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3.7.20

CILADAS DA VIDA - PARTE I



A manhã ainda não tinha alvorecido no horizonte quando Teresa se levantou. Enfiou um robe e foi à cozinha onde pôs duas fatias de pão na torradeira, tirou do frigorífico duas laranjas e preparou um sumo. Saboreou o pequeno almoço com gosto.  Quando terminou, lavou o prato e o copo e foi para a casa de banho.
Escovou os dentes, prendeu os seus longos cabelos castanhos no alto da cabeça, cobriu-os com uma touca, despiu-se e entrou no duche. Quando terminou enrolou ao corpo uma toalha e dirigiu-se ao quarto. Abriu a gaveta da cómoda, donde tirou um conjunto de roupa interior de algodão aos quadrados.
Retirou a toalha do corpo e vestiu-o. Olhou-se ao espelho. Não eram peças finas, de seda e rendas, mas ajustavam-se-lhe perfeitamente ao corpo, eram cómodas, e isso era o que lhe importava, não pretendia seduzir ninguém. Vestiu umas calças de ganga, e um camiseiro branco. Tirou a touca, desprendeu o cabelo, escovou-o e prendeu-o numa trança. Calçou uns ténis brancos, puxou a roupa da cama para trás, e abriu um pouco a janela a fim de arejar o quarto, saindo em seguida.
Na cozinha, pegou nas chaves da casa, e no telemóvel que meteu no bolso das calças e abrindo a porta que dava para as traseiras, saiu. Contornou a habitação, uma casa térrea, pintada de branco como quase todas as outras da aldeia, passou pela porta principal e seguiu em direção ao fundo da rua.
O sol apenas despontava no horizonte, mas ali acordava-se cedo. A maioria dos homens, já se encontrava nos terrenos, cavando ou regando, que Junho estava no fim, e era necessário aproveitar aquelas horas, já que pelo meio-dia, o calor começava a apertar e de tarde era impossível fazer trabalhos ao ar livre.
- Bom dia Teresa! – saudou uma mulher que dava milho às galinhas no seu quintal.
- Bom dia, dona Arminda. Como vai a senhora?
- Como Deus quer, filha, como Deus quer. Sempre com o coração apertado com muitas saudades da minha Lena, mas que fazer? Deus quis assim, há que aceitar, a Sua vontade!
- É a vida dona Arminda. Cada um procura o sítio onde pode ter melhor vida. O que interessa é que ela e a família estejam bem. E não tarda chega Agosto e estão aí todos para matar saudades. Vou andando. Até logo
- Vai com Deus - respondeu a mulher
 Teresa continuou o seu caminho. Ao chegar ao fundo da rua, a principal da aldeia, virou à esquerda, e entrou num pedaço de terreno onde pontuavam apenas meia dúzia de oliveiras, e a erva crescia solta, por todo o terreno  que se estendia até ao ribeiro, onde tantas vezes em menina se banhara nos dias de maior canícula.
Ao chegar ao leito do mesmo, agora quase seco devido ao calor intenso que se fizera sentir durante todo o mês, sentou-se numa pedra e olhou ao seu redor. Na sua frente do outro lado do ribeiro, para lá dos campos de milho, erguiam-se as montanhas. Atrás de si, o campo inculto que atravessara, e que lhe pertencia, destoava dos campos de outros vizinhos, todos cultivados com os mais diversos legumes, que o cercavam.
-Bom dia, Teresa! Por cá de novo?
Levantou a cabeça. Ali perto um homem de cabelos brancos com umas quantas cebolas numa mão e o boné na outra, os pequenos olhos meio escondidos entre as rugas, mirava-a.

