21.9.18

ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE VII





A casa estava em silêncio.
Provavelmente Clara já dormiria há horas.
No silêncio da biblioteca, Ricardo acabara de reler a carta que Clara lhe mandara em resposta ao anúncio. Decerto ela nunca saberia, mas fora exatamente aquele “Post Scriptum” que o levara a escolhê-la entre o monte de respostas que recebera. É evidente que ele tencionava investigar a vida das candidatas que pretendia entrevistar. Mas aquela nota final, fez-lhe pensar que aquela seria a candidata ideal, a por de parte todas as outras cartas e a pedir ao Francisco, seu advogado e amigo, se lhe arranjava um investigador de confiança para descobrir quem era e como era aquela mulher. Oito dias mais tarde tinha na sua frente num relatório pormenorizado, toda a informação sobre a vida dela, e não havia dúvida de que era uma boa escolha. Porém havia um senão. Durante mais de dois anos, ela tivera um namorado. Segundo o relatório, coisa séria, chegaram aos preparativos para o casamento. De repente seis meses atrás, zangaram-se e nunca mais foram vistos juntos.
No seu anúncio ele fora propositadamente dúbio, não especificando que se tratava de um anúncio de casamento embora o facto de mencionar, " o papel de mãe delas" pudesse ser tido como um anúncio de casamento. Mas ela poderia pensar que se trataria apenas de uma ama, e não achar que um namoro seria inconveniente. Tinha que esclarecer aquele assunto com ela, e para isso marcara uma entrevista.
Sorriu a lembrar-se da resposta que ela lhe dera, quando lhe perguntou se estava apaixonada. Era uma mulher de personalidade forte e isso agradou-lhe.
Então explicou-lhe em que consistia o tal “emprego”, disse-lhe quanto receberia mensalmente, falou-lhe do casamento que teria de durar até à maioridade dos filhos, do divórcio que lhe daria em seguida, e dos cem mil euros que receberia no final do contrato, quando se divorciassem. E perguntou-lhe se continuava interessada.
Ela ouvira-o com atenção, e quando ele se calou dissera.
Continuo interessada, mas com uma condição. O meu irmão deverá viver connosco, e terá pagos os seus estudos universitários, mesmo que a quantia que estipulou no final, seja substancialmente reduzida. Se aceitar estas condições, eu aceito as suas.
-Não tenho nenhum problema, em financiar os estudos do teu irmão, até à sua formação, desde que ele tire boas notas e não se meta em drogas. Se isso acontecer, retiro-lhe todo o apoio.
-Não acontecerá. O Tiago é um miúdo muito responsável.
- Mais uma coisa, - dissera ele. Não suporto traições. Se te apaixonares por alguém, deverás comunicar-mo. Darei por findo o contrato, tratamos do divorcio, mas claro que não receberás os cem mil euros a que terias direito se o contrato chegasse ao fim.
- Parece-me justo! A mim também não me agradam as traições. E se acontecer o contrário, e for o senhor interessado no divórcio?
-Isso não acontecerá. Mas se por hipótese eu rompesse o acordo, receberias na mesma o dinheiro, já que o incumprimento não seria teu.  Entendes que será um casamento apenas no papel?
-Claro, se assim não fosse não o aceitaria, mesmo querendo muito concretizar o sonho do meu irmão,- respondera.
-Então, vou falar com o meu advogado para redigir o contrato e logo que esteja pronto telefono-te para o assinarmos. E prepara o que for necessário, o casamento tem que ser muito rápido. Assim que assinares o documento dar-te-ei um cartão de crédito para que compres o necessário.
- Até ao momento em que oficialmente me torne sua mulher, não aceitarei nenhuma ajuda financeira.
-Mas um casamento implica despesas. Desde logo o vestido de noiva e o fato do teu irmão. Não são roupas baratas.
- Eu sei. Mas isso é problema meu.


