15.1.16

AMANHECER TARDIO - PARTE XXIX





Duas horas mais tarde, Luís  despedia-se dos pais, prometendo telefonar em breve e regressava ao hotel. Pelo caminho veio-lhe à memória o inesperado encontro dessa tarde, e de súbito deu-se conta de um facto que o inquietou. Tinha-se apresentado como Luís. Luís era o nome do outro. Daquele que ele fora muitos anos atrás. Um nome sagrado que só os pais usavam. Porque razão, se apresentara assim? E porque é que aquela mulher o inquietara, desde que a teve nos braços, naquela manhã de nevoeiro na praia? Não era uma jovenzinha. Era bonita sim, mas na sua vida errante tinha encontrado mulheres bem mais belas, que esquecera horas depois. Não era casada. Além de não usar aliança, viu-a em várias ocasiões sempre só. O que seria que o atraía? Talvez fosse o seu olhar de gazela assustada. Há muito que não via um olhar assim. Mas podia ser falso. Nas mulheres tudo era falso.
Ele, era muito céptico em relação às mulheres. Costumava dizer duas coisas quando o assunto eram mulheres. Primeiro, as mulheres não prestam. Traem os homens e pior ainda traem-se as si mesmas. Segundo, a excepção era a sua mãe, a única mulher no mundo que não desiludira o Criador. 
Horas depois, no seu quarto no hotel, escrevia rapidamente.   Acabara de ter uma ideia para um novo livro, e imediatamente tratara de registar as primeiras linhas, do primeiro capítulo. Parou ao perceber que tinha descrito a protagonista com as características físicas de Isabel. 
Fechou o portátil e foi até à janela. Depois de um rápido olhar para a rua,  atravessou o quarto a passos largos. 
Sentia vontade de sair. Afinal era Sexta-feira, noite de Verão. Luís não era homem de reprimir os seus desejos. Nunca o fizera. Chegou à rua e olhou em volta. A noite estava quente, e a lua cheia, redonda como ventre fecundado, extremamente brilhante, derramava sobre a cidade toda a sua luminosidade. Se ele fosse romântico diria que estava uma noite para namorar. Mas não o era. Apetecia-lhe caminhar. Observar as pessoas com quem se cruzava.  
Caminhou pela baixa até  à Praça do Comercio. Sempre gostara de ver o Tejo em noites assim. Desde o tempo em que ele era “o outro”. As memórias lutavam para vir à superfície e aos poucos foi deixando que elas ocupassem o seu espaço no presente.

16 comentários:

Andre Mansim disse...

Oi Elvirinha!
Menina, o livro ainda não chegou. Mas não se assuste, o correio aqui está muito ruim mesmo.
Assim que chegar eu te falo.
No final de semana eu volto pra comentar sobre os textos.

Andre Mansim disse...

Oi Elvirinha!
Menina, o livro ainda não chegou. Mas não se assuste, o correio aqui está muito ruim mesmo.
Assim que chegar eu te falo.
No final de semana eu volto pra comentar sobre os textos.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Está interessante a história e as nossas mães são sempre puras e sagradas.
Um abraço e bom fim de semana.

Observador disse...

Passo para desejar um bom fim de semana.
Abraço

Isa Sá disse...

A acompanhar a história...aproveito para desejar um bom fim de semana.

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Tintinaine disse...

Já vi que o Luís é um homem de dupla personalidade.
Vou acompanhando a história, ao mesmo tempo que ando a ler a do Manuel da Lenha para me pôr em dia.
Obrigado pela ajuda sobre Mueda, já descobri o que queria saber e já o publiquei.

Olinda Melo disse...


Um homem céptico em relação às mulheres, e por isso mesmo, um homem sofrido. Terá tido algum desgosto de amor? Infelizmente não tenho podido acompanhar a história em todos os capítulos, mas parece-me que é excelente como todos os seus contos.

Bj

Olinda

Blog da Gigi disse...

Abençoado final de semana!!!! Beijos

Odete Ferreira disse...

Confirma-se uma parte da trama que antecipava. Surpresa: escreve!!!
Bjinho, Elvira :)

Edumanes disse...

Afinal Luís era o outro, não esse que estará ficando enfeitiçado pelo olhar de Isabel, que ele diz ser de gazela assustada! As mulheres traem os homens, e quantos é que serão traídas pelos homens? Ao menos defendeu a sua mãe, pois, não fez mais do que o seu dever de bom filho, se é que o é?

Tenha um bom fim fim de semana amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Edumanes disse...

Corrijo: Quantas e não quantos!

Elisa Bernardo disse...

Gosto tanto mas tanto de aqui vir . Bonito texto :)
Beijinhos para si
elisaumarapariganormal.blogspot.com

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Estou muito ansiosa para um novo encontro entre os dois. Um abraço Elvira.

Mariangela do Lago Vieira disse...

Que triste ser cético...
Dá para ver quando uma mulher é correta!
Vamos aguardar!
Um bom final de semana!
Mariangela


Blog da Gigi disse...

Ótimo sábado!!!!!!!!! beijos

Ana Freire disse...

Mais um capitulo desta história, que nos prende a atenção por completo... já avançando para o próximo capítulo...
Beijinho