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22.9.19

PORQUE HOJE É DOMINGO



Três amigos alentejanos conversavam sobre a sua preguiça. Diz o primeiro:
- Ê sô tão preguiçoso que, no otro dia, vi uns maços de notas no chão, e não os apanhê p”rá nã ter de m” agachari.
Diz logo o segundo:
- Isso nã é nada. A minha vizinha Sonia super sexy tocou me à porta, a convidar mê pra ir passar a noite à casa dela e eu recusei p”rá nã ter que atravessar a rua.
E diz o último:
-Pois o mê caso foi piori. No domingo fui ao cinema e passei o filme todo a chorari.
- Só isso? – perguntaram, espantados, os outros.
Explica o último:
- É que ao sentar mê, entalê os tomates e não estive p”rá levantari…


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O avião contacta a torre:
- Torre, aqui Cessna 1325, piloto estudante, estou sem combustível.
Na torre, todos os mecanismos de emergência são accionados, todas as pessoas ficam atentas e já ninguém tem sequer uma chávena de café na mão. O suor corre em algumas faces e o controlador responde ao piloto:
- Roger, Cessna 1325. Reduza velocidade para planar. Tem contacto visual com a pista?
E responde o piloto novato:
- Bem… quer dizer… eu estou na pista… só estou à espera que me venham atestar o depósito

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Dois bêbados estão sentados num banco num parque, quando um par de freiras se aproximava. Uma das freiras vinha de muletas e com a maior parte de sua perna engessada. Um dos bêbados pergunta:
- Desculpe, mas o que aconteceu?
A freira a mancar responde:
- Eu escorreguei, caí na banheira e quebrei a tíbia. O médico disse que eu vou ter que ficar com o gesso por mais duas semanas.
Diz o bêbado:
- Deve ter sido forte… Deus a abençoe!
Responde a freira:
- Obrigado, meu filho
E lá continuam no seu caminho. Quando elas estão fora do alcance da voz, o primeiro bêbado pergunta ao outro:
- O que é uma banheira?
Responde o segundo:
- Como queres que eu saiba? Eu não sou católico…


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Completamente nua, uma mulher entra num bar  e  pede uma cerveja. O dono do bar olha-a dos pés à cabeça, depois vai ao frigorífico e pega uma cerveja gelada.
Ela bebe-a rapidamente e pede outra. O dono do bar olha para a mulher, olha, olha, olha, fica a olhar, olha e olha de novo, até que a mulher diz:
- O senhor nunca viu uma mulher nua, não?!
E o dono do bar tranquilo responde:
- Ver eu já vi, só estou a tentar perceber de onde você vai tirar dinheiro para pagar as cervejas…


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O professor de Português para o Joãozinho:
- Na frase ”O ladrão assaltou a casa”, quem é o sujeito?
Responde o Joãozinho:
- Eu não sei, senhor professor. Não o conheço…
O professor, já farto das piadinhas do Joãozinho, diz:
- Não o conhece?! Olhe, quando chegar a casa, diga ao seu pai para vir amanhã aqui à escola falar comigo.
No dia seguinte, o pai do Joãozinho foi falar com o professor e, depois de o ouvir, disse:
- Senhor professor, se o meu filho disse que não sabia quem é o sujeito é porque não sabe mesmo… Ele não é mentiroso!



