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24.11.21
A CORAGEM DE DIZER: BASTA!
12.12.20
CILADAS DA VIDA - PARTE LXXIII
O mês de Setembro aproximava-se do fim, os bebés tinham feito sete meses há dias, estavam grandes e tão desenvolvidos que ninguém diria terem sido prematuros. Os três já se sentavam sozinhos, e interagiam tanto com os pais como com as enfermeiras e as amas.
Aproveitando o bom tempo de Verão, iam todos os dias à rua.
Umas vezes com a mãe, Sandra e uma das amas, outras com as amas e a enfermeira.
E até já tinham ido alguns dias à praia, nessas alturas também com o pai, que
procurava passar o máximo de tempo em casa com eles, mas que muitas vezes tinha
que descer porque os negócios não se compadeciam com o abandono, e ele tinha
muitos empregados, gente que dependia daquele emprego para viver.
Quando os bebés tinham cinco meses e meio, Teresa começou o
desmame, sempre orientada pelas enfermeiras que continuavam lá em casa. Sandra de dia, Rosa aos fins de semana, e Gabriela de noite. Reduzindo uma mamada de cada vez a cada quatro dias dias e tirando leite apenas três vezes por dia, compensando com o leite congelado anteriormente, de forma a
que o corpo se fosse habituando a produzir consoante as novas necessidades, e
evitando assim possíveis complicações como ingurgitamento, obstrução dos ductos, ou mesmo uma mastite. O processo durara quarenta e cinco dias, mas finalmente
terminara na totalidade sem problemas de maior.
Pouco depois dos bebés completarem seis meses, marcara uma
consulta com a doutora Laura, e conversara com ela sobre a sua vida sexual que
ainda não iniciara, apesar de estar agora cada dia mais recetiva às carícias do
marido. Contou-lhe que João não sabia se ainda podia ou não ser pai, devido ao
tal tratamento agressivo que o fizera recorrer à clínica de PMA para guardar o seu sémen
e pediu aconselhamento sobre contracetivos.
A médica disse-lhe que se estivesse no lugar dela, poria um dispositivo
intrauterino, (DIU) Ela não poderia engravidar nos próximos
anos e embora a eficácia da pílula fosse praticamente total, sempre podia ver o
seu efeito anulado com alguns medicamentos. O DIU seria ideal, pelo que
depois de um exame, ela mesma lho poderia implantar.
E fora o que acontecera.
Mas ainda não houvera uma noite de amor entre
eles, apesar das carícias serem cada dia mais prazerosas, em parte porque João lhe queria proporcionar uma noite especial, fora do ambiente da casa, com as crianças amas e enfermeira.
Naquela Sexta feira, fazia um ano que após a consulta das doze semanas, os dois tinham decidido casar. João pensou que Tinha chegado a hora de iniciarem a vida conjugal, antes que ele perdesse de vez o controlo e acabasse por se esquecer da mini lua de mel que lhe queria proporcionar.
Assim falou com o irmão, que imediatamente se prontificou a falar com a mulher e a irem ficar na sua casa a partir dessa noite e até domingo à tarde, de modo
a que o casal pudesse ter um fim de semana só para eles. Depois disso telefonou para um hotel nos arredores e marcou uma suite para recém casados, para essa mesma noite. Marcou uma mesa para jantar num dos
melhores restaurantes da cidade e foi a uma ourivesaria onde comprou um fio de ouro com
um rubi em forma de coração. Só então voltou para casa.
Teresa esperava que a levasse a jantar fora nesse dia, porque na véspera tinham falado na data, mas
não esperava que o marido chegasse a casa e lhe pedisse que colocasse numa
mala, roupas para os dois dias que iam passar fora.
-Mas e os bebés? – perguntou.
- Não te preocupes. O David e a Helena estão a chegar, vão ficar aqui até ao nosso regresso. E as amas. E a enfermeira Gabriela de noite e a enfermeira Rosa no fim de semana. Vão estar bem cuidados e nós vamos ter um tempo só nosso. Como se tivéssemos acabado de casar agora. E se a saudade apertar, fazemos uma vídeo chamada. Vou tomar um duche. Mas antes quero dar-te uma coisa.
Meteu a mão no bolso e entregou-lhe a caixinha que ela abriu com
mãos trémulas.
