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16.7.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE L









EPÍLOGO


-Agora que já nos conhecemos, aceitas sair comigo? - perguntou Ricardo
-Para onde? – perguntou Isabel.
- Por aí, ao sabor do destino. Estamos no mês de Junho, e  em Lisboa há um arraial em cada esquina. Amanhã é sábado, não precisamos levantar cedo. Podemos ir até um bar, ou simplesmente passear junto ao Tejo de mãos dadas. Tu decides.
- Dá-me cinco minutos para mudar de roupa, não me parece que estejamos adequadamente vestidos para esse tipo de programa.
- Muito bem, eu também vou.
Meia hora depois, os dois de calças de ganga e T-shirt passeavam de mãos dadas, junto ao Tejo, admirando os reflexos das luzes nas águas calmas do rio, misturando-se com os pares de namorados que por ali andavam.
Mais tarde, nessa noite, fizeram amor como nunca tinham feito. Apaixonadamente sim, mas também com muita ternura. Porque já não eram apenas os corpos que estavam em sintonia, nem o desejo que os unia. Nessa noite, os dois eram realmente um só de corpo e alma, unidos pelo sublime sentimento do amor. Mais tarde, deitados, os dois nus em cima dos lençóis, perfumados pelas pétalas de rosa, Ricardo disse, acariciando a cabeça que repousava no seu peito.
- Sempre foi muito bom, mas hoje foi maravilhoso. Saber que nos amamos mudou tudo. Despoletou emoções, intensificou sensações, transformou o bom em ótimo.
Ela não respondeu, e de repente ele ficou inseguro:
- Não foi assim contigo? - questionou
Ela levantou a cabeça e beijou-o
- Sabes que foi. Simplesmente de repente ocorreu-me um pensamento. E se algum dia o teu irmão descobre a verdade sobre a Matilde?
- Nunca o saberá. Se a Susana te disse que o encontrou e ele fingiu não reconhecê-la, não vai querer saber nada dela. Deve ter medo que a esposa descubra alguma coisa, e o deixe, já que o sogro é um homem muito rico, e a mulher é a única herdeira. É um bandalho, toda a vida tentou prejudicar-me, mas desta vez, o céu trocou-lhe as voltas. Deus escreveu direito por linhas tortas, como se costuma dizer, pois graças à sua canalhice, hoje temos uma filha maravilhosa, estamos juntos e felizes. E ainda que um dia nos encontre, ele nunca te conheceu nem sabe quem és. Não te preocupes, a Matilde é tão nossa filha, quanto os outros que me deres – disse beijando-a de novo e puxando-a suavemente para cima dele.
-Olá, hoje temos dose dupla - disse ela rindo
-Tu mereces, - respondeu segundos antes, da sua língua chegar ao mamilo dela.
Em seguida as palavras transformaram-se em gemidos e ela mergulhou num mar de sensações que a percorriam da cabeça aos pés.
 No dia seguinte, enquanto tomavam o pequeno-almoço, Ricardo disse:
- E se deixássemos a Matilde mais um dia com os avós e ficássemos com o dia para namorar? Uma espécie de mini lua-de-mel em qualquer sítio bonito. Achas que eles se importariam?
-Aqueles dois? Ficavam lá com ela nem que fosse a semana inteira. Adoram-na. O meu receio é que ela estranhe. Uma noite já ficou outras vezes, mas duas?
- Vamos vê-la e falamos com eles. Se ela chorar, telefonam e voltamos.
Não chorou, e eles passaram um dia maravilhoso na Ericeira, e uma noite de sonho, no hotel Vila Galé.
E se ambos pensavam que não poderiam ser mais felizes, descobriram o seu engano, um ano depois, quando o médico na sala de partos, levantou a bebé e a apresentou dizendo-lhes: 
- Pais, eis a vossa filha. Parabéns. É uma bela menina.


