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10.8.19

LONGA TRAVESSIA - PARTE XXI


As duas amigas acabaram o almoço, e dirigiam-se para o carro quando Mário lhes saiu ao caminho.
- Peço-lhe desculpa, D. Luísa, mas preciso de um minuto com a sua amiga. Tenho de esclarecer uma dúvida, sobre um dos vossos colegas.
Fulminou-o com o olhar. Voltou-se para a amiga.
- Esperas por mim no carro?Não me demoro
-Claro. Até já. Boas Festas, senhor
Teresa caminhou na sua frente, sentindo o olhar do homem sobre o seu corpo. Entrou no gabinete e voltou-se para o interrogar, mas antes de ter tido tempo, de articular uma palavra, viu-se aprisionada pelos seus braços fortes, e antes que pudesse protestar, sentiu-se beijada com paixão. Tentou lutar, mas o corpo não lhe obedeceu. Pelo contrário, como se tivessem vida própria, os seus braços ergueram-se e enlaçaram o pescoço masculino, os dedos mergulharam na sua cabeça numa carícia apaixonada.
Quando finalmente a largou, os seus olhos brilhavam de paixão.
- Sabes que posso processar-te por assédio sexual, não sabes?- Ela estava furiosa. Mais consigo própria, por se ter entregado daquele modo, do que com ele.
-Sei. Mas não o farás – disse sorrindo com carinho.
A segurança dele irritou-a ainda mais. 
- Eu não estaria tão segura.
- Escuta e se dissesses à tua amiga para se ir embora? Não achas que é tempo de esquecer o passado e pensar no futuro?
- Não. Não basta que me enlouqueças com os teus beijos, ou os teus arrependimentos tardios. Para me teres de novo, terás que ganhar a minha confiança, e garanto-te que não é coisa fácil. Graças a Deus, tenho boa memória.
Saiu batendo com a porta, e deixando o homem num mar de agitadas emoções.
 Entrou no carro, e desatou a chorar. Luísa pôs o automóvel em marcha e conduziu em silêncio, esperando que se acalmasse.
Quando por fim ela se calou, perguntou-lhe com suavidade:
- Estás melhor? Queres falar?
- Beijou-me
- E ficaste assim? Beija assim tão mal?
Teve que rir.
- És impossível. Mas és a melhor amiga do mundo, sabias?
- Pois, nunca mo disseste,- disse rindo. E mudando de tom – e agora? Que vais fazer? Porque até um cego vê que estás perdidinha por ele. E se ele quer uma oportunidade, porque não arriscas? Além do mais é o pai do Martim, e a presença de uma figura masculina faz muita falta a uma criança.
- Estás a empurrar-me para ele?
 Não tonta, é que dava-me jeito, uma amiga milionária, - disse Luísa rindo.



                                                

1.6.17

JOGO PERIGOSO - PARTE XIII





- Queres jantar comigo esta noite? – O convite surgiu de repente, apanhando-a de surpresa.
- Obrigada, mas não posso.
- Não podes, ou não queres?
Daniela irritou-se. Não gostava que pusessem em dúvida a sua palavra. 
- E se assim fosse? Não sou obrigada a conviver contigo, fora da fábrica.
- Não precisas de por as garras de fora, - respondeu com voz rouca.
Daniela pensou que tinha ido longe de mais. Aquele homem tinha o condão de a por fora de si. E o pior, é que era extremamente atraente. Naqueles dias em que não o vira, tinha chegado a pensar, que pudessem ter uma relação profissional normal, talvez até serem amigos. Mas bastou ele chegar, para que essa ideia lhe parecesse absurda. Não. Nada de saídas, nada de amizades. Não podia correr riscos. Era demasiado perigoso para a sua estabilidade emocional.
- É uma pena que não possas esquecer, que eu sou teu sócio. Não vai ser nada agradável a nossa convivência em clima de guerra.
-Podíamos acabar com isto.
-Como? Vendendo-te a minha parte? É isso o que ias propor? E porque não me vendes tu a tua?
-Estás doido? A fábrica foi criada pelo meu pai. Sempre foi da família.
- Então porque não me adotas? – Perguntou sarcástico.
- Não tens cara de menino abandonado, - respondeu-lhe no mesmo tom.
Era aquilo que lhe agradava nela. A inteligência, a resposta pronta, o desafio, a paixão. Mudou de assunto.
- Precisas de alguma coisa. Uma assinatura, uma tomada de decisão, qualquer coisa?
- Hoje não. Mas na Sexta-Feira, sim. Precisarei.  Há facturas a pagar nesse dia. Quero que as verifiques.
Ouviu-se a sirene que anunciava aos trabalhadores que o dia de trabalho chegava ao fim. Daniela, desligou o computador, meteu o catálogo que ele lhe trouxera, na mala e pôs-se de pé.
- Vens amanhã?
- Não. Acabas de dizer que não precisas de mim e tenho muito trabalho na minha empresa.  
- Bom então até depois.