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15.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXIV



Aquela semana foi muito complicada para Isabel. Primeira semana num emprego novo, sem conhecer ninguém, e com muito trabalho atrasado, pois a jovem que fora substituir, há dez dias que já estava de baixa.
Chegava a casa cansada, e ainda tinha que dar o banho à menina, o jantar, e adormecê-la, além de fazer o seu jantar.  Natália insistia em querer ajudar, mas ela pensava que o ficar com a menina todo o dia e fazer-lhe as refeições já era uma grande ajuda. Assim chegava ao fim do dia tão cansada que só desejava cair na cama e dormir. Todavia o seu esforço foi recompensado na sexta-feira, e o seu desempenho elogiado pelo chefe.
No sábado, entre o ir às compras e as limpezas, foi de novo um dia muito cheio. E mais uma vez foi Natália quem cuidou da menina. Às vezes, Isabel pensava que apesar de tudo tinha muita sorte. A sua vida seria bem mais complicada, se não tivesse Natália sempre pronta a ajudá-la como se fosse uma mãe atenta.
No Domingo, depois de organizada a semana que se apresentava e enquanto Matilde dormia, pode enfim descansar um pouco e refletir na proposta que Ricardo lhe fizera.
É verdade que ele era um homem muito atraente, e parecia ser boa pessoa. Mas às vezes as aparências iludem. Se o seu irmão era um traste capaz de enganar uma menina cheia de sonhos, não seria ele” uva da mesma cepa”? Por outro lado a vida estava cheia de famílias de gente boa, que tinham um elemento, cujas ações, os faziam morrer de vergonha. E se assim era, seria injusto julgar Ricardo pelos desmandos do irmão. Além disso, se decidisse casar com ele, o futuro da menina estaria assegurado.
E isso não valia o seu sacrifício? Não é isso o que todas as mães estão programadas para fazer? O que mais a assustava era pensar que depois de casada, teria de partilhar a cama com ele. Ela tinha trinta e três anos e ainda não conhecera os segredos do sexo. Namorara apenas três meses e sem grande intimidade. Na altura, era muito jovem, trabalhava de dia, estudava de noite, e nos tempos livres tinha que cuidar da mãe doente e da irmã adolescente.  Depois a mãe morrera e Tiago afastara-se quando soubera que ela não desistia da irmã e a queria levar para a sua casa quando resolvessem casar. Os dois pretendentes seguintes nem passaram disso mesmo. E depois que a irmã se suicidara deixando-lhe a filha, resolvera dedicar-se inteiramente à menina e pôs de parte o sonho de um casamento.
Pensou em tudo de mau que lhe podia acontecer, com o casamento, com um quase desconhecido, e sonhou com tudo de bom, que ela gostaria de encontrar naquela relação, e por fim tomou uma decisão.
Levantou-se, pegou no telemóvel e marcou um número.
- Ricardo? Tomei uma decisão – disse rápida antes que se arrependesse. – Podes vir cá a casa, logo à noite? 
-Claro que sim, a que horas?
- Às nove horas, a Matilde já está a dormir e podemos falar.
- Muito bem. Até logo.

E esta história volta segunda feira.

14.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXIII



-O que a Natália pensa disto? – perguntou Isabel no dia seguinte à vizinha e amiga depois de lhe ter contado a conversa tida com Ricardo, no dia anterior
-É uma situação complicada, minha filha. Mas tem mesmo a certeza de que ele não é o pai da Matilde?
-Ele sempre o negou e o teste de ADN confirma as suas palavras. Na prática ambos somos tios dela, mas por causa do registo de nascimento, oficialmente ele é o pai da Matilde. Se ele quiser a menina, e for para tribunal, não tenho meios para contratar um bom advogado, e provavelmente ficarei sem ela, pois entre um pai com condições para lhe dar uma boa vida e educação, e uma tia que vive de um ordenado, não vejo que juiz decidiria a meu favor. Se casar com ele está tudo resolvido, mas como posso casar com um homem que mal conheço?
-Às vezes, Deus escreve direito por linhas tortas. A Isabel fez trinta e três anos em Janeiro. O único namorado que lhe conheci durou três meses. Segundo me disse, quando a sua mãe morreu, ele queria que entregasse a sua irmã à Segurança Social, porque não ia avançar para uma relação séria com a responsabilidade de ter de a criar. Depois disso teve dois pretendentes, que fugiram quando foram confrontados com o problema. Não preciso de lhe repetir que gosto de si como de uma filha. E é como tal que lhe digo, que talvez seja a única hipótese que a Isabel tem, de viver as emoções de uma vida a dois. Claro pode sempre arranjar um amante e viver a sua vida de liberdade, mas como a conheço bem, sei que isso está fora de questão. O homem é atraente, educado, (pelo menos foi o que me pareceu quando falei com ele). O amor pode acontecer com o tempo e a convivência.
- E se não acontecer? Como vou dormir com um homem sem amor?
- Para dormir com um homem não é preciso amor. Quase sempre o que leva um casal para a cama é a atração física, o desejo, ou como os jovens dizem agora, a química. Isso é que nos põe o sangue em ebulição, e faz o nosso corpo desejar experimentar novas emoções. E contrariamente ao que nós sonhamos, essa sensação, nem sempre está associado ao amor. Se a atração física é muito forte, pode nascer um grande amor. Mas não há amor que resista à falta de desejo, ao desinteresse pelo corpo do outro, pelas suas carícias. Não sei se me estou a fazer entender, já estou quase a fazer sessenta anos, e a juventude agora tem outras formas de se expressar que não havia no meu tempo.
A Isabel tem que pensar bem, nos prós e contras daquilo que vai decidir. O que acabo de lhe dizer não deve influenciá-la de modo algum. Limitei-me a dizer-lhe o que eu penso do assunto, porque me pediu a opinião. Pense bem, consulte o seu coração, e tenha a certeza, que seja qual for a sua decisão, eu vou estar aqui para a apoiar, moral ou financeiramente, como faria se fosse minha filha.
-Agradeço-lhe de todo o coração, mas como já lhe disse em outras ocasiões, não quero que gaste o seu dinheiro comigo. Nunca se sabe o dia de amanhã, minha amiga.
- Mãim!!
Isabel levantou-se de um salto e encaminhou-se para o quarto, seguida pela amiga.
- Pronto, meu amor, a mãe já aqui está – disse dirigindo-se à janela e levantando a persiana.


