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17.11.20

NOTÍCIAS

 


Boa tarde amigos.

Estou de volta. Na consulta de hoje foi-me dito que o olho não apresenta inflamação mas que devo continuar com o tratamento intenso que tenho estado a fazer por mais uma semana.  Também me foi dito que a retina está bem, mas que ela tem um anel de silicone, que só poderá ser removido +ou- dois meses após a remoção dos pontos da córnea, se depois de mos tirarem a retina não correr risco de voltar a descolar. Como vou tirar os pontos a 17 de Fevereiro, marcou a nova consulta da retina para início de Maio. "E se nessa altura houver risco para a retina? " perguntei. "Nesse caso terá de ficar com o anel e continuará a ser seguida regularmente"

Gente, não sou de choros, mas confesso que tive vontade de chorar. Fui operada a este olho no dia 4 de Fevereiro de 2019. Depois disso já sofri quatro operações. E ainda corro o risco de ter de ficar com o anel e estar sempre em vigilância. Que Deus me ajude. 

11.11.20

NOTÍCIAS




Boa tarde amigos :

Como sabem fui hoje à consulta de oftalmologia, no Hospital de Santa Maria, por causa do transplante de córnea feito em Fevereiro. 

Como sabem também eu estou a ver muito mal, segundo os médicos porque tenho um astigmatismo muito grande, segundo eles por causa dos muitos pontos que tenho. Pois hoje a médica reiterou que os pontos são  tirados ao fim de um ano, mas depois de me observar disse que eu tinha 5 pontos muito apertados e portanto mos ia retirar hoje para ver se a situação melhorava.  Portanto tirou-mos e receitou um antibiótico e um anti-inflamatório para fazer  cinco x ao dia cada um, durante duas semanas.

 Do outro olho disse-me que está bem e a única coisa que notava era o olho muito seco e portanto disse-me para por lágrimas várias vezes ao dia . E marcou consulta para 17 de  Fevereiro para retirar todos os outros pontos. Entretanto na próxima Terça feira, tenho consulta também lá com a equipa que me fez a cirurgia de colagem de retina, que me deve dar alta , pois na consulta de Agosto, disse-me que a retina estava boa e que se estivesse assim em Novembro me dava alta e hoje foi-me dito que a retina continua bem.

E pronto desculpem hoje não farei visitas tenho estado com dores nos olhos.


A todos um enorme obrigado pelo vosso apoio.

18.9.20

NOTÍCIAS




 Fui de manhã cedo para Lisboa, pois tinha uma consulta em Santa Maria às 8,45 com a médica que me fez o transplante . A consulta inicialmente fora marcada para 16 de Setembro mas ainda em Agosto recebi uma remarcação para o dia 18. Primeiro por email, e depois por carta. O marido não pode entrar no hospital, por causa do covid, só deixam entrar acompanhantes de crianças, ou deficientes físicos ou mentais. De modo que ele costuma ficar no parque mas hoje chovia a bom chover, teve que ficar sob o alpendre do hospital, enquanto eu ia à consulta que esperava ser breve, pois tinha feito imensos exames o mês passado não esperava mais nada hoje que a consulta. Quando vou marcar a consulta dizem-me que não tenho consulta hoje, a consulta foi no dia 16 e a médica registou que eu faltei à consulta. Mostro a mensagem e a carta e a funcionária, diz-me:  

-Mas quem lhe mandou isso? Não há aqui nenhum registo de alteração de consulta

-Pois não sei minha senhora, só sei que recebi, como pode comprovar. 

Ela olhou a carta que eu pus em cima do balcão e diz:

-Não sei como isto foi possível,  se a sua médica às Sextas dá consultas no Polido  Valente. Bom vou marcar-lhe uma consulta para quarta-feira-

-E não há nenhuma hipótese de eu ser consultada hoje por outro médico? Moro longe apanho uma série de transportes, para aqui chegar e é-me difícil a deslocação.  

 -Suba ao primeiro andar, fale com a doutora Carla que é a secretária do diretor, pode ser que lhe arranje outro médico eu não posso fazer nada.

