Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta automóvel. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta automóvel. Mostrar todas as mensagens

14.5.21

COMEÇAR DE NOVO PARTE VI


- Lena, já passa das dez e meia. Não te esqueceste da reunião na escola, pois não?

- Meu Deus, já? Estava distraída, com o inventário dos bens do caso Mendes verso Correia. Tenho que resolver isto esta semana. Mas agora tenho mesmo que ir. Até logo, Rita.

Saiu, meteu-se no automóvel e dirigiu-se à escola. Ficou aborrecida ao chegar e verificar que não tinha lugar para estacionar no parque frente à mesma. Deu uma pequena volta e estacionou numa transversal ali perto. A caminho da entrada olhou o relógio. Estava quase em cima da hora e ela detestava chegar atrasada. Apressou o passo e ao dobrar a esquina para entrar na zona da escola chocou com um homem que vinha em sentido contrário, trazendo uma menina pela mão. Teria caído se ele não a tivesse segurado.

- Está bem? – perguntou ele

- Desculpe, a culpa foi minha, estou atrasada, vinha quase a correr - disse ela  levantando os olhos para ele.  Nesse momento, o seu rosto empalideceu, sentiu que as pernas lhe tremiam, mas num enorme esforço de vontade, desprendeu-se dos seus braços, e correu para o portão da escola.

-Que mulher maluca! - disse a menina e dando a mão ao homem que continuava estático olhando o portão da escola, perguntou:

-Vamos?

-Vamos sim, Princesa, a tua mãe já deve estar a perguntar-se porque nos demoramos tanto.

 - A mãe não sabe que vou contigo. Ia ligar-lhe quando soube que não tinha as duas últimas aulas, mas então vi-te a saíres da sala de reuniões e já não o fiz.

Entraram no carro e a caminho de casa, ele perguntou:

-Conheces todas as professoras da escola, Sara? Aquela mulher é professora?

-Tenho a certeza que não. Nunca a vi antes. Mas hoje é dia de reunião de pais. Deve ser alguma mãe, que ia para a reunião das onze. Porquê?

-Curiosidade, Sara. Apenas isso.

Não voltou a falar até chegarem a casa. Gonçalo estava inquieto. Só tinha segurado aquela mulher durante breves segundos, mas a sensação que teve foi muito estranha. Como se de algum modo, o seu destino estivesse ligado ao daquela desconhecida.

 Chegaram. Mal teve tempo de estacionar, em frente da moradia e já uma jovem mulher abria a porta de casa.

- Já em casa, Sara? – perguntou admirada

- Não tinha as duas horas de Inglês. Ia telefonar-te, mas então vi o tio Gonçalo a sair da reunião e vim com ele. O mano?

- Está a dormir.  Vamos entrar. Gonçalo, quero que me contes tudo sobre a reunião. Como está a Sara nos estudos?

- Não tens razões para estar preocupada. A tua filha é uma ótima aluna. Vai ter excelentes notas como sempre.

-Obrigado. Não sei o que seria de nós sem ti. Vamos entrar?

Afastou--se para deixar entrar a filha e o irmão, fechando a porta em seguida. 

- Mãe, vou para o meu quarto fazer os TPCS.  Almoças connosco, tio?

- Se a tua mãe me convidar, - respondeu o homem sorrindo.

- E desde quando, é preciso convidar-te?  Não tens hospital hoje? – perguntou Laura.

 

Finalmente ontem levei a primeira dose da AstraZeneca. Mas ainda tive que ir buscar mais um documento ao meu centro médico. Hoje tenho uma nova ida ao hospital para uma consulta de pneumologia. Não me tem sido possível visitar-vos. Ou melhor tenho lido alguns dos vossos posts nas salas de espera, mas não consigo comentar através do telemóvel. Penso conseguir voltar ao normal no próximo fim de semana

9.9.20

CILADAS DA VIDA - PARTE XXX

 



Abriu a porta da rua, e João já se encontrava de pé junto do seu automóvel. Vestia umas calças pretas e uma camisa branca de mangas arregaçadas. Ao vê-la puxou os óculos escuros para a testa, e aproximou-se. Indecisa sobre como cumprimentá-lo, numa sociedade onde quase toda a gente usava o beijo social, mas não se sentindo à vontade para o fazer, aguardou que ele tomasse a iniciativa, e João estendeu as mãos e segurou as dela.

- Bom dia, como estás?

- Bem e tu? – retorquiu sentindo que a voz lhe tremia, nervosa com o calor que as mãos dele estavam a provocar no seu corpo. Que era aquilo? Nunca tinha sentido nada igual, só podiam ser as suas hormonas descontroladas com a gravidez.

-Eu estou bem, mas vamos para o carro, está muito calor – disse largando-lhe as mãos e pegando-lhe no braço.

Acompanhou-a ao carro, abriu-lhe a porta e esperou que se sentasse para  a fechar, puxar os óculos escuros para os olhos, dar a volta ao carro e sentar-se ao volante. Ligou o motor e arrancou, ao mesmo tempo que lançava um olhar rápido sobre a sua companheira. Reparou que também ela tinha colocado os óculos escuros, tinha as mãos no colo, uma apertando a outra, e uma postura rígida, como se não estivesse à vontade ou temesse algo. Sorriu.

- Pensei que, dado que estamos no verão, seria agradável almoçar à beira-mar. Reservei mesa no Albatroz em Cascais. Conheces?

-Não.

- O serviço é bom, o ambiente estupendo e a vista espetacular. Acredito que vais gostar.

- Tenho a certeza que sim.

O silêncio que se seguiu foi quebrado quando ele disse:

-Não te conheço bem, mas em relação à última vez que te vi, acho-te abatida. Tens passado mal?

- Até agora não. Apenas tinha muito sono. Mas esta manhã começaram os enjoos, e levei mais de duas horas com vómitos.

- E quando vais ao médico?