13.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXII


- Uma família. Por muito bem que um homem se sinta sozinho, chega um dia, em que acorda com as pernas trôpegas e os cabelos brancos e sente a falta de uma família.
-Podia dizer que não és pobre a pedir, porém  tu és um homem atraente, rico, ainda não tens quarenta anos, segundo deduzi pelo que disseste há dias, acabaste de dizer que  tens uma boa casa. Se não tens uma família, é porque não queres. A menos que tenhas alguma doença. É isso? Ou não podes ter filhos?
- Não é nada disso. Já te disse que não acredito no amor – calou-se por momentos como se estivesse a tentar encontrar as palavras certas para a convencer. Mas na verdade, relembrava o seu casamento, e a maneira infantil como se tinha deixado ludibriar por Ivone. - Para te ser sincero, não tenho nenhuma confiança nas mulheres, e estava decidido a morrer solteiro. Mas uma vez que o destino me armou esta cilada, seria parvo se não tentasse sair dela, com alguma vantagem. Além disso estou a ser sincero, penso que ganhamos os três com esta solução. Sei que estás desempregada, e deves estar aflita com a situação, mas se aceitares o que te proponho, assumo todas as despesas até ao casamento. E depois da cerimónia, se quiseres dedicar-te à menina por inteiro, nem precisas trabalhar. Além do mais estou convencido de que poderemos ser felizes.
- Antes do mais, deves saber que já não estou desempregada. Começo a trabalhar na segunda-feira. Compreendo que queiras ter participação ativa na educação da Matilde. Também entendo que se aceitar a tua proposta vou ter uma vida muito mais facilitada, mas ao contrário de ti, eu acredito no amor, e não me entra na cabeça um casamento, sem esse sentimento.
- Sabes quantos casamentos se fazem por amor, com casais que se dizem muito apaixonados, e terminam em menos de dois anos? A compreensão, o respeito pelo outro, a cumplicidade, o companheirismo,  podem ser muito mais duradoiros do que a paixão.
- Quando falo em amor, é a isso que me refiro, não à paixão, que essa, como dizia a minha mãe, dá forte mas passa depressa. Supondo que eu aceito esse casamento, como seria ele? Completo ou nem por isso?
-Naturalmente seria um casamento normal, com tudo o que isso implica.
-Vejo que temos maneiras de ver a vida, diametralmente opostas. Um casamento como propões, para mim, seria tudo menos normal.
-Bom, dei-te a solução para darmos à Matilde, o lar a que ela, como todas as crianças tem direito. Disseste que eras capaz de dar a vida por ela. Não te peço tanto. Pensa bem, e logo que tenhas uma decisão telefona-me. Até lá não te importunarei.
Levantou-se e encaminhou-se para a porta, seguido por ela.
-Obrigada pelo jantar- disse ela.
- Fico à espera da tua chamada – respondeu Ricardo apertando a mão que a jovem lhe estendia



Atenção,  que ontem saíram dois capítulos.


12.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXI


                                                              
-Bom ainda não acabei a conversa, -disse Ricardo ao saírem do restaurante. – Queres andar um pouco por aqui, a noite está agradável, ou queres regressar e conversamos em tua casa?
-Prefiro regressar, a Natália já passou grande parte do dia com a Matilde, não quero prendê-la mais tempo do que o necessário.
Entraram no carro e minutos depois seguiam a caminho de casa da jovem. Fizeram a viagem de regresso em silêncio. Ela pensando no que ele tinha dito no restaurante, ele ensimesmado na sua ideia e na maneira de a expor de modo a convencê-la. Não lhe passara despercebido que fora a sua proposta que a fizera engasgar-se. Só não sabia se de surpresa, ou de rejeição à ideia. Não tinha sido fácil para ele tomar aquela decisão, mas agora que a tomara, queria muito que ela aceitasse, pois analisando a situação chegara à conclusão que era o melhor para a menina. 
Tinham chegado. Estacionou o carro em frente à casa dela e saiu. Isabel  também o fizera, mal ele parara o veiculo, e os dois encaminharam-se para a porta que se abriu antes que ela metesse a chave na fechadura.
- Estava a ler perto da janela, vi quando chegaram - disse Natália
-A Matilde? – perguntou a jovem.
- Dorme que nem um anjinho. Agora vou. Até amanhã.
-Até amanhã Natália e obrigada.
Ela saiu fechando a porta. Isabel voltou-se para ele.
-Entra para a sala. Já sabes onde é. Eu vou ver a Matilde e já volto.
Sentiu vontade de lhe pedir para ir com ela, mas não o fez. A criança não o conhecia, o vínculo que tinha de estabelecer com a menina,  seria demorado e teria que estar bem desperta. Entrou na sala, mas não se sentou. Minutos depois Isabel regressou. Tinha tirado o casaco, e ele admirou a figura daquela mulher que parecia tão frágil e segundo o relatório do Artur era forte como uma rocha.
-Senta-te, e diz-me então o que decidiste – disse, sentando-se num sofá.
Ele fez o mesmo no outro e inclinando-se para a frente disse:
- Bom, já sabes o que decidi, disse-o no restaurante. Penso que o melhor que podemos fazer pela Matilde, será casar-mo-nos. Tenho um bom apartamento, e uma situação financeira desafogada. Posso vender o apartamento e comprar uma casa quando ela começar a crescer, dar-lhe uma boa educação académica, prepará-la para a vida, Dirás que também o podes fazer, e a julgar pelo que fizeste com a tua irmã tenho que acreditar. Mas terás que levar uma vida de muito sacrifício. E olha para esta casa. Está a precisar de reforma, e embora por agora a possas adiar, vai chegar o dia em que terás mesmo de fazer obras.  Isso é muito caro, e não ganharás suficiente para elas e para cuidares da educação da Matilde. Não acredito no amor e tinha decidido morrer solteiro. Tu renunciaste ao casamento pela educação da tua irmã, e continuarás a fazê-lo pela Matilde. O nosso casamento seria assim como uma espécie de acordo comercial. Além do mais, depois de casados poderás requerer a adoção da Matilde e ela será legalmente filha dos dois.    
Com o nosso amor, vamos fazer dela uma pessoa feliz, e nem precisará saber das suas conturbadas origens.
-És muito generoso, - disse ela irónica. Tantas vantagens, só para mim e para a Matilde. E tu? Que exiges tu em troca de tanta generosidade?



Dois capítulos num dia?  Pois é amigos. É que eu estou muito feliz e tinha que vos contar. Meu marido não andava bem, e fez uma endoscopia há 3 semanas. Na endoscopia, o médico viu um nódulo e mandou fazer biopsia. Tenho andado com o coração nas mãos, pois como a maioria sabe, ele já teve cancro na próstata em 2010. Há meia hora telefonaram-me a dizer que tinha chegado o resultado. E o nódulo é um quisto glandular.





UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XX





- Antes de te expor a minha ideia, quero fazer-te uma confissão. Tenho um amigo, ex-investigador da Judiciária, a quem pedi para te investigar. Deves compreender que aquela carta me deixou meio maluco, pensei que estava a ser vítima de um qualquer esquema, e nem sequer acreditei na história de teres tido uma irmã que se suicidara. Desculpa, não é agradável para ninguém saber que andaram a invadir a sua privacidade, mas deves perceber a minha situação. Por outro lado, eu podia calar-me e talvez nunca viesses a descobrir que o fiz, mas para mim a sinceridade é vital. Também te digo que quando tive o resultado do teste de ADN, fiquei desconcertado, mas esse meu amigo, explicou-me como se processava e foi ele que me disse que só podia ser coisa do meu irmão.  Por razões que talvez te conte um dia, desde a escola primaria, que ele fazia asneiras e arranjava sempre maneira de passar a culpa para mim e ser eu o castigado. Foi o que fez com a tua irmã, apresentando-se como se fora eu. Provavelmente com receio de que a tua irmã descobrisse que ele era casado. E agora temos que resolver este problema. A tua irmã queria que a menina, conhecesse o pai e eu prefiro que ela acredite que eu sou o pai, a que conheça o verdadeiro.
O empregado voltou com os pratos e retirou-se desejando bom apetite.
Ricardo esperou que ele se afastasse para continuar.
- Penso que não é justo, tirar-te a criança, uma vez que seria um sofrimento para as duas, pois como disseste ela nunca conheceu outra mãe. Antes de te fazer a minha proposta, vou perguntar-te até que ponto estás disposta, a sacrificares a tua vida por ela.
- Daria a minha vida, por ela se fosse preciso, – respondeu encarando-o com firmeza.
- Era a resposta que esperava. O que te peço é bem mais simples. Casa-te comigo, e resolvemos o problema.
Ela engasgou-se. De tal modo que parecia sufocar. O seu rosto começou a ficar roxo, e era nítido que não conseguia respirar, nem sequer tossir. Rapidamente Ricardo levantou-se, colocou-se atrás dela, pôs-lhe as duas mãos debaixo dos braços, levantou-a e executou a manobra de Heimlich, fazendo com que expelisse o bocadinho de Salmão, e recomeçasse a respirar. Nessa altura já o empregado se encontrava junto da mesa, a perguntar se era necessário alguma coisa, e havia vários pares de olhos, fixos na jovem, que envergonhada, só tinha um desejo.  Tornar-se invisível. Ricardo ajudou-a a sentar-se e deu-lhe um copo com água dizendo.
- Bebe devagar. Está tudo bem agora. Desculpa, não pensei que podia provocar um acidente.
Esperou vê-la mais calma e só então voltou para o seu lugar na mesa.
- Meu Deus que vergonha! Nunca me tinha acontecido nada assim. Não conseguia respirar, pensei que ia morrer.
- Não te preocupes, pode acontecer a qualquer um. Não te apetece mais? – perguntou ao ver a posição em que ela colocava os talheres.
- Não consigo comer mais nada.
-Nem sobremesa?
- Não. Só café.


11.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XIX



Isabel acabou de aspirar a casa e preparava-se para tomar banho quando Natália chegou com a menina. Ela contou à vizinha a visita do empresário e pediu-lhe se podia ficar com a criança, para que pudesse ir jantar com ele e saber o que o homem pensava fazer. Depois deu banho à menina, vestiu-a e deu-lhe a comida. De seguida, meteu-a no parque com alguns brinquedos e foi tomar banho. Estava-se a meio de Outubro, os dias continuavam quentes, mas as noites arrefeciam bastante, e por isso vestiu um vestido preto, em lã, que se ajustava ao seu corpo e lhe estilizava a silhueta, e um casaco curto de xadrez preto e branco. Acabava de se vestir quando a campainha tocou. Faltavam ainda vinte minutos para as oito, só podia ser a vizinha, Isabel foi abrir, e Natália dirigiu-se ao parque onde Matilde se tinha deixado dormir agarrada ao ursinho de peluche.
-Deixou-se dormir. Vou deitá-la. Precisa mudar de roupa? – perguntou.
-Mudei-lhe a fralda depois do jantar, ainda não há meia hora, - respondeu.-  Vou acabar de me arranjar.
-Vá sim Isabel, não se preocupe, eu cuido dela.
Isabel voltou ao quarto, procurou uns sapatos de salto alto, calçou-os e depois sentou-se em frente do espelho, apanhou o cabelo num coque, e maquilhou levemente o rosto, acentuando um pouco as maçãs do rosto, e realçando os seus olhos cor-de-chocolate.
Quando Ricardo chegou às oito horas, Isabel não parecia a mesma mulher que ele tinha visto nessa tarde. Estava muito elegante, embora sem perder o ser ar natural. Ao olhá-la, não pôde deixar de pensar que a gata borralheira se tinha transformado numa princesa.
Saíram, e ele conduziu-a ao carro. Nervosa, ela queria saber logo o que ele tinha decidido, e mal o carro se pôs em movimento, não se conteve.
-Disse-me que precisava falar comigo…
- Falaremos disso durante o jantar. Agora se não te importas, vamos deixar o tratamento cerimonioso de lado. Já nos conhecemos, e temos em comum o futuro de uma criança para decidir. De acordo?- perguntou
-De acordo – respondeu.
Tinham chegado ao parque do restaurante em Belém. Não era um grande restaurante mas tinha uma excelente vista para o Tejo e para a Torre. Saíram do carro e Ricardo deu- lhe o braço para entrarem no local.
-Boa noite, senhor.
- Boa noite. Reservei mesa para dois, em nome de Ricardo Medina
O empregado conduziu-os para uma mesa num local discreto junto à janela, e entregou-lhes a ementa. Ela porém pousou a sua quando ele abriu a dele e perguntou:
- Tens preferência por algum prato em especial? – perguntou ele.
- Não, mas gosto mais de peixe, do que de carne.
- Então vamos ver o que há hoje de peixe; salmão no forno, bacalhau com castanhas, beringela recheada com atum, pescada gratinada em cama de espinafres, filetes de robalo com batata- doce, e medalhões de pescada com bacon. Agrada-te alguma coisa?
- Salmão no forno.
- Muito bem. Eu prefiro o bacalhau.
Fechou a lista e imediatamente o empregado se aproximou. Ele fez o pedido, escolheu um Marquês de Borba tinto, e esperou que o empregado se afastasse para iniciar a conversa.

10.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XVIII





Na semana que se seguiu, Isabel conseguiu enfim um emprego, ia começar na segunda-feira a trabalhar como secretária,numa empresa de transportes. Certo que era temporário, pois ia substituir a secretária, que se encontrava de baixa, com uma gravidez de risco. Seriam apenas onze meses, entre o tempo de gravidez que faltava e os meses de licença pós parto, mas pelo menos durante esse tempo podia respirar descansada, não fora o facto de Ricardo ter deixado uma espada suspensa sobre a sua cabeça. As últimas palavras do empresário soaram-lhe como uma ameaça. Se arrependimento matasse ela estaria morta. Porque havia de ter feito o que a irmã pediu? Porque havia de o ter procurado? Bem, na verdade, ela sabia porque o tinha feito. A irmã sempre sentira a falta do pai. E ela não queria que Matilde fosse uma reedição de Susana. Mas que seria dela, se ele resolvesse pedir a guarda da menina em tribunal? Certo que ele dissera que não o faria. Mas poderia ela confiar na sua palavra? A irmã tinha-se apaixonado e confiado no namorado. E onde é que isso a levara? Entretanto passara-se aquele fim-de-semana, a semana seguinte, e chegara-se de novo a sábado, sem que ele voltasse a dar notícias.
Naquela tarde, Isabel aproveitava o facto de Natália ter levado a menina ao parque, para fazer uma limpeza à casa. Vestia umas velhas calças de ganga, e um camiseiro que em tempos teria sido vermelho, mas que agora se apresentava bastante desbotado. Tinha o cabelo preso num rabo-de-cavalo, coberto por um lenço florido atado na nuca. Nos pés, uns chinelos já meio gastos.
Acabou de aspirar a sala, puxou o aspirador para o corredor e preparava-se para o desligar da tomada a fim de ir aspirar o quarto, quando a campainha tocou. Pensando que era Natália que voltava do parque, abriu a porta e corou ao ver Ricardo, que se encontrava do outro lado.
- Devia ter avisado, vejo que não venho em boa altura.
- De facto, costumo aproveitar a ida da Matilde ao parque para fazer estas limpezas, pois ela tem medo do barulho do aspirador.
- Precisamos falar mas posso voltar mais tarde. Porque não vem jantar comigo? Posso apanhá-la às oito horas. A ama pode ficar com a Matilde.
-Não é ama. É uma vizinha de há muitos anos que gosta muito dela e me ajuda. Se não se importa, realmente a mim dá-me jeito acabar a limpeza antes que elas voltem.
-Combinado. Volto às oito horas.
Deu a volta e foi-se embora.


