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15.3.18

A TRAIÇÃO - PARTE XXI




Amanhecera há bastante tempo quando ela acordou. Ainda sonolenta olhou à sua volta com estranheza, e logo se lembrou de onde estava. Sentou-se na cama e olhou o lugar onde João dormira. A almofada ainda conservava a forma da sua cabeça. Estendeu a mão e tocou-lhe. Estava fria, o que queria dizer que já devia ter acordado há bastante tempo. Foi até ao armário e retirou a roupa para vestir. Com ela na mão foi para a casa de banho. Tomou um duche rápido, enrolou-se na toalha e secou o cabelo.
Depois vestiu-se e voltou ao quarto. Puxou os lençóis para arejar a cama e saiu do quarto. Na cozinha encontrou João, mas nem sinal das duas idosas.
-Bom dia, - saudou.
- Bom dia. Dormiste bem?
-Que nem uma pedra. Onde estão tua mãe e a tia Margarida?
- Foram à missa das oito. Senta-te. Deves ter fome. Queres torradas?
-Sim.
-Com manteiga ou doce? – Perguntou enquanto metia duas fatias de pão na torradeira.
- Manteiga. A que horas vamos regressar? – Perguntou despejando num copo o sumo de laranja.
-Ainda não pensei nisso. Tens pressa?
- Gostava de ir ver a minha mãe, coisa que não poderei fazer, se chegarmos muito tarde.
-A tua mãe passou bem a noite e está bem. E o teu pai chega esta noite.
-Como sabes?
Está no contrato com a empresa de enfermagem. A enfermeira deve ligar-me de manhã e à noite, para me fazer o relatório do estado da doente, - disse pondo na sua frente as torradas e o recipiente com a manteiga, acrescentando em seguida. Se quiseres, podemos ir à praia da Costa Nova. É uma zona muito bonita, com as suas casas de riscas que lembram estranhos e gigantescos pijamas. Trouxeste fato de banho?
- Não.
- Podemos passar pelo fórum e comprar, se quiseres ir claro.
- Preferia ficar aqui pela cidade. Não me apetece a praia.
- Então não vamos.
- Porquê, João?
- Porquê… o quê, - perguntou arqueando o sobrolho.
- Porque viemos, porque tens estado a tratar-me como se eu fosse uma princesa?
Um sorriso rasgado espelhou-se-lhe no rosto.
-Ah, isso? Se calhar é porque penso que és mesmo uma princesa.
- Deixa-te de tolices. Estou a falar a sério
- Eu também Alteza, eu também, - retorquiu sorrindo