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13.2.18

A VIDA É ...UM COMBOIO - PARTE XXXIX







- Foi o Martim, não foi? Eu devia ter desconfiado.
- O Martim? – Paulo estava verdadeiramente surpreendido. – O que é que tem o Martim?
Desta vez foi Ricardo quem ficou surpreso. Interrogou a irmã:
- Não lhe contaste do Martim?
- Não. Ainda não, - disse Amélia corando.
-O que é que há com o Martim? O que é que eu devia saber?
Percebendo que havia uma nuvem naquela sala que precisava ser dissipada, Olga disse:
- Vou dar um beijo ao Martim e certificar-me que ele não vai aparecer de surpresa e ouvir algo que não deva.
Quando ela saiu, Amélia deixou-se cair no sofá, como se de repente lhe tivessem faltado as forças.
- O Martim não é filho do meu falecido marido, - disse sem se atrever a olhar para o noivo.
- Não? – Ele arqueou uma sobrancelha em sinal de perplexidade.
- Não. Mas não penses mal de mim, - disse fitando-o com firmeza. Afonso morreu há quase doze anos. Quando ele morreu eu estava grávida, mas pelo desgosto da sua morte, ou porque tivesse de ser, perdi o meu bebé. Foi um grande desgosto. Depois descobri a traição de Afonso e decidi que nunca mais queria saber de homem algum, mas queria o meu bebé. Decidi recorrer a um banco de esperma, mas a lista de espera era enorme. Então pedi ao Ricardo, que me arranjasse entre os seus amigos, um homem bonito e honesto para dador. 
Calou-se ao ver o olhar amoroso de Paulo, e o seu sorriso radiante. Olhou para o irmão e viu-o comovido. Foi com se de repente um enorme clarão iluminasse tudo à sua volta. Levantou-se, e estendeu a mão ao noivo.
- Tu! Tu és o pai do Martim?
Ele abraçou-a feliz.
- Sim querida, o Martim é meu filho. Bem que mo dizia o coração. Olhava para ele e sentia-me na infância. Como se visse nele parte de mim. Bendita sejas, nunca me senti tão feliz em toda a vida. E ele pensa que o pai morreu...
-Eu sempre lhe disse que o pai tinha ido viajar. Ele é que meteu na cabeça essa ideia quando soube que eu era viúva.
-Temos que lhe contar. Hoje mesmo, Amélia, hoje mesmo.
As lágrimas corriam pela face feminina, enquanto abraçava o noivo e o irmão.
- Já chega de emoções por hoje, - disse Ricardo. - Acho que estou a precisar de uma bebida forte. Também querem?- perguntou dirigindo-se ao bar.
Paulo beijou docemente a noiva e voltando-se para o amigo disse:
- Devia estar zangado contigo. Mentiste-me. Felizmente parece que os astros conspiraram contra ti.
- Vou chamar a Olga e o Martim. Vamos jantar antes que o assado fique sem graça. E, querido, acho melhor contarmos a verdade ao Martim amanhã. Se o fizermos hoje, a excitação vai tirar-lhe o sono.
- Tens razão. Vai então chamá-los.
Pouco depois, davam início ao jantar que decorreu muito animado. Depois do jantar, levantaram a mesa e meteram a loiça na máquina. Martim despediu-se e foi para a cama, e os quatro adultos sentaram-se na sala para um pouco mais de conversa.


Ora bem aqui está o episódio tão esperado.  Porém a história ainda não acaba aqui. Porém amanhã é um dia especial. É o dia dos namorados, pelo que a história será interrompida. A propósito já viram que maldade maior o dia dos namorados, cair na quarta feira de cinzas, dia de jejum. e abstinência? Nem quero ouvir as recomendações do D. Manuel Clemente.

E continuando a minha brincadeira, Cá estou eu hoje de Rainha Má.




Bom Carnaval 

13.1.18

A VIDA É ... UM COMBOIO - PARTE III


- Por favor Ricardo, o que te custa ajudar-me?  Tu tens tantos amigos. Será que não tens entre eles nenhum que seja inteligente, simpático e honesto, que não se importe de doar esperma para uma inseminação?
-Estás doida, Amélia. Se queres tanto ser mãe, porque não fazes como as outras mulheres?  Arranja um namorado? Com a tua carinho e esse corpo, garanto não vai ser difícil.
- Não sejas cínico. Sabes bem que perdi a confiança na vossa espécie. Ainda não esqueci a traição de Afonso e creio que nunca esquecerei. Quero ter um filho sim, mas só um filho, não uma relação. Já falei com a minha médica para fazer a inseminação, mas pelos processos oficiais, é muito complicado, posso levar anos à espera. Só tenho duas soluções. Ou arranjo um dador extraoficial, ou tenho que me deslocar ao estrangeiro, coisa que não me agrada.  Caramba, não me digas que não consegues convencer um dos teus amigos.
- Claro que sim. Na próxima vez que sair para os copos, vou perguntar qual deles, quer doar esperma para a maluca da minha irmã, que cismou de ser mãe. Já estou a imaginar a cena. Decididamente estás louca.
- Não sejas ridículo! Primeiro, não dirás que é para a tua irmã, mas para uma amiga e não deves dar nenhuma indicação sobre mim. Também não quero saber nada, sobre ele. Apenas,  quero que seja uma pessoa inteligente, e integra. O resto não me importa. Pensa nisso. Levas o nome da minha médica e o endereço da clinica onde ela trabalha e se fará o processo. Ela me avisará depois. E quero que me jures, que nunca fornecerás a essa pessoa, qualquer informação sobre mim, ou a criança que venha a nascer.
- Continuo a pensar que estás a precisar de tratamento psiquiátrico. A traição do Afonso, deu-te volta à cabeça. Não me conheces, se pensas que vou fazer o que me pedes.
Ricardo saiu sem se despedir. Estava deveras zangado com a irmã. Era três anos mais velho que ela, formara-se em gestão de empresas, e tinha um bom emprego. Gostava demais da vida de solteiro, e não se via como chefe de família, pelo menos por enquanto. A irmã casara-se, antes mesmo de começar a exercer a profissão, mal terminara a faculdade. Desde a infância que tinha em Afonso, todos os seus pensamentos. Casara muito apaixonada e a traição do marido dera-lhe volta à cabeça. Onde é que já se vira, ideia mais estapafúrdia. Claro que não ia atender ao pedido dela. Se queria ter um filho por inseminação, pois que o tivesse sem a sua intervenção.