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15.6.24

PORQUE HOJE É SÁBADO


Mercedes Variation - Don Quixote - Svetlana Gaida's Kraków Centre Balet ..


AMIGOS, de Segunda até Quinta não publicarei nem farei visitas, pois estarei ausente. Desculpem.

14.6.24

ENSAIO NUM ÚNICO ACTO

 



(A cena mostra uma sala moderna, de teto baixo branco, com iluminação incrustada. Numa das paredes, uma enorme tela a óleo. Pintura abstrata, em tons quentes, a contrastar com o frio mármore branco, da mesa baixa no centro da sala. Sob a mesa uma alcatifa em tons de castanho e bege. Sobre ela, um original solitário negro com uma rosa vermelha, e um livro. Dois modernos sofás de cor bege, colocados em L, e uma estante com um moderno ecrã de TV, e alguns livros completam o mobiliário. O tecido castanho do reposteiro que oculta a janela, prolonga-se nas almofadas que adornam os sofás. Ao fundo uma escada dá acesso ao andar superior.

A mulher, ainda jovem está sentada num dos sofás, a cara escondida entre as mãos. Estremecem-lhe os ombros, soluços incontidos. Pouco depois, procura no bolso do robe um lenço, e enxuga o rosto. Olha em frente. Percebe-se o sofrimento no seu rosto. Ergue os olhos e num soluço contido, lamenta-se.)

- Porquê, Senhor, porquê? Porque me castigas assim? Não sabes acaso que desde menina, sempre desejei ser mãe? Porque não o consigo? Para que me serve este ventre estéril e estes braços vazios? Que mal te fiz para me fazeres sofrer assim?

(Cala-se por um momento e logo continua.)

-Meu marido dorme serenamente. Que ele não saiba do meu desespero. Dos pesadelos que me atormentam as noites, do desespero que amarga meus dias. Sim porque eu tenho quase todas as noites, esta opressão que me esmaga o peito e quase me impede de respirar, enquanto assisto impotente à morte dele. Um sonho tão real, que acordo numa aflição sem tamanho. E depois venho para aqui e choro. Vou à janela, e olho o céu, na esperança dum sinal. Que não chega nunca. E volto para a cama de corpo e alma gelada. Tenho medo de que tanta amargura, me enlouqueça. Tenho de procurar ajuda. Quem sabe, um psiquiatra. Tenho de ir. Se meu marido acorda e não me vê, fica em cuidados.

- Senhor, afasta de mim este cálice. E não leves a mal se num gesto de raiva eu o derramar. Porque o meu desespero é maior que a esperança dum milagre.

(Lentamente dirige-se à escada que a levará de volta ao quarto.)

 

 Elvira Carvalho

13.6.24

SANTO ANTÓNIO DE LISBOA






Porque hoje é 13 de junho vou falar de Santo António. De Santo António de Lisboa, apesar de meio mundo lhe chamar Santo António de Pádua. Mas nós sabemos que é de Lisboa, porque uma pessoa é de onde nasce e não de onde morre. Santo António, ganhou fama de santo ainda em vida, e não conheço outro que tenha sido tão rapidamente canonizado, após a sua morte. Ganhou fama de proteger os namorados e de arranjar marido ás moças casadoiras, que o não conseguiam. Por isso se fazem os casamentos de Santo António, e também por isso, em alguns países se festeja o dia dos namorados a 12 de junho , como no Brasil, onde os namorados têm por patrono o Santo António e não o São Valentim. Mas segundo a lenda, o santo não se preocupava só com as jovens "encalhadas", mas também com os bens de cada um. Diz-se que uma pessoa que perdia algo, bastava rezar o responso de Santo António, para logo achar o perdido. Diz ainda a lenda, que se alguém era vítima de roubo, e recorria ao santo através do seu responso antes que o produto do roubo mudasse de mãos, o ladrão via-se obrigado a devolver o ou os objetos roubados. Ainda hoje os mais antigos fazem o responso.  Lembro-me das inúmeras vezes que em criança, procuravam o meu pai, para que fizesse o responso do Santo António.
 Daí que achei interessante pô-lo aqui como o meu pai mo ensinou




RESPONSO DE SANTO ANTÓNIO

Se milagres desejais
Recorrei a Santo António
Vereis fugir o demónio
E as tentações infernais.

Recupera-se o perdido
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.

Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro e a morte
O fraco torna-se forte
E torna-se o enfermo são.