9.6.19

PORQUE HOJE É DOMINGO


Um dia, uma menina estava sentada na cozinha, a observar a mãe que lavava a loiça, quando percebeu que a mãe tinha vários cabelos brancos. Intrigada perguntou:
-Porque é que tens cabelos brancos?
A mãe respondeu:
-Minha filha, cada vez que te portas mal, me fazes chorar, ou ficar triste os meus cabelos ficam brancos.
A criança, ficou pensativa por alguns instantes e logo pergunta:
-Mãe, porque é que a avó tem os cabelos todos brancos?


                                                  ********************* 

Zulmira, uma moça do campo, foi convidada para um baile na cidade. Conseguiu arranjar um vestido para a ocasião, mas não tinha cuecas. Moça desenrascada, foi ao celeiro, trouxe um saco de serapilheira, talhou e fez umas cuecas.E toda contente entrou no autocarro que a levaria ao baile. Sentou-se à vontade, de pernas abertas, deixando um homem que ia sentado na sua frente a olhar embasbacado. Irritada ela disse:
-Ai o carago! Oiça lá, nunca viu umas cuecas?
-Ver já vi...mas a dizer "ração para porcos" é que não!


                                                     *********************


Hoje cedo estava sentado na calçada da minha casa, quando passa uma vizinha e pergunta:
-Que festa foi aquela que teve aqui ontem?
-Foi um casamento!
-Que bom, e os noivos, estão bem?
-O noivo está no cemitério e a noiva no hospital.
-Que horror! O que houve?
-Nada. O noivo é coveiro e a noiva enfermeira.


                                                   *********************


O Joãozinho vai com a irmã visitar a sua avó. Lá, ele pergunta:
— Vovó, como é que as crianças nascem?
— Bem, a cegonha traz as criancinhas no bico, meus netinhos…
Joãozinho cochicha para sua irmã:
— E aí, o que é que você acha? Contamos a verdade para ela?





                                                   *********************



Uma idosa vai ao ginecologista.
Ao examiná-la o médico diz:
- Engraçado, a senhora com a cabeça toda branca e aqui em baixo tudo preto.
Resposta pronta:
- Doutor, na cabeça eu só tive ralações, e aí em baixo foi só alegria!



Para quem gosta de museus  AQUI a segunda parte da casa-museu João de Deus em S.B. de Messines.

8.6.19

UM PRESENTE INESPERADO -PARTE XVII




Três dias depois, Ricardo telefonou ao seu amigo Artur. Disse-lhe que precisava de um conselho e convidou-o para jantar com ele nessa noite.
Às oito horas, como combinado encontraram-se no café-restaurante, na mesma rua onde se situava a sua empresa. Cumprimentaram-se e depois escolheram uma mesa um pouco afastada, onde podiam conversar mais à vontade. Mal se sentaram, o empregado apareceu. Escolheram o prato e quando ele se afastou com o pedido, Artur perguntou:
- Que se passa? Descobriste alguma coisa sobre o teu irmão?
- Nem tentei. Os meus pais eram ambos filhos únicos, e uma vez que tanto eles, como os seus pais, meus avós já morreram, a única hipótese da menina ser da minha família, é ser filha dele. Não sei como nem onde, mas aqueles dois tinham que se ter encontrado. De resto, pensando na Susana pela carta de despedida que ela deixou, e conhecendo o João, diria que ambos se moviam nas mesmas águas do ódio, revolta e inveja. Acontece que eu não deixo de pensar naquela menina. É minha sobrinha e gostaria de cuidar dela e lhe dar um bom futuro.
-E porque não o fazes? Oficialmente é tua filha.
-A sua tia não ma entregaria, e eu não quero entrar na justiça. Não seria justo com elas. A menina nunca conheceu outra mãe. Já pensei abrir uma conta em seu nome e depositar uma verba para quando atingir a maioridade ir para a Universidade. Mas até atingir essa idade, ela precisa de tudo, pois segundo o teu relatório, a tia está desempregada. Que me aconselhas?
-Casa-te com ela.
-Estás doido?
-Porquê? É a solução ideal. A menina será criada pelos dois, como pai e mãe. Sei o que te aconteceu há anos, e sei o que pensas em relação ao casamento. Conheço-te desde que andavas de bibe. Mas Isabel, não é como Ivone. Não te vai convencer a casar, serás tu quem terá de a convencer. Não te irá trair, pois não tem namorado, nem é jovem de amizades masculinas, toda a gente na rua, me deu as melhores informações dela. Além disso, nenhum dos dois está apaixonado, mas ambos querem o melhor para a criança. Será um casamento de conveniência, ninguém engana, ninguém vai enganado. Acredita é o melhor que podes fazer.
- Não era essa a solução que esperava me desses.
-Eu sei. Mas se pensares bem, não é só a melhor solução. É a única, uma vez que não serias capaz de recorrer à Justiça para separares as duas. Pelo que descobri nas minhas investigações, ela é capaz de fazer qualquer sacrifício pela menina. E tu tens quase  quarenta anos, ainda és jovem, mas os anos passam a correr. Um dia começas a sentir o peso da solidão. Olha para mim. Pouco tempo depois de ter entrado na polícia, o meu colega foi morto quando procedíamos a uma investigação na Cova da Moura. Fiquei muito traumatizado.Podia ter sido eu, pois segundos antes, era eu que estava naquele sitio. Na altura pensei que o mesmo me podia acontecer a qualquer momento e que não tinha o direito de arrastar uma mulher e possíveis filhos para um tal destino. E decidi ficar solteiro. Todavia agora, dava qualquer coisa para ter uma companhia. E sabes de uma coisa? Se uma certa senhora me der uma oportunidade, não morro sem ir ao altar.
O empregado veio servi-los e os dois começaram a comer em silêncio, ambos embrenhados nos seus pensamentos.
Mais tarde, terminada a refeição, quando se despediram, Artur voltou a dizer.
-Pensa no que te disse. É a melhor solução.
-Vou pensar –retorquiu ele.



