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23.3.20

DIVIDA DE JOGO - PARTE XIV







Três meses depois, Eva estava irremediavelmente apaixonada por André. Naqueles três meses de convivência, ele mostrou-se sempre um companheiro fantástico. Juntos conheceram Sintra, com os seus majestosos monumentos, os seus românticos recantos, as tradicionais queijadas, os deliciosos travesseiros.
Tomaram banho na Praia das Maçãs, encantaram-se com a beleza das Azenhas do Mar, descobriram a histórica Ericeira; e Mafra, em cuja Tapada passearam, almoçaram e se deixaram enredar pela história de outros tempos.
Ainda em Mafra, visitaram o Convento que inspirou José Saramago, o Nobel da Literatura Portuguesa. Mas também do outro lado do Tejo, visitaram o Cristo-Rei, a bela Igreja  de Nossa Senhora do Bom Sucesso, a Casa da Cerca, onde ficaram duplamente encantados com o belo jardim botânico e com a maravilhosa vista para Lisboa, desceram ao Ginjal e almoçaram ali mesmo no restaurante Ponto Final, embalados pela suave melodia das águas do Tejo. 
Também foram até Palmela, a terra das vinhas, pelas quais André pareceu interessar-se vivamente, percorreram a rota dos Moinhos na Serra dos Louros,visitaram o Castelo.
Visitaram Sesimbra, e também Setúbal, onde se deliciaram com o choco frito, o Parque Natural da Serra da Arrábida, a bela praia do Portinho. Todos os fins-de-semana, desde aquele primeiro sábado, partiam à descoberta de uma localidade.
Nesse meio tempo, André fora com a jovem ao orfanato onde conheceu a Irmã Madalena, de que a jovem tanto falava. Curiosamente, ou talvez não, a empatia entre os dois foi evidente.
Se Eva se apaixonara pelo homem que se revelara, um companheiro inteligente e divertido, gentil e cavalheiro, o homem experiente que ele era, ficava doido, com aquela mulher-menina, que mostrava uma inocência difícil de igualar, pese o seu corpo, onde tudo estava no lugar certo, e o seu rosto cuja beleza era indesmentível. A tensão entre eles crescia. Os toques tão naturais no início, eram agora evitados a todo o custo, como se ambos soubessem que qualquer toque provocaria um fogo sem limite na paixão que os devorava.
André percebera já que a sua paixão era retribuída pela jovem. Porém ele tinha jurado que não lhe faria mal. E não era livre. Na próxima semana, partiria para Londres. Não sabia por quanto tempo.
Depois disso, sim, seria livre. Decidiu-o, quando percebeu o sentimento que ela lhe inspirava. Por isso evitava a todo o custo, qualquer situação que não conseguisse controlar.
E para isso, passou a sair de casa antes dela chegar do emprego, jantar fora, e só voltar para casa de madrugada, quando tinha a certeza, que Eva já dormia.


Espero que os meus amigos estejam todos bem. Eu tive um grande susto na Sexta feira. Quando me levantei, não me segurava nas pernas, não tinha equilíbrio e sentia a mão esquerda dormente. Só a mão dormente não me afligiria, pois tenho muitas vezes, as mãos e as pernas dormentes,  devido a problemas de coluna. Mas o resto sim. Pensei imediatamente no AVC, embora a Tensão Arterial estivesse normal. Felizmente esse estado durou apenas uma hora e o resto do dia bem como sábado e Domingo estive bem. Não sei se o que aconteceu foi por ter dormido em má posição, ou se pela crise de refluxo que tive na véspera, mas digo-vos que foi um susto do caraças.



22.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXX



Uma semana antes, o tempo, embora frio, estava seco e com dias bonitos.  Ricardo fizera as reservas para o almoço, no restaurante da Adraga, situado na praia do mesmo nome, na zona de Sintra.
Com um excelente serviço e uma esplêndida vista, com a sala virada para o mar, e a esplanada para a serra, com o casario de Almoçageme na encosta, e o Castelo da Pena, lá no alto. Infelizmente não esperava o dia invernoso que nesse momento, se fazia sentir, mas que podia ele fazer? Não podia controlar a natureza, mas tinha encomendado um bom menu, e recomendado que não faltasse o champanhe e um bolo de noiva, ainda que pequeno. 
Apesar de tudo, o almoço foi ótimo, o serviço uma simpatia, e o mar encapelado , não deixava de ter o seu encanto.
Depois de almoço, que se prolongara até ao meio da tarde, como o tempo não estava para passeios, voltaram para Lisboa. Os noivos iam ficar a viver no apartamento dele, no Parque das Nações. Mais tarde, talvez Ricardo vendesse o apartamento e comprasse uma casa noutra zona da cidade, mas de momento o apartamento era o ideal. Possuía, uma suite, dois quartos, uma sala, uma bela cozinha, e uma casa de banho.Uma das condições de Isabel era que não tivessem lua-de-mel. E embora inicialmente isso não lhe tivesse agradado, como o casamento só pudera ser marcado para aquela data, ele acabara por concordar.
Faltavam poucos dias para o Natal, era o primeiro que passariam em família, havia muita coisa para fazer e pouco tempo. Natália ofereceu-se para ficar com a Matilde naquela noite e eles ficariam em casa, depois da noiva ter rejeitado ir passar a noite num hotel. Para ela, aquela ia ser a noite mais importante da sua vida, e queria vivê-la no recesso do seu novo lar, porque acreditava que essa recordação, que esperava fosse boa, energizasse a casa, para um futuro feliz.
Durante o tempo que mediou até ao casamento, não tiveram mais intimidade do que uns beijos e algumas carícias mais apaixonadas, pois ela sempre fazia questão, de que Natália estivesse lá em casa, quando Ricardo chegava. E mesmo quando foi ao apartamento dele para preparar o quarto para a filha, e levar as suas roupas, fez-se sempre acompanhar da menina e da vizinha, com o pretexto de que  a vizinha seria uma boa ajuda.
Na verdade, Isabel tinha medo de estar a sós com o futuro marido. Porque quando ele a beijava, ela perdia a cabeça, parecia que o seu corpo ficava doido, queria sempre mais, e tinha vergonha de si própria. Tinha a certeza, que não fora a presença de Natália, teria feito amor com ele, quase desde a primeira vez que se beijaram. Às vezes perguntava-se o que pensaria Ricardo do seu “assanhamento”, e tinha receio que ele desistisse do casamento, depois de terem feito amor. Por isso fazia tanta questão da presença da amiga, quando estavam juntos. 
Ricardo percebeu que ela não queria fazer sexo antes do casamento, e embora não percebesse tanta timidez, numa mulher com trinta e três anos, fez que não entendia e conteve o desejo intenso que sentia cada vez lhe tocava.
Naquele momento de regresso a Lisboa, Ricardo tinha a mão de Isabel presa nas suas. Com o polegar acariciava-lhe a palma da mão e admirava-se com o rubor da mulher, enquanto conversava com Artur e Natália, que segurava no colo a menina adormecida.




