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30.6.19

PORQUE HOJE É DOMINGO


No consultório:
Uma loira sentindo-se mal vai ao médico.
Este depois de a examinar passa uma receita e diz-lhe.
-Tome este remédio e vai ver que isso passa.
Passada uma semana a loira volta ao médico com os mesmos sintomas.
Admirado o médico pergunta:
-Tomou o remédio que eu receitei?
E a loira responde:
-Não consegui, doutor! No frasco dizia:"Conservar fechado"



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Na escola
A professora pergunta:
-Joãozinho arroz é com S ou com Z?
Responde o Joãozinho:
-Aqui na escola não sei, mas lá é casa é com feijão.



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No Alentejo

Certo dia, dois alentejanos trabalhadores do  Departamento de Urbanismo da Câmara de Vila Viçosa, estavam a trabalhar na zona envolvente do Castelo. Um tinha uma enxada o outro uma pá. O que tinha a enxada abria um buraco e logo que o acabava o que tinha a pá fechava-o.Quando acabaram o lado do Castelo atravessaram a estrada e voltaram ao mesmo.
Um abria o buraco o outro tapava-o.
Uns turistas intrigados com a situação observavam. A determinada altura, não aguentando a curiosidade um deles pergunta ao cavador:
-Estou impressionado com o vosso esforço mas ao mesmo tempo intrigado com o vosso trabalho. Porque é que escava o buraco se mal o acaba o seu parceiro volta a fechá-lo?
O cavador responde:
-É natural que lhe parece estranho. Na equipa somos 3 homens, mas hoje o gajo que planta as árvores, telefonou a dizer que está doente.




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Num seminário sobre agricultura:

Estavam dois agricultores, um Americano e um Alentejano :
- Qual é o tamanho da sua quinta ? - pergunta o Americano.
- Para os padrões portugueses, a minha quinta tem um tamanho
razoável, vinte alqueires, e a sua? - responde o nobre lusitano.
- Olha, eu saio de casa de manhã, ligo o meu jeep e ao meio dia ainda
não percorri a metade da minha propriedade.
- Pois é, - responde o Alentejano - já tive um carro desses. São uma m****..

 .
                                                 
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Na bilheteira do cinema

A loira chega ao balcão e diz:
- Quero mais um bilhete para a próxima sessão.
- Mas já é a quarta vez que está a comprar o bilhete para a mesma sessão! – responde o homem intrigado.
E diz a loira:
- Pois é! Mas cada vez que vou entrar no cinema, está lá um homem que me rasga o bilhete



O meu pc está a dar o último suspiro. Não se mantém ligado mais do que uns minutos.Segunda feira vai para o hospital. As publicações estão programadas para o mês de Julho que vou passar fora.
Vai ser uma aventura conseguir fazer alguma coisa pelo smartphone. 

29.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXXVI



A tradicional ceia, de batatas com bacalhau, couves e ovos, acompanhado por um  tinto, Herdade das Servas, decorreu animada.  
Depois, na sobremesa, chegaram os doces tradicionais, que Isabel e a amiga tinham confecionado. Arroz-doce, pudim de ovos, filhós de abóbora, de cenoura e de maçã reineta, azevias de batata-doce, coscorões; o bolo-rei, comprado nessa tarde na pastelaria da esquina, e os frutos secos.
Perto da meia-noite, passaram à sala, e enquanto saboreavam um licor, trocaram os presentes.
O casal ofereceu a Natália, uma bonita echarpe de lã macia, bem própria para a época, e a Artur, um estojo de couro,com um bloco e uma caneta esferográfica, para os seus apontamentos, de detetive. Por sua vez receberam da amiga, um conjunto com duas canecas personalizadas, para o pequeno-almoço, e do amigo um quadro com um poster de uma fotografia que lhes tirara, quatro dias antes no casamento.
Por fim, Isabel ofereceu ao marido, um moderno relógio de pulso e recebeu dele, um fio com o símbolo do infinito.
Pouco depois, Natália disse que estava na hora de se ir embora, e quando Ricardo se preparava para ir levá-la, Artur ofereceu-se para o fazer e ela aceitou com agrado. Despediram-se então até à manhã seguinte, já que o casal os convidara para passarem juntos, o dia de Natal.
Quando eles saíram, Ricardo abraçou a esposa dizendo:
-Ou eu me engano muito, ou aqueles dois, estão a caminho do altar, um dia destes. Vamos, vou ajudar-te a levantar a mesa.
- Não. A mesa fica posta toda a noite. Levamos apenas os pires e copos sujos para a máquina, e colocamos outros limpos na mesa.
- Fica posta para amanhã? – perguntou ele admirado.
- Vê-se que não estás habituado, a passar esta noite em casa- respondeu Isabel. Diz a tradição, ou será uma lenda, não sei bem, que nesta noite, as almas recebem de Deus a permissão para visitarem aqueles que amaram. Assim a mesa fica posta para que eles saibam que os amamos e não os esquecemos.
- Acreditas nisso? – perguntou Ricardo.
- Não importa, se acredito ou não. Minha mãe ensinou-me isto quando eu era pequenita. Ela sempre o fazia, e depois que partiu eu continuei a fazê-lo. A minha parte racional diz-me, que é uma parvoíce, um mito que alguém se lembrou de inventar, mas o meu coração gosta de acreditar que pode ser verdade.  
Enquanto conversavam levaram as loiças sujas para a máquina. Arranjada a mesa, Ricardo abraçou a mulher e beijou-a.
- Agora senhora minha, vamos para a cama? Estou ansioso por te agradecer esta maravilhosa noite.
- Ainda não levei o biberão de leite à Matilde. E se o não fizer, daqui a pouco ela está a chorar, - disse desprendendo-se dos seus braços e dirigindo-se para a cozinha.
Ao colocar o biberão no micro-ondas, deparou com o marido atrás de si.
- Ainda não te contei. Esta noite quando lhe levei a boneca, pela primeira vez a Matilde chamou-me pai. Senti uma tal emoção que nem sei como explicar-te.
- Deve ter sido igual à que eu senti a primeira vez que me chamou mãe, - respondeu Isabel retirando o biberão do aparelho e salpicando uma gota de leite nas costas da mão para experimentar se não estaria demasiado quente. Depois dirigiu-se ao quarto da menina, seguida pelo marido.



As notícias sobre a minha consulta estão no post de ontem.Estou muito grata a todos pelo carinho que me têm dispensado.
Bom fim-de-semana.

E o habitual aviso. Esta história volta segunda-feira.