1.10.19

VIDAS CRUZADAS - PARTE XX


Um sorriso rompeu no rosto materno, tão luminoso como um raio de sol em dia de chuva. Ela ergueu a mão, e acariciou-lhe os cabelos, com a mesma ternura com que o fazia em criança, quando o filho procurava a sua cumplicidade, nalguma travessura.
- Vai descansar, filho. Já é tarde e tens que levantar cedo. A viagem até S. Pedro é longa. 
Obedecendo, o jovem levantou-se, e dando um beijo na face enrugada, murmurou:
- Boa noite, mãe. Durma bem.
- Deus te abençoe meu filho. Que os anjos velem o teu sono.
Ao regressar à cozinha, Maria deu-se conta de que não tinham jantado. A mesa continuava posta, esperando a hora que já passara há muito. Encolheu os ombros, guardou a janta no frigorífico, apagou a luz e foi-se deitar.


Pedro, acordou na manhã seguinte com o delicioso aroma do café invadindo-lhe o quarto. Enquanto se dirigia para o duche, os acontecimentos da noite anterior, desfilaram na sua mente, como fita em tela de cinema. Adormecera tarde e tinha a sensação de pouco ter dormido.

Deixou que a água resvalasse pelo seu corpo, como se fosse uma carícia revigorante. Depois, com o corpo envolto na toalha, iniciou o escanhoamento do rosto. Enquanto o fazia a imagem de Rita pareceu sair dos seus pensamentos, e apareceu reflectida ao lado da sua, no espelho. Fechou os olhos e imediatamente soltou um queixume. Acabara de se cortar...

Na cozinha, Maria acabara de barrar as torradas. O filho deveria estar a entrar para o pequeno-almoço, cheio de fome pois não tinham jantado. Se bem o conhecia, não devia ter dormido grande coisa. Nunca em toda a sua vida,  vira o filho apaixonado. Namoricos, quando andava na escola, sim. Tivera muitos. Era um cata-vento, muito mais interessado nos rabos de saias, do que nos estudos. Depois subitamente acalmou, e nunca mais o viu interessado em ninguém. Até à noite anterior. Aí, percebera, mais pelo seu tom de voz, do que pelas palavras pronunciadas que o seu menino deixara de o ser, e era agora um homem profundamente apaixonado. Tentou imaginar como seria aquela Rita. Seria uma boa pessoa, capaz de fazer o filho feliz? Não parecia dar muito crédito aos elogios do filho. Tinha idade e experiência suficiente para saber que um homem apaixonado fica cego para tudo, menos para aquilo que ele próprio idealiza.

- Bom dia, mãe. Hum que cheirinho delicioso – disse curvando-se para a beijar.

- Meu ou do pequeno-almoço? - questionou ela rindo.

- Os dois, mãe, os dois – respondeu rindo também.


26.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXXIII

SEGUNDA PARTE

A fome acordou-o. A luz que chegava ao quarto, através da janela era tão suave que mal se distinguiam os objetos. Ouviu a leve e regular respiração de Isabel, que lhe deu a certeza de que dormia tranquila, e os seus olhos, já habituados à penumbra observaram-na. Dormia profundamente, a longa cabeleira dourada espalhada na almofada. Tinha o edredão puxado até ao pescoço, e o seu rosto calmo e sereno, não parecia o mesmo de horas atrás, quando a paixão os arrebatou.  Devagar, levantou-se. Estava nu e sentiu frio. Às escuras, procurou um pijama, vestiu um roupão e  dirigiu-se à cozinha. Acendeu a luz e viu as horas. Meia-noite. Não admirava que sentisse fome. Não tinham comido nada desde o almoço. O frigorífico estava recheado com tudo para que tivessem tido um excelente jantar, contudo o seu desejo fora superior à fome. Bom, não jantaram, mas podiam fazer uma ceia. Retirou do frigorífico o marisco, o bacalhau com natas, o cabrito assado, o pudim caseiro, e a mousse de chocolate, iguarias que ele tinha encomendado ao restaurante, na véspera e que tinham vindo entregar nessa manhã, pouco antes de ele sair para o casamento, e colocou tudo em cima da mesa da cozinha.
A mesa na sala estava posta. Nem faltavam velas e flores, tudo o que se deve usar num jantar romântico, tal como vira numa revista da especialidade.
O seu estômago já roncava protestando com a fome, o melhor era ir ver se acordava Isabel, para cearem.
Dirigiu-se ao quarto, ajoelhou junto da cama, e beijou-a suavemente. Ela abriu os olhos espantada, como se não se lembrasse onde estava, e ele sussurrou.
-Hora da ceia. Estou morto de fome.
Ela tentou levantar-se mas ao ver que estava sem roupa, corou e voltou a tapar-se. Ricardo levantou-se, foi buscar um robe e deu-lho dizendo.
-Espero-te na cozinha.
Ela esperou que ele saísse para saltar da cama. Enfiou o robe sobre o corpo nu e de seguida foi ao armário onde dias antes guardara as suas roupas, retirou uma linda camisa de dormir, branca, de cetim e rendas, que Natália lhe oferecera para aquela noite, foi à casa de banho, despiu o robe, vestiu a camisa e o robe por cima, lavou a cara, escovou o cabelo, e dirigiu-se à cozinha. Viu os diversos pratos em cima da mesa, e perguntou:
-Estás a pensar comer tudo isso?
-Tenho fome mas não tanta – disse rindo. – Começamos com o camarão?
-A esta hora não me apetece marisco. Mas tu podes comer se te apetece.
Ele pegou na travessa de camarão, e guardou-a no frigorífico dizendo:
-Também não me apetece muito. Vou aquecer o Bacalhau com Natas, no Micro-ondas e entretanto ponho o cabrito no forno. Queres esperar na sala?
- Vou pondo a mesa se me disseres onde estão as coisas - disse, enquanto ele regulava o tempo no Micro-ondas.
- A mesa já está posta. São só dois minutos, e vamos começar.
Isabel encaminhou-se para a sala, grata por ele não ter feito nenhuma alusão ao que tinham vivido horas antes.