Recupera-se o perdido
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.

Todos os males humanos
Se moderam se retiram.
Digam-no os que o viram
Digam-no os paduanos.

Recupera-se o perdido
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido.

Glória ao Pai, ao Filho, e ao Espirito Santo

Rogai por nós bem-aventurado Santo António
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.



Bom Feriado para quem o tem


10.6.24

10 DE JUNHO - 5º CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE CAMÕES - DIA DE PORTUGAL E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS


 Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

                          Luís de Camões


No mundo quis o Tempo que se achasse

No mundo quis o Tempo que se achasse
O bem que por acerto ou sorte vinha;
E, por exprimentar que dita tinha,
Quis que a Fortuna em mim se exprimentasse.

Mas por que meu destino me mostrasse
Que nem ter esperanças me convinha,
Nunca nesta tão longa vida minha
Cousa me deixou ver que desejasse.

Mudando andei costume, terra e estado,
Por ver se se mudava a sorte dura;
A vida pus nas mãos de um leve lenho.

Mas, segundo o que o Céu me tem mostrado,
Já sei que deste meu buscar ventura
Achado tenho já que não a tenho.

                          Luís de Camões


Amor, que o gesto humano na alma escreve

Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas me mostrou um dia,
Donde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.

A vista, que em si mesma não se atreve,
Por se certificar do que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.

Jura Amor que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoudece, se cuida que é verdade.

Olhai como Amor gera, num momento
De lágrimas de honesta piedade,
Lágrimas de imortal contentamento.

                    Luís de Camões

Se as penas com que Amor tão mal me trata

Se as penas com que Amor tão mal me trata
Permitirem que eu tanto viva delas,
Que veja escuro o lume das estrelas,
Em cuja vista o meu se acende e mata;

E se o tempo, que tudo desbarata
Secar as frescas rosas sem colhê-las,
Mostrando a linda cor das tranças belas
Mudada de ouro fino em bela prata;

Vereis, Senhora, então também mudado
O pensamento e aspereza vossa,
Quando não sirva já sua mudança.

Suspirareis então pelo passado,
Em tempo quando executar-se possa
Em vosso arrepender minha vingança.

                      Luís de Camões


Erros meus, má fortuna, amor ardente

Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

                        Luís de Camões


Se Luís Vaz de Camões, foi genial na sua obra épica "Os Lusíadas" a sua genialidade pode também ser encontrada nos inúmeros sonetos, cantigas e elegias que nos deixou. Aqui vos deixo cinco sonetos, um por cada centenário. Não serão dos mais conhecidos, mas são uma escolha pessoal que espero vos agrade. Bom Feriado

7.6.24

MARGARIDA

 




Numa pequena vila costeira, vivia um velho pescador com a sua neta, Margarida, que ele tomou a seu cargo, quando os pais da menina então com oito anos morreram num acidente.

 A menina adorava o avô que lhe falava de reis e sereias que habitavam o fundo do mar. Margarida, a quem o avô, tratava carinhosamente por Princesa, foi crescendo, simples, alegre e linda, como a flor que lhe dera o nome tornando-se uma bela mulher com a sua pele branca como a neve, os lindos olhos azuis como pedaços de céu, e o cabelo tão loiro, que mais pareciam fios de oiro que o vento agitava.

Todos os homens que a viam, quer fossem pescadores, ou turistas endinheirados, que vinham de férias para o moderno hotel junto à praia, todos por ela se apaixonavam. Dizem até, que quando em noites de luar, Margarida passeava descalça pela orla da praia, Neptuno, o deus do mar, saía das águas encantado, só para a ver passar.

 Mas, dizem que não há bela sem senão e a linda jovem tinha um e grande. Influenciada pelas belas histórias que o avô lhe fora contando ao longo dos anos, Margarida vivia num mundo de magia e sonhos, onde a realidade da vida, não tinha lugar.

O velho pescador estava desolado. Estava velho, cansado e sentia que o seu fim se aproximava a passos largos. Queria que ela arranjasse um bom homem e se casasse, mas a jovem vivia com a cabeça na lua e ele temia que ela não conseguisse sobreviver sozinha, depois da sua partida.

Um tarde porém - continuou o narrador que ia narrando esta história às crianças da pré, na minha escola – um lindo iate ancorou perto da praia, e à noite, um grupo de jovens veio nadando, até ao areal.