28.6.19

NOTÍCIAS DO DIA






Boa tarde. Já estou em casa. Fiz montes de exames, mas as notícias não são animadoras.
A minha córnea está praticamente na mesma situação que estava na última consulta no dia 3 deste mês.
O Professor diz que nunca viu um caso tão complicado como o meu. Tem uma ideia do que precisa fazer, mas não tem a certeza de que resulte e por isso quer reunir com vários especialistas, de retina, de córnea de globo ocular e cirurgiões, para estudarem o meu caso e saber se eles são da mesma opinião em relação às próximas etapas que ele.. Por isso eu fiz tantos exames hoje. Ele diz que precisa de tempo para para conseguir essa reunião e estudarem o meu caso, pelo que me marcou a próxima consulta para dia 2 de Agosto. Entretanto, continuo o tratamento à base de cortisona e água salgada.
E disse "entretanto passeie, distraia-se, eu sei que gosta de ler e escrever, faça-o, procure não entrar em processo depressivo, porque eu vou precisar que esteja psicologicamente bem para as próximas etapas"
E é tudo.

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXXV






Mudou-lhe a fralda, depois despiu-a, vestiu-lhe um pijama, e deitou-a. Aconchegou-lhe a roupa, e beijou-a, sob o olhar atento do amigo.
- Quero a mãe, - disse a menina.
-A mãe vem já, o pai, vai chamá-la.
Não precisou fazê-lo, pois nesse momento a porta abriu-se e Isabel entrou seguida de Natália. As duas beijaram a criança, e então ela pediu a boneca nova.
-Queres dormir com a boneca?- perguntou-lhe Ricardo.
-Sim.
-E o Tobias não se zanga? Ou queres dormir com os dois?  
-Sim, os dois.
-Então o pai vai buscar a boneca. Mas não te levantas nem destapas, está bem?
-Está.
Todos saíram do quarto. Ao chegar à sala, Ricardo pegou na boneca e foi levá-la ao quarto. Colocou-a na cama, debaixo da roupa, ao lado do corpo da menina, voltou a prender a roupa, deu-lhe um beijo e disse:
- Boa noite, Matilde.
- Boa noite… pai
Ricardo, que acabara de abrir a porta para sair, parou emocionado. Era a primeira vez que a menina lhe chamava assim. Pai. Uma palavra tão pequena, para uma emoção tão grande. Com os olhos brilhantes, voltou atrás e beijou de novo a criança, já quase adormecida.
Saiu, mas não se dirigiu imediatamente à sala. Ficou ali encostado à porta fechada, lembrando do tanto que amara e desejara, a criança que Ivone gerava, e que ele julgava ser dele. Por amor dela, aceitara o desprezo da mulher que amara e a dor daquele casamento falhado. E afinal nem chegara a conhecê-la, e teve que sepultar no coração o sentimento de amor que lhe tinha. Que importava que a criança não fosse dele, que a mulher o tivesse enganado. A raiva, o ódio dele, era para a mãe, não para aquele ser com que ele sonhara durante meses. Agora, quase sem se dar conta, esse sentimento voltara a apoderar-se dele. Durante aqueles quase dois meses que convivia com Matilde, rindo e brincando, ensinando-lhe novas palavras,e brincadeiras, ele descobrira que o amor sentido um dia e que julgara morto, se mantivera adormecido no seu coração, por quase vinte anos, e ressurgia agora em toda a sua plenitude. Era como se Matilde fosse a “sua criança” de então, que por um qualquer capricho da natureza, nascesse apenas agora. Nunca em nenhum momento se lembrava de que ele não era o pai biológico. 
E ali mesmo, ao lado da porta fechada, jurou a si mesmo, que acontecesse o que acontecesse com o seu casamento, nada nem ninguém no mundo, lhe roubaria o amor da filha, nem a emoção que ele sentia, a cada progresso dela. 
Quando chegou à sala, a mulher e os amigos conversavam animados. Porém quando os olhos de Isabel pousaram nos seus, ele leu claramente a preocupação quase instantânea. O que aconteceu? - parecia indagar o seu olhar.  “Nada. Está tudo bem”, pensou, enquanto sorria. Como se ela tivesse lido o seu pensamento, o olhar dulcificou-se-lhe e sorrindo disse:
- Vamos para a mesa?
Os quatro levantaram-se, e dirigiram-se para a casa de jantar.
- Sentem-se. Eu vou buscar a comida - disse Isabel.
- Eu ajudo - disse a amiga.
- Já ajudou muito - respondeu Ricardo. - Sentem-se. Nós tratamos de trazer a comida, - concluiu seguindo a mulher para a cozinha.




Nota, como sabem hoje dia 28 vou fazer novos exames e consultas. Depois irei ao hospital ver o cunhado que sofreu um AVC e continua internado. O mais certo é não visitar ninguém, peço desculpa. No dia 27 que está a acabar também não fiz muitas visitas, o sistema nervoso, tem estado alterado. 

