Ele, era muito céptico em
relação às mulheres. Costumava dizer duas coisas quando o assunto eram mulheres.
Primeiro, as mulheres não prestam. Traem os homens e pior ainda traem-se as si
mesmas. Segundo, a excepção era a sua mãe, a única mulher no mundo que não
desiludira o Criador.
Horas depois, no seu quarto no
hotel, escrevia rapidamente. Acabara de ter uma
ideia para um novo livro, e imediatamente tratara de registar as primeiras
linhas, do primeiro capítulo. Parou ao perceber que tinha descrito a protagonista
com as características físicas de Isabel. Fechou o portátil e foi até à janela. Depois de um rápido olhar para a rua, atravessou o quarto a passos largos.
Sentia vontade de sair. Afinal era Sexta-feira, noite de Verão. Luís não era homem de reprimir os seus desejos. Nunca o fizera. Chegou à rua e olhou em volta. A noite estava quente, e a lua cheia, redonda como ventre fecundado, extremamente brilhante, derramava sobre a cidade toda a sua luminosidade. Se ele fosse romântico diria que estava uma noite para namorar. Mas não o era. Apetecia-lhe caminhar. Observar as pessoas com quem se cruzava.
Caminhou pela baixa até à Praça do Comercio. Sempre gostara de ver o Tejo em noites assim. Desde o tempo em que ele era “o outro”. As memórias lutavam para vir à superfície e aos poucos foi deixando que elas ocupassem o seu espaço no presente.
