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2.3.23
7.3.22
ARMADILHAS DO DESTINO - PARTE XXI
Às oito horas, Nuno tocava à campainha da casa de Luísa. A porta abriu-se, e a jovem saiu. Envergava um conjunto de calça e casaco em seda azul e umas sandálias de salto alto. Os cabelos não muito compridos caíam sobre os ombros e no rosto uma leve maquilhagem. Estava muito bonita.
Às vezes precisamos escarafunchar na ferida, para retirar tudo o que não a deixa cicatrizar.
5.10.20
CILADAS DA VIDA - PARTE XLI

Após alguns minutos de indecisão, Olga entrou no gabinete
do empresário e encontrou-o de costas junto à janela. Conhecia-o bem demais, para
não saber que era a atitude que tomava quando alguma coisa o incomodava. Não se
atreveu a perguntar sobre a visita do advogado, limitou-se a recolher o
tabuleiro com as chávenas vazias e a perguntar:
- Precisas de alguma coisa?
Sobressaltado voltou-se. Perdido nos seus pensamentos não
dera pela entrada da sua assistente.
- Não. Pousa isso e senta-te. Preciso falar contigo, -
disse encaminhando-se para a sua secretária e sentando-se.
Olga obedeceu e aguardou. O patrão parecia-lhe tão
transtornado, que apesar de toda a confiança que os unia, não se atreveu a
fazer-lhe perguntas. Depois de um curto silêncio ele perguntou:
- Tu tens mais dez anos do que eu, verdade?
- Quase onze, sabes bem disso, - respondeu Olga sem
descortinar a razão de semelhante pergunta.
- E aos dez, onze anos, as crianças já guardam recordações que ficam
para a vida. Sempre moraste naquela casa?
Cada vez mais intrigada, ela respondeu;
-Nasci lá. Meu pai recebeu-a do meu avô, como prenda de
casamento.
- Tu lembras-te da minha mãe?
- Sim.
- Como era ela? Não me refiro ao físico, mas como pessoa.
- Porque queres saber isso agora, se nunca permitiste a
ninguém que te falasse dela? O que aconteceu? Quem era aquele advogado, e
porque é que quando eu entrei vocês pareciam dois galos de combate antes de uma
luta?
- Mais tarde eu te conto, agora por favor, responde à minha
pergunta.
- Sim lembro-me bem da tua mãe. Era uma mulher de sorriso doce
com uns olhos iguais aos teus, mas tão tristes, que pareciam estar sempre cheios
de lágrimas, embora na verdade nunca me lembre de a ver chorar. Devia ser por
causa das brigas que tinha com o teu pai.
- O quê? Ele maltratava-a? – perguntou levantando-se e
encaminhando-se de novo para a janela.
- Queres saber se lhe batia? Penso que não, pelo menos nem
eu nem a mãe, demos alguma vez por ela ter marcas físicas. Nas sabes bem que muitas vezes nem são os maus tratos físicos os que causam mais danos, A minha mãe, dizia
que a pobre vivia enclausurada por causa dos ciúmes doentios do marido. Ela só
saía de casa acompanhada por ele, e não podia falar com ninguém. Mesmo connosco só o fazia, quando ele
estava na oficina. Hoje quando penso nisso, acho que ela tinha chegado a um
ponto que só tinha dois caminhos à sua frente. Ou fugia para onde ele não a
encontrasse, ou acabava com a vida. E nós nunca acreditámos que ela fugiu com
um amante. Isso foi invenção do teu pai. Um dia no fim da manhã, quando cheguei da escola, encontrei a mãe a
dar-te o biberão. Disse-me que a vizinha lhe pediu se ficava contigo enquanto ia
ao posto médico onde tinha uma consulta. Nunca voltou. Mais tarde a mãe disse que desconfiara de alguma coisa, porque se despediu de ti a chorar.
- Meu Deus, e ele sempre me fez acreditar que
ela era uma galdéria, capaz de nos abandonar para correr atrás de um dos seus
amantes. E mesmo na hora da morte, quando me pediu perdão por não ter sido um
bom pai, me disse que a culpa de ele ter sido assim fora dela, que toda a vida a amara e que depois que ela o abandonara se
sentira morto por dentro e talvez por isso não tivesse sabido ser bom pai.
- Talvez ele acreditasse nisso. A minha mãe sempre dizia
que aquilo não eram ciúmes, era doença.
-Mas vocês cuidavam da casa. Eu sempre pensei que eram
amigas dele.
- O teu pai não era homem que tivesse amizade com ninguém.
E nós cuidávamos da casa, das roupas, da comida, por ti. Diz-me quantas vezes
te lembras do teu pai cozinhar para vós? Tu não terás memória disso, mas até quase
aos quatro anos comias e dormias na nossa casa, como se fosses meu irmão. E durante esses quatro anos ele nunca bateu à nossa porta para perguntar como estavas. Um dia, sem qualquer explicação chegou lá, pegou-te num braço, levou-te para casa e nunca mais te deixou ficar connosco passando a levar-te com ele para a oficina. Mas porque nós víamos a pouca importância que ele te ligava, é que lá íamos fazer a comida e limpar a casa. Era por ti, não por ele.
- Obrigado Olga. Vou
sair. Amanhã ou depois conto-te tudo. Tudo isto é muito doloroso para mim. Agora preciso arrumar ideias, respirar ar
puro.
19.3.20
DIVIDA DE JOGO - PARTE XII
A mesa já estava posta, quando entrou na cozinha. André tinha tirado o avental, e tal como no dia anterior, apressou-se a puxar-lhe a cadeira para que ela se sentasse. Eva pensou que tinha que se acautelar. Aquele homem, com a sua gentileza, o ar travesso, o seu sorriso, era um perigo para o seu coração tão fragilizado. Mentalmente pediu a Deus que a ajudasse. Não se podia apaixonar por ele. Era um aventureiro, uma ave de arribação, que não tardaria a levantar voo.
