Seguidores
Mostrar mensagens com a etiqueta turistas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta turistas. Mostrar todas as mensagens
20.9.19
VIDAS CRUZADAS - PARTE XI
A capacidade que as mulheres da família tinham de adivinhar-lhe os pensamentos era coisa que sempre o intrigara.
E já se tinham passado três dias. Três dias em que se tinha embrenhado pelas redondezas, procurando nas margens do rio, na sua extrema beleza esquecer o que o atormentava. Apenas uma vez fora até ao largo da aldeia, demasiado concorrido, com todos aqueles turistas que procuravam a saúde na virtude das águas do local, e nos tratamentos termais oferecidos pelo enorme balneário. Suspirou fundo, sentou-se no banco que parecia chamá-lo, abriu o livro que trouxera consigo e tentou embrenhar-se na leitura sem todavia o conseguir. E enquanto o olhar se perdia na limpidez e quietude das águas do rio, a memória continuava a recordar a descoberta da casa da tia, quando chegara há três dias. O resto da casa não era muito diferente. Por todo o lado móveis escuros e pesados, molduras antigas, panos de laboriosas e delicadas rendas, provavelmente feitas à lareira, nas longas noites de inverno . Na sala havia uma carpete esquisita, que a tia lhe dissera ser feita de retalhos de pano, e tecida em tear manual na aldeia. Carpete de trapos, mantas de trapos.
Uma casa de banho junto aos quartos, com um enorme lavatório incrustado num móvel escuro, encimado por um grande espelho também emoldurado de escuro, num contraste berrante com as loiças e azulejos, completamente brancos. Para seu uso, dissera a tia. Ela usava sempre a outra. A outra era muito semelhante, mas em vez de banheira tinha um chuveiro, envolto num pesado cortinado, e um ralo no chão para esgotar a água. Tanto a tia como a empregada "que é mais família do que empregada, pois sempre aqui viveu, desde o tempo em que a mãe, era empregada dos meus avós" -dissera a tia, utilizavam essa casa de banho. E continuara "As banheiras são perigosas, quando a idade carrega e faltam as forças".
Na hora do jantar vieram as reclamações, porque, cansado da viagem, e tendo comido alguma coisa numa paragem no caminho, não lhe apetecia comer.
Para quem leu as notícias, eu ainda não sei quando será o transplante. Ainda tenho duas consultas agendadas e tenho vários exames para fazer, pelo que nomeadamente o eletro e o eco ao coração.
Etiquetas:
balneário,
beleza,
família,
lareira,
margens do rio,
mulheres,
noites de inverno,
pensamentos,
turistas,
vidas cruzadas,
virtude
9.11.15
FOLHA EM BRANCO - PARTE XXI
Depois
do almoço, foram até à baixa. Passearam um pouco pela larga avenida da cidade, e
sentaram -se na muralha que separava a avenida da ribeira que ali vinha desaguar no
oceano. O verão terminara há muito, mas o outono mantinha-se ameno, pelo menos
durante o dia, que à noite sempre se levantava vento, e fazia frio. Havia ainda muitos
turistas na cidade, e os barcos rumo à marina, ainda eram frequentes. Falaram de
coisas sem importância, ou melhor, Miguel falou, a jovem limitava-se a ouvir,
por vezes atenta, outras nem isso.
Por
vezes Miguel desesperava, e quase tinha vontade de desistir. Ir à sua vida e deixar a
jovem ali perdida nos seus labirintos interiores. Mas logo se recriminava. Ele
nunca fora homem de desistir de nada, não era agora que ia começar a sê-lo. Outras vezes recriminava-se por não ter naquele dia, quando saíram da falésia, acompanhado a jovem à polícia e ter dado parte do acontecido. Mas logo se desculpabilizava, com o pensamento de que o facto de lhe ter salvo a vida, lhe dava a responsabilidade de a integrar nela. E ela só podia voltar verdadeiramente à vida quando recuperasse a memória.
Levantou-se,
e estendeu a mão à jovem.
-Vamos
Teresa? São horas do lanche. E ainda precisamos fazer umas compras.
Depois
do lanche, entraram numa papelaria. Miguel ia comprar um caderno de desenho e
um lápis para que a jovem fizesse o que o médico lhe recomendara. Ela porém estacou
à entrada, onde estavam algumas revistas expostas. Com uma breve mirada, Miguel
viu que se tratava de revistas sem nada se interessante, revistas de
programação televisiva, e de palermices sobre os artistas, as revistas
habitualmente apelidadas de cor de rosa.
Depois
de efectuada a compra, dirigiu-se à saída onde a jovem continuava na mesma
contemplação.
Intrigado
perguntou:
-
O que há de tão interessante, nessas revistas?
-
Não sei. Gosto desse, - e apontou a capa de uma pequena revista, com uma conhecida artista
de novelas. Miguel olhou e leu em voz alta.
-Mariana.
É isso? O nome de Mariana, diz-lhe alguma coisa?- Perguntou esperançado.
-Não
sei, respondeu ela confusa. Mas gosto dele.
-
Pois a partir de hoje, será Mariana. E quem sabe não é esse o seu verdadeiro
nome.
Etiquetas:
marina,
novelas,
Os meus contos,
revistas,
turistas
Subscrever:
Mensagens (Atom)

