidos de mercador, empenhada em desfrutar ao máximo da companhia dele. Tinha pedido férias sem vencimento, no escritório, e pensava todos os dias, que tinha que procurar um espaço para montar o seu escritório, mas arranjava sempre uma desculpa para adiar essa resolução.
Uma tarde, depois de terem estado durante uma hora a rever o último capítulo, ela lendo o que estava escrito, ele corrigindo frases, mudando palavras, deram enfim o livro por terminado.
No dia seguinte sairia para a editora.
Então, ele disse-lhe que ia visitar a idosa, da casa ao lado, e pediu-lhe para o acompanhar. Ficou aflita, não podia avisar a avó, e receava o que ela pudesse dizer.
Ele cumprimentou carinhosamente a senhora, que o levou para a sala, onde conversaram sobre a sua ausência, e o tempo que esperava ficar.
Depois a avó disse que ia fazer um chá, e Isabel ofereceu-se para a ajudar, a fim de recomendar à avó, que não a desmascarasse.
A visita foi muito agradável, e acabou por se prolongar. Na volta, ele rompeu o silêncio para dizer.
-É uma senhora muito agradável. Tanto que me esqueci de lhe perguntar pela neta. Antigamente ela estava sempre cá, de férias, nesta altura do ano.
Isabel estremeceu. Ele lembrava-se dela. Com voz tremente, perguntou:
-Eram amigos?
- Amigos? Não. Era muito mais do que uma amiga. Era uma irmã.
Ela deu graças a Deus por ele não a poder ver. Uma irmã. Foi assim que ele sempre a viu. Por isso ficou tão zangado naquele dia. Com raiva, limpou as lágrimas que iam deixando um rasto molhado no rosto pálido. Percorreram em silêncio, o resto do caminho. Depois ele recolheu-se ao quarto, enquanto ela morta de dor, arrumou a secretária, pegou na mala e foi para casa. Ficaria muito surpreendida, se tivesse visto o sorriso enigmático do homem, quando meia hora depois regressou ao escritório.

25.6.17

SONHO AO LUAR - PARTE XI

                                                       





E prefere os clássicos, ou autores contemporâneos?
- Pois, não sei. Há clássicos de que gosto muito, mas entre os modernos há autores excelentes. Como por exemplo, o Mia Couto, o João Tordo, Joaquim Pessoa, entre muitos outros.
- Sabe que sou escritor. Não utilizo o meu nome verdadeiro. Pelo que já viu do meu próximo livro, identificar-me-ia com algum dos seus autores preferidos?
- Sem dúvida que sim. Eu juraria que o senhor é Tomás Reis.
- Já lhe tinha pedido, para esquecer o senhor. Trate-me simplesmente por Hélder. Mas porque me associa a esse autor?
- Porque é um dos meus preferidos, li os quatro livros que publicou até hoje, e o estilo parece-me o mesmo.
- Folgo saber que o Tomás lhe agrada, - disse com um sorriso que lhe suavizou os traços do rosto. - Efetivamente, eu sou Tomás Reis.
- Mas porquê tanto mistério? Por causa da…
Calou-se. Sem saber como prosseguir sem o magoar.
- Cegueira? Não se preocupe. Já lá vai o tempo em que me atormentava. Ao fim de quatro anos, um homem acostuma-se a tudo. Até a ser cego.
- Desculpe, não queria magoá-lo. Só que me intrigava que apesar do êxito das suas obras, não haja nada na internet senão o seu nome e o nome da editora. Não há nas notícias de lançamento de nenhuma das suas obras, uma foto, uma indicação de presença, nada.
- Tudo começou com uma aposta com um amigo. Apostei em como era capaz de publicar em completo anonimato. Ele disse que eu não conseguia. Combinamos um prazo de cinco anos, se me tornasse famoso. No meu contrato com a editora há uma cláusula proibindo qualquer revelação sobre o autor. Há quatro anos, após a saída do quarto livro, terminaram os cinco anos da aposta. Pensava em convocar a imprensa e dar-me a conhecer, no lançamento do novo livro, mas então sofri o acidente que me deixou assim e fiquei desesperado. Pensei que nunca mais ia escrever uma linha que fosse.  Até que por fim a resignação chegou, e resolvi retomar a minha vida. Aborreço-a?
- De modo algum. Gostaria que continuasse. Falou em resignação. Não se pode fazer nada? Uma cirurgia, um tratamento, alguma coisa?
- Infelizmente não. Quando caí do cavalo, bati com a cabeça, fiz hematoma epidural, com hemorragia intracraniana. Fui operado de urgência e estive algum tempo em coma. Quando recuperei estava cego. Submeti-me a muitos exames, procurei vários médicos, e todos me disseram o mesmo. Tecnicamente eu não devia estar cego, não havia nenhuma lesão, que  pudesse estar a provocar a cegueira. Só podia ser psicológico, e em breve voltaria a ver. A princípio acreditei. Mas com o passar dos anos, não há fé que resista.
- Não pode perdê-la. Sempre ouvi dizer que a fé é que nos salva. E se não há doença, que o impeça, tenho a certeza que vai recuperar a visão. Talvez demore, mas volta.
- Quem dera acreditar nisso. Mas por hoje chega de conversa. Viu a correspondência?
- Sim. Nada de importante. Apenas umas cartas do banco, duas delas com recibos de faturas pagas, outra com o extrato bancário.