27.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXXIV




Os cinco dias até ao Natal passaram a correr. O casal aproveitou para fazer as compras para a época, umas vezes acompanhados por Natália e a menina, outras deixando-as em casa. Um dia, compraram uma árvore de Natal, que quase tocava o teto da sala, muitas bolas coloridas e correntes luminosas. Depois de montada e decorada, a alegria e admiração da pequenita, foi a melhor recompensa dos adultos, embora não a deixassem sozinha na sala, com medo de que provocasse algum acidente.
Isabel falara com Ricardo acerca da consoada, dizendo-lhe que desde a morte da mãe, ela e a irmã sempre passaram a noite de Natal com Natália e o marido. E mesmo depois que ela ficou viúva o hábito manteve-se.
A vizinha fora a sua força, o seu apoio, desde que a mãe morrera. E gostaria de continuar com esse convívio até porque Natália era uma mulher solitária, não tinha ninguém de família, a não ser um sobrinho por parte do marido que tinha emigrado há muitos anos para a Austrália e nunca mais dera notícias. Por isso, gostaria de  a convidar para passar a consoada com eles. Ricardo respondera, que não via qualquer problema, e que também ele iria convidar Artur, que era um amigo de longa data, fora o seu padrinho de casamento, e também era um homem muito solitário. Além disso, tinha reparado no dia do casamento, que parecia haver uma certa empatia entre eles. E acrescentara:
-Era engraçado se eles se entendessem.
- A Natália é uma mulher muito simpática, mas não sei se estará recetiva a uma nova relação. Dava-se muito bem com o marido, está viúva, há oito anos e tem sempre respeitado a memória do falecido.
- Acredito. O Artur nunca se casou, mas confessou-me há dias que se sente muito sozinho…
-Para quem não acredita no amor estás muito casamenteiro, - disse ela.
- O casamento pode surgir por muitas outras razões que não o amor. Nós somos a prova disso- retorquiu ele.
Não voltaram a falar no assunto, mas os amigos foram convidados.
Natália veio logo ao fim da manhã, a fim de ajudar Isabel a fazer as iguarias da ceia. Ricardo teria preferido dirigir-se a um dos hotéis que promovem a data e passar lá a noite. Ele podia permitir-se essa despesa, e ninguém se cansava, mas as duas diziam, que era uma data para estar em família e que as coisas feitas em casa tinham outro sabor. De modo que ele limitou-se a ser a ama da menina, deixando que elas tivessem o tempo necessário para fazerem o que tinham projetado. Artur chegou pouco depois do anoitecer. Vestido de pai Natal, entregou à criança as prendas que os pais lhe tinham comprado, e que Ricardo lhe entregara nessa manhã, para que ele fizesse essa entrega. Uma boneca, um conjunto de peças de construção, bem coloridas, um cavalo de baloiço quase maior que ela, livros de bonecos e lápis de cor para colorir. Depois enquanto a criança foi jantar, Artur foi à casa de banho despir o fato de Pai Natal que vestira em cima do seu fato cinzento. Voltou com o disfarce num saco de plástico dizendo:
-Vou lá abaixo meter isto no carro, não vá a Matilde ainda dar com o fato e ficar toda baralhada.
Quando voltou, a menina já tinha jantado e balançava-se radiante no seu cavalinho. Ricardo serviu uma bebida ao amigo e sentaram-se no sofá a conversar. Pouco depois, Matilde começou a mostrar-se sonolenta, e Ricardo pegou-lhe ao colo para a ir deitar.
- Desculpa, tenho que a ir deitar. As senhoras já terminaram a sua labuta na cozinha, foram arranjar-se. Podes vir comigo ou ficar aí a ver TV.
-Vou contigo. Ver como te desenrascas na tua nova condição de pai, é coisa que não quero perder.



26.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXXIII

SEGUNDA PARTE

A fome acordou-o. A luz que chegava ao quarto, através da janela era tão suave que mal se distinguiam os objetos. Ouviu a leve e regular respiração de Isabel, que lhe deu a certeza de que dormia tranquila, e os seus olhos, já habituados à penumbra observaram-na. Dormia profundamente, a longa cabeleira dourada espalhada na almofada. Tinha o edredão puxado até ao pescoço, e o seu rosto calmo e sereno, não parecia o mesmo de horas atrás, quando a paixão os arrebatou.  Devagar, levantou-se. Estava nu e sentiu frio. Às escuras, procurou um pijama, vestiu um roupão e  dirigiu-se à cozinha. Acendeu a luz e viu as horas. Meia-noite. Não admirava que sentisse fome. Não tinham comido nada desde o almoço. O frigorífico estava recheado com tudo para que tivessem tido um excelente jantar, contudo o seu desejo fora superior à fome. Bom, não jantaram, mas podiam fazer uma ceia. Retirou do frigorífico o marisco, o bacalhau com natas, o cabrito assado, o pudim caseiro, e a mousse de chocolate, iguarias que ele tinha encomendado ao restaurante, na véspera e que tinham vindo entregar nessa manhã, pouco antes de ele sair para o casamento, e colocou tudo em cima da mesa da cozinha.
A mesa na sala estava posta. Nem faltavam velas e flores, tudo o que se deve usar num jantar romântico, tal como vira numa revista da especialidade.
O seu estômago já roncava protestando com a fome, o melhor era ir ver se acordava Isabel, para cearem.
Dirigiu-se ao quarto, ajoelhou junto da cama, e beijou-a suavemente. Ela abriu os olhos espantada, como se não se lembrasse onde estava, e ele sussurrou.
-Hora da ceia. Estou morto de fome.
Ela tentou levantar-se mas ao ver que estava sem roupa, corou e voltou a tapar-se. Ricardo levantou-se, foi buscar um robe e deu-lho dizendo.
-Espero-te na cozinha.
Ela esperou que ele saísse para saltar da cama. Enfiou o robe sobre o corpo nu e de seguida foi ao armário onde dias antes guardara as suas roupas, retirou uma linda camisa de dormir, branca, de cetim e rendas, que Natália lhe oferecera para aquela noite, foi à casa de banho, despiu o robe, vestiu a camisa e o robe por cima, lavou a cara, escovou o cabelo, e dirigiu-se à cozinha. Viu os diversos pratos em cima da mesa, e perguntou:
-Estás a pensar comer tudo isso?
-Tenho fome mas não tanta – disse rindo. – Começamos com o camarão?
-A esta hora não me apetece marisco. Mas tu podes comer se te apetece.
Ele pegou na travessa de camarão, e guardou-a no frigorífico dizendo:
-Também não me apetece muito. Vou aquecer o Bacalhau com Natas, no Micro-ondas e entretanto ponho o cabrito no forno. Queres esperar na sala?
- Vou pondo a mesa se me disseres onde estão as coisas - disse, enquanto ele regulava o tempo no Micro-ondas.
- A mesa já está posta. São só dois minutos, e vamos começar.
Isabel encaminhou-se para a sala, grata por ele não ter feito nenhuma alusão ao que tinham vivido horas antes.



25.6.19

DOIS POR UM COMO NO SUPER



Primeiro
Lembram-se de que estaria em tratamento até ao dia 5 de Julho, iria repetir os exames do olho e ter nova consulta? Pois é. Ontem telefonaram-me da clínica, a antecipar exames e consultas para esta Sexta-feira dia 28. 
Vamos ver se é desta que o médico me tira o resto dos pontos, (eram 9, tiraram 3 em Maio e 4 no dia 3 deste mês) e se a córnea já recuperou o suficiente para nova cirurgia ou não.
Aparentemente eu estou na mesma, as únicas coisas que distingo, são a luz e  sombra. A coisa não seria tão irritante se este olho não interferisse com o outro. Quando eu tenho o olho fechado, eu vejo perfeitamente bem com o outro, e tenho tendência para o manter fechado grande parte do tempo. Na última consulta o médico disse-me para o manter sempre aberto, os olhos são órgãos muito preguiçosos, e se não se usam têm tendência a perder a visão. O pior é que com ele aberto eu deixo de ver nítido com o outro. É frustrante.