 Fim


18.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXVI



Surpreendes-me. Pensava que o sonho de todas as mulheres, fosse um lindo casamento, uma entrada na igreja, com um longo e belo vestido branco, e uma lua-de-mel, num lugar paradisíaco.
-Claro que é, quando os dois estão apaixonados e se trata de um casamento de amor. Não é o nosso caso. Outra coisa, pagarás as despesas da Matilde e da casa. Nada mais que isso, as minhas despesas pessoais serão minhas, pagá-las-ei com o meu ordenado, não quero um cêntimo teu.
- Não aceitarei uma condição tão absurda. Uma vez casada, as tuas contas serão minhas.
-Então desiste do casamento e procura outra solução.
- Dá-me uma razão lógica para tal atitude, - disse ele irritado.- Não me digas que és uma dessas feministas com a cabeça cheia de ideias idiotas.
-Não se trata de ser ou não feminista. Trata-se de que não quero sentir-me, como se me vendesse. Posso aceitar o casamento como sendo o melhor para a Matilde e por ela sacrificar-me. Mas não acredito que a perda da minha dignidade, lhe seja de algum modo benéfica. Está na tua mão aceitares ou não as condições.
Ele mordeu os lábios para conter um impropério. Não lhe agradava aquela situação, mas ainda lhe agradava menos que ela lhe lembrasse que o casamento era um sacrifício, especialmente depois da reação que aquele beijo lhe provocara. Mas que fazer? O melhor era aceitar todas as condições que ela impusesse. Depois de casados ele trataria de a fazer mudar de ideias.
-Aceito, embora me reserve o direito de tentar fazer-te mudar de ideias. Mais alguma coisa? – perguntou
- Sim. Não quero a Matilde em creches, enquanto não tiver dois anos. Deverá ficar com a Natália, a senhora que viste aqui no outro dia. É uma grande amiga, tem-me ajudado muito, e cuida da Matilde sempre que eu preciso de me ausentar, seja para trabalhar, ou para fazer compras. Gostam tanto uma da outra, que a Matilde chama-lhe  a "vó Táia". Algum problema?
- Problema nenhum. Quando podes ir comigo ao registo para dar andamento aos papéis?
- Amanhã, aviso no trabalho que preciso de sair por umas duas horas. Será tempo mais que suficiente para isso. De acordo?
- De acordo. Também quero visitar-te diariamente até ao casamento, e quero ver a menina acordada. Quero que ela se vá habituando a mim, para que não estranhe depois do casamento. Durante a semana, como estás a trabalhar, posso encomendar o jantar e jantaremos juntos. Alguma objeção?
- Nenhuma.
Ele levantou-se, dizendo:
-Então é melhor que me vá agora. Telefonas-me de manhã assim que puderes sair, e vou-te buscar. Até amanhã.
Encaminhou-se para a porta, seguido pela jovem. Aí deu-lhe um beijo rápido e saiu. Ela fechou a porta e encostou-se à mesma, com as pernas a tremer.



NOTA DA AUTORA 
O capítulo de ontem, parece ter surpreendido pela negativa. Pode ter parecido invulgar, surreal, eu mesma tive dúvidas ao escrevê-lo, não gosto muito de fugir da realidade. Porém estamos numa época em que algumas mulheres casam com homens que nunca viram, outras se mostram aos possíveis interessados como se fossem gado à espera de compra, e outras ainda vão dormir com qualquer um que acabam de conhecer. Postas as coisas neste ponto, que tem de especial que uma mulher queira saber, se não vai sentir repulsa pelo homem, com quem pode vir a passar o resto da vida, através de um beijo? 

17.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXV




Eram exatamente nove horas, quando Ricardo tocou a campainha.
Isabel abriu a porta e conduziu-o para a sala.
- Senta-te. Desculpa, não tenho bebidas alcoólicas, mas posso oferecer-te um café.
-Obrigado mas acabei de jantar. Prefiro que me digas o que decidiste.
- Antes de te dar uma resposta temos que esclarecer alguns pontos. Disseste que o casamento será real e não apenas nominal. É assim?
- É. Disse-te que seremos uma família.
- E como sabes, se somos compatíveis? Imagina que casamos e não consigo ter intimidade contigo. Já pensaste nisso? Ou acreditas que és tão irresistível, que não há hipótese de isso acontecer?
- Bom, e onde é que isso nos leva? Queres que façamos a experiência, antes de me dares a tua resposta?
- De modo algum – apressou-se a dizer vermelha que nem papoila. – Mas quero que me beijes. Porque se não formos compatíveis com um simples beijo, não haverá casamento, ou pelo menos não tal como o desejas.
Tinha razão. Por muita vontade que ele tivesse de formar uma família, (e pensava nisso todos os dias, depois da conversa com Artur)  e dar um lar à menina, se entre os dois não houvesse química, um casamento estava fora de questão. Pôs-se de pé e avançou para ela. Apesar do seu metro e oitenta e quatro, não era muito mais alto que Isabel que ultrapassava o metro e setenta. Rodeou-lhe a cintura com um braço e puxou-a para si. Com a outra mão segurou-lhe o queixo e aproximou o rosto do seu. Por uma fração de segundo os seus olhos encontraram-se. Ele queria ler nos olhos dela, expetativa, desejo, algum sentimento que lhe desse uma ideia do que aquela proximidade lhe provocava, mas ela fechou-os e aguardou, os lábios trémulos, o corpo tenso, o momento que se aproximava. Por um momento, ele receou que o seu beijo não fosse tão bom quanto ela desejava. O teste era muito importante para o futuro dos dois, e ele desejava que corresse bem.
Com uma ligeira pressão, fez com que os corpos se tocassem. Ela conteve a respiração e entreabriu os lábios. Ele inclinou a cabeça, e beijou-a. Não um beijo apaixonado, mas um suave roçar dos lábios inicial, para depois intensificar o beijo, brincando com os seus lábios, provocando e tentando dar-lhe o máximo prazer.
De súbito com um suspiro o corpo dela, qual leão adormecido, que desperta faminto, fez com que  levantasse os braços para lhe acariciar a nuca, enquanto se roçava descarado no corpo masculino.
 Ele aprofundou então o beijo, a sua língua invadiu a boca feminina, saboreando a sua doçura, mas a reação foi tão intensa que logo se arrependeu. O que era aquilo? Jamais um simples beijo o excitara tanto. Sentiu um desejo tão forte, que a sua vontade era deitá-la no sofá e fazer amor até cair de cansaço. Aquilo nunca lhe acontecera antes, com qualquer mulher, e ele tivera muitas nos últimos anos. O mais suavemente que pôde,  afastou a jovem que protestou relutante. Voltou-lhe as costas e caminhou até à janela. Não queria que ela visse o estado de excitação em que se encontrava. Durante largos segundos ficaram em silêncio, cada um tentando digerir as emoções que aquele beijo despoletara.
-Creio não haver dúvidas sobre a nossa compatibilidade. A química entre nós não podia ser maior – disse por fim voltando para o sofá. – Então vamos lá saber o que decidiste.
 - Aceito a tua proposta se aceitares as minhas condições. Suponho que terás as tuas aventuras, talvez até uma amante. A partir do momento em que decidirmos avançar para o casamento, terás que ser fiel. Não suporto traições. 
- Sem problema. Se me conhecesses, saberias que considero a traição a coisa mais abjeta da vida.
-Muito bem. O casamento terá que ser o mais intimo possível, uma ida ao registo com as testemunhas exigidas por lei, e nada de lua-de-mel.




