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29.1.19

SANTUÁRIO DO SENHOR BOM JESUS DO CARVALHAL






Na primeira foto panorâmica do belo painel de azulejos de "Os círios no Santuário do Senhor Jesus". Na segunda uma composição dos vários quadros. Por favor ampliem as fotos.Consta que este era o mais importante local de culto antes antes de 1917 e das aparições na Cova de Iria. Hoje apesar de se encontrar a pouco mais de 1Km do famoso jardim Oriental do Berardo, acredito que a maioria das pessoas que vão ao Bombarral, visitar o jardim, se vão sem saberem do belo Santuário ali tão perto.






"O Carvalhal foi repovoado depois da reconquista de Óbidos aos Mouros em 1147, por D. Afonso Henriques. Em 1371, D. Fernando desanexou o Cadaval de Óbidos e o Carvalhal passou a pertencer ao concelho do Cadaval; em 24 de Outubro de 1855 voltou a pertencer a Óbidos e em 28 de Março de 1914, com a criação do concelho do Bombarral, passou a fazer parte do novo concelho. A Paróquia foi curato da apresentação do prior de beneficiados de Nossa Senhora da Assunção de Óbidos até à nova restauração pastoral do Patriarcado, já no séc. XX. O Santuário foi construído sobre as ruínas duma primitiva ermida dedicada a São Pedro de Finis Terra que ruíu com o terramoto de 1755. Entretanto, sem precisão de data, já a Imagem do Senhor Jesus fora recolhida na capela-mor da referida ermida que seria a primeira igreja paroquial. A Imagem do Senhor Jesus é duma beleza ímpar, envolve mistério e lenda,  não se sabendo com exactidão a sua origem. Poderá admitir-se a hipótese de, na ocasião da reforma protestante na Europa Central, a Imagem ter sido lançada ao mar, como aconteceu em situações de radicalidade no movimento protestante, vindo a ser encontrada na praia de Peniche.

A lenda diz: "andava um pescador no mar de Peniche, eis senão quando, vê um caixote a boiar perto do barco, com muita curiosidade, arrasta o caixote para a praia e logo se faz ouvir uma voz: leva-me até poderes... O pescador, convencido que estava uma pessoa dentro do caixote, abriu-o e ficou surpreendido ao olhar para a Imagem do crucificado. Obediente àquela voz misteriosa, o pescador colocou a Imagem aos ombros e começou a caminhar na direcção para onde habitualmente ia fazer a venda do peixe. A Imagem não lhe pesava, mas quando chegou junto a ermida de São Pedro, tornou-se tão pesada que não conseguiu avançar mais. Foi ao casario que ficava próximo chamar alguém para o ajudar, mas o peso da imagem era tanto que resolveram deixá-la na Ermida. Logo se divulgou a noticia que naquela Capela estava "huma devota antiga imagem de Christo crucificado, pela qual Deus obra muytos milagres e he mui frequentada de devotos Romeyros das Villas circunvisinhas". Assim, ao longo do séc. XIX e início do séc. XX, o Templo ampliou-se, construiram-se as casas dos romeiros e outras acomodações para acolher os peregrinos. O sino mais antigo que se encontra numa das torres da igreja tem a data de 1737 com a seguinte inscrição: "Bone-Jesus-Miserere Nobis"; seria o único sino da primitiva igreja; os outros três sinos, da mesma torre, datam de 1862. A segunda torre foi construída por iniciativa do padre José da Costa Prata e concluí-se em 1909. O arvoredo do adro da igreja foi plantado em Abril de 1867. O coreto foi construído em 1895. Em 1910 o mesmo sacerdote adquiriu o terreno da parte baixa do Santuário, que arborizou e murou, ampliando assim, substancialmente, o recinto do Santuário.

Descrição da Igreja do Santuário:

A igreja, de uma só nave, tem o tecto em madeira ornamentado com 15 painéis de florões, contendo o do centro os símbolos da paixão de Jesus. Na capela-mor está o Sacrário em talha dourada e um retábulo constituído por duas colunas coríntias, em madeira, entre as quais estão as imagens do Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria, ambas em madeira policromada; ao fundo, em posição elevada, com acesso próprio, está o Trono trabalhado em talha dourada Joanina, onde se guarda a veneranda Imagem do Senhor Jesus. Há uma capela lateral, onde se encontra a imagem do Senhor dos Passos, enquadrada num vistoso baldaquino dourado; na mesma capela podemos venerar as imagens de Nossa Senhora das Dores, Santo António, Santo Antão, Santa Teresa do Menino Jesus, São Luís de Gonzaga, Santa Rita, Santa Luzia, Nossa Senhora da Conceição e Santa Filomena; há ainda um altar túmulo com a imagem do Senhor Morto; nesta capela Celebra-se o Sacramento da Reconciliação. Em frente está o Baptistério com a antiga pia em pedra e o nicho dos Santos Óleos. Do mesmo lado, na parede, está um púlpito em madeira muito bem trabalhada. No corpo da igreja, de frente, estão dois altares, um com a imagem de São Pedro e o outro com a imagem de São Paulo. "


Fonte : site oficial do Santuário


Dá para perceber que não tenho escrito nada novo. 
E que estou a "roubar" textos de outro blog que poucos leitores do Sexta visitam. Em compasso de espera para a cirurgia, com uma festa de aniversário para preparar para esse mesmo dia e a azáfama do lançamento do livro, o tempo não dá para nada.