Esta história volta segunda-feira

11.5.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XLIX


Horas mais tarde, Paula descansava a cabeça no peito masculino. 
-Estás bem? - perguntou António acariciando-lhe o rosto.
- Melhor seria impossível. Amo-te - respondeu
- Repete. Esperei tanto para o ouvir que ainda me parece um sonho.
- Amo-te, amo-te, amo-te. Desde que entraste no meu escritório, e me inquietaste com aquela promessa de beijo, que não me deste. Já gostavas de mim nessa altura?
-Segundo o teu pai, apaixonei-me por ti, no seu escritório, quando tinhas nove anos.
-Não é possível. Por aquela garota triste e magricela? 
-Bom, eu creio que me apaixonei por ti há cinco anos, dias depois do meu regresso de França, quando me cruzei contigo no banco. Mas estavas noiva, e tentei por todos os meios esquecer-te, embora sem o conseguir. Mas é verdade que sentia um carinho especial por ti naquela época, embora acredite que era mais um amor de irmão. Afinal de contas, tinha uma irmã quase da tua idade. Amanhã, vamos para Sintra, - disse mudando de assunto. Vamos falar com o padre Celso e marcar a data de casamento. Depois vamos comprar o anel de noivado, e à noite vamos falar com o teu pai. Oxalá ele não me dê um tiro.
-O meu pai não é tão mau como pensas. Ele sofreu imenso com a morte da minha mãe e andou perdido durante anos. Sentia-se infeliz e descontava o seu sofrimento em quem o rodeava. Hoje está diferente. Tenho a certeza de que só quer a minha felicidade. Mas não falemos mais do meu pai. Vamos dormir? – perguntou
- Se quiseres, - respondeu ele - a boca buscando a dela, a mão esquerda abarcando-lhe o seio, com o polegar acariciando o mamilo, a mão direita, puxando-lhe o corpo de encontro à sua masculinidade, para que sentisse a sua excitação.
Ela riu baixinho, certa de que afinal nem tinha sono.

                                              *************

Tinha passado um ano desde aquela noite. Um ano que trouxe muitas mudanças mas que foi sobretudo de muita felicidade para o casal. Paula era uma mulher independente, não queria viver à sombra do marido, e ele concordara em que continuasse com a sua firma de eventos. Todavia pouco tempo depois do casamento, Paula  descobriu que estava  grávida de gémeos. Primeira gravidez já com trinta anos, e ainda por cima uma gravidez gemelar, o médico aconselhou muito repouso e pouco stress, pelo que ela chegou a pensar fechar a firma.  Porém um dia em conversa com a cunhada, Gabi disse-lhe que poderiam trabalhar juntas, pelo menos durante a gravidez. Paula assinaria os projetos e ela os executaria. E a verdade é que Gabi, revelou-se uma ajuda preciosa. Parecia ter nascido para aquela profissão, e Paula acabou propondo-lhe sociedade. Quando atingiu os seis meses, o médico exigiu repouso absoluto e dona Teresa, a sogra, mudou-se para a quinta a fim de estar perto dela para a ajudar no que precisasse. Era uma senhora amorosa, que a tratava com imenso carinho e Paula gostava muito dela. 
Naquele momento, a senhora insistia com a jovem, dizendo que tinha de comer o lanche que Alice a empregada preparara e colocara na mesa-de- cabeceira. Na cama, ao lado de Paula, um bebé dormia. De pé olhando-a com amor, António tinha nos braços o outro bebé. 
 Ouviu-se uma leve batida na porta  do quarto e dona Teresa foi abrir. Jorge, Cidália e Miguel entraram no quarto.
-Parabéns, - disse Jorge dando uma palmada amistosa, nas costas de António e dirigindo-se em seguida para o leito a fim de beijar a filha.
Depois voltou para junto do genro, deixando a mulher e o filho junto da jovem mãe.
-Esse é o meu neto? - perguntou mirando a carinha do recém-nascido.
-É o Martim,- respondeu António passando-lhe o bebé para os braços. A Mariana está ao lado da mãe.
Os dois homens encararam-se com um sorriso.  Durante aquele ano o ressentimento fora esquecido, não havia mais animosidade entre eles. Na cama, Paula, colocou nos braços do irmão a sua filha. O garoto pegou-lhe com extremo cuidado, os olhos rasos de água, comovido pela responsabilidade que era segurar nos braços a sua minúscula sobrinha.
Mais tarde quando eles partiram, António colocou os bebés nos respetivos berços, e sentando-se na beira do leito, beijou a mão da mulher.
-Meu Deus - murmurou,- não quero mais filhos. Passei as piores horas da minha vida antes de eles nascerem. Recriminei-me tanto pelo que estavas a passar.
-Não sejas tonto. Havemos de ter quantos Deus quiser. Afinal de contas, não temos problemas financeiros, e não nos falta amor para lhes dar.
- Mas e o teu sofrimento? Os enjoos, os pés inchados, as dores nas costas, as dores do parto? Não é justo.
-As dores da gravidez e do parto de qualquer mãe, é esquecido quando ela aperta o filho nos braços. Ou será que estás com ciúmes deles?- perguntou sorrindo.
Ele curvou-se e beijou-a. Não precisou falar. Aquele beijo disse-lhe tudo o que lhe ia na alma.