30.4.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XXXIV



Caminhavam lado a lado em direção às traseiras da casa, onde estava montada a tenda e onde se faria a festa propriamente dita.
- Se era isso que te preocupava, podes ficar descansado. Se queres saber a reação do meu pai, desculpa não quero falar disso. Mas quero que saibas, que te estou muito grata por teres desistido da tua vingança. Não por mim, recebi a minha parte da herança da minha mãe, que me serviu para montar a minha empresa, e é do meu trabalho que vivo. Mas pela Cidália e pelo Miguel.
- Pelo teu pai, não?
-A minha ligação com o meu pai nunca foi muito boa. É meu pai e como tal o respeito, mas ele nunca fez nada para ganhar o meu amor. Por isso fui viver sozinha. Mas não vamos falar disso agora. A tua irmã já sabe da festa.
-O Eduardo ia dizer-lhe ontem à noite. Ele contratou os serviços de um salão de beleza para que fossem cuidar dela esta manhã, e teve que lhe explicar porquê. Devem chegar daqui a pouco, almoçam connosco e vestem-se aqui, a loja já mandou entregar a roupa há dias.
- Sem ela escolher? Vocês não estão bons da cabeça. Isso não vai dar certo.
- Ela escolheu. O Eduardo levou-a à loja com o pretexto que era para o meu sócio fazer uma surpresa à noiva. Mas a minha irmã, não é parva e deve ter entendido logo que era uma prenda para o aniversário. E se não tinha a certeza, teve-a ontem quando ele lhe contou da festa. Só ainda não sabe que vai de lua-de-mel para a República Dominicana.
Conversavam enquanto Paula ia pondo nas mesas, os arranjos florais. Ninguém diria que três semanas antes, ela achava o homem arrogante e odioso. Pareciam amigos de longa data. Pareciam, mas na verdade não passava de aparência, cada um tentando esconder do outro os seus verdadeiros sentimentos.
- Está tudo pronto, não é verdade? - perguntou quando ela colocou o último arranjo na mesa que faltava.
-Por agora sim. O resto não depende de mim.
-Então vem comigo ao escritório. Preciso conversar contigo.
Afastou-se em direção à casa, sem esperar para ver se o seguia. Ao chegar à porta, voltou-se e verificou que ela continuava no mesmo lugar. Ficou parado, indeciso sem saber se continuar, ou voltar atrás. Só então Paula avançou.
-Aconteceu alguma coisa?- perguntou quando ela chegou junto de si.
- Estava a pensar se foste sempre assim, mandão e prepotente, ou se é só comigo. Por acaso ocorreu-te pedir-me para te acompanhar, ou ser delicado não faz parte da tua personalidade?
-Desculpa. Reconheço que por vezes sou um tanto rude, mas não tive qualquer intenção de te menosprezar.  A verdade é que preciso falar contigo. Queres acompanhar-me?
-Assim está melhor. Sou um tanto rebelde, não gosto de receber ordens. Essa é uma das razões que me levaram a fundar a minha própria empresa.
Tinham chegado ao escritório. Ele abriu a porta e afastou-se para a deixar passar. Entrou atrás dela e fechou a porta.
-Queres fazer o favor de te sentares. É quase meio-dia, a Gabi o marido e o filho devem estar a chegar e depois vamos almoçar. Gostava de falar contigo antes que eles cheguem.
-Bom, tu dirás.
-Daqui a pouco na festa, vou apresentar-te o meu sócio, Júlio Correia, e a sua noiva. Júlio vai casar dentro de oito dias. Eu vou ser o padrinho. Como não sou casado, nem tenho compromisso, querem apresentar-me uma prima da noiva para meu par. Não estou interessado em conhecê-la, nem em ter por par, uma pessoa que não me interessa.  Gostaria que me acompanhasses ao casamento.
Levantou-se nervosa. Acompanhá-lo ao casamento, passar o dia a seu lado, sem ser em trabalho, dançar com ele? Era demasiado perigoso, tendo em conta a descoberta recente do sentimento que ele lhe inspirava. O que ela queria era que aquela festa acabasse depressa para se afastar e tentar esquecê-lo.
-Não. Não me podes pedir semelhante coisa.
-Porquê? O que tem de mal? Não somos amigos?
- Amigos? Conhecemos-nos há quinze dias!
- Conheces-me há quinze dias. Eu conheço-te desde que tinhas este tamanho, - disse apontando com a mão a altura da sua anca. – Além disso, há quem acabe de se conhecer e fique amigo para a vida inteira. Diz antes que continuas a pensar que sou um ser odioso e vingativo, como disseste na primeira vez que nos encontrámos.


