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13.11.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE XIII



Gil entrou na loja e dirigiu-se ao escritório, onde já encontrou o irmão, passeando de um lado para o outro com evidente nervosismo.
- Bom dia, Marco. Pareces preocupado.
-Bom dia mano. Estou nervoso. E se a Isabel não está minimamente interessada em mim?
Gil olhou o irmão com estranheza. Não estava habituado a vê-lo tão inseguro, fosse qual fosse a questão. Caramba, ele tinha trinta e dois anos e nessa idade, um homem sabe muito bem conhecer os sinais que uma mulher lhe dá. E ele tinha-lhe dito que tinha a certeza de que a jovem gostava dele, só não confiava nas suas intenções. Com todo aquele nervosismo, devia estar mesmo muito apaixonado.
Pôs a mão sobre o seu ombro num gesto de carinho, tentando acalmá-lo.
- Calma, se estás assim hoje, não quero ver-te no dia do casamento – disse sorrindo. Depois olhou o relógio e acrescentou:
- Dez horas. Estão a entrar. Não tarda estão a bater a esta porta. É melhor que nos sentemos.
- Senta-te tu. Eu não consigo, - retorquiu uns segundos antes de Isabel bater na porta para a abrir de seguida.
As três mulheres entraram na sala com o semblante carregado, preocupadas com aquela reunião repentina, e mais preocupadas ficaram com a presença de Gil. As três sabiam que raramente ele ia à firma, mesmo antes da tragédia que se abatera sobre a sua vida. E naquela semana era a segunda vez…
-Sentem-se – disse Gil. Chamámos-vos aqui para lhes dar conhecimento de algumas decisões que tomámos. Porque é o vosso local de trabalho, achamos que devem saber o que se passa. 
As três entreolharam-se preocupadas. Será que a empresa ia fechar? Iriam perder os seus empregos? Sem lhes dar tempo a grandes preocupações, Gil continuou:
-A partir de hoje, vou deixar de ser um dos sócios desta firma. Ela será pertença exclusiva do Marco, estamos à espera do doutor Alcides para assinar os documentos, mas a vossa situação na empresa não corre qualquer perigo. Da minha parte, quero agradecer-vos o grande empenho e rigor com que sempre desempenharam o vosso lugar. Dir-vos-ia que podiam ir abrir as portas, mas antes o Marco tem uma declaração a fazer e quer que sejamos todos testemunhas. Marco é contigo.
- Bom, sei que o que vou fazer,- disse aproximando-se do irmão, sem contudo se sentar -  pode não parecer muito ético, para este local, mas as circunstâncias a isso me obrigam. Teresa e Raquel, vocês são mulheres inteligentes, devem ter percebido como estou apaixonado pela Isabel. Mas também devem ter conversado entre vós e sabem que ela não acredita, que eu tenha intenções sérias a seu respeito. Pois bem Isabel, - disse aproximando-se e agarrando a mão da jovem – que vermelha de vergonha não sabia onde se meter – neste momento, reitero tudo o que te disse em particular, e perante estas testemunhas te suplico, que me dês a honra de casar comigo e juro fazer da tua felicidade o grande objetivo da minha vida.
Finalmente a jovem levantou o olhar brilhante pelas lágrimas e prendeu-o nos olhos masculinos, com uma resposta muda, mas plena de amor, que Marco entendeu perfeitamente.
- Então Isabel – disse Gil levantando-se. Posso ou não dar-vos um abraço e desejar-vos felicidades?
- Claro que sim, - disse o irmão desviando o olhar e sorrindo feliz. - Mas espera um pouco, ainda não acabei.
Meteu a mão no bolso, e tirando a caixinha com o anel, meteu-lho no dedo, e de seguida puxou-a para si, abraçou-a e beijou-a.
Ouviram-se palmas e depois Gil, Raquel e Teresa abraçaram os noivos.
Uns minutos mais tarde, Gil disse:
-Agora vão abrir a porta e voltem ao vosso trabalho. E hoje vão as três almoçar connosco. É a minha despedida.


12.11.19

INSÓNIA.

Reedição                                                  

                                             INSÓNIA

A noite vai alta.

