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15.11.23

CICATRIZES DA ALMA - PARTE LV

 

Os dois homens, entraram na sala, enquanto Anabela se dirigia à cozinha para avisar Isilda de que podia levar a merenda à salinha e perguntar se ela precisaria de alguma ajuda para o jantar. Depois subiu ao seu quarto despiu a bata, tomou um duche e vestiu um conjunto de lã cor-de-mel.

Como Isilda dissera que não precisava da sua ajuda, e o dia apesar do frio intenso, se apresentava bonito, resolveu dar uma volta pela quinta. Hesitou entre o casaco de fazenda grossa, castanho e o casaco parka verde-azeitona, acabando por escolher o último por ser mais quente. Calçou as botas e sentindo-se confortável, desceu as escadas e saiu. 

Olhou o relógio. Quatro e meia da tarde. No fim do ano, os dias eram bem curtos e não tardaria a cair a noite. De qualquer modo ela não sairia da quinta, precisava apenas esticar um pouco as pernas e para ser sincera consigo mesma, também não se sentia muito à-vontade com os dois homens. Peter era simpático, extrovertido e um pouco brincalhão, diferente de Tiago que era um homem sério e muito intenso. Curioso como dois homens tão diferentes podiam ter uma relação de amizade, tão forte. Talvez fosse verdade a história de que polos opostos se atraem.

A bem da verdade, não era Peter quem a inibia, mas sim Tiago. Ela não sabia que se teria passado naqueles dois dias que esteve ausente, para as festas de Natal, mas embora Isilda, não se tivesse apercebido de nada especial, ela sabia que alguma coisa acontecera, e tinha de ter sido muito importante, porque o doente que ela deixara, não era o mesmo que encontrara. 

 A indiferença que ela lia nos olhos dele, tinha sido substituída por algo que ela juraria ser... desejo, talvez paixão. A rebeldia tão frequente anteriormente, tinha desaparecido. Tiago estava muito mais calmo, aceitava sem contestar e executava com entusiasmo todos os exercícios que ela lhe mandava fazer. Às vezes, Anabela tinha mesmo de se impor, a fim de que o entusiasmo masculino, não o levasse a cometer nenhum excesso que viesse a prejudicar o que já tinham conseguido.

Tinha de telefonar ao doutor Azevedo. A sua presença ali, já não se justificava, embora Tiago ainda tivesse de fazer mais algum tempo de fisioterapia, já podia fazê-lo em qualquer clínica, pois mesmo que ainda não pudesse conduzir, Joaquim que era um verdadeiro faz-tudo na propriedade, podia conduzir por ele. Afinal era ele que o fazia, sempre que era necessário ir às compras.

A noite caíra e com ela o frio intensificara-se. Anabela levantou o capuz, tentando proteger-se e iniciou o regresso a casa. Talvez Isilda precisasse de ajuda na cozinha.  Na quinta, o jantar era servido mais cedo que na cidade, e eles tinha em casa um convidado.

1.9.21

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XIII



Jantaram na cozinha. Helena, ia pôr a mesa na sala, mas Fernando pediu para o fazerem ali, e ela acedeu. Afinal tinha-lhe dito que era ali  que sempre o fazia com o filho, insistir em comer na sala, seria tratá-lo como uma visita, e ela queria que ele se sentisse o mais possível integrado na família. Pensava que isso poderia contribuir, para que a memória voltasse. 

O menino comeu apenas duas ou três colheres de sopa, dizendo que estava muito cheio, e a mãe não insistiu, não sabia o que tinha comido na festa, e não queria que ele ficasse mal disposto. Então saiu da mesa, foi buscar um carrinho e sentou-se no chão a brincar. Eles comeram em silêncio, cada um imerso nos seus pensamentos. 

Terminada a refeição, e enquanto ela fazia os cafés ele levantou a loiça da mesa, passou os pratos por água e meteu-os na máquina. coisa que fez com grande à-vontade, o que levou Helena a pensar que devia estar habituado a fazê-lo. “Provavelmente, é casado, está habituado a partilhar as tarefas com a esposa, ou pelo menos com a namorada” pensou e sem saber porquê sentiu que o coração se entristecera com aquele pensamento. 

Por outro lado, se ele fosse casado, a esposa não participaria o desaparecimento dele? Se  fosse seu marido ela revolveria céus e terras para o encontrar. Sentiu que corava, com aqueles pensamentos. Debruçou-se para levantar o filho do chão.