O Sexta, pede-me para vos agradecer a presença na sua festa. Diz que vocês são fantásticos, e que sem vocês ele simplesmente deixaria de existir. Bem Hajam



E porque amanhã é o 1º de Maio, esta história volta na Quinta-feira. A propósito, ainda se lembram como começou? É que o primeiro capítulo foi publicado a 14/3


2.4.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XV





Eduardo terminara o seu dia de trabalho. Antes de sair perguntou a Susana se o cunhado estava no escritório. Após a confirmação da secretária, abriu a porta e perguntou:
- Posso entrar?
- Entra e senta-te. Queres alguma coisa?
- Eu e o Júlio marcámos a escritura para o dia vinte e seis. Espero que possas ir connosco. Dia trinta é o aniversário do nosso casamento, e prometi à tua irmã que estaria cá nessa altura para uma comemoração especial.
- Bom, a respeito disso temos que conversar. Quero que essa data seja memorável para os dois. Tira uma semana de férias para poderem ter a lua-de-mel que não puderam ter na altura. É o meu presente, uma bonita festa, com renovação de votos, seguida de uma semana de lua-de-mel, no sítio que escolhas. Só gostava que não dissesses nada à Gabi, a fim de que fosse uma surpresa.
- Isso seria maravilhoso, mas e o Pedro? Não pensaste nele?
- Claro que sim. Pode ficar com a avó. Tenho a certeza de que a minha mãe ficaria encantada, e eu me encarrego de o levar e ir buscar à escola.
- É um sonho, mas um sonho muito caro.
-E para que serve o dinheiro senão para realizar os nossos sonhos? Quando vocês casaram, a minha ajuda não passou de uma ninharia. Nem sequer pude vir assistir ao casamento. Vou fazer de conta que se casam agora. Quero ver a vossa felicidade. Amanhã sem falta, traz-me a lista das pessoas que gostarias de ter presente. Decerto terei de acrescentar algumas com quem privamos mais a nível profissional, pois não seria de bom-tom ignorá-las. Não te esqueças, pois fiquei de enviar a lista para a Paula Maldonado amanhã.
- A Paula Maldonado? Meu Deus António, isto faz parte da tua vingança? Porque se assim é, não quero festa nenhuma.
-Não sejas tonto. Contratei-a, ela aceitou. Sou um cliente como qualquer outro.
- Mas arruinaste a sua família. E fizeste uma exigência absurda. Quando ela souber não quer saber de ti.
- Ela sabe. O pai contou-lhe. E disse-me na cara que não está à venda, e que um casamento sem amor é uma espécie de prostituição.
-Santo Deus. E ainda assim vai fazer a festa? Só se for para se vingar de ti, e não nos metas nisto por favor. Quero uma data feliz, não um motivo de sofrimento.
-Fica descansado que tudo correrá bem. A Paula é acima de tudo uma grande profissional, nunca faria nada que lhe arruinasse a carreira.
- Espantas-me. E o pai dela? Sabes que o Jorge Maldonado tem um filho da idade do Pedro?
- Claro que sei, investiguei a vida dele, lembras-te? Mas como sabes tu disso.
-O Pedro apresentou-mo, no dia em que fui buscá-lo à escola. Parece que é o seu melhor amigo.
- Realmente o mundo é uma aldeia. Bom vai-te lá embora, senão a minha irmã acusa-me de te escravizar. E não esqueças a lista amanhã.
-Não vens?
-Não. Ainda tenho trabalho para acabar.



