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26.11.22

PORQUE HOJE É SÁBADO - ERASMO CARLOS - SENTADO À BEIRA DO CAMINHO



Erasmo Carlos - Sentado à beira do caminho - 50 Anos de Estrada

Perdemos esta semana, com poucas horas de intervalo, dois grandes nomes do panorama musical. Quis aproveitar este espaço para relembrá-los hoje, mas não consegui postar os dois vídeo no mesmo post, daí que tenha escolhido Erasmo Carlos, não só porque foram as suas canções que povoaram os meus sonhos de adolescente, mas também porque Pablo Milanés, o génio da música cubana,  que por mérito do seu talento se tornou um dos grandes em todo o mundo, foi largamente homenageado em mutos blogues, logo que foi conhecida a notícia da sua partida. 

E gente, levei a última vacina Covid no dia 24 e hoje dia 25 passei o dia quase todo de cama. Dores no corpo, má disposição, vómitos e um estado febril. Decididamente eu e as vacinas temos uma má relação. Espero que amanhã,  quando vocês lerem este post eu já esteja bem e capaz de vos poder retribuir as visitas. Bom fim de semana.

25.11.22

LENDAS DE PORTUGAL - LENDA DAS AMENDOEIRAS EM FLOR

 Lenda das Amendoeiras em Flor





Há muitos séculos, quando ainda Portugal não existia, reinava em Chelb, a futura Silves, o rei árabe Ibn-Almundim. Um rei que nunca tinha conhecido uma derrota.

Um dia, entre os prisioneiros de uma batalha, viu uma bela jovem de olhos azuis e cabelos e pele clara. Era Gilda, a Princesa do Norte.

Impressionado com a rapariga, o rei mouro deu-lhe a liberdade. Aos poucos foi conquistando a sua confiança e um dia confessou-lhe o seu amor e pediu-lhe para ser sua mulher.

Foram muito felizes mas a agora rainha, à medida que os anos passavam, ficava cada vez mais triste e melancólica… Um tempo mais tarde, o rei conseguiu finalmente que Gilda lhe confessasse o motivo da sua tristeza. A bela Princesa do Norte sentia saudades de ver os campos da sua terra natal cobertos de neve. Já não podia olhar para aquele branco sem fim e isso deixava-a triste.

Receoso por perder a amada, o rei teve uma ideia: ordenou para que em todo o Algarve se plantassem amendoeiras. Desta forma, quando abrissem em flor, pareceria que tinha nevado.

Na primavera seguinte, o rei levou Gilda à janela do terraço do castelo. Ao ver as flores brancas das amendoeiras, a princesa começou a sentir-se melhor e a recuperar forças. Aquela visão indiscritível das flores brancas davam-lhe a ilusão da neve e as saudades de Gilda desapareceram.

O rei e a princesa viveram felizes para sempre, esperando todas as primaveras, pelo belíssimo espetáculo

24.11.22

LENDAS DE PORTUGAL -A LENDA DA LAGOA DO NEGRO

Lenda da Lagoa do Negro - Ilha Terceira - AÇORES








Esta lenda conta a história de como a Lagoa do Negro, na ilha Terceira, apareceu. Conta-se que, há séculos, existia uma família nobre na Terceira, com escravos negros. A única filha do patriarca era submissa e receava o pai, e aceitou sem questionar um casamento imposto.
 A moça, presa num casamento por conveniência do pai, apaixonou-se por um escravo, que também a amava.
Um dia, uma aia que seguia a morgada para todo o lado, escutou os apaixonados a falar do seu amor, e foi contar ao seu amo. Este, vexado e enraivecido, ordenou que se prendesse o escravo.
O homem, ao ouvir cães de caça e cavalos ao longe, percebeu que o buscavam e pôs-se em fuga. Fugiu pelos montes e vales, até não mais conseguir correr, e deixou-se cair em desespero. Diz a lenda que o escravo começou a chorar tanto e com tanta tristeza, que as suas lágrimas fizeram nascer uma lagoa à sua frente.

 Assustado e encurralado, ouvindo os cavalos cada vez mais próximos, correu colina acima e atirou-se para a lagoa, onde morreu afogado.

