Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta droga. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta droga. Mostrar todas as mensagens

16.11.19

CURIOSIDADES LINGUÍSTICAS






Costuma dizer-se que a Língua  Portuguesa  é muito traiçoeira, por causa das palavras cujo significado pode ser dúbio. Mas pode ser igualmente traiçoeira quando viajamos para o estrangeiro, e a falamos abertamente junto dos habitantes desses países. Eis alguns exemplos:



1) Braga  (Espanhol)
Para nós portugueses, Braga é a lindíssima capital do Minho, mas Braga em espanhol quer dizer... cuecas. Não será pois de estranhar que ao visitarem o norte de Portugal, os nossos vizinhos se espantem ao depararem com o nome da nossa bela cidade.


2) Droga   (Polaco )

Bom se em português droga, quer dizer uma substância má e viciante com efeitos nocivos, em polaco droga quer dizer... estrada. Então se alguém lhe disser na Polónia que anda na droga não se escandalize. Provavelmente está apenas a caminho de casa.



3)  Rui  (Russo)

Na nossa Língua Rui é um nome próprio masculino. Mas se por acaso se deslocar a Moscovo de férias, não se faça acompanhar por nenhum amigo com este nome pois ia suar muito mal aos russos cada vez que o chamasse. Porque em russo Rui é uma asneira muito feia. É o calão mais básico para designar o pénis.



4)  Propina   (Espanhol)

A palavra propina pode não ter um bom significado na nossa Língua, mas para os nossos vizinhos,  não é nada demais. Para eles propina quer dizer gorjeta.


5) Burro  (Italiano)

O que faria se estivesse a tomar o pequeno almoço e alguém lhe dissesse "burro"?  Se estiver em Itália não se amofine, pois provavelmente estão apenas a pedir-lhe ... manteiga. Isto porque em italiano  a palavra burro significa exatamente isso. Manteiga.


6) Assume (Inglês)

Em português a palavra assume é o verbo assumir conjugado, enquanto em inglês a palavra quer dizer...  supor alguma coisa.


7)  Subir (Francês)

Toda a gente sabe o que quer dizer subir em português, todavia para os franceses, embora a escrevam exatamente da mesma maneira o significado é totalmente diferente. Para eles subir quer dizer... sofrer.


8) Acreditar  (Espanhol)

Para nós, acreditar significa crer em algo. Para nuestros hermanos acreditar não é mais do que ... creditar dinheiro.


9) Despido  (Espanhol)

Bom se algum espanhol lhe disser que foi despido, não quer de modo algum dizer que o deixaram nu, mas sim que foi... despedido do seu emprego.


10) Bâton  (Francês)

Em francês a palavra bâton não significa de modo algum o batom que usamos nos lábios embora a grafia seja muito parecida. Bâton significa bastão.


11) Birra  (Italiano)

Se para nós uma birra é coisa de criança, em Itália pelo contrário é coisa de adulto pois birra quer dizer... cerveja.


12) Embaraçada  (Espanhol)

Em Portugal uma mulher embaraçada é uma mulher que está numa situação  que lhe causa vergonha ou constrangimento. Para nuestros hermanos uma mulher embaraçada quer dizer que está... grávida.


13 Dobra  (Polaco)

Se para nós uma dobra é uma espécie de curvatura, para os polacos dobra significa ... bom



14) Fita   (Norueguês)

Todos nós sabemos o que é uma fita em Portugal. Mas se for à Noruega, evite dizer semelhante palavra em público. É que para eles, fita, é uma forma de baixo calão para se referirem ao órgão sexual feminino.


15)  Presunto   (Espanhol)

Se em Portugal, presunto é um pedaço de carne fumada da perna de porco, para os espanhóis , presunto quer dizer... presumível. Será usada por exemplo para dizer "O presumível autor deste artigo divertiu-se muito enquanto o escrevia"


16)  Curva  (Romeno)

Mais uma palavra difícil de explicar sem ferir susceptibilidades ( e esta já tive que a explicar muito bem em 2001 a Galina, uma emigrante colega de trabalho).
É que em romeno curva é o mais baixo calão para designar uma prostituta.



