- Pode ser que seja a maior asneira da minha vida, mas vou confiar em ti, vou cancelar todas as investigações e tentar esquecer o erro cometido pelos médicos, durante o tempo que me pediste. Espero que me dês o teu contacto e me permitas telefonar de vez em quando para saber como estás e que me ligues imediatamente se surgir algum problema. Gostaria que mudasses de médico assistente, não confio nos médicos do Centro, quem erra uma vez pode errar duas. Mas compreendo que isso é uma decisão tua. Estamos no final de Junho, portanto no final de Setembro teremos que decidir o que vamos fazer no futuro em função do nosso filho.
Disseste que escolheste este método
por não estares interessada em nenhuma relação, pelo que suponho não tens
namorado, ou amante com quem discutir este assunto, embora me pareça estranho que uma mulher bonita como tu não tenha ninguém na sua vida.
A Teresa pareceu-lhe ver nos seus olhos uma pergunta que não se atrevia a fazer.
- Como te disse, sou filha de mãe solteira, neta de avó divorciada. E quando se cresce com duas mulheres abandonadas, sofredoras e amarguradas, acabamos por nos afastar de toda e qualquer relação com o sexo oposto.
-Sendo assim creio que nos entenderemos. Até porque a minha decisão está tomada.
A
criança será nosso filho e como pai quero fazer parte da vida dele, antes mesmo
do seu nascimento. Isto é, acompanhar-te às consultas, assistir às ecografias, e ao
parto. Podemos ser amigos e criar e educar o nosso filho em conjunto. Todavia
se depois deste interregno, decidires que a criança é apenas teu filho e me
negares o direito de fazer parte da sua vida, podes crer que irei buscar esse
direito nos tribunais e que utilizarei todos os meios ao meu alcance para te
aniquilar. De acordo?
-Parece-me justo, - disse ela
abrindo a carteira e entregando-lhe um cartão. – Na verdade, ambos somos vítimas
duma cilada, que a vida nos armou. Cabe-nos lutar para sair dela, com o mínimo de feridas possível. De seguida, levantou-se e ele fez o mesmo
aproximando-se dela.
-Posso levar-te a casa? –
perguntou
- Obrigado, mas tenho o carro
estacionado no parque.
- Então acompanho-te até ele.
Abriu a porta, afastou-se
para lhe dar passagem e seguiu-a dizendo ao passar pela secretária da sua
assistente.
- Olga, vou lá abaixo acompanhar
a senhora, já volto.
- Não era necessário
acompanhar-me, - disse Teresa ao entrar no ascensor.
- Sei que não – respondeu,
aproveitando o espelho do elevador para a mirar de alto a baixo. Era mais alta
do que a maioria das mulheres, bonita e muito elegante. Além disso era inteligente e muito corajosa, ou não teria tomado a iniciativa de o procurar. Quando os seus olhos se
encontraram através do espelho, Teresa corou e apressou-se a desviar o olhar,
desejando sair rapidamente daquele curto espaço e da proximidade masculina.
Passaram pelo porteiro e pelo
segurança e quando à porta ela lhe estendeu a mão para se despedirem, ele
disse:
-Acompanho-te ao carro
Ela teria preferido
despedir-se dele no escritório. Queria estar sozinha para relembrar a conversa
e meditar sobre tudo o que nela disseram.
Pouco depois sim, despediam-se
junto ao carro com um simples aperto de mão.
Teresa pôs o carro a trabalhar
e arrancou. Ele ficou parado vendo-a afastar-se até que o carro saiu do parque
e entrou na estrada. Só então regressou ao escritório.