-Mês que vem, dia seis. Faço oito semanas, e vou fazer a primeira ecografia.  Parabéns pela tua festa. Vi a reportagem nas notícias, ontem, parece que foi um sucesso - disse para mudar o rumo da conversa, pois não se sentia à vontade para falar da sua gravidez com ele. Era certo que era o pai do seu bebé e que ela lhe tinha prometido que ele faria parte da vida da criança, mas isso não impedia que falar do seu estado, fizesse com que o seu rosto parecesse um tomate e sentisse vontade de se esconder, onde ele não a visse, pelo menos até ao nascimento do bebé. Percebendo ou não o que se passava com ela, João disse:

- Olha Teresa, acredito que esta situação seja difícil para ti; e de certa forma também o é para mim. Afinal somos dois desconhecidos que por um erro médico se vêem obrigados a conviver. Todavia somos os dois adultos, ambos queremos essa criança, e por ela estamos dispostos a lutar.  E como sabes neste caso há duas formas de luta. Ou lutamos um contra o outro, com todos os inconvenientes que isso acarreta, especialmente para a criança, ou lutamos lado a lado para que cresça num ambiente de amor e respeito.  

Tinham chegado ao parque do restaurante, ele estacionou o carro e levantou os óculos escuros, voltando-se para ela, que desapertava o cinto. Esticou o braço e tirou-lhe os óculos. Uma lágrima desprendeu-se dos olhos femininos e deslizou-lhe pelo rosto. Num movimento suave com o dedo grande ele limpou-a.

-Confia em mim, Teresa. Juro-te que não te farei mal, se fores leal comigo. E agora põe um sorriso nesse rosto bonito e vamos entrar que está na hora.

4.10.19

VIDAS CRUZADAS - PARTE XXIII









Por volta das quatro,  dirigiu-se ao hotel
Ao chegar ao átrio do mesmo, verificou que o empregado já não era o mesmo que o atendera no final da manhã. 
- Boa tarde. Sou Pedro Medeiros. Já aqui estive de manhã para saber se a menina Rita Sequeira, tinha deixado alguma mensagem para mim. O seu colega disse-me que não tinha nada, mas para passar a esta hora, podia ser que o senhor tivesse.
- Boa tarde. Sim a menina Rita deixou-me um envelope para lhe entregar, caso o senhor viesse procurá-la. - E abrindo uma gaveta retirou um envelope que lhe estendeu. - Aqui está.
Com mão trémula recebeu o envelope, agradeceu ao empregado e dirigiu-se a passos largos para o automóvel.
Aí chegado hesitou. Abria ou não o envelope imediatamente? Seria uma despedida? Um contato? Só havia uma maneira de o descobrir. Com as mãos a tremer, abriu o envelope e retirou de dentro dele uma folha de papel perfumado. Cada vez mais ansioso percorreu-a com o olhar. Tinha pouca coisa escrita. Apenas uma morada em Castelo Branco e a assinatura da jovem. Mas para ele aquilo foi como a mais bela declaração de amor. 
Olhou a cabine telefone,pensando que devia telefonar à mãe, mas de pronto decidiu retomar a viagem. Ligaria à mãe quando chegasse a Castelo Branco. Afinal ela já sabia que tinha chegado bem a S. Pedro e só esperaria novo telefonema à noite. Pôs o motor a trabalhar e o carro arrancou em direção ao sul. O sol aquecia a natureza, e a felicidade inundava o seu coração.Tinha a certeza de que Rita ia perceber as suas razões, e não só lhe ia perdoar, como  ia aceitar ser a rainha da sua vida.

Fim


Elvira Carvalho


                                          
Bom gente ontem estive no Hospital de Santa Maria desde as duas e meia até aos vinte para as seis. 
As notícias não foram lá grande coisa. Foi-me dito que tão breve haja uma córnea, farei o transplante e também que embora seja uma cirurgia combinada, ou seja tirar pontos, silicone, redução de um edema ocular e transplante de córnea, não me será posta a lente nesse dia por uma questão de prevenção de possibilidade de rejeição. O professor disse-me que prefere que eu faça a recuperação total do transplante e só depois fazer uma pequena cirurgia para por a lente.  Postas as coisas neste pé, não será tão cedo que eu estarei livre disto. E já faz hoje 8 meses. 