23.11.22

LENDAS DE PORTUGAL - LENDA DO PENHOR DE JUSTIÇA

 Lenda do Penhor de Justiça

 







Uma lenda local narra que D. Garcia, alcaide do Castelo de Penha Garcia, há muito que cortejava D. Branca, uma jovem de rara beleza, filha do poderoso governador de Monsanto, uma aldeia próxima.
 Conta-se que numa certa noite de grande temporal, D. Garcia raptou D. Branca da casa de seu pai. Nessa mesma noite o governador deu ordem aos seus soldados para procurarem e perseguirem por todas as redondezas D. Garcia, afim de o capturar e fazer justiça.
 Após meses de perseguição implacável, pelas terras da Beira, D. Garcia finalmente acabou por ser capturado nas encostas da serrania pelos homens do governador. 
Embora as práticas do género, à época, fossem punidas com a pena capital, diante dos insistentes apelos da filha, que implorou a seu pai, o poderoso governador poupou a vida a D. Garcia, condenando-o, alternativamente, à perda do braço esquerdo, como penhor de justiça. Conta-se que desde à séculos, muitos terem já visto o vulto do fantasma do decepado D. Garcia em noites de grandes temporais.
 De acordo com os habitantes locais, a figura lendária do decepado D. Garcia, continua vigiando, do alto das torres, o morro sobranceiro de Monsanto.

22.11.22

POESIA ÀS TERÇAS - ADÉLIA PRADO - AVÓS


 Avós

Minha mão tem manchas,
pintas marrons como ovinhos de codorna.
Crianças acham engraçado
e exibem as suas com alegria,
na certeza – que também já tive –
de que seguirão imunes.
Aproveito e para meu descanso
armo com elas um pequeno circo.
Não temos proteção para o que foi vivido,
insônias, esperas de trem, de notícias,
pessoas que se atrasaram sem aviso,
desgosto pela comida esfriando na mesa posta.
Contra todo artifício, nosso olhar nos revela.
Não perturbe inocentes, pois não há perdas
e, tal qual o novo,
o velho também é mistério.”

Adélia Prado

21.11.22

LENDAS DE PORTUGAL - LENDA DE SANTA IRIA

 Lenda de Santa Iria





Rio Nabão em Tomar que segundo a lenda levou Iria nas suas águas (foto Paulo Nogueira)






Conta a história que na antiga Nabância (hoje Tomar) nasceu Iria, uma bela jovem de seu nome Iria ou Eirena, pertencente a uma rica família da região. Desde cedo, Iria descobriu a sua vocação religiosa tendo entrado para um mosteiro.
 A jovem Iria recebeu educação esmerada e professou num mosteiro de monjas beneditinas, o qual era governado pelo seu tio, o abade Sélio. Devido à sua beleza e inteligência, Iria cedo congregou a afeição das religiosas assim como das pessoas da terra, sobretudo dos jovens e dos fidalgos, que disputavam entre si as virtudes de Iria. 
A região à época era governada pelo príncipe Castinaldo, cujo filho Britaldo tinha por hábito compor trovas junto da igreja de S. Pedro. Um dia, Britaldo viu Iria, ficando perdidamente apaixonado por ela. Ficou doente de amor e em estado febril, desesperado, reclamava a presença da jovem. Iria pediu-lhe que a esquecesse, porque o seu coração tal como o seu amor eram de Deus.
 Britaldo concordou, sob a condição de que ela não pertencesse a mais nenhum homem. Dos amores de Britaldo teve conhecimento Remígio, um monge diretor espiritual de Iria, ao qual também a beleza da donzela não lhe passara despercebida.
 Ardendo de ciúmes, o monge Remígio deu a Iria uma tisana que se pretendeu embruxada, e que lhe fez surgir no corpo opulência própria da gravidez. Por esse motivo ela foi expulsa de imediato do convento, recolhendo-se junto do rio para orar de desespero. Britaldo ao saber ficou furioso, perdido de ciúmes, seguiu-a num dos seus habituais passeios ao rio Nabão e aí, Iria foi assassinada à traição por um servo de Britaldo ou pelo próprio, foi apunhalada e atirado o seu corpo à água.
 O corpo de Iria foi levado pelas águas do rio Nabão até ao rio Zêzere e daí ao Tejo. Depois de muitas buscas feitas e quando estavam quase a desistir, o corpo de Iria foi encontrado junto da cidade de Scalabis (Santarém), encerrado como por milagre num belo sepulcro de mármore. Quiseram retirá-lo, mas as águas do Tejo, que tinham baixado de repente para mostrar o túmulo, voltaram a subir, cobrindo para sempre o sepulcro da mártir. O povo rendeu-se ao milagre e foi considerada Santa, a partir de então, a cidade passou a chamar-se de Santa Iria, mais tarde Santarém. 
Cerca de seis séculos depois, diz a lenda que as águas do Tejo voltaram a abrir-se para revelar o túmulo à rainha Santa D. Isabel que venerava Santa Iria, mandando colocar o padrão que ainda hoje se encontra na Ribeira de Santarém onde se pode ler nas inscrições:

A D. S IRENAM OR D. INIS DL NEDIOTI


HICTAGVS IRENASACROTEGITOSSA SE PVLCHRO


QV.ª VTVIRCO MARTIR EVLGETINARCEPOLI

20.11.22

DOMINGO COM HUMOR




 


Um homem foi ao hospital visitar a sogra que se encontrava num estado muito grave. De volta a casa, a mulher preocupada com o estado da mãe, pergunta:
- Então meu amor, como está a minha mãe?

Responde o homem:
- Segundo o médico ela está ótima, com uma saúde de ferro! Ainda vai viver por muitos anos! Na próxima semana, ela vai receber alta do hospital e vem morar connosco, para sempre!

Espantada diz a mulher:
- Que bom! Mas que coisa estranha… hoje cedo ela parecia estar à beira da morte, e o médico disse que ela teria poucos dias de vida!

Explica o homem:
- Não sei como ela estava hoje de manhã, mas agora à noite, quando eu cheguei ao hospital, o médico disse-me que devia-me preparar para o pior!



                                                                              *********************


Um tipo visitou a exposição de pintura de um amigo, autodidata na matéria, e este, a certa altura, reparando que o outro se detinha a olhar atentamente para um dos seus quadros, aproximou-se entusiasmado e perguntou-lhe:
- Então, que sensação te desperta esta minha pintura?

Diz o amigo:
- Faz-me crescer água na boca…

Admirado, pergunta o pintor:
- Um pôr do sol faz-te crescer água na boca?!

Responde o amigo:
- Olha, julgava que era um ovo estrelado!


                                                                             *********************


Depois de proferida a sentença, que tinha sido favorável ao réu e ditou a sua liberdade, o seu advogado disse-lhe:
- Acho que a minha defesa foi magnífica! Agora, como homem livre, passe amanhã pelo meu escritório para acertarmos contas.

Responde o tipo:
- Olhe, doutor, neste momento não tenho dinheiro nenhum, mas juro-lhe que o próximo assalto será para lhe pagar…



                                                                       **********************



Havia um casal de velhotes que vivia numa casa grande. Um dia a esposa diz para o marido:
- Meu querido, como vivemos numa casa grande, podíamos alugar a parte de trás e a parte da frente, ficava para tu trabalhares…

O marido pensou por uns instantes e respondeu:
- Acho que tens razão! Vamos alugar a parte de trás e a parte da frente fica para eu trabalhar.

No outro dia de manhã, colocaram uma tabuleta onde se lia: “Aluga-se a parte de trás”.

A velhota ao sair de casa para ir às compras, sem querer, encostou-se à tabuleta que ainda estava fresca e fica com as mesmas palavras escritas nas costas. Indo pela rua, as pessoas iam lendo e rindo mas não eram capazes de dizer alguma coisa. Até que um senhor mais atrevido lhe perguntou:
- Então a senhora aluga a parte de trás?

Responde a mulher:
- Alugo sim, porque a parte da frente é para o meu marido trabalhar.



                                                      *********************



Um político, um empresário e um bispo viajavam num avião. A certa altura o avião começa a ter problemas e começou a cair. O piloto, sem pensar em mais nada, salta com o pára-quedas deixando apenas um outro para trás. Os outros três decidem votar para ver quem deve usar o outro pára-quedas.

Apurados os votos, o político ganhou, pegou no pára-quedas e saltou. Diz o bispo:
- Bom… Pelo menos um de nós salvou-se.

E responde o empresário:
- Pois… mas só não percebi como é que ele conseguiu os 213 votos…



19.11.22

PORQUE HOJE É SÁBADO



António Zambujo e Miguel Araújo - No Rancho Fundo (Coliseu do Porto) OFI.



Para os amigos que hoje me visitam, sabem que hoje é o Dia Internacional do Homem? ( bem eu penso que na maioria do mundo o vosso dia, são todos os dias mas enfim) Agora se não sabiam, ficam a saber e nada de clamar contra o dia 8 de Março. 
Sabem como o mundo seria melhor? Se os 365 dias fossem igualmente do homem e da mulher como um ser com direitos e deveres iguais.  