4.10.18

ENTRE O AMOR E A CARREIRA - PARTE XVIII


O resto daquela semana “de lua-de-mel” decorreu sem sobressalto. No dia seguinte foram à casa em Alcântara, buscar livros, roupas e algumas loiças. Depois entregaram o resto do recheio da casa a um lar de idosos, e por fim entregaram as chaves ao senhorio.
Com esta operação, Clara sentiu que cortava de vez com o passado e que consolidava a sua nova vida, embora fosse uma vida a prazo. Mas não se arrependia. Antónia e o marido, tratavam-na e ao irmão,  com o maior carinho. Ele ia poder estudar, e ela estava feliz. Adorava crianças, e trabalhar com elas e para elas era uma tarefa gratificante. Tanto mais que aquelas eram amorosas. Tinha quinze anos pela frente para semear nos seus corações inocentes, a semente do amor. E cuidar dela com carinho, de modo a que essa semente frutificasse num sentimento que perdurasse muito para além do prazo do contrato. Era essa a sua meta, e para a alcançar ela trabalharia dia e noite se preciso fosse. E a relação com Ricardo?
Bom, essa era mais difícil de descrever. Não era uma relação de patrão – empregada, muito menos de marido e mulher. Poder-se-ia talvez descrever como uma relação de amigos, mas nem isso. Porque apesar da cordialidade com que a tratava, Clara sabia que ele não confiava nela. Era capaz de apostar a vida em como antes de partir, ia encarregar Antónia de a vigiar. Apesar disso não o censurava, depois do que ele lhe contara, estranho seria, o contrário. Afinal, as mulheres com quem lidara, não lhe deram motivos para que confiasse nelas. O tempo lhe mostraria, que ela era árvore de outra espécie.
Por vezes surpreendia-o a olhá-la, de uma maneira que ela não conseguia definir. Era como se ele quisesse penetrar no seu interior, desvendar os seus pensamentos. Outras vezes, sentia que embora pudesse estar a fitá-la, ele nem a via. Os seus olhos cinzentos adquiriam a tonalidade do aço e o seu olhar era tão frio quanto esse metal.
Nas vésperas, porém, tinha-a surpreendido. Chamara-a à biblioteca, e abrindo uma gaveta da secretária, retirara uns envelopes.
- Aqui neste envelope, tens os documentos da abertura de uma conta em teu nome. Foi aberta com a importância que combinámos como o teu vencimento. Nela será depositada todos os meses a mesma importância. Também aí tens um cartão de crédito, com o qual pagarás todas as despesas que fizeres, seja para ti, para as crianças ou para o teu irmão. Refiro-me a despesas pessoais. A despesa com a escola dos meninos ou com a faculdade do teu irmão, apresentas a conta ao Francisco, que ele paga. Ele também está encarregado dos ordenados da Antónia, do marido e de algum trabalhador, que o Alfredo entenda necessário contratar temporariamente para o ajudar nalguma tarefa. Além de ser o meu advogado, é ele que gere todos os meus investimentos. Inicialmente tinha pensado comprar-te um carro, para te deslocares à cidade,  para levar as crianças à escola, ou simplesmente para algum passeio, mas como o meu vai ficar parado, podes utilizá-lo. Mais tarde quando voltar, tratamos então de comprar um para ti. Neste outro envelope, estão todos os documentos dos meus filhos, bem como uma procuração minha, que te nomeia tutora deles na minha ausência, e te dá pelos poderes de decisão sobre eles. Penso que não será necessário, dado que estamos casados, mas nunca se sabe o que pode surgir, e mais vale prevenir. Espero que percebas que estou a confiar-te o meu bem mais precioso – terminou com voz rouca, levantando-se e aproximando-se da janela.
O que ele não disse, Clara entendeu. E entendeu também que aquele homem que fora toda a vida, um solitário, se apegara ao amor dos filhos, como um náufrago se agarra à bóia que o vai salvar.
Sentiu pena, e ao mesmo tempo uma enorme admiração por ele.
- Fica descansado. Apesar de os conhecer há pouco tempo, o conhecimento do que já sofreram, e a sua índole terna e doce, ganharam o meu coração. Cuida de ti, e pensa naquilo que te disse. Sei que é a tua carreira, mas decerto haverá nas unidades do país, muitos outros trabalhos que possas desenvolver, sem andares sempre nessas arriscadas missões. Se eles são o teu bem mais precioso, tu és o único bem que eles têm.
Não esperou resposta. Agarrou nos envelopes e saiu  fechando a porta suavemente atrás de si.