FIM

Como amanhã se festeja o dia da mãe em grande parte do mundo, (25 países) esta história não podia terminar de outra forma

27.4.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XXXIII


Paula levou o irmão à escola, cumprimentou o professor e aguardou que o autocarro partisse. De seguida foi a casa, buscar o seu vestido para a festa dessa tarde. Depois seguiu para Sintra. Embora a festa fosse às dezasseis horas, os convidados deveriam começar a chegar uma hora antes, e ela tinha que verificar se não se esquecera de nada. Também colocar as flores que tinha encomendado para adornar todo o espaço. Na véspera, ela e Margarida tinham deixado tudo pronto. Exceto os arranjos florais que só seriam colocados no sítio, umas horas antes da cerimónia a fim de se manterem viçosos.
Introduziu o código que lhe permitia a entrada e estacionou junto à garagem. Saiu do veículo e dirigiu-se à casa. Preparava-se para tocar quando a porta se abriu, e encontrou-se na presença do anfitrião.
-Bom dia, -saudou.
- Bom dia, Paula. Vieste cedo, - disse afastando-se para lhe dar entrada. Não lhe tocou com qualquer cumprimento que não fosse oral.
- Preciso colocar as flores para adornar o espaço e dar uma última olhada para ver se não me esqueci de nada. A propósito, sabes se a florista, já veio trazer as flores?
-Uma carrada delas. Estão na tenda nas traseiras. Já te ajudo a levá-las mas antes quero apresentar-te a minha mãe.
Colocou-lhe a mão no ombro e empurrou-a suavemente para a sala.
A senhora que se encontrava na sala a ler, levantou a cabeça encanecida, e olhou com certa surpresa, ao ver o filho entrar com uma jovem desconhecida. Pôs-se de pé, e a jovem pode observar que era de baixa estatura e magra. O seu rosto, de tez morena, mostrava-se bastante enrugado para a idade que Paula calculava tivesse a mãe do empresário. Notou que a única semelhança com o filho eram os olhos negros. Enquanto a mãe tinha um ar frágil que inspirava simpatia, o filho era a antítese. Alto, forte, tão seguro de si, que roçava a arrogância.
- Mãe; venho apresentar-te uma amiga, Paula Maldonado. É a responsável pela organização da festa de hoje. Paula, esta é a minha mãe, Teresa Ferreira.
Paula adiantou-se para cumprimentar a senhora, e esta abriu os braços para acolhê-la. Abraçou-a com carinho, dizendo:
- É um prazer conhecê-la. Fez um trabalho magnífico. A minha Gabi nunca mais vai esquecer este dia.
-Obrigada. A senhora é muito gentil. Agora se me dá licença, tenho um monte de flores para colocar nas jarras,- disse tentando esconder a emoção, que a calorosa acolhida da senhora despertara nela.
Dirigiu-se à tenda, para tratar das flores. Tinha pedido à florista a elaboração dos ramos, e a quantidade de flores por ramo, e se estivesse tudo certo, era só colocar um ramo em cada recipiente, que já tinha deixado nos lugares onde iam ficar.  Examinou os ramos e sorriu satisfeita. Pegou em alguns de braçada, e voltou-se para deparar com António que chegava naquele momento.
-São para levar para o local de cerimónia?
- Só os ramos, e os três arranjos brancos. Os restantes são para as mesas aqui.
-Está bem. Já tos levo.
Ela afastou-se dando volta à casa, para se dirigir ao jardim, onde estava montado o altar. Aí chegada, foi metendo os ramos nos jarrões colocados no caminho junto às cadeiras dos convidados.
Minutos depois, chegou o empresário com os restantes ramos.
-De que te ris, -perguntou poisando os ramos na beira do lago.
-Parecias uma jarra, com pernas, -respondeu sorrindo ao mesmo tempo que recolhia os ramos e os colocava nas restantes jarras. Levou depois os três pequenos arranjos para a mesa que serviria de altar, virou-se, analisou o local e deu-se por satisfeita.
- Bom, aqui está tudo em ordem, falta o outro lado. Estás muito pensativo, - disse ao chegar perto do anfitrião que continuava perto do lago.
-Entregaste o envelope? - perguntou ele.
-Sim claro. Logo de manhã.