15.4.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XXV



Meia hora mais tarde os dois despediam-se de Alice a governanta, depois de António ter dado o código de acesso à jovem e ter dado ordens à governanta para acatar os pedidos dela como se fossem ordens suas, seguindo para a igreja cada um no seu carro.
Paula não conseguiu demover António de ir à igreja e ele não a conseguiu convencer a deixar ali o automóvel e ir com ele no seu veículo.
Na Igreja, procuraram pelo pároco, e uma velhota disse-lhes que o Padre  estava na sacristia, pelo que se dirigiram para lá. O Padre Celso  era um homem jovem que os acolheu com cordialidade, e posto ao corrente do que pretendiam aceitou imediatamente dizendo que numa época, em que os jovens, cada vez mais fugiam do sacramento do matrimónio, e na maior parte dos casos aqueles que a ele recorriam, não o conseguiam manter por muito tempo, era sempre com enorme alegria que ele fazia a confirmação de votos vários anos depois. Tudo tratado, com dia e hora marcados e depois de ter recebido uma boa contribuição para as obras paroquianas, os dois despediram-se do pároco, e saíram despedindo-se à porta da igreja.
-A que horas, queres que eu esteja no teu escritório amanhã?
- Se puder ser por volta das duas, ótimo. Como te disse depois de amanhã, vamos a Faro tratar de uns negócios e seria bom que falasses com o meu cunhado antes.
-Vou tentar ter tudo pronto esta mesma noite. Até amanhã, - disse estendendo-lhe a mão, no tradicional gesto de despedida.
António, segurou-lhe os dedos e depositou-lhe um cálido beijo na palma da mão que a estremeceu da cabeça aos pés. Depois sem uma palavra abriu-lhe a porta do carro, esperou que entrasse e colocasse o cinto, e só depois a fechou. Afastou-se um pouco, quando a jovem arrancou, esperou que o carro desaparecesse na curva e voltou a entrar na igreja. Sentou-se num banco quase junto à porta, e inclinando-se para a frente apoiou os cotovelos no joelhos e meteu a cabeça entre as duas mãos abertas. Fechou os olhos e fez uma retrospetiva da sua vida. Lembrou da doença do pai, da acusação de Jorge Maldonado, do seu despedimento, da ida para França, dos sacrifícios do desejo de vingança, de tudo o que tinha passado até aí. De súbito sentiu uma mão que lhe pousava suavemente no ombro. Abriu os olhos, e viu o rosto jovial do Padre Celso que o olhava com bondade.
- Precisa de ajuda, meu amigo? Quer conversar?
- Como assim, padre? Uma confissão?
- Não tem que ser necessariamente uma confissão, pode ser só uma conversa, se achar que lhe faz bem desabafar.
- Padre eu tive uma educação religiosa, mas desde que deixei os escuteiros aos dezoito anos, não voltei a entrar numa igreja até hoje. Meu pai adoeceu quando me preparava para entrar na Universidade, tive que abandonar todos os meus sonhos e procurar emprego para ajudar em casa, já que a minha irmã era pequena e minha mãe deixou de trabalhar, para cuidar do meu pai. Mais tarde fui acusado de roubo, despedido, e não conseguindo arranjar outro trabalho, vi-me obrigado a emigrar, depois de ter visto meu pai morrer sem lhe poder provar que não era um ladrão. Revoltado, pensei que Deus era injusto, que me tinha abandonado e afastei-me da igreja e d' Ele. Durante anos, trabalhei como um condenado, para conseguir uma vida melhor.
Doze anos depois, um colega de trabalho com quem partilhava a casa convidou-me a fazer o Euromilhões, numa dessas semanas de muito dinheiro. Nunca tinha jogado, e não acreditava que nos saísse alguma coisa de jeito, mas o Júlio convenceu-me e fizemos uma única aposta. Estavam em jogo cento e oitenta milhões, e houve apenas duas apostas certas. Uma delas era a nossa.


Aviso, dada a solenidade que se aproxima esta semana só serão publicados três capítulos desta história.


10.4.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XXI





Estacionou o automóvel junto à porta e saiu. Percorreu com o olhar o vasto jardim, e franziu a testa, pensando se a jovem já se teria ido embora, porém logo deparou com o carro cinza estacionado junto à porta da garagem e um sorriso distendeu os seus bem desenhados lábios. Subiu os três degraus até ao alpendre e abriu a porta. Ouviu vozes na cozinha e encaminhou-se para lá. Paula e a governanta conversavam animadamente sentadas à mesa, com uma chávena de chá e um pires de biscoitos na frente.
- Bom dia, – saudou.
- Bom dia, senhor. Não o ouvimos chegar, - disse a empregada levantando-se  apressada.
Paula também se levantou. Vestia um fato de calças e casaco de seda azul, com decote em bico, e calçava sandálias de salto. Elegante e muito feminina.
- O que achas do jardim? -perguntou o recém chegado.
- Muito bonito mas não serve para o evento.
- Não? – Admirou-se ele
- Se vieres comigo explico-te.
Saíram e caminharam até ao lago circundado de bonitas flores.
- Bom, supõe que ponho o altar entre aquelas duas árvores, lá ao fundo junto ao muro. Teríamos que por duas filas de cadeiras para os convidados que segundo a lista que me enviaste é de oitenta pessoas. Duas filas de quarenta cadeiras que poderíamos por naquela parte, ali há poucas flores, podem ser transplantadas para outro local e tapar os estragos com pedaços de relva natural. Até aqui tudo bem, mas onde vou colocar as mesas para a festa? Usando mesas redondas precisaríamos de dez mesas grandes, para os convidados mais duas para apoio. Tinha que destruir todo o jardim.
- Já viste a parte de trás da casa? Tem um espaço bastante grande todo relvado até à piscina, que delimita a área entre o lazer e quinta propriamente dita. Não podíamos fazer a cerimónia aqui e a festa lá?
- Vamos ver.
Caminhando lado a lado contornaram a bonita moradia, um belo edifício de dois pisos.
- É uma bela casa- disse a jovem.
-Gostas? Comprei-a há dois anos. Inicialmente porque era um bom negócio, pensava voltar a vendê-la, mas depois decidi ficar com ela. É um local sossegado, tem bons ares, muito espaço para as crianças, é o ideal para uma família, não achas?
Não respondeu de imediato. Não sabia o que se passava com ela em relação ao empresário. Começara por sentir um sentimento de raiva quando soube o que ele fizera ao pai, exacerbado quando o pai lhe pediu para casar com ele. Entretanto a raiva fora sendo substituída primeiro pela curiosidade, depois pela admiração, e mais tarde por uma inquietação, quando falava ou pensava nele. E pensava nele vezes demais para o seu gosto, tanto mais que quase esquecera, Adolfo, o médico com quem mantivera uma relação de quatro anos e cuja traição a levara a querer distância de todos os homens.
De súbito, António agarrou-lhe no braço e parou, obrigando-a a fazer o mesmo.
- Que aconteceu? – Perguntou abrindo os olhos de espanto sem saber se era por ele ter interrompido os seus pensamentos, se pelo choque elétrico que percorria o seu corpo, com a sensação que a mão dele provocara no seu corpo.
- Diz-me tu, - respondeu. -Porque de repente fiquei com a sensação que te ausentaste e me deixaste a falar sozinho.