No céu, sem nuvens, as estrelas observam curiosas. Num prédio igual a tantos outros, alguém abre lentamente uma janela. Angustiada a figura masculina,  interpõe-se por momentos, entre a luz da rua, e as sombras do quarto. Perpassam-lhe pela memória os acontecimentos daquele sábado. Como se estivesse no cinema, assiste ao filme da sua vida. Na verdade, ela, a Vida nunca fora fácil para ele. Tudo o que era e o que tinha arrancara dela à força.
O tempo passa, o filme chega ao fim. O sono não veio. Um carro passou rápido, quebrando por momentos o silêncio quase religioso em que a noite mergulhara. Abanando a cabeça, como quem sacode pensamentos dolorosos, o homem deu meia volta e afastou-se da janela. Um raio de luar, veio qual amante atrevido, pousar no corpo da mulher, que nua, na cama, dorme docemente...
Como atraído por um íman, o homem  olha-a. E sobressalta-se. Como se só naquele momento desse pela presença feminina. Ou talvez quem sabe, vê-la assim, nua, banhada pelos raios lunares, qual deusa adormecida, tivesse despertado o Amor, que as preocupações diárias, tinha sepultado no seu subconsciente. A paixão incendiou-lhe o peito, o desejo adormeceu-lhe as preocupações.
Naquele momento deixou de existir o mundo lá fora. Nada além daquele quarto, daquela mulher, e do amor que sentia por ela lhe importava. Ansioso, caminhou para a cama. As suas mãos, frenéticas perderam-se naquele corpo tão conhecido, reinventando carícias, ansiando perder-se nele.
A mulher acordou. Soltou um gemido, e enlaçou o corpo masculino. Não sabia que horas eram, mas que importava isso? O momento era aquele. E deixou-se submergir no mar de paixão, que a envolvia.
Pela janela, a lua enlaçou os dois amantes, como protegendo aquele Amor.




Fim

Enquanto eu ando às voltas com os sucessivos problemas de saúde continuam por aqui as reedições. Aos que já conhecem peço desculpa



11.11.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE XII


Pouco depois sentados à mesa do restaurante, Gil pergunta ao irmão:
- Como vai a tua relação com a Isabel?
- Que há nenhuma relação. Ela não acredita em mim, pensa que apenas quero seduzi-la para a levar para a cama.
- E tens a certeza de que não se trata disso?
- Absoluta. Desejo-a é claro, é uma mulher muito bonita, e eu não sou propriamente um santo. Mas o que sinto por ela é muito mais do que isso. É uma vontade de estar juntos, de partilhar emoções, de formar uma família. Tenho trinta e dois anos, e nunca soube o que era uma verdadeira família. Sei que a mãe nos amou muito, que era capaz de dar a vida por qualquer um de nós. Trabalhou até ao limite para que nunca tivéssemos fome, e o nosso corpo agradeceu, mas a alma cresceu sedenta de carinho. Não estou a censura-la. A vida era muito difícil na altura, especialmente para uma mulher sozinha com três filhos. Tu foste muito novo para o clube, tinhas um sonho, algo a que te agarrares. A princípio vinhas dormir a casa, mas quase só te via quando já estava a cair de sono.
Depois quando se aperceberam da tua genialidade, passaste a viver lá, só vinhas a casa ao fim-de-semana. Eu cuidava da Laura, para que a mãe continuasse a trabalhar. As suas brincadeiras, não me diziam nada, tínhamos gostos e sonhos diferentes. Tinha saudades tuas. E sonhava com uma família diferente. Com uma mesa onde estivéssemos com os nossos pais.
 E jurei que quando crescesse e arranjasse um emprego, procurava uma mulher e me casava. Sonhava com a minha casa, a minha mulher e um ou dois filhos. Nunca senti inveja de ti, do teu êxito, do muito dinheiro que ganhavas. Todavia senti um pouco de inveja quando te casaste. Ias ter uma família, e eu continuava mais só que nunca, pois a Laura crescera, entrara na Universidade, tinha a sua própria vida, e a nossa mãe já tinha entregado a alma ao Criador, alguns anos atrás.
Porém apesar do meu sonho os anos foram passando e nenhuma das mulheres que conheci, e conheci imensas, embora a maioria nem fosse capaz de recordar o meu nome. Só me procuravam na esperança de que tas apresentasse. Apesar disso nunca senti vontade de formar com alguma delas uma família, pelo contrário repugnava-me a ideia de poder viver o resto da vida com elas. Até conhecer a Isabel. Com ela eu desejo tudo. O corpo, e a alma. Quero adormecer todas as noites no calor do seu corpo, acordar com o seu sorriso. Se isto não é amor, então não faço ideia do que seja o amor. Infelizmente, apesar de acreditar que não lhe sou indiferente, ela não acredita em mim e não sei como convencê-la.
- Se a amas assim e acreditas que ela também gosta de ti, toma uma atitude drástica. Faz qualquer coisa que a surpreenda e lhe dê a certeza do teu amor.
-Que tipo de atitude? Tens alguma ideia?
- Compra-lhe um bonito anel de noivado. Depois convida-a para jantar, leva-a a um bom restaurante e durante o jantar, dás-lhe o anel e pede-a em casamento. Ou se achas que ela não vai aceitar o jantar, leva a Teresa e a Raquel ao escritório, e na presença delas, oferece-lhe o anel, e pede-a em casamento. Com duas testemunhas ela não vai duvidar das tuas intenções.
Tinham acabado de almoçar. Gil chamou o empregado, pagou a conta e saiu seguido do irmão.
Despediram-se já no exterior, com o jovem desejando sorte ao irmão antes de entrar no carro e seguir para o hospital.
Três dias depois, Gil voltou à empresa e desta vez chegou antes da hora de abertura, conforme combinado de véspera com Marco. O doutor Alcides só chegaria perto das onze horas, para que eles assinassem os documentos de doação e alteração do registo da empresa, mas Marco, seguindo o conselho do irmão ia pedir Isabel em casamento, e queria que ele estivesse presente, para que à jovem não restassem quaisquer dúvidas, sobre a seriedade do pedido. Na véspera, marcara uma reunião com as três mulheres, no início do dia, pelo que iriam abrir as portas um pouco mais tarde nesse dia.

