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25.8.21
SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE X
19.5.21
COMEÇAR DE NOVO PARTE VIII

Uma hora depois, Gonçalo acabava de dar a sopa ao seu
afilhado, Miguel de vinte e seis meses, enquanto a irmã punha a mesa para o
almoço deles.
Então, Laura disse à filha:
- Sara, já acabaste de comer, vai para a sala brincar com o
mano, enquanto a mãe e o tio almoçam. Podes ligar a televisão.
As crianças saíram e os dois sentaram-se à mesa.
Ele e a irmã tinham uma pequena diferença de idades, dois anos apenas e desde criança, sempre foram muito unidos, até que ainda na Universidade ela conhecera Joaquim Cardoso e os dois se apaixonaram. Laura ficou grávida e foi complicado, os dois eram muito jovens, estavam ainda a terminar o curso, tinham a cabeça cheia de sonhos, e o terem de casar à pressa não era nenhum deles.
Mas quando tomaram conhecimento da gravidez, de imediato a assumiram, sem que o aborto passasse pela cabeça de nenhum deles. Joaquim, estava a terminar o curso de direito, já tinha assegurado trabalho em Lisboa, no escritório do tio, também advogado.
Laura formara-se em Literatura e Línguas, sonhava ser professora. Tinham casado pouco antes do fim do curso e logo que o terminaram mudaram-se para Lisboa, onde ficaram a viver em casa dos tios do Joaquim, que na prática era como se fossem seus pais, pois o criaram desde que aos seis anos perdera os pais num acidente.
Fora um grande desgosto para os seus pais, especialmente para a
mãe que sonhava com outro tipo de casamento para a filha. Não que tivesse algo
contra Quim, (era assim que amigos e família o chamavam), mas não queria
separar-se da filha, principalmente quando esta estava prestes a torná-la avó.
Gonçalo apoiou o casal, mostrando aos pais que não tinha
qualquer sentido, Laura ficar em casa dos pais em Braga, quando os dois estavam tão
apaixonados e Quim ia começar uma nova vida em Lisboa. Ele precisava do apoio da esposa, não de
estar preocupado e cheio de saudades, porque a mulher ficara lá longe.
Sara nascera cinco meses depois. Era uma menina linda, mais
parecida com o pai e o tio do que com a mãe. E Laura ficou em casa com ela, até
aos dois anos, altura em que a levou para uma creche, e iniciou a sua carreira
de professora, num colégio particular bem perto de casa.
Durante dez anos, foram um casal feliz. Tão feliz que
tinham resolvido ter outro filho. E
então sem nada que o fizesse prever, no final de uma tarde de Outono, Quim que
em toda a sua vida nunca se queixara sequer de uma dor de cabeça, sentiu-se
mal, e morreu a caminho do hospital. A autópsia registara que morrera de um
aneurisma cerebral. Sara tinha dez anos e Laura estava grávida de cinco meses.
E fora nessa altura que Gonçalo viera para Lisboa. Inicialmente ficara a viver
com a irmã, apoiando-a na gravidez, cuidando da sobrinha, de modo a que elas
ultrapassassem aquela fase de maior dor.
Apoio que se manteve, depois de Miguel ter nascido, até que
há meio ano atrás, decidira que era altura de deixar a casa da irmã, e alugar
um apartamento onde pudesse ter alguns momentos só para si.
Mas a irmã sabia que podia recorrer a ele sempre que
precisasse desde que não estivesse de serviço no hospital.
- Já pensaste que talvez esteja na hora de pores o Miguel
numa creche e voltares ao ensino? – perguntou Gonçalo enquanto partia um pouco
de pão.
-Não. É ainda tão pequeno!
- A Sara tinha dois anos quando foi para a creche. O Miguel
já tem mais dois meses.
- Mas a Sara tinha pai e mãe. O Miguel só me tem a mim.
24.3.21
CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE XIV
Ficou espantada. Absurdo? Se era assim que pensava porque tinha escrito ao pai e lhe pedira para o organizar?
Sofia, pensou que a alusão dele à sua beleza, era um sinal de que tinha reparado nela. Respondeu sem saber onde ele queria chegar com semelhante interrogatório.
18.9.20
CILADAS DA VIDA - PARTE XXXIV

Saíram do elevador para um
átrio, redondo, com amplas janelas por onde o sol
entrava radioso. À volta das paredes, exceto na saída do ascensor, inúmeros vasos com
plantas, quebrado apenas por uma porta de carvalho. No centro maples
- O que é isto? -perguntou
Teresa sem saber o que pensar.
- Já vais ver, - disse ele
pegando-lhe suavemente no braço, e levando-a em direção à porta que abriu. – Sê
bem-vinda à minha casa.
- Vives aqui? – perguntou
olhando surpreendida para a sala que se podia observar da entrada.
