17.1.19

NOTÍCIAS



Boa noite amigos.

Estive hoje em Lisboa, na clínica onde fui operada. Fiz novos exames, fui consultado. O olho operado, está quase bom. Quase, porque o médico diz que ainda vai melhorar um pouco. O outro está  bem pior e torna-se urgente a cirurgia, mas como é complicada e ele não arrisca fazê-la sem a assistência de um especialista do globo ocular, não sei ainda se será dia 21 ou dia 28, dependendo  da disponibilidade desse especialista, que já o assistiu na cirurgia anterior.
Também quem é que manda ser complicada assim? Porque raio não devia eu de ter umas cataratas normais de velhice, como o meu marido teve, que em 10 dias operou os dois olhos e ficou bom?
Bom amanhã retomarei as visitas diárias aos vossos blogues até à segunda cirurgia.
Muito obrigada a todos pelo vosso carinho.

16.1.19

JÁ NASCEU...

Nasceu no passado dia 14 às 16 horas, o meu filho mais novo.  Aqui lhes mostro algumas fotos.


 De frente
 De costas
No Berçário


O nascimento só foi possível graças à amizade e esforço do dr Joaquin Duarte de Silva.
Em princípio, o "Batizado" para o qual convido todos os meus amigos, será no dia 14 de Fevereiro no Convento Madre Deus da Verderena.
A confirmação chegará por convite formal no início do próximo mês.
Resta só dizer que dado o meu atual estado de saúde, este menino veio trazer grande alegria ao meu coração.

15.1.19

INVASÃO DE... MARCIANOS



Às voltas com esta maldita tosse que é alérgica à cama e me obriga a dormir sentada no sofá há várias noites, com exames médicos marcados para amanhã no Barreiro, e na quinta feira em Lisboa com o cirurgião, entro aqui à procura de alguma coisa com que possa fazer um post, e eis que reparo que às 19,30 tinha de visualizações hoje.
Curiosa com tal fartura fui ver de onde tinham vindo.  Espantada vejo que a região desconhecida aumentou 700, visualizações  em relação à última vez que para lá tinha olhado. 
Como não faço ideia nenhuma de onde fica esta região desconhecida, querem lá ver que o humilde Sexta está a ser invadido por marcianos? O bom disto tudo é que consegui fazer um post. E esta hem?




Visualizações de página de hoje
780
Visualizações de página de ontem
397
Visualizações de página do mês passado
15.338
Histórico de todas as visualizações de página
577.471
Seguidores
Gerenciar o rastreamento das suas exibições de página


Visualizações de página por país

Gráfico dos países mais populares entre os visualizadores do blog
EntradaVisualizações de página
Portugal
1831
Região desconhecida
1010
Alemanha
680
Estados Unidos
156
Singapura
56
Brasil
53
Macau
38
França
12
Indonésia
11
Bélgica
7



E dobrei a meia noite com 892 visualizações sendo 1067 da tal região desconhecida.
Curioso que nas vésperas esta região não chegava às 300 