Porque amanhã é domingo, e na Segunda, o Sexta faz anos, esta história continua no dia 30,



24.4.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XXXI




Levantou-se como se desse a visita por terminada. Não parecia o empresário brincalhão que conheceu no primeiro dia, tão-pouco o homem com que lidou no seu escritório, quando duvidou da sua palavra. Muito menos o homem seguro de si, envolvente e sedutor, que conheceu em Sintra. Nem sequer aquele, que ultimamente lhe ligava todas as noites, para lhe perguntar se estava bem, como fora o seu dia, ou como iam os trabalhos de preparação da festa. Parecia mais velho, acabrunhado. Como se algo muito doloroso o tivesse envelhecido de repente. Paula sentiu um aperto no peito. Obedecendo a um impulso perguntou:
- Já jantaste? Não tenho grande coisa para te oferecer, mas se gostares de “pizza” tenho uma na cozinha que podemos partilhar.
Ele estendeu a mão, e segurou-lhe o queixo olhando-a intensamente.
- Sabes que o que desejo partilhar contigo não é uma pizza. De qualquer modo agradeço a tua oferta, mas hoje preciso estar sozinho, fazer uma séria reflexão do que tem sido a minha vida, contabilizar o deve e o haver entre o que me deu e o que me tirou. Amanhã é um dia especial, pretendo tomar algumas decisões importantes para o futuro e quero estar de alma lavada. 
Largou-a e encaminhou-se para a porta.
- Então encontra-mo-nos em Sintra antes da festa, - disse abrindo-lhe a porta.
Ele parou como se fosse dizer alguma coisa, depois colocou-lhe as mãos nos ombros e atraiu-a a si, abraçando-a. Não a beijou. Apenas a abraçou com força, como se necessitasse do calor do seu corpo para viver. Paula não se atreveu a falar. Limitou-se a ficar quieta, sentindo o seu coração bater acelerado. Depois ele largou-a e saiu sem uma palavra. Paula fechou a porta e foi sentar-se à mesa da cozinha com as pernas a tremer. Acabava de reconhecer que se apaixonara pelo empresário. Descobrira-o durante o tempo que durou aquele abraço. Santo Deus, como desejara que ele a beijasse.
“Raio de sorte”,- murmurou entre dentes. “Era só o que me faltava. Depois de um homem mentiroso e traidor, tinha que me apaixonar por outro rancoroso e vingativo. Decididamente, tenho um coração sem juízo”
Afastou a caixa da “pizza”. Tinha perdido o apetite. De súbito lembrou-se do envelope. Foi até à sala e abriu-o. Verificou o conteúdo. Estava tal como naquele dia em que fora aos escritórios, confrontá-lo. A única diferença era um cheque de cem mil euros.Voltou a guardar os documentos no envelope e foi guardá-lo na mala. Foi à cozinha, encheu um copo de leite, e bebeu-o. Apagou a luz e foi para o quarto. Tinha que estar na casa do pai antes do progenitor sair de casa. Depois ia para Sintra, e o dia ia ser muito longo. Despiu-se, enfiou o pijama, foi à casa de banho, escovou o cabelo, lavou os dentes e foi-se deitar.
Uma hora depois continuava às voltas na cama, presa numa inquietação que não a deixava dormir. Temia o dia que se avizinhava. Como ia ela encarar o empresário sem deixar transparecer os sentimentos que acabara de descobrir? Felizmente, depois daquele evento, provavelmente não o veria com frequência, e talvez conseguisse esquecer aquele sentimento, antes que ele criasse profundas raízes no seu coração. O novo dia já adentrava pela madrugada quando extenuada acabou por adormecer.


Como é que ele sabia a morada dela? - pergunta a Susana. Foi dito por duas vezes em episódios diferentes que ele investigou a vida dela.


Porque amanhã é o 25 de Abril, esta história continuará dia 26. Será de novo interrompida a 27 para continuar dia 30. 28 é domingo e 29 o Sexta é aniversariante.

23.4.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XXX


Tomou um duche, que a revigorou. Enrolou uma toalha no corpo, escovou os belos cabelos e deixou-os soltos sem os secar. Vestiu um curto e florido pijama de algodão, enfiou um robe azul, calçou uns chinelos, e foi para a cozinha. Abriu o frigorífico, procurou alguma coisa para cozinhar, mas os dias de trabalho intenso, tinham-na impedido de ir às compras pelo que o frigorífico estava praticamente vazio. Foi até ao quarto, pegou no telemóvel, e pediu uma” pizza”. Pouco depois a campainha tocou. Paula pegou na carteira e dirigiu-se à porta. Espreitou pelo óculo pensando tratar-se do entregador de “pizzas” e surpreendeu-se ao ver quem estava do outro lado. A campainha soou de novo enquanto ela hesitava se abria ou não a porta, mas o segundo toque acabou por convencê-la. Aconchegou o robe ao peito e abriu a porta.
-Boa noite. Posso entrar?
Como resposta ela afastou-se para lhe dar passagem, fechou a porta e encaminhou-o até à sala dizendo:
- Não te esperava.
- Talvez devesse ter avisado. Mas se o fizesse será que me recebias?
- Talvez não. Não costumo receber visitas em casa, a não ser de familiares. Mas senta-te. Queres beber alguma coisa?
- Não, obrigado
- Então dá-me cinco minutos por favor! Volto já.
Deixou-o só e dirigiu-se ao quarto, onde trocou rapidamente de roupa. Já era embaraço suficiente receber o empresário em sua casa. Mas recebê-lo de roupa de dormir, era demais.
-Bom, - disse ao entrar na sala envergando um conjunto de calça e túnica. – O que é tão urgente que não podias, guardar para amanhã?
António abriu a pasta e retirou um envelope que ela reconheceu.
- Amanhã é o último dia do mês. O teu pai deverá estar no meu escritório às onze horas. Vou ficar em Sintra esta noite e não penso ir amanhã ao escritório. Vim trazer-te todos os documentos da firma do teu pai bem como o resgate da hipoteca, e um cheque que deve cobrir as necessidades imediatas da empresa.Com o resgate da hipoteca e esse cheque, ficarão liquidados todos os prejuízos que ele terá tido por minha causa. Peço-te que lhos entregues amanhã de manhã. Diz-lhe que a partir de agora, está por sua conta, eu não voltarei a interferir nos seus negócios.
- Desististe da vingança, mas não perdoaste. Por isso não o queres ver, - disse ela
-Desisti da vingança por ti. E também pela Cidália, porque me disseste que foi para ti a melhor das mães, e pelo Miguel que tanto te ama.
 - Que sabes do Miguel? Nunca te falei dele.
- O meu sobrinho Pedro é o seu melhor amigo, e os amigos falam uns dos outros. O teu irmão, não esconde de ninguém o amor e a admiração que tem por ti. Por vocês desisti. Pelo teu pai, não o teria feito. Talvez um dia eu consiga esquecer o que me fez sofrer e o possa perdoar. Mas por enquanto não consigo, e por isso não quero voltar a vê-lo.
Tocaram a campainha e Paula levantou-se.
-Desculpa, tenho que ir abrir, tinha encomendado uma “pizza” para o jantar. Deve ser o empregado da pizaria.
Era mesmo o jovem, com a “pizza”. Paula pagou, fechou a porta e foi colocar a caixa na cozinha voltando de seguida à sala.
- Porque não me contas, o que o meu pai te fez?- perguntou.
- Porque és demasiado importante para mim, e não te quero envolver nesta história. Estive em Sintra esta tarde. Pensei que ainda te encontrava, mas segundo Alice tinhas saído há um quarto de hora. Fizeste um trabalho fantástico. Sei que vais lá estar amanhã, mas tinha que resolver este assunto hoje. Por isso vim.