7.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XVI




 Naquela tarde, Ricardo saiu  cedo do trabalho, mas em vez de seguir para casa, dirigiu-se à casa de Isabel. Tocou a campainha e ela veio abrir com a menina ao colo.
-Posso falar consigo? – perguntou
Ela afastou-se para o deixar passar e fechou a porta nas suas costas. Encaminhou-o para a sala, e sentou a criança numa manta no chão onde estavam alguns brinquedos. A um canto junto à janela, uma tábua de engomar, um ferro elétrico, e uma cadeira com alguma roupa passada. Noutra cadeira várias peças aguardavam o mesmo tratamento.
-Sente-se, -disse indicando-lhe o sofá. Desculpe a desarrumação, mas não estava à espera de visitas.
-Vim porque recebi o resultado do ADN. Trouxe-lhe uma cópia. Como pode ver não sou o pai dessa menina, mas parece que ela é efetivamente da minha família. Aconselham-me a fazer um novo teste, para determinar o grau de parentesco, mas não o considero necessário, uma vez que tenho apenas um familiar direto vivo. De algum modo, a sua irmã conheceu o meu irmão, não sei como, nem quando, uma vez que ele casou com uma francesa há quase treze anos e vive em Bordéus.
- Mas se a Susana nunca saiu do país, como é isso possível?
- Essa é uma pergunta a que só um dos dois poderia responder-lhe. Talvez o tenha conhecido em alguma das vezes que veio a Portugal, de férias. Lamento dizer-lhe isto, mas o meu irmão não é flor que se cheire. Deve ter dado à sua irmã o meu nome por duas razões. A primeira, para que não pudesse localizá-lo e descobrir que era casado. A segunda se alguma coisa corresse mal eu seria o lesado. Nós somos gémeos e bastantes parecidos fisicamente mas não somos gémeos idênticos. Segundo um amigo meu, ex-inspetor da Judiciária, se fossemos gémeos idênticos ou monozigóticos, o resultado do ADN seria bem diferente. Eu seria considerado pai da menina, mesmo nunca tendo conhecido a sua irmã, pois ele disse-me que esses gémeos partilham o mesmo ADN. Sendo assim parece que ambos temos o mesmo vínculo familiar com a criança, ou seja, ambos somos tios dela, embora eu seja oficialmente o pai.
- E o que vai fazer com esse facto?
-Nada. Na verdade, não sou casado, não tenho filhos, nem espero vir a ter. Não sou milionário mas tenho o suficiente para não ter que me preocupar com o futuro. Não tenho outros herdeiros que os filhos do meu irmão e portanto posso perfeitamente considerá-la minha filha e fazer dela a minha herdeira. Posso dar-lhe uma vida muito melhor do que aquela que tem nesta casa.
- Mas não pode dar-lhe o principal. Amor. Esquece que ela nunca conheceu outra mãe que não eu, e que a amo como se fosse minha filha?
- Não. Nem vou lutar por ela na Justiça, fique descansada. Embora saiba que se o fizesse ganharia com facilidade. Não só porque conforme o registo sou o seu pai, como porque tenho uma boa situação económica, e a senhora nem emprego tem. Ainda não tenho uma solução mas tão logo a tenha, falarei consigo e tenho a certeza, que no interesse da criança chegaremos a um acordo.


6.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XV






Ricardo deixou-se cair pesadamente na cadeira. Ele e João, o irmão nunca se deram muito bem. Apesar de serem gémeos. A gravidez da mãe fora de risco, e as coisas não correram muito bem na hora do parto.  A mãe esteve muito mal, o pai chegou a dizer ao médico que se não fosse possível salvar os filhos, que salvasse a mãe. Felizmente os dois, eram prematuros,  nasceram saudáveis, mas a mãe esteve muito doente, e levou largos meses para se recompor. Não conseguia tratar dos dois bebés e em casa não havia dinheiro para contratar uma empregada, pois naquela época uma grave crise, se estendera por toda a Europa, e Portugal à beira da bancarrota, tivera que apelar para o FMI, a fim de conseguir sobreviver. O negócio do pai, estava quase na ruína, a maioria das pessoas, deixara de utilizar os seus automóveis, passando a utilizar os transportes públicos. A madrinha do João, que não podia ter filhos, pediu para o levar para sua casa, e os pais acabaram por o deixar ir. Os pais não  o deram para adoção, e quiseram ir buscá-lo logo que a mãe melhorou, mas a comadre convenceu-a para que o deixasse ficar mais um tempo, ela tinha melhores condições para o criar, pelo menos mais uns meses até à festa do aniversário, já que eles estavam prestes a fazer dois anos. Aconteceu que quando a mãe o levou para casa, João estava demasiado apegado à madrinha, chorava noite e dia, e ela convenceu-os a devolverem-lho com o argumento de que a criança estava infeliz, e ela podia criá-lo até ele ter entendimento para perceber as coisas.
  Não foi assim. João rejeitou os pais e tinha ciúmes do irmão. Dizia que eles  o tinham rejeitado e se tinham livrado dele ainda bebé, porque só gostavam do irmão. E estava sempre a fugir para casa da madrinha.
Na escola, fazia todos os disparates de que se lembrava para o prejudicar. Isso durou dois anos, depois a madrinha convenceu os compadres a deixarem-no definitivamente com ela,  dizendo que não era bom para nenhum dos miúdos a situação. Pouco tempo depois mudou-se para Coimbra, e embora a mãe fosse vê-lo todos os  meses, Ricardo nunca mais o viu, até ao seu regresso de Angola. Só nessa altura, soube que o irmão viera viver com os pais há quase dois anos, logo após a morte da madrinha e trabalhava num escritório de uma firma de importações e exportações. Mas também nessa altura os dois não se entenderam. João, a quem a madrinha dera uma vida de pequeno príncipe, coisa que os pais nunca lhe deram a ele, era um revoltado, continuava com ciúmes dele, e Ricardo chegou a dormir na oficina, de modo a passar o mínimo de tempo possível em casa, para evitar discussões que só serviam para fazer os pais sofrerem. Felizmente uns meses depois, João foi de férias para o Algarve, conheceu uma francesa, por quem se apaixonou, e quando ela acabou as férias, partiu com ela. Mandou mais tarde, uma carta aos pais, contando que se tinha casado lá, e estava a trabalhar com o sogro.
Nos últimos doze anos, Ricardo poucas vezes o viu. Quando o pai morreu, ele veio de França com a esposa, e resolveu levar a mãe com ele. Claro, era uma empregada a quem não teriam de pagar.
Depois disso, só voltara a vê-lo em Bordéus quando fora ao funeral da mãe. Desde aí não sabia nada dele, nem sequer se vinham ou não de férias, embora a mãe, antes de morrer, lhe tivesse dito, numa das conversas telefónicas, que ele lhe fazia semanalmente para saber como estava, que o compadre, tinha oferecido à filha uma casa em Campolide, para passarem férias. No funeral da mãe, conhecera a cunhada, bem como os dois sobrinhos, mas não sentiu por eles qualquer empatia.
 Por muito que lhe custasse a acreditar, o amigo tinha razão. Os seus pais eram ambos filhos únicos, pelo que ele não tinha nenhum outro familiar direto que não fosse o João. Mais uma vez o irmão fizera asneira e o culpara a ele.