- Vamos filho, são horas de ir para a cama.
- O “tio” Fernando podia ler-me a história hoje? – perguntou a criança.
- Se a tua mãe deixar.
- Deixas, não deixas, mamã?
- Está bem. Mas primeiro temos que ir lavar os dentes.

O menino seguiu para a casa de banho com os dois adultos atrás.
Pouco depois, já deitado, a mãe aconchegou-lhe a roupa. Fernando abriu o livro que estava em cima da mesa-de-cabeceira e começou a ler a história de Pedro e o Lobo. Não tardou que a criança adormecesse, e depois de um beijo de boas noites, saíram fechando a porta e dirigiram-se para a sala.

- Estou espantada com o Diogo. Regra geral é tímido com os desconhecidos. A própria educadora, se queixa disso. E contigo, foi como se te conhecesse desde sempre.
-Fico contente que tenha gostado de mim. Talvez sinta a falta de uma figura paterna. O pai não vem vê-lo?
- Não.
- Morreu? Desculpa, não tens que responder, se isso te aborrece.
- Não. Desde muito nova sempre tive o sonho de ser médica e para se entrar na faculdade de medicina são precisas boas notas. Depois de terminar o curso fiz especialização em cirurgia enquanto estagiava num hospital. Completamente entregue aos estudos, não tinha tempo para namoros. 

Resumindo era muito inexperiente, quando conheci o pai dele. Deslumbrada, apaixonei-me loucamente,  mas para ele era apenas mais uma aventura. Já tínhamos acabado quando soube que estava grávida, e entendi que um filho não mudaria nada dos seus sentimentos por mim, nem acabaria com a minha desilusão. Não lhe contei Tinha a certeza de que se o fizesse, ele quereria que eu abortasse.  Bom, estou cansada. Vou-me deitar. Boa noite.
- Boa noite, doutora! Dorme bem!



Atenção, o capítulo de Sexta-feira, sairá amanhã, porque Sexta vai ser dia de festa por aqui.


22.3.21

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE XIII





O empregado voltou com a lista das sobremesas.
-Aconselho-te o pudim de pão. É muito bom.
Fizeram o pedido.
- Não tens saudades dos teus pais e irmãos? – perguntou curiosa.
- Claro que sim, - respondeu com tristeza. Tenho cunhados e sobrinhos que nem conheço. Mas não posso voltar. 

-- Não enquanto Portugal mantiver uma guerra colonial, com a qual não concordo e que considero injusta. Quando vim, sabia que me estava a despedir deles para sempre. A menos que um dia haja uma reviravolta política, que acabe com a guerra e a colonização.

- E acreditas que isso vai acontecer algum dia?
- Acredito que sim. Mais dia, menos dia, a juventude vai acordar e dizer basta. 
Terão que ser os jovens, já que os outros, ou estão demasiado comprometidos com o regime, ou estão paralisados pelo medo, ou sem forças para lutar. Tinha grandes esperanças no General Humberto Delgado. Penso que se ele tivesse chegado ao poder, poderia ter mudado o curso da história. Mas os esbirros do regime, não deixaram.

- Voltarias para Portugal, se o regime mudasse? 
-Para ficar? Não! Pelo menos enquanto os tios forem vivos. Talvez tu não entendas o que sinto por eles. É amor, respeito e gratidão. Estão velhos. Sei que precisam de mim. Mas decerto que iria a Portugal sim. Para abraçar os meus pais e irmãos. Para conhecer os cunhados e sobrinhos; família que ainda não conheço. Para rever a nossa terra, os lugares onde passei a minha meninice, os amigos de infância, se é que por lá está algum.
E não é engraçado, que me lembre dos teus pais e não me recorde de ti?

-Não admira. Era uma criança, de nove anos, quando partiste. Eu sim, lembro-me de ti. Eras um magricela alto, só tinhas pernas.
Riram os dois.
Aos poucos o restaurante fora-se esvaziando. Eles também tinham terminado, e Sofia sentiu pena de que assim fosse. A noite tinha sido maravilhosa, a refeição deliciosa, e tinha adorado as explicações do marido. Mas as horas corriam e o momento de maiores intimidades aproximava-se. E sentia um aperto no peito.