E com o comentário da Ailime chegámos aos 40.000

9.4.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XX



-Sim…
- Tenho a dona Paula Maldonado ao telefone. Pode atender?
-Sim, claro. Passe-me a chamada por favor.
- Estou: Bom dia Paula. Porque não ligaste para o meu telemóvel?
- Não é uma chamada pessoal. Prefiro tratar os negócios pelo telefone. Preciso conhecer o local da festa, com urgência. O espaço temporal é demasiado curto e ainda não me disseste onde se vai realizar a festa.
- Falaste numa festa ao ar livre e eu gostei da ideia. Tenho uma casa em Sintra, numa pequena quinta. Só lá vou aos fins-de-semana, mas tem um bonito jardim, com um pequeno lago, penso que seria o ideal.
-Preciso vê-lo. Saber onde fica a igreja mais próxima, ir falar com o padre, uma infinidade de coisas.
-Eu mesmo gostaria de te levar lá, mas vou ter uma reunião dentro de meia hora com o meu sócio. Não podes deixar a visita para mais tarde?
- Prefiro ir já.
-Muito bem. Vou enviar-te a morada. E telefonar à governanta para que te mostre o jardim. Entretanto logo que termine a reunião vou lá ter. Almoçamos e depois podemos ir juntos falar com o padre. Além disso,- apressou-se a dizer, antes que ela recusasse. – Gostava de te mostrar a casa, e de ter uma ideia do que pensas fazer.
- Bom, manda então a morada. E vou falar com o padre, sozinha. Não quero correr o risco de encontrar alguém conhecido, e alimentar boatos em revistas cor-de-rosa. Vou desligar. Até logo!
António desligou a chamada, enviou a mensagem com a morada e ficou pensativo. A ele também não lhe agradavam os boatos, mas não desdenharia nada de sair nas revistas como noivo dela, se isso fosse verdade. Pelo contrário ia sentir-se muito feliz. Cada dia que passava, mais pensava nela. E não tinha nada a ver com a vingança que durante tantos anos alimentou contra o pai dela.
Na verdade sempre que pensava na jovem, conseguia imaginar muita coisa, mas nada que a ligasse ao pai e ao seu desejo de se vingar.  Desejo que aliás pôs de parte, por ela. Nunca em toda a sua vida sentiu algo parecido por outra mulher. Estaria apaixonado?
Foi interrompido nos seus pensamentos, por uma batida na porta, e logo Susana, a sua secretária entrou dizendo:
- Chegou o senhor Júlio Correia, e doutor Eduardo Soares.
- Faça-os entrar. E pode retirar-se. Se precisar de si, chamo.
Os dois homens entraram no escritório, e a secretária retirou-se fechando a porta atrás de si.
António levantou-se e os três homens, cumprimentaram-se de forma amistosa.
- Sentem-se. Querem tomar alguma coisa?- Perguntou António.
- Não, - disse o seu sócio. – Deves lembrar-te que nunca bebo de manhã.
-Eu também não, acabei de beber um café, -disse Eduardo, antecipando-se à pergunta do cunhado.
- Então vamos lá trabalhar. Já marcaram a escritura em Faro?
- Está agendada para depois de amanhã às quinze. Vais connosco não é verdade?- Perguntou Júlio.
- Bom, não era necessário, mas o Eduardo diz que fazes questão na minha presença.
- Sinto-me mais confiante assim. Somos amigos, mas também somos sócios, e lembras-te de quando tinhas o boletim premiado? No mesmo dia quiseste que fossemos a um advogado para firmar uma sociedade. Quando te disse  que não era necessário, porque confiava em ti, disseste. “Amigos, amigos, negócios à parte.” Hoje digo-te o mesmo.
-Não é a mesma coisa, além de que o Eduardo estará lá com o doutor Alcides, teu advogado, e podes ter a certeza que eles terão muita atenção a todos os pormenores da compra. Irei convosco se fazes questão, mas esse negócio tal como os outros relacionados com os automóveis, terá que ser dirigido por ti, eu já tenho imenso trabalho com os restaurantes e a Imobiliária.
-Então está combinado. Vamos depois de amanhã às nove horas.Outra coisa. Sabes que vou casar no final do próximo mês? - Perguntou Júlio.
- Penso que já tinha ouvido alguma coisa sobre o assunto. Os meus parabéns.
- Obrigado. Eu ficaria muito feliz se aceitasses ser o meu padrinho.
Aceitas?
- E eu sinto-me honrado com o convite. Claro que aceito, - disse levantando-se e abraçando o amigo. – Depois conversamos sobre isso. Agora tenho que sair, tenho um compromisso em Sintra.


