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22.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXX



Uma semana antes, o tempo, embora frio, estava seco e com dias bonitos.  Ricardo fizera as reservas para o almoço, no restaurante da Adraga, situado na praia do mesmo nome, na zona de Sintra.
Com um excelente serviço e uma esplêndida vista, com a sala virada para o mar, e a esplanada para a serra, com o casario de Almoçageme na encosta, e o Castelo da Pena, lá no alto. Infelizmente não esperava o dia invernoso que nesse momento, se fazia sentir, mas que podia ele fazer? Não podia controlar a natureza, mas tinha encomendado um bom menu, e recomendado que não faltasse o champanhe e um bolo de noiva, ainda que pequeno. 
Apesar de tudo, o almoço foi ótimo, o serviço uma simpatia, e o mar encapelado , não deixava de ter o seu encanto.
Depois de almoço, que se prolongara até ao meio da tarde, como o tempo não estava para passeios, voltaram para Lisboa. Os noivos iam ficar a viver no apartamento dele, no Parque das Nações. Mais tarde, talvez Ricardo vendesse o apartamento e comprasse uma casa noutra zona da cidade, mas de momento o apartamento era o ideal. Possuía, uma suite, dois quartos, uma sala, uma bela cozinha, e uma casa de banho.Uma das condições de Isabel era que não tivessem lua-de-mel. E embora inicialmente isso não lhe tivesse agradado, como o casamento só pudera ser marcado para aquela data, ele acabara por concordar.
Faltavam poucos dias para o Natal, era o primeiro que passariam em família, havia muita coisa para fazer e pouco tempo. Natália ofereceu-se para ficar com a Matilde naquela noite e eles ficariam em casa, depois da noiva ter rejeitado ir passar a noite num hotel. Para ela, aquela ia ser a noite mais importante da sua vida, e queria vivê-la no recesso do seu novo lar, porque acreditava que essa recordação, que esperava fosse boa, energizasse a casa, para um futuro feliz.
Durante o tempo que mediou até ao casamento, não tiveram mais intimidade do que uns beijos e algumas carícias mais apaixonadas, pois ela sempre fazia questão, de que Natália estivesse lá em casa, quando Ricardo chegava. E mesmo quando foi ao apartamento dele para preparar o quarto para a filha, e levar as suas roupas, fez-se sempre acompanhar da menina e da vizinha, com o pretexto de que  a vizinha seria uma boa ajuda.
Na verdade, Isabel tinha medo de estar a sós com o futuro marido. Porque quando ele a beijava, ela perdia a cabeça, parecia que o seu corpo ficava doido, queria sempre mais, e tinha vergonha de si própria. Tinha a certeza, que não fora a presença de Natália, teria feito amor com ele, quase desde a primeira vez que se beijaram. Às vezes perguntava-se o que pensaria Ricardo do seu “assanhamento”, e tinha receio que ele desistisse do casamento, depois de terem feito amor. Por isso fazia tanta questão da presença da amiga, quando estavam juntos. 
Ricardo percebeu que ela não queria fazer sexo antes do casamento, e embora não percebesse tanta timidez, numa mulher com trinta e três anos, fez que não entendia e conteve o desejo intenso que sentia cada vez lhe tocava.
Naquele momento de regresso a Lisboa, Ricardo tinha a mão de Isabel presa nas suas. Com o polegar acariciava-lhe a palma da mão e admirava-se com o rubor da mulher, enquanto conversava com Artur e Natália, que segurava no colo a menina adormecida.




Esta história volta segunda-feira