24.6.17

SONHO AO LUAR - PARTE X




Quando voltou depois de almoço, encontrou em cima da secretária, uma caixa com papel de impressora, que ela abriu para tirar algumas folhas e guardar as restantes. Acabara de ligar o gravador, quando ele entrou no escritório.
- Olá. Já viu o papel?
- Sim. Já o guardei. Acabei de verificar que já cheguei ao fim do que estava no gravador. A cópia, está impressa e arquivada numa pasta.
- Muito bem. Gostaria que lesse para mim. Há muito tempo que não leio um livro.
- E tem algum preferido?
- Sim. Tinha comprado “Os poemas possíveis” de José Saramago, que não cheguei a ler. Deve estar algures nessa estante. Gosta de poesia?
- Sim, embora não conheça o livro em questão, mas procuro-o já.
Percorreu a estante até encontrar o que ele pediu. Sentou-se dizendo:
-Aqui está. Posso começar?
-Por favor.
Com voz pausada, ela foi lendo, um após outro, os poemas do autor, perante o silêncio dele. Um quarto de hora depois foi interrompida.
- De momento chega. Importa-se de conversar um pouco? A Isabel lê muito bem. Sente o que está a ler. E decerto, este não é o tipo de poeta, que uma jovem prefere.
- Porquê?
- Pelo que me leu, não são poemas de amor, e esses são normalmente, os que as jovens mais gostam de ler.
- Realmente nunca tinha lido poemas de José Saramago, embora tenha lido quase todas as suas obras em prosa. Mas contrariamente ao que diz, senti, que eram poemas de amor. De amor à liberdade, à fraternidade, e à luta por um mundo melhor. É talvez um amor diferente, mas nem por isso deixa de ser amor.
- Tem um excelente sentido de análise. Não é muito vulgar nas jovens de hoje.
- Talvez eu nem seja, tão jovem assim. Ou talvez eu tenha tido um bom mestre, - respondeu perscrutando-lhe o rosto, tentando adivinhar alguma emoção.
- E teve?
- Sim. Um grande amigo, que me iniciou nas leituras, ensinando-me a buscar o verdadeiro sentido daquilo que lia.
Será que ele se lembraria dela? De quando leram juntos, Miguel Torga, ou Ernest Hemingway? Dos livros que lhe emprestou, e que ela lia com rapidez, só pensando em estar à altura dele? Se o fez, não deixou transparecer no seu rosto nenhum sinal visível.
- Pode-se dizer então, que gosta muito de ler.
- Gosto? Sou uma leitora compulsiva.


SONHO AO LUAR - PARTE IX


Nessa noite, pegou no último livro de Tomás Reis, "Sonho ao luar," e releu algumas páginas.
Estava quase convencida que tinha descoberto o pseudônimo de Hélder Figueiredo.
Pesquisou o autor, na internet, mas a única coisa que encontrou, foi o nome dos vários livros, publicados e o nome da editora. Nem uma fotografia, nem a idade, nada que o identificasse. Era muito estranho.
Apesar de ter adormecido tarde, acordou cedo. Tomou banho, vestiu -se e foi para a cozinha preparar o pequeno-almoço. Preocupou-se por não encontrar a avó, que sempre se levantava cedo, e foi ao quarto, onde também a não encontrou. Começava a ficar assustada quando a porta se abriu e a avó entrou com o missal na mão. Tinha ido à missa das sete. Era o dia do aniversário da morte do marido.
Isabel, acabou de fazer as torradas, aqueceu o leite para a avó, e fez um sumo de laranja para ela.
Acabada a refeição deu um beijo na idosa, e saiu apressada, pois faltavam apenas trinta minutos para as nove horas.
Encontrou Hélder com outro homem que lhe apresentou como sendo o seu advogado. Ele estendeu-lhe o contrato que ela leu e assinou. Depois despediu-se e partiu.
- Continuo com o trabalho de ontem? – Perguntou quando ficaram sós
- Sim. Preciso desses capítulos acabados. Vou à cidade. Precisa alguma coisa?
- Há pouco papel para impressão.
- Mais alguma coisa?
- Penso que não.
Ele saiu, enquanto ela ligava o computador, a impressora e o gravador, iniciando assim o seu dia de trabalho.
Às onze horas, Antónia, apareceu com um chá e biscoitos.
Porém ela estava demasiado entusiasmada, com o livro, pelo que bebeu apenas o chá e continuou o trabalho.
Quando acabou de imprimir a última folha, desligou o gravador, organizou as folhas imprimidas, furou-as e arquivou-as numa pasta.
Olhou o relógio. Hora de almoço. Desligou o computador. Hélder, ainda não tinha voltado, não podia esperar, ele podia decidir almoçar na cidade