30.6.18

SINTRA - A CAPITAL DO ROMANTISMO


Diz-nos a História que na Serra de Sintra se encontram vestígios de todas as épocas desde o neolítico até à actualidade. 

A história de Sintra é tão grande e variada, que não caberia neste espaço, pelo que vos remeto para este site e assim quem estiver interessado, poderá conhecê-la a fundo.




Depois da conquista de Lisboa em 1147 por D. Afonso Henriques, Sintra é definitivamente integrada no espaço cristão. Logo após a tomada do Castelo, D. Afonso Henriques funda a igreja de São Pedro de Canaferrim, outorgando Carta de Foral à Vila de Sintra em 1154. 

Nos séculos  XI e XII estabeleceram-se na zona vários conventos e ordens militares, que possuíam casas e vinhas e que fizeram prosperar a vila.Porém no século XIV, a epidemia de peste negra, chegou a Sintra, onde se propagou rapidamente devido ao clima frio e húmido da Vila, tendo dizimado uma boa parte da população. 





Conheceu um período de menos brilho, durante o domínio espanhol, quando os duques de Bragança se transferem para Vila Viçosa. Mais tarde o terramoto de 1755 causou em Sintra, como aliás em quase todo o país, avultados prejuízos e grande número de vítimas. Mas esta não foi a única tragédia que assolou Sintra. O grande ciclone de Fevereiro de 1941, provocou em Sintra uma enorme destruição. Seis anos depois, cai na serra, o bimotor Dakota, proveniente de França, em que morrem carbonizadas 16 pessoas. 
Mais recente ainda, muitos de nós lembramos o grande incêndio de Setembro de 1966, que incontrolável durante seis dias destruiu quase a totalidade da Serra. Nele morreram carbonizados, 25 militares que operavam no combate e que sem preparação conveniente, se deixaram cercar pelas chamas.
Em Sintra viveram grandes escritores nacionais e estrangeiros, como Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Ferreira de Castro, o poeta inglês Robert Southey, Lord Byron, que a imortalizou num dos seus poemas como "Cintra's glorious Eden" entre muitos outros, que a glorificaram e lhe deram fama de "A capital do Romantismo"


Para se encantar em Sintra, não pode deixar de visitar,  o Palácio Nacional de Sintra, também chamado Palácio da Vila, o Palácio da Pena, e o Castelo dos Mouros.



 Ainda o palácio da Regaleira, na quinta do mesmo nome, mandado construir por Monteiro de Carvalho o "Monteiro dos Milhões", em cujo espaço se encontram verdadeiras maravilhas arquitectónicas e botanicas,
o Palácio de Seteais, e o Palácio de Monserrate, o Convento dos Capuchos, a fonte da Pipa, com seus painéis de Azulejos.  As várias igrejas e capelas das quais destaco a de S. Pedro,cuja construção remonta ao século XVI.
O Museu de História Natural,


 o Museu do Ar, e a casa-museu Leal da Câmara, o Centro de Ciência Viva, o Museu das Artes de Sintra, o Museu Ferreira de Castro,


 e o recentemente inaugurado News Museu, dedicado à Comunicação Social, que ocupa as instalações do antigo Museu do Brinquedo, são outros espaços a não perder.
Bom, e praias?- Pergunta-me, quem não as dispensa.no Verão. Pois ali bem perto integrado no Parque Natural de Sintra-Cascais, existem várias e boas praias, como a das Maçãs (que deve o seu nome às maçãs que o rio que ali desagua, trazia, nos tempos em que Sintra era rodeada de extensos pomares de macieiras) Praia Grande, muito procurada pelos amantes de surf, praia da Ursa,a mais ocidental de Portugal, entre outras bem conhecidas como S. Julião, Magoito e Adraga.



                                Praia das Maçãs


                                 Praia Grande

                                       Praia da Ursa

Na Gastronomia, Sintra apresenta vários pratos deliciosos, entre os quais destaco a Vitela à Sintrense, o Leitão de Negrais, as Migas à Pescador e  Açorda de Bacalhau, e os Mexilhões de cebolada.
Na doçaria, destacam-se os famosos Travesseiros, e as Queijadas de Sintra, entre muitos outros igualmente deliciosos.






E então, vamos de férias para Sintra?


Fontes 
Cm de Sintra, e apontamentos das minhas visitas.