Nota: Esta história regressa Segunda-Feira. Um sereno e feliz fim-de-semana



20.9.18

ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE VI



Deixou um quarto para a mãe e dividiu o outro com o irmão que traumatizado com a morte do seu progenitor e o alheamento da mãe, não fazia outra coisa que não fosse chorar. Essa fora a principal razão que a levara a inscrever o irmão nos escuteiros da paróquia de São Pedro de Alcântara. Após a mudança e despedida a última empregada, Clara pensou que precisava de arranjar rapidamente trabalho, pois o dinheiro que sobrara, depois de pagar aos credores, escoava-se rapidamente nas necessidades básicas do dia-a-dia. Porém como fazê-lo se tinha de cuidar da casa, da mãe e do irmão, na época apenas com apenas com sete anos? Ainda restavam as jóias da mãe, mas de modo algum queria desfazer-se delas. Cada uma representava para a progenitora, um momento especial, seria decerto um choque fatal desfazer-se delas.
Infelizmente seis meses depois de terem mudado para a nova casa, a mãe morreu docemente enquanto dormia. Clara havia completado dezoito anos dois dias antes. Foi como se a mãe tivesse esperado que ela atingisse a maioridade para se reunir ao seu amado marido. Assim ela podia assumir a educação do irmão. Se fosse menor, a Segurança Social tê-los-ia separado, e provavelmente acabariam os dois nalguma instituição.
Com o pequeno Tiago na escola, podia enfim arranjar um trabalho, que lhes permitisse viver. E foi o que fez. Arranjou trabalho num café perto de casa. O salário não era muito grande, mas com o abono de família, e as gratificações dos clientes, dava para irem vivendo. Com a vida mais estabilizada, propôs-se terminar o décimo segundo ano à noite, coisa que levou a cabo com a ajuda das vizinhas que lhe tomavam conta do irmão, nas horas em que ela estava na escola.
Mais tarde, fora a uma entrevista e conseguira entrar como escrituraria numa empresa e o salário aumentou substancialmente. E assim foram vivendo os dois, os anos passando, Tiago crescia, sem lhe dar problemas.Estava quase a fazer  dezassete anos, e ia iniciar o último ano do Secundário e depois teria que entrar no mercado de trabalho, já que de modo algum, Clara conseguiria pagar-lhe a faculdade, a menos que vendesse as poucas jóias da mãe, que ainda lhe restavam, coisa que ela não desejava fazer.Eram a única recordação que tinham dos pais, e uma defesa para a eventualidade de uma doença. E foi então que no refeitório da empresa uma colega lhe chamou  a atenção para um anúncio, no jornal, que na altura considerou absurdo.

“Cavalheiro 35 anos, deseja conhecer senhora dos 30 aos 35 anos, que goste de crianças, meiga e competente, para possibilidade de desempenhar o papel de mãe delas. Assunto sério. Resposta ao apartado 1100 Rossio”

Porém o resto do dia, o anúncio não lhe saiu do pensamento. Ela gostava de crianças. Se o homem pagasse bem, e tendo em atenção que provavelmente iria viver lá para casa, talvez conseguisse pagar a Universidade ao irmão.
Assim, depois de uma noite em que quase não dormiu, decidiu responder ao anúncio. Nunca lhe passou pela cabeça que se tratasse de um casamento, pensou sim que se trataria de um emprego como ama.
Escreveu a seguinte missiva no trabalho durante a hora de almoço.

Exmo. Senhor.
Talvez não devesse perder tempo a responder ao seu anúncio, já que refere a idade entre 30 e 35 anos, e eu tenho apenas 26. Mas como gosto imenso de crianças, e tenho experiência no assunto já que há oito anos, venho criando sozinha, um irmão que tem atualmente dezasseis anos, penso que talvez a questão da idade não tenha uma importância muito grande, e eu possa ser escolhida para cuidar das suas crianças.
Estou na atualidade empregada na firma, Ramos & Ramos Lda em Alcântara, mas não teria problema em pedir a demissão.
Sem outro assunto, termino com os melhores cumprimentos.
Atenciosamente
Clara Mendes de Sá.

P.S. Não envio referências, pois acredito que o senhor não entregará os seus filhos ao cuidado de ninguém, sem antes fazer uma aturada investigação sobre essa pessoa. Pelo menos, era o que eu faria, se fossem meus filhos.

ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE V


No seu quarto, Clara trocou a roupa que vestia por um pijama de algodão composto de calções floridos e t-shirt branca. Foi à casa de banho, escovou os dentes, soltou o cabelo e regressou ao quarto disposta a dormir. Tinha por hábito ler um pouco antes de adormecer, mas como se irritara com  Ricardo acabara por não trazer nenhum livro.
Foi até à porta que dava para o terraço. Afastou o cortinado, e olhou.
 No céu uma esplendorosa lua cheia iluminava toda a terra. “Boa noite para acampar”- murmurou pensando no irmão.
Teve vontade de sair para o terraço, mas pensou que todos os quartos deviam dar para ele, e não tinha vontade nenhuma de voltar a ver o dono da casa, naquela noite. Sim, porque apesar da aliança que ele lhe enfiara no dedo, ela nunca perdera a noção de que era apenas uma empregada, que por obrigação contratual, vivia em casa do seu patrão.
Talvez que a aliança lhe desse um estatuto especial, perante o mundo em que ele se movia, mas ali dentro daquelas paredes, era apenas a sua empregada. O contrato que ambos assinaram, era bem explícito. Ela devia proceder como sua esposa, em todos os eventos onde se fizessem representar, e deveria ser uma mãe para as crianças, acompanhando-as como tal até à sua maioridade. Depois assinariam o divórcio e ela era livre de fazer da sua vida o que bem entendesse. Aos quarenta e um anos. Era para todos os efeitos um contrato absurdo, mas tinha as suas contrapartidas. Desde logo tinha uma mesada mensal que era o dobro do que recebia no emprego anterior, tinha casa e alimentação para ela e para o irmão, que assim podia ir para a Universidade, tirar o Curso de Biologia, que era o seu sonho de menino e que ela nunca lhe poderia proporcionar. E o melhor de tudo, cuidar de crianças, era para ela que sempre as adorara, uma forma de realização pessoal. Fechou o cortinado, e deitou-se, mas o sono teimava em não chegar.
De algum recanto da sua memória, as lembranças começaram a sair em catadupa.
Viu-se bem pequenita, num baloiço do jardim, de uma grande moradia,  empurrada pelo seu pai, sob o olhar amoroso da mãe.
Tivera uma infância feliz. Seu pai era um empresário bem-sucedido, e sua mãe uma mulher muito apaixonada. Ambos se amavam muito e a amavam da mesma maneira.
Clara só tinha um problema. Era filha única, e o seu maior sonho era ter um irmão, com quem dividisse carinho e brincadeiras. Era a única menina da sua turma, que não tinha irmãos. Mas para sua felicidade até o irmão chegou, como o melhor dos presentes, três dias antes de fazer dez anos.
Porém antes de completar dezassete anos, a sua vida sofreu uma reviravolta inesperada. Por uma daquelas crises que de vez em quando assolam um país, varrendo a economia, os negócios do pai começaram a correr mal, e ele não foi capaz de travar a falência. Desesperado, sem saber como honrar os diversos compromissos com os credores, conduziu sem destino até que numa estrada montanhosa, não muito concorrida, fez com que o carro mergulhasse no vazio, acabando por morrer na explosão que se sucedeu ao embate.
Embora o coração da mãe ainda batesse, durante quase um ano, após a morte do marido, na verdade a mulher que ela fora, morrera no momento em que recebeu a notícia da morte do companheiro. Apesar da pouca idade, Clara chamou a si a tarefa de cuidar do irmão e da mãe, e ao mesmo tempo limpar o nome do pai. Começou por despedir duas das três empregadas, e por a esplêndida casa da família à venda, o carro topo de gama, que o pai oferecera à mãe pelo seu aniversário, no ano anterior, bem como algumas obras de arte onde o pai aplicara bastante dinheiro ao longo dos anos.
Claro que fora a mãe quem assinara os documentos, mas fora ela com a ajuda do advogado do pai, quem tratara de tudo.
Não foi fácil, a sua vida após a morte do pai. Com o dinheiro das vendas, pôde pagar as dívidas do pai e limpar o seu nome. Depois teve que procurar uma casa modesta para habitarem, o que não foi possível naquela zona onde os alugueres eram bastante caros.
Conseguiu arranjar um apartamento na zona de Alcântara, com dois quartos, sala, casa de banho e uma pequena cozinha.