10.11.19

PORQUE HOJE É DOMINGO




No manicómio, dois malucos entram no gabinete do diretor do hospital, em evidente conflito. Pergunta o diretor:
- O que se passa?!
Diz um dos malucos:
- Eu sou o Primeiro Ministro!
O outro maluco:
- É mentira! O Primeiro Ministro sou eu!
Diz, então, o diretor:
- Calma, já vamos esclarecer isso. Neste momento, a minha dúvida é saber qual dos dois está a falar verdade…




                                            ****************************




Um idoso telefona para um consultório de otorrino, a fim de marcar uma consulta para a sua mulher. A recepcionista atende e pergunta:
- Qual o problema de sua esposa?
E responde o velhinho:
- Surdez. Não ouve quase nada…
E a senhora diz:
- Então o senhor vai fazer o seguinte: antes de a trazer à consulta, faz um teste para facilitar o diagnóstico do médico. Sem que ela o esteja a ver, o senhor a certa distância falará em tom normal, até que perceba a que distância ela consegue ouvi-lo. Então, quando cá vier, dirá ao médico a que distância o senhor estava quando ela o ouviu. Percebeu?:
- Está certo - concordou o idoso
À noite, quando a mulher estava preparando o jantar, o idoso decidiu fazer o teste. Mediu a distância que estava em relação à mulher, cerca de 10 metros, e perguntou:
- Maria, o que temos para jantar?
E nada, silêncio total. Aproxima-se a 5 metros e volta a perguntar:
- Maria, o que temos para jantar?
Mais uma vez nada. Aproxima-se mais um pouco, ficando  a uma distância de 3 metros:
- Maria, o que temos para jantar?
Silêncio total. Por fim, encosta-se às costas da mulher e volta a perguntar:
- Maria! O que temos para jantar?
E a mulher responde irritada:
- Frango… Porra homem!! É a quarta vez que te respondo…


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Ao chegar mais cedo a casa, um homem encontra a sua mulher na cama, nua e ofegante…
- Que tens meu amor, sentes-te bem?
Aflita, responde a mulher:
- Acho que estou a ter um ataque de coração…
O filho do casal irrompe no quarto:
- Papá, o tio Alfredo está todo nu na casa de banho!
O homem corre para a casa de banho e dá de caras com o familiar:
- Parece impossível Alfredo. A tua cunhada a ter um enfarte e tu aqui a assustar as crianças!


