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20.6.22

MEDO DE AMAR - PARTE XXI

 


Quando o carro parou à porta de casa da jovem, Fernando saiu do carro e acompanhou-a à porta, mas quando ela se voltou para lhe estender a mão, ele passou-lhe uma mão pela cintura, atraiu-a a si e baixando a cabeça beijou-a.  Foi um beijo suave, cheio de ternura, não o beijo apaixonado que gostaria de lhe ter dado, todavia ele sabia que que se queria ter sucesso na difícil tarefa de ganhar o seu coração tinha que ter paciência. Por isso soltou-a.

-Até amanhã. Não te peço que sonhes comigo, mas pensa com carinho em tudo o que te disse.

Esperou que ela entrasse em casa e só então virou costas e dirigiu-se ao seu automóvel.

Laura entrou em casa e encontrou-a às escuras e em silêncio, sinal de que os seus filhos e os avós já dormiam.  Subiu as escadas, mas antes de entrar no seu quarto, passou primeiro pelo quarto de Miguel, depois pelo de Sara. Depois de verificar que os filhos dormiam tranquilamente, entrou então no seu quarto e dirigiu-se à casa de banho onde trocou a roupa que vestira, pelo pijama, escovou os dentes e os cabelos, apagou a luz e foi para a cama.

Estava cansada, tinha que se levantar cedo, mas apesar disso levou muito tempo para adormecer, relembrando tudo o que acontecera naquela noite.  Principalmente tudo o que Fernando lhe dissera e o beijo que mal lhe aflorara os lábios, mas que apesar disso não conseguia esquecer.

E pela primeira vez desde há mais de três anos, esqueceu da sua habitual conversa com o falecido antes de adormecer.

Apesar de ter adormecido tarde, acordou cedo. Saltou da cama, tomou o duche matinal, vestiu-se, prendeu o magnífico cabelo loiro num carrapito. Não se maquilhou, há anos que não o fazia a não ser para um jantar especial, ou no casamento do irmão, apenas passou um corretor para atenuar as olheiras que denunciavam a noite mal dormida.

Saiu do carro e dirigiu-se à cozinha a fim de preparar os pequenos almoços. Pouco depois os pais juntavam-se-lhe.

Depois de comer um iogurte e engolir uma chávena de café, Laura deixou os pais a comer e foi chamar a filha. Depois foi acordar o filho, vestiu-o, calçou-o, e levou-o para a cozinha a fim de lhe dar a taça de cereais que ele costumava comer de manhã.

Três quartos de hora depois estavam todos prontos para saírem de casa. Laura disse aos filhos que se despedissem dos avós que iam para casa, depois meteu o filho na sua cadeirinha e enquanto Sara se sentava ao lado do seu irmão, Laura abraçava os pais e recomendava ao pai que não exagerasse na velocidade e à mãe que telefonasse assim que chegassem a casa pois ficava em cuidado.

Terminou desejando-lhes boa viagem, entrou no seu carro e acenando um último adeus, pôs o carro em movimento dirigindo-se primeiro à creche para deixar o filho e depois à Escola a fim de deixar a filha. Olhou o relógio. Tinha que abrir a clínica às nove, não sabia se conseguiria chegar a horas. Tudo dependia da intensidade do trânsito. Provavelmente no dia seguinte teria que sair de casa uns dez minutos mais cedo.

3.4.20

DIVIDA DE JOGO - PARTE XXIII

Epílogo

Giovanna, acabara de prender o véu nos cabelos de Eva, quando Isabella entrou para dizer que a limusina já tinha chegado. Eva  ainda não sabia onde ia ser o casamento. André fizera questão de manter o segredo para surpreendê-la, e ninguém na família quisera quebrar a ordem.
Nunca, nem nos seus sonhos mais românticos, ela sonhara viver, como vivera aqueles dez dias. Dois dias antes, chegara o resto da família, que viera de Itália, bem como toda a família portuguesa, que vivia em Braga. E todos sem exceção a acolheram com todo o carinho. Na última noite, André fora dormir no hotel, donde seguiria para a igreja, com a família. Com ela ficaram a futura cunhada Giovana e Isabela, a sobrinha mais velha, filha de Pietro, para a ajudarem a preparar-se para a cerimonia. Agora, seguiam a caminho do local onde o casamento se  realizaria.
Quando a limusina parou junto do portão do orfanato, e viu os portões abertos, guardados por dois seguranças, e o grupo de meninos, rigorosamente vestidos, segurando folhas de palmeira formando um arco para ela passar, a emoção foi tão grande que quase não conseguia andar.
O sogro aproximou-se e deu-lhe o braço para a conduzir à capela, em cujo altar André aguardava ansioso.
Para Eva tudo era um sonho. As meninas todas vestidas a rigor, (saberia mais tarde que tinha sido o noivo e os seus pais, que tinham oferecido as roupas às crianças do orfanato) aguardavam-na perto da capela, muito compenetradas do seu papel de damas de honor, a Irmã Maria interpretando Avé – Maria, de Schubert. André, no altar, de olhos brilhantes e sorriso rasgado, ladeado pelo irmão e cunhada, que iam ser os seus padrinhos, a capela engalanada, a Irmã Madalena no altar, acompanhada de um tio de André, que se seriam os  padrinhos dela. 
A cerimonia decorreu de forma muito emotiva. Quando o padre, os declarou marido e mulher e disse ao noivo que podia beijar a noiva, o beijo foi tão intenso, que todos os presentes aplaudiram. O copo-de-água, no refeitório do orfanato, totalmente engalanado, a alegria das crianças, tudo contribuiu para um dia excecional que ela não esqueceria nem que vivesse várias vidas. Por fim, a emocionada despedida da Irmã Madalena, que só voltaria a ver quando viessem de férias a Portugal e da sua nova família, que iria reencontrar na Toscana, quando voltassem da lua-de-mel, cujo destino ela ainda desconhecia, mas a julgar pelo que vivera até ao momento, seria a continuação de um belo sonho, disso não tinha dúvidas.