7.6.18

CASAMENTO DE CONVENIÊNCIA. -PARTE XXII






Terminado que foi, aquele arremedo de lua-de-mel, o casal instalou-se provisoriamente no moderno apartamento do empresário no Parque das Nações. Pedro tinha decidido vendê-lo e comprar uma casa num local mais afastado da cidade. Uma casa com espaço suficiente para juntar a família sem que a sua privacidade saísse prejudicada. E que tivesse um jardim, onde o menino pudesse brincar em segurança.
Já tinha conversado sobre isso com Joana, e por isso naquela manhã ao regressar ao escritório, a primeira ordem que deu à sua secretária, foi a de pesquisar casas à venda nas zonas que previamente escolhera.
Entretanto no escritório, depois de ler a correspondência e tratar dos assuntos mais urgentes, Pedro dedicou-se a uma pesquisa que pareceria estranha a quem dela tivesse conhecimento. Pesquisou, artigos sobre violação, os traumas, as reações e os medos das vítimas. Depois procurou maneiras de agir, em páginas de psicólogos e sexólogos.
Depois de horas em que pesquisou e leu tudo o que encontrou sobre o assunto, levantou-se e foi até à janela. Pensou na volta que a sua vida dera em tão pouco tempo. Onde quer que o primo estivesse, deveria estar a divertir-se imenso com a última partida que lhe pregara.
Não que ele estivesse arrependido. Não estava. Pelo menos por enquanto. Joana era uma mulher de fibra e muito orgulhosa. Mantinha que só aceitava o seu dinheiro para a mãe e o sobrinho.
Ainda na véspera, reiterara a sua posição de manter a firma recém-criada e de continuar com a confeção de doces e salgados para festas várias. De momento continuaria a trabalhar na casa onde habitara, e onde vivia a mãe com o neto e a ama que ele contratara para o menino. Tinham decidido não separar o menino da avó naquela fase em que a mãe se encontrava tão fragilizada.  Continuando a trabalhar lá, não só fazia companhia à mãe, como vigiava o menino, o comportamento da ama, e continuava a contar com a ajuda de Antónia, sua vizinha, amiga, e agora também madrinha de casamento.   Ele gostaria mais, que ela encerrasse a firma e se dedicasse apenas à família e à vida no lar. Não precisava trabalhar, podia ter quantas empregadas necessitasse. Outra qualquer daria pulos de alegria de poder gastar o que quisesse. Ela não. Era muito independente, e essa independência poderia ser um sinal de que não iria prolongar o casamento para além dos dois anos, negociados no acordo.
Sentiu um aperto no peito, ao pensar nisso. Mas porque havia de temer? Afinal dentro de alguns meses, sairia a adoção do menino. E não era só isso  que lhe interessava?

4.6.18

CASAMENTO DE CONVENIÊNCIA - PARTE XVIII







 Os noivos, tinham decidido de comum acordo não fazerem viagem de lua-de-mel, uma vez que naquela fase de tratamento da mãe, Joana não se queria ausentar, apesar da ajuda da vizinha e da ama que Pedro contratara para o menino.
Assim, o noivo, reservara a suite de um hotel na cidade, onde passariam dois dias antes de iniciarem a vida em comum.
E agora ali estava ela, Joana Teixeira Mesquita, sentada na casa de banho, da suite, depois de ter mudado de roupa, escovado os dentes e os cabelos, as mãos trementes no regaço, sem coragem para ir até ao leito, sabendo que tinha de o partilhar com o marido.
- Posso entrar, - perguntou Pedro depois de bater levemente na porta.
Sem responder, ela abriu a porta e aproveitou para se esgueirar para o quarto, enquanto ele entrava na casa de banho para se trocar.
Quando regressou, verificou que a jovem se encontrava deitada e coberta até ao pescoço. Sentou-se a seu lado na cama, e procurando-lhe a mão, perguntou:
- Que se passa, Joana? Calculo que todas as noivas estejam nervosas na noite do seu casamento, especialmente se nunca fizeram amor antes, como foi o nosso caso. Mas durante toda a festa te senti, tensa, nervosa, e tu mesma confessaste que pensaste desistir. Não me vais dizer que és virgem, ou vais?
- Não.
- Então relaxa e vive o momento, - disse levantando-se e dando a volta à cama, deitou-se a seu lado, abraçando-a.
A sua boca, procurou a boca feminina, e com ternura, brincou com os seus lábios até que ela os abriu. Intensificou o beijo, as mãos acariciando-lhe o corpo. Depois os seus lábios percorreram-lhe o rosto, a língua acariciou o lóbulo da orelha, a suave curva do pescoço, enquanto as mãos experientes iam despindo a delicada camisa de seda. A boca masculina dirigiu-se depois para os seios, que o deslizar da camisa expusera, a língua acariciando a auréola, os dentes mordiscando de leve o mamilo, para depois voltar à boca, e ao rosto e sentir na língua o gosto das  lágrimas silenciosas da jovem. Gelou. Aquelas lágrimas eram uma clara rejeição.
Estava excitadíssimo, a sua ereção era prova disso. Afinal era a sua noite de núpcias, e apesar de aquele ser um casamento diferente, ficara bem claro que o sexo faria parte dele. Naquele momento, o seu corpo reagia como o de qualquer homem jovem e saudável, que tem a seu lado, uma mulher linda. A coisa que mais desejava era fazê-la sua. Porém aquelas lágrimas silenciosas, tiveram mais poder que o mais poderoso desejo que ele pudesse sentir.  Apertou os punhos e tentou acalmar-se. O seu casamento tinha que dar certo, o seu sonho de família não podia morrer ali. Deitou-se de costas e puxou a esposa para junto de si fazendo com que apoiasse a cabeça no seu peito, enquanto pensava: 
“Deveria haver um manual que ensinasse um homem como proceder numa situação destas. “ 
Deixou passar uns minutos, antes de quebrar o silêncio.
- Não chores, não é o fim do mundo, nem a nossa vida se acaba hoje. Decerto compreenderás que te desejo e que estava ansioso, por te ter nos meus braços, mas quero que quando esse momento chegar, estejas bem,para que possas sentir  tudo o que de bom, o sexo te pode proporcionar.
Contrariamente ao que esperava as suas palavras em vez de a acalmarem, pareciam ter piorado a situação.