19.9.18

ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE IV




Desceu as escadas e dirigiu-se à biblioteca. Abriu a porta, não sem antes bater com os nós dos dedos.
Ricardo estava sentado atrás de uma grande secretária. Tinha um bloco na sua frente onde escrevia algo.
Levantou a cabeça e olhou-a. Era um olhar amistoso? Indiferente? Clara não saberia dizê-lo.
- O teu irmão saiu há uns vinte minutos. Disse que ia acampar com o seu grupo de escuteiros e que te telefonava amanhã. Vai acampar muitas vezes?
- Entrou para os escuteiros aos seis anos. E desde essa data que acampa, amiúde, durante as férias. No tempo de aulas não. Porquê? Não te agrada?
- Porque não me agradaria? Perguntei por simples curiosidade.
- Por falar em curiosidade. Disseste que o Tiago e a Soraia não são irmãos?
-Não quero falar sobre isso.
- Como não? Temos um contrato, no qual eu me comprometi a cuidar deles, a educá-los e protegê-los até atingirem a maioridade, tal como se fossem meus filhos. O que são, mais ou menos quinze anos. Se vou ser a mãe deles, tenho todo o direito de saber o que lhes diz respeito.
Tinha levantado a voz, e ao dar-se conta disso, corou.
Ricardo pousou a caneta, e por largos minutos não disse nada. Depois…
-Talvez tenhas razão, mas de qualquer modo, hoje não é dia para falarmos disso. Antes quero apresentar-te as minhas desculpas. Devia ter-te dado as boas vindas à tua nova casa, coisa que não fiz. Sê bem-vinda.
-Obrigada. Disseste que a Antónia fazia o trabalho da casa e que eu só devia cuidar das crianças. Quero saber se estou proibida de fazer outras coisas.
- Que coisas? O teu trabalho é, cuidar das crianças.
- E durante o tempo em que dormem? Ou quando forem para a escola? Posso cozinhar, jardinar, ou fazer qualquer outra coisa que me apeteça no momento, ou tenho que me sujeitar a ficar no quarto como se estivesse de castigo?
- Que se passa, Clara? Porque não falaste nisso, antes de assinares o contrato? És mais esperta do que eu pensava. Aceitaste tudo, até estares casada e agora começas a mostrar as garras.
 Ergueu a cabeça e disse o mais serena que conseguiu, embora  os seus olhos estivessem mais brilhantes e a raiva lhe apertasse a garganta.
- Não sei com que espécie de mulheres, lidaste até hoje, mas gostaria que não me julgasses por elas.  Fui absolutamente sincera quando te disse o que me tinha levado a responder ao teu estúpido anúncio. Mas mesmo necessitando-o com toda a minha alma, eu não teria assinado aquele contrato, se não gostasse de crianças e não soubesse que era capaz de ser para elas a mãe que decerto precisam. Fui mãe do Tiago, desde que meu pai morreu e tu sabes isso, deve estar no relatório do detetive. A ideia do casamento foi tua. Eu faria exatamente a mesma coisa com um simples contrato de empregada. Por isso não me venhas dizer que fiz isto ou aquilo, até estar casada, como se te tivesse enganado. Sabes muito bem que até ao momento da cerimónia, vi mais vezes o teu advogado do que te vi a ti. E decerto não lhe ia fazer as perguntas a ele. E outra coisa, o facto de cuidar das crianças não me impede de fazer outras coisas que gosto de fazer, como cuidar do jardim, fazer um almoço especial quando me apeteça, ou até lavar os vidros da janela. 
Sei que tens uma boa empregada e que podes contratar quantas quiseres mais. Calculo que sejas um homem muito rico, mas que fique bem claro. Compraste os meus serviços, mas não há dinheiro no mundo que compre, a minha vontade, ou mude a minha maneira de ser.  Quando era criança, os meus pais tinham uma cozinheira e duas empregadas. Mas desde os oito anos que aprendi a arrumar o meu quarto e nunca mais deixei a empregada fazê-lo.
 Virou-se, saiu e subiu para o seu quarto sem esperar resposta.