-Subi, mas como não sabia quem era a doutora Carla falei com a funcionária que estava a chamar os doentes  e disse-lhe o que se passava. Uns 5 minutos depois ela vem com outra senhora que me perguntou o que se passava e eu convencida que fosse a tal secretária expus-lhe a situação. Ela levou a carta e 20 minutos depois disse-me para descer à secretaria  e pedir para entrarem em contacto com a médica que ela estava no hospital. 

-Mas, lá disseram-me que a doutora Ana Quintas  hoje ela está no Polido Valente! 

-A minha informação é de que está cá.  mas vou confirmar. 

Mais 20 minutos de espera e ela volta com a confirmação e manda-me para a secretaria.  volto a descer e lá a empregada extremamente antipática diz;  

-Eu já lhe disse que a médica está hoje de serviço no Polido Valente. E eu mandei-a falar com a doutora Carla, não com uma colega qualquer que não sabe o que diz. Volte lá e fale com a doutora se quiser ser atendida hoje, senão marco-lhe a consulta para outro dia. (Só faltou perguntar se eu queria que me fizesse um desenho)

-Mas eu não conheço a doutora Carla, pensei que tinha falado com ela.  

-Mas não falou e decida-se que eu estou aqui a trabalhar não a brincar! 

-E eu estou nesta situação por causa de um erro vosso. De qualquer modo obrigado pela sua gentileza.

 Voltei ao primeiro andar e falei com outra funcionária que me levou ao gabinete da doutora Carla que foi falar com o dr. Paulo Guerra chefe do serviço e o médico que me fez os exames e me inscreveu na lista de espera para o transplante que disse que me consultava no fim das consultas dele. Resultado saí  do hospital era quase meio dia, nervosa, cansada e zangada.


Duas informações:

Telefonaram-me à bocadinho da Worten , informando que o meu pc já está na loja. Vamos ver se consigo que o filho ou a nora o vão buscar amanhã ou domingo.

E o capítulo de hoje de Ciladas da Vida está aí logo abaixo.

30.3.20

DIVIDA DE JOGO - PARTE XIX



As semanas foram passando, uma após outra, mais de quinze, sem nada de relevante na vida de Eva,  a não ser os enjoos matinais que foram decrescendo de dia para dia até que acabaram por desaparecer. Os seus seios estavam  maiores e mais arredondados, a cintura um pouco mais larga, os olhos tinham um brilho diferente. Transformações normais, quando uma mulher está grávida. Novembro chegara ao fim, faltava menos de um mês para o Natal, havia a alegria e azáfama própria da quadra, mas ela sentia-se cada dia mais triste. No dia seguinte faria quatro meses, que André partira, e continuava sem notícias dele.  A sua única alegria, era pelo filho que trazia no ventre, e que já amava de todo o coração. Naquela tarde, pela primeira vez sentira o bebé mexer-se, e isso encheu o seu coração de alegria.
Ficou tão contente, que antes de chegar a casa, passou por uma loja de artigos de bebé, e comprou as primeiras roupinhas. Abriu a porta, e quase desmaiou de susto ao ver André na porta da cozinha.
- Hoje demoraste “cara mia” – disse tentando abraçá-la.
 Afastou-se furiosa.
- O que estás a fazer aqui? Como é que entraste?
- Pela porta. Esqueceste que tenho uma chave? Voltei Eva. Sei que deves estar zangada, mas agora já tudo acabou. Vim para me explicar.  
- Gostava que o tivesses feito antes de partires. Agora já não estou interessada.
 Empalideceu o rosto masculino? Ela diria que sim.
- Não estás a ser justa “amore mio” Se há coisa de que te dei provas, foi do meu amor.
- Pára de me falares em italiano. Sabes quanto tempo esperei por notícias tuas? Quase quatro meses. Dias em que esperei hora a hora, minuto a minuto, um telefonema, um postal, um “e-mail”, qualquer coisa, que me desse a certeza de que não tinha sido um brinquedo para ti. Noites em que não dormi, porque queria acreditar em ti e o desespero do teu silêncio não me deixava   - terminou num soluço.
Em duas passadas, André estava junto dela e abraçava-a com carinho.
- Eu sei que tens razão, Eva. Mas deixa que me explique. Por favor.
Tirou-lhe o saco da mão, que colocou em cima da mesa, despiu-lhe o casaco,  e empurrou-a suavemente para o sofá.
- Lembras-te que te disse no início, que tinha chegado a Portugal havia pouco tempo, e poderia em breve estar noutro país? Deverias pensar que era um aventureiro e que o fazia de moto próprio. A verdade é que tinha de o fazer por causa da minha profissão.
- A tua profissão? Jogador profissional? Grande profissão, - disse irónica.
- Jogador profissional sim, mas como disfarce. A verdade é que fui até há dois dias polícia. Mas não um polícia qualquer. Era  Agente Especial Internacional.
- Agente Especial? Como o James Bond? – perguntou incrédula, embora desejasse parecer irónica
Ele sorriu encantado com a ingenuidade dela.  
-Não querida, não ando por aí a saltar de aviões de arma na mão, a caçar espiões.
O meu trabalho era descobrir as quadrilhas ligadas aos cartéis da droga, ou da venda de armas, que fazem lavagem de dinheiro nos grandes casinos de todo o mundo.