fonte A

21.9.19

VIDAS CRUZADAS - PARTE XII




Pouco tempo depois, uma bola embateu violentamente nas suas pernas e ficou a rodar um pouco à sua frente. Resmungando, pousou o livro a seu lado e apanhou a bola. Ao olhar em volta, viu um rapazinho de olhos claros que o olhava a medo.
- Anda cá pequeno! Toma a tua bola.
- Como sabe que é minha?
 – Deduzi.
- Do...quê? - Perguntou admirado, lutando contra o desejo de se aproximar, e o receio de o fazer.
Pedro sorriu, e enquanto lhe estendia a bola acrescentou:
- Sabes que me bateste com força?
 – Não fui eu que a joguei – desculpou-se o garoto. -Foi a minha irmã. Ela colmo é grande,quer mostrar que tem mais força, por isso joga sempre a bola para longe...
 – Ah! Ela é maior que tu! Mas olha, diz-lhe que os homens não se medem aos palmos.
- Olha, diz-lhe tu. Vais ver como fica zangada.
- Ora, ora, e a tua irmã é perigosa quando se zanga? - perguntou divertido com o jeito do miúdo.
 – Se é. Até assopra como os gatos.
Pela primeira vez, desde há muito, Pedro soltou uma sonora gargalhada. E perguntou:
- Como te chamas?
 –Pedro. E tu?
 – Engraçado. Também me chamo Pedro. Acreditas?
 – Se tu o dizes.
O garoto tinha perdido qualquer espécie de receio, e estava agora à vontade, como se o conhecesse desde sempre.
- Ora vejam só este rapazinho! Aposto que tem estado a maçá-lo.
A voz que soara atrás de Pedro era tão doce, tão maviosa, que o levou a interrogar-se mentalmente, enquanto se voltava, se os anjos teriam voz.
Na sua frente estava a mais bela figura feminina que Pedro algum dia vira. E ele já tinha visto várias. Não era nem de longe, nem de perto o santo que a mãe dizia que era, embora na verdade, as belas mulheres com que se relacionara não seriam nunca daquelas que ele apresentaria à sua velha mãe. Porém aquela era diferente. Tinha tal candura no sorriso, tal pureza no olhar, que mentalmente voltou a associá-la aos anjos. Olhou-a de alto a baixo, maravilhado. Trazia uma blusa vermelha e umas calças pretas que modelavam o seu corpo. Calçava sandálias sem salto e tinha os cabelos apanhados num gracioso rabo-de-cavalo. Apercebendo-se do olhar analítico do homem, a jovem corou. "Santo Deus, era só o que me faltava ver", pensou ele.
- Não maçou nada, é um rapazinho encantador- disse sorrindo.
- Ora, se lhe dá confiança, nunca mais o deixa em paz...
 – Mana, este senhor também se chama Pedro, e sabes uma coisa? Ias-lhe partindo a perna, com a bola – a voz do miúdo, veio quebrar o encanto e devolver normalidade ao encontro.
- Oh! Desculpe. Não queria atingir ninguém. - Estendeu-lhe a mão, e acrescentou:
- Chamo-me Rita. Estou perdoada?
 – Claro que sim
  – disse ele sorrindo e retendo na sua a mão feminina.

20.9.19

VIDAS CRUZADAS - PARTE XI


A capacidade que as mulheres da família tinham de  adivinhar-lhe os pensamentos era coisa que sempre o intrigara.
E já se tinham passado três dias. Três dias em que  se tinha embrenhado pelas redondezas, procurando nas margens do rio, na sua extrema beleza esquecer o que o atormentava. Apenas uma vez fora até ao largo da aldeia, demasiado concorrido, com todos aqueles turistas que procuravam a saúde na virtude das águas do local, e nos tratamentos termais oferecidos pelo enorme balneário. Suspirou fundo, sentou-se no banco que parecia chamá-lo, abriu o livro que trouxera consigo e tentou embrenhar-se na leitura sem todavia o conseguir. E enquanto o olhar se perdia na limpidez e quietude das águas do rio,  a memória continuava a recordar a descoberta da casa da tia, quando chegara há três dias. O resto da casa não era muito diferente. Por todo o lado móveis escuros e pesados, molduras antigas, panos de laboriosas e delicadas rendas, provavelmente feitas à lareira, nas longas noites de inverno . Na sala havia uma carpete esquisita, que a tia lhe dissera ser feita de retalhos de pano, e tecida em tear manual na aldeia. Carpete de trapos, mantas de trapos.
 Uma casa de banho junto aos quartos, com um enorme lavatório incrustado num móvel escuro, encimado por um grande espelho também emoldurado de escuro, num contraste berrante com as loiças e azulejos, completamente brancos. Para seu uso, dissera a tia. Ela usava sempre a outra. A outra era muito semelhante, mas em vez de banheira tinha um chuveiro, envolto num pesado cortinado, e um ralo no chão para esgotar a água. Tanto a tia como a empregada "que é mais família do que empregada, pois sempre aqui viveu, desde o tempo em que a mãe, era empregada dos meus avós" -dissera a tia, utilizavam essa casa de banho. E continuara "As banheiras são perigosas, quando a idade carrega e faltam as forças".
Na hora do jantar vieram as reclamações, porque, cansado da viagem, e tendo comido alguma coisa numa paragem no caminho, não lhe apetecia comer.



Para quem leu as notícias, eu ainda não sei quando será o transplante. Ainda tenho duas consultas agendadas e tenho vários exames para fazer, pelo que  nomeadamente o eletro e o eco ao coração.