18.11.22

LENDAS DE PORTUGAL - A PONTE DO CARATÃO.

 


A Ponte do Caratão

Há muitos, muitos anos, havia no Caratão um filho da terra que era muito rico e andava sempre por fora em guerras e conquistas.

Um dia, apareceu na aldeia com um batalhão de escravos para dar satisfação a um velho desejo, o de construir uma extensa ponte que ligasse o Caratão ao Vale do Grou.

Era Primavera quando pôs toda essa gente a recolher pedras para a obra, mas verificou que precisava de mais e mais súbditos e, de vez em quando, partia para continuar as suas guerras e trazer mais gente.

Entretanto, foi acumulando pedras ao longo do ano que toda aquela gente ia juntando e, quando chegou ao Inverno e se dispôs a lançar os primeiros pilares da ponte, caíram dias e dias de enormes nevoeiros em que as pessoas mal se viam e as ordens gritadas não encontravam destino.

A seguir, veio a peste que matou muita gente e os que quiseram salvar-se fugiram e ninguém sabia de ninguém.

A fome voltou, as doenças nunca mais abandonaram a região e o homem rico, desalentado, abandonou cada um à sua sorte e desistiu da obra.

Assim, por lá ficaram pelas encostas do Caratão, até hoje, as toneladas de rebolos empilhados que testemunham, senão esta história, pelo menos uma outra qualquer, mais ou menos verosímil

FONTE:

  • César di Bianca, HISTÓRIAS E LENDAS DE CÁ, pág. 39

Nota: Para quem não sabe, o Caratão é uma aldeia do concelho de Mação, distrito de Santarém

17.11.22

LENDAS DE PORTUGAL - O OLHEIRO DA GALANTE

 







O Olheiro da Galante

Antes da construção da Barragem de Belver existia junto ao Tejo, cerca de mil metros acima da foz da Ribeira de Eiras, uma nascente de água fresca e cristalina a que o povo chamava “Olheiro da Galante”, mas que, entretanto, ficou submersa pelas águas da albufeira.

A fonte desapareceu aos olhos das gentes da Ortiga, mas a lenda que lhe estava associada não se perdeu.

Diz a lenda que este olho de água fora, em tempos imemoriais, uma mulher, uma formosa moura que vivia feliz e tranquila nas margens da ribeira.

Esta moura, chamada Galante, passava os seus melhores momentos sobre uma enorme pedra que lhe servia de miradouro, cavaqueando com as ninfas que, por ali, peregrinavam e bailando com elas no areal da ribeira.

Um dia, quando penteava os seus sedosos cabelos ao mesmo tempo que se mirava no cristal das águas, surge um príncipe cristão, cavalgando pela encosta do monte, que, ao aproximar-se dela, fica por momentos extasiado com a sua beleza e dispõe-se a tentar o rapto.

Galante, ao aperceber-se da intenção do cavaleiro desconhecido, foge desesperadamente dali, ao mesmo tempo que vai gritando apavorada por Alah e pelas ninfas que lhe faziam companhia, pedindo-lhes que a salvassem.

Nem Alah nem as ninfas lhe acudiam naquele momento e, cansada e já sem poder escapar ao príncipe, que estava prestes a deitar-lhe a mão, desaparece por encanto e, em seu lugar, surge à frente do cavaleiro uma fonte de água límpida e fresca.

O milagre de Alah operara a metamorfose, subtraindo assim a bela Galante aos desmedidos desejos do príncipe.

A partir daí quem passasse pela fonte ouvia o soluçar dolorido da linda moura perseguida, soluços que se confundiam com o melancólico murmúrio da água que corria da nascente.

FONTE:

ORTIGA CONCELHO DE MAÇÃO NO TEMPO E NO ESPAÇO, Leonel Raimundo Mourato, pag. 174

16.11.22

CENTENÁRIO DE JOSÉ SARAMAGO 16/11/1922 - 16/11/2022



Cada Um De Nós É Por Enquanto A Vida | Poema de José Saramago 

Escolhi este poema para marcar o dia do centenário de José Saramago, até porque ele revela a preocupação do poeta pela terra que é a nossa casa enquanto por aqui passamos.
Os amigos sabem que gosto imenso dos poemas de Saramago. Dos romances que li, apenas quatro adorei o Levantado do Chão, A Jangada de Pedra, e A Maior Flor do Mundo. Curiosamente de O Memorial do Convento, não gostei. Nem mesmo depois da visita de estudo ao convento e das explicações da guia.