24.2.20

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE XLII





- Mas tu és um homem famoso e muito rico. Como podes querer alguma coisa comigo? Não tenho mais que este pedaço de chão, esta casa, e a minha arte, que se me dá para viver não me deu fama, nem fortuna. Nem sequer sou uma beleza, como as mulheres com quem decerto estás habituado a conviver.
- Subestimas-te querida. Embora digas que não és uma beleza, és uma mulher muito bonita. O que acontece é que nunca te preocupaste muito com a tua aparência.  Tenho a certeza, de que bastará um pouco de maquilhagem, um novo penteado, e um tipo de roupa diferente, para que o patinho feio que julgas que és, se transforme num cisne esplendoroso, capaz de deixar qualquer uma dessas mulheres de que falas, cheia de inveja.
E para que saibas, um homem não procura só beleza na mulher dos seus sonhos, embora isso ajude muito numa primeira impressão. A minha falecida esposa, era uma mulher de grande beleza e nunca me fez feliz.
Agora chegou a hora da despedida. Conversei com a minha irmã, contei-lhe o que se passou e expliquei-lhe porque não dei notícias. E pedi-lhe para informar a polícia. Levas-me até à vila? Lá alugarei um carro que me leve a casa. Estou ansioso por ver a minha filha, mas já parto com saudades tuas.
Com dois dedos levantou-lhe o queixo e baixando a cabeça apoderou-se da sua boca, pondo naquele beijo toda a paixão que ela lhe despertara.
Ela enlaçou-lhe o pescoço e retribuiu com a mesma intensidade. Quando por fim ele a afastou, ela murmurou baixinho escondendo o rosto no seu peito.
- Faz amor comigo.
Ele afastou-a e mergulhou o olhar cheio de desejo nos doces olhos castanhos.
-Tens a certeza de que é isso que queres?
-Sim - balbuciou voltando a enlaçar-lhe o pescoço, o rosto corado, os olhos brilhantes de desejo. 
Então ele pegou-lhe ao colo e levou-a para o quarto.
Horas depois, despediam-se numa rua da vila.
-Vou manter-me em contato. E aguardar ansioso pela tua resposta.
Agora mais do que nunca, tenho a certeza dos meus sentimentos, e de que quero que faças parte da minha vida.
- Telefona-me esta noite. Quero saber como te sentes depois de reveres a família - respondeu Luísa abraçando-o.
As mãos dele afagavam-lhe os cabelos, os dedos roçando-lhe os lóbulos das orelhas. No seu olhar o desejo misturava-se com uma imensa ternura.
-Amo-te Luísa. Não te quero pressionar, mas por favor não me faças esperar muito!
Então os seus lábios desceram sobre a sua testa, num terno beijo de despedida.
Depois largou-a e afastou-se em direção a uma praça de táxis. Ela sentou-se ao volante, e ficou quieta, olhando como que hipnotizada para as costas do homem que falava com o motorista. Viu como abria a porta e a fechava depois de entrar. Viu o táxi arrancar na direção contrária em direção a Coimbra, e só quando ele desapareceu numa curva da estrada, limpou os olhos à manga da camisola, ligou o motor, fez a manobra de inversão de marcha e regressou a casa.