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Um alentejano entrou na sala de espera de um consultório médico. Ao aproximar-se da mesa da recepção, a recepcionista dirige-lhe a palavra:
- Bom dia senhor, qual o seu problema?
Diz o alentejano:
- O mê problema é no pénis.
A recepcionista, ao ouvir o alentejano, irritou-se e pregou-lhe uma descompostura:
- O senhor não devia dizer uma coisa dessas numa sala de espera tão cheia! Está a causar embaraço aos outros presentes! São pessoas de fino porte, educadas… O senhor devia ter dito, por exemplo, que estava com um problema na orelha e depois, já dentro do consultório, contava os detalhes ao doutor.
O alentejano, sentindo-se humilhado, retirou-se da sala, voltou à rua, recompôs-se e regressou à sala de espera predisposto a corrigir a má impressão causada de que, aliás, estava francamente arrependido.
A recepcionista ao vê-lo de regresso sorriu e, colaborante, perguntou:
- Muito bom dia senhor, qual o seu problema?
Diz o alentejano:
- Estou com um problema na orelha!
A recepcionista rejubilou num indisfarçável aceno de aprovação e, sorrindo triunfante, prosseguiu:
- E diga-me, qual é o problema da sua orelha?
E responde o alentejano:
- Arde muito, quando mijo.


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O pai está a ver as notas do Joãozinho:
- Ó  Joãozinho, o que é isto?! Só três a matemática?
Então o Joãozinho explicou a fraca nota a matemática:
- A  professora, perguntou : Quantos são 3×2. E eu respondi 6.
E o pai concordando com o filho:
- E  está certo, meu filho!
E continuou o Joãozinho:
- A seguir perguntou : Quantos  são 2×3.
E disse o pai:
- F***-se! Então não é a mesma coisa?
E o Joãozinho:
- Pois… Foi exactamente isso que eu respondi à professora!




Bom domingo

8.11.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE XI






Quanto à doação, hoje mesmo tratarei de tudo e logo que tenha a documentação pronta, aviso-o para as assinaturas.
- Muito bem. Não sei se poderá continuar a tomar conta de todos os assuntos desta firma, já que gostaria de poder continuar consigo para tratar de todos os meus assuntos. Se não o conseguir fazer, gostaria que designasse um dos seus associados, para que possa tratar dos assuntos do Marco. Ele já se vai desenvencilhando muito bem, mas o doutor sabe como o mundo dos negócios é traiçoeiro.
- Bom, para já eu trato de tudo relativamente à doação e ao término da sociedade. Depois se realmente quiser iniciar o processo da Fundação, como me disse há dias, entregarei os negócios do seu irmão ao Hugo Figueiredo. É um advogado muito competente e um homem em quem confio plenamente.
- Então faça isso. Eu quero avançar com o projeto o mais tardar no início do ano, e vou precisar de toda a sua ajuda. Já tenho em vista um imóvel para o funcionamento da Fundação, gostaria que fosse até lá e visse se há possibilidade de compra. É um imóvel quase novo, ainda não fez cinco anos, vazio porque a multinacional que o ocupava transferiu-se para a Estónia, e está situado muito perto do bairro onde eu nasci. Tem espaço suficiente para um refeitório, que alimentaria os mais carentes, uma sala de exposições, uma sala de espetáculos, onde poderíamos ensinar música e dança aos alunos que tendo aptidões para essas artes, não conseguem nas outras disciplinas, média para entrarem no conservatório. E além dos escritórios, ainda gostaria de ter um posto médico para pequenos tratamentos, e onde se ensinassem hábitos de higiene; e uma creche, para que as mães possam ir trabalhar sem problemas. Já lá estive, sei que pode ser tudo aquilo que sonhei, mas não consegui entrar em contato com o proprietário do imóvel.
- Dê-me a morada e ainda hoje tentarei descobrir o proprietário. Cumpre-me avisá-lo que um imóvel com essa capacidade pode ser um bom rombo na sua fortuna. Já pensou na hipótese de aluguer?
- Não se preocupe. Estou a par de quanto me poderá custar.  Também tenho aqui a proposta de um contrato que gostaria que analisasse. Um prestigiado produtor americano, quer comprar os direitos do meu primeiro livro para o levar ao cinema.  A proposta parece-me muito boa, e a minha agente aconselhou-me a aceitar. Porém antes de o fazer, gostaria que a analisasse.
- Os meus parabéns. O livro é realmente muito bom. Pode ser igualmente um bom filme. Irei analisar a proposta com todo o cuidado – disse pegando no envelope que Gil lhe estendia.
-Então doutor, por hoje é tudo, espero que dê um andamento rápido a estes assuntos, pois estou desejoso de avançar.
O advogado pôs-se de pé e estendeu-lhe a mão para a despedida dizendo:
- Fique descansado. Tudo sairá com a brevidade possível. Espero e desejo que tudo corra bem com o nascimento do bebé, e que a polícia consiga capturar os assassinos de sua esposa.
Gil levantou-se, apertou-lhe a mão e acompanhou-o à porta. Quando ficou só, olhou para o relógio. Já passava do meio-dia. Tinha o tempo exato para almoçar e se dirigir ao hospital, onde iria passar a tarde. Voltou à secretária, meteu o telemóvel e as chaves do carro, no bolso do casaco, e saiu para a loja.
-Queres ir almoçar comigo? – perguntou ao irmão que acabava de atender um cliente.
- Claro que sim. Deixa-me só avisar a Isabel - disse dirigindo-se ao pequeno gabinete da secretária.


6.11.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE X



-Adiante, lembras-te daqueles livros que te ofereci, e de  me teres dito quando leste o primeiro, que o autor parecia estar a descrever a nossa história?  Pois é mesmo a nossa história e o autor é este teu irmão.
- O quê? Tu és o misterioso Nuno Alvarez?
- Esse é o meu pseudónimo.
- Mas porquê? Porque não usaste o teu nome? – perguntou Marco admirado.
- Por duas razões. A primeira é que queria manter-me no anonimato. Assim se as obras fossem um sucesso, ninguém diria que o eram pelo meu passado de futebolista famoso, e se fossem um fracasso, também ninguém me diria que era um sapateiro a querer tocar rabecão, como dizia a nossa mãe. Segundo, sabes como a Sara era. Se soubesse do meu êxito literário, ia querer que frequentasse festas, que desse entrevistas, enfim que me tornasse numa estrela, junto da qual ela pudesse brilhar. Sabes que não sou, nem nunca fui assim. Depois o facto de a minha agente ser espanhola, e viver entre Paris e Nova Iorque, ajudou-me a manter o segredo. Coisa que não sei se conseguirei continuar a manter, uma vez que recebi uma ótima proposta para vender os direitos do “Almas sombrias” para o cinema.
- Bom, isto é que foi uma surpresa. E vais continuar a escrever?
-Enquanto a inspiração me deixar, sim.
Nesse momento foram interrompidos por Isabel a secretária.
- Desculpem, mas acaba de chegar o doutor Alcides.
-Mande-o entrar – disse Gil.
Ela retirou-se e segundos mais tarde, introduzia o advogado no escritório.
- Bons dias – saudou o recém-chegado, estendendo a mão para cumprimentar os dois irmãos.
- Bom dia - responderam em uníssono.
Depois do habitual cumprimento, Gil disse:
- Por favor, sente-se doutor.
- Desculpem-me, mas tenho trabalho na loja, - disse Marco encaminhando-se para a porta. - Se precisares de mim, chama-me.
-Está bem. Por favor diz à Isabel que nos sirva um café.
Marco saiu fechando a porta atrás de si.
- Bom doutor - começou Gil. - Pedi esta reunião, porque tenho várias instruções para lhe dar. Preciso que trate dos documentos necessários para que eu possa passar  a minha parte nesta empresa para o Marco. Não só desta loja, mas também da filial do Porto. Trata-se de uma doação, não de uma venda. Não tenho tempo para isto, e o meu irmão merece. Como sabe espero o nascimento da minha filha a qualquer momento e com o seu nascimento,  a minha vida ainda se vai complicar mais, pelo menos a nível de tempo.
- Lamento o que aconteceu com a sua esposa, - interrompeu o advogado. – Tão jovem, e ainda mais grávida! Este mundo está cada dia mais violento. Já apanharam os culpados?
-Não. A polícia não encontrou rasto do carro, e isso torna mais difícil chegar aos culpados.

5.11.19

UMA HISTÓRIA PARA REFLETIR



No Domingo, o Padre da minha paróquia na homilia contou uma história de que muito gostei. Cheguei a casa e escrevi-a
como ele a contou. Como não sabia se a autoria da história, era dele ou de outra pessoa, procurei na Internet e com poucas alterações encontrei-a em vários sites, sempre como sendo de autor desconhecido.  Aqui a deixo tal como ele a contou.