 Fim 

Elvira Carvalho

                                      INFORMANDO

Para quem me lê há pouco tempo, devo dizer que as minhas histórias quase todas partem de um assunto que não me agrada, e para o qual quero chamar a atenção, nesta por exemplo, o tema era os malefícios do jogo (lembro-me da minha avó contar uma história de um homem que perdeu a casa e a mulher numa mesa de jogo, nos anos trinta do século passado) e do branqueamento do dinheiro, de atividades ilícitas, através do jogo. À volta desses dois temas criei esta história. Noutras o tema foram a fome, a guerra e os mutilados por bombas em África, a guerra no Afeganistão, a traição entre casais, a inseminação através de esperma de um dador anónimo, a violência doméstica, e as suas consequências na vida adulta das crianças que a sofreram, os acidentes por alcoolismo, etc. 
 As exceções são a "Rosa", retrato de uma época entre 1945 e 1975, que tentei retratar o mais fiel possível, (assisti a muitas das situações lá descritas), bem como em "As Cores do Amor," uma história romanceada entre 1973/1975 onde se descreve o antes e depois do 25 de Abril e o despoletar da guerra em Luanda, que vivi nesse tempo. O "Casamento por Procuração", retrato de uma época entre 1960/1974  cheia destes casamentos, e onde se lembram as fugas de salto para França e as condições quase sub-humanas em que viviam os emigrantes portugueses nos Bidonville, e "Renascer," 1971/1974 todas elas parte da nossa história no século passado. 
Posto isto, resta-me acrescentar que desta vez exagerei no romantismo. Na verdade agi como a fada madrinha para Eva.
Afinal, dizem que quando a idade pesa mais do que nós, ( e eu já estou nessa fase) voltamos a ser crianças. E elas acreditam em fadas.
Agradeço a vossa compreensão.


A nova história tem apenas um capítulo pronto e eu não gosto de fazer publicações antes de entrar na reta final. Por isso e como alguns me pediram "À Média Luz", escrita na mesma época de Dívida de Jogo" será essa que entra para a semana.