18.3.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE IV







Depois das festas de Natal, António aconselhou-se com o cunhado sobre como aplicar o dinheiro, de forma rentável de modo a que pudesse não só multiplicar a sua fortuna, como vingar-se do seu ex-patrão, pois essa ideia era como uma droga no seu espírito. Ele acreditava que o seu pai morrera por causa do desgosto de pensar que o filho se tinha apropriado do que não lhe pertencia. 
O cunhado era de opinião que há duas coisas de que o ser humano não abdica nunca. De comer, porque se o não fizer morre, e de querer parecer importante, estar bem na vida. E para isso, procura três coisas. Bons restaurantes, uma boa casa e um automóvel de luxo. Essencialmente o automóvel, pois quanto mais luxuoso, mais importância se dá a quem o tem.
E foram esses os seus primeiros investimentos. Um restaurante e um “stand” de automóveis. Ele mesmo, procurou mercados onde encontrar os melhores e mais frescos ingredientes ao melhor preço, para o restaurante, escolhera o chefe e os empregados. E estabeleceu além do ordenado, um prémio extra para cada um, se o restaurante obtivesse determinados objetivos. Esse incentivo criou neles o desejo de serem cada vez melhores e aumentarem cada vez mais a faturação. E três meses depois da inauguração, para se poder almoçar ou jantar no "Cozinha Portuguesa", já era necessário marcar mesa com uma semana de antecedência. Então abriu outro, numa cidade vizinha. Sempre com o mesmo método, e o mesmo nome, foi criando uma cadeia de restaurantes, nas principais cidades do país. Em três anos, os restaurantes "Cozinha Portuguesa" eram reconhecidos em todo o país, como símbolo de bom gosto e qualidade. O negócio dos carros também ia muito bem. Meio ano depois do seu regresso, António fora procurado por Júlio Correia, o seu ex companheiro de apartamento e de fortuna. Júlio queria tornar-se sócio no negócio dos automóveis, e assim não só tinham expandido o negócio a outras cidades, como o tinham alargado ao aluguer de carros. 
Três anos após o seu regresso, António Ferreira, quase duplicara a sua fortuna inicial, e  transformara-se num dos empresários mais bem sucedidos do país.
 Sempre assessorado pelo cunhado, a quem contratara os seus serviços de advogado, oferecendo-lhe além de um bom ordenado uma participação de cinco por cento nos negócios, o empresário aprestava-se para se envolver no negócio das imobiliárias, comprando uma pequena empresa que se encontrava insolvente. Nos dois anos que se seguiram, usou de uma política agressiva na imobiliária, não só em prol do seu crescimento, mas também visando afundar a empresa do seu inimigo. Agora, a sua empresa era a maior e mais importante do país. E finalmente estava prestes a vingar-se do homem que dezassete anos antes, lhe destruíra a honra e causara a morte do seu pai. Mas para além de arruinar o seu ex-patrão, António tinha um sonho.  Casar-se com a jovem  Paula única filha do seu inimigo.   
Ele conhecera Paula, há quase dezoito anos, quando trabalhava nos escritórios do pai dela. O Jorge, era viúvo, e costumava levar a filha para o escritório, quando a ia buscar à escola. Paula teria na altura, nove ou dez anos. Era uma garota tímida, alta e sem graça, mas que tinha os mais belos olhos verdes que ele já vira. E também os mais sofridos. Às vezes, António quase sentia uma necessidade premente, de abraçar a miúda e tentar por um pouco de alegria naqueles olhos. Depois que fora despedido, nunca mais a vira, até há cinco anos atrás quando do seu regresso de Paris, se cruzou com ela no Banco. Era uma mulher muito bonita, que caminhava com segurança, em nada fazendo lembrar a menina tímida que ele conhecera, exceto nos olhos.
Reconhecera-a imediatamente. E se em criança os seus olhos o impressionavam, naquele dia deixara-se enfeitiçar.
Desde esse dia, as suas fantasias passaram a ter um nome. Paula Maldonado.
E ele passou a sentir-se um homem dividido. Por um lado, pensava na jovem, como alguém a quem amar, uma companheira para a vida, a quem desejava fazer feliz, sem qualquer esquema de vingança. 
Por outro lado, casar com a filha do homem que o considerava ladrão, era mais uma forma de se vingar do seu ex-patrão.


A recuperação do meu olho, continua muito lenta. Tanto que por vezes  chego a duvidar das melhoras. Continuo com o tratamento e os cuidados que o médico recomendou. 

21.11.18

UMA HISTÓRIA DE AMOR - PARTE V


No passeio, em frente à casa, a irmã e o noivo esperavam-na.
As duas irmãs abraçaram-se e beijaram-se com carinho, perante o olhar sorridente de Pedro. Depois, Ana beijou o futuro cunhado, e ele apressou-se a abrir-lhe a porta traseira do automóvel para ela entrar. Tendo feito o mesmo com a porta da frente, para que Matilde entrasse, deu a volta ao automóvel e arrancou. Matilde iniciou a conversa, olhando a irmã pelo espelho do carro.
- Há quase um mês que não te via, Ana. Por causa dos preparativos para o casamento, estou pouco tempo em casa, e nunca te vejo quando lá vais. Sabes, queria a tua ajuda para comprar a prenda para o aniversário de casamento dos pais. Não sei que comprar. E estamos quase em cima da festa. Que me aconselhas?
- Não sei. Talvez algo que simbolize o amor deles, mas também a união da família. Eu fiz um álbum com uma seleção de fotos de vários momentos da nossa e da vida deles.
- Caramba que ideia gira. Tenho a certeza de que vão adorar. Mas dentro desse espírito o que eu podia fazer? Podia dar uma coisa diferente a cada um, mas queria qualquer coisa igualmente simbólica para os dois, por se tratar de aniversário de casamento. O problema é que não me ocorre nada A Marta diz que lhes vai oferecer um quadro com o retrato da filha. Eles adoram a neta, vão gostar de certeza, e o João vai-lhes oferecer uma viagem aos Açores, tipo segunda lua-de-mel.
- Porque não compras uma jóia? – Interrompeu Pedro. Podias oferecer à tua mãe uma pequena medalha, para usar no fio, por exemplo um coração, e ao teu pai, sei lá uns botões de punho com um coração igual. Ou ele não usa?
- Que ideia genial. Bom, ele não usa botões de punho no dia-a-dia, mas em cerimonias sim.
- E eu posso ajudar-te com a despesa, - disse a irmã. Vocês têm muitos gastos com o casamento, as jóias não são baratas, e eu até nem gastei dinheiro com a minha prenda.
-E não te importas?
- Não, claro que não. Olha, podemos fazer o seguinte. Trocamos as prendas. Tu dás o álbum e eu vou comprar as jóias.
- Mas foi trabalho teu…
-E quem sabe disso?
-És um amor!
O carro acabara de estacionar junto ao restaurante. Já à mesa, enquanto esperavam ser atendidos, Ana perguntou:
- E Simão? Sabes se ele vem à festa? Tem dado notícias?

