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26.10.17

A RODA DO DESTINO - PARTE XL





O último utente acabara de sair. Diana foi até à porta e fechou-a. A chuva continuava a cair, embora agora com menos intensidade. As duas jovens, fecharam o computador e juntaram requisições e dinheiro numa pequena caixa que o chefe haveria de recolher antes delas saírem. Anete olhou o relógio. Faltavam cinco minutos para a saída.
- Continua a chover. E com este vento, vamos chegar a casa, encharcadas. - Disse Diana.
Ouviu-se o sinal de mensagens no telemóvel de Anete.
“Vim buscar-te. Estou à porta. Salvador.”
Sorriu
- Ai meu Deus que sorriso feliz. Não me digas que chegou o teu príncipe. Espero que tenha trocado o cavalo por um automóvel.
- Não sejas tonta, Diana. É apenas o Salvador.
- Sei. O cunhado da tua irmã. Já me contaste essa história. Mas a julgar pelo teu sorriso, diria que não tem nada de “apenas”.
Nesse momento, o gerente chegou à receção. 
Diana, vestiu o casaco que tinha nas costas da cadeira, pôs a mala ao ombro. Anete fez o mesmo.
- Boa noite, meninas.Toca a sair, que a noite não está para demoras, - disse o gerente, agarrando na caixa que estava em cima do balcão.
As duas jovens encaminharam-se para a porta, pegaram os guarda-chuvas que aí se encontravam e abriram a porta.
- Até segunda. Bom fim-de-semana.
-Igualmente. – Respondeu-lhes o chefe, fechando a porta atrás delas.
As duas ficaram por momentos sob a placa de cimento que protegia a porta da clínica. Salvador estava mesmo em frente à porta. Anete disse:
- Não saias daqui. Vou pedir ao Salvador para te levar à paragem.
Deu uma corrida, e meteu-se no carro
- Boa noite, - disse saudando-o com um breve beijo na face. – Importas-te de levar a Diana até à paragem do autocarro?
- Claro que não.
Ela abriu a janela e fez sinal à jovem que imediatamente correu para o carro e se introduziu nele pela porta de trás.
- Obrigada. Está um tempo horrível, - disse. A minha paragem é já ali à frente.
- Salvador, esta é Diana, a minha colega. Uma amiga que me tem facilitado muito a vida, no emprego.
Salvador virou-se para trás e estendeu-lhe a mão com um sorriso
- Encantado. - Logo se voltou para a frente e pôs o veículo a trabalhar. É melhor avançar. O trânsito está uma loucura.
Rodou devagar até que a uns cem metros, parou junto à paragem.
- Obrigado Salvador. Até segunda, Anete. Bom fim-de-semana.
E sem esperar resposta, Diana saiu a correr para debaixo da proteção da paragem.
- Mora longe a tua amiga?
- Odivelas. O que lhe vale é que tem a paragem do autocarro mesmo à porta.  – E mudando de assunto,- não te esperava. Não disseste nada em toda a semana.
- Tive uma semana complicada. E tu?
- As minhas, há muito tempo, deixaram de ser complicadas. A grande revolução na minha vida, foi mesmo a descoberta da minha verdadeira identidade.
- E o divórcio não? Perguntou sem desviar os olhos da estrada, tentando não parecer interessado.
- Convido-te para jantar. Gostas de bifes com natas e cogumelos?
-Gosto de bifes de qualquer maneira, - disse enquanto pensava que ela tinha uma habilidade especial em fugir do assunto, quando se tratava de falar no divórcio.



30.9.16

VIDAS CRUZADAS - PARTE X






Enquanto procurava um lugar no frondoso jardim que ladeava o rio, Pedro pensava em como aquele lugar era bonito. E na surpresa da tia Palmira, quando o vira chegar. Ela tinha recebido o telegrama, mas não vendo o sobrinho há tantos anos, esperava decerto o jovem adolescente que vira da última vez, como se os anos não tivessem passado por ele.
Depois da surpresa inicial chamou a fiel empregada, que a acompanhara a vida inteira e apresentando-lhe o sobrinho, recomendou-lhe que ele devia ser tratado como um príncipe. Depois acompanharam-no ao quarto. Era um quarto grande, com uma larga janela de vidro ornada de uma grade de ferro no exterior.
"Bem vês, somos duas mulheres sozinhas" dissera com um sorriso quando Pedro olhou a grade com estranheza. Só na manhã seguinte verificara que todas as janelas da grande moradia de pedra ostentavam uma grade exterior. O quarto era confortável embora sem luxos. Uma enorme cama de casal, coberta por uma pesada colcha de renda manual cujo desenho formava várias estrelas. Branca, de franja retorcida como canudos de criança. Pelo menos foi o que lhe ocorreu quando olhou. Um grande guarda-fatos, sem espelho, a cómoda e as mesas-de-cabeceira com tampo de mármore. Tudo em madeira escura e linhas simples. Uma cadeira e um porta chapéus antigo, dum lado da janela. Do outro lado um lavatório antigo, em ferro forjado, ostentava uma bacia de esmalte, e por baixo um jarro do mesmo material, que devia servir para transportar a água. Pendurada no lavatório, uma toalha de linho, com um coração bordado na ponta, e rematada com uma renda de bicos. Ocorreu-lhe pensar como iria fazer a sua higiene ali, mas a tia adivinhando-lhe os pensamentos, disse:
- É só para enfeite não te preocupes. Temos duas casas de banho. Vem, vou mostrar-tas, tal como o resto da casa.