- Sim. Mas anda, vem sentar-te
um pouco para descansares, depois mostro-te o resto da casa, - disse
encaminhando-a para a sala.
- Meu Deus, - disse ela ao ver
o tamanho da sala, - só consigo pensar na dificuldade em manter limpa esta
casa. Como consegues?
- A empresa tem uma equipa de
limpeza, e é essa equipa que limpa também a minha casa. E não tenho razão de
queixa. Queres beber alguma coisa? Uma
água, um chá…
-Uma água, está bem.
-Vou buscar, - disse saindo da
sala.
Voltou pouco depois com um
tabuleiro no qual trazia uma garrafa de água mineral, dois copos e uma garrafa
de cerveja.
Sentou-se na sua frente e
depois de beber um gole de cerveja, disse:
- Pudemos conversar um pouco sobre o teu estado, ou ainda não te sentes à vontade comigo?
- O que queres saber?
- Estás bem de saúde?
Pergunto, porque te queixaste de te sentires cansada e com muito sono. Eu
pensava que esses sintomas só apareciam lá para o fim da gravidez.
-Penso que é normal, pelo menos
esses sintomas são referenciados no livro sobre gravidez que tenho andado a
ler. De qualquer modo tenciono telefonar à minha médica na próxima semana. Quero
que ela me siga, ou me aconselhe alguém da sua confiança para me seguir. Estou a pensar
deixar o médico do Centro Clínico do PMA.
-Acho bem. Depois do que
fizeram é difícil confiar neles.
Acabou de beber a cerveja,
poisou o copo no tabuleiro, levantou-se e perguntou:
-Estás pronta para conhecer o
resto da casa?
Em respostas ela levantou-se.
Ele pegou no tabuleiro e saiu em direção à cozinha, seguido por ela.
- Meu Deus, esta cozinha é o
sonho de qualquer mulher! – Teresa estava espantada com o tamanho, a beleza e
funcionalidade da cozinha
- É também o meu.
- O quê, tu sabes cozinhar?
- Qual é o espanto? Vivo
sozinho há muitos anos, e embora conheça bons restaurantes, por sistema não
gosto de comer fora. Então, restavam-me duas opções. Ou aprendia a cozinhar, ou
passava fome. Optei pela primeira. De resto, atualmente a Internet está cheia
de excelentes receitas, e eu gosto de cozinhar.
10.3.20
DIVIDA DE JOGO - PARTE V
O homem não respondeu. Pegou nas chaves, dirigiu-se para a porta, abriu-a e colocou-se de lado para ela entrar. Depois fez o mesmo e fechou a porta atrás de si. Então a sua mão agarrou-lhe o braço como se fosse uma tenaz, ao mesmo tempo que dizia com voz rude.
A única coisa que tenho comigo, é o documento da dívida e a oferta da sua residência, e de todo o seu conteúdo, como penhora dela.
Além de jogador, eu sou um cidadão do mundo, cheguei há pouco tempo a Portugal, não sei quanto tempo vou ficar. Estou num hotel. Suponho que esta casa terá um quarto de hóspedes. Vou deixar-te só para que leias a carta do teu marido e prepares um quarto. Amanhã ao fim do dia, trago as minhas coisas. Não precisas ter medo de mim, não te digo que pudemos ser amigos, porque não creio que o desejes, mas posso garantir que não te farei qualquer mal. Juro.
5.3.20
DIVIDA DE JOGO - PARTE II
Naquele dia, Eva levantara-se cedo. Quase não conseguira dormir, de nervosa que estava. Tinha pedido dispensa, no emprego, a fim de tratar de alguns assuntos relacionados com a sua recente viuvez, e para ir ao escritório de advocacia. Depois do banho matinal, tomou o pequeno-almoço, meteu a mala e o saco com as roupas do falecido no carro e dirigiu-se à instituição onde ia deixá-las. Depois passou pelo orfanato onde sempre vivera, a fim de se aconselhar com a Irmã Madalena com quem sempre tivera uma relação especial, e que foi para ela aquilo que mais se assemelhava com uma mãe.
Na verdade a jovem freira apaixonara-se por aquela bebé tão pequenina e frágil, e a tomara sob a sua proteção desde o primeiro dia. Às vezes Eva pensava, que o amor da Irmã Madalena, fora a causa de nunca ter sido adotada.
Mais calma, regressou a casa, e entreteve-se com uma breve limpeza, enquanto fazia o almoço. Mais tarde, depois da refeição, vestiu uma saia preta, que se lhe ajustava ao corpo, delineando-o na perfeição, e um camiseiro branco. Completou o conjunto com umas sandálias de salto alto e uma bolsa em tons de bege.
25.11.19
OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE XVIII
12.9.19
VIDAS CRUZADAS - PARTE IV
- Então que lhe disse o médico? - perguntou o jovem com quem conversara anteriormente.