5.2.21

SONHO AO LUAR - PARTE XIII

A avó viu-a entrar. Leu-lhe o desespero no olhar. Uma sombra de tristeza, perpassou-lhe pelos olhos cansados. Conhecia aquele filme. Tinha-o visto dez anos antes. E dessa vez ficou cinco anos sem ver a neta. Se a história se repetia, tinha a certeza de que nunca mais a veria. Esperou um pouco e foi ter com ela ao quarto. Ouviu o choro da jovem. Abriu a porta, e sentando-se na cama, perguntou:

- Que aconteceu, Isabel? Há uma hora atrás, parecia que estava tudo bem.
- Ele lembrou-se de mim, avó.
- Lembrou-se? Como assim?
-Disse que se esqueceu de perguntar-te pela tua neta, que sempre estava por cá nesta altura.
- E isso que tem, Isabel? Eram tão amigos, é natural que se lembre. Filha se não te explicas, não consigo perceber, porque é que isso te faz chorar. Afinal a minha neta, és tu.

- É que ele disse que a amava como uma irmã. Como uma irmã, avó. Entendes? Foi assim que ele me viu há dez anos, foi assim que sempre me amou. Em contrapartida, eu sempre o amei como homem. Desde os doze  anos, antes mesmo de saber que era  amor, aquilo que sentia. Não me consigo imaginar com mais ninguém. E não penses que nestes dez anos, não tentei. Eu pensei que se fosse trabalhar com ele, sem ele saber quem eu era, podia fazer com que se apaixonasse por mim. Todavia ou sou a sua secretária, ou a amiga, com quem gosta de conversar. Nunca mostrou qualquer interesse pela mulher que sou. Acreditas que nunca me tocou?

-Nunca te tocou, como?
- Tu sabes que os invisuais sentem as coisas com a ponta dos dedos. Ele nunca me pediu para tocar o meu rosto. Porquê? Porque na verdade, não lhe interessa se sou bonita ou feia, se tenho a pele lisa, ou cheia de rugas.

-Ele não acabou, já o livro? Então o que tens a fazer, é deixá-lo e seguires com a tua vida. Ainda que agora te pareça impossível, um dia acabarás por esquecê-lo. O tempo é um excelente remédio. Não queiras transformar-te numa heroína da Idade Média. Hoje em dia já ninguém morre por amor. Vamos lá, levanta dessa cama vai lavar a cara e vem ajudar-me com o jantar.

Levantou-se e dirigiu-se para a porta. Embora sentindo-se impotente perante o sofrimento da neta, tinha que ser firme. Gostava do jovem. Conheceu-o de garoto, viu-o crescer e fazer-se homem. Depois os pais morreram, ele ficou sozinho, e de vez em quando, visitavam-se. Confiava tanto nele, que nem se preocupou com a admiração que a neta tinha por ele, nem com os constantes passeios dos dois. Sabia que ele nunca lhe faria mal, nunca lhe passou pela cabeça que o perigo para a neta, viria dos seus próprios sentimentos. Nem mesmo quando mais tarde suspeitou disso, sempre pensou que era uma paixoneta de garota que logo esqueceria. Agora estava assustada com a força daquele sentimento.

25.1.21

SONHO AO LUAR - PARTE VIII

 


Pela primeira vez, viu no seu rosto um leve sorriso.
- Bom parece que está empenhada em mostrar serviço.
- Entusiasmei-me, nem dei pelas horas, - disse ao mesmo tempo que parava o gravador. Imprimiu a última folha, e fechou o computador. Teve vontade de lhe dizer que gostava da história, mas temeu que ele pudesse pensar que estava a intrometer-se.

- Deve estar cheia de fome. Vou pedir à Antónia que lhe faça um lanche.
- Não precisa. Daqui a pouco são horas de jantar. Bom, então até amanhã.
Ele não respondeu. Parecia perdido em qualquer mundo só dele.

Já na rua, a jovem respirou fundo. Tentava recuperar a calma, mas estava difícil. Tinha mais dez anos, era uma mulher adulta, mas no seu íntimo sentia-se como a adolescente de dezasseis anos.

Chegou a casa, tomou banho, mudou de roupa e foi para a cozinha, onde a avó se afadigava a fazer o jantar.
- Senta-te avó. Eu acabo de fazer o jantar. Desculpa, estive toda a tarde a redigir o novo livro do Hélder. Ainda não descobri o nome que usa como escritor, já que confirmei na Internet e não existe nenhum livro publicado por Hélder Figueiredo. Dizes que há dez anos não vinha cá?

-Mais ou menos. Lembro que há uns três anos, vi as janelas abertas, mas foi só um dia, não cheguei a vê-lo. Ou veio buscar alguma coisa e partiu de seguida, ou foi alguém a mando dele. Hoje admirei-me de o ver passar para o lado da serra, e fiquei a pensar o que é que fazias lá em casa, se ele não estava. Eu pensava que ias escrever o que ele te ditava.