Segundo.

Eu sempre gostei de escrever, e agora mais do que nunca porque me distrai do problema. Não tenho pretensão de ser escritora, mas gosto de contar histórias e elas afluem à minha mente com tanta assiduidade que às vezes estou a escrever uma, e já tenho outra ideia, na cabeça.
Nas minhas histórias procuro sempre denunciar algumas situações do dia a dia. A violência doméstica, o suicídio, a guerra, o adultério,  e os vários traumas que essas situações deixam na vida de cada um. Por norma as historias terminam com o casamento e daí para a frente tudo é felicidade.Todos sabemos que não é bem assim na vida real mas fingimos que acreditamos.
Bom esta conversa serve para vos explicar porque a história atual não acabou na noite de núpcias. 
Vejamos, a Isabel é uma mulher que por dificuldades da vida não passou pelas experiências da juventude, É amorosa, com um grande sentido de responsabilidade familiar. Mas é também uma mulher muito carente, ansiosa por amor.
O Ricardo é um homem desiludido, que sofreu muito no passado, tem um enorme medo da rejeição e por isso decidiu que nunca mais se entregaria a outro amor, que nunca mais deixará o coração em jogo. Mas é também um homem bom e justo. Daí que depois de tomada a decisão de constituir família prometa a si mesmo, que fará tudo para que o casamento seja feliz. E é um homem ainda na força da vida, com uma forte sexualidade, que sente um grande desejo pela Isabel.  Para mim, enquanto contadora da história, estava na cara que este casamento não iria longe, a menos que Ricardo aprendesse a confiar e a amar a mulher, já que a promessa repetida na noite do casamento por ela, nos dá a noção de que Isabel já o ama.
E pronto esta é a explicação, porque a história vai ter uma segunda parte.

UM PRESENTE INESPERADO _ PARTE XXXII



Como todas as mulheres que estão prestes a conhecer os segredos do sexo pela primeira vez, Isabel, tremia de receio e de excitação. Pensou vagamente que Natália tinha razão. O que levava um casal para a cama era o desejo. O seu corpo reagia com intensidade às carícias do marido fazendo com que ela se arqueasse para se unir mais ao corpo masculino e desejasse ainda mais do que ele lhe dava.
Suavemente, como se o corpo dela fosse algo, simultaneamente precioso e sem peso, Ricardo voltou a pegar-lhe ao colo, e levou-a para o quarto.  Colocou-a na cama e voltou a beijá-la. Saboreando-a, e levando ao rubro o seu desejo, as suas mãos percorrendo-a, acariciando e despindo-a sem lhe dar tempo a reagir ou sequer a sentir-se envergonhada.
Todavia ela reagia sim. As suas mãos, ora o ajudavam na tarefa de se despir a si próprio, ora lhe acariciavam o peito, as costas a nuca. Parecia tanto ou mais desejosa de fazer amor, do que ele.
Finalmente, quando a excitação já era insustentável, os dois  tornaram-se fisicamente um só, na mais ancestral dança do planeta.
- Estás bem? -perguntou ele mais tarde, deitando-se de costas, o corpo ofegante e transpirado.
- Estou -respondeu ela deitando confiante a cabeça no peito dele, que estendeu o braço e aconchegou o seu corpo ao dela. 
 Nenhum dos dois disse mais nada. No silêncio que se seguiu, cada um  tentava analisar o sublime momento que tinham acabado de viver.
Para Ricardo, Isabel fora uma grata surpresa, um presente inesperado.
 Verificara que aquilo que ele julgava ser uma representação por parte dela, era apenas inocência, pois Isabel fora virgem até minutos atrás.
 Não que lho tivesse dito, todavia não era preciso que o fizesse, ele tinha experiência mais que suficiente, para que não desse por isso. Compreendia agora, a razão do comportamento dela, antes do casamento. O que ele julgara tratar-se de um jogo, era afinal timidez genuína, fruto da sua inocência. Todavia apesar disso, ela compensava a nítida falta de experiência com uma tal paixão, que o deixou empolgado. Isabel era uma mulher maravilhosa, o que fizera pela irmã e pela sobrinha, provavam-no sem sombra de dúvida. E Matilde era um encanto. No último mês, tivera ocasião de brincar com ela, acompanhara-a nas atividades diárias, como o banho ou o ir dormir, e um carinho muito grande, fora nascendo entre os dois. Amava a menina e sentia que ela também gostava dele.
Se ele confiasse nas mulheres, diria que tinha ganhado uma família. Mas podia ele confiar em Isabel? Agora que ela descobrira, os prazeres do sexo seria capaz de se contentar, com um casamento que não escolhera?Amar a menina era fácil. Amar Isabel era outra coisa. Ela dissera-lhe que acreditava no amor. E se um dia se apaixonasse por outro? O que seria dele se caísse na asneira de pôr de novo o seu coração em jogo? Aos vinte e poucos  anos, um homem leva vários anos para se recompor, e seguir em frente. Aos quarenta, a vida acaba ali. Ele ia fazer tudo, para terem um casamento feliz. Tudo, menos por o seu coração em jogo. Como dizia o seu pai. "À primeira quem quer cai, à segunda cai quem quer. " 
Enquanto Ricardo se perdia  nestas reflexões, Isabel corava só de pensar no que acabara de viver. Para ela, Ricardo fora tudo o que sempre sonhara que devia ser. Um homem maravilhoso, que soubera despertar toda a sensualidade, que ela nem sabia que tinha. Sentia o seu corpo lânguido, e os olhos fechavam-se com vontade de um sono retemperador. Mentalmente como numa prece, repetiu os votos de casamento.”Juro amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida”


Com este capítulo dou por terminada a primeira parte desta história. Amanhã começará a segunda parte. Vamos ver no que isto vai dar.


24.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXXI




Parecia distraído com a conversa, mas estava atento à jovem, ao seu rubor, ao estremecimento que aquela carícia lhe provocara, ao esconder do seu olhar nos olhos semicerrados. Estava desejoso de acabar com aquela representação na cama. Porque ele estava convencido que toda aquela inocência, não passava de representação, afinal Isabel não era nenhuma adolescente, e segundo o relatório de Artur, tivera pelo menos um namorado.

- Para onde sigo agora?-perguntou Sérgio ao entrar em Lisboa.

- Para casa da Natália, na rua Alexandre Braga, em Arroios. Conheces? – perguntou Ricardo.

-Arroios sim, mas essa rua, não sei onde fica.

- É logo acima do Jardim Constantino, - elucidou Natália.