5.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XIV







- Mas não era. Vi uma foto dela e era muito bonita. Talvez esteja a extrapolar, mas uma coisa que aprendi durante o tempo que estive na Judiciária, é que não se pode descartar nenhuma hipótese, por mais estapafúrdia que seja, até provarmos que não tem nada a ver com o assunto. E se o resultado deu negativo, mas é compatível com um familiar, tens que pensar nessa hipótese.
-Mas se vive em França! E depois mesmo que viesse a Portugal decerto viria com a família, e eu teria sabido.
-Talvez. Mas eles não andariam todo o dia atrás dele, e se ele estava a fazer-se passar por ti, faria tudo para que não soubesses que estava em Portugal. Repara, todos nós herdamos 50% do ADN de cada um dos nossos pais. Para um teste de paternidade, não é necessário o ADN da mãe como te devem ter dito. Apenas o do possível pai e da criança. O laboratório, procede então à análise dos dois. A lei diz que terão que se utilizar no mínimo 19 marcadores de cada um para se chegar a um resultado. Quase todos os laboratórios usam bem mais, alguns chegam quase aos 50. Estes marcadores são comparados entre os indivíduos que estão a fazer o teste.  Um resultado de 100% o indivíduo é o pai, zero por cento, não é. Mas supõe que o ADN da criança e o do alegado pai apresentam uma correspondência de por exemplo 50%? Isso quer dizer que o sujeito não sendo o progenitor é um familiar direto. Avô, tio, ou irmão. Provavelmente foi esse o resultado, obtido no teu teste. Sabias que se o possível pai está em parte incerta, ou já morreu, eles podem dizer se era ou não o progenitor duma criança, comparando os marcadores do ADN da mesma, com o ADN do pai, irmão, tio, ou até mesmo de um primo do desaparecido?
- Não fazia ideia. Pensava que o resultado seria positivo ou negativo e nada mais. É a primeira vez que me vejo nesta situação. Meu Deus até agora estava convencido que não tinha com que me preocupar. O que é que eu vou fazer, se a tua desconfiança estiver correta?
-Usurpação de identidade é crime, punido pela Justiça. Porém não podes provar que ele o fez, pois segundo esta cópia, o registo foi efetuado pela mãe da criança. Ele poderá alegar, que a jovem fez confusão com os nomes e ele nem sequer estava em Portugal na data do registo, para tomar conhecimento disso. Apenas podes como te disse requerer a impugnação de paternidade. E agradece a Deus, o facto de vocês não serem gémeos idênticos, ou monozigóticos, porque se o fossem o resultado seria bem diferente. Essa classe de gémeos, partilham o mesmo ADN. Logo o resultado seria de que eras o pai, ainda que nunca tivesses visto a rapariga. Se eu estou certo, e estarei, a menos que tenhas outro familiar, que eu desconheço,não necessitas fazer outro exame, a miúda é tua sobrinha.
-Santo Deus! O que vou fazer agora?
-Podes como te disse, recorrer para a Justiça e pedir a impugnação do registo.  E denunciar o teu irmão.
- De modo algum. Coitada da criança, mais lhe valera não ter pai, do que ter aquele traste. Sei que não devia falar assim, mas aquele tipo, tira-me do sério.
-Bom; Penso que não te posso ajudar mais. Se precisares de mais alguma coisa, telefona-me.
-Obrigado. Manda-me a conta e eu te enviarei o cheque.
-Esquece. Não tinha nada para fazer e sabes de uma coisa? Gostei de conhecer a ama da menina. Uma mulher inteligente e muito simpática. Talvez me aventure a passar pelo parque de vez em quando – disse sorrindo
Levantou-se e estendeu-lhe a mão que Ricardo apertou com firmeza. Dirigiu-se à porta e saiu deixando atrás de si, o amigo completamente destroçado.


4.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XIII






-Há uns dias fui surpreendido com uma carta muito estranha – disse abrindo a gaveta e retirando a carta que entregou ao investigador. - Com a carta veio esta cópia de registo de nascimento, de uma menina. Como podes ver,  registada como minha filha. Não sei o que pensar porque de uma coisa eu tenho a certeza absoluta. Não conheci essa tal Susana e não sou o pai da miúda. Decidido a prová-lo fiz o teste do ADN. Chegou hoje o resultado, e como eu tinha a certeza, confirma que não sou pai da criança. Mas acrescenta que posso ser um familiar direto e aconselham-me a repetir o exame, para determinar o grau de parentesco. Tinha anunciado à tia da miúda que ia impugnar o registo logo que recebesse o resultado do teste de ADN e agora não sei o que fazer. Se a criança é da minha família não quero abandoná-la a uma vida de privações, quando eu tenho mais do que o suficiente para o resto da minha vida.
Passou o relatório do laboratório ao amigo que o analisou cuidadosamente:
 - De posse do resultado deste teste, podes pedir a impugnação judicial, do teu nome no registo da criança,  apresentando um requerimento fundamentado neste resultado. É melhor arranjares um advogado, ele te aconselhará como deves fazê-lo. Provavelmente o juiz pedirá um novo teste num laboratório indicado pelo tribunal. Acontece que se o resultado se mantiver, a criança é sem dúvida um familiar teu. Por outro lado, se a amiga dessa Susana, que frequentava a Universidade com ela, te reconheceu na foto que lhe mostrei, a pessoa em questão terá que ser uma pessoa muito parecida contigo.
- Mas não sou eu. Eu nem sequer sabia da sua existência, juro.
-  Acredito. De repente passou-me uma ideia pela cabeça. Pode ser maluquice, mas …
- Desembucha, estás a pôr-me nervoso.
-  Tu juras não ter conhecido a mãe da criança, mas ela estava convencida do contrário. Por outro lado, se não te conhecia como sabia o teu nome completo, a freguesia onde nasceste e todos os dados que estão nessa cópia de registo?
-Como hei de saber? – disse Ricardo levantando-se e caminhando até à janela. – Não sou adivinho.
E no entanto só há uma hipótese. Alguém namorou com ela em teu nome e lhe deu os teus dados. Por outro lado atendendo a esse resultado, tinha que ser alguém da tua família e bastante parecido contigo. Diz-me uma coisa? Quando foi a última vez que o teu irmão esteve em Portugal?
Ricardo voltou-se repentinamente.
- Que queres dizer com isso?
- Não me dirás que não é o tipo de coisa que o teu irmão costumava fazer.
- Sim, claro, mas na altura era um miúdo. Agora é um homem, casado e com família. Por pouca simpatia que me tenha, não teria como fazer isso. Depois a Susana era uma miúda. Quase podia ser filha dele. 