- Meu Deus é tão lindo! – exclamou
- A medalha, - explicou João enquanto lho punha no pescoço– simboliza o meu coração, que
é teu há muito tempo. Então, porque choras? - perguntou apertando-a contra o seu peito.
- Choro porque estou feliz, não te preocupes. Anda, vai lá tomar o teu duche,
enquanto faço a mala.
11.9.20
CILADAS DA VIDA - PARTE XXXI
Teresa gostou realmente do restaurante. O edifício situado na marginal, com o bar e a esplanada estendendo-se pela rocha, como que entrava no mar delimitando a fronteira entre as praias da Rainha e da Conceição. A sala de refeições era muito agradável, com largas janelas para a praia. A mesa que lhes estava reservada situava-se precisamente junto a uma dessas janelas, donde se podia observar o vai e vem das ondas, transmitindo uma sensação de calma que acabou descontraindo a jovem.
-Preferes carne ou peixe? -
perguntou João enquanto consultava a carta. A especialidade aqui são os pratos
à base de peixe ou marisco, mas o Bife Tártaro do Mâitre, ou o Carré de borrego
assado com maçãs, também são uma delícia.
- Vou escolher o Robalo no forno à Portuguesa, pois receio que os pratos mais elaborados de carne me enjoem e te faça passar vergonha.
- Muito bem, vamos para o
robalo. E entradas? Gostas de Ostras?
- Não sei, nunca comi, mas
também não será hoje que vou experimentar. Além do receio de enjoar,
habitualmente não como muito e se começo com as entradas receio já não comer mais
nada. Mas tu, pede o que te apetecer, não tens que te preocupar comigo.
-Desculpa, mas não estou de
acordo. És a convidada, portanto a pessoa mais importante nesta mesa. Se
receias enjoar com a carne ou com as entradas então não as pedimos. Desejo que
relaxes e saboreies a refeição. E se
possível, que te esqueças do papel, que ambos desempenhamos nesta peça, em que a vida
nos meteu. Imagina que sou um amigo de longa data, que não vias há muito tempo.
Será mais fácil para os ti.
Os olhos de Teresa tinham um
brilho húmido, como se estivesse a reter as lágrimas. João estendeu a mão e apertou
a dela. Recordou que ela lhe dissera estar sozinha na vida, e sentiu toda a sua
fragilidade como se fora a sua própria. Sabia bem o que era sofrer, e não sentir
o consolo de um abraço, ou simplesmente uma palavra de ânimo de pai ou mãe. Em
silêncio jurou a si mesmo, que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para a
proteger.
O empregado chegou, eles
fizeram o pedido, e durante breves segundos mantiveram-se em silêncio
observando o vai vem das ondas, cada um perdido sabe-se lá em que mundo, presos
de que fantasmas. Depois Teresa levantou-se dizendo:
-Desculpa, tenho que ir à casa
de banho.
E afastou-se. Mais do que uma
necessidade fisiológica, própria do seu estado, Teresa queria esconder dele as
lágrimas que não conseguia reter por mais tempo. Precisava dois minutos de
solidão para lavar o rosto e recompor-se da emoção que aquele homem lhe
provocara. Era aquele o homem, que Gonçalo e o médico do Centro Clínico, lhe descreveram
como um homem duro, capaz de tudo para atingir os seus fins? A ela parecia-lhe
mais o Príncipe de um conto de fadas. Enxugou o rosto e abanou a cabeça. Não!
Não se deixaria iludir. Os Príncipes não existiam na vida real. O que existia eram sapos, capazes de boas representações.
Regressou à mesa no momento em
que o empregado se aproximava com o pedido
4.6.20
ISABEL - PARTE XVII
- Estás louca! - Como posso estar apaixonada por um homem que mal conheço? De quem, nem o nome sei?
13.5.20
ISABEL PARTE I
Foto minha
Isabel saltou da cama, subiu a persiana e abriu a janela deixando que o ar frio e húmido lhe viesse acariciar o rosto. Olhou o céu coberto de nuvens a ameaçar chuva. Sentiu um arrepio. Fechou a janela e dirigiu-se à casa de banho. Era o seu último dia de férias no Algarve, e pensava ir para a praia como nos dias anteriores.
Nota: Como alguns disseram ontem, o blogue não é uma obrigação, mas é a única ponte que tenho para estar convosco, numa altura, em que não vejo amigos nem irmãos nem outros familiares além do filho nora e netas. Daí o querer manter o blogue ativo.