19.9.19

NOTÍCIAS DO DIA



Então é assim. Ontem à tarde estava numa aula de antropologia, quando a assistente do professor que me tem tratado, me telefonou, dizendo para eu ir ter com ele hoje às 14,30 ao hospital de Santa Maria.
Fui, E fui consultada e fiz um monte de exames que já tinha feito na clínica, e o professor informou-me que vou ter de fazer transplante de córnea.
Marcou-me uma consulta para segunda feira com o doutor da córnea. E entretanto mandou-me fazer um  eletrocardiograma e um ecocardiograma, pois a cirurgia é com anestesia geral.  E vou depois dia 3 de Outubro à consulta, já com os exames. Se marcam nesse dia ou não a cirurgia só vou saber na altura.
E são estas as notícias.


VIDAS CRUZADAS - PARTE X





Enquanto procurava um lugar no frondoso parque que ladeava o rio Vouga, Pedro pensava em como aquele lugar era bonito. Já tinha ouvido muitos elogios à zona, todavia agora ali no meio daquele luxuriante verde, todos lhe pareciam poucos. E a surpresa da tia Palmira, quando o vira chegar?  Ela tinha recebido o telegrama, mas não o vendo há quase vinte anos,  parecia esperar o miúdo que vira da última vez, como se os anos não tivessem passado por ele.
Depois da surpresa inicial, chamou a fiel empregada, que a acompanhara a vida inteira e apresentando-lhe o sobrinho, recomendou-lhe que ele devia ser tratado como um príncipe. Depois acompanharam-no ao quarto. Era um quarto grande, com uma larga janela de vidro ornada de uma grade de ferro no exterior.
"Bem vês, somos duas mulheres sozinhas" dissera-lhe a tia com um sorriso, quando Pedro olhou a grade com estranheza. Só na manhã seguinte, verificara que todas as janelas da grande moradia de pedra ostentavam uma grade exterior. O quarto era confortável, embora sem luxos. a meio da divisão, uma enorme cama de casal, em ferro forjado, pintada de azul e coberta por uma pesada colcha de renda, cujo desenho formava várias estrelas. Branca, de franja retorcida como caracóis em cabelo de criança. Pelo menos foi o que lhe ocorreu quando olhou. Um grande guarda-fatos, sem espelho, a cómoda e as mesas-de-cabeceira em madeira escura e linhas simples, encimadas por tampo de mármore. Uma cadeira e um porta chapéus em ferro, dum lado da janela. Do outro lado um lavatório antigo, também em ferro forjado, ostentava uma bacia de esmalte, e por baixo um jarro do mesmo material, que devia servir para transportar a água. Pendurada no lavatório, uma toalha de linho, com um coração bordado na ponta, e rematada com uma renda de bicos. Ocorreu-lhe pensar como iria fazer a sua higiene ali, mas a tia adivinhando-lhe os pensamentos, disse:
- É só para enfeite não te preocupes. Temos duas casas de banho. Vem, vou mostrar-tas, tal como o resto da casa.


Vou esta tarde ao hospital de Santa Maria por causa do meu olho. Vamos ver no que vai dar

18.9.19

VIDAS CRUZADAS - PARTE IX




Quando voltou, duas horas mais tarde, a tia Rosa já tinha chegado, com o seu inseparável Tomé, um gato que quase não se conseguia mexer, de tão gordo que estava. A mãe, já estava com o almoço pronto para pôr na mesa. Depois de beijar a tia, comentou:
- Gordinho o bichano, tia.
- Que queres, ficou assim depois de castrado. Já me tinham dito, mas o malandro não parava em casa antes da operação.
- Coitado...
 – Vamos almoçar que se faz tarde – interrompeu a mãe com a terrina da sopa na mão.
O almoço foi servido com as duas mulheres sempre tagarelando. Absorto nos seus pensamentos, Pedro isolou-se da conversa e foi com sobressalto que sentiu a mão da tia no seu braço, seguida da pergunta:
- Não me estás a ouvir, rapaz?
 – Desculpe tia, estava a pensar nas férias...
 – Então vê se me arranjas por lá namorada, que eu bem sei o desgosto que a minha irmã sente de nunca mais te resolveres a criar o teu ninho. Sabes que és um caso raro na nossa família? Nunca ninguém esteve solteiro até à tua idade.
- Ora tia, quando chegar a hora, eu penso nisso...
 – Quando chegar a hora? Mas rapaz estás quase com trinta anos.
 

