Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta anos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta anos. Mostrar todas as mensagens

26.9.18

ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE XI



“Longe da vista, longe do coração” costuma dizer o povo e neste caso assim aconteceu. Ela cansou-se e trocou-me por um vizinho.
Não sei o que ficou mais ferido. Se o coração, ou o orgulho, mas o certo é que a minha fé nas mulheres que já tinha ficado abalada por causa da minha madrasta, ruiu por completo.
Durante os anos seguintes, tentei esquecer, voltando a dedicar-me de corpo e alma à minha profissão, oferecendo-me como voluntário para tudo quanto era missão no exterior. 
Há quatro anos, de volta a Portugal, fui ao casamento de um amigo, também militar. Na altura, andava meio deprimido, já tinha ultrapassado os trinta anos e era o único do grupo que ainda não tinha formado família.
Durante a festa do casamento, bebi demais, e depois quando a festa acabou, decidi ir acabar a noite num bar. Lembro-me de me ter sentado a beber, junto de uma ruiva muito atraente, mas não me recordo de nada mais, a não ser, de ter acordado no dia seguinte, num quarto de um hotel com a tal ruiva.
Um mês depois, ela procurou-me no quartel. Apresentou-me umas análises e disse-me que a engravidei naquela noite, e queria dinheiro para fazer um aborto. Não deixei que o fizesse. Em vez disso propus-lhe casamento. Mais tarde viria a descobrir, que nunca lhe passou pela cabeça abortar, só o disse para que eu tomasse a atitude que tomei. Parece que um homem embriagado, nas mãos de uma mulher experiente não despe só o corpo, desnuda também a alma. E Marisa tinha experiência de sobra. Foi um casamento rápido. Tão rápido como o nosso, embora muito diferente. Apesar de não amar Marisa, pelo bem-estar do meu filho, estava disposto a fazer tudo para que a união resultasse. Depois disso acabaram-se as missões, queria estar perto dela quando o bebé nascesse. 
 Porém quando Marisa estava no sexto mês, tive que substituir um oficial que fora ferido em serviço no Kosovo. Parti pois, e um mês mais tarde, recebi uma carta anunciando o nascimento do Bernardo. Nascera prematuro aos sete meses. Quase dois anos depois, vim a descobrir que me traía, e que utilizava o meu dinheiro para sustentar o seu amante. Expulsei-a de casa, afirmando que com as provas que tinha ela não só não veria um tostão com o divórcio, como ia requerer a guarda do meu filho. Ela riu-se na minha cara e afirmou que o Bernardo não era meu filho, e que mo tiraria quando quisesse.
Fiquei de rastos. Amo aquele menino mais do que a mim mesmo. Apesar de não ser parecido comigo, Bernardo era muito parecido com a mãe, e há milhares de crianças que se parecem apenas com um dos progenitores. Por isso não quis acreditar que tinha sido enganado, mas um teste de ADN provou que o tinha sido. Mais tarde, o médico dele, respondendo a uma preocupação minha, pelo facto do Bernardo ser prematuro, disse-me que ele, era um bebé normal, nunca fora prematuro. Fui duplamente enganado. Marisa já estava grávida de dois meses naquela noite, no bar. O pai da criança devia tê-la abandonado e ela andava à caça de um papalvo que a sustentasse a ela e ao filho.
No entanto esta descoberta, não beliscou em nada o sentimento que eu tinha pelo menino, e vivi na angústia constante de o perder, até ler no jornal a notícia daquele acidente. 
Segundo a mesma, um grupo de amigos, realizou uma festa num barco. Calcula-se que durante a festa, muito álcool tenha sido ingerido pelos participantes. Perto da meia-noite, foram surpreendidos por uma tempestade. Três participantes caíram à água e apesar de todos os esforços, os seus corpos só foram resgatados três dias depois. Um deles era o de Marisa.


19.6.17

SONHO AO LUAR - PARTE II

                                       

Passou os meses seguintes a sonhar com as férias junto da avó, para voltar a vê-lo. E apesar da diferença de idades, e de ele ter menos tempo por estar empregado, todo o tempo livre que tinha, passava-o com ela.
No ano em que fez quinze anos, não o viu, pois nesse ano, ele tinha viajado, com os pais, e as férias foram uma desilusão para ela. E mais um ano se passou, e de novo, chegaram as férias e desta vez ele estava lá. Triste, meio deprimido, com a recente morte dos pais num acidente de automóvel, apoiou-se na amizade e alegria de Isabel, e os dois estiveram mais unidos que nunca, ao ponto de na aldeia se dizer, que um era a sombra do outro. Isabel tinha acabado de fazer dezasseis anos, tinha mais de um metro e setenta de altura,  era demasiado magra, as suas ancas ainda não tinham arredondado, os seios eram como dois pequenos botões de rosa por desabrochar. Mas no peito batia um coração de mulher, que ansiava, por beijos e afagos do homem que amava. Sem qualquer suspeita, do que ela sentia, ele via-a apenas como aquilo que era, uma menina. E como tal a tratava. Continuavam a ser amigos inseparáveis, ria-se com as coisas que ela dizia, por vezes zangava-se e repreendia-a, enfim tratava-a como trataria uma irmã mais nova, se não fosse filho único.