15.11.22

POESIA ÀS TERÇAS - GLÓRIA DE SANT' ANNA


 

 Maternidade



Olho-te: és negra.
Olhas-me: sou branca.
Mas sorrimos as duas
na tarde que se adianta.

Tu sabes e eu sei:
o que ergue altivamente o meu vestido
e o que soergue a tua capulana,
é a mesma carga humana.

Quando soar a hora
determinada, crua, dolorosa
de conceder ao mundo o mistério da vida,

seremos tão iguais, tão verdadeiras,
tão míseras, tão fortes
E tão perto da morte...

que este sorriso de hoje,
na tarde que se esvai,
é o testemunho exato
do erro das fronteiras raciais.

Dos nossos ventres altos,
os filhos que brotarem
nos chamarão com a mesma palavra.

E ambas estamos certas
– tu, negra e eu, branca –
que é dentro dos nossos ventres
que germina a esperança.


Glória de Sant'Anna,
In Um Denso Azul Silêncio, 1965


Biografia AQUI



14.11.22

LENDAS DE PORTUGAL - O CAPOTE DE OURO

 




O capote de ouro

Um habitante da Amêndoa, quando passava perto do Poço Mourão, cruzou-se com um mouro e, como lhe pareceu que se tratava de uma pessoa necessitada, deu-lhe algum dinheiro.

O mouro, muito agradecido, quis retribuir àquele desconhecido a sua dádiva e revelou-lhe o esconderijo de um autêntico tesouro: nada mais do que um capote, um carneiro e uma candeia, tudo de ouro. Mas tinha uma condição: ele não poderia transmitir a mais ninguém este segredo.

Radiante e desejoso de receber a recompensa, deixou-se conduzir pelo mouro até à toca do tesouro e, quando já estava a contemplar o capote de ouro, passa por ali um seu amigo que lhe pergunta para onde ele ia.

– Olha, vim buscar este capote de ouro, cujo esconderijo acaba de me ser revelado.

E quando se voltou para mostrar o capote ao amigo ficou de boca aberta. O capote e tudo o mais, havia desaparecido como por encanto. A profecia do mouro cumpriu-se.

Esta lenda, tal como é aqui descrita, também é reivindicada pelas gentes do Caratão que afirmam estar o esconderijo do tesouro situado junto da Lagoa onde os romanos lavavam os terrenos de aluvião para obterem ouro.

FONTES:

EXPOSIÇÃO “Histórias e Lendas de Mação” - Florinda Magalhães


13.11.22

DOMINGO COM HUMOR


 



Um menino acaricia a enorme barriga da mãe grávida e pergunta:
-Porque tens a barriga tão grande?
-Porque tenho aqui um bebé que o teu pai me deu. 
O menino assustado corre para junto do pai.
- Papá, papá, não dês mais bebés à mamã, que ela come-os!


                                                             *************

Um dia um professor reparou que cada vez que ele dava matéria nova, uma miúda cuspia na mão e batia com ela na testa. O professor incomodado perguntou:
-Porque fazes isso?
E a miúda responde prontamente:
-É que uma vez ia a passar pelo quarto da minha irmã,  e ouvi ela dizer para o namorado. "Cospe na cabeça. que entra melhor." 



                                                            ***************

Um homem encontra um amigo na rua e depois dos cumprimentos habituais pergunta:
-Também sabias que a minha mulher me era infiel?
-Juro-te que não, pá - responde o amigo.
O homem suspira fundo e diz:
-Que alívio! E eu a pensar que tinha sido o último a saber...



                                                            *************



Uma mulher chega ao pé do marido e pergunta-lhe furiosa:

- Encontrei um papel no bolso das tuas calças com o nome Sila e um número a acompanhar.

- Acalma-te, querida. Sila é o nome do cavalo que apostei a semana passada, e o número é o só o número da aposta.

No dia seguinte quando o marido chega a casa, a mulher dá-lhe uma estalada.

- Porque fizeste isso? -pergunta o marido.

- O teu cavalo telefonou hoje à tarde!