reedição

Bom já deu para perceber que a Matilde, é a filha que a Francisca anunciou esperar no último episódio






9.7.18

O DIREITO À VERDADE.- XX




Cláudio chegou ao hotel às onze e cinquenta. A mãe ia ter alta às quinze, e ele tinha prometido ao pai que estaria no hospital a essa hora, para regressarem a casa. Também lhe tinha dito que iria almoçar com a jovem e a levaria ao hospital para a apresentar aos pais. Depois no caminho para casa deixá-la-iam no hotel. Ele ainda não tinha analisado os seus sentimentos, nunca acreditara em amor à primeira vista, nem sabia se o que sentia era amor. O que sabia é que nunca nenhuma outra mulher o interessara tanto. Não era pela beleza. Helena era uma mulher bonita, mas ele tinha visto centenas de mulheres tão bonitas ou mais que a jovem. Mas havia qualquer coisa nela que mexia com ele, despertando-lhe sentimentos nunca antes experimentados, ou talvez já esquecidos. E ele tinha trinta anos e nunca tivera hábitos de frade. Olhou o relógio. Já passavam três minutos do meio-dia. Não era atraso significativo, as mulheres costumavam atrasar-se, mas algo lhe dizia que não era o caso. Dirigiu-se à receção.
- Boa tarde. Tenho um encontro marcado com a menina Helena Trindade. Por favor podia avisá-la que já cheguei?
- Boa tarde. Lamento senhor, mas a menina Helena Trindade abandonou o hotel esta manhã às dez. Deixou esta carta para lhe entregarmos quando viesse procurar por ela, -disse estendendo-lhe um envelope.
-Muito obrigado.
Aceitou o envelope e virou costas dirigindo-se para o seu automóvel. Aí chegado, rasgou o subscrito e leu.

Bom dia, Cláudio.
Como te disse ontem, parti esta manhã.
Lamento sinceramente se esperavas encontrar-me e te dececionei. Não posso nem devo, ficar. Nunca estaria à tua altura, não podia criar ilusões, que me iam fazer sofrer depois. Posso parecer-te cobarde, mas não quero mais sofrimento na minha vida.
Agradeço-te as horas e o carinho que me dedicaste. Conhecer-te foi uma das  coisas mais bonitas que me aconteceu. Parto agora, para que possa recordar-te sempre com a mesma emoção que me fizeste sentir.
Do coração, desejo que sejas muito feliz.
Helena.

Amarfanhou o papel entre os dedos. Ela tinha-se ido embora sem deixar um endereço, número de telefone, ou qualquer outra pista que permitisse, encontrá-la. Sentia-se frustrado. Voltou a alisar a folha, dobrou-a e guardou-a na carteira. Apertou o cinto de segurança e ligou o motor. Arrancou sem destino. Tinha que parar num sítio qualquer para almoçar. Não lhe interessava onde, naquele momento a única coisa em que conseguia pensar, era em Helena, nas horas que tinham passado juntos no dia anterior, no beijo que trocaram na despedida. Ele tinha a certeza de que a emoção que sentira fora recíproca. Acabou por almoçar num restaurante perto do hospital, enquanto a TV mostrava imagens da tragédia Síria, e dos refugiados. Não percebia a ideia de alguns restaurantes terem televisões ligadas enquanto os clientes comiam. Os noticiários só transmitiam tragédias, o dia todo, as pessoas teriam tempo de as ver sem ser à hora da refeição.
Estava-se no último dia do mês de Agosto, num dos anos mais quentes e secos do último século. E as televisões levavam os dias a mostrar os incêndios, E quando chegava a hora das notícias, aos incêndios nacionais somava-se a tragédia do povo sírio, forçado a fugir muitas vezes para acabar por morrer no mar.


Gente, fiz hoje o meu EEG . Na verdade segundo a médica que mo fez, foram dois exames um enquanto desperta, o outro a dormir, Não sei só sei que demorou uma hora e quarenta minutos. E que vou levantar dia 23. Entretanto comecei esta tarde a fisioterapia. Depois de uma noite sem dormir, e do ginásio, estou mais morta que viva. É mais fácil subir às árvores quando a neta manda.
Rsrsrs