18.2.20

INFORMANDO OS AMIGOS

Boa tarde a todos
Acabam de me ligar do Hospital de Santa Maria, informando que o meu transplante da córnea vai ser na próxima 5ª Feira, que tenho de lá estar de manhã às 7,30 em jejum desde a meia noite.
Rezo para que desta vez tudo corra bem, mas não sei quando voltarei aos blogues, embora tenha posts programados para quase 30 dias. Pelo que quem quiser por aqui passar, especialmente para os que andavam a acompanhar a história do Gil Gaspar, a porta fica aberta.

26.11.19

NOTÍCIAS DO DIA



Boa tarde,amigos. Estivemos hoje no hospital do Barreiro, onde o marido esteve internado em Julho,   para a consulta de neurologia, por causa do AVC que sofreu em Julho. O médico achou que estava muito bem, respondeu à questão das falhas de memória que por vezes tem, dizendo que os exames estão bem, e que aquelas são queixas normais, em toda a gente que sofre AVC. Marcou nova consulta para Abril e diz que nessa altura parte dessas queixas devem ter desaparecido, mas que ele tem que pensar que com a idade a nossa memória vai enfraquecendo e vai haver sempre alguns esquecimentos.

Muito obrigada a todos pelo apoio.

31.10.19

NOTÍCIAS


Boa noite amigos, depois de ter passado cinco horas no hospital de Santa Maria, duas delas à espera que o olho cedesse às gotas e dilatasse, e as outras três em exames e consultas, as notícias são mais do mesmo. Tudo na mesma, o professor diz que já falou com os colegas, está tudo combinado para a cirurgia dupla que eu necessito, mas a brevidade dessa cirurgia não depende deles. Como em todos os transplantes, não chega que haja uma córnea, é necessário que ela seja compatível comigo. Assim sendo não há nada a fazer, a não ser esperar.
Como vêem não sou grande coisa como bruxa. Nem consigo pôr um olho novo...

12.8.19

NOTÍCIAS

Nasceu hoje às 11,45, de cesariana Margarida, a minha segunda neta. Não correu tão bem como esperávamos, ela estava com a cabeça presa na bacia, tinha o cordão umbilical enrolado ao pescoço, a Mónica perdeu muito sangue e vai ter que levar uma transfusão, mas agora estão bem, e a Margarida é uma bela menina apesar de ter nascido com apenas 36 semanas. É uma fotocópia da irmã, Mariana.

Hoje foi dia do marido ir a Almada fazer a segunda Ressonância Magnética,  A primeira foi feita há um mês em Lisboa. Não acusou nada e o neurologista marcou esta em Almada para comparar resultados e esta também não acusou nada. Entretanto  o marido está bastante melhor mas ainda tem falta de equilíbrio não vê muito bem, e tem dificuldade em pronunciar certas palavras.
Foi hoje à consulta de fisioterapia, mas não há vagas para começar imediatamente, ficaram de telefonar depois.



28.6.19

NOTÍCIAS DO DIA






Boa tarde. Já estou em casa. Fiz montes de exames, mas as notícias não são animadoras.
A minha córnea está praticamente na mesma situação que estava na última consulta no dia 3 deste mês.
O Professor diz que nunca viu um caso tão complicado como o meu. Tem uma ideia do que precisa fazer, mas não tem a certeza de que resulte e por isso quer reunir com vários especialistas, de retina, de córnea de globo ocular e cirurgiões, para estudarem o meu caso e saber se eles são da mesma opinião em relação às próximas etapas que ele.. Por isso eu fiz tantos exames hoje. Ele diz que precisa de tempo para para conseguir essa reunião e estudarem o meu caso, pelo que me marcou a próxima consulta para dia 2 de Agosto. Entretanto, continuo o tratamento à base de cortisona e água salgada.
E disse "entretanto passeie, distraia-se, eu sei que gosta de ler e escrever, faça-o, procure não entrar em processo depressivo, porque eu vou precisar que esteja psicologicamente bem para as próximas etapas"
E é tudo.