13.1.19

ELISA II

reedição
Elisa viu-se nessa altura obrigada a contar a verdade aos pais. Tinha que deixar o filho com alguém para ganhar-lhe o sustento. E quem melhor que os pais? O pai só lhe disse que devia ter contado antes. E que tomaria conta do neto, como se fora um filho. Elisa deixou o filho lá na aldeia e veio para Lisboa ser criada de servir. Não pensava em namorados. Tudo o que juntava mandava para os pais, para o sustento do filho. Mas um dia conheceu o António. António era moço de Lisboa, com muito mais experiência de vida, e não foi difícil dar a volta à cabeça da jovem. Prometeu-lhe casamento, criar-lhe o filho, dar-lhe até o seu nome. Elisa ia viver com ele, e logo que acabasse a tropa, tratavam do casório. E mandavam vir o filho. Elisa acreditou. E um tempo depois deu-se conta que estava outra vez grávida. Quando António soube da gravidez, os seus modos alteraram-se. Começou a chegar cada dia mais tarde, com a desculpa de que tinha serviço no quartel. E um dia deixou de aparecer. Elisa foi ao quartel. Queria saber o que se passava. Mas lá disseram-lhe que ele tinha pedido para ser transferido. E começou novo calvário para Elisa. Quando o adiantado estado de gravidez não a deixava já trabalhar, recorreu à instituição de Santa Zita, que a ajudou até que a menina nasceu, bem como nos primeiros tempos, até que ela conseguiu com a ajuda da instituição arranjar trabalho.
A vida de Elisa foi uma vida de escravidão ao trabalho para criar os filhos. Porque depois da morte da mãe, teve que ir buscar o filho mais velho, para junto de si. Foi pai e mãe dos filhos.
Nunca mais quis ouvir falar de homens na sua vida.
Quando os filhos cresceram, Portugal tornou-se pequeno para os seus sonhos. Só pensavam em emigrar para o Brasil. O sonho duma vida melhor fez com que juntassem todos os tostões para a viagem. E lá foram deixando a promessa de mandarem ir a mãe tão logo tivessem casa e trabalho.
A principio as cartas do Brasil chegavam todas as semanas. Eram cartas cheias de novidades e promessas. Depois passaram a ser de mês a mês. A vida corria bem, a filha tinha até casado, e só estavam esperando mudar de casa para mandar a passagem. É que a casa era pequena. Mais tarde nascera a neta, a despesa era maior. Depois o filho casou, tinha mais despesas. Aos poucos Elisa apercebeu-se que tinha perdido os filhos quando se despediu deles em Alcântara.
Por fim as cartas deixaram de chegar. O olhar perdeu-se no horizonte, o corpo foi-se vergando ao desgosto e ao peso dos anos.
Elisa foi hoje a sepultar...
Nunca vi um funeral tão triste. Meia dúzia de vizinhos, ninguém de família. E enquanto a terra caía sobre a urna, eu pensava se os filhos iriam  algum dia  arrepender-se do abandono a que votaram a mãe.
Elisa foi hoje a sepultar... 
E enquanto jogo uma flor sobre a sepultura murmuro uma prece:
Senhor, se é verdade que existe o paraíso, tem piedade desta tua serva, que já teve o seu inferno...

 Elvira Carvalho


Este conto foi mais uma reedição, pois a minha saúde continua muito periclitante. O olho está melhor, mas a constipação trouxe uma tosse que não me deixa ir à cama há três noites.
Peço-vos desculpa.







12.1.19

ELISA

Reedição
Corria o ano de 1940. Elisa era nessa altura uma encantadora rapariga de dezoito anos. Pequena, bem proporcionada, cabelo escuro como noite sem lua, quase sempre preso numa farta trança.

Os olhos escuros e um rosto moreno, onde um rasgado sorriso fazia aparecerem duas graciosas covinhas. Era uma jovem alegre, com uma bonita voz, que encantava quem a ouvia ao domingo na igreja, ou nos campos enquanto trabalhava. Foi talvez a beleza da sua voz, que atraiu o patrão, naquele fatídico dia de Abril. Elisa mondava o milho numa leira, quando o patrão a surpreendeu e sem lhe dar tempo a defesa, ali mesmo a violou. Naqueles tempos nas remotas aldeias do interior, não raras vezes os patrões "desgraçavam" as jovens empregadas. Naquele dia Elisa foi para casa, com o corpo e a alma em ferida. Não disse aos pais nem aos irmãos o que tinha acontecido. De que teria servido? Só aumentaria a sua dor, e a sua vergonha.
Nunca mais foi a mesma. Não queria que ninguém soubesse o que tinha acontecido, e os pais estranhavam que não quisesse ir trabalhar para aquele patrão. Afinal era o que empregava mais gente, e pagava melhor.
 Uma noite sem que ninguém desse conta, Elisa fugiu de casa. Vagueou por montes e vales, evitando os caminhos principais, roubando frutas para enganar a fome, durante dias a que esqueceu a conta. Um dia, com os pés em ferida e as roupas sujas e rotas avistou uma cidade.
 Foi-se aproximando a medo. Teve sorte. Uma mulher idosa viu-a, e vendo o estado lastimoso em que se encontrava, levou-a até à sua casa. Deu-lhe um alguidar com água, um pedaço de sabão azul e branco, e uma toalha velha e esfarrapada, porém limpa, para ela se lavar. Em seguida trouxe-lhe umas roupas limpas que tinham sido da sua filha que Deus lhe levara havia dois anos.
 Josefa foi-lhe contando isto enquanto aquecia no velho tacho de barro um prato de caldo verde feito na véspera.
 Elisa sentiu-se como alguém que regressa a casa. Na verdade Josefa, embora não a conhecendo, estava a tratá-la como uma filha e Elisa deixou que as lágrimas rolassem pelo rosto emagrecido enquanto contava àquela desconhecida, o que não tivera coragem de contar à mãe.
 Josefa ouviu em silêncio o relato da jovem, e quando esta acabou, estendeu a sua velha mão sobre a cabeça da jovem, e murmurou entre dentes:
 "Um dia, um dia isto vai ter fim. E esses canalhas vão pagar por todos os seus crimes". E logo levantando a voz disse:
 - Ficas aqui enquanto não arranjares trabalho. Eu não tenho muito, mas há-de dar para as duas. Agora uma coisa tens que me prometer. Vais escrever aos teus pais. Diz-lhes que estás em Coimbra, e que arranjaste trabalho. Os teus pais têm que saber de ti. Eu também fui mãe e sei bem a aflição duma mãe quando não sabe dum filho.
 Elisa assim fez. Arranjou trabalho a dias para limpezas e tentava a custo apagar as recordações quando descobriu que isso era impossível porque estava grávida.
Foram tempos muito difíceis em que só no carinho de Josefa conseguiu forças para sobreviver. Aos pais não contou nada. Morria de vergonha. E foi inventando desculpas para não ir visitá-los