6.5.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XL






Olhou o relógio. Já passava das quatro da tarde. Precisava despachar-se. Dirigiu-se ao quarto, retirou uma mala de cima do guarda-fatos e colocou-a em cima da cama. Começou a procurar a roupa para a viagem. Calças de ganga, T-shirt, calções, fatos de banho, páreos, lenços, pijamas e roupa interior. Não pensava em saídas noturnas, precisava descansar, não de divertimentos.  Começou a arrumar tudo na mala. Antes de a fechar pensou melhor, e foi buscar um vestido de seda estampado com motivos florais. Era um vestido simples mas elegante, ideal para uma saída à noite se algum dia isso lhe apetecesse.
Fechou a mala e foi buscar um saco onde colocou dois pares de sandálias rasas, chinelos de praia, chinelos de quarto, ténis, e um par de sandálias vermelhas, de salto alto, que faziam conjunto com o vestido de seda. Antes de fechar o saco procurou lembrar-se se faltava alguma coisa. Convencida que o que faltava eram só as coisas de última hora como os produtos de higiene e um ou dois dos últimos livros que tinha comprado e ainda não tivera tempo para ler, fechou a mala e o saco e colocou-os no chão.
Sentou-se em cima da cama e relembrou a conversa com a madrasta. Como o pai tinha sido cruel! Porque não se limitara a dar parte à polícia do roubo, sem acusar o empregado? Mais uma vez tentava lembrar de António no escritório da empresa do pai, e mais uma vez não o encontrou nas suas memórias. Também não admirava. Naquela época ela odiava aquele escritório, pensava que era por causa dele que o pai não lhe dedicava tempo nem atenção. Lembrava isso sim que no escritório trabalhavam dois homens e uma mulher. Um dos homens era mais velho, o outro bem como a mulher eram mais jovens. Mas não conseguia recordar o rosto de nenhum dos três. Suspirando levantou-se e voltou à cozinha. Abriu o frigorífico. Lá não havia mais nada senão a caixa da “pizza” guardada na antevéspera. Retirou-a e jogou-a no caixote do lixo. Depois abriu o congelador e lá também não havia nada. Ultimamente nem sequer tinha tido tempo de ir às compras. Desligou o frigorífico, a fim de o deixar a descongelar para limpar depois do jantar. Lavou as duas chávenas do chá limpou-as e guardou-as. Deu uma olhada à sala, ajeitou as almofadas no sofá, fechou a persiana, e pensando que estava tudo em ordem foi ao quarto, retirou da cómoda um conjunto de roupa interior de algodão rosa. E com ele na mão foi para a casa de banho a fim de tomar duche e despachar-se para estar em casa do pai a horas do jantar.
Meia hora mais tarde, saiu de casa envergando um vestido de alças e um casaquinho do mesmo tecido. Levava o cabelo apanhado, e calçava sandálias de salto alto.
Tinha a chave da casa do pai, mas desde que saíra de casa para viver sozinha nunca mais a utilizara. Aquela fora a sua casa até esse dia, agora era a casa do pai. Tocou a campainha e aguardou que a empregada viesse abrir mas foi Miguel, quem a abriu a porta, cheio de alegria. Paula baixou-se e abraçou o menino com todo o carinho.
-Onde estão todos? – perguntou entrando em casa pela mão do menino.
-  A mãe está no quarto, o pai no escritório. Vou avisá-los que já chegaste.


