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8.6.19

UM PRESENTE INESPERADO -PARTE XVII




Três dias depois, Ricardo telefonou ao seu amigo Artur. Disse-lhe que precisava de um conselho e convidou-o para jantar com ele nessa noite.
Às oito horas, como combinado encontraram-se no café-restaurante, na mesma rua onde se situava a sua empresa. Cumprimentaram-se e depois escolheram uma mesa um pouco afastada, onde podiam conversar mais à vontade. Mal se sentaram, o empregado apareceu. Escolheram o prato e quando ele se afastou com o pedido, Artur perguntou:
- Que se passa? Descobriste alguma coisa sobre o teu irmão?
- Nem tentei. Os meus pais eram ambos filhos únicos, e uma vez que tanto eles, como os seus pais, meus avós já morreram, a única hipótese da menina ser da minha família, é ser filha dele. Não sei como nem onde, mas aqueles dois tinham que se ter encontrado. De resto, pensando na Susana pela carta de despedida que ela deixou, e conhecendo o João, diria que ambos se moviam nas mesmas águas do ódio, revolta e inveja. Acontece que eu não deixo de pensar naquela menina. É minha sobrinha e gostaria de cuidar dela e lhe dar um bom futuro.
-E porque não o fazes? Oficialmente é tua filha.
-A sua tia não ma entregaria, e eu não quero entrar na justiça. Não seria justo com elas. A menina nunca conheceu outra mãe. Já pensei abrir uma conta em seu nome e depositar uma verba para quando atingir a maioridade ir para a Universidade. Mas até atingir essa idade, ela precisa de tudo, pois segundo o teu relatório, a tia está desempregada. Que me aconselhas?
-Casa-te com ela.
-Estás doido?
-Porquê? É a solução ideal. A menina será criada pelos dois, como pai e mãe. Sei o que te aconteceu há anos, e sei o que pensas em relação ao casamento. Conheço-te desde que andavas de bibe. Mas Isabel, não é como Ivone. Não te vai convencer a casar, serás tu quem terá de a convencer. Não te irá trair, pois não tem namorado, nem é jovem de amizades masculinas, toda a gente na rua, me deu as melhores informações dela. Além disso, nenhum dos dois está apaixonado, mas ambos querem o melhor para a criança. Será um casamento de conveniência, ninguém engana, ninguém vai enganado. Acredita é o melhor que podes fazer.
- Não era essa a solução que esperava me desses.
-Eu sei. Mas se pensares bem, não é só a melhor solução. É a única, uma vez que não serias capaz de recorrer à Justiça para separares as duas. Pelo que descobri nas minhas investigações, ela é capaz de fazer qualquer sacrifício pela menina. E tu tens quase  quarenta anos, ainda és jovem, mas os anos passam a correr. Um dia começas a sentir o peso da solidão. Olha para mim. Pouco tempo depois de ter entrado na polícia, o meu colega foi morto quando procedíamos a uma investigação na Cova da Moura. Fiquei muito traumatizado. Podia ter sido eu, pois segundos antes, era eu que estava naquele sítio. Na altura pensei que o mesmo me podia acontecer a qualquer momento e que não tinha o direito de arrastar uma mulher e possíveis filhos para um tal destino. E decidi ficar solteiro. Todavia agora, dava qualquer coisa para ter uma companhia. E sabes de uma coisa? Se uma certa senhora me der uma oportunidade, não morro sem ir ao altar.
O empregado veio servi-los e os dois começaram a comer em silêncio, ambos embrenhados nos seus pensamentos.
Mais tarde, terminada a refeição, quando se despediram, Artur voltou a dizer.
-Pensa no que te disse. É a melhor solução.
-Vou pensar –retorquiu ele.



17 comentários:

noname disse...

Para grandes males, grandes remédios eheheheh

Bom fim de semana, Elvira

Teresa Isabel Silva disse...

Tenho que ler os capítulos para trás, pois já vi que perdi muita coisa!

Bjxxx
Ontem é só Memória | Facebook | Instagram

Sandra May disse...

É, a solidao nao faz bem a ninguém. Ainda mais no caso do Ricardo, que teve uma vida emocional complicada...as questoes de familia, a pobreza, o irmao gemeo afastadp dele...e Isabel tambem é sozinha com a responsabilidade pela crianca. Junte os dois, Elvira!
Um abraço e bom final de semana!

Joaquim Rosario disse...

Bom dia
Pois é , mas para haver casamento , em principio tem de haver acordo mutuo para um casamento por conveniência , e depois quem sabe com o andar da carruagem se crie ali um clima mais amistoso , para que os três venham a constituir uma família feliz .
JAFR

Os olhares da Gracinha! disse...

Uma boa convers ajuda quase sempre! Bj

Maria João Brito de Sousa disse...

Poucas coisas me conseguem repugnar mais do que um casamento de conveniência e, no entanto, a Elvira dá aos que engendra um toque de naturalidade e uma reviravolta tal que acabam sempre numa bonita história de amor...

Bom fim-de-semana e um abraço muito amigo.

teresa dias disse...

Hum, gostei do conselho do Artur.
Beijo Elvira, bom fim-de-semana.

Isa Sá disse...

A passar para acompanhar a história e desejar bom fim de semana!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Tintinaine disse...

Já temos casamento à vista. Depois vem o romance e acontece o amor.
Tudo com a maior naturalidade.

chica disse...

Uma solução,não a sonhada, mas que creio será a solução e assim, vamos nos esperando! beijos, chica

Janita disse...

Não seria algo inédito que, nos contos da Elvira, houvesse uma união, não por amor, mas tendo em vista o interesse e bem-estar de crianças e, depois, resulte num profundo e verdadeiro amor. Quanto a mim, podem ser estas uniões, as mais sólidas e duráveis.

Um abraço e bom fim-de-semana.

Edumanes disse...

Se Ricardo me tivesse pedido, o que pediu ao seu amigo Artur, acerca do que fazer para, poder, ajudar a menina, sem recorrer à justiça. Dá-lhe o mesmo conselho que Artur lhe deu!

Tenha um bom fim de semana amiga Elvira. Um abraço.

Cidália Ferreira disse...

A ideia não é má, resta saber se ela aceita!

Corpos unidos sentindo bater o coração
Beijos e um excelente fim de semana.

aluap disse...

Que pena se a solução fôr um casamento de conveniência.
Bom fds.

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Vamos ver se Ricardo aceita esta sugestão um pouco arriscada.
Estou a gostar imenso.
Um beijinho,
Ailime

Gaja Maria disse...

Quem sabe ele acaba por concordar :)

Lúcia Silva Poetisa do Sertão disse...

Uma ótima solução, principalmente para garantir o futuro da criança. Acredito que a tia irá concordar!
Beijos!