Seguidores

Mostrar mensagens com a etiqueta cabrito. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta cabrito. Mostrar todas as mensagens

16.3.18

A TRAIÇÃO - PARTE XXII





Acabava o pequeno-almoço, quando a sogra e a irmã chegaram da missa.
- Bons-dias. Passaram bem a noite? – Perguntou Antónia, a mãe de João.
- Que pergunta mulher. Na idade deles só passam mal a noite se estão doentes, - disse a tia Margarida.  E acrescentou de seguida, - vou assar um pedaço de cabrito para o almoço. Vocês só vão depois de almoçar, não é verdade?
- Estávamos a pensar ir antes, tia. Vai estar um dia de calor infernal, é melhor irmos já. Almoçamos pelo caminho, e chegamos com tempo suficiente para descansar um pouco e ir visitar a minha sogra. A Odete está preocupada com a mãe, não é verdade querida?
Não pôde deixar de o olhar, desconcertada. Minutos antes, estava a propor-lhe uma manhã de praia, e agora estava com pressa de regressar?
- É verdade que estou preocupada. Me desculpem, mas a ideia de vir foi do João, eu teria preferido ficar junto dela, mas apesar disso acreditem que gostei muito de conhecer a cidade, e de estar convosco. E prometo-vos que voltarei noutra altura para ficar mais tempo, - disse sem olhar para o marido. Agora se me dão licença, vou arrumar as minhas coisas.
Já no quarto, procurou no armário, lençóis limpos para fazer a cama, levando os outros para a casa de banho, onde se encontrava o recetáculo para a roupa suja.
Depois colocou a maleta em cima da cama e começou a meter nela as suas coisas. Estava desesperada. Devia estar doida quando pensou que conseguia enfrentar o marido com indiferença. Que a raiva que sentia lhe daria forças. E ali estava, sem saber qual o jogo que o marido estava a jogar, e por causa da doença da mãe, completamente nas suas mãos.  E pensar que ela pensara, que ele era a sua alma gémea. Sobressaltou-se com o toque do telemóvel. Atendeu, e durante uns minutos falou com a irmã que lhe telefonava para saber como estava a mãe. Terminava a chamada quando João entrou no quarto. Desligou o telemóvel e guardou-o, sem dar nenhuma explicação ao marido que a olhava com um ar interrogativo. Ele que pensasse o que quisesse.
- Estás pronta?
- Para dançar ao toque da tua música? Sim meu senhor, e meu amo, - disse com ironia
Ele não respondeu. Limitou-se a pegar na maleta e a sair sem olhar para ver se o seguia.



Parece que a maioria já entendeu que a Inês foi a culpada da separação destes dois. Mas será que foi mesmo? Será que os complexos dos dois, a sua insegurança não foi a real culpada?
Que vos parece? Vai acabar bem ou vai acabar num divórcio? 



1.4.16

MANEL DA LENHA.- PARTE XLI



O N.R.P. Vouga, a bordo do qual partiu para a Guiné, o futuro genro do Manel. (Foto da Marinha)




Em Janeiro de 65, Manuel compra um cabrito. Vai criá-lo para fazer uma festa no Verão se a filha terminar os estudos.  Aproveita que ela e o irmão fazem anos por essa altura e assim como se costuma dizer com uma cajadada mata dois coelhos.

 Em Março a filha mais velha, vem com a conversa de que quer namorar. Ele quer saber quem é o rapaz. E a que família pertence. Ela não sabe. Só sabe que é do Algarve e que está em Vale-de-Zebro pois é fuzileiro.  Ele diz-lhe para mandar o rapaz falar com ele.  E depois dessa conversa, autoriza o namoro.  O pessoal da Seca censura-o. Dizem-lhe que o  rapaz é de longe, não se sabe quem é, que os marinheiros não se prendem, arranjam namorada nova, cada vez que mudam de porto. Ele responde a quem o adverte.
-Não faço casamento a nenhum filho. Quem bem fizer a cama bem se deita nela.  A vida é dela e ela o escolheu. 
E foi assim que a filha mais velha começou a namorar, o homem com quem iria partilhar a vida.
Em Abril, pouco depois dos seus anos foram descobertos os corpos de Humberto Delgado e sua secretária. Na verdade tinham sido atraídos a uma cilada em Espanha em Fevereiro, e  assassinados pelos homens da PIDE, chefiados por Rosa Casaco, que depois esconderam os seus corpos a vários kms de distância. Para o Manuel, e alguns amigos, foi um murro no estômago. Eles acreditavam que o general podia mudar o futuro do país. Três dias depois Salazar inaugura uma estátua sua em Santa Comba Dão, enquanto faz espalhar a notícia de que Delgado teria sido vitima de um ajuste de contas de facções rivais da oposição. 
Em Julho, a filha terminou o curso, e Manuel mata o cabrito, e faz uma festa como nunca tinha feito em toda a sua vida e para a qual convidou cunhados e sobrinhos.  
Pouco depois em Setembro a filha mais velha consegue emprego em Lisboa num laboratório de produtos farmacêuticos e Manuel fica feliz por ver a filha livrar-se do trabalho na Seca do Bacalhau.
A alegria não durou muito pois no mês seguinte o futuro genro embarca para a Guiné.  Manuel, tinha-se afeiçoado ao rapaz, e ficou apreensivo.