Pouco depois, estavam à porta do prédio. O casal saiu do carro e Ricardo pegou na criança adormecida ao colo, para que Natália saísse.

Pouco depois regressavam deixando a menina com Natália, não sem antes Isabel ter feito um milhão de recomendações à amiga, como se ela nunca tivesse tomado conta da criança. Depois deixaram Artur, em casa e por fim, Sérgio deixou-os à porta do prédio onde tinham o apartamento, dizendo na brincadeira que ia aproveitar a limusina para levar a esposa num passeio romântico. Ricardo riu-se e despediu-se com uma forte palmada nas costas de Sérgio.

Tinha parado de chover, e os dois ficaram uns momentos vendo o carro afastar-se.  Depois Ricardo enlaçou a jovem murmurando:

-Vamos.

 Encaminharam-se para a porta no momento em que as luzes da rua se acenderam. Os dias pelo Natal são muito curtos. Apesar do relógio marcar pouco mais que dezassete horas, o dia dera lugar à noite.
Eles entraram no elevador em silêncio. Ricardo estava ansioso por dar livre curso ao seu desejo. Isabel encontrava-se dividida por emoções contraditórias. Desejava tanto fazer amor, como o receava. Pela sua cabeça passava uma infinidade de perguntas. Iria saber corresponder aos desejos dele? Iria ser prazeroso ou iria doer-lhe muito? O que é que um homem experiente nas artes do amor, espera de uma mulher? Estremeceu, e ele apertou-a carinhosamente.
-Tens frio? – perguntou solicito.
- Um pouco – mentiu enquanto o elevador parava no andar da sua nova casa.
Ao chegarem à porta, ele abriu-a, e depois voltando-se passou-lhe um braço pelo pescoço e o outro pelas pernas e pegou-lhe ao colo.
-Que fazes? – perguntou nervosa.
- Cumpro a tradição – respondeu entrando em casa e fechando a porta com o pé. Com cuidado, pousou-a no chão, mas não a largou. Beijou-a apaixonadamente.
 - Estava doido para te beijar, para te ter assim, nos meus braços. Meu Deus nunca um dia foi tão longo.
Ricardo era um homem atraente, que agradava às mulheres. E elas agradavam-lhe. Essa combinação fazia que nunca tivesse tido problemas em satisfazer os seus desejos, quando determinada mulher lhe agradava. Isabel agradava-lhe e muito. Desejava-a mais do que desejara qualquer outra, desde o primeiro beijo naquela noite. Mas de um modo ou de outro, qual virgem envergonhada, ela conseguira evitar a união sexual, durante o tempo que mediou entre o ter aceitado casar com ele, e o dia do casamento. E isso foi exacerbando o seu desejo até ao limite.
Mas agora eram marido e mulher, e ele não conseguia controlar-se mais.


23.6.19

PORQUE HOJE É DOMINGO


Uma professora estava dando algumas lições de etiqueta pra os seus alunos. No começo das explicações, ela resolveu pedir que as crianças dissessem regras, que já haviam ouvido de seus pais, sobre como se comportar bem dentro de um restaurante.
- “Não fique brincando com a comida” — disse um dos alunos.
- “Não faça muito barulho” — afirmou outro menino.
- “Lave bem as mãos antes de comer” — disse uma garota.
- “Não fale enquanto estiver com a boca cheia” — gritou outro aluno.
A professora resolveu perguntar ao Joãozinho, que estava calado:
- O que os seus pais dizem antes de você ir a um restaurante, Joãozinho?
- “Peça algo barato.”

                                                  ***********************  

Um filho discutia com o pai insistindo que 1+1 eram 11. 
O pai deu-lhe dinheiro e mandou-o comprar 2 gelados.
Quando ele chegou com os gelados, o pai ficou com um e deu outro ao filho mais novo,
-Então e eu? -Perguntou o rapazito
-Tu chupas os 9 que sobraram - respondeu o pai 


                                          ****************************

Uma loira, desconfiada de que o marido está tendo um caso, compra uma arma para ajustar contas. No dia seguinte, chega em casa e encontra o maridão com uma bela ruiva. Ela pega a arma, aponta para a própria cabeça, mas o esposo pula da cama e implora para que ela não se mate. A loira, histérica, responde: “Cala a boca, que você é o próximo!”

                                                   ************************
A professora pergunta aos seus alunos:
-Quem quer ir para o Céu?
Todos os alunos levantam a mão menos o Joãozinho. Intrigada a professora pergunta:
-Joãozinho, o menino não quer ir para o Céu?
-Eu até queria, professora. Mas a minha mãe diz que é para ir direto para casa, quando sair da escola.

                                                    *************************
Joãozinho ansioso por sua nota na prova perguntou  à professora:
- Professora, a senhora já corrigiu as provas?
- Não, Joãozinho! Tenho várias turmas!
E a professora continua normalmente a aula.

 A certa altura pergunta:
- Turma, fizeram as tarefas de casa?
Imediatamente Joãozinho responde:
- Não! Temos vários professores!