Já agora, sabem o que são falsos cognatos? Falso cognato ou falso amigo, é quando a palavra se escreve ou se pronuncia da mesma maneira que na nossa língua, mas possui um significado diferente.


fonte  Vortex Magazine

30.10.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE VIII




Levantou-se cedo no dia seguinte. Tomou o duche, vestiu um fato azul-escuro com uma camisola de malha de gola alta, e dirigiu-se à cozinha, onde a empregada já se aprestava para lhe fazer o pequeno-almoço.
-Bom-dia Celeste.
-Bom dia, senhor.
- Só vou beber um café. Quando volta a Maria?
- As férias dela terminam hoje. Amanhã já cá estará.
-Muito bem. Suponho que estes dias tem trabalhado além do desejado. Tenho andado tão preocupado que me esqueci de que está sozinha com todo o trabalho da casa.
- Não me queixei senhor.
- Eu sei que não. Mas hoje mesmo vou pedir à agência que me arranje uma substituta para a Fátima. E a Celeste telefone à Odete. Se ela ainda estiver sem trabalho e quiser voltar, diga-lhe que venha falar comigo.
- Assim farei. Mas se o senhor me permite, e uma vez que infelizmente dona Sara não voltará, se a Odete voltar, nós três damos perfeitamente conta do recado. A Fátima estava ao serviço exclusivo da sua esposa, como sabe, não será necessário substituí-la.
Das quatro empregadas que anteriormente tinha em casa, uma estava de férias, outra tinha casado e abandonara o trabalho. E Odete, que além de cozinheira, era uma espécie de governanta, fora despedida num dos ataques de mau humor que Sara vinha tendo nos últimos dias antes da tragédia. A casa, com os dois pisos e os seus múltiplos cómodos, era demasiado grande para uma única empregada, a pobre da Celeste devia andar derreada.
Gil acabou de beber o café, poisou a chávena em cima da mesa, pegou na pasta com o portátil e dirigiu-se à porta. Porém antes de sair, voltou-se e disse:
- Não venho almoçar, mas janto em casa.
Saiu. No ar frio que o envolveu, havia um agradável cheiro a terra molhada, fruto da chuva que caíra toda a noite.
Entrou no carro, pôs o motor a trabalhar e saindo da sua propriedade, seguiu em direção aquela que fora até agora uma das suas empresas em sociedade com o seu irmão, e que ia agora passar totalmente para ele.
Apesar da sua fortuna, Gil não esquecia as suas origens, nem os deserdados da fortuna que continuavam a existir no seu país, e especialmente no bairro onde viveu. Um dos seus grandes sonhos,  era criar uma fundação, que se dedicasse, a fazer com que essas crianças pudessem vir a ter as mesmas condições de futuro, de todas as outras. Que pudessem estudar, ou fazer uma formação profissional, que lhes permitisse terem um futuro melhor, do que aquele que os seus pais tiveram. Ele sabia que muitas dessas crianças iriam perder-se nos caminhos da droga e prostituição, se ninguém fizesse nada por elas. Algumas não chegariam sequer à idade adulta.
Anos atrás, quando ainda era um jogador de seleção, tivera conhecimento de uma fundação que se dedicava a construir escolas, abrir poços, montar pequenos hospitais, em locais remotos de África. Gil não sabia quem era o fundador dessa fundação, nem sequer sabia se era obra de um ou vários homens. Só sabia que o homem que estava à frente da mesma, mantinha um anonimato completo, e que era muito rigoroso com a admissão de colaboradores dessa obra.  Inicialmente pensara candidatar-se a colaborador nessa obra, mas depois pensou que era mais lógico que fizesse uma coisa parecida pelas crianças carentes do seu país. Não precisaria construir escolas nem hospitais, bastava dar-lhes meios para que frequentassem as que havia.
E projetara utilizar uma boa parte da sua fortuna, para realizar esse sonho. Atualmente com o êxito dos seus livros, e o excelente trabalho do seu diretor financeiro, que estudava o mercado e lhe investia parte do dinheiro sempre com excelentes resultados, a sua fortuna aumentava todos os dias. Por isso Gil achava que tinha chegado a hora de transformar esse sonho em realidade.