27.6.18

O DIREITO À VERDADE - X





Lena pensara visitar alguns monumentos nessa mesma tarde. Perguntou ao empregado que lhe serviu o almoço, se estava muito longe do Convento e Igreja de Santa Cruz.  Ele respondeu-lhe que atravessava a rua e cortava na próxima rua à esquerda ao fundo dessa rua, ficava a Praça 8 de Maio onde ficava o Monumento.
Acabou de almoçar, pagou e saiu para a rua. Distraída, viu a passadeira à sua frente, e sem reparar que o sinal estava vermelho, atravessou a estrada. Ouviu o chiar dos travões que no entanto não evitaram que o carro lhe batesse e a fizesse cair um pouco mais à frente. Meio zonza, ouviu a porta do carro bater e viu um longo par de pernas que se aproximava, enquanto dois jovens saiam do passeio para a ajudar a levantar-se.
- Está doida? – Perguntou uma voz furiosa. Quer matar-se, faça-o, mas onde não meta os seus semelhantes em trabalhos.
Não o olhou. Tão pouco lhe respondeu. Agradeceu aos dois jovens que a ajudaram e tentou atravessar a passadeira, agora já com o sinal verde para os peões.  Uma mão forte cerrou-se no seu braço, como se fora uma argola de aço.
- Onde é que pensa que vai?
- Seguir o meu caminho, - disse levantando o rosto para se encontrar com os olhos cinzentos mais extraordinários que tinha visto na sua curta existência.
- Não vai, não. Vai entrar no carro e vou levá-la ao hospital, fazer exames ver se está bem. Não quero ter nenhuma surpresa desagradável daqui a algum tempo, - disse levando-a para a porta do carro que abriu.
- Entre, o sinal vai abrir e os carros que estão aí atrás vão fazer uma serenata, que não lhe vai agradar.
Esperou que ela entrasse, fechou a porta, e foi sentar-se ao volante no momento em que o sinal abria de novo e os carros atrás de si, começavam a apitar.
O homem conduziu em silêncio durante uns minutos. A jovem sentia o corpo dorido, mas não acreditava que tivesse algum osso partido. Não se atrevia a olhar o homem a seu lado, que lhe parecera bastante rude, embora ela reconhecesse que ele tinha razão. Ela atravessara a estrada sem olhar ao sinal e  podia dar graças a Deus e à perícia masculina se o choque não foi bem mais grave. Ainda assim doía-lhe bastante a anca do lado esquerdo.
-Tem muitas dores? Já estamos a chegar ao hospital.
Surpreendeu-se com o tom amável, quase amistoso do homem, tão diferente do anterior.
- Um pouco. Peço desculpa pelo transtorno. Ia completamente distraída.
- Eu também lhe peço desculpa. Fui demasiado rude consigo. Ainda não sei o seu nome. O meu é Cláudio.
-Helena.
- Muito bem Helena, Chegámos, - disse estacionando o automóvel.



Coitada da Helena. Vai ficar quatro dias no hospital :)))
Esta história volta segunda feira





26.5.18

CASAMENTO DE CONVENIÊNCIA - PARTE VI







Ajudou-a a entrar na parte de trás do luxuoso automóvel.
- Isto não está certo, está a candidatar-se a uma multa, o bebé não pode viajar de carro assim.
- Não te preocupes, - disse tuteando-a pela primeira vez. Com um pouco de sorte não encontramos a polícia. Onde moras?
- Nos Olivais. E deu-lhe o nome da rua.
Ele fechou a porta, deu a volta ao carro, e pô-lo em andamento. Pelo espelho retrovisor lançou uma mirada à jovem, Estava de cabeça baixa olhando atentamente o sobrinho. Conduziu em silêncio, pensando na última canalhada que o primo fizera. E de súbito pensou na alegria que seria para a sua tia Margarida, que desde a morte do filho se fechara em casa, saber da existência daquele neto.” Se é que é seu neto. Não te esqueças que tudo pode não passar de uma vigarice para te arrancar dinheiro. Investiga primeiro a situação, não te deixes impressionar pelo seu palminho de cara.  Quem vê caras não vê corações, lembra-te disso, antes de te meteres em alguma enrascada”. Era a sua consciência de experiente homem de negócios a retomar o seu lugar, depois dos longos minutos de emoção em que se deixara levar.
-É aqui mesmo, - disse a jovem, quando o bebé acordou de novo e começou a chorar a plenos pulmões.
Ele parou o carro e olhou à sua volta. Era um bairro social. Perguntou.
- Não me ofereces um café?
- Não. - A resposta soou seca como um tiro. Não avisei a minha mãe, e ela não gostaria que chegasse com uma visita sem ser avisada. E depois, olhe à sua volta. É uma casa pobre num bairro social, Nada que se compare à casa de um presidente de uma companhia. Agradeço a sua amabilidade em me receber, e me trazer a casa, mas aquilo em que me podia ajudar já o fez, quando identificou o pai do bebé.  
-Falas sempre no bebé, a criança não está registada? Não tem nome?
-Claro que sim. Chama-se Pedro Teixeira. Agora tenho de ir, está na hora dele comer, não se vai calar até que lhe dê o biberon. Adeus, - disse estendendo-lhe a mão que ele apertou fitando os olhos castanhos.
- Adeus, é muito radical. Prefiro até à vista.
Ela não respondeu. Virou-lhe as costas e dirigiu-se à porta número quarenta e cinco, que se abriu assim que lá chegou. Decerto que a mãe estava a espiá-la do outro lado da janela. E não seria só a sua mãe. Nestes bairros todos se conhecem e todos se observam. Talvez não tivesse sido bom para a jovem que a tivesse levado.  Mas o estrago, se o houvera, já estava feito. Entrou no carro e retomou a marcha, desta vez em direção ao Parque das Nações, onde vivia.
Entrou em casa, fechou a porta e pendurou as chaves num elegante chaveiro em porcelana, embutido na própria porta.  Foi à sala, preparou uma bebida e deixou-se cair no sofá, pensando no que acontecera naquela tarde. Se aquele bebé era filho do seu primo, era do seu sangue, não podia deixar que fosse criado naquele bairro à míngua de tudo, quando a ele lhe sobrava o dinheiro.  Pousou o copo na mesa e pegou no telemóvel. Procurou um número nos favoritos e marcou.
- Abílio Morais? Pedro Mesquita!  Como vais?
Esperou a resposta, e continuou.
-Preciso de uma investigação sobre uma família de apelido Teixeira, moradora no bairro social dos Olivais, rua das laranjeiras, número quarenta e cinco. Quero saber tudo sobre essa família. Passa amanhã às onze horas, no escritório.Eu tenho que ir ao Porto, mas a Rita terá parte dos honorários, o resto, recebes quando entregares o relatório como é hábito. Posso contar contigo? 
Depois de um curto silêncio, em que escutou o seu interlocutor, despediu-se:
-Ótimo. Boa noite.