22.6.19
UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXX
Esta história volta segunda-feira
29.1.19
SANTUÁRIO DO SENHOR BOM JESUS DO CARVALHAL
"O Carvalhal foi repovoado depois da reconquista de Óbidos aos Mouros em 1147, por D. Afonso Henriques. Em 1371, D. Fernando desanexou o Cadaval de Óbidos e o Carvalhal passou a pertencer ao concelho do Cadaval; em 24 de Outubro de 1855 voltou a pertencer a Óbidos e em 28 de Março de 1914, com a criação do concelho do Bombarral, passou a fazer parte do novo concelho. A Paróquia foi curato da apresentação do prior de beneficiados de Nossa Senhora da Assunção de Óbidos até à nova restauração pastoral do Patriarcado, já no séc. XX. O Santuário foi construído sobre as ruínas duma primitiva ermida dedicada a São Pedro de Finis Terra que ruíu com o terramoto de 1755. Entretanto, sem precisão de data, já a Imagem do Senhor Jesus fora recolhida na capela-mor da referida ermida que seria a primeira igreja paroquial. A Imagem do Senhor Jesus é duma beleza ímpar, envolve mistério e lenda, não se sabendo com exactidão a sua origem. Poderá admitir-se a hipótese de, na ocasião da reforma protestante na Europa Central, a Imagem ter sido lançada ao mar, como aconteceu em situações de radicalidade no movimento protestante, vindo a ser encontrada na praia de Peniche.
Dá para perceber que não tenho escrito nada novo.
E que estou a "roubar" textos de outro blog que poucos leitores do Sexta visitam. Em compasso de espera para a cirurgia, com uma festa de aniversário para preparar para esse mesmo dia e a azáfama do lançamento do livro, o tempo não dá para nada.
16.3.18
A TRAIÇÃO - PARTE XXIII
A TRAIÇÃO - PARTE XXII
Parece que a maioria já entendeu que a Inês foi a culpada da separação destes dois. Mas será que foi mesmo? Será que os complexos dos dois, a sua insegurança não foi a real culpada?
Que vos parece? Vai acabar bem ou vai acabar num divórcio?
15.3.18
A TRAIÇÃO - PARTE XXI
Amanhecera há bastante tempo quando ela acordou. Ainda sonolenta olhou à sua volta com estranheza, e logo se lembrou de onde estava. Sentou-se na cama e olhou o lugar onde João dormira. A almofada ainda conservava a forma da sua cabeça. Estendeu a mão e tocou-lhe. Estava fria, o que queria dizer que já devia ter acordado há bastante tempo. Foi até ao armário e retirou a roupa para vestir. Com ela na mão foi para a casa de banho. Tomou um duche rápido, enrolou-se na toalha e secou o cabelo.
28.6.17
SONHO AO LUAR - PARTE XVII
Isabel, tivera um dia complicado no escritório. O telefonema de Hélder, no fim da manhã, contribuíra para uma desconcentração na parte da tarde, que a obrigara a um esforço extra para fazer alguma coisa de útil. Felizmente que no dia seguinte era sábado, podia descansar um pouco. Cansada, tomou um relaxante banho, espalhou sobre o corpo um creme hidratante, enfiou uma curta camisa de dormir, o robe de seda, e sem ânimo para fazer jantar, pensou em fazer um chá e duas tostas. Acabara de pôr a chaleira ao lume com a água para o chá, quando a campainha tocou. Espreitou pelo ralo, e ficou sem cor ao reconhecer o escritor. Olhou para si mesma, para a roupa inapropriada para receber visitas, que vestia, mas acalmou-se ao pensar que ele não podia vê-la. Mas seria mesmo ele? Devia estar enganada. Ele não sabia onde ela morava. Nem se devia lembrar já da sua existência. Nesse momento a campainha voltou a tocar de forma impaciente. Voltou a espreitar. Não havia dúvida. Era ele. Abriu a porta, quando ele se aprestava para tocar pela terceira vez.
Ele sorriu. Sem se dar conta, perguntando pelo cão guia, ela tinha-se denunciado.