3.6.19

NOTÍCIAS

Boa tarde amigos:

Fui logo de manhã para Lisboa, fazer exames. Fui à consulta e foram-me tirados três dos cinco pontos que tinha. O Professor disse que a córnea está a recuperar mas muito lentamente. Está ainda distante de poder ser marcada a nova cirurgia. Reforçou o tratamento que já estava a fazer, com mais uma pomada para por à noite, e umas gotas novas que ele me disse serem água do mar, e disse-me que se fosse à praia para lavar bem os olhos que a água do mar é excelente para a córnea. E parece que a minha córnea, só tem duas velocidades. Devagarinho, devagarinho. E vou repetir os exames a 5 de Julho.
Posto isto, passei pela farmácia a aviar os novos medicamentos e pedi se me aviavam uma boa dose de paciência , mas a menina disse-me que estava esgotada. Esgotou-se durante a recente campanha eleitoral.
Provavelmente não visitarei ninguém hoje, cada vez que o olho é mexido fico com dores.

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XII




Glória, a sua secretária veio arrancá-lo, dos seus pensamentos . Um dos seus melhores clientes queria um carro para a próxima semana. Como sempre com motorista, mas desta vez queria o Lamborghini. 
- E já verificaste se não há nenhuma reserva anterior? – perguntou.
- Não há. Só no domingo para o casamento. Então faz a marcação conforme é costume. E avisa o motorista que habitualmente transporta o cliente.
A secretária saiu e ele foi verificar o correio eletrónico, já que vários dos seus clientes usavam esse meio para fazerem as reservas. O negócio estava cada vez melhor. Até estava a pensar comprar mais dois carros no final do ano, ou princípio do próximo. Muitos clientes, especialmente os estrangeiros, preferiam o aluguer de um carro de luxo, sempre que necessário, em vez de o comprarem. Alguns nem tinham carta de condução, teriam que investir no carro e contratar um motorista. Era uma despesa enorme. Assim, tinham o privilégio de poderem mudar de marca cada vez que faziam um novo aluguer.
O curso de gestão de empresas, dera-lhe a oportunidade de gerir a sua própria empresa, todavia o que mais o apaixonava, era a mecânica, e a condução. Ainda há dois meses tinha levado um casal a Coimbra, quando o motorista que os deveria transportar, estava de licença por nascimento do primeiro filho e todos os outros estavam ocupados.
Uma semana depois, Ricardo tinha o resultado do teste, mas estava mais confuso que nunca. Porque embora o teste fosse claro no resultado de que ele não era o pai da menina, a compatibilidade com a criança era grande e aconselhavam um novo teste para determinar o grau de parentesco.
Sem saber que pensar, telefonou ao seu amigo Artur pedindo-lhe para passar pelo seu escritório. Este disse-lhe que já tencionava visitá-lo nesse dia pois  acabara a investigação que ele lhe pedira.
Uma hora mais tarde os dois estavam reunidos, e Ricardo lia o relatório que o investigador lhe entregara, enquanto este esperava calmamente a reação do empresário.

-Não é possível. Como é que chegaste a esta conclusão? Eu nunca saí com essa tal Susana. Na verdade até tinha as minhas dúvidas de que ela tivesse realmente existido. 
- Mas existiu. E segundo a sua melhor amiga, ela namorou com um tipo cuja descrição encaixa perfeitamente na tua pessoa. Acredita que fiquei muito surpreendido. Então mostrei-lhe aquela foto do jantar de aniversário do Sérgio, em que tu estás com ele e os restantes rapazes a festejar. Perguntei-lhe se o namorado da Susana era algum dos homens da foto e ela apontou para ti sem hesitar. Não sei o que aconteceu, mas  se me disseres o que se passa, talvez possa ajudar-te.




AQUI está mais um pouco do que andei fazendo pelo Algarve. espero que vos agrade

2.6.19

PORQUE HOJE É DOMINGO

                                             

No Alentejo

Um Lisboeta, todo envaidecido com o seu automóvel abranda e diz para um alentejano que seguia pachorrento na sua carroça:
-Ei, amigo, sabe qual é a diferença entre a sua carroça e o meu automóvel?
E como o alentejano se limitasse a olhá-lo com ar sonso, disse:
É que a sua carroça, só tem um cavalo e o meu carro tem 150.
E acelerou. Com tão pouca sorte que logo adiante despistou-se e caiu ao rio.
O alentejano saiu da carroça e foi ajudá-lo a sair perguntando:
-Então compadre foi dar de beber aos seus cavalos?



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Na escola
O professor pergunta a um dos alunos
- Joãozinho, quem nasce na Bahia é?
-Baiano.
-Quem nasce em Minas Gerais?
-Mineiro.
-E que nasce no Rio?
-Peixe!



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Na Sacristia

Terminada a missa dominical, um paroquiano apresenta-se na sacristia:
Desculpe Sr. Prior, mas por engano coloquei na bandeja do ofertório 50€ em vez de 5. Pode devolver-me a diferença?
- Não meu filho, o que se dá a Deus não se pode tirar.
- Bom, espero que pelo menos me reconheça no Céu um saldo de 45€.
Também não, meu filho! No céu o que conta é a intenção. E tu tiveste a intenção de oferecer apenas 5 €.

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O burro morto

Um burro morreu bem em frente de uma igreja. Como uma semana depois o corpo do burro ainda lá estava, o padre resolveu reclamar com o presidente da Câmara.
- Presidente está um burro morto em frente da igreja há quase uma semana!
 O presidente, adversário político do padre responde:
- Mas, padre, não é o senhor que tem a obrigação de cuidar dos mortos.?
- Sim sou eu, -respondeu o padre sem perder a serenidade. - Mas também é minha obrigação avisar os parentes.




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Num palácio de um país com monarquia.

Um duque e um conde, conversam sobre o amor. Será que fazer amor é um trabalho, ou um prazer? Os dois eram de opinião diferente, Para o conde era um trabalho, para o duque, um prazer. Então o conde teve uma ideia, para desempatarem a questão.
Chamou o seu secretário e perguntou-lhe:
-Olha lá, fazer amor é um trabalho, ou um prazer?
-É um prazer senhor conde, -respondeu o secretário.
-Tens a certeza? - Insistiu o conde.
-Absoluta senhor. Cá em casa, sou eu que faço tudo. Se fosse um trabalho era eu que dormia com a senhora condessa,



Bom, amigos; estes dias de calor intenso têm sido horríveis para os meus olhos.
Amanhã vou fazer novos exames, e tirar os 5 pontos que me restam. depois o médico dirá quando será a nova cirurgia.