12.10.19
1.10.19
VIDAS CRUZADAS - PARTE XX
- Vai descansar, filho. Já é tarde e tens que levantar cedo. A viagem até S. Pedro é longa.
- Boa noite, mãe. Durma bem.
- Deus te abençoe meu filho. Que os anjos velem o teu sono.
Ao regressar à cozinha, Maria deu-se conta de que não tinham jantado. A mesa continuava posta, esperando a hora que já passara há muito. Encolheu os ombros, guardou a janta no frigorífico, apagou a luz e foi-se deitar.
20.9.19
VIDAS CRUZADAS - PARTE XI
A capacidade que as mulheres da família tinham de adivinhar-lhe os pensamentos era coisa que sempre o intrigara.
E já se tinham passado três dias. Três dias em que se tinha embrenhado pelas redondezas, procurando nas margens do rio, na sua extrema beleza esquecer o que o atormentava. Apenas uma vez fora até ao largo da aldeia, demasiado concorrido, com todos aqueles turistas que procuravam a saúde na virtude das águas do local, e nos tratamentos termais oferecidos pelo enorme balneário. Suspirou fundo, sentou-se no banco que parecia chamá-lo, abriu o livro que trouxera consigo e tentou embrenhar-se na leitura sem todavia o conseguir. E enquanto o olhar se perdia na limpidez e quietude das águas do rio, a memória continuava a recordar a descoberta da casa da tia, quando chegara há três dias. O resto da casa não era muito diferente. Por todo o lado móveis escuros e pesados, molduras antigas, panos de laboriosas e delicadas rendas, provavelmente feitas à lareira, nas longas noites de inverno . Na sala havia uma carpete esquisita, que a tia lhe dissera ser feita de retalhos de pano, e tecida em tear manual na aldeia. Carpete de trapos, mantas de trapos.
Uma casa de banho junto aos quartos, com um enorme lavatório incrustado num móvel escuro, encimado por um grande espelho também emoldurado de escuro, num contraste berrante com as loiças e azulejos, completamente brancos. Para seu uso, dissera a tia. Ela usava sempre a outra. A outra era muito semelhante, mas em vez de banheira tinha um chuveiro, envolto num pesado cortinado, e um ralo no chão para esgotar a água. Tanto a tia como a empregada "que é mais família do que empregada, pois sempre aqui viveu, desde o tempo em que a mãe, era empregada dos meus avós" -dissera a tia, utilizavam essa casa de banho. E continuara "As banheiras são perigosas, quando a idade carrega e faltam as forças".
Na hora do jantar vieram as reclamações, porque, cansado da viagem, e tendo comido alguma coisa numa paragem no caminho, não lhe apetecia comer.
Para quem leu as notícias, eu ainda não sei quando será o transplante. Ainda tenho duas consultas agendadas e tenho vários exames para fazer, pelo que nomeadamente o eletro e o eco ao coração.
15.8.19
LONGA TRAVESSIA - PARTE XXV
Sentiu-se zonza. Como se tivesse levado uma pancada na cabeça. Tentou dizer alguma coisa, mas não conseguiu. O que viu nos olhos do homem, era terrível. Estendeu a mão e colocando-a sobre a masculina, apertou-a suavemente. Ele continuou
- Por mais que me esforce, não me recordo de ter visto algum dia o meu pai sóbrio. Em contrapartida sempre me lembro de ouvir os seus gritos e o choro da minha mãe, quando ele lhe batia.
9.4.19
UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XX
23.1.19
QUEM SABE, FAZ A HORA... FINAL
Fim
Elvira Carvalho
Bom como sabem não fui operada na Segunda-feira, e ainda não me telefonaram da clínica para confirmara se será para a próxima o que me faz estar um pouco ansiosa. Por outro lado há 36 horas que não tenho um ataque de tosse pelo que penso que talvez já tenha passado.
Outra coisa que me traz muito curiosa é a história das visualizações.
Desde que começou o ano todas as Terças-feiras, e apenas nesse dia,o Sexta tem imensas visualizações, praticamente todas provenientes de um local desconhecido e dos Estados Unidos.
Na maioria dos dias, ando entre as 300 e as 400. Vem as Terças e são 800, 900 e hoje terminou o dia estamos assim.
Esquisito, não?
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21.1.19
QUEM SABE, FAZ A HORA... PARTE II

-João, estás-me a ouvir? Fala a Cecília, não te lembras de mim?
Estaria casada? Sacudiu a cabeça. Claro que não. Uma mulher casada não telefona a um ex-namorado, convidando-o a sair.
Continuaria bonita? Há tantos anos que não se viam.
Vestiu umas calças de ganga e uma camisola de gola alta, enquanto fazia mentalmente as contas.
"Deve estar com trinta e seis anos", murmurou vestindo o casaco.
Fechou a porta e caminhando a passos largos dirigiu-se ao elevador.
21.11.18
UMA HISTÓRIA DE AMOR - PARTE IV
8.10.18
ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE XXI
Se Ricardo reparou nos sorrisinhos trocados pelos filhos e no seu ar de conspiração durante o jantar, não o deixou transparecer. Na verdade o dia tinha sido complicado, estava cansado, E verificar que os filhos pareciam felizes no primeiro dia em que regressara ao trabalho depois daquelas férias, era menos uma preocupação.
Alheia aos seus pensamentos, Antónia continuou:











