Casaram quarenta dias depois, precisamente cinco dias
antes do Natal, na Segunda Conservatória do Registo Civil de Lisboa. O dia
amanhecera com muita chuva, o que levou Natália a prognosticar um casamento
muito feliz, pois toda a vida se ouvira dizer que "boda molhada é boda
abençoada." Marcada a cerimónia para o meio-dia, Isabel acabou aceitando o carro
de luxo que Ricardo mandou para a ir buscar, já que em dias de chuva, era
impossível conseguir o táxi, em que ela pretendia chegar ao local com Natália e
a menina.
O noivo vestia um impecável fato azul-escuro, camisa
branca, e gravata cinza. A noiva um vestido curto, simples e elegante e
um casaco do mesmo tecido.
Na mão um mini ramo de flores onde predominava o verde, símbolo da esperança que tinha, em que o passo que estava a dar, fosse na direção de um futuro feliz.
Na mão um mini ramo de flores onde predominava o verde, símbolo da esperança que tinha, em que o passo que estava a dar, fosse na direção de um futuro feliz.
Se eles ficaram perplexos com aquele casamento relâmpago, não se manifestaram. O bom humor do patrão, era sinal evidente de que estava feliz e isso era o que lhes interessava. Depois da cerimónia, os noivos receberam os cumprimentos do representante do Governo Civil, das testemunhas e demais presentes. Todos tinham sido dispensados do trabalho naquele dia, mas ao despedirem-se, Sérgio o empregado mais antigo disse:
-Eu fico. Levo-os para onde me disserem. Decerto não ia
deixar-te conduzir a limusina no dia do teu casamento.
- Tão amável. Estás a pensar pedir-me um aumento? –
perguntou sorrindo Ricardo.
-Como é, que adivinhaste? – respondeu Sérgio rindo.
Era uma brincadeira, e Isabel pensou que um patrão com uma relação tão próxima e amigável com os seus empregados, só podia ser boa pessoa. De resto, durante o tempo que mediou entre a sua aceitação do casamento e aquele momento, Ricardo nunca lhe dera motivo para se arrepender. Fizera-a sentir-se, como a pessoa mais importante da vida dele. E o carinho com que tratava a menina, era impressionante. Era como se ela fosse realmente sua filha.
Ao chegarem à porta, verificaram que continuava a chover.
Ao chegarem à porta, verificaram que continuava a chover.
-Esperem aqui enquanto vou buscar o carro - disse Sérgio
desatando a correr sob a chuva.
Ricardo colocou o braço sobre os ombros de Isabel e
sentiu-a tremer.
-Tens frio?- perguntou-lhe
- Não – murmurou
Ele olhou para trás, e viu Artur que pegava na menina
adormecida que Natália tinha ao colo.
Inclinou-se para Isabel e disse-lhe quase ao ouvido:
- Parece que a Natália e o Artur se entendem muito bem.
Ainda acabam juntando os trapinhos.
Nesse momento a limusina parou em frente a eles e os
quatro adultos com a criança apressaram-se a entrar.
