Com todos os cuidados que lhe dispensavam, Teresa sentia-se agora mais
confiante, embora como toda a grávida de risco, continuasse com um certo receio
que, no entanto, tentava afugentar com a leitura, ou a música.
As enfermeiras, eram simpáticas e muito profissionais.
Estavam sempre atentas aos seus mais pequenos gestos, zangavam-se quando não
queria comer tudo, e mimavam-na quando acontecia o contrário, fazendo-a
recordar os cuidados da mãe quando ela era criança. Por vezes tinha vontade de
se insurgir, mas ao lembrar-se dos três bebés que tinha no ventre e das
advertências médicas, engolia a revolta e fazia o que lhe mandavam.
Com os comprimidos para o enjoo, as náuseas eram agora mais
raras, e assim foi ganhando peso, e a cor voltou ao seu rosto, antes sempre
lívido.
Continuava com muito sono, levava grande parte dos dias a
dormir e dava graças por isso, porque fazia com que o tempo de imobilidade não
lhe parecesse tão longo.
A cozinheira da empresa confecionava os almoços e jantares
durante a semana, para o patrão e as enfermeiras, e ao fim de semana, as
refeições vinham de um restaurante próximo. As suas continuavam a ser
confecionadas pelas enfermeiras que seguiam rigorosamente as indicações da
médica. João estabelecera uma certa rotina que consistia em ele comer na hora
em que ela o fazia, e passar depois todo o tempo em que as enfermeiras se
ausentavam para comer, junto dela.
Interessava-se por saber como se sentia, falava-lhe do seu
trabalho, contava-lhe episódios mais ou menos engraçados do seu dia a dia, e
Teresa deu por si a desejar essas horas em que estavam os dois sozinhos em
ameno convívio.
Olga ia vê-la todas as manhãs e levava sempre um ramo de
flores com que lhe alegrava o quarto. Inês também fora vê-la duas vezes e numa
delas no último fim de semana, levara Martim, o que muito a alegrara pois
adorava o afilhado.
E assim se passaram os dez dias e naquela manhã era dia de
voltar ao hospital, para avaliar da sua recuperação.
Pouco antes das onze horas, João parava junto da
porta do hospital, onde se faziam as consultas externas, para que Teresa e Sandra saíssem e ia depois estacionar o
automóvel. Pouco depois juntava-se-lhes na sala de espera, onde a duas
aguardavam pela consulta que a médica marcara para aquela hora. Vinte
minutos mais tarde, Teresa foi chamada.
A médica admirou-se com a diferença operada na jovem, mas
antes de a observar mandou-lhe ir fazer uma série de análises. Sempre
acompanhada pela enfermeira Sandra, deslocou-se ao laboratório do próprio
hospital, fez os exames e regressaram à sala de espera junto ao gabinete para
aguardar os resultados.
Então Teresa ligou ao empresário avisando que provavelmente
a consulta demoraria, e que talvez ele tivesse trabalho urgente no escritório,
elas podiam regressar de táxi, mas ele respondeu-lhe que nada era mais
prioritário na sua vida do que ela e as crianças que esperava.
Felizmente as análises não foram muito demoradas, já que
meia hora depois, a médica voltava a chamá-la.
- As suas análises estão ótimas. Não há qualquer vestígio
de infeção, nem de diabetes e a anemia desapareceu. Vamos pesar?
Recuperou peso, mas ainda está abaixo do normal para uma
grávida da sua altura, – disse ao verificar o peso. Como é que estamos de
náuseas? Melhorou com os comprimidos?
-Muito, embora os vómitos não tenham parado por completo.
- Os vómitos vão parar em breve. Está com oito semanas, muito
raramente eles persistem depois das doze semanas. Vamos deitar e preparar para
fazer uma ecografia.