25.6.19

DOIS POR UM COMO NO SUPER



Primeiro
Lembram-se de que estaria em tratamento até ao dia 5 de Julho, iria repetir os exames do olho e ter nova consulta? Pois é. Ontem telefonaram-me da clínica, a antecipar exames e consultas para esta Sexta-feira dia 28. 
Vamos ver se é desta que o médico me tira o resto dos pontos, (eram 9, tiraram 3 em Maio e 4 no dia 3 deste mês) e se a córnea já recuperou o suficiente para nova cirurgia ou não.
Aparentemente eu estou na mesma, as únicas coisas que distingo, são a luz e  sombra. A coisa não seria tão irritante se este olho não interferisse com o outro. Quando eu tenho o olho fechado, eu vejo perfeitamente bem com o outro, e tenho tendência para o manter fechado grande parte do tempo. Na última consulta o médico disse-me para o manter sempre aberto, os olhos são órgãos muito preguiçosos, e se não se usam têm tendência a perder a visão. O pior é que com ele aberto eu deixo de ver nítido com o outro. É frustrante.






Segundo.

Eu sempre gostei de escrever, e agora mais do que nunca porque me distrai do problema. Não tenho pretensão de ser escritora, mas gosto de contar histórias e elas afluem à minha mente com tanta assiduidade que às vezes estou a escrever uma, e já tenho outra ideia, na cabeça.
Nas minhas histórias procuro sempre denunciar algumas situações do dia a dia. A violência doméstica, o suicídio, a guerra, o adultério,  e os vários traumas que essas situações deixam na vida de cada um. Por norma as historias terminam com o casamento e daí para a frente tudo é felicidade.Todos sabemos que não é bem assim na vida real mas fingimos que acreditamos.
Bom esta conversa serve para vos explicar porque a história atual não acabou na noite de núpcias. 
Vejamos, a Isabel é uma mulher que por dificuldades da vida não passou pelas experiências da juventude, É amorosa, com um grande sentido de responsabilidade familiar. Mas é também uma mulher muito carente, ansiosa por amor.
O Ricardo é um homem desiludido, que sofreu muito no passado, tem um enorme medo da rejeição e por isso decidiu que nunca mais se entregaria a outro amor, que nunca mais deixará o coração em jogo. Mas é também um homem bom e justo. Daí que depois de tomada a decisão de constituir família prometa a si mesmo, que fará tudo para que o casamento seja feliz. E é um homem ainda na força da vida, com uma forte sexualidade, que sente um grande desejo pela Isabel.  Para mim, enquanto contadora da história, estava na cara que este casamento não iria longe, a menos que Ricardo aprendesse a confiar e a amar a mulher, já que a promessa repetida na noite do casamento por ela, nos dá a noção de que Isabel já o ama.
E pronto esta é a explicação, porque a história vai ter uma segunda parte.