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Um velho professor foi de férias aos Açores.  Um dia, passeava por um belo jardim, quando um homem jovem aproximou-se dele, cumprimentou-o e perguntou:
- O senhor lembra-se de mim?
O velhote olhou, mas não reconheceu o outro homem.
-Fui seu aluno na primária, lá no continente - diz o homem.  -Também sou professor.
- Olha que bom, - responde o velhote. - E de algum modo eu contribui para que escolhesse essa profissão?
O homem mais jovem pegou-lhe no braço, e disse:
- Venha daí, vamos sentar-nos.
Sentaram-se num banco e o mais novo falou:
-Quando eu andava na segunda classe, um dia um colega chegou à escola com um relógio novo. Era um relógio muito bonito, e eu nem relógio tinha, a minha família era muito pobre, o dinheiro mal chegava para comer. Não sei o que me deu, mas na hora do recreio fui ao vestiário e surripiei o relógio do bolso do casaco do meu colega.
A seguir entrámos na aula e o outro miúdo queixou-se do roubo. O senhor disse que ninguém saía da aula antes do relógio aparecer, e pediu que quem o tirou, o devolvesse. Fiquei apavorado, pensando na vergonha que meus pais iam sentir, na confiança dos colegas que ia perder e não tive coragem de entregar o relógio. Então o senhor mandou que todos nos levantássemos, fizéssemos uma fila indiana e fechássemos os olhos. O senhor ia meter a mão nos bolsos de cada um a fim de encontrar o relógio, mas ninguém podia abrir os olhos sob pena de ser castigado. Fiquei na fila a tremer esperando o momento em que encontrasse o relógio e me denunciasse. Mas o senhor pegou o relógio e continuou até ao fim da fila, e só então disse que podíamos abrir os olhos, já tinha o relógio. Entregou-o ao dono, mas não disse a ninguém quem o tinha. Naquele momento senti que tinha renascido. Eu tinha-me tornado um ladrão, tinha perdido a minha dignidade, e de repente o senhor devolveu a minha dignidade. A sua atitude era uma lição para mim, e naquele mesmo momento jurei a mim mesmo, que ia ser professor. Queria ser como o senhor. 
Calou-se emocionado e por fim perguntou:
-Porque o Senhor nunca me disse nada, nem mesmo quando estávamos sós?
- Meu jovem, - respondeu o velhote com um sorriso. - Até hoje, nunca soube quem tinha tirado o relógio. É que não foram só vocês que ficaram de olhos fechados. Antes de começar a meter as mãos nos vossos bolsos, também eu fechei os meus.




