Lena pensara visitar alguns monumentos nessa mesma tarde.
Perguntou ao empregado que lhe serviu o almoço, se estava muito longe do Convento
e Igreja de Santa Cruz. Ele respondeu-lhe que atravessava a rua e
cortava na próxima rua à esquerda ao fundo dessa rua, ficava a Praça 8 de Maio
onde ficava o Monumento.
Acabou de almoçar, pagou e saiu para a rua. Distraída,
viu a passadeira à sua frente, e sem reparar que o sinal estava vermelho,
atravessou a estrada. Ouviu o chiar dos travões que no entanto não evitaram que
o carro lhe batesse e a fizesse cair um pouco mais à frente. Meio zonza, ouviu
a porta do carro bater e viu um longo par de pernas que se aproximava, enquanto
dois jovens saiam do passeio para a ajudar a levantar-se.
- Está doida? – Perguntou uma voz furiosa. Quer matar-se,
faça-o, mas onde não meta os seus semelhantes em trabalhos.
Não o olhou. Tão pouco lhe respondeu. Agradeceu aos dois jovens
que a ajudaram e tentou atravessar a passadeira, agora já com o sinal verde
para os peões. Uma mão forte cerrou-se
no seu braço, como se fora uma argola de aço.
- Onde é que pensa que vai?
- Seguir o meu caminho, - disse levantando o rosto para
se encontrar com os olhos cinzentos mais extraordinários que tinha visto na sua
curta existência.
- Não vai, não. Vai entrar no carro e vou levá-la ao
hospital, fazer exames ver se está bem. Não quero ter nenhuma surpresa desagradável
daqui a algum tempo, - disse levando-a para a porta do carro que abriu.
- Entre, o sinal vai abrir e os carros que estão aí atrás
vão fazer uma serenata, que não lhe vai agradar.
Esperou que ela entrasse, fechou a porta, e foi sentar-se
ao volante no momento em que o sinal abria de novo e os carros atrás de si,
começavam a apitar.
O homem conduziu em silêncio durante uns minutos. A jovem
sentia o corpo dorido, mas não acreditava que tivesse algum osso partido. Não
se atrevia a olhar o homem a seu lado, que lhe parecera bastante rude, embora
ela reconhecesse que ele tinha razão. Ela atravessara a estrada sem olhar ao
sinal e podia dar graças a Deus e à perícia masculina se o choque não foi bem
mais grave. Ainda assim doía-lhe bastante a anca do lado esquerdo.
-Tem muitas dores? Já estamos a chegar ao hospital.
Surpreendeu-se com o tom amável, quase amistoso do homem,
tão diferente do anterior.
- Um pouco. Peço desculpa pelo transtorno. Ia
completamente distraída.
- Eu também lhe peço desculpa. Fui demasiado rude
consigo. Ainda não sei o seu nome. O meu é Cláudio.
-Helena.
- Muito bem Helena, Chegámos, - disse estacionando o
automóvel.Coitada da Helena. Vai ficar quatro dias no hospital :)))
Esta história volta segunda feira