                                                        ***************

Um dia, na paragem do autocarro, estava uma rapariga que usava uma mini-saia muito apertada. Quando o autocarro chegou e era a sua vez de entrar, apercebeu-se que a saia estava tão apertada que ela não conseguia levantar a perna o suficiente para chegar ao primeiro degrau.
Tentando arranjar uma maneira de conseguir levantar a perna ela recuou esticou os braços para trás e desapertou um bocadinho o fecho da saia. Ainda assim não conseguia chegar ao degrau… Embaraçada recuou novamente e esticou os braços para trás das costas para desapertar um pouco mais o fecho. Ainda assim não conseguiu subir para o primeiro degrau… Então, recuou novamente esticou os braços para trás e desapertou completamente o fecho da saia. Pensando que desta vez ia conseguir levantou novamente a perna, apenas para descobrir que ainda não conseguia alcançar o degrau.
Vendo como ela estava embaraçada, o homem que estava atrás dela na fila do autocarro, pôs as suas mãos à volta da cintura dela, levantou-a e pousou-a no primeiro degrau do autocarro.
A rapariga virou-se furiosa e perguntou:
- Como se atreve? Eu nem sequer o conheço!
Chocado o homem respondeu-lhe:
- Bem, minha senhora, eu pensei que depois de ter recuado e me ter desapertado a braguilha três vezes, já éramos pelo menos amigos…

11.11.22

A LENDA DE S. MARTINHO




São Martinho, ou Martinho de Tours, nasceu em cerca de 316 na antiga cidade de Savaria na Panónia, uma antiga província na fronteira do Império Romano, na atual Hungria. Filho de um comandante romano, cresceu na região de Pavia, em Itália, no seio de uma família pagã. Criado para seguir a carreira militar, foi convocado para o exército romano quando tinha quinze anos, viajando por todo o Império Romano do Ocidente.

Apesar de ter recebido uma educação pagã, foi em adolescente que Martinho descobriu o Cristianismo. Mas foi só mais tarde, em 356, depois de ter abandonado o exército que foi batizado. Tornou-se discípulo de Santo Hilário, bispo de Poitiers (na zona oeste da atual França), que o ordenou diácono e presbítero, regressando de seguida a Panónia, onde converteu a mãe. Mudou-se depois para Milão, de onde terá sido expulso juntamente com Santo Hilário. Isolado, terá passado algum tempo na ilha da Galinária, ao largo da costa italiana.

De volta à Gália, foi perto de Poitiers que fundou o mais antigo mosteiro conhecido na Europa, na região de Ligugé. Conhecido pelos seus milagres, o santo atraía multidões. Foi ordenado bispo de Tours em 371 e fundou o mosteiro de Marmoutier, na margem do rio Loire, onde vivia na reclusão. Pregador incansável, foi também o fundador das primeiras igrejas rurais na região da Gália, onde atendia tanto ricos como pobres. Morreu a oito de novembro de 397 em Candes e foi sepultado a onze de novembro em Tours, local de intensa peregrinação desde o século V.

É na data do seu enterro, três dias depois de ter morrido em Candes, que se comemora o dia que lhe é dedicado. Acredita-se que, na véspera e no dia das comemorações, o tempo melhora e o sol aparece. O acontecimento é conhecido pelo “verão de São Martinho” e é muitas vezes associado à conhecida lenda de São Martinho.




10.11.22

LENDAS DE PORTUGAL - OS FIGOS DA MOURA ENCANTADA

 







Os figos da moura encantada

Na aldeia de Azinhalete, Freguesia de Cardigos, existe uma fonte sob uma abóboda, onde noutros tempos morava uma moura.

Quem ia buscar água à fonte, por vezes, encontrava essa moira a pentear os seus longos cabelos loiros com um pente de ouro.

Um dia, um forasteiro que por ali passava dirigiu-se à fonte para matar a sede e reparou num cesto com figos que secavam ao sol. Como não visse ninguém por ali perto, pegou em três figos e meteu-os ao bolso para comer quando dali saísse.

Quando mais tarde decidiu saboreá-los, ficou espantado porque eles se tinham transformado em moedas de ouro.

Então resolveu voltar à fonte, mas quando lá chegou nem sinal de figos nem de moedas de ouro, mas ouviu uma voz de mulher (era a moura encantada) que lhe disse:

— Agora é que as vens buscar? Elas estavam todas guardadas para ti, mas como não reparaste no seu real valor, ficaste apenas com as que levaste.

FONTE:

Maria do Rosário da Silva, Azinhalete, Lar da Misericórdia de Cardigos.


TERMINO HOJE o tratamento que me tem deixado de rastos. Espero sinceramente que melhore substancialmente nos próximos dias. Poderei levar as vacinas 15 dias após este tratamento e 25 dias depois terei que repetir o exame para verificar se o problema acabou.