Aviso: Como sabem acabo o tratamento no dia 13. Dia 14 vou fazer exames para ver se a córnea recuperou ou não para a nova cirurgia. Se estiver bem o médico deverá marca-la para os dias que se seguem. Para que esta história não se torne eterna, haverá alguns dias em que sairão dois capítulos. Um ao início do dia e outro às 20 horas. Espero que não se zanguem.




Deixo-vos com a minha última foto. Como vêm o olho está quase tão aberto como o outro.
Só que não vê.



23.4.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE XXX


Tomou um duche, que a revigorou. Enrolou uma toalha no corpo, escovou os belos cabelos e deixou-os soltos sem os secar. Vestiu um curto e florido pijama de algodão, enfiou um robe azul, calçou uns chinelos, e foi para a cozinha. Abriu o frigorífico, procurou alguma coisa para cozinhar, mas os dias de trabalho intenso, tinham-na impedido de ir às compras pelo que o frigorífico estava praticamente vazio. Foi até ao quarto, pegou no telemóvel, e pediu uma” pizza”. Pouco depois a campainha tocou. Paula pegou na carteira e dirigiu-se à porta. Espreitou pelo óculo pensando tratar-se do entregador de “pizzas” e surpreendeu-se ao ver quem estava do outro lado. A campainha soou de novo enquanto ela hesitava se abria ou não a porta, mas o segundo toque acabou por convencê-la. Aconchegou o robe ao peito e abriu a porta.
-Boa noite. Posso entrar?
Como resposta ela afastou-se para lhe dar passagem, fechou a porta e encaminhou-o até à sala dizendo:
- Não te esperava.
- Talvez devesse ter avisado. Mas se o fizesse será que me recebias?
- Talvez não. Não costumo receber visitas em casa, a não ser de familiares. Mas senta-te. Queres beber alguma coisa?
- Não, obrigado
- Então dá-me cinco minutos por favor! Volto já.
Deixou-o só e dirigiu-se ao quarto, onde trocou rapidamente de roupa. Já era embaraço suficiente receber o empresário em sua casa. Mas recebê-lo de roupa de dormir, era demais.
-Bom, - disse ao entrar na sala envergando um conjunto de calça e túnica. – O que é tão urgente que não podias, guardar para amanhã?
António abriu a pasta e retirou um envelope que ela reconheceu.
- Amanhã é o último dia do mês. O teu pai deverá estar no meu escritório às onze horas. Vou ficar em Sintra esta noite e não penso ir amanhã ao escritório. Vim trazer-te todos os documentos da firma do teu pai bem como o resgate da hipoteca, e um cheque que deve cobrir as necessidades imediatas da empresa.Com o resgate da hipoteca e esse cheque, ficarão liquidados todos os prejuízos que ele terá tido por minha causa. Peço-te que lhos entregues amanhã de manhã. Diz-lhe que a partir de agora, está por sua conta, eu não voltarei a interferir nos seus negócios.
- Desististe da vingança, mas não perdoaste. Por isso não o queres ver, - disse ela
-Desisti da vingança por ti. E também pela Cidália, porque me disseste que foi para ti a melhor das mães, e pelo Miguel que tanto te ama.
 - Que sabes do Miguel? Nunca te falei dele.
- O meu sobrinho Pedro é o seu melhor amigo, e os amigos falam uns dos outros. O teu irmão, não esconde de ninguém o amor e a admiração que tem por ti. Por vocês desisti. Pelo teu pai, não o teria feito. Talvez um dia eu consiga esquecer o que me fez sofrer e o possa perdoar. Mas por enquanto não consigo, e por isso não quero voltar a vê-lo.
Tocaram a campainha e Paula levantou-se.
-Desculpa, tenho que ir abrir, tinha encomendado uma “pizza” para o jantar. Deve ser o empregado da pizaria.
Era mesmo o jovem, com a “pizza”. Paula pagou, fechou a porta e foi colocar a caixa na cozinha voltando de seguida à sala.
- Porque não me contas, o que o meu pai te fez?- perguntou.
- Porque és demasiado importante para mim, e não te quero envolver nesta história. Estive em Sintra esta tarde. Pensei que ainda te encontrava, mas segundo Alice tinhas saído há um quarto de hora. Fizeste um trabalho fantástico. Sei que vais lá estar amanhã, mas tinha que resolver este assunto hoje. Por isso vim.