22.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXX



Uma semana antes, o tempo, embora frio, estava seco e com dias bonitos.  Ricardo fizera as reservas para o almoço, no restaurante da Adraga, situado na praia do mesmo nome, na zona de Sintra.
Com um excelente serviço e uma esplêndida vista, com a sala virada para o mar, e a esplanada para a serra, com o casario de Almoçageme na encosta, e o Castelo da Pena, lá no alto. Infelizmente não esperava o dia invernoso que nesse momento, se fazia sentir, mas que podia ele fazer? Não podia controlar a natureza, mas tinha encomendado um bom menu, e recomendado que não faltasse o champanhe e um bolo de noiva, ainda que pequeno. 
Apesar de tudo, o almoço foi ótimo, o serviço uma simpatia, e o mar encapelado , não deixava de ter o seu encanto.
Depois de almoço, que se prolongara até ao meio da tarde, como o tempo não estava para passeios, voltaram para Lisboa. Os noivos iam ficar a viver no apartamento dele, no Parque das Nações. Mais tarde, talvez Ricardo vendesse o apartamento e comprasse uma casa noutra zona da cidade, mas de momento o apartamento era o ideal. Possuía, uma suite, dois quartos, uma sala, uma bela cozinha, e uma casa de banho.Uma das condições de Isabel era que não tivessem lua-de-mel. E embora inicialmente isso não lhe tivesse agradado, como o casamento só pudera ser marcado para aquela data, ele acabara por concordar.
Faltavam poucos dias para o Natal, era o primeiro que passariam em família, havia muita coisa para fazer e pouco tempo. Natália ofereceu-se para ficar com a Matilde naquela noite e eles ficariam em casa, depois da noiva ter rejeitado ir passar a noite num hotel. Para ela, aquela ia ser a noite mais importante da sua vida, e queria vivê-la no recesso do seu novo lar, porque acreditava que essa recordação, que esperava fosse boa, energizasse a casa, para um futuro feliz.
Durante o tempo que mediou até ao casamento, não tiveram mais intimidade do que uns beijos e algumas carícias mais apaixonadas, pois ela sempre fazia questão, de que Natália estivesse lá em casa, quando Ricardo chegava. E mesmo quando foi ao apartamento dele para preparar o quarto para a filha, e levar as suas roupas, fez-se sempre acompanhar da menina e da vizinha, com o pretexto de que  a vizinha seria uma boa ajuda.
Na verdade, Isabel tinha medo de estar a sós com o futuro marido. Porque quando ele a beijava, ela perdia a cabeça, parecia que o seu corpo ficava doido, queria sempre mais, e tinha vergonha de si própria. Tinha a certeza, que não fora a presença de Natália, teria feito amor com ele, quase desde a primeira vez que se beijaram. Às vezes perguntava-se o que pensaria Ricardo do seu “assanhamento”, e tinha receio que ele desistisse do casamento, depois de terem feito amor. Por isso fazia tanta questão da presença da amiga, quando estavam juntos. 
Ricardo percebeu que ela não queria fazer sexo antes do casamento, e embora não percebesse tanta timidez, numa mulher com trinta e três anos, fez que não entendia e conteve o desejo intenso que sentia cada vez lhe tocava.
Naquele momento de regresso a Lisboa, Ricardo tinha a mão de Isabel presa nas suas. Com o polegar acariciava-lhe a palma da mão e admirava-se com o rubor da mulher, enquanto conversava com Artur e Natália, que segurava no colo a menina adormecida.




Esta história volta segunda-feira

21.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXIX



Casaram quarenta dias depois, precisamente cinco dias antes do Natal, na Segunda Conservatória do Registo Civil de Lisboa. O dia amanhecera com muita chuva, o que levou Natália a prognosticar um casamento muito feliz, pois toda a vida se ouvira dizer que "boda molhada é boda abençoada." Marcada a cerimónia para o meio-dia, Isabel acabou aceitando o carro de luxo que Ricardo mandou para a ir buscar, já que em dias de chuva, era impossível conseguir o táxi, em que ela pretendia chegar ao local com Natália e a menina.
O noivo vestia um impecável fato azul-escuro, camisa branca, e gravata cinza. A noiva um vestido curto, simples e elegante e um casaco do mesmo tecido.
Na mão um mini ramo de flores onde predominava o verde, símbolo da esperança que tinha, em que o passo que estava a dar, fosse na direção de um futuro feliz.
  Tiveram por testemunhas o ex-inspetor Artur, e Natália, a amiga, vizinha e considerada como família por Isabel e pela “filha”. Estiveram também presentes os motoristas e Glória a secretária de Ricardo. Os seus homens, como ele costumava dizer quando se referia aos seus empregados, tinham por ele uma estima que ia muito além da relação patrão empregado, pelo que não houve como não convidá-los a assistirem à cerimónia, embora lhes tivesse explicado que não haveria festa por desejo expresso da noiva que se encontrava de luto. Era uma desculpa, pois já fizera um ano que Susana se suicidara, mas ele não ia dizer-lhes que a noiva assim o exigira.  
 Se eles ficaram perplexos com aquele casamento relâmpago, não se manifestaram. O bom humor do patrão, era sinal evidente de que estava feliz e isso era o que lhes interessava. Depois da cerimónia, os noivos receberam os cumprimentos do representante do Governo Civil, das testemunhas e demais  presentes. Todos tinham sido dispensados do trabalho naquele dia, mas ao despedirem-se, Sérgio o empregado mais antigo disse:
-Eu fico. Levo-os para onde me disserem. Decerto não ia deixar-te conduzir a limusina no dia do teu casamento.
- Tão amável. Estás a pensar pedir-me um aumento? – perguntou sorrindo Ricardo.
-Como é, que adivinhaste? – respondeu Sérgio rindo.
Era uma brincadeira, e Isabel pensou que um patrão com uma relação tão próxima e amigável com os seus empregados, só podia ser boa pessoa. De resto, durante o tempo que mediou entre a sua aceitação do casamento e aquele momento, Ricardo nunca lhe dera motivo para se arrepender. Fizera-a sentir-se, como a pessoa mais importante da vida dele. E o carinho com que tratava a menina, era impressionante. Era como se ela fosse realmente sua filha.
Ao chegarem à porta, verificaram que continuava a chover.
-Esperem aqui enquanto vou buscar o carro - disse Sérgio desatando a correr sob a chuva.
Ricardo colocou o braço sobre os ombros de Isabel e sentiu-a tremer.
-Tens frio?- perguntou-lhe
- Não – murmurou
Ele olhou para trás, e viu Artur que pegava na menina adormecida que Natália tinha ao colo.
Inclinou-se para Isabel e disse-lhe quase ao ouvido:
- Parece que a Natália e o Artur se entendem muito bem. Ainda acabam juntando os trapinhos.
Nesse momento a limusina parou em frente a eles e os quatro adultos com a criança apressaram-se a entrar.