20.5.19

UM PRESENTE INESPERADO





                                                    Prólogo


O dia apresentava-se invernoso naquele final de Novembro. Chovera quase todo o dia e o céu continuava muito escuro. Ao longe no horizonte, um arco-íris, punha uma nota de cor, na negrura das nuvens. O vento soprava forte, e o mar rugia, atirando as vagas de encontro à Falésia, como se estivesse lutando para derrubá-la.
Sobre ela, uma figura solitária, indiferente ao tempo, quiçá até à própria vida, parecia observar fascinada a dança louca das vagas.
Tinha vinte e dois anos, e uma vida de sofrimento atrás de si. Toda a vida foi uma inadaptada. Não conhecera o pai, de quem sempre sentira a falta, e embora a mãe se matasse a trabalhar para criar as duas filhas, ela nunca se sentiu feliz com a vida que tinha. Sentia-se infeliz por não ter roupas bonitas e caras como as suas amigas. Ela tinha que se contentar em usar as roupas que Isabel usara anos antes e que a mãe guardara religiosamente para ela. Tinham dez anos de diferença, quando chegava a vez dela já ninguém vestia semelhantes roupas.
Como ela gostaria de ser como a sua irmã Isabel, que se contentava com a vida que tinha e era feliz. Ela, Susana, vivia corroída pela inveja. Invejava as amigas que tinham o pai vivo, as que iam para a escola de carro, as que usavam roupas de marca, até o feitio manso da irmã ela invejava. E sonhava que um dia tudo ia mudar na sua vida.
Tinha quinze anos quando a mãe morreu e ficou sozinha com Isabel. A irmã assumiu as despesas da casa, e ela continuou a estudar, acabou o secundário e pensou entrar no mercado de trabalho, mas Isabel insistiu que lhe pagaria os estudos e que ela precisava continuar a estudar. Matriculou-se na Faculdade de Ciências, mas numa saída com colegas no segundo ano, conheceu Ricardo de Souto Medina, um empresário, rico e bem-parecido, por quem se apaixonou.
Ricardo, trinta e sete anos, sentiu-se lisonjeado com o fascínio que a jovem tinha por ele. Começaram a sair juntos, mas se Susana sonhava com o amor, e um casamento que lhe desse enfim a vida a que ela julgava ter direito, Ricardo pensava apenas em se divertir e aproveitar o que ela estivesse disposta a dar-lhe. Quando a novidade deixou de o ser, desapareceu, e não deu mais noticias.
Desiludida e deprimida, não queria sair de casa, deixou os estudos. Sentia-se mal, tinha náuseas, não lhe apetecia comer.
Quando Isabel preocupada conseguiu convencê-la a ir ao médico, descobriu que estava grávida de doze semanas. Ficou ainda pior.
A gravidez foi um suplício, dividia-se entre o amor pelo ser que ia dar ao mundo e a raiva por sentir que não tinha condições para criar um filho, nem queria que ele tivesse a mesma vida medíocre que ela tinha.
Um dia quase no fim da gravidez, encontrou Ricardo num Centro Comercial. Sentiu um baque no peito. Quem sabe, ele vendo-a grávida, voltasse para ela? Porque ele tinha de saber que o filho era dele. Dirigiu-se-lhe, mas ele fingiu não reconhecê-la. Ficou de rastos. Uma semana depois dava à luz uma menina, que Isabel adorava, mas de quem ela não conseguia gostar. Aliás ela não conseguia gostar de ninguém, nem sequer de si mesma. A única coisa que lhe apetecia era desaparecer.
Lentamente começou a caminhar na direção da falésia. Lá em baixo o mar agitado parecia chamar por ela. Susana… Susana…
De súbito o seu corpo voou, e por breves instantes sentiu-se livre e feliz. Logo depois foi tragada pelas águas revoltas, enquanto uma gaivota grasnava sobre a falésia.

12.3.19

MAIS DO MESMO.







 Acabei de chegar de Lisboa. Como sou uma sortuda, dois pontos tinham saído, para fora. Não me perguntem como, eu não sei explicar, Sentia picadas no olho de vez em quando mas pensava que era normal. O médico, disse que não era e que eles estavam a irritar o olho e tudo o que irrite o olho atrasa a recuperação. Disse-me que tinha de os meter para dentro e eu fiquei toda a tremer e perguntei:
-Vou ter de ir outra vez para o bloco?
-Não. Vou pôr-lhe uma gota anestésica, e aguarda um pouquinho lá fora, enquanto peco ao bloco uma enfermeira e o material necessário.
Pouco depois veio chamar-me, e já tinha à espera não uma enfermeira, mas um enfermeiro com uma seringa de Betadine com que me "lavou" o olho. O médico com uma pinça lá meteu os pontos para dentro, sendo de novo o olho lavado com Betadine dores.. O processo não me doeu muito, mas talvez fosse do Betadine, o ardor no olho era insuportável. Durante duas horas foi um horror, parecia que o olho estava todo queimado. Fiquei com dores de cabeça e nuca. Vim todo o caminho de olhos fechados. Felizmente já passou. Entretanto os exames antes e depois deste processo, deram como resultado, que a retina continua colada, e a pequena ulcera da córnea ainda não foi absorvida.  Vou continuar com as gotas de antibiótico, e receitou umas outras para pôr sempre que sinta o olho, com dores, ardores, comichão, etc.
E volto dia 26.
E é tudo.