7.2.18

A VIDA É ... UM COMBOIO - PARTE XXXI






Almoçaram juntos, num restaurante perto da escola e voltaram para assistir ao resto das atividades, embora Martim não entrasse em nenhuma outra. Por volta das quatro da tarde, a festa terminou, com um lanche ao ar livre, feito com as gluseimas que as próprias crianças tinham levado. Como Amélia pretendia seguir ainda nesse dia para a quinta, despediu-se da professora do filho, dizendo que não podiam ficar mais tempo por causa da viagem. No parque junto do automóvel, Paulo disse:
 - Também vou para cima hoje. Podíamos ir juntos. Passava daqui a pouco pela tua casa a buscar-vos.
- Obrigada, mas é melhor eu levar o carro. Pode ser preciso alguma coisa, com a avó, não posso ficar dependente de ti.
- Tudo bem. Mas eu venho aqui ter e vamos juntos. Vou só a casa buscar umas coisas e volto. Preciso falar contigo ainda hoje.
- Está bem. Às seis horas está bem para ti? Podemos jantar pelo caminho. Costumo fazê-lo com o Martim.
- Muito bem. Às seis então.
Afastou-se frustrado. Tinha uma vontade louca de a beijar. Não conseguia esquecer aquele beijo junto ao rio. Mas a presença de Martim impedia-o de dar livre curso ao seu desejo.
Como combinado, partiram às seis, jantaram no restaurante à beira da estrada, onde habitualmente Amélia costumava fazê-lo.
Durante o jantar, Paulo informou que os seguiria, até casa da avó Maria, queria comunicar-lhe a sua decisão de casarem o mais rápido possível, uma vez que ambos já não eram crianças, tinham certeza da decisão que tomaram e tinham o consentimento de Martim, que se mostrava muito feliz com a ideia de ter Paulo junto dele como um pai.
- Podemos realizar o casamento na herdade, não será uma grande festa, mas estaremos rodeados daqueles que amamos, e nos amam. Vamos tratar de tudo com eles este fim-de-semana, de modo que o casamento seja o mais rápido possível. Preferes uma cerimónia civil ou religiosa?
- O meu primeiro casamento, foi apenas no civil. A avó ficou desgostosa, para ela a benção divina é essencial para a felicidade no casamento. Desta vez, se não for contra aquilo em que acreditas gostaria de fazer-lhe a vontade.
- Então será uma cerimónia religiosa. Achas que quinze dias são suficientes para preparares tudo?
- Quinze dias? Ninguém consegue casar em quinze dias.
- Claro que sim. Os documentos, hoje em dia com a Internet conseguem-se num ápice. O mais difícil será a marcação na Igreja. Mas nem isso é obstáculo. Uma boa doação para as obras da Igreja faz milagres.
- Mas ainda nem falei com o meu irmão! Como te disse ele está de férias em Cabo Verde. Partiu ontem, só voltará dentro de dez dias.
- É tempo suficiente para mo apresentares e convidá-lo para o casamento. És maior de idade, não precisas da autorização dele.
- Tudo tão rápido… não sei.
- Vá lá mãe, diz que sim. Se aceitaste casar, que diferença faz uns dias mais. Depois quanto mais depressa casares mais depressa tenho uma família.
- Está bem. Vocês ganharam.


Nota, ontem não me foi possível visitá-los. às 4 horas quando cheguei a casa e liguei o pc não tinha Internet e essa falha manteve-se pelo menos até às duas e meia, hora a que me deitei.
Hoje tenho aulas de manhã e de tarde, pelo que só depois das 5 vou conseguir visitar-vos. 





11.1.18

A VIDA É ...UM COMBOIO - PARTE I




Eram onze da manhã, num escritório de advocacia, de Lisboa, Amélia revia um processo de divórcio litigioso, quando recebeu o telefonema da polícia, informando-a de que o seu marido tinha sofrido, um acidente de automóvel, à saída de Santa Maria da Feira. A tremer tentou saber como ele estava, mas a polícia apenas lhe disse que Afonso e a sua acompanhante, tinham seguido de ambulância para o hospital de Aveiro.
Em choque, Amélia, desligou o telefone não sem antes o seu cérebro ter registado aquelas palavras “a sua acompanhante”.
Tentou levantar-se, mas as pernas não lhe respondiam.  Carlos, um dos colegas apercebeu-se do que se passava, e levantando-se aproximou-se dela.
- Que se passa, Amélia? Estás tão pálida que parece que vais desmaiar a qualquer momento.
- A polícia acaba de me informar que o Afonso sofreu um acidente de automóvel e foi transportado para o Hospital de Aveiro. Tenho que ir para lá agora.
- Não estás capaz de conduzir. Ia contigo, mas tenho um julgamento esta tarde. Espera um pouco. Vou falar com o chefe e já volto.
Afastou-se. Amélia não conseguia raciocinar, só pensava no marido e na misteriosa acompanhante. Seria a sua secretária? O marido era um importante empresário, e não raras vezes se deslocava a negócios. Por vezes acompanhado da sua secretária, uma mulher de trinta e cinco anos, casada e com dois filhos, em quem Amélia confiava plenamente. Mas ele tinha-lhe dito que ia sozinho.
- Amélia, o chefe quer ver-te. Vem, acompanho-te.
Ela levantou-se, apoiada pelo colega, que a acompanhou. Bateu com os nós dos dedos no gabinete do chefe, e à sua ordem de entrada abriu a porta e deu-lhe passagem. O chefe,  que se encontrava de pé, apressou-se a puxar uma cadeira para junto dela. Depois sentou-se, pigarreou e disse:
- Acabo de falar para o hospital de Aveiro. Lamento imenso Amélia mas as notícias não são boas. O seu marido chegou já sem …
Interrompeu-se, ao ver que a jovem resvalava na cadeira e só não caía porque o colega a seu lado se apressou a segurá-la. Amélia acabara de desmaiar.
Quando voltou a si, estava estendida no sofá do escritório tendo a seu lado o chefe e a sua secretária Teresa, e vários colegas. Bebeu o copo de água açucarado que lhe deram, e estendeu-o a um dos colegas como se fosse um autómato. Não chorava. Sentia um nó na garganta, e uma opressão no peito que parecia querer esmaga-la a qualquer momento, mas não conseguia chorar.
- Amélia, podes dar-nos o número de telefone do teu irmão? Vamos telefonar-lhe para te vir buscar. Não podes sair daqui nesse estado, e sozinha.
-Está no meu telemóvel, - conseguiu murmurar.
Teresa, apressou-se a ir buscá-lo. Estendeu-lho dizendo:
-Procura o número que eu falo com ele.