20.6.19

UM PRESENTE INESPERADO -PARTE XXVIII

Ricardo encontrava-se sentado no sofá, da sala, que mantinha às escuras, desde que chegara, da casa de Isabel.
Estava contente por ela ter aceitado a sua proposta. Era o melhor para a criança e para eles. Não ia para tribunal, lutar pela sua guarda, mas aquela menina era a única pessoa do seu sangue, que lhe interessava, não queria nada com o irmão e dispensava os filhos dele. Reconhecia que pela emoção, Isabel deveria ficar com a menina. Amava-a, cuidara dela desde que nascera. Mas as suas condições financeiras não lhe permitiam dar-lhe o que ele lhe podia proporcionar. Logo o ideal era a criança ser criada pelos dois. Depois, casar com Isabel, não era sacrifício nenhum. Ela não era propriamente uma beleza, mas tinha um rosto interessante, onde brilhavam uns olhos castanhos, num tom que lhe lembrava o chocolate, e uma boca pequena e bem desenhada. O cabelo comprido (que ele gostaria de ver solto) era castanho dourado. Não, não era uma beleza que chamasse a atenção, mas havia qualquer coisa nela que a tornava especial. Talvez a luz que irradiava dos seus olhos. Era como se a alma lhe quisesse escapar por eles. Nunca tinha visto aquela luz em qualquer outro ser. Se ele confiasse nas mulheres, seria fácil apaixonar-se por ela. Mas não, ele não se deixaria enganar de novo. Tinha-o jurado a si mesmo, há muitos anos atrás. Além do mais, casado não teria necessidade de procurar outras mulheres, nem de estar sempre alerta contra as armadilhas em que elas são mestras. Tinha a certeza que a nível sexual o casamento ia ser um sucesso. Excitava-se só de lembrar o que tinha sentido quando a beijara.
Admirara-se com o casamento quase clandestino que ela impôs. Sempre pensou que o dia do casamento, era o dia com que as mulheres mais sonham, e os casamentos de amigos a que foi convidado, as noivas sempre pareciam umas princesas. Mas enfim ela tinha uma ideia diferente, ele não ia criar um entrave por causa disso. Tinha a certeza que mais tarde, quando ela se habituasse à vida que ele tinha, iria mudar de ideias. 
Quem em plena posse das suas faculdades mentais, iria querer uma vida de privação e sacrifício, quando tinha à mão de semear, uma vida sem dificuldades?   
Esticou o braço, acendeu a luz e pôs-se de pé. Olhou o relógio de pulso. Meia-noite. No dia seguinte tinha muito que fazer. Ir ao registo para dar andamento aos papéis necessários ao casamento. Precisava ligar ao Artur. Contar-lhe o que tinham decidido e convidá-lo para apadrinhar a cerimónia. Afinal aquele casamento tinha sido ideia sua. Esperava que o tempo de espera não fosse longo, afinal se os dois tinham nascido na cidade e eram maiores de idade, não havia razões para longa espera. Se houvesse necessidade de pagar urgência fá-lo-ia. Faltava pouco mais de um mês para o Natal, e gostaria de já estar casado nessa data. Era a única época do ano em que sempre se sentia sozinho, e meio depressivo.
Apagou a luz e dirigiu-se à casa de banho, a fim de se preparar para dormir.


Estão todos convidados para o casamento. Amanhã.


19.6.19

UM PRESENTE INESPERADO -PARTE XXVII


Lentamente dirigiu-se à cozinha. Preparou um biberão para a “filha”. A pediatra dizia que já não devia dar-lho durante a noite, mas cada vez que ela tentava seguir essas instruções, Matilde fazia tal gritaria quando acordava a meio da noite, que ela temendo acordar o prédio inteiro, tinha que ir preparar e dar-lhe o biberão. Assim tinha decidido que ia manter aquele “ritual” pelo menos até aos dois anos. Dava-lho perto da meia-noite, antes de se deitar. E dormia descansada toda a noite.
Enquanto o preparava, pensava no que acontecera naquela noite. Aquele casamento ia decerto causar-lhe grandes dissabores. Ricardo era demasiado atraente para que não o desejasse, e a menos que ele se mostrasse uma pessoa sem princípios, iria decerto apaixonar-se por ele. Afinal ela era uma mulher muito só e extremamente carente. O beijo que trocaram naquela tarde, deixara-lhe o sangue em ebulição. 
O problema é que ele lhe dissera que não acreditava no amor, e apenas pretendia casar-se para dar uma família à menina e ter quem lhe espantasse a solidão quando envelhecesse.
E podia ela contentar-se com isso se viesse a apaixonar-se por ele?
Acreditava, que tal como ele dissera, duas pessoas podiam viver juntas, unidas pela amizade, companheirismo, e respeito mútuo, se nenhuma delas se apaixonasse pela outra. O amor é um sentimento muito carente. Necessita ser correspondido, caso contrário, torna-se infeliz e perde a vontade de viver, arrastando quem o sente. Porque ao contrário do que diz o poeta, ninguém pode amar por dois.
Todavia agora a decisão tinha sido tomada, não havia nada a fazer. Não era pessoa de voltar atrás quando decidia algo, por isso o melhor era tentar esquecer os seus receios e preparar-se para que o futuro fosse o melhor possível para os três.
“Ah! Susana, Susana, porque foste fazer tão grande disparate? Porque não procuraste ajuda, e não confiaste em mim? “
Pegou o biberão, foi ao quarto, pegou a menina ao colo, tirou-lhe a chucha e meteu-lhe a tetina na boca. Matilde começou imediatamente a sugar o leite, só parando quase mesmo no fim. Isabel, pousou o biberão, esperou que a menina regurgitasse, deu-lhe de novo a chupeta, meteu-a na cama, aconchegou-lhe a roupa e apagando a luz saiu do quarto. Era um ritual que executava todas as noites sem que Matilde acordasse.
Olhou o relógio. Meia-noite e dez. Foi à casa de banho, lavou os dentes, retirou os ganchos que lhe prendiam o cabelo, despiu a roupa que enfiou no cesto da roupa suja, vestiu um pijama de flanela, com desenho de ursinhos e mirou-se no espelho. Pensou que antes do casamento teria de comprar alguma roupa nova. Aquele pijama por exemplo era confortável, mas o seu corte masculino, e o padrão infantil, não tinha nada de feminino.
Fez uma careta para a imagem que o espelho lhe devolvia e foi-se deitar.
Desejava adormecer rapidamente a fim de esquecer a embrulhada em que estava metida, porém os primeiros alvores da madrugada encontraram-na ainda às voltas com os seus pensamentos.


18.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXVI



Surpreendes-me. Pensava que o sonho de todas as mulheres, fosse um lindo casamento, uma entrada na igreja, com um longo e belo vestido branco, e uma lua-de-mel, num lugar paradisíaco.
-Claro que é, quando os dois estão apaixonados e se trata de um casamento de amor. Não é o nosso caso. Outra coisa, pagarás as despesas da Matilde e da casa. Nada mais que isso, as minhas despesas pessoais serão minhas, pagá-las-ei com o meu ordenado, não quero um cêntimo teu.
- Não aceitarei uma condição tão absurda. Uma vez casada, as tuas contas serão minhas.
-Então desiste do casamento e procura outra solução.
- Dá-me uma razão lógica para tal atitude, - disse ele irritado.- Não me digas que és uma dessas feministas com a cabeça cheia de ideias idiotas.
-Não se trata de ser ou não feminista. Trata-se de que não quero sentir-me, como se me vendesse. Posso aceitar o casamento como sendo o melhor para a Matilde e por ela sacrificar-me. Mas não acredito que a perda da minha dignidade, lhe seja de algum modo benéfica. Está na tua mão aceitares ou não as condições.
Ele mordeu os lábios para conter um impropério. Não lhe agradava aquela situação, mas ainda lhe agradava menos que ela lhe lembrasse que o casamento era um sacrifício, especialmente depois da reação que aquele beijo lhe provocara. Mas que fazer? O melhor era aceitar todas as condições que ela impusesse. Depois de casados ele trataria de a fazer mudar de ideias.
-Aceito, embora me reserve o direito de tentar fazer-te mudar de ideias. Mais alguma coisa? – perguntou
- Sim. Não quero a Matilde em creches, enquanto não tiver dois anos. Deverá ficar com a Natália, a senhora que viste aqui no outro dia. É uma grande amiga, tem-me ajudado muito, e cuida da Matilde sempre que eu preciso de me ausentar, seja para trabalhar, ou para fazer compras. Gostam tanto uma da outra, que a Matilde chama-lhe  a "vó Táia". Algum problema?
- Problema nenhum. Quando podes ir comigo ao registo para dar andamento aos papéis?
- Amanhã, aviso no trabalho que preciso de sair por umas duas horas. Será tempo mais que suficiente para isso. De acordo?
- De acordo. Também quero visitar-te diariamente até ao casamento, e quero ver a menina acordada. Quero que ela se vá habituando a mim, para que não estranhe depois do casamento. Durante a semana, como estás a trabalhar, posso encomendar o jantar e jantaremos juntos. Alguma objeção?
- Nenhuma.
Ele levantou-se, dizendo:
-Então é melhor que me vá agora. Telefonas-me de manhã assim que puderes sair, e vou-te buscar. Até amanhã.
Encaminhou-se para a porta, seguido pela jovem. Aí deu-lhe um beijo rápido e saiu. Ela fechou a porta e encostou-se à mesma, com as pernas a tremer.



NOTA DA AUTORA 
O capítulo de ontem, parece ter surpreendido pela negativa. Pode ter parecido invulgar, surreal, eu mesma tive dúvidas ao escrevê-lo, não gosto muito de fugir da realidade. Porém estamos numa época em que algumas mulheres casam com homens que nunca viram, outras se mostram aos possíveis interessados como se fossem gado à espera de compra, e outras ainda vão dormir com qualquer um que acabam de conhecer. Postas as coisas neste ponto, que tem de especial que uma mulher queira saber, se não vai sentir repulsa pelo homem, com quem pode vir a passar o resto da vida, através de um beijo? 

17.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXV




Eram exatamente nove horas, quando Ricardo tocou a campainha.
Isabel abriu a porta e conduziu-o para a sala.
- Senta-te. Desculpa, não tenho bebidas alcoólicas, mas posso oferecer-te um café.
-Obrigado mas acabei de jantar. Prefiro que me digas o que decidiste.
- Antes de te dar uma resposta temos que esclarecer alguns pontos. Disseste que o casamento será real e não apenas nominal. É assim?
- É. Disse-te que seremos uma família.
- E como sabes, se somos compatíveis? Imagina que casamos e não consigo ter intimidade contigo. Já pensaste nisso? Ou acreditas que és tão irresistível, que não há hipótese de isso acontecer?
- Bom, e onde é que isso nos leva? Queres que façamos a experiência, antes de me dares a tua resposta?
- De modo algum – apressou-se a dizer vermelha que nem papoila. – Mas quero que me beijes. Porque se não formos compatíveis com um simples beijo, não haverá casamento, ou pelo menos não tal como o desejas.
Tinha razão. Por muita vontade que ele tivesse de formar uma família, (e pensava nisso todos os dias, depois da conversa com Artur)  e dar um lar à menina, se entre os dois não houvesse química, um casamento estava fora de questão. Pôs-se de pé e avançou para ela. Apesar do seu metro e oitenta e quatro, não era muito mais alto que Isabel que ultrapassava o metro e setenta. Rodeou-lhe a cintura com um braço e puxou-a para si. Com a outra mão segurou-lhe o queixo e aproximou o rosto do seu. Por uma fração de segundo os seus olhos encontraram-se. Ele queria ler nos olhos dela, expetativa, desejo, algum sentimento que lhe desse uma ideia do que aquela proximidade lhe provocava, mas ela fechou-os e aguardou, os lábios trémulos, o corpo tenso, o momento que se aproximava. Por um momento, ele receou que o seu beijo não fosse tão bom quanto ela desejava. O teste era muito importante para o futuro dos dois, e ele desejava que corresse bem.
Com uma ligeira pressão, fez com que os corpos se tocassem. Ela conteve a respiração e entreabriu os lábios. Ele inclinou a cabeça, e beijou-a. Não um beijo apaixonado, mas um suave roçar dos lábios inicial, para depois intensificar o beijo, brincando com os seus lábios, provocando e tentando dar-lhe o máximo prazer.
De súbito com um suspiro o corpo dela, qual leão adormecido, que desperta faminto, fez com que  levantasse os braços para lhe acariciar a nuca, enquanto se roçava descarado no corpo masculino.
 Ele aprofundou então o beijo, a sua língua invadiu a boca feminina, saboreando a sua doçura, mas a reação foi tão intensa que logo se arrependeu. O que era aquilo? Jamais um simples beijo o excitara tanto. Sentiu um desejo tão forte, que a sua vontade era deitá-la no sofá e fazer amor até cair de cansaço. Aquilo nunca lhe acontecera antes, com qualquer mulher, e ele tivera muitas nos últimos anos. O mais suavemente que pôde,  afastou a jovem que protestou relutante. Voltou-lhe as costas e caminhou até à janela. Não queria que ela visse o estado de excitação em que se encontrava. Durante largos segundos ficaram em silêncio, cada um tentando digerir as emoções que aquele beijo despoletara.
-Creio não haver dúvidas sobre a nossa compatibilidade. A química entre nós não podia ser maior – disse por fim voltando para o sofá. – Então vamos lá saber o que decidiste.
 - Aceito a tua proposta se aceitares as minhas condições. Suponho que terás as tuas aventuras, talvez até uma amante. A partir do momento em que decidirmos avançar para o casamento, terás que ser fiel. Não suporto traições. 
- Sem problema. Se me conhecesses, saberias que considero a traição a coisa mais abjeta da vida.
-Muito bem. O casamento terá que ser o mais intimo possível, uma ida ao registo com as testemunhas exigidas por lei, e nada de lua-de-mel.