Incomodado com o rumo da conversa, Pedro levantou-se dando o almoço por terminado.
- Vês o que fizeste, mulher? - A voz da mãe fez-se ouvir em tom de reprovação. - Por tua causa não comeu o suficiente.
- Ora essa! Mas eu não disse nada demais. Não me digas que o teu filho fez votos de castidade. Ora se ele não é padre...
 – Nada disso, minha mãe- apressou-se a dizer o jovem, para evitar a preocupação da mãe. - Não quis comer mais para não me dar o sono a conduzir. Pelo caminho paro em qualquer lado e como mais alguma coisa. Vou pôr as malas no carro. A distância é grande, e a mãe sabe que não gosto de velocidades.
E dizendo isto voltou costas às duas mulheres, que continuaram a conversar. Tratou de meter a bagagem no carro e voltou para se despedir. Abraçou primeiro a tia, fazendo-lhe recomendações em relação à mãe, e por fim abraçou esta, apertando-a com força junto ao peito.
- Que se passa, filho? Sinto-te estranho desde ontem. Parece que me escondes alguma coisa.
- Nada mãe, é que é a primeira vez que vou de férias sem a sua companhia – enquanto tentava tranquilizar a mãe, não pôde deixar de pensar que coração de mãe sempre adivinha o que lhe querem esconder.
Arrancou e sem olhar para trás ergueu a mão num adeus. Sabia que as duas mulheres iriam estar ali acenando até o carro desaparecer na curva da estrada.

17.9.19

VIDAS CRUZADAS PARTE VIII



Na manhã seguinte, assim que o patrão chegou, Pedro pediu para falar com ele. Este olhou-o com estranheza, mas mandou-o entrar para o seu gabinete. O mais sereno possível, o jovem pediu a sua demissão e contou-lhe o que se passava. Mais do que patrão, ele sempre fora ao longo dos dez anos que levava no escritório um bom patrão, quase um amigo.  Um amigo com quem não se tem uma grande intimidade é verdade, mas que se estima.  O patrão olhou-o incrédulo. Custava-lhe a acreditar, que um jovem como Pedro, que nunca em dez anos tinha perdido um dia por doença, viesse agora dizer-lhe aquilo que estava a ouvir. Parecia-lhe um absurdo.
- E é por isso que eu quero a demissão, e também peço ao senhor Costa, que não conte a ninguém no escritório o que acabo de lhe dizer. Como deve compreender, não quero manifestações de pesar, que só me constrangem. Também não quero que a minha mãe possa vir a saber do que se passa.
- Claro. Se esperar um pouco eu mesmo faço as suas contas e passo já o cheque.
- Muito obrigado, senhor. Eu aguardo no meu lugar, enquanto ponho tudo em ordem.
Menos de uma hora volvida, Pedro saía do escritório sem se despedir de ninguém, com o cheque no bolso. Na verdade bem mais do que pensava receber, já que o Sr. Costa generosamente acrescentara uma  indemnização, coisa que não era habitual, nem de lei. Depositou o cheque no banco e saiu descansado. A conta sempre fora conjunta
com a sua mãe, e embora ela nunca fosse ao banco, sabia-o. E como sabia ler e escrever, não teria problemas em movimentá-la, quando ele já não fizesse parte do seu mundo.
Voltou para casa e começou os preparativos para a viagem. Estranhou a mãe não estar em casa, mas ela chegou logo depois.
- Fui aos correios mandar um telegrama à Palmira dizendo que chegavas hoje.
- Mas porquê mãe? Não era mais fácil telefonar?
- Fico mais descansada assim. A tua tia é um pouco dura de ouvido e podia entender mal o telefonema.
- E a tia Rosa? Já falou com ela?
- Já. Ontem à noite. Deve estar por aí a aparecer. Disse que vinha de táxi, mal rompesse a manhã.
Ele suspirou aliviado. Não queria partir, sem que a tia Rosa chegasse. Assim podia continuar os preparativos. Depois de fechar a mala da roupa, escolheu criteriosamente alguns livros, entre os últimos que recebera de prenda de aniversário e que ainda não tivera tempo de ler e meteu-os num saco. Guardou também uma caneta e um bloco de notas. Quem sabe se lhe apeteceria escrever alguma coisa? Fechou o saco e juntou-o à mala de viagem que repousava em cima da cama. Saiu do quarto e encontrou a mãe atarefada na cozinha.
- Mãe vou com o carro à oficina do senhor Duarte. Há mais de três meses que não ando com ele, preciso saber se está tudo em ordem. Não tinha graça ficar empanado no caminho, e tenho que ir à bomba encher o depósito.
- Vai filho. É melhor que ele veja o carro, sim. A tua avó sempre dizia que "quem vai para o mar avia-se em terra."
- Até logo, mãe.
- Vai com Deus, filho.