30.10.17

A RODA DO DESTINO - PARTE XLVI



-O que queres dizer com isso? Estiveste casada mais de três anos. Esqueces que me apresentaste o teu ex-marido? Não me digas que ele é homossexual.
-Nada disso. Afonso e eu crescemos como irmãos. Os nossos pais pensavam que se éramos felizes juntos, o ideal era casarmos. E a nós não nos pareceu mal. Na noite de núpcias, não conseguimos tocar-nos. Era como se fossemos irmãos. Não deu. Nessa mesma noite, combinámos o divórcio. Que só aconteceu três anos depois, por causa da morte do pai dele e da doença da mãe.
Quer dizer que tu nunca…
- Nunca.
- Meu Deus! Salvador sabe?
- Não. Tirando eu e o Afonso, só o contei à minha mãe já depois do divórcio, e agora a ti. Não é nada fácil falar nisto. Sinto-me tão parva!
- Eu diria antes frustrada, Anete. Mas ainda estás a tempo de seres, feliz. E tenho a certeza que o serás com o meu cunhado. Sinceramente, penso que lhe deves contar, o que me disseste. Deves compreender que fará muita diferença, e será muito mais fácil, ele entender essa tua timidez.
- Não sei, - calou-se com a entrada dos dois irmãos na sala.
- Podemos ir, Anete?
-Sim, - disse levantando-se
- Pode saber-se para onde vão? -Perguntou Ana Clara.
- Vamos lanchar a Sintra, - respondeu Salvador. - Anete não conhece a zona.
-Porque não voltam cá logo? Podiam jantar connosco, - insistiu.
- Obrigado, mas tenho outros planos, - respondeu Salvador.
Vestiram os agasalhos e despediram-se.
Na rua o sol brilhava, mas não aquecia. Entraram no carro e seguiram em direção a Sintra.
-Ana Clara conseguiu acalmar os teus receios? – Perguntou ele.
- Não. Mas foi uma boa conversa. E dissipou-me algumas dúvidas.
-Ainda bem. Vamos parar aqui, e passear a pé pela zona histórica. Aperta o casaco, o tempo por aqui nesta época do ano costuma ser bastante frio, No próximo verão, viremos para uma visita aos monumentos, poderemos ir até à Praia das Maçãs, ao cabo da Roca, que como sabes é o lugar mais ocidental de Portugal, o sítio onde acabava o mundo como se acreditou até ao século XIV.  Ir até às Azenhas do mar, à Praia da Ursa.  Esta zona é muito bonita, mas são necessários alguns dias para vermos toda esta riqueza paisagística. E de verão, com dias grandes.  Hoje, vamos mesmo, só dar um pequeno passeio,pelo centro da vila e lanchar.
-Tens razão, tudo isto é lindo.
- É. Há por aqui muita história.Vários escritores aqui buscaram inspiração para as suas obras. Eça de Queirós e Ramalho Ortigão escreveram em conjunto "O mistério da estrada de Sintra" A vila exerceu um grande fascínio sobre os artistas durante a época do romantismo. Escritores e poetas, não só nacionais mas também estrangeiros, pintores e músicos viveram aqui, por períodos mais ou menos longos. Glauber Rocha um cineasta brasileiro também aqui viveu e morreu.
- Não fazia ideia. Conhecia os monumentos, de nome, falámos neles quando estudávamos, sabia da paixão de Ferreira de Castro, por Sintra, até nos foi dito que havia aqui um museu, com as obras que ele doou ao concelho, mas não imaginava que pudesse influenciar tantos artistas.
Vamos entrar? – Perguntou Salvador ao chegar à porta da Piriquita. Tens problemas com doces?
- Não. Porquê?
-Porque vir a Sintra e não comer os travesseiros, é o mesmo que ir a Belém e não experimentar os pastéis, ou como diziam os nossos avós, ir a Roma e não ver o Papa. É um bolo, feito de massa folhada e recheado de creme de amêndoa.
Pediram dois travesseiros e dois cafés.
- Hum…é muito bom – disse a jovem saboreando o doce.
 - Queres que peça, outro?
- Não. Nunca como muito a esta hora, senão depois não janto.
- Então, se não te apetece mais nada, é melhor irmos andando. Vamos descer até Cascais. Com sorte assistimos juntos ao pôr-do-sol.


Gente voltei a ficar sem Internet, desde as 17 horas de Sábado até  às 8 de hoje. 


29.10.17

A RODA DO DESTINO - PARTE XLV






Anete, desceu logo que a campainha tocou. Sob o casaco de fazenda castanho, tinha vestido umas calças pretas e uma camisola creme. O cabelo solto, descia-lhe pelas costas como um manto sedoso. Até agora, ele sempre a vira com o cabelo preso num coque, numa trança, ou num rabo-de-cavalo. Era a primeira vez que Salvador a via assim e ficou encantado.
Levantou-lhe o rosto entre as suas mãos e roçou os lábios pelos dela, numa carícia tão suave como sedutora. Depois enlaçou-a e dirigiram-se para o carro.
- Vais demorar-te com a tua irmã?- Perguntou pondo o carro em movimento.
- Não muito. Um pouco de conversa, uma brincadeira com os meninos, não sei, uma hora, talvez. Porquê?
- A tarde está bonita, podíamos ir até Cascais, ou Sintra. Lembro-me que me disseste que gostarias de conhecer Sintra. Queres ir lá esta tarde?
- Sim.
- Vais contar à tua irmã a minha proposta?
- Porquê? É segredo? – Perguntou tensa.
- De modo algum,- respondeu sorrindo. - Compreendo que estejas receosa, que queiras um conselho. Mas ninguém sabe mais de mim, do que eu mesmo. Sentir-te-ias mais confiante se eu dissesse que te amo?
- Se fosse verdade!
- E quem te diz que não é? E não achas que eu anseio o mesmo que tu? Isto é, que o meu maior desejo é ouvir-te dizer que me amas? Precisas confiar mais. Em mim, em ti, em nós. E pensar que vamos ser muito felizes.
Tinham chegado. Mal Salvador estacionou o carro, e ela apressou-se a desapertar o cinto e sair.
“Continua nervosa. É uma pena que acredite tão pouco em si própria.”
Salvador tirou do banco de trás uma caixa com livros para colorir e lápis de cor, para os sobrinhos e alcançou-a quando ela já se aprestava para tocar a campainha.
 Foi Raul quem lhes abriu a porta.
Cumprimentaram-se e entraram para a sala, onde Ana Clara vigiava, se os filhos arrumavam os brinquedos antes de irem dormir a sesta.
As crianças ficaram alvoraçadas com a presença dos tios, já não queriam ir para a cama. Finalmente a mãe conseguiu que eles serenassem e foi deitá-los com a ajuda de Anete. Para que as duas irmãs ficassem à-vontade, os homens foram para o escritório. O que os dois irmãos falavam, não era muito diferente, da conversa das gémeas.
- Sabes que não me surpreende? – Perguntou Ana Clara.  - Reparei que o Salvador está apaixonado por ti quase desde a primeira vez que vos vi juntos. 
-Acho que não percebeste o que te contei. Eu nunca disse que ele estava apaixonado por mim. O que ele me propôs, não foi uma relação amorosa. Foi um tempo de convivência para nos conhecermos melhor, para descobrir que sentimento nos une.
 - Salvador pode dizer o que quiser, mas ele não precisa saber nada sobre os seus sentimentos. Basta olhar para ele quando te olha. É amor. Conheço-o há anos e nunca o vi aquele brilho no seu olhar.
- Ele já amou, e muito. Confessou-me que pensava em casar, mas parece que ela não lhe correspondeu. Gostava de saber quem é essa mulher. Conheceste-a?
- Não. Se isso aconteceu, deve ter sido há muitos anos, antes de eu o conhecer, porque nunca dei por nenhum entusiasmo da parte dele. E o que é mais estranho, o Raul nunca me contou nada. Não te preocupes com isso. Se gostas dele, vai em frente. Salvador é um homem sério, responsável, e é dos melhores na sua profissão. E além disso é jovem, bonito e rico. Nem com um radar  encontravas melhor.
- Não me interessa a sua riqueza. Eu só quero ser amada. Saber como é viver com um homem, dormir com ele...



