Com um excelente serviço e uma esplêndida vista, com
a sala virada para o mar, e a esplanada para a serra, com o casario de
Almoçageme na encosta, e o Castelo da Pena, lá no alto. Infelizmente não
esperava o dia invernoso que nesse momento, se fazia sentir, mas que podia ele
fazer? Não podia controlar a natureza, mas tinha encomendado um bom menu, e recomendado que não faltasse o champanhe e um bolo de noiva, ainda que pequeno.
Apesar de tudo, o almoço foi ótimo, o serviço uma
simpatia, e o mar encapelado , não deixava de ter o seu encanto.
Depois de almoço, que se prolongara até ao meio da tarde, como o tempo não estava para passeios, voltaram
para Lisboa. Os noivos iam ficar a viver no apartamento dele, no Parque das
Nações. Mais tarde, talvez Ricardo vendesse o apartamento e comprasse uma casa
noutra zona da cidade, mas de momento o apartamento era o ideal. Possuía, uma
suite, dois quartos, uma sala, uma bela cozinha, e uma casa de banho.Uma das condições de Isabel era que não tivessem lua-de-mel. E embora inicialmente isso não lhe tivesse agradado, como o casamento só pudera ser marcado para aquela data, ele acabara por concordar.
Faltavam poucos dias para o Natal, era o primeiro que passariam em família, havia
muita coisa para fazer e pouco tempo. Natália ofereceu-se para ficar com a
Matilde naquela noite e eles ficariam em casa, depois da noiva ter rejeitado
ir passar a noite num hotel. Para ela, aquela ia ser a noite mais importante da
sua vida, e queria vivê-la no recesso do seu novo lar, porque acreditava que
essa recordação, que esperava fosse boa, energizasse a casa, para um futuro feliz.
Durante o tempo que mediou até ao casamento, não tiveram
mais intimidade do que uns beijos e algumas carícias mais apaixonadas, pois ela
sempre fazia questão, de que Natália estivesse lá em casa, quando Ricardo
chegava. E mesmo quando foi ao apartamento dele para preparar o quarto para a
filha, e levar as suas roupas, fez-se sempre acompanhar da menina e da vizinha,
com o pretexto de que a vizinha seria uma boa ajuda.
Na verdade, Isabel tinha medo de estar a sós com o futuro
marido. Porque quando ele a beijava, ela perdia a cabeça, parecia que o seu
corpo ficava doido, queria sempre mais, e tinha vergonha de si própria. Tinha
a certeza, que não fora a presença de Natália, teria feito amor com ele, quase desde
a primeira vez que se beijaram. Às vezes perguntava-se o que pensaria Ricardo
do seu “assanhamento”, e tinha receio que ele desistisse do casamento, depois
de terem feito amor. Por isso fazia tanta questão da presença da amiga,
quando estavam juntos.
Ricardo percebeu que ela não queria fazer sexo antes do
casamento, e embora não percebesse tanta timidez, numa mulher com trinta e três
anos, fez que não entendia e conteve o desejo intenso que sentia cada vez lhe
tocava.
Naquele momento de regresso a Lisboa, Ricardo tinha a mão
de Isabel presa nas suas. Com o polegar acariciava-lhe a palma da mão e admirava-se com o rubor da mulher, enquanto conversava com Artur e Natália,
que segurava no colo a menina adormecida.
Esta história volta segunda-feira
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