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28.1.19

MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE COZ - ORIGEM DA EXPRESSÃO - SÃO FAVAS CONTADAS

 Continuando com a visita à igreja de Santa Maria de Coz, pertencente ao antigo convento de monjas da ordem de Cister, vemos aqui um magnífico portal Manuelino está situado na parte do coro .
 Aqui em destaque os tetos da Igreja, que como podem observar são diferentes, nas suas gravuras. Trata-se de de 80 caixotões de madeira datados de 1718/1720 que representam temas iconográficos de espiritualidade cistercience.


 Aqui a parte da Igreja onde outrora era o coro das monjas.De destacar, além da azulejaria até ao teto, o  cadeiral do século XVII


E damos por terminada a visita, mas antes deixem-me que lhes conte uma história curiosa.  Segundo o guia, estas monjas que viviam em completa clausura, sob a supervisão de uma abadessa, tinham hábitos muito democráticos. Quando a abadessa, morria, ou por estar já muito idosa não conseguia cumprir a sua missão, aquelas que se julgavam capacitadas para o lugar, apresentavam a candidatura, e era marcada uma data para eleições. As monjas faziam então a sua campanha entre as companheiras até ao dia da votação que era secreta e se fazia do seguinte modo. Numa mesa eram postas duas ou três urnas consoante o número das candidatas que geralmente eram duas, mas às vezes chegavam às três.  Em cada urna era colocado bem visível o nome da candidata. Mas naquele tempo o papel era escasso e muito caro, pelo que não se podia estragar assim à toa.
Então no dia da eleição, depois da missa, cada monja, recebia três favas (no caso de serem três candidatas, duas se fossem só duas candidatas) Uma branca e duas negras., ou uma branca e uma negra, iguais a essas que aí estão. Cada monja ia até às urnas, colocava a fava branca na sua urna da sua eleita, e as negras nas outras. Terminada a eleição as urnas eram abertas na frente de todas, e ganhava a que tivesse mais favas brancas.  Conta-se que no final do séc. XV, houve uma disputa renhida, e as monjas estavam um tanto divididas. Ora estando umas quantas a discutir sobre quem ia ganhar, diz uma outra que ia passando. "Não vale a pena discutir. Quem vai ganhar é a irmã Maria. São favas contadas"
Diz-se que vem daí exatamente esse termo que usamos quando queremos dizer que já se sabe o resultado do que está em disputa.


Na lojinha ao lado do Mosteiro, encontram-se à venda algumas coisas. Desde logo as famosos e tão saborosas maçãs de Alcobaça, mas também as tradicionais alcofas portuguesas, a quem já alguém chamou por graça as Louis Vuitton portuguesas.
 

27.6.18

O DIREITO À VERDADE - X





Lena pensara visitar alguns monumentos nessa mesma tarde. Perguntou ao empregado que lhe serviu o almoço, se estava muito longe do Convento e Igreja de Santa Cruz.  Ele respondeu-lhe que atravessava a rua e cortava na próxima rua à esquerda ao fundo dessa rua, ficava a Praça 8 de Maio onde ficava o Monumento.
Acabou de almoçar, pagou e saiu para a rua. Distraída, viu a passadeira à sua frente, e sem reparar que o sinal estava vermelho, atravessou a estrada. Ouviu o chiar dos travões que no entanto não evitaram que o carro lhe batesse e a fizesse cair um pouco mais à frente. Meio zonza, ouviu a porta do carro bater e viu um longo par de pernas que se aproximava, enquanto dois jovens saiam do passeio para a ajudar a levantar-se.
- Está doida? – Perguntou uma voz furiosa. Quer matar-se, faça-o, mas onde não meta os seus semelhantes em trabalhos.
Não o olhou. Tão pouco lhe respondeu. Agradeceu aos dois jovens que a ajudaram e tentou atravessar a passadeira, agora já com o sinal verde para os peões.  Uma mão forte cerrou-se no seu braço, como se fora uma argola de aço.
- Onde é que pensa que vai?
- Seguir o meu caminho, - disse levantando o rosto para se encontrar com os olhos cinzentos mais extraordinários que tinha visto na sua curta existência.
- Não vai, não. Vai entrar no carro e vou levá-la ao hospital, fazer exames ver se está bem. Não quero ter nenhuma surpresa desagradável daqui a algum tempo, - disse levando-a para a porta do carro que abriu.
- Entre, o sinal vai abrir e os carros que estão aí atrás vão fazer uma serenata, que não lhe vai agradar.
Esperou que ela entrasse, fechou a porta, e foi sentar-se ao volante no momento em que o sinal abria de novo e os carros atrás de si, começavam a apitar.
O homem conduziu em silêncio durante uns minutos. A jovem sentia o corpo dorido, mas não acreditava que tivesse algum osso partido. Não se atrevia a olhar o homem a seu lado, que lhe parecera bastante rude, embora ela reconhecesse que ele tinha razão. Ela atravessara a estrada sem olhar ao sinal e  podia dar graças a Deus e à perícia masculina se o choque não foi bem mais grave. Ainda assim doía-lhe bastante a anca do lado esquerdo.
-Tem muitas dores? Já estamos a chegar ao hospital.
Surpreendeu-se com o tom amável, quase amistoso do homem, tão diferente do anterior.
- Um pouco. Peço desculpa pelo transtorno. Ia completamente distraída.
- Eu também lhe peço desculpa. Fui demasiado rude consigo. Ainda não sei o seu nome. O meu é Cláudio.
-Helena.
- Muito bem Helena, Chegámos, - disse estacionando o automóvel.



Coitada da Helena. Vai ficar quatro dias no hospital :)))
Esta história volta segunda feira