17.2.20

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE XXXIX




- Chegou a hora de me despedir!
Ela estremeceu e largou o pincel. 
Aquela frase, foi como uma faca rasgando-lhe o peito apesar de não ser de todo inesperada.
Desde a véspera, que Luísa sentia a luta que ele travava consigo mesmo, e intuía que a sua partida estava eminente. 
Uma semana se passara, desde aquela terrível noite de tempestade, em que ele chegara meio morto à sua porta. 
Sete dias de convívio diário que  mudaram  a sua vida para sempre. 
Inicialmente cuidara daquele homem, pois ele estava meio inconsciente e completamente vulnerável. Faria o mesmo com qualquer outro ser humano que necessitasse, fosse criança, ou idoso, ou até  mesmo por um animal, (afinal fora assim que ganhara a companhia de Tejo, quando o encontrara abandonado, maltratado e meio morto de fome).
Porém desde o primeiro momento em que ele recuperou a consciência, ela sentiu a forte atração que os uniu. Há muitos anos que se tinha imposto a si mesma uma vida de solidão e até então, nunca se tinha sentido infeliz com essa opção. Porém tudo mudou depois que ele chegou. Era  um homem muito atraente, mas era também educado, simpático, e adivinhava-se carinhoso, pela maneira com que a tratava. 
E embora sabendo que era uma loucura, o desejo de o ter mais tempo consigo, foi crescendo, hora a hora. Sabia que de um momento para o outro, ele podia recuperar a memória, e partir. E ela não era tão egoísta  que desejasse o contrário, mas sim, desejava que não partisse enquanto a atual situação se mantivesse.
  Por isso, para o reter, lhe tinha pedido para posar para ela, e tinha começado a pintar o seu retrato havia três dias. Era como se através do quadro, pudesse perpetuar a sua presença junto dela. Se acreditasse em amor à primeira vista, diria que se tinha apaixonado por ele desde o primeiro momento. Ou talvez fosse apenas atração sexual.  Afinal há mais de doze anos que não sentia o carinho de umas mãos de homem acariciando o seu corpo. Todavia  desde a véspera, ela sentia que a sua partida estava eminente.
- Mas para quê partir, se não sabes para onde? Ou já te lembraste de alguma coisa?
- Não, de vez em quando passam-me imagens rápidas pela cabeça, como se
 fossem flashes fotográficos. Há uma em especial que surge muitas vezes. É um bebé, e sinto que há uma relação forte comigo, mas não consigo lembrar de mais nada.
- Provavelmente, as tuas memórias a quererem voltar à superfície. Mas então porque não ficas mais um dia ou dois? Pode ser que, entretanto, te recordes de tudo.
-Não posso, Luísa. Somos ambos, adultos o suficiente, para nos darmos conta da atração que exercemos um sobre o outro. Por vezes a tensão sexual entre nós é tão grande que quase pega fogo ao espaço que nos rodeia. Ou pelo menos é o que eu sinto, e, creio não me enganar, ao pensar que tu sentes o mesmo. Agora mesmo leio no teu olhar, o mesmo desejo que me consome e não posso nem devo pagar dessa maneira a tua generosidade. Não esqueço que se estou vivo a ti to devo, e eu nem sequer sei se sou um homem livre.
-Compreendo, - disse ela voltando os olhos para a tela, o coração dividido entre a dor que a invadia, pela partida eminente e a alegria de saber que os seus sentimentos eram igualmente sentidos por ele. E sentiu uma enorme tristeza, ao  pensar que em qualquer parte do país, poderia haver outra mulher que estaria em sofrimento, sem saber o que lhe tinha acontecido. 
- E quando pensas partir? - perguntou com voz tremente. 
- Logo após o almoço. Quantos quilómetros são daqui à vila? – perguntou.
- Penacova, fica a pouco mais de três quilómetros. Mas o que vais fazer quando lá chegares?
- Ainda não sei. Mas suponho que se me dirigir ao posto policial, de algum modo a polícia me poderá ajudar.
- Bom, então será melhor que eu vá tratar do almoço. Deixa-me só lavar os pincéis.


10.8.19

LONGA TRAVESSIA - PARTE XXI


As duas amigas acabaram o almoço, e dirigiam-se para o carro quando Mário lhes saiu ao caminho.
- Peço-lhe desculpa, D. Luísa, mas preciso de um minuto com a sua amiga. Tenho de esclarecer uma dúvida, sobre um dos vossos colegas.
Fulminou-o com o olhar. Voltou-se para a amiga.
- Esperas por mim no carro?Não me demoro
-Claro. Até já. Boas Festas, senhor
Teresa caminhou na sua frente, sentindo o olhar do homem sobre o seu corpo. Entrou no gabinete e voltou-se para o interrogar, mas antes de ter tido tempo, de articular uma palavra, viu-se aprisionada pelos seus braços fortes, e antes que pudesse protestar, sentiu-se beijada com paixão. Tentou lutar, mas o corpo não lhe obedeceu. Pelo contrário, como se tivessem vida própria, os seus braços ergueram-se e enlaçaram o pescoço masculino, os dedos mergulharam na sua cabeça numa carícia apaixonada.
Quando finalmente a largou, os seus olhos brilhavam de paixão.
- Sabes que posso processar-te por assédio sexual, não sabes?- Ela estava furiosa. Mais consigo própria, por se ter entregado daquele modo, do que com ele.
-Sei. Mas não o farás – disse sorrindo com carinho.
A segurança dele irritou-a ainda mais. 
- Eu não estaria tão segura.
- Escuta e se dissesses à tua amiga para se ir embora? Não achas que é tempo de esquecer o passado e pensar no futuro?
- Não. Não basta que me enlouqueças com os teus beijos, ou os teus arrependimentos tardios. Para me teres de novo, terás que ganhar a minha confiança, e garanto-te que não é coisa fácil. Graças a Deus, tenho boa memória.
Saiu batendo com a porta, e deixando o homem num mar de agitadas emoções.
 Entrou no carro, e desatou a chorar. Luísa pôs o automóvel em marcha e conduziu em silêncio, esperando que se acalmasse.
Quando por fim ela se calou, perguntou-lhe com suavidade:
- Estás melhor? Queres falar?
- Beijou-me
- E ficaste assim? Beija assim tão mal?
Teve que rir.
- És impossível. Mas és a melhor amiga do mundo, sabias?
- Pois, nunca mo disseste,- disse rindo. E mudando de tom – e agora? Que vais fazer? Porque até um cego vê que estás perdidinha por ele. E se ele quer uma oportunidade, porque não arriscas? Além do mais é o pai do Martim, e a presença de uma figura masculina faz muita falta a uma criança.
- Estás a empurrar-me para ele?
 Não tonta, é que dava-me jeito, uma amiga milionária, - disse Luísa rindo.