Era uma linda noite de luar e como de costume, Margarida caminhava descalça, pela orla das ondas, quando um dos jovens a viu, separou-se dos demais e caminhou ao seu encontro. Então, vindo do mar, um sussurro, suave como uma brisa de verão, chegou aos ouvidos da jovem.

-Margarida, hoje, cumpre-se o teu destino. O jovem que se aproxima é a tua alma gémea. Não temas. Sorri, porque em breve vais partir e ser muito feliz.  Adeus, meu amor.

 


5.6.24

ABRIL


Um dos meses de que mais gosto, é Abril. Quando ele chega, a Primavera que nascera dias atrás e ainda se mostra
 tão vacilante como bebé que começa a gatinhar, explode numa miríade de cores e aromas que nos põem estrelas nos olhos e risos no coração.

 O azul expulsa dos céus as nuvens, como quem limpa a casa para uma festa. Os campos enchem-se de variadas e perfumadas  flores silvestres, destacando-se as papoilas que ondulam vaidosas, exibindo com orgulho um vermelho vivo, como o sangue que pulsa com um novo vigor nas veias, depois do triste e frio inverno. 

Os parques enchem-se de risos de crianças e de avós babadas, que o sol, cheio de amor, passando por entre as verdes e viçosas folhas, de frondosas árvores, acaricia com os seus luminosos raios. 

Abril é o mês em que a natureza renasce, e os homens renovam a utopia, de um mundo de paz, liberdade e amor.  

 

 

 

3.6.24

PASSEANDO NUM PRADO ENCANTADO

 


Naquela noite eu andava passeando num belo prado desconhecido. Era agosto, o dia estivera muito quente e a noite apresentava-se amena, iluminada por uma lua cheia, redonda e brilhante, que espalhava reflexos de prata, por todo o prado. Por entre o extenso tapete verde de relva bem cuidada, surgiam muitas flores que inebriavam o ar com seu perfume.

Sentia-me tão feliz, que abri os braços, soltei a voz e cantando e dançando, cheguei a um pequeno largo, em forma de triangulo, que me deixou indecisa pois de cada um dos lados partia um carreiro.

Depois de um momento de indecisão, acabei decidindo seguir por aquele, para o qual estava virada no momento. Pouco depois parava na margem de um lago, de límpidas e serenas águas, que formavam uma extensa mancha turquesa, entre o verde das árvores que a cercavam. Quedei-me extasiada perante tão bela e idílica  paisagem, quase esquecida do tempo. Depois decidi voltar atrás e explorar os outros dois caminhos. Será que iam dar a lugares tão belos quanto aquele que tinha pela frente?

 Mas ao voltar-me o caminho tinha desaparecido e em seu lugar havia uma densa floresta. Apavorada, mas decidida a descobrir o caminho de volta, caminhei na direção da floresta, mas então senti-me presa,  como se de súbito as árvores ganhassem braços, e voz, pois as ouvi chamar-me.  

Assustada, gritei e sentei-me na cama, assustando o meu filho que se afastou choramingando.

 

 

1.6.24

1 DE JUNHO - DIA MUNDIAL DA CRIANÇA


 Comemora-se hoje o Dia Mundial da Criança. Dia Mundial? De que mundo?  Do mundo africano,  asiático,  do México e alguns países sul americanos, onde as crianças morrem todos os dias de fome e de doenças a ela associadas? Da Ucrânia e da Palestina, onde os senhores da Guerra as matam sem dó nem piedade? Pergunto-me: Onde está o cumprimento da Declaração de Direitos da Criança, proclamada pela Assembleia Geral da Nações Unidas em 1959?


Princípio 1.º A criança gozará dos direitos enunciados nesta Declaração. Estes direitos serão reconhecidos a todas as crianças sem discriminação alguma, independentemente de qualquer consideração de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou outra da criança, ou da sua família, da sua origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou de qualquer outra situação. 

Princípio 2.º A criança gozará de uma proteção especial e beneficiará de oportunidades e serviços dispensados pela lei e outros meios, para que possa desenvolver-se física, intelectual, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade. Ao promulgar leis com este fim, a consideração fundamental a que se atenderá será o interesse superior da criança.

 Princípio 3.º A criança tem direito desde o nascimento a um nome e a uma nacionalidade. 

