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19.6.19

UM PRESENTE INESPERADO -PARTE XXVII


Lentamente dirigiu-se à cozinha. Preparou um biberão para a “filha”. A pediatra dizia que já não devia dar-lho durante a noite, mas cada vez que ela tentava seguir essas instruções, Matilde fazia tal gritaria quando acordava a meio da noite, que ela temendo acordar o prédio inteiro, tinha que ir preparar e dar-lhe o biberão. Assim tinha decidido que ia manter aquele “ritual” pelo menos até aos dois anos. Dava-lho perto da meia-noite, antes de se deitar. E dormia descansada toda a noite.
Enquanto o preparava, pensava no que acontecera naquela noite. Aquele casamento ia decerto causar-lhe grandes dissabores. Ricardo era demasiado atraente para que não o desejasse, e a menos que ele se mostrasse uma pessoa sem princípios, iria decerto apaixonar-se por ele. Afinal ela era uma mulher muito só e extremamente carente. O beijo que trocaram naquela tarde, deixara-lhe o sangue em ebulição. 
O problema é que ele lhe dissera que não acreditava no amor, e apenas pretendia casar-se para dar uma família à menina e ter quem lhe espantasse a solidão quando envelhecesse.
E podia ela contentar-se com isso se viesse a apaixonar-se por ele?
Acreditava, que tal como ele dissera, duas pessoas podiam viver juntas, unidas pela amizade, companheirismo, e respeito mútuo, se nenhuma delas se apaixonasse pela outra. O amor é um sentimento muito carente. Necessita ser correspondido, caso contrário, torna-se infeliz e perde a vontade de viver, arrastando quem o sente. Porque ao contrário do que diz o poeta, ninguém pode amar por dois.
Todavia agora a decisão tinha sido tomada, não havia nada a fazer. Não era pessoa de voltar atrás quando decidia algo, por isso o melhor era tentar esquecer os seus receios e preparar-se para que o futuro fosse o melhor possível para os três.
“Ah! Susana, Susana, porque foste fazer tão grande disparate? Porque não procuraste ajuda, e não confiaste em mim? “
Pegou o biberão, foi ao quarto, pegou a menina ao colo, tirou-lhe a chucha e meteu-lhe a tetina na boca. Matilde começou imediatamente a sugar o leite, só parando quase mesmo no fim. Isabel, pousou o biberão, esperou que a menina regurgitasse, deu-lhe de novo a chupeta, meteu-a na cama, aconchegou-lhe a roupa e apagando a luz saiu do quarto. Era um ritual que executava todas as noites sem que Matilde acordasse.
Olhou o relógio. Meia-noite e dez. Foi à casa de banho, lavou os dentes, retirou os ganchos que lhe prendiam o cabelo, despiu a roupa que enfiou no cesto da roupa suja, vestiu um pijama de flanela, com desenho de ursinhos e mirou-se no espelho. Pensou que antes do casamento teria de comprar alguma roupa nova. Aquele pijama por exemplo era confortável, mas o seu corte masculino, e o padrão infantil, não tinha nada de feminino.
Fez uma careta para a imagem que o espelho lhe devolvia e foi-se deitar.
Desejava adormecer rapidamente a fim de esquecer a embrulhada em que estava metida, porém os primeiros alvores da madrugada encontraram-na ainda às voltas com os seus pensamentos.


16 comentários:

Tintinaine disse...

Hoje fui o primeiro a chegar. Leitura do fim do dia, antes de ir para a caminha. Coitada da noiva que não sabe onde se meter!

noname disse...

Jogar no escuro, é isso mesmo, não saber que jogo sairá, num instante pode ganhar ou perder tudo.

Boa noite, Elvira

Emília Pinto disse...

Querida Elvira, já há muito não vinha aqui e demorei uma meia hora a " pôr a leitura em dia" . Fiquei contente por saber que os teus olhos estão a melhorar, que o teu cunhado também está a recuperar e que os exames do teu marido deram negativos. Boas noticias, Amiga. A história está muito interessante, como sempre, mas ao lê-la tive a impressão que já a conhecia, mas estou enganado; já explicaste lá trás que é nova. Bem...então, aguardemos os próximos capitulos. Beijinhis, Elvira e boa noite.
Emilia

Pedro Coimbra disse...

Quer mas tem medo.
Isso passa.
Abraço

Maria João Brito de Sousa disse...

Passando para acompanhar o desenrolar da história, deixo-lhe um forte abraço, Elvira.

Joaquim Rosario disse...

Bom dia
Eles não sabem muito do passado amoroso de cada um , e por isso estão um tanto duvidosos em relação ao futuro , mas como já disse , o aconchego da lar vai com certeza trazer mais intimidade e fazer com que se conheçam melhor .
JAFR

isabel disse...

Cada vez mais interessante...

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar com interesse, aproveito para desejar a continuação de uma boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

teresa dias disse...

Hoje soube-me a pouco...
Estou curiosíssima!
Beijo.

chica disse...

Certamente a vida dela há de mudar..até o pijama de ursinhos😂😂
Gostando muito e torcendo...😘😘chica

esteban lob disse...

Aparte de lo interesante de la historia, creo que "Um presente inesperado" es un gran título, Elvira.

¡Qué sigan los progresos en tus ojos y la salud de tu familia!

rosa-branca disse...

Estou encantada e curiosa, mas claro que esta história de suspense decerto vai acabar bem e muito felizes. Valha-noa a Elvira para adoçar um pouco a crueldade da vida. Estou a adorar. Beijinhos amiga😘😘😘😘

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Isabel parece confusa,com dúvidas, mas talvez a apaixonar-se...
Continuando a acompanhar com interesse.
Beijinhos,
Ailime

Edumanes disse...

Está cada vez mais interessante. Se não houver nenhuma reviravolta contrária ao acordo de casamento. Qualquer dia estarão unidos para sempre?

Tenha uma boa noite amiga Elvira. Um abraço.

Sandra May disse...

Ricardo parece um homem de bom caráter. Penso que fará Isabel e Matilde felizes, assim como elas serão a felicidade dele. Enfim, uma família!

Lúcia Silva Poetisa do Sertão disse...

Vai ser uma relação com grandes emoções e revelações de sentimentos!
Beijos!