4.11.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE IX








Estacionou o carro no único lugar vago perto da empresa, e dirigiu-se para a mesma.
Olhou o relógio antes de entrar na loja. Ainda faltava meia-hora para a abertura das portas ao público, embora ele soubesse que o seu irmão e as funcionárias já se encontravam lá dentro. Abriu a porta, entrou e voltou a fechá-la atrás de si.
Bons dias, - saudou.
Bons dias, - responderam as três pessoas que se encontravam
na loja nesse momento. O seu irmão e as duas empregadas que se afadigavam a marcar peças e a coloca-las nas prateleiras.
- Marco podes vir comigo ao escritório, ou ainda falta muito para acabarem?
- O que falta, não demora mais de cinco minutos, a Teresa e a Raquel acabam – respondeu o irmão largando a peça que tinha nas mãos, e seguindo-o. 
Uma vez no escritório, Marco colocou uma mão sobre o ombro do irmão ao mesmo tempo que perguntava:
-Há alguma novidade do hospital?
- Não. Se houver serei informado na hora, e ninguém me telefonou. Vem, vamos sentar-nos tenho que conversar contigo antes que o doutor Alcides chegue, -disse Gil sentando-se atrás da secretária e indicando ao irmão a cadeira ao seu lado.
- É assunto sério? – perguntou o irmão.
- É, se não fores capaz de levar a empresa com sucesso sozinho. Vou passar os meus sessenta por cento para ti. Uma prenda de aniversário, um pouco atrasada, mas ainda no mesmo mês.
- Mas isso representa muitos milhares de euros. Não posso aceitar, até porque na prática a empresa é tua, já que foi com dinheiro que me deste que a iniciei, e toda a sua expansão foi feita sempre exclusivamente por ti.
-E de que me serve o dinheiro, se não for para tornar felizes as pessoas que amo? Daqui a pouco quando chegar o advogado, vou tratar desse assunto e em breve, tudo passará para ti. Provavelmente terás que procurar um bom gestor, para te ajudar, principalmente se concretizares o projeto da nova loja em Faro. Bem sei que o gerente que temos no Porto é uma pessoa séria e competente, mas de qualquer modo não te poderás desligar completamente do seu funcionamento.Já conheces o ditado. "É o olho do dono que engorda o burro" O dr. Alcides, pode aconselhar-te na escolha. Ele tem bons conhecimentos, saberá decerto de algum bom gestor, que possas contratar.
- E a Laura? - perguntou o irmão
- O que é que tem a Laura? – admirou-se Gil
- Não vai ficar magoada em saber que passaste tudo para mim e a deixaste de fora?
- A Laura teve a Universidade paga assim como a sua especialização em Nova Iorque. Quando voltar a Portugal, vou montar-lhe a clínica dos seus sonhos. Não tem nada a ver com as lojas de desporto. É uma neurologista, lembras-te?
- Bom, só não queria mau ambiente entre nós, por causa dessa doação.
- Nunca haverá mau entendimento entre nós, Marco. Passamos por muitas dificuldades juntos e isso uniu-nos mais do que o sangue que nos corre nas veias.




3.11.19

PORQUE HOJE É DOMINGO






Uma loira foi passear ao jardim zoológico. Ao chegar perto da jaula do Leão, ela viu uma placa: CUIDADO COM O LEÃO!
Mais à frente, outra jaula, outra placa: CUIDADO COM O TIGRE!
Mais à frente: CUIDADO COM O URSO!
Continuando o seu passeio, chega a uma jaula que está vazia e lê: CUIDADO TINTA FRESCA!
Desesperada, a loira começa a fugir e aos gritos:
- SOCORRO!! O TINTA FRESCA FUGIU! O TINTA FRESCA FUGIU!!!!




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Um homem faz uma proposta a uma linda mulher de seios redondos, sensuais e firmes:
- Importa-se que morda os seus seios? Dou-lhe 20 euros.
Ofendida, responde a mulher:
- Que atrevimento, nem pensar!
O homem insiste:
- 50 euros?
Ainda meio ofendida:
- Não!
O homem então sobe a proposta para os 500 euros. Já a ficar convencida:
- Por 500, pode ser. Mas vamos aqui para este canto para que ninguém nos veja.
A jovem tira os seios para fora. Durante mais de dez minutos, o homem beija-os, lambe-os, roça-se por eles… Diz a mulher:
- Então, não morde?
Responde deliciado o homem:
- Não, não obrigado… Morder é muito caro.


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Um casal vai passear para o campo. Chegam a um local bucólico muito familiar. Diz ela:
- Querido, lembras-te deste sitio? Vamos fazer o mesmo que fizemos há vinte anos?
O marido pára o carro. A mulher encosta-o à vedação e fazem amor: Gritam, contorcem-se e agitam-se loucamente. Desmaiam ambos exaustos.
Acordam meia hora depois e diz a mulher:
- Querido, nunca tivemos uma experiência tão forte… Nem há vinte anos!
Responde o marido:
- Pois não amor, há vinte anos ainda não tinham electrificado a vedação…


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Num infantário a educadora está a ajudar o Joãozinho a calçar as botas. Ela faz força, faz força, e ao fim de algum tempo, e a muito custo, uma bota já entrou e a outra já está quase. Nisto diz o Joãozinho:
- As botas estão trocadas!
A educadora pára, respira fundo, vê que o menino tem razão e começa a tirar-lhe as botas novamente. Mais uma dose de esforço e depois ela torna a tentar colocar-lhe as botas. Ao fim de muito tempo e muito esforço, conseguiu calçar:
- Pronto, as botas já estão! Onde é que tens as luvas?
- Dentro das botas! – Responde o Joãozinho.
A educadora fica em estado de choque, pulsação acelerada, vai respirando fundo, decide não dizer nada e começa novamente a descalçar e calçar o rapaz. Mais uma série de tempo e finalmente consegue:
- Bolas. Estava a ver que não. – suspira de alívio a educadora.
- Sabe é que estas botas não são minhas! – diz o Joãozinho.
A educadora fecha os olhos, respira fundo e lá começa a descalçar o rapaz novamente. Quando finalmente consegue, diz ao Joãozinho:
- OK! De quem é que são estas botas, então?
- São do meu irmão! A minha mãe obrigou-me a trazê-las!