29.8.16

DESTINO DE FÉRIAS - SINTRA


Diz-nos a História que na Serra de Sintra se encontram vestígios de todas as épocas desde o neolítico até à actualidade. 

A história de Sintra é tão grande e variada, que não caberia neste espaço, pelo que vos remeto para este site e assim quem estiver interessado, poderá conhecê-la a fundo.




Depois da conquista de Lisboa em 1147 por D. Afonso Henriques, Sintra é definitivamente integrada no espaço cristão. Logo após a tomada do Castelo, D. Afonso Henriques funda a igreja de São Pedro de Canaferrim, outorgando Carta de Foral à Vila de Sintra em 1154. 

Nos séculos  XI e XII estabeleceram-se na zona vários conventos e ordens militares, que possuíam casas e vinhas e que fizeram prosperar a vila.Porém no século XIV, a epidemia de peste negra, chegou a Sintra, onde se propagou rapidamente devido ao clima frio e húmido da Vila, tendo dizimado uma boa parte da população. 





Conheceu um período de menos brilho, durante o domínio espanhol, quando os duques de Bragança se transferem para Vila Viçosa. Mais tarde o terramoto de 1755 causou em Sintra, como aliás em quase todo o país, avultados prejuízos e grande número de vítimas. Mas esta não foi a única tragédia que assolou Sintra. O grande ciclone de Fevereiro de 1941, provocou em Sintra uma enorme destruição. Seis anos depois, cai na serra, o bimotor Dakota, proveniente de França, em que morrem carbonizadas 16 pessoas. 
Mais recente ainda, muitos de nós lembramos o grande incêndio de Setembro de 1966, que incontrolável durante seis dias destruiu quase a totalidade da Serra. Nele morreram carbonizados, 25 militares que operavam no combate e que sem preparação conveniente, se deixaram cercar pelas chamas.
Em Sintra viveram grandes escritores nacionais e estrangeiros, como Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão, Ferreira de Castro, o poeta inglês Robert Southey, Lord Byron, que a imortalizou num dos seus poemas como "Cintra's glorious Eden" entre muitos outros, que a glorificaram e lhe deram fama de "A capital do Romantismo"


Para se encantar em Sintra, não pode deixar de visitar,  o Palácio Nacional de Sintra, também chamado Palácio da Vila, o Palácio da Pena, e o Castelo dos Mouros.



 Ainda o palácio da Regaleira, na quinta do mesmo nome, mandado construir por Monteiro de Carvalho o "Monteiro dos Milhões", em cujo espaço se encontram verdadeiras maravilhas arquitectónicas e botanicas,
o Palácio de Seteais, e o Palácio de Monserrate, o Convento dos Capuchos, a fonte da Pipa, com seus painéis de Azulejos.  As várias igrejas e capelas das quais destaco a de S. Pedro,cuja construção remonta ao século XVI.
O Museu de História Natural,


 o Museu do Ar, e a casa-museu Leal da Câmara, o Centro de Ciência Viva, o Museu das Artes de Sintra, o Museu Ferreira de Castro,


 e o recentemente inaugurado News Museu, dedicado à Comunicação Social, que ocupa as instalações do antigo Museu do Brinquedo, são outros espaços a não perder.
Bom, e praias?- Pergunta-me, quem não as dispensa.no Verão. Pois ali bem perto integrado no Parque Natural de Sintra-Cascais, existem várias e boas praias, como a das Maçãs (que deve o seu nome às maçãs que o rio que ali desagua, trazia, nos tempos em que Sintra era rodeada de extensos pomares de macieiras) Praia Grande, muito procurada pelos amantes de surf, praia da Ursa,a mais ocidental de Portugal, entre outras bem conhecidas como S. Julião, Magoito e Adraga.



                                Praia das Maçãs


                                 Praia Grande

                                       Praia da Ursa

Na Gastronomia, Sintra apresenta vários pratos deliciosos, entre os quais destaco a Vitela à Sintrense, o Leitão de Negrais, as Migas à Pescador e  Açorda de Bacalhau, e os Mexilhões de cebolada.
Na doçaria, destacam-se os famosos Travesseiros, e as Queijadas de Sintra, entre muitos outros igualmente deliciosos.






E então, vamos de férias para Sintra?


Fontes 
Cm de Sintra, Wikipédia, e apontamentos das minhas visitas.
As fotos que não estão assinadas são do Google