23.2.19

DANDO NOTÍCIAS

Boa tarde, Gente do meu chão.
Apenas duas linhas, para vos dizer que graças a Deus estou um pouquinho melhor. Pela primeira vez o olho começa a abrir, coisa que nunca mais tinha feito desde a cirurgia inicial.
Terça-feira volto a Lisboa a fazer exames vamos ver o que o Professor acha.
Mas sabem de uma coisa? Penso que estou com complexo de gelatina. Toda treme-treme e ameaço derreter-me quando o marido me lê as vossas mensagens de apoio. :)))
Que Deus vos abençoe.

11.2.19

NOTÍCIAS.



Acabei de chegar a casa depois de mais uma bateria de exames, Resultado, não houve quase alteração desde Sexta-feira pelo que a cirurgia esta semana está fora de questão..
Vou continuar o tratamento e volto na Sexta para novos exames, e marcação da cirurgia na próxima semana. pois o médico diz que quanto maior for a evolução antes da nova cirurgia. maior é a probabilidade de êxito dela. Porem para a semana já faz quinze dias que foi a outra e o fator tempo é muito importante.
Então as notícias são estas, estou muito grata pelo vosso apoio e carinho, peço desculpa pela ausência, mas não consigo andar por aqui mesmo mantendo o olho fechado. O outro ainda não está a cem por cento. começa a chorar.Fiquem bem e muito obrigada

7.2.19

NOTÍCIAS.


Acabei de chegar da clínica onde fiz nova ecografia. O Professor Marques das Neves, eu tinha dito Carlos das Neves, tinha percebido mal o nome, disse-me que eu tenho quatro focos com hemorragia, sendo o pior da zona nasal. Disse, que apenas o inferior está liquefeito logo tenho que continuar o tratamento, só quando os quatro estiverem liquefeitos poderia ser operada de novo, amanhã à tarde vou fazer nova ecografia. Continuo a fazer o Lepicortinolo 2 comprimidos ao almoço e dois ao jantar, o Frisolona Forte que estava a fazer de hora a hora, passa a ser de 2 em 2 horas, trocou o Dexaval pelo Vigamox, e receitou uma pomada anti-edema para por antes de dormir. E vamos ver como estou amanhã.
Receitou-me uma lente para o olho direito, operado em Dezembro, de modo a que possa ler ou vir ao computador, tendo o cuidado de tapar o olho esquerdo sempre que fizer alguma dessas tarefas.
E é tudo por hoje. Amanhã veremos.

16.3.18

A TRAIÇÃO - PARTE XXIII



Durante mais de uma hora viajaram calados. Odete olhava pela janela como se a sua vida dependesse da paisagem que rodeava a estrada. João conduzia atento ao trânsito. Por fim ela quebrou o silêncio.
- A tua mãe teria gostado que ficássemos para o almoço.
- A minha mãe é muito arguta. Se estivéssemos umas horas com ela ia perceber que não estamos felizes.
- Mas querias ir à praia. Pensei que só vínhamos mais tarde.
- Na praia estávamos longe dos seus olhares.
- Não te entendo. Se tinhas tanto medo que ela percebesse, alguma coisa, porque viemos?
- Porque já tinha combinado vir antes do teu regresso. E já não aguentava mais, ela querer saber de ti. Estiveste ao telefone com a tua mãe?
- Não. Tu deste-me notícias, e se vou estar com ela quando chegar, não valia a pena telefonar.
- Há uma coisa que quero que dizer-te. Enquanto estiveres na nossa casa, não quero encontros com outro homem. Nem telefonemas ou e-mails.
Revoltou-se. O que é que ele estava a insinuar? Acaso julgava que ela era capaz de ter um amante?
- O bom julgador por si se julga, - atirou mordaz
Travou repentinamente, provocando um solavanco que a assustou.
- Estás doido? Queres matar-nos?
- O que é que disseste?
- Eu? Nada que tu não saibas.
Apertou-lhe o braço com a força, olhando-a furioso.
- Larga-me. Estás a magoar-me.
Soltou-a e reparou na mancha vermelha no braço.
- Desculpa, -disse voltando a pôr o carro em movimento. -Não voltará a acontecer. Não é hora nem sítio para conversas desta natureza.
Na sua cabeça ecoava a frase que lhe ouvira. Que quereria dizer com aquilo. Ela é que o abandonara, sem ele sequer imaginar porquê, e punha as culpas nele? Em dois dias era a segunda vez que lhe mandava uma indireta como se ele fosse o culpado pela separação. O que é que ele fizera além de amá-la, e de trabalhar como um louco? Talvez porque dispunha de pouco tempo para ela? Mas  se era por ela que trabalhava tanto. Para lhe pagar os estudos lhe comprar roupas caras, lhe dar jóias. Pensava que dando-lhe tudo isso, compensaria a diferença de idade, e faria com que não se interessasse por nenhum homem mais bonito e mais jovem.   Decididamente não entendia as mulheres. Primeiro foi Inês, que se fingia apaixonada por ele e o traía. E que depois de divorciada, lhe fez uma marcação cerrada, jurando arrependimento, para uns meses depois voltar a casar. Só não caíra na sua teia, porque o amor que dedicava à mulher era mais forte do que qualquer outro sentimento que experimentara na vida. E depois Odete, que ele julgara diferente, que amara com todo o seu ser, e que sem uma explicação o abandonou, transformando a sua vida num verdadeiro inferno. Ninguém a não ser o seu amigo Manuel, sabia o quanto ele estivera à beira do abismo. A ele agradecia o ter conseguido superar o seu desespero e voltar a dedicar-se de corpo e alma à profissão. Muitos o invejavam, pelo seu sucesso profissional. Ele trocá-lo-ia pelo amor da mulher, sem a mínima hesitação.