18.9.18

ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE III



Quando entraram em casa, cada um carregando uma criança a dormir, Ricardo disse para a sua esposa:
-Vem. Vamos levá-los para o quarto. Antónia se encarregará de despi-los e deitá-los. Tem cuidado ao subires a escada, não pises o vestido. Seria perigoso para ti e para a menina.
Ela subiu os degraus com estremo cuidado, uma mão segurando a criança, outra levantando o vestido.
Uma vez lá em cima, ele abriu uma porta, e entrando deitou o menino numa cama de ferro pintada de azul. No lado oposto, havia uma cama igual pintada de rosa, onde Clara deitou a menina com todo o cuidado.
Logo de seguida Antónia entrou no quarto e Ricardo estendeu-lhe a mão, num convite mudo para abandonarem o local.
No corredor, ele abriu uma porta, dizendo.
-Aqui será o teu quarto. Tem uma porta que comunica com o quarto das crianças, para que possas ir rapidamente até elas, se te chamarem de noite. Essa porta do lado esquerdo, é o quarto do teu irmão. Espero que esteja tudo a vosso gosto, mas se quiseres mudar alguma coisa, tens carta-branca para o fazer.
Ela queria perguntar onde era o quarto dele, mas não se atreveu. Porém como se ele adivinhasse a pergunta que não foi feita, disse:
- O meu quarto é a porta a seguir, do lado direito, e também comunica com o quarto das crianças. Se algum dia precisares de mim, é só abrires a porta de comunicação que sempre fica apenas encostada. Pedi à Antónia para arrumar as vossas coisas nos respetivos quartos. Durante a semana, poderemos ir buscar o que ainda não veio, para que possas entregar a casa ao senhorio. Mais tarde estarei na biblioteca. Se quiseres podes ir até lá e conversaremos um pouco. Se não apareceres compreenderei que estás cansada e foste dormir, - disse afastando-se.
Ela acendeu a luz e entrou no quarto fechando a porta atrás de si.
O quarto era espaçoso. Na parede contrária à porta de entrada, havia uma grande e larga porta de vidro que dava para um terraço. Ocupando toda a parede do lado esquerdo um enorme roupeiro ao meio do qual se encontrava a porta de comunicação com o quarto das crianças. Na parede do lado direito um toucador e uma porta. “Será que os quartos comunicam todos entre si?” Foi até lá e depois de bater e não ouvir nenhuma resposta deu a volta à maçaneta, pensando que provavelmente iria entrar no quarto do irmão mas tratava-se da sua casa de banho.
No centro do quarto, como rainha absoluta do espaço, a enorme cama de casal.
Com uma certa dificuldade, conseguiu desapertar o vestido de noiva, que colocou o mais direito possível em cima de uma cadeira para mandar depois para a lavandaria. Descalçou-se, e entrou na casa de banho. Livrou-se da roupa interior, soltou o cabelo e meteu-se debaixo do chuveiro.
O duche revigorou-lhe os músculos tensos, e sentiu-se muito melhor.
Fechou a torneira e enrolando uma toalha à volta do corpo, pegou no secador e durante alguns minutos dedicou-se a secar a sua farta cabeleira. Depois enfiou um roupão e dirigiu-se ao quarto. Tirou do armário um par de calças de ganga, e um top de seda azul que pôs em cima da cama. Escolheu um conjunto de cuequinha e sutiã de algodão branco, e com ele na mão voltou à casa de banho. Depois de o vestir, olhou-se ao espelho. Fez uma careta. Não era um conjunto sensual mas era cómodo. E depois, o que lhe interessava a roupa interior?  Ninguém ia ver se o que ela vestia era de seda ou algodão.
Arrumou a casa de banho e voltou ao quarto onde vestiu a roupa anteriormente escolhida.
Procurou no armário umas sabrinas, escovou o cabelo e prendeu-o num rabo-de-cavalo. Abriu a porta de comunicação, verificou que as crianças continuavam a dormir, aconchegou-lhes a roupa, e voltou ao seu quarto.
Finalmente apagou a luz e saiu.


Nota. Parece que esta história não começou de forma muito convencional.  O que será que se vai passar agora? Alguns de vós pensam que a jovem fez um casamento de conveniência por causa da carreira. Mas será que assim foi? E se não tiver sido um casamento?