1.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XI



 Porém o namorado tinha regressado dois meses depois do casamento e não pretendia desistir dela nem do filho. E ela só se mantivera em casa durante aqueles meses, enquanto arranjavam casa e a preparavam para se mudar. Terminava pedindo-lhe que a perdoasse e que não lhe dificultasse o divórcio.
Perdoar? Como é que um homem podia perdoar a mulher, que fez dele motivo de chacota para o bairro inteiro? Um misto de sentimentos tomou conta dele. Raiva, vergonha, humilhação. Como era possível ter sido tão trouxa? Mais uma vez, valeu-lhe a compreensão dos pais, que o ajudaram e apoiaram até ao divórcio. Depois ele sentiu que tinha de partir por uns tempos. Queria afastar-se de amigos e conhecidos, que disfarçavam sorrisinhos de gozo quando o viam. Assim, quando soube que uma firma estava a pedir mecânicos para Angola, foi lá e não lhe foi difícil conseguir um bom contrato por cinco anos. Partiu pois numa manhã de Março, poucos dias antes de fazer vinte e dois anos, deixando a mãe lavada em lágrimas. Porém o pai compreendeu e apoiou-o. Apesar da sua pouca idade Ricardo era um excelente mecânico. Desde menino sempre gostara de mexer nos carros e quando saía da escola, em vez de ir jogar à bola com os outros miúdos do bairro, ia para a oficina do pai, ver como ele trabalhava, aprendendo a conhecer o canto do motor, e o significado de cada uma das suas desafinações. Depois já adolescente, trabalhou durante as férias escolares na oficina, e mais tarde todo o tempo que durou o seu casamento. Tinha por isso um bom conhecimento do trabalho, era aplicado, e simpático e em breve ganhou a simpatia do patrão, e dos colegas. Apesar do fascínio que África exercia sobre ele, Ricardo fazia uma vida recatada, gastando apenas a pequena parte do ordenado necessário à sua sobrevivência e transferindo para Portugal tudo o que a firma lhe permitia. Já nessa altura tinha o sonho de criar uma firma de aluguer de carros de luxo.
Terminado o contrato, regressou a Lisboa, apesar do vantajoso prolongamento do contrato, que a empresa lhe propunha  . Tinha quase vinte e sete anos, a cabeça cheia de sonhos, mas nenhum de amor.
Alugou uma pequena garagem, comprou o seu primeiro carro que lhe levou grande parte do seu pecúlio, e anunciou na Internet o aluguer do mesmo. Começou sozinho, com um único carro, sendo mecânico e motorista. Foi um êxito, as encomendas eram superiores ao que ele pensava, e assim ao fim de um ano, comprou o segundo, e contratou o seu primeiro motorista, Sérgio, que mais que um empregado era um verdadeiro amigo. Os anos foram passando, o negócio prosperando cada vez mais, e agora doze anos depois, ele tinha uma dúzia de carros de luxo, e dez motoristas-mecânicos que podiam conduzir os clientes a qualquer parte, mas estavam aptos a reparar de imediato o carro se surgisse alguma anomalia. 
De súbito voltou-lhe à memória aquela criança e o imbróglio em que o tinham metido. Mas ele iria exigir a retirada do seu nome do registo dela, logo que tivesse em mãos o resultado do teste de ADN. E só não exigiria uma indemnização, porque pelo que viu daquela casa, a mãe, ou tia da criança não teria como a pagar.
Estava desejoso, que o seu amigo Artur lhe trouxesse o relatório da investigação que estava a fazer.

31.5.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE X



No dia seguinte, encontraram-se no laboratório, fizeram o teste e separaram-se quase sem se falarem. O resultado demoraria uma semana, e ele não pensava voltar a vê-la antes disso.
Ricardo seguiu para a sua empresa um tanto atónito. Tivera ocasião de ver a criança enquanto esperava para fazer o teste, e sentira-se impressionado com os seus olhos cinzentos, o cabelo negro e a cor morena. Não se parecia nada com a mulher, fosse ela tia, como dizia, ou mãe, como a criança lhe chamava.  Ele continuava muito desconfiado em relação aquela história. No entanto para ser sincero, diria que a criança se parecia bem mais com ele, do que com ela. Apesar disso estava de consciência tranquila. Não que ele não tivesse as suas aventuras, Mas nunca se envolveria com uma ninfeta, por muito bonita que fosse. Ele gostava de mulheres mais velhas. E além disso, tinha uma regra de ouro, que nunca, em circunstância alguma, quebrava. Nunca fazia sexo sem preservativo, ainda que a mulher lhe jurasse que tomava a pílula ou tinha o DIU. Podia estar com uma mulher muito bonita, e muito excitado,  mas se não tivesse um preservativo com ele, arranjava qualquer pretexto, ia para casa e tomava um banho gelado. Depois do que Ivone lhe fizera, ficara vacinado. Relembrou aquela história, que condicionou todo o seu futuro e ainda hoje, lhe doía. 
Na altura em que a conheceu, tinha apenas vinte anos, era "um miúdo" com as hormonas em ebulição e nenhuma experiência de vida.  Ivone, era tão linda quanto pérfida. Era apenas três anos mais velha, mas sabia mais da arte de sedução que muitas mulheres aos quarenta. Resultado, dois meses depois ela comunicou-lhe que estava grávida, e ele ficou louco de felicidade e pediu-a em casamento. Na altura, ainda nem tinha terminado os estudos, não tinha emprego, nem sabia como ia sustentar uma família, mas estava completamente fascinado por ela, de tal modo que o seu pai, propôs-lhe fazer o casamento e assumir as despesas com a sua casa, em troca dele ir trabalhar para a oficina e terminar os estudos à noite.
Porém logo depois de casados, Ivone deixou cair a máscara. Queria sair quase todas as noites e clamava que ele nunca estava disponível para isso e que se sentia como ave numa gaiola. Uma noite ainda não tinham dois meses de casados chegou a casa e não a encontrou. Sem saber onde a procurar esperou o seu regresso. Ela chegou quase à uma da manhã. Veio acompanhada por um casal, mas ainda assim ele não gostou de que tivesse saído e tiveram a primeira discussão séria. Depois dessa vieram outras, a sua vida transformara-se num inferno que ele só suportava por causa do bebé.  Seis meses mais tarde, já nem estranhava quando chegava à casa depois das aulas e não a encontrava. E estava tão cansado, que raramente dava pela sua chegada. Com a desculpa de que a gravidez a incomodava e não lhe dava qualquer prazer a intimidade, ela fizera com que ele fosse dormir para o sofá da sala. E já quase não se viam. Ele levantava-se cedo para ir trabalhar, almoçava com o pai, e no fim do dia quando ia a casa tomar banho e mudar de roupa para ir para as aulas, ela já não estava em casa. Por vezes sentia tanta raiva que lhe apetecia partir tudo. Outras ficava completamente indiferente. Às vezes surgia-lhe a ideia peregrina, de que tudo aquilo eram humores de grávida e que a situação mudaria quando o bebé nascesse e ele terminasse o curso. Teriam mais tempo um para o outro e a chama voltaria a acender-se. Por essa altura o casamento já tinha acabado há muito, só a sua ingenuidade ainda lhe dava esperanças.
Até que numa noite, ao ir deitar-se encontrou no sofá uma carta de Ivone. Nela lhe informava que ia partir com o homem da sua vida, o pai do seu filho. Dizia-lhe que nunca o amara, mas estivera três meses sem notícias do namorado, que se tinha ausentado do país. Ela pensara que ele a tinha abandonado. Como estava grávida, precisava de um pai para o seu filho, e dada a sua ingenuidade, não tinha sido difícil convencê-lo que o filho era dele.



E aqui temos o primeiro bocadinho da minha recente visita ao Algarve.  Se estiverem interessados em saber o que andei a fazer, vão até lá