                                                

26.3.19

UM HOMEM DIVIDIDO - PARTE IX




-Não pai, não insistas. Não vou casar com um homem que não conheço, para te salvar da ruína.
Não te preocupa o facto de deixares a tua família na miséria?- perguntou o progenitor, levantando a voz alterado.
-Tenho algum dinheiro. Não muito, mas dá para recomeçares a tua vida. Ainda és um homem novo. Deixa que execute a hipoteca.
- Estás doida? Que sei eu fazer que não seja gerir a empresa?
- E pelos vistos não muito bem. Antigamente era uma empresa próspera, - retorquiu a jovem. - E não me venhas falar em crise. Esse homem começou com uma pequena imobiliária e em poucos anos é a maior do país.
- “Esse homem”, como tu dizes está determinado a deixar-me na miséria. Se eu fosse sozinho não me importaria muito, mas tenho mulher e um filho menor que precisam de mim.
Paula sentiu vontade de lhe dizer que o facto de ele ter bastante dinheiro quando ela era criança, não contribuiu em nada para que tivesse sido um pai atento e amoroso. Ela teria preferido menos brinquedos e mais carinho do pai. Mas pensou que não era hora de recriminações e limitou-se a perguntar.
-E o que tu lhe fizeste para que ele te queira arruinar?
- Pensas que é preciso ter feito alguma coisa para isso? Esta gente não precisa de motivo para que pise todos os que estão abaixo deles e se apoderem daquilo que podem. Ou talvez quem sabe, se tenha apaixonado por ti e pense que é a melhor maneira de te vir a ter como esposa.
- Não sejas ridículo, nem me tentes enganar. Se esse homem quisesse uma mulher bastava estalar os dedos. Com a sua posição social, não lhe faltarão candidatas. Também não se pode ter apaixonado por mim, nem sequer nos conhecemos. E na remota hipótese de que isso tivesse acontecido, não usaria de tal subterfúgio. Trata-se como é evidente de uma vingança, por alguma coisa que lhe fizeste. Eu sei e tu também sabes embora nunca venhas a admiti-lo. De qualquer modo a minha decisão está tomada. Não contes comigo para isso. E agora se me dás licença, tenho muito trabalho para fazer. Porque embora o que eu faço, não tenha qualquer valor para ti, eu trabalho e muito. Dá um beijo por mim à Cidália e ao Miguel. Diz-lhe que no Domingo o vou buscar para ir ao cinema.
Dito isto sentou-se à secretária e começou a ler o documento que tinha na frente. Jorge permaneceu uns momentos calado, visivelmente desconcertado. Depois dirigiu-se para a saída, pôs a mão no puxador da porta, mas antes de a abrir, virou-se e disse:
- Pensa bem, filha. Não aconteça que mais tarde te arrependas, e carregues com o peso dos remorsos a vida inteira. Garanto-te que não é nada agradável, viver com isso.
Paula levantou os olhos e olhou o pai em silêncio, Depois sem pronunciar palavra voltou a concentrar-se nos papéis que tinha na sua frente.
Jorge rodou sobre os calcanhares, abriu a porta e saiu fechando-a com estrondo.

NOTÍCIAS
. Estive esta tarde a fazer exames médicos por causa do olho e as notícias não são de modo algum aquelas que eu gostaria. A retina mantém-se colada, mas a córnea continua muito maltratada. O Professor, diz que eu tenho um suporte de silicone que será para retirar numa nova cirurgia, se a córnea recuperar o suficiente para colocar a lente. Se isso não acontecer, só com transplante da mesma posso ter esperanças de voltar a ver como deve ser. Entretanto como há apenas um mês que fiz a segunda cirurgia, vamos ter esperanças que a córnea recupere até ao dia 14 de Maio, altura em que vou voltar a fazer exames e à consulta. Entretanto mandou parar com as gotas de antibiótico que estava a fazer e mudou para gotas de cortisona.


5.1.19

PORQUE HOJE É SÁBADO


O Meu cavalinho




Num cavalo de cartão
Eu corria à desfilada
Nos campos sem fim
Do sonho
Entre rios de alegria
E montanhas de inocência.

Nas asas da imaginação
Via desfilar
Perante os meus olhos
De criança
Searas de carinho
Pão de liberdade.

E o mundo corria
Pintado de esperança.

Hoje
O meu cavalinho
Jaz morto
Num velho armário
Sepultado
Como velho traste
Sem préstimo.
E diante de mim
Não desfilam mais
Sonhos de esperança
Pão de liberdade
Diluída a alegria
Em dor
Perdida a inocência
De criança
Em verdades de adulto.


Elvira Carvalho



Ontem, com o comentário da Maria João de Brito de Sousa, chegámos aos 38.000 comentários. Muito Obrigada a todos que contribuíram para este número. 



E já agora uma pergunta. Quem de vós vive em Angra do Heroísmo?

