Casaram
cinco meses depois, em setembro, exatamente quando fazia catorze anos que ela
recebera a última mensagem dele.
Os
cinco meses que antecederam o casamento, foram de muita persistência,
companheirismo e apoio, por parte de Gonçalo, que deve ter esgotado todas as
técnicas de sedução que conhecia, antes que Helena aceitasse finalmente o
casamento. Não que estivesse convencida do amor de Gonçalo.
Ainda pensava que
tudo o que ele fazia, se devia ao facto do enorme desejo que ele sentia de ter
uma família e também porque não à intensa atração sexual que os unia. Reconhecia
que ele amava apaixonadamente a filha, mas a ela…
Todavia
depois de muito pensar resolveu arriscar. Quem sabe acabaria descobrindo que estava
errada. E depois ou se casaria com ele ou se condenaria a uma vida inteira de
solidão. Não conseguira esquecê-lo durante catorze anos, quando pensava que era
um cafajeste, como ia conseguir esquecê-lo agora?
No
espaço de tempo decorrido, desde aquele dia em que Helena e a filha foram
apresentadas à família paterna, a relação dos dois com as duas famílias fora-se
estreitando, com sucessivos fins de semana ora em Braga, ora na quinta entre
Alpedrinha e a serra da Gardunha.
A
data fora escolhida pelos dois, como um recomeço da história que os uniu no
passado. Era como se pretendessem que aquele dia feliz, apagasse das suas
memórias o acidente de Gonçalo e a desilusão de Helena.
E
sim, foi o casamento mais bonito a que os convidados já tinham assistido.
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Dois
anos depois…
Mal
Gonçalo parou o carro junto da sua residência, a porta abriu—se e dela saíram
Matilde, seguida da tia Laura e dos primos Sara e Miguel.
Gonçalo
deu a volta ao carro e ajudou a esposa a sair enquanto Laura abria a porta
traseira e tiravam os dois ovos onde dormiam os gémeos Rafael e Mariana
nascidos por cesariana três dias antes. Matilde, agora uma bela adolescente de quinze
anos apressou-se a pegar no ovo onde dormia Mariana, encantada com a bebé loira
tão parecida consigo.
Já em casa, Gonçalo ajudou Helena a deitar-se na grande
cama de casal, enquanto a irmã deitava os bebés num enorme berço, onde ficariam
os dois no primeiro mês. Depois passariam para o quarto ao lado, onde seriam
então separados e cada um teria o seu próprio berço.
-
Todos lá para fora agora, - ordenou Laura. Os bebés devem dormir descansados e
a mãe precisa descansar.
Matilde
aproximou-se da cama e disse:
-A
madrinha telefonou a dizer que vinham cá esta noite, para ver os bebés e falar
contigo.
Depois
baixou-se e deu um beijo na mãe, de seguida beijou o pai e disse:
-Estou
muito feliz com os meus irmãozinhos. Obrigado aos dois por esta felicidade.
Saiu
do quarto em seguida fechando a porta atrás de si.
Gonçalo
sentou-se na beira da cama e segurou a mão da esposa entre as suas.
-
E eu também te agradeço querida, por teres acreditado no meu amor, mesmo eu não tendo recuperado a memória e teres transformado
a minha vida amargurada e solitária, nesta felicidade que partilhamos.
Curvou-se
para a beijar enquanto Helena emocionada fechava os olhos, deixando rolar pela
face uma lágrima de felicidade
FIM
Nota:
A história que se seguirá é uma reedição. Foi publicada a primeira vez em 2016. Os mais antigos já a leram, mas talvez gostem de a recordar. Ultimamente tenho dificuldade em conseguir escrever novas histórias. Além de tomar conta das netas, tenho o problema dos olhos e a saúde da minha outra metade que não tem andado bem. Com várias consultas e exames este mês, e uma colonoscopia e endoscopia marcada para fins de Agosto, quando este capítulo for publicado já estaremos no Algarve a aproveitar os quinze dias de férias do filho, em que não teremos de cuidar das netas para recuperar e recarregar baterias.
Não tenho internet lá, a não ser no telemóvel, tudo o que sair até ao dia do meu regresso, (15 de Agosto) já está agendado.