19.6.17
SONHO AO LUAR - PARTE III
Agora, Isabel tem vinte e seis anos, um bom emprego como advogada, num escritório de advocacia, e encontra-se de férias que mais uma vez decidiu passar na casa da avó, que ela adora e com quem está a pensar, passar mais tempo. Na verdade, anda a estudar a hipótese de montar o seu próprio escritório de advocacia, na aldeia.
6.6.17
JOGO PERIGOSO - PARTE XIX
Pagaram a conta, e saíram, mas em vez de se dirigirem ao carro, contornaram o restaurante e dirigiram-se à praia. Descalçaram-se.
23.6.16
MANEL DA LENHA - PARTE XCIII
Foto do jornal Público
Aflitos sem saber mais onde procurar, dirigiram-se à polícia.
O agente que os atendeu perguntou se ele não teria ido para a praia. Estávamos em Maio, e o dia tinha estado muito quente. Os pais não acreditavam. O garoto nunca fora a lado nenhum sozinho. A mãe, levava-o à escola, e ia buscá-lo. O agente tomou nota do caso, depois de perguntar os sítios que a criança costumava frequentar. Iam tomar providências. Mandaram os pais para casa, o garoto podia ter chegado entretanto. O casal dirigiu-se a casa, e no caminho encontraram um grupo de gaiatos, mais velhos do que o seu filho, que vinham da praia. E entre eles, lá vinha o Pedro. Os outros miúdos mais velhos, eram da 4ª Classe, saíram mais cedo e desafiaram o Pedro para ir com eles para a praia. E aproveitando uma distracção da contínua, que acorrera a levantar do chão, uma chorosa criança mais pequena, o Pedro saiu e foi para a praia com eles.
Escusado será dizer que esteve de castigo mais de uma semana. Pais, avô e padrinhos nunca mais iriam esquecer a aflição daquela tarde.
Por esses dias, aparece nas bancas um novo semanário. O Independente com direcção de Miguel Esteves Cardoso e Paulo Portas.
A 25 de Agosto, nova tragédia atinge o País, desta vez no coração de Lisboa. O fogo devora o Chiado, em labaredas tão grandes que são visíveis na outra margem do Tejo. Prédios e lojas, tudo fica reduzido a cinzas. Dois mortos e mais de quarenta feridos, além de vários prédios históricos destruídos, é o rescaldo do incêndio, que os lisboetas jamais esquecerão.
Em Setembro começam os jogos olímpicos de Seul, que os portugueses seguiram na esperança de que a Rosa Mota trouxesse a medalha de ouro para Portugal. E ela não nos desiludiu.
No dia em que Portugal comemora a implantação da República, um plebiscito no Chile, derrota Pinochet, e é o princípio do fim do ditador.
E a 14 desse mesmo mês, PS e PSD chegam a acordo para a revisão da Constituição.
Pouco antes do Natal, a família dispensa a empregada, que acompanhara a Gravelina nos últimos anos. Ela já faz a sua higiene sozinha, veste-se e calça-se. O marido faz as refeições, e para a limpeza da casa, tem a mulher a dias que vem dois dias por semana. E se for necessário alguma coisa, os filhos dão uma ajuda. A despesa é muito grande, as reformas curtas, e se bem que é o filho quem paga o ordenado da empregada, eles não querem continuar a sobrecarregá-lo com esse encargo.
26.1.16
AMANHECER TARDIO XLII
-Só não esperava que aparecesses no hotel e estragasses a surpresa!
Elvira Carvalho
15.1.16
AMANHECER TARDIO - PARTE XXIX
Fechou o portátil e foi até à janela. Depois de um rápido olhar para a rua, atravessou o quarto a passos largos.
Sentia vontade de sair. Afinal era Sexta-feira, noite de Verão. Luís não era homem de reprimir os seus desejos. Nunca o fizera. Chegou à rua e olhou em volta. A noite estava quente, e a lua cheia, redonda como ventre fecundado, extremamente brilhante, derramava sobre a cidade toda a sua luminosidade. Se ele fosse romântico diria que estava uma noite para namorar. Mas não o era. Apetecia-lhe caminhar. Observar as pessoas com quem se cruzava.
Caminhou pela baixa até à Praça do Comercio. Sempre gostara de ver o Tejo em noites assim. Desde o tempo em que ele era “o outro”. As memórias lutavam para vir à superfície e aos poucos foi deixando que elas ocupassem o seu espaço no presente.
