5.3.16

MANEL DA LENHA - PARTE XXVI



 foto do google
Ainda nesse mês  de Agosto, o Manuel construiu  com a ajuda do irmão João que era electricista, uma Galena. Era um aparelho muito rudimentar, mas que dava para ele ouvir à noite as notícias e os relatos de futebol ao domingo à tarde. Mal sabia ele que no mundo há muito havia televisão e a NBC iniciava nesse ano a TV a cores.
No início de Setembro, a filha mais velha do Manuel foi matriculada na escola na Telha. As aulas começavam em Outubro e todas as crianças com sete anos eram matriculadas. A garota nascera em Setembro fizera os sete anos há pouco. A escola, uma sala única, numa antiga vacaria era mista. Nela rapazes e raparigas, desde a primeira à terceira classe, com uma única professora. Era um bocado distante do barracão mas a miúda estava habituada ao caminho desde pequena. E depois havia outros garotos filhos do pessoal que vinha para a safra do Bacalhau.
 Manuel era um apaixonado por futebol e o F. C. Porto o seu clube do coração. Assim sendo, foi para ele uma grande alegria o 1º de Dezembro desse ano, pois foi nesse dia a  inauguração do novo estádio do Benfica, mais tarde conhecido pelo estádio da Luz. No jogo de inauguração, o Porto bateu o Benfica por 3-1.
No ano seguinte, com a década de cinquenta a meio`, enquanto a Europa tentava a todo o custo curar as feridas da Segunda Grande Guerra, em Portugal, às dificuldades da vida, que nunca fora fácil para o povo, juntava-se  a repressão cada vez mais feroz do governo Salazarista.
Em Fevereiro desse ano, chegou ao Barracão outro cunhado do Manuel. António era um rapaz espigado e brincalhão. Tinha saído da terra na esperança de arranjar uma vida melhor. Dias depois trabalhava na Seca. Também por esses dias a filha mais velha trouxe da escola uns visitantes indesejados. Uma praga de piolhos que antes que eles dessem conta já tinham infestado as três crianças e os tios. Manuel foi à drogaria e comprou uns pacotes de DDT que a mulher espalhou nessa noite, nas cabeças de todos e cobriu depois com uma espécie de turbantes feitos com bocados de lençol velho, e todos foram dormir assim. No dia seguinte as cabeças foram lavadas e os piolhos desapareceram.
Só muitos anos mais tarde, ela veio a saber, que esse processo poderia ter matado os filhos e os irmãos, por intoxicação.
Ainda nesse mês, depois de um violento temporal,  o poço que o Manuel abrira no Verão anterior abateu. As tábuas velhas não aguentaram tanta chuva. Manuel jurou a si próprio que abriria outro, mas desta vez de modo a que não se desmoronasse.