E com o comentário da Ailime chegámos aos 40.000

5.9.18

FOLHA EM BRANCO - PARTE XLIV




O sol brilhava, naquele dia de Natal, embora estivesse bastante frio.
No seu quarto, Mariana acabara de se arranjar, disfarçando com o corrector os círculos arroxeados que lhe circundavam os olhos e davam conta da noite mal dormida. Escolheu  umas calças de fazenda preta, e uma camisola de gola alta da mesma cor. Completava a indumentária com umas botas também  pretas. O cabelo estava de novo entrançado. Parecia mais alta, mais estilizada a figura.
E Miguel? Por onde andaria? - Interrogava-se.
Quando meia hora antes se levantara, ele já não estava em casa.
“Volto logo” era tudo o que estava escrito no bilhete preso na porta do frigorífico.
Arrumou o quarto, apanhou do chão o belo vestido preto, que levou para o cesto da roupa suja, e dirigiu-se à sala, onde deu início à tarefa de arrumação da mesma, pois se encontrava com loiças, frutos e restos de velas, testemunho da noite anterior.
Pouco depois ele chegou.
- Bom dia. Vim buscar-te, para almoçar.
Assim, tranquilamente, como se não tivesse acontecido nada na noite anterior. Sentiu-se frustrada, enraivecida, com vontade de o arranhar. Mas era preciso que ele não percebesse.
-Bom dia Miguel. Faz muito frio lá fora?- Perguntou aparentando uma naturalidade que não sentia.
- Bastante. É melhor ires bem agasalhada.
- Está bem. Não me demoro.
Entrou no quarto, deixando o homem perplexo. Estava tão diferente da mulher apaixonada da noite anterior. Decerto nem se lembrava do que tinha dito horas antes ali mesmo. O que provava, que ele estava certo. Tinha que sufocar aquela lembrança e fazer por esquecer.
- Estou pronta. Podemos ir.
Tinha vestido um grosso casaco de fazenda e na cabeça, um gorro de lã, dava maior graciosidade ao seu rosto.
Já na rua, seguiram em direção ao carro.
- Pensei que almoçávamos aqui mesmo no bairro.
- Neste dia há poucos restaurantes a funcionar. Vamos almoçar a Cascais, já fiz a reserva há mais de quinze dias. Depois damos uma volta até Sintra. Toda aquela zona é muito bonita e o sol convida.
Não respondeu.
- Não dizes nada? Não te agrada?
- Sim claro, - respondeu sem entusiasmo.  
O silêncio instalou-se entre eles, acompanhando-os  na viagem o resto do trajecto.


Informando os amigos. 
Hoje fui buscar os resultados dos últimos exames médicos. A consulta está marcada para dia 11.
Também retomei os tratamentos de fisioterapia, e tive a neta comigo. O que me deixou sem tempo para a blogosfera.
Retomarei as visitas normais amanhã.