- Não é preciso que esteja presente, avó. Quando ele tem ideias novas, dita-as para um gravador. Depois eu oiço e redijo. Isto quando se trate do livro. Haverá muitas outras tarefas que não a redação do livro, mas que fazem parte do trabalho de uma secretária.
- Bom, a falar verdade, eu continuo a achar esta ideia maluca. Penso que devias voltar para a cidade, e procurar dar um rumo à tua vida, esquecendo essa paixão de menina, que temo só te traga infelicidade.

- Pode ser avó. Mas tenho que tentar. Não tens ideia de quantas noites, passei sem dormir a pensar nele. Se não o esqueci, quando não sabia nada dele, como vou esquecê-lo agora, que o tenho aqui e  sei que precisa de mim.
- Temo que confundas piedade com amor, filha.
- Não te preocupes. Sei a diferença. A comida está pronta. Vamos jantar?






4.11.20

CILADAS DA VIDA - PARTE LIV

 


Naquela noite, enquanto Gabriela jantava, e João fazia como de costume companhia a Teresa, a conversa recaiu sobre a ecografia e a emoção que ambos sentiram. E então ele perguntou-lhe se já tinha pensado nas suas vidas quando os bebés nascessem, ao que ela respondeu que lhe prometera falar nisso quando passasse a barreira dos três meses. Faltavam quatro semanas e talvez fosse superstição sua, mas antes das doze semanas não tomaria nenhuma decisão pensando no seu futuro e no das crianças.

- Eu tenho fé que vai correr tudo bem e até já imagino os três meninos…

- E se forem três meninas, - interrompeu Teresa. Fará alguma diferença?

- Nenhuma, - respondeu prontamente. Penso que de forma inconsciente, quando se espera um filho, uma pessoa tem sempre tendência a falar no seu próprio sexo. Um homem fala em meninos, uma mulher em meninas, mas na prática pouco importa. O que realmente conta, é que sejam saudáveis. E vão ser felizes porque se vão ter uns aos outros, vão poder brincar juntos, amar-se e apoiar-se. Crescer sozinho, é muito triste.

- Foi assim contigo?

-Foi. O meu pai era uma pessoa muito severa, e a única amiga que eu tinha era a Olga, que vivia no mesmo pátio mesmo ao lado da minha casa, mas ela tinha quase onze anos a mais que eu. Quando eu tinha cinco anos ela já estava no secundário e tinha mais ou menos o mesmo corpo que tem hoje. É fácil de perceber que as minhas brincadeiras não lhe interessavam.

- E a tua mãe?

É uma história muito complicada, não dá para ta contar agora, a Gabriela deve estar a voltar do jantar. Mas prometo que ta conto em breve.

-Eu também sou filha única, mas nunca fui uma criança solitária, pois na aldeia éramos todos muito unidos. Mas de certo modo tenho pena destas crianças.  Eles nunca vão ter o carinho de tios, primos ou avós. Eu não conheci o meu pai, nem o meu avô, mas a minha avó era uma grande mulher e foi sempre um pilar de apoio para a filha e neta. Os nossos filhos nunca vão ter esse apoio.

- Não. Mas vão apoiar-se entre si e vão contar com todo o amor da nossa parte. E poderão vir a contar com o apoio de tios e primos, pois acabo de saber que tenho um irmão, que me parece ser uma boa pessoa. Em breve conto-te tudo. Desejo que saibas tudo sobre mim, para que, quando chegar a hora de tomares uma decisão, não tenhas dúvidas.

Naquele momento a enfermeira regressou ao quarto, e isso impediu Teresa de responder se é que o queria fazer. Ele despediu-se desejando uma boa noite às duas, e saiu do quarto.

Já no escritório, olhou o relógio. Nove e dez da noite. Não eram horas de ligar ao irmão, provavelmente estaria com a noiva, mas podia mandar uma mensagem.

Escreveu:

“David, já li a carta. Queria estar contigo, gostava que me falasses da mãe e de ti. Conhecer-te. E dar-me a conhecer. Quando puderes dispor de umas horas, avisa-me. João”

Um quarto de hora depois chegou a resposta.

“Amanhã não tenho audiências. Tenho dois clientes de manhã, e a tarde livre. Podemos almoçar juntos. Telefono-te quando estiver livre e combinamos. David”

Pôs de lado o telemóvel, abriu o portátil e dedicou-se a ler os emails recebidos, quase todos de felicitações pelo “Survive II”.

 

29.6.20

ISABEL - PARTE XXXIV

Na Sexta-feira ao fim da tarde, Luís, teve uma