1.10.16

VIDAS CRUZADAS - PARTE XI



A capacidade que as mulheres da família tinham de  adivinhar-lhe os pensamentos era coisa que continuava a intrigá-lo.
E já se tinham passado três dias. Três dias em que  se tinha embrenhado pelas redondezas, procurando nas margens do rio, na sua extrema beleza esquecer o que o atormentava. Apenas uma vez fora até ao largo da aldeia, demasiado concorrido, com todos aqueles turistas que procuravam a saúde na virtude das águas do local, e nos tratamentos termais oferecidos pelo enorme balneário. Suspirou fundo, sentou-se no banco que parecia chamá-lo, abriu o livro que trouxera consigo e  embrenhou-se na leitura. Enquanto se sentava num banco, junto à margem do rio, Pedro continuava a recordar a descoberta da casa da tia, três dias atrás quando chegara. O resto da casa não era muito diferente. Por todo o lado móveis escuros e pesados, molduras antigas, panos de renda manual. Na sala havia uma carpete esquisita, que a tia lhe dissera ser feita de retalhos de pano, e tecida em tear manual na aldeia. Carpete de trapos, mantas de trapos. Uma casa de banho junto aos quartos, com um enorme lavatório incrustado num móvel escuro, encimado por um grande espelho também emoldurado de escuro, num contraste berrante com as loiças e azulejos, completamente brancos. Para seu uso, dissera a tia. Ela usava sempre a outra. A outra era muito semelhante, mas em vez de banheira tinha um chuveiro, envolto num pesado cortinado, e um ralo no chão para esgotar a água. Tanto a tia como a empregada "que é mais família do que empregada, pois sempre aqui viveu, desde o tempo em que a mãe, era empregada dos meus avós" -dissera a tia, utilizavam esta casa de banho. E continuara "As banheiras são perigosas, quando a idade carrega e faltam as forças".
Na hora do jantar vieram as reclamações, porque, cansado da viagem, e tendo comido alguma coisa numa paragem no caminho, não lhe apetecia comer.

27.10.15

FOLHA EM BRANCO PARTE V



                                                                                               Foto do museu de Loulé

Miguel dirigiu-se à porta e encontraram-se num quintal. De um lado do muro, uma espécie  de arrecadação com duas portas.
Do outro lado, um tanque e um estendal.
Miguel abriu a primeira porta dizendo;
- Aqui é a casa de banho.
E afastando-se deixou ver os azulejos cor de terra, que contrastavam com as loiças brancas. O lavatório, embutido num armário branco, encimado por um espelho e uma prateleira onde pontificavam alguns objectos de higiene pessoal, e num canto, um cortinado de riscas coloridas, servia para ocultar o chuveiro.
- Foi construído pouco antes da morte da avó. Como vê a casa tem mais de cem anos, e nessa altura, uma casa de banho era um luxo que poucas casas tinham. Quando herdei a casa podia fazer obras, mas venho aqui muito raramente, quase sempre nesta altura do ano, porque a luminosidade e os tons são mais belos nesta época.
A jovem fez um movimento de assentimento com a cabeça, mas não pronunciou uma palavra, sabe-se lá perdida em que labirintos interiores.
O homem abriu a outra porta e deixou à mostra duas grandes arcas.
-Contém o “enxoval” da avó. Toalhas, lençóis e outras coisas da casa. As roupas de vestir,  doei tudo para um lar, depois da sua morte. Também não creio que alguma coisa lhe servisse – disse sorrindo.
A jovem continuava aparentemente ausente, e o homem interrogou-se sobre se seria capaz de levar a cabo, o que se tinha proposto, quando resolveu acolher a jovem.
- Agora que já conhece a casa, fique à vontade, eu vou comprar alguma coisa para o nosso almoço. Não quero deixá-la fechada, por isso prometa-me que vai esperar por mim.
A jovem não respondeu.
Miguel aproximou-se, e levantando-lhe o queixo, forçou-a a olhar para ele.
- Promete que me espera, enquanto eu vou comprar o nosso almoço?
Posso confiar em si?
A jovem olhou-o com os olhos rasos de água e fez um movimento de assentimento com a cabeça.
Sentindo um nó na garganta, Miguel pegou nas chaves e na carteira e saiu batendo a porta, como se quisesse com esse gesto, afastar a emoção que teimava em assalta-lo.