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21.6.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE XXIX



Casaram quarenta dias depois, precisamente cinco dias antes do Natal, na Segunda Conservatória do Registo Civil de Lisboa. O dia amanhecera com muita chuva, o que levou Natália a prognosticar um casamento muito feliz, pois toda a vida se ouvira dizer que "boda molhada é boda abençoada." Marcada a cerimónia para o meio-dia, Isabel acabou aceitando o carro de luxo que Ricardo mandou para a ir buscar, já que em dias de chuva, era impossível conseguir o táxi, em que ela pretendia chegar ao local com Natália e a menina.
O noivo vestia um impecável fato azul-escuro, camisa branca, e gravata cinza. A noiva um vestido curto, simples e elegante e um casaco do mesmo tecido.
Na mão um mini ramo de flores onde predominava o verde, símbolo da esperança que tinha, em que o passo que estava a dar, fosse na direção de um futuro feliz.
  Tiveram por testemunhas o ex-inspetor Artur, e Natália, a amiga, vizinha e considerada como família por Isabel e pela “filha”. Estiveram também presentes os motoristas e Glória a secretária de Ricardo. Os seus homens, como ele costumava dizer quando se referia aos seus empregados, tinham por ele uma estima que ia muito além da relação patrão empregado, pelo que não houve como não convidá-los a assistirem à cerimónia, embora lhes tivesse explicado que não haveria festa por desejo expresso da noiva que se encontrava de luto. Era uma desculpa, pois já fizera um ano que Susana se suicidara, mas ele não ia dizer-lhes que a noiva assim o exigira.  
 Se eles ficaram perplexos com aquele casamento relâmpago, não se manifestaram. O bom humor do patrão, era sinal evidente de que estava feliz e isso era o que lhes interessava. Depois da cerimónia, os noivos receberam os cumprimentos do representante do Governo Civil, das testemunhas e demais  presentes. Todos tinham sido dispensados do trabalho naquele dia, mas ao despedirem-se, Sérgio o empregado mais antigo disse:
-Eu fico. Levo-os para onde me disserem. Decerto não ia deixar-te conduzir a limusina no dia do teu casamento.
- Tão amável. Estás a pensar pedir-me um aumento? – perguntou sorrindo Ricardo.
-Como é, que adivinhaste? – respondeu Sérgio rindo.
Era uma brincadeira, e Isabel pensou que um patrão com uma relação tão próxima e amigável com os seus empregados, só podia ser boa pessoa. De resto, durante o tempo que mediou entre a sua aceitação do casamento e aquele momento, Ricardo nunca lhe dera motivo para se arrepender. Fizera-a sentir-se, como a pessoa mais importante da vida dele. E o carinho com que tratava a menina, era impressionante. Era como se ela fosse realmente sua filha.
Ao chegarem à porta, verificaram que continuava a chover.
-Esperem aqui enquanto vou buscar o carro - disse Sérgio desatando a correr sob a chuva.
Ricardo colocou o braço sobre os ombros de Isabel e sentiu-a tremer.
-Tens frio?- perguntou-lhe
- Não – murmurou
Ele olhou para trás, e viu Artur que pegava na menina adormecida que Natália tinha ao colo.
Inclinou-se para Isabel e disse-lhe quase ao ouvido:
- Parece que a Natália e o Artur se entendem muito bem. Ainda acabam juntando os trapinhos.
Nesse momento a limusina parou em frente a eles e os quatro adultos com a criança apressaram-se a entrar.