13.2.18

A VIDA É ... UM COMBOIO - PARTE XL




Durante uma hora conversaram animadamente. Contaram como se conheceram, falaram do casamento que se realizaria daí a oito dias, dos negócios de Paulo, e dos projetos de ambos para o futuro.
- Nós também temos uma novidade para vos dar, - disse Olga, segurando a mão do marido.
Olga era uma mulher muito bonita. De estatura pequena, teria pouco mais de metro e cinquenta, pele branca, cabelos da cor do trigo maduro e lindos olhos azuis, mais parecia uma daquelas bonecas com que as meninas brincam na infância. O seu aspeto delicado contrastava com o do marido que ultrapassava o metro e oitenta, de ombros largos e ar robusto.
- Vamos dar um priminho ao Martim, - acrescentou o marido com um sorriso de orelha a orelha.
- Que alegria, - disse Amelia abraçando a cunhada, e colocando a sua mão sobre o ventre dela. - Não se nota nada
- Logo se notará. Acabei de fazer os três meses. Não contámos antes porque sabes o que se diz.
Pelo rosto de Amélia perpassou uma sombra que ela logo afastou com um sorriso.
- Estou tão feliz por vocês!
Enquanto isso os dois homens também se abraçavam alegres.
- Quem havia de dizer que íamos pertencer à mesma família,- disse Paulo
- Sim. Mas vê lá como te portas, quero vê-los felizes.
- Não o desejas mais do que eu- retorquiu emocionado.
Pouco depois eles despediam-se e partiam.
Paulo abraçou a noiva.
- Querida, ainda não falamos na lua-de-mel. Não sei para onde gostarias de ir nem por quanto tempo, mas nesta altura eu não poderei afastar-me mais do que um par de dias. Mais tarde, quando conhecer melhor o pessoal, e souber em quem posso confiar, prometo-te uma lua-de-mel como tu mereces. Ficas triste?
- Não. A verdade é que também não poderia afastar-me agora . Fui promovida há pouco tempo, vou ocupar o lugar do Carlos e estão a acabar os dois meses, que me foram dados para tomar conta do lugar. E com estas férias, o tempo tornou-se mais curto. Esperei mais de dez anos por esta promoção, não posso falhar.
- Então estamos de acordo. Dois, três dias no máximo. Para onde?
- Não sei. Eu gostava de ir aos Açores. O que achas?
- Eu ficarei feliz onde estiveres. Segunda-feira trato disso.
Abraçaram-se e beijaram-se. Mas quando ele se levantou para sair, ela pegou-lhe na mão, e sem palavras levou-o para o quarto.