16.11.18

ESTRANHO CONTRATO - PARTE XXVII





Afonso, chegou a casa, à hora de jantar. As crianças que ouviram o carro vieram ao seu encontro, mal abriu a porta. Era um ritual que se repetia diariamente, e que lhe aquecia o coração. E apesar de naquele dia não ser diferente, ele notou algo estranho. João, sempre tão alegre, tão extrovertido, estava sério. Parecia ter chorado. Inquietou-se. 
- Meninas vão brincar. Quero falar com os manos.
Baixou-se e agarrou o menino.
-Que aconteceu? Choraste?
João respondeu com outra pergunta.
-Vais continuar a ser meu pai? Não vais virar estrelinha como o outro?
Percebeu o que acontecera. Inconscientemente pensou como reagiriam as filhas, quando soubessem a verdade sobre a mãe biológica.  Abraçou o menino com carinho.
-É claro que vou ser, sempre teu pai, filho.
- Obrigado, pai.
Sentiu um nó na garganta. Não fora João quem falara, mas sim o irmão. Era a primeira vez que Simão lhe chamava pai, depois de conviverem há quase um ano, e de ouvir o irmão, a chamar-lhe assim, quase desde o primeiro dia.  Passou-lhe a mão pela cabeça, numa caricia e disse:
- O pai ama-vos muito. Mas agora vão chamar as manas, e lavar as mãos, para irmos jantar.  
Ergueu-se emocionado. E só então reparou em Francisca.
-Ouviste? Chamou-me pai. Finalmente.
Acenou afirmativamente
- Sempre soube que o faria. Tinha-te dito, que tinhas de ser paciente. Compraste o que querias?
- Sim. Está tudo no escritório.
Olhou-a e sussurrou:
-Estás linda.
Estremeceu. Era a primeira vez que Afonso lhe elogiava a beleza. E fazia-o de uma forma apaixonada, intima. Que se passava? Era uma consequência da emoção anterior, ou o homem finalmente reparara nela?
As crianças, voltaram e todos foram para a mesa. O jantar decorreu animado como sempre. Quando se sentem amadas, as crianças esquecem depressa  qualquer coisa mais desagradável. E depois João  nascera após a morte do pai, nunca o vira a não ser por foto, apesar da mãe sempre lhe ter ensinado a amá-lo.
Depois do jantar, enquanto Francisca levantava as loiças da mesa e as punha na máquina, Afonso foi para a sala ver a árvore, e os garotos contaram ao pai, como tinham ajudado a decorá-la. Estavam entusiasmados com a festa que se aproximava, e a perspectiva das prendas que iriam receber. Mais tarde, Francisca reuniu-se-lhes dizendo que eram horas de ir lavar os dentes e dormir.
- Ajudo-te, - disse Afonso levantando-se e seguindo-os.

reedição



7.9.18

FOLHA EM BRANCO - PARTE XLVIII




Tinham-se conhecido, muitos anos atrás. Miguel tinha dezanove anos, era estudante. Olga, quarenta e era uma mulher  muito bela, alegre, que vivia dos favores que o seu corpo proporcionava aos homens. Ganhara fama a sua beleza, e era procurada pelos homens mais ricos da cidade. Mas também por jovens estudantes, que gastavam no seu leito, a maior fatia das suas mesadas. Miguel fora um desses estudantes.
Era muito novo, quase um rapazinho. Ele apaixonou-se pela bela mulher, que lhe ensinava todos os prazeres do sexo, despertando-lhe, sentidos e emoções, nunca antes experimentados.
Ela gostou do rapaz que a tratava com cuidado e carinho, fazendo-a esquecer-se da realidade da sua vida, para se sentir apenas uma mulher amada. Foi tão intenso, que Miguel, um sonhador com alma de poeta, como ela costumava dizer, chegou a pedir-lhe para ficarem juntos, mesmo que para isso  tivesse de abandonar os estudos, e ir trabalhar para a sustentar. Ela não se iludia. Sabia que mais dia, menos dia, Miguel ia encontrar alguém,da sua idade, e nunca mais punha os pés na sua casa.
E isso aconteceu, uns tempos depois, quando Miguel se apaixonou por uma colega na universidade. Lembrar-se-ia sempre, da tarde em que chegou com o ar mais sério do mundo, e lhe contou, pedindo-lhe desculpa, por ter traído o seu amor.
Para ela não foi nenhum drama. Nunca tivera ilusões. E aquilo, era o rumo natural da vida.
Pensou que ele nunca mais ia aparecer. Seria o que faria qualquer outro no seu lugar. Mas Miguel não era qualquer um. Era um ser especial como ela não conhecera outro na sua vida.
Apesar de nunca mais, se ter deitado  na sua cama, de vez em quando,  Miguel aparecia por lá. De manhã, sabendo que estava sempre sozinha nessa altura.
Conversavam um pouco, bebiam um chá e ia-se embora antes da hora  do almoço. E foi assim ao longo dos anos, antes e depois, dela ter largado a 
"vida", e se ter tornado uma simples e idosa dona de casa.
 Às vezes não aparecia durante um ano ou mais. Mas quando alguma coisa o incomodava, era com ela que ia desabafar. Como quando os pais morreram. Ou como agora.
- Não te atormentes. A história é totalmente diferente. Desde logo, porque uma mulher de vinte anos é muito mais madura, do que tu eras nessa idade. Não confunde sentimentos, sabe muito bem o que quer. Depois, nem tu nem eu nos amávamos, embora na altura pudesses ter pensado que sim. Tu ficaste deslumbrado, pela mulher mais velha, que te despertava os sentidos. Eu, gostava do  rapazito, que me tratava como se eu fosse uma princesa. Nada mais. 
Entre nós, nunca houve amor, Miguel. Atracção física, troca de experiências, um pouco de carinho, talvez. Mas, amor não. Nenhum de nós traiu o outro, porque não há traição, onde não há amor.
Anda, vai para casa. Escuta o teu coração. E se realmente, amas a rapariga, aproveita a oportunidade que a vida te dá e sê feliz. O tempo passa rápido, e quando damos conta, a vida está no ocaso como o sol no fim do dia.
Miguel não queria ir para casa, Não naquela noite. A tensão, a que obrigara o corpo, deixara-o de rastos. Estava muito cansado, sentia-se sem forças, não queria tomar uma decisão que ia mudar a sua vida naquele momento. Podia vir a arrepender-se.E traria mais sofrimento para a vida da jovem. Perguntou:
- Posso, ficar aqui, esta noite?
- Claro que sim. Vou buscar um cobertor que a noite está fria.
Quando voltou, já Miguel dormia estendido no sofá. Tirou-lhe os sapatos, estendeu sobre ele o cobertor, apagou a luz e retirou-se em seguida.