9.11.22

LENDAS DE PORTUGAL - A MOURA ENCANTADA DE SALIR


 A Moura Encantada de Salir 


A terra Algarvia já era quase toda portuguesa. Faltava Loulé e pouco mais. E ali nas terras fronteiriças ao Castelo de então imponente Castalar, D. Paio Peres Correia, o incansável conquistador do Gharb, esperava apenas a chegada D’El-rei D. Afonso III para atacar um dos últimos abrigos dos Mouros . Do alto das ameias, o alcaide do Castelo, Aben-Fabilla, olhava para o exército forte e disciplinado que se espalhava pela planície em frente e que ele sabia não poder vencer. Para mais, sentia que a confusão começava a estabelecer-se em seu redor. Não havia possibilidades de resistência. Quanto muito, possibilidade de fugir. E, mesmo assim, seria necessário não perder tempo… Aben-Fabilla percebeu que a batalha estava perdida, ainda antes de começar. Alguns dos seus homens tinham já começado a debanda. Que esperava ele então? Decidiu-se. Voltou costa s ao mar alto de guerreiros e voltou aos seus aposentos. Assim que o viu, sua filha, que era também o seu grande amor, correu para ele. - Que faremos meu pai? Aben-Fabilla baixou a cabeça. Vencido. Desanimado. - Parece bem grande a provação que nos espera, minha filha! Decerto é desejo de Alá que percamos este Castelo e toda esta terra! - Acha que não os podemos vencer? Ele limitou-se a abanar tristemente a cabeça. E a limparem os olhos doridos de não quererem chorar. Depois respirou fundo e disse: -Só nos resta fugir! - Filha! Corre aos teus aposentos, junta as tuas jóias e vai-te reunir às outras mulheres que já estão a sair em direção ao monte. É a nossa única possibilidade de salvação. Lá nos encontraremos depois. E não a olhou mais. Se a tivesse olhado, ficaria com medo… Mas, o alcaide só pensava em esconder a sua fortuna, enterrando-a antes de abandonar o Castelo. Um dia voltaria para recuperar esse tesouro que agora não podia levar consigo… Entretanto á em baixo, na planície, notava-se um movimento estranho… os cristãos tinham descoberto a fuga dos Mouros e D.Paio Peres Correia dera ordens para atacar sem demoras. A escalada do Castelo começou imediatamente, no meio do alarido e confusão. Subia com os cristãos o clamor da vitória! Mas quando transpuseram as ameias do Castelo, uma grande surpresa os aguardava. Conforme nos conta a lenda: não viram um único Mouro! Apenas havia uma linda Moura, ajoelhada, orando fervorosamente, como alheada de tudo e de todos. Era a filha de Aben-Fabilla. A única pessoa que ficara no Castelo, esquecida dos que fugiram em grande alvoroço. O Jovem e corajoso D. Gonçalo Peres, um dos homens mais corajosos das hostes _Senhora! Que fazeis aqui? -Estava orando, Senhor. -Senhora, escutai-me… Castalar é nossa. Todos os seus companheiros fugiram. Entredentes, a Moura murmurou, numa mistura de desolação e raiva: - Salir! Salir! Foi essa a ordem que lhes deram…é tudo o que sabem dizer. -É o que vós tendes a fazer também, senhora! Sair… ou Salir, como vós dizeis. Não percas tempo… sereis capturada ou morta, se vos apanharem! Compreendes? Cabeça erguida, rosto imperturbável. Uma única resposta: - Prefiro morrer… a Salir! Então, o jovem cavaleiro enervou-se. -És ainda muito nova para morrer. Muito Nova e muito Bela. Foge também! Sai por essa porta que dá para o Monte…por essa porta por onde saíram os outros… Mas depressa, senhora, depressa!... Dentro em breve, meus companheiros estarão aqui! E poderão pensar que fiquei encantado por ti… -Encantado? A pergunta soou como um desafio. E ela ergueu os braços. Numa atitude de prece, ou talvez de vitória. Conta a lenda que nesse preciso momento, transtornado pela falta da filha que não encontrava em parte alguma, o velho Aben-Fabilla subiu ao ponto mais alto do monte e ditou umas palavras misteriosas- e tudo se consumou no mesmo instante… Entretanto, no Castelo, a Moura olhava D. Gonçalo Peres dizendo-lhe que não era ele que estava encantado, mas sim ela… Ao dizer isto, a Moura ficou hirta quem nem uma estátua. Logo a seguir chegavam os companheiros do soldado português… - Que bela estátua!- gracejou um deles – até parece viva! -E não estará mesmo viva? - perguntou outro, em ar de brincadeira. Foi a Vez de D. Gonçalo Peres reagir: - Calai-vos! Não vêem que ela é de pedra? A sua voz porém, tremia. Os outros entreolharam-se admirados. – Nunca vi nada semelhante na minha vida! Confessou um deles. – Deve ser uma das tais Mouras encantadas! – disse outro. D. Gonçalo voltou-se para eles e disse: - Deixemo-la em paz! É uma castelã de pedra… temos de revistar o resto do Castelo…Vamos! D. Paio Peres Correia escutava satisfeito os ecos da vitória. Castalar estava em poder dos portugueses. Agora restava apenas Loulé. Depois, o Algarve ficará definitivamente cristão. Quando os portugueses voltaram novamente ao local onde estava a Moura, já lá não encontraram nada…Diz a lenda que esta Moura encantada ainda hoje pena, nos restos do muro do velho Alcácer e guardada por um enorme leão. E nas noites de tempo agreste ouve-se murmurar entre as árvores o som tristíssimo do lamento da última filha do Alcaide Mouro de Salir.