Amanhã por ser dia dos namorados, não haverá esta história. Voltará quinta-feira

24.1.18

A VIDA É... UM COMBOIO - PARTE XV




O resto da semana, foi de trabalho intenso para Amélia, de tal modo que até se esqueceu de falar com o irmão sobre a festa do filho, coisa que ele acabara de lhe recordar, quando o fora buscar naquela Sexta-feira.
Mal chegou a casa, e enquanto o filho preparava as suas coisas para o fim-de-semana, em casa da avó Maria, pegou no telemóvel e telefonou ao irmão.
- Ora vejam se não é a minha irmãzinha querida. Como vais? E o meu sobrinho? Continua a ser o melhor aluno da turma?
- Viva Ricardo. Não são grandes as saudades da gente. Nunca apareces, não telefonas.
- Telefonaste para me recriminar?
- De modo algum. Telefonei para te pedir um favor especial. O Martim, vai ter para a semana, a festa de fim do período escolar. Vai haver um torneio de futebol entre pais e filhos, e ele pede-te que vás com ele, em vez do pai.
- Para a semana, em que dia?
- Sexta-Feira.
- Tenho imensa pena, mas não vou cá estar. No Domingo é o nosso aniversário de casamento, tirámos uns dias de férias e vamos para Cabo Verde. Assim como se fosse uma segunda lua-de-mel. Partimos quinta-feira no avião da noite.
- Meu Deus. O Martim vai ficar arrasado.
- Não podes pedir a um colega?
- Estás doido? O único que ele conhece, e que aceitaria é o Carlos, mas ele tem sessenta anos. Estás a vê-lo a jogar futebol na escola com os miúdos? Ia ser uma risada.
-Tenho muita pena, maninha, mas não posso fazer nada. Se me tivesses falado antes de comprar os bilhetes, teria marcado a viagem para o dia seguinte, mas assim…
- Ok. Não te preocupes. Se não voltarmos a falar, desejo-te uma feliz viagem, e uma ótima lua-de-mel. Dá um abraço à São.
- Obrigado. Beijos para os dois.
Desligou o telefone, e ficou pensativa. Quando pensou em ter um filho por inseminação, fê-lo para compensar a dor da traiçãodo marido, e da perda do seu próprio bebé. Agiu emocionalmente, não pensou que mais tarde poderia vir a arrepender-se daquela decisão. E agora… não é que estivesse arrependida de ter tido o filho. Ele era o grande amor da sua vida. Mas como podia ela compensar a sua dor, de não ter um pai a acompanhá-lo no crescimento.
- Estou pronto, mãe. Não vamos embora? Depois vamos chegar de noite e dizes sempre que não gostas de conduzir de noite.
- Vou já filho. Levas os livros para fazeres os trabalhos de casa?
- Claro, mãe. Não ia deixar para domingo, não sei a que horas chegamos.
- Então dá-me cinco minutos, para meter algumas coisas numa mala e vamos já.



Atenção, a quem quiser dar uma olhada pelo meu registo de ontem, pode fazê-lo AQUI

28.9.17

A RODA DO DESTINO - PARTE VI


Quando regressaram da lua-de-mel, ambos estavam cientes de que tinham cometido o maior erro das suas vidas, e que o melhor que podiam fazer, seria divorciarem-se. Sentaram-se e discutiram a decisão, sem ódio nem rancores. Sabiam que a única solução para eles era o divórcio. Porém também sabiam que não podiam tomar uma decisão dessas, à chegada da lua-de-mel. Ia ser um choque enorme para as duas famílias. Iam virar, a anedota da terra, e já que a asneira tinha sido deles, decidiram de comum acordo, esperar uns seis meses. Entretanto eles continuariam a ser o que sempre foram. Amigos, quase irmãos. Porém quando passados os seis meses iam contar às respetivas  famílias e avançar com o divórcio, o seu sogro fora diagnosticado com um cancro no cérebro, e de comum acordo, decidiram que o divórcio teria que ser adiado. A situação emocional dos sogros, não aguentaria semelhante dor. Além disso o marido precisava do seu apoio. Os três meses que mediaram entre o diagnóstico e a morte do sogro, pareceram anos, tão grande foi o desgaste físico e emocional, das idas diárias ao hospital, do observar o sofrimento do sogro, sem poder fazer nada para o aliviar, de ver o sofrimento da esposa, sua companheira de vida durante trinta e cinco anos. Sem falar em Afonso, para quem o pai sempre foi o herói em quem ele próprio, gostaria de se transformar um dia. Depois da morte do sogro, a instabilidade emocional, e o desgosto da sogra, deixaram-na depressiva, e mais uma vez, os dois adiaram o divórcio. 
Foram precisos mais de dois anos, após a morte do sogro, para que Anete e o marido, tivessem decidido, que era hora de tratar do divórcio. Ambos estavam a deixar passar a juventude vivendo uma mentira, e quem sabe, entretanto deixavam passar a oportunidade de conhecerem o amor das suas vidas.  
Mas ainda foi preciso convencerem as famílias, de que a decisão era irrevogável e não havia tentativa milagrosa que pudesse evitar um divórcio (que ninguém entendia), para evitar as tentativas frustradas de fazê-los mudar de ideia. O casamento fora um erro, do qual os dois eram culpados e estavam igualmente decididos a dissolvê-lo.
Depois do divórcio, como Afonso tinha a sua empresa na cidade, e precisava ficar perto da mãe, ela decidiu ir viver para a capital. Alguma coisa lhe dizia que lá estava o verdadeiro rumo da sua vida.
Conseguira, alugar um pequeno apartamento num ponto periférico da cidade, mas muito bem situado em relação aos transportes, pois tinha uma paragem de autocarros a cinquenta metros, e o metro a menos de cem. O que era o ideal, uma vez que o seu carro, ficara na garagem dos pais. Mais tarde iria buscá-lo, quando perdesse o medo à cidade grande.
Sorriu ao lembrar da cara do seu irmão Luís, quando dois dias atrás a visitara, e ela se atrevera enfim a contar-lhe a razão por que se divorciara. Contudo o seu assombro seria bem maior, se soubesse que em mais de três anos de casamento, ele nunca fora consumado.

ESTA DEVE SER A ALTURA EM QUE VOCÊS ESTÃO A PENSAR, QUE NÃO DIZ A BOTA COM A PERDIGOTA.  SERÁ QUE ME PERDI?