21.8.18

FOLHA EM BRANCO - PARTE XXIII






Mal saíram dali, Miguel levou a jovem directamente para a clínica.
O médico já não estava, mas a empregada ao ouvir o relato do que tinha acontecido, disse;
- O que relata, são sintomas de um ataque de pânico. Vou ligar ao Doutor, explicar a situação, e vamos ver se ele autoriza a marcação para amanhã, uma vez que já tem a agenda preenchida.
 Fez a ligação e depois…
- O doutor disse para virem amanhã às duas. As consultas começam às três, ele vai atendê-los antes.
- Muitíssimo obrigado. Até amanhã.
O resto do dia foi tão sombrio, como noite sem lua. Miguel estava muito preocupado. Questionava-se, sobre como devia agir. Denunciar a situação da jovem à polícia e esperar que eles tomassem uma decisão, quanto ao destino dela? Era o mais razoável. Mas, como explicar a demora na denúncia do caso,  e os mais quinze dias que levavam juntos? E como arrancar do peito, aquele sentimento, mistura de carinho e pena que a jovem despertara nele? Desde que os pais tinham morrido, que vivia sozinho. Aventuras amorosas, tivera muitas. Fugazes, sem consequências. Gostava da sua vida de boémio, de partir para qualquer lado quando lhe apetecia, sem se preocupar com nada, nem ninguém. Tinha vários amigos, ali, na cidade, como tinha em Lisboa. Pintores, escritores, escultores. Gente ligada às artes como ele. Alguns tinham ao longo dos tempos, encontrado alguém com quem dividiam a vida e os sonhos. Ele não. Nunca sentira nada tão avassalador por alguém que o levasse a ponderar deixar o celibato. E aos quarenta e cinco anos,  já não acreditava  possível, que tal viesse a acontecer.
Quando viu a jovem tão nova, tão frágil, completamente perdida, sentiu que tinha que ajudá-la. Era como se o céu lhe enviasse uma filha. Claro que pôs a hipótese de que em algum local, alguém podia estar em sofrimento por causa do seu desaparecimento. Mas todos os dias comprava o jornal, ouvia as notícias na rádio e não havia nenhum apelo, nenhuma foto, nenhuma notícia na rádio, nada que se relacionasse com ela. Porém aquele episódio à tarde, deixou-o em sobressalto. E se ela sofria  de algum grave transtorno psiquiátrico? E se tinha fugido de alguma clínica do género? Atormentava-se sem saber  o que fazer e como  fazê-lo. Ir-se embora, deixando-a na casa, mesmo pagando todas as despesas, e contando com a ajuda de  Adélia, que entretanto  se fora também afeiçoando à jovem, não era viável.
Pedir ao médico que lhe aconselhasse uma boa clínica, para a internar, era o mais razoável, mas a ideia de a deixar num ambiente hostil, repugnava-lhe. Estava, como a avó Ermelinda costumava dizer, entre a Cruz e a Caldeirinha.