Princípio 4.º A criança deve beneficiar da segurança social. Tem direito a crescer e a desenvolver-se com boa saúde; para este fim, deverão proporcionar-se quer à criança quer à sua mãe cuidados especiais, designadamente, tratamento pré e pós-natal. A criança tem direito a uma adequada alimentação, habitação, recreio e cuidados médicos

Princípio 5.º A criança mental e fisicamente deficiente, ou que sofra de alguma diminuição social, deve beneficiar de tratamento, da educação e dos cuidados especiais requeridos pela sua particular condição. 

Princípio 6.º A criança precisa de amor e compreensão para o pleno e harmonioso desenvolvimento da sua personalidade. Na medida do possível, deverá crescer com os cuidados e sob a responsabilidade dos seus pais e, em qualquer caso, num ambiente de afeto e segurança moral e material; salvo em circunstâncias excecionais, a criança de tenra idade não deve ser separada da sua mãe. A sociedade e as autoridades públicas têm o dever de cuidar especialmente das crianças sem família e das que careçam de meios de subsistência. Para a manutenção dos filhos de famílias numerosas é conveniente a atribuição de subsídios estatais ou outra assistência.

 Princípio 7.º A criança tem direito à educação, que deve ser gratuita e obrigatória, pelo menos nos graus elementares. Deve ser-lhe ministrada uma educação que promova a sua cultura e lhe permita, em condições de igualdade de oportunidades, desenvolver as suas aptidões mentais, o seu sentido de responsabilidade moral e social e tornar-se um membro útil à sociedade. O interesse superior da criança deve ser o princípio diretivo de quem tem a responsabilidade da sua educação e orientação, responsabilidade essa que cabe, em primeiro lugar, aos seus pais. A criança deve ter plena oportunidade para brincar e para se dedicar a atividades recreativas, que devem ser orientados para os mesmos objetivos da educação; a sociedade e as autoridades públicas deverão esforçar-se por promover o gozo destes direitos.

Princípio 8.º A criança deve, em todas as circunstâncias, ser das primeiras a beneficiar de proteção e socorro. 

Princípio 9.º A criança deve ser protegida contra todas as formas de abandono, crueldade e exploração, e não deverá ser objeto de qualquer tipo de tráfico. A criança não deverá ser admitida ao emprego antes de uma idade mínima adequada, e em caso algum será permitido que se dedique a uma ocupação ou emprego que possa prejudicar a sua saúde e impedir o seu desenvolvimento físico, mental e moral. 

Princípio 10.º A criança deve ser protegida contra as práticas que possam fomentar a discriminação racial, religiosa ou de qualquer outra natureza. Deve ser educada num espírito de compreensão, tolerância, amizade entre os povos, paz e fraternidade universal, e com plena consciência de que deve devotar as suas energias e aptidões ao serviço dos seus semelhantes.

17.5.24

CARTA A UMA AMIGA PERDIDA

 

Querida Sofia.

Não sei se ainda te recordas de mim, já passaram tantos anos, mas hoje como em milhares de vezes, lembrei-me de ti.

 Vive em mim a saudade, dos tempos em que vivíamos sonhando com o futuro e aquilo que queríamos da vida. Das noites em que deitadas no escuro, contávamos em surdina segredos que eram só nossos. 

Tu vivias sonhando com o Quim, eu… nunca te confessei, mas vivia suspirando pelo teu irmão, numa paixão de adolescente, que passou anos mais tarde quando conheci o homem da minha vida.

 Naquela época, tu dizias que eu era a irmã que não tinhas. Eu, a viver afastada da minha irmã de sangue, amava-te de igual maneira. Foram anos maravilhosos.

 Mais tarde, testemunhaste o meu casamento. E se eu estava radiante, tu estavas duplamente feliz. Por mim, e por ti, que vias finalmente o teu amor de sempre pelo Quim retribuído. Depois a vida afastou-nos. 

Um dia estava eu em Moçambique, a minha irmã escreveu-me uma carta, contando que te encontrara. Estavas casada e a tratar do passaporte para te juntares ao Quim que tinha emigrado para a França, em busca de uma vida melhor. Corria o ano de 1971. 

Nunca mais soube de ti. Interrogo-me, porque a vida consegue separar assim, duas pessoas que partilharam um amor tão grande? Embora nunca chegues a ler esta carta, amo-te minha amiga, minha irmã.

A tua

Elvira



Nota: Tenho saudades vossas. Esperava voltar este mês, mas a saúde voltou a atraiçoar-me. Apanhei uma virose seguida de uma gastroenterite e infeção urinária. Estou com uma dieta de cozidos e grelhados e a antibiótico.