Nota: Penso que recuperei a saúde, sinto-me bem. Ainda debilitada, mas nada que não seja normal depois de oito dias quase só a chás. Entretanto começo hoje uma nova história, com um titulo maluco porque não me lembrei de nada melhor. Alguém me ajuda com uma boa sugestão?


26.10.17

A RODA DO DESTINO - PARTE XL





O último utente acabara de sair. Diana foi até à porta e fechou-a. A chuva continuava a cair, embora agora com menos intensidade. As duas jovens, fecharam o computador e juntaram requisições e dinheiro numa pequena caixa que o chefe haveria de recolher antes delas saírem. Anete olhou o relógio. Faltavam cinco minutos para a saída.
- Continua a chover. E com este vento, vamos chegar a casa, encharcadas. - Disse Diana.
Ouviu-se o sinal de mensagens no telemóvel de Anete.
“Vim buscar-te. Estou à porta. Salvador.”
Sorriu
- Ai meu Deus que sorriso feliz. Não me digas que chegou o teu príncipe. Espero que tenha trocado o cavalo por um automóvel.
- Não sejas tonta, Diana. É apenas o Salvador.
- Sei. O cunhado da tua irmã. Já me contaste essa história. Mas a julgar pelo teu sorriso, diria que não tem nada de “apenas”.
Nesse momento, o gerente chegou à receção. 
Diana, vestiu o casaco que tinha nas costas da cadeira, pôs a mala ao ombro. Anete fez o mesmo.
- Boa noite, meninas.Toca a sair, que a noite não está para demoras, - disse o gerente, agarrando na caixa que estava em cima do balcão.
As duas jovens encaminharam-se para a porta, pegaram os guarda-chuvas que aí se encontravam e abriram a porta.
- Até segunda. Bom fim-de-semana.
-Igualmente. – Respondeu-lhes o chefe, fechando a porta atrás delas.
As duas ficaram por momentos sob a placa de cimento que protegia a porta da clínica. Salvador estava mesmo em frente à porta. Anete disse:
- Não saias daqui. Vou pedir ao Salvador para te levar à paragem.
Deu uma corrida, e meteu-se no carro
- Boa noite, - disse saudando-o com um breve beijo na face. – Importas-te de levar a Diana até à paragem do autocarro?
- Claro que não.
Ela abriu a janela e fez sinal à jovem que imediatamente correu para o carro e se introduziu nele pela porta de trás.
- Obrigada. Está um tempo horrível, - disse. A minha paragem é já ali à frente.
- Salvador, esta é Diana, a minha colega. Uma amiga que me tem facilitado muito a vida, no emprego.
Salvador virou-se para trás e estendeu-lhe a mão com um sorriso
- Encantado. - Logo se voltou para a frente e pôs o veículo a trabalhar. É melhor avançar. O trânsito está uma loucura.
Rodou devagar até que a uns cem metros, parou junto à paragem.
- Obrigado Salvador. Até segunda, Anete. Bom fim-de-semana.
E sem esperar resposta, Diana saiu a correr para debaixo da proteção da paragem.
- Mora longe a tua amiga?
- Odivelas. O que lhe vale é que tem a paragem do autocarro mesmo à porta.  – E mudando de assunto,- não te esperava. Não disseste nada em toda a semana.
- Tive uma semana complicada. E tu?
- As minhas, há muito tempo, deixaram de ser complicadas. A grande revolução na minha vida, foi mesmo a descoberta da minha verdadeira identidade.
- E o divórcio não? Perguntou sem desviar os olhos da estrada, tentando não parecer interessado.
- Convido-te para jantar. Gostas de bifes com natas e cogumelos?
-Gosto de bifes de qualquer maneira, - disse enquanto pensava que ela tinha uma habilidade especial em fugir do assunto, quando se tratava de falar no divórcio.



19.6.17

SONHO AO LUAR - PARTE II

                                       

Passou os meses seguintes a sonhar com as férias junto da avó, para voltar a vê-lo. E apesar da diferença de idades, e de ele ter menos tempo por estar empregado, todo o tempo livre que tinha, passava-o com ela.
No ano em que fez quinze anos, não o viu, pois nesse ano, ele tinha viajado, com os pais, e as férias foram uma desilusão para ela. E mais um ano se passou, e de novo, chegaram as férias e desta vez ele estava lá. Triste, meio deprimido, com a recente morte dos pais num acidente de automóvel, apoiou-se na amizade e alegria de Isabel, e os dois estiveram mais unidos que nunca, ao ponto de na aldeia se dizer, que um era a sombra do outro. Isabel tinha acabado de fazer dezasseis anos, tinha mais de um metro e setenta de altura,  era demasiado magra, as suas ancas ainda não tinham arredondado, os seios eram como dois pequenos botões de rosa por desabrochar. Mas no peito batia um coração de mulher, que ansiava, por beijos e afagos do homem que amava. Sem qualquer suspeita, do que ela sentia, ele via-a apenas como aquilo que era, uma menina. E como tal a tratava. Continuavam a ser amigos inseparáveis, ria-se com as coisas que ela dizia, por vezes zangava-se e repreendia-a, enfim tratava-a como trataria uma irmã mais nova, se não fosse filho único.