18.3.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE IV







Depois das festas de Natal, António aconselhou-se com o cunhado sobre como aplicar o dinheiro, de forma rentável de modo a que pudesse não só multiplicar a sua fortuna, como vingar-se do seu ex-patrão, pois essa ideia era como uma droga no seu espírito. Ele acreditava que o seu pai morrera por causa do desgosto de pensar que o filho se tinha apropriado do que não lhe pertencia. 
O cunhado era de opinião que há duas coisas de que o ser humano não abdica nunca. De comer, porque se o não fizer morre, e de querer parecer importante, estar bem na vida. E para isso, procura três coisas. Bons restaurantes, uma boa casa e um automóvel de luxo. Essencialmente o automóvel, pois quanto mais luxuoso, mais importância se dá a quem o tem.
E foram esses os seus primeiros investimentos. Um restaurante e um “stand” de automóveis. Ele mesmo, procurou mercados onde encontrar os melhores e mais frescos ingredientes ao melhor preço, para o restaurante, escolhera o chefe e os empregados. E estabeleceu além do ordenado, um prémio extra para cada um, se o restaurante obtivesse determinados objetivos. Esse incentivo criou neles o desejo de serem cada vez melhores e aumentarem cada vez mais a faturação. E três meses depois da inauguração, para se poder almoçar ou jantar no "Cozinha Portuguesa", já era necessário marcar mesa com uma semana de antecedência. Então abriu outro, numa cidade vizinha. Sempre com o mesmo método, e o mesmo nome, foi criando uma cadeia de restaurantes, nas principais cidades do país. Em três anos, os restaurantes "Cozinha Portuguesa" eram reconhecidos em todo o país, como símbolo de bom gosto e qualidade. O negócio dos carros também ia muito bem. Meio ano depois do seu regresso, António fora procurado por Júlio Correia, o seu ex companheiro de apartamento e de fortuna. Júlio queria tornar-se sócio no negócio dos automóveis, e assim não só tinham expandido o negócio a outras cidades, como o tinham alargado ao aluguer de carros. 
Três anos após o seu regresso, António Ferreira, quase duplicara a sua fortuna inicial, e  transformara-se num dos empresários mais bem sucedidos do país.
 Sempre assessorado pelo cunhado, a quem contratara os seus serviços de advogado, oferecendo-lhe além de um bom ordenado uma participação de cinco por cento nos negócios, o empresário aprestava-se para se envolver no negócio das imobiliárias, comprando uma pequena empresa que se encontrava insolvente. Nos dois anos que se seguiram, usou de uma política agressiva na imobiliária, não só em prol do seu crescimento, mas também visando afundar a empresa do seu inimigo. Agora, a sua empresa era a maior e mais importante do país. E finalmente estava prestes a vingar-se do homem que dezassete anos antes, lhe destruíra a honra e causara a morte do seu pai. Mas para além de arruinar o seu ex-patrão, António tinha um sonho.  Casar-se com a jovem  Paula única filha do seu inimigo.   
Ele conhecera Paula, há quase dezoito anos, quando trabalhava nos escritórios do pai dela. O Jorge, era viúvo, e costumava levar a filha para o escritório, quando a ia buscar à escola. Paula teria na altura, nove ou dez anos. Era uma garota tímida, alta e sem graça, mas que tinha os mais belos olhos verdes que ele já vira. E também os mais sofridos. Às vezes, António quase sentia uma necessidade premente, de abraçar a miúda e tentar por um pouco de alegria naqueles olhos. Depois que fora despedido, nunca mais a vira, até há cinco anos atrás quando do seu regresso de Paris, se cruzou com ela no Banco. Era uma mulher muito bonita, que caminhava com segurança, em nada fazendo lembrar a menina tímida que ele conhecera, exceto nos olhos.
Reconhecera-a imediatamente. E se em criança os seus olhos o impressionavam, naquele dia deixara-se enfeitiçar.
Desde esse dia, as suas fantasias passaram a ter um nome. Paula Maldonado.
E ele passou a sentir-se um homem dividido. Por um lado, pensava na jovem, como alguém a quem amar, uma companheira para a vida, a quem desejava fazer feliz, sem qualquer esquema de vingança. 
Por outro lado, casar com a filha do homem que o considerava ladrão, era mais uma forma de se vingar do seu ex-patrão.


A recuperação do meu olho, continua muito lenta. Tanto que por vezes  chego a duvidar das melhoras. Continuo com o tratamento e os cuidados que o médico recomendou.