- Que não via nada de importante. Mandou-me fazer análises e recomendou-me passeios e distracção. Voltarei cá quando tiver os resultados das análises.
- Então adeus e as melhoras. A menina está a chamar-me.
- Obrigado. As melhoras também para si.
O jovem acabava de passar a porta do consultório e já nem devia ter ouvido as últimas palavras de Pedro. Este aguardou a volta da assistente, pagou a consulta e saiu. Na rua respirou fundo.
A mãe já devia estar ansiosa à sua espera. Pobre mãe. Os seus setenta e um anos tinham sido bem sofridos, mas não queria que ele contratasse uma empregada. Dizia, zangada, que velhice não é invalidez.
- Boa tarde mãe. Como foi o seu dia? - perguntou enquanto a beijava.
- Normal, filho. E o teu? Foste ao médico? Que disse ele? - perguntou ansiosa e preocupada.
- Ora mãe, que queria que dissesse? Que não me encontrava nada de maior, que me distraísse. E mandou-me fazer umas análises e voltar lá quando tivesse os resultados.
- E os pulmões, filho? Viu-te lá no tal aparelho?
– Claro, mãe. Pode ficar descansada, que não vou morrer tuberculoso, - e afastou-se rindo.
A mãe foi atrás dele.
- Não te rias filho. Andas mal-encarado e sem apetite. Sou velha, mas não sou cega. Nem quero pensar o que vai ser de mim se te acontece alguma coisa grave.
- Ora mãe, não me fale de coisas tristes. O médico disse para me distrair, e ninguém se distrai com tristezas. E mudando de conversa, o que é o jantar?
– Pato assado.
- Ora valha-a Deus minha mãe. Então tem o meu prato favorito para o jantar e não dizia nada? Vamos lá para a mesa que já me cresce água na boca, -
disse-o rindo, mas o riso soou-lhe a falso. E mentalmente pediu a Deus que a mãe não o percebesse. Sentou-se à mesa e foi com grande esforço que conseguiu comer o suficiente para não deixar a mãe mais preocupada. Na verdade, embora fosse o seu prato preferido, não sentia qualquer vontade de comer.
15.8.19
LONGA TRAVESSIA - PARTE XXV
Sentiu-se zonza. Como se tivesse levado uma pancada na cabeça. Tentou dizer alguma coisa, mas não conseguiu. O que viu nos olhos do homem, era terrível. Estendeu a mão e colocando-a sobre a masculina, apertou-a suavemente. Ele continuou
- Por mais que me esforce, não me recordo de ter visto algum dia o meu pai sóbrio. Em contrapartida sempre me lembro de ouvir os seus gritos e o choro da minha mãe, quando ele lhe batia.
16.7.19
UM PRESENTE INESPERADO - PARTE L
21.7.18
O DIREITO À VERDADE - XL
Bom fim-de-semana
13.2.18
A VIDA É ...UM COMBOIO - PARTE XXXIX
Ora bem aqui está o episódio tão esperado. Porém a história ainda não acaba aqui. Porém amanhã é um dia especial. É o dia dos namorados, pelo que a história será interrompida. A propósito já viram que maldade maior o dia dos namorados, cair na quarta feira de cinzas, dia de jejum. e abstinência? Nem quero ouvir as recomendações do D. Manuel Clemente.
E continuando a minha brincadeira, Cá estou eu hoje de Rainha Má.
Bom Carnaval
15.10.17
A RODA DO DESTINO - PARTE XXVIII
Naquele domingo de outono, o sol brilhava, num céu imaculadamente azul, com a temperatura a rondar os vinte e quatro graus, o que levava a crer que o S. Martinho estava a prolongar o “seu” verão para além da data, Anete e seus pais levantaram-se cedo, a fim de assistir à missa das oito. Os pais não perdiam a missa dominical, e ela gostava de os acompanhar.
Tinha disposto a parte cultivada do quintal, junto à residência, por forma a ficar mais perto, da torneira na hora de regar. Mais ao fundo, junto ao muro, e aproveitando a sombra de duas macieiras e uma nespereira, ele tinha construído uma casa de brincar, para os netos; e montado um baloiço numa armação metálica. Eles gostavam de brincar ali, quando iam passar o dia lá em casa, e naquele dia com dois novos amiguinhos, não ia ser diferente, pelo que ele se dedicou a verificar se tudo estava em ordem, de forma a evitar qualquer acidente.
21.9.17
À MÉDIA LUZ - PARTE XX
- Mas isso é uma ótima noticia. – Soltou-a. - Vem, vamos para a sala, quero que me contes tudo. Senta-te aqui ao meu lado,- disse afundando-se no sofá.
EPILOGO
Um mês depois, o juiz assinava a revogação da pena e ordenava a libertação de Joaquim Machado, bem como a prisão preventiva de Fernando Lourenço.