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Dois surdos-mudos recém-casados chegam à conclusão que não conseguem comunicar os seus desejos sexuais com o quarto às escuras. Vai daí, combinam um código em linguagem gestual.
Primeiro ela:
- Olha querido, quando quiseres fazer sexo, tocas-me na mama direita, se não quiseres tocas-me na mama esquerda.
Chega a vez de ele expor o seu código:
- Querida, se quiseres fazer sexo tocas no meu coiso uma vez, se não quiseres, tocas-me para aí umas cinquenta….


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Bom domingo

2.11.19

2 DE NOVEMBRO - DIA DE FINADOS


Dia de Finados

Passam tristes em romagem piedosa
Levam nos ramos as mais belas flores
Veste-se a natureza de sombrias cores
Porque também ela está triste e chorosa.

Também vou nesta romagem atormentada
pois já morreram os meus sonhos e amores
De tudo que eu tive, hoje só restam as dores
sepultadas na minha alma amargurada


Curvada, ante mim própria sou a campa
A minha ilusão de viver era tanta
Que um dia a própria vida a matou.
Agora em cada dia de finados
Levo aos meus sonhos, mortos e chorados
pétalas de uma flor que já murchou.


Elvira Carvalho

1.11.19

1º DE NOVEMBRO - DIA DE TODOS OS SANTOS



Festeja-se hoje o dia de Todos-os-Santos. O texto que se segue e se encontra entre asas foi retirado da Wikipédia. Se alguém não conhecer a história e quiser ler o texto na integra, basta clicar AQUI

"A Enciclopédia Católica define o Dia de Todos os Santos como uma festa em "honra a todos os santos, conhecidos e desconhecidos". No fim do segundo século, professos cristãos começaram a honrar os que haviam sido martirizados por causa da sua fé e, certos de que eles já estavam com Cristo no céu, oravam a eles para que intercedessem a seu favor. A comemoração regular começou quando, em 13 de maio de 609 ou 610, o Papa Bonifácio IV dedicou o Panteão (o templo romano em honra a todos os deuses) a Maria e a todos os mártires. Markale comenta: "Os deuses romanos cederam seu lugar aos santos da religião vitoriosa."
A data foi mudada para novembro quando o Papa Gregório III (731-741) dedicou uma capela em Roma a Todos os Santos e ordenou que eles fossem homenageados em 1.° de novembro. Não se sabe ao certo por que ele fez isso, mas pode ter sido porque já se comemorava um feriado parecido, na mesma data, na Inglaterra. A Enciclopédia da Religião afirma: "O Samhain continuou a ser uma festa popular entre os povos celtas durante todo o tempo da cristianização da Grã-Bretanha. A Igreja britânica tentou desviar esse interesse em costumes pagãos acrescentando uma comemoração cristã ao calendário, na mesma data do Samhain. É possível que a comemoração britânica medieval do Dia de Todos os Santos tenha sido o ponto de partida para a popularização dessa festividade em toda a Igreja cristã."
Markale menciona a crescente influência dos monges irlandeses em toda a Europa naquela época. De modo similar, a Nova Enciclopédia Católica afirma: "Os irlandeses costumavam reservar o primeiro dia do mês para as festividades importantes e, visto que 1.° de novembro era também o início do inverno para os celtas, seria uma data propícia para uma festa em homenagem a todos os santos." Finalmente, em 835, o Papa Gregório IV declarou-a uma festa universal."


Bom mas hoje é também feriado e o primeiro dia do penúltimo mês do ano. Que espero seja um bom mês para todos.
E é também o mês Azul, o mês de prevenção contra o cancro da próstata.
Por isso meus amigos toca a cuidar da vossa saúde. A prevenção pode ser a diferença entre a vida e a morte.
Durante todo este mês, este símbolo vai estar no meu blogue como esteve o símbolo rosa no mês de Outubro.