23.7.18

O DIREITO À VERDADE - XLV



Os quinze dias que Helena passou na quinta foram maravilhosos. Ela diria sem medo de mentir que tinham sido os mais felizes de toda a sua vida.
A mãe de Cláudio tinha sido uma surpresa. Dado o quase metro e noventa do filho, Helena tinha imaginado uma mulher alta e forte, e Carmo era exatamente o oposto. Não ultrapassaria o metro e meio, e o seu aspeto era frágil e delicado, embora tanto o marido como o filho lhe dissessem que o seu aspeto era enganador e que ela era uma força da natureza. Desde o primeiro momento, a jovem sentiu que Carmo a recebeu com muito carinho, sem reservas, como se ela pertencesse à família desde sempre. Depois porque o tio aceitara ir passar uma semana lá, e ela verificou que havia realmente uma saudável amizade entre o pai e o tio, e teve a certeza de que se os dois homens não tinham privado durante todos aqueles anos, foi porque o tio se sentia culpado de não contar ao amigo que ele tinha uma filha. E não podia fazê-lo, por via da promessa que fizera à cunhada. O tio estava mais sereno e até já falava em vender a casa em Lisboa e se tornar sócio do amigo.
O seu romance com Cláudio não podia ir melhor, ele levara-a a percorrer a quinta, falara-lhe do seu trabalho, dos seus sonhos, e dissera-lhe que gostaria de casar o mais depressa possível.  Como quem casa quer casa,  se ela estivesse de acordo, ele gostaria de viver na quinta e podiam construir aí a sua casa. As crianças teriam mais espaço para brincar e sempre  podiam contar com a ajuda dos avós. Entretanto até que a casa ficasse pronta, alugariam uma casa em Viseu, ou Nelas, ou, caso ela não se importasse, poderiam continuar a viver com os pais, durante o tempo que levassem a construir a casa deles.  O que interessava é que casassem rápido, ele não aguentava mais. Os abraços e beijos, não lhe matavam a fome, que tinha dela.
Helena gostou que ele contasse com os seus desejos, em relação à maneira como e onde iam viver, e disse que não se importava de ficar a viver com os pais durante o tempo necessário à construção, mas queria ter a certeza, de que iria acabar o seu curso e ter a sua profissão, fora de casa, não se via o dia inteiro na quinta apenas dedicada ao lar. Ele respondeu-lhe que os dois teriam liberdade para viverem os seus sonhos, o verdadeiro amor, liberta não subjuga.
- E que faço com a casa em Lisboa?- Perguntou.
-Nada. Não precisamos desse dinheiro, a casa está numa excelente zona, será muito agradável poder contar com ela quando quisermos dar uma escapadinha à capital. Servirá também para os pais, ou para o tio Alberto, passarem alguns dias quando lhes apetecer. Isto claro se o teu tio, levar adiante a ideia de vender a casa dele e se tornar nosso sócio.
Definidos que foram todos os pormenores, Helena ia voltar a Lisboa. Ia buscar o seu enxoval, tratar da sua transferência para a Universidade de Viseu, e depois voltaria.

19.6.18

O DIREITO À VERDADE - II




Parou o carro junto à porta da jovem, numa casa ali frente ao Jardim Constantino.
- Vai descansar querida. E não te esqueças de comer. Amanhã é outro dia. Não sei como estás de dinheiro, mas se precisares alguma coisa, telefona-me.
- Obrigada, tio. Agora que a mãe partiu, - não conseguia dizer morreu – não vou voltar à Universidade. Vou começar a procurar emprego. Felizmente que a casa é nossa, não preciso preocupar-me com a renda, mas há outras despesas, água, luz, gás. E preciso de comer. Tenho algum dinheiro, desde o décimo ano que dou explicações, e a mãe nunca me deixou gastar esse dinheiro, vai dando para me aguentar até arranjar algum trabalho.
-Devias acabar o curso. Afinal faltam-te dois semestres. E eu posso pagar-tos.
- De modo nenhum tio. Estive a pensar que posso alugar um quarto a uma estudante. A casa é demasiado grande só para mim, e a solidão é muito triste.
-É uma boa ideia, mas precisas ter cuidado com quem metes em casa. Tem que ser pessoa de bons princípios, senão em vez de ajuda, arranjas problemas. Agora tenho de ir, mas já sabes, alguma coisa que precises telefona-me.
A jovem desapertou o cinto, e beijou o tio com carinho.
- Fica descansado, se necessitar de alguma coisa, telefono-te, - disse abrindo a porta do carro e saindo.
Ele esperou até que ela entrou no prédio e só então ligou o motor e se pôs em marcha.
A jovem subiu as escadas até ao segundo andar, abriu a porta e entrou. Meteu a chave na porta e deu duas voltas. Depois lentamente começou a percorrer a casa. Uma entrada espaçosa, uma cozinha não muito grande, um quarto com entrada pela cozinha e com casa de banho, um corredor com várias portas que davam sucessivamente para a casa de banho a dispensa, o quarto da mãe, a sala-comum e o seu quarto. Entrou no quarto da mãe, abriu o grande armário e começou a colocar todas as roupas em cima da cama. Ia dobrá-las, e metê-las em sacos para depois levar para alguma instituição de caridade. Num canto do armário encontrou uma caixa de cartão, que colocou em cima da mesa-de-cabeceira.
Foi à cozinha, procurou numa gaveta, um rolo de sacos de plástico pretos, que a mãe usava para o lixo, e começou a dobrar e acomodar as roupas nos sacos. De vez em quando, passava pelo rosto alguma peça de que sabia que a mãe mais gostava. Era como uma última despedida.
Depois fez o mesmo com as três gavetas da cómoda. Separou algumas peças demasiado gastas pelo uso, mas que a mãe se negava a deitar fora porque lhe lembravam algum momento feliz, bem como a roupa interior, para deitar no lixo. O resto ficou tudo acomodado nos sacos. Feito isto, pegou na caixa de cartão, dirigiu-se à sala, 
Sentou-se no sofá e abriu-a.





30.1.18

O AMOR É... UM COMBOIO - PARTE XXII




- Sabes, -disse Paulo tuteando-a pela primeira vez. Aprendi a pescar, e a nadar neste rio. Meus pais morreram quando eu era menino, o meu tio tomou conta de mim e trouxe-me para aquela margem do outro lado da ponte, onde tinha uma pequena quinta. O caseiro, tinha um filho quase da minha idade, e ele foi o meu companheiro de brincadeiras. Os seus pais, foram para mim como uns pais. O meu tio, nunca se preocupou muito comigo, a nível afetivo. Estava demasiado enfronhado nos negócios. É certo que nunca me faltou nada a nível material, mas eu teria preferido ter menos coisas, e contar mais com a sua companhia, o seu carinho. Sempre tive jeito para o desenho, gostava de pintar e sonhava estudar pintura, conhecer os grandes pintores desde os primórdios dos tempos até à atualidade, visitar museus, aprender tudo o que fosse possível aprender. Mas quando contei ao meu tio, ele zangou-se muito, disse que o que eu queria era um futuro de fome e frustração. Os grandes pintores quase todos morreram na miséria, os quadros só passavam a ser valiosos, depois que o pintor morria. Eu ia para a universidade sim, mas teria que escolher entre economia, ou gestão e contabilidade. Acabei por escolher o segundo, e fiz o curso por orgulho, para lhe mostrar que era inteligente o suficiente para tirar qualquer curso, apesar de não gostar dele.  Quando terminei o curso, ele deu-me a pequena herança que meus pais me deixaram ao morrer. Uma das minhas paixões de criança eram as motos. Comprei uma, e parti para Paris. O dinheiro acabou rapidamente, mas eu tinha muita coisa para aprender, e não queria pedir nada ao meu tio. Trabalhei na construção civil, em bares, fui até empregado numa agência funerária. Tinha alugado um pequeno estúdio, e todos os centavos que me sobravam, gastava-os em telas e tintas. De vez em quando vendia alguns quadros na rua, e fui-me equilibrando. Quando entendi que tinha aprendido tudo o que me interessara  aprender, parti para outras paragens. Percorri quase toda a Europa, nos últimos dez anos. Sem qualquer contacto com o meu tio, não fazia a mínima ideia de como era rico. A pequena quinta da minha infância, cresceu desmesuradamente. Atravessas aquela ponte e tudo o que a tua vista alcança é meu. Segundo parece, à medida que os vizinhos iam morrendo, o meu tio ia comprando aos herdeiros as suas quintas e anexando-as. Tem uma grande extensão de pomares, terras de cultivo e até uma zona de pastoreio.
Caminhavam lado a lado. Paulo falava em voz baixa, sem se interromper, como se estivesse a seguir uma invisível linha de pensamento.  Amélia escutava-o sem interrupções convencida da necessidade que ele tinha de desabafar.
Quando Casimiro, o caseiro morreu, Alfredo, o filho, ficou no seu lugar. Ele não estudou. Aqui os filhos aprendem as profissões com os pais, não estudam mais do que o estritamente necessário. Os seus braços fazem falta no campo. Refiro-me claro aos filhos dos trabalhadores como é o caso. Alfredo casou-se há anos e tem três filhos. Gere a propriedade, e é ele quem contrata os trabalhadores que precisa. A mãe e a esposa, tratam da casa, e dos animais domésticos.



Por AQUI  continuamos em Alcobaça. E depois da sala dos Reis , temos a sala dos Capitulos.

12.6.16

UM DIA FANTÁSTICO.




Hoje não há poesia, não há contos. Mas há uma história verdadeira. Como muitos de vós sabeis, publiquei no início do ano um livro, imprimido em Espanha, com o empenho de um professor da Universidade de Valência, o Joaquin Duarte, e da sua turma de Cultura Portuguesa, que fizeram a tradução para castelhano.
Ora bem o Joaquin tem estado em Lisboa. Veio com a esposa e alguns dos seus alunos numa visita de estudo a Lisboa, Évora, Sintra e Mafra. Então, ontem bem cedo, fui ter com eles ao hotel e passámos o dia juntos. Nunca os tinha visto, mas fui recebida com imenso carinho, e fui tratada como uma amiga de longa data. Subimos o elevador de Santa Justa, visitámos o Convento do Carmo, passeámos pelo Chiado, Camões, S. Bento, passámos pela Assembleia da República, fomos à Casa Museu da Amália, Santos, e Museu da Arte Antiga. Pelo meio tivemos um agradabilíssimo almoço, e acabei por me despedir deles à porta do museu a fim de apanhar o 714 que me levou até à baixa, para apanhar o barco para o Barreiro, enquanto eles se dirigiam à Estrela para o termino das suas visitas desse dia.
Cheguei ao fim do dia, cansada, mas feliz.
Foi um dia fantástico.