8.11.22

POESIA ÁS TERÇAS - MIA COUTO


Solidão



Aproximo-me da noite
o silêncio abre os seus panos escuros
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso

Esta deveria ser a hora
em que me recolheria
como um poente
no bater do teu peito
mas a solidão
entra pelos meus vidros
e nas suas enlutadas mãos
solto o meu delírio

É então que surges
com teus passos de menina
os teus sonhos arrumados
como duas tranças nas tuas costas
guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos
onde a vida te encarou

Mas os ruídos da noite
trazem a sua esponja silenciosa
e sem luz e sem tinta
o meu sonho resigna

Longe
os homens afundam-se
com o caju que fermenta
e a onda da madrugada
demora-se de encontro
às rochas do tempo


Mia Couto, 
in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

7.11.22

LENDAS DE PORTUGAL - LENDA DA DAMA DO PÉ DE CABRA

 Lenda da Dama do Pé de Cabra



D. Diogo Lopes, nobre senhor da Biscaia, caçava nos seus domínios, quando foi surpreendido por uma linda mulher que cantava. Ofereceu-lhe o seu coração, as suas terras e os seus vassalos se com ele se casasse. A dama impôs-lhe como única condição a de ele nunca mais se benzer.

Só tempos mais tarde, já no seu castelo, D. Diogo se apercebeu que a dama tinha um pé forcado, como o de uma cabra. Não obstante, viveram muitos anos felizes e tiveram dois filhos: Inigo Guerra e Dona Sol.

Um dia, depois de uma boa caçada, D. Diogo premiou o seu grande alão com um osso, mas a podenga preta de sua mulher matou o cão para se apoderar do pedaço de javali. Surpreendido com tal violência, D. Diogo benzeu-se. A Dama de Pé de Cabra deu um grito e começou a elevar-se no ar, com a sua filha Dona Sol, saindo ambas por uma janela para nunca mais serem vistas.

Com o desgosto, D. Diogo decidiu ir guerrear os mouros durante anos, acabando por ficar cativo em Toledo. Sem saber como resgatar o pai, D. Inigo resolveu procurar a mãe, que se tornara, segundo uns, numa fada, segundo outros, numa alma penada. A Dama de Pé de Cabra decidiu ajudar o filho, dando-lhe um onagro, uma espécie de cavalo selvagem, que o transportou a Toledo.

Aí, o onagro abriu a porta da cela com um coice e pai e filho cavalgaram em fuga, mas, no caminho, encontraram um cruzeiro de pedra que fez o animal estacar. A voz da Dama de Pé de Cabra instruiu o onagro para evitar a cruz. Ao ouvir aquela voz, depois de tantos anos e sem saber da aliança do filho com a mãe, D. Diogo benzeu-se, o que fez com que o onagro os cuspisse da cela, a terra tremesse e abrisse, deixando ver o fogo do Inferno, que engoliu o animal. Com o susto, Pai e filho desmaiaram.

D. Diogo, nos poucos anos que ainda viveu, ia todos os dias à missa e todas as semanas se confessava. Já D. Inigo nunca mais entrou numa igreja e crê-se que tinha um pacto com o Diabo, pois, a partir de então, não havia batalha que não vencesse.



Fonte Lendas e Narrativas - Alexandre Herculano