Quando o filho tinha três anos Josefa morreu. Morreu serenamente, sem se queixar, tal como tinha vivido.

+++++++++++++++++++++++++++++


O Sexta ontem esteve muito concorrido. Que terá acontecido para apresentar este número de visualizações?



Visualizações de página de hoje
203
Visualizações de página de ontem
666
Visualizações de página do mês passado
15.037
Histórico de todas as visualizações de página
575.523
Seguidores
Gerenciar o rastreamento das suas exibições de página



11.1.19

O TRIPLO FILTRO




Numa aula de relações humanas, o professor falou-nos do "Teste do Filtro Triplo"
Confesso que nunca tinha ouvido falar nisso e resolvi transcrevê-lo aqui no Sexta. Quando o fiz tentei perceber a origem dele mas embora ele apareça 
escrito em vários blogues, não vi nada que me desse a certeza de o texto ser originário da Grécia Antiga, ou tenha sido inventado como sendo da época. 
De qualquer modo deixo-o aqui.  Penso que se justifica, numa época, em que se fala de tudo e de todos sem se ter certeza de nada e se espalham notícias falsas  




"Na Grécia Antiga, Sócrates detinha uma alta reputação e era muito estimado pelo seu elevado conhecimento. Um dia, um conhecido do grande filósofo aproximou-se dele e disse: 

- Sócrates, sabe o que eu acabei de ouvir acerca daquele teu amigo? 
- Espera um minuto - respondeu Sócrates - Antes que me digas alguma coisa, gostaria de te fazer um teste. Chama-se o "Teste do Filtro Triplo". 
- Filtro Triplo? 
- Sim - continuou Sócrates - Antes que me fales do meu amigo talvez fosse uma boa ideia parar um momento e filtrar aquilo que vais dizer. Por isso é que eu lhe chamei o Filtro Triplo. 
E continuou: 
- O primeiro filtro é VERDADE. Tens a certeza absoluta de que aquilo que me vais dizer é perfeitamente verdadeiro? 
- Não - disse o homem - o que acontece é que eu ouvi dizer que... 
- Então - diz Sócrates - não sabes se é verdade. 
Passemos ao segundo filtro, que é BONDADE... O que me vais dizer sobre o meu amigo é BOM? 
Não, muito pelo contrário... 
Então - continuou Sócrates - Queres dizer-me algo mau sobre ele e ainda por cima nem sabes se é ou não verdadeiro. Mas, bem, pode ser que ainda passes o terceiro filtro. 
O último filtro é UTILIDADE... 
O que me vais dizer sobre o meu amigo será útil para mim? 
Não, acho que não... 
Bem - concluiu Sócrates - se o que me dirás não é nem bom, nem útil e muito menos verdadeiro, para que me dizer? 
Usemos o Triplo Filtro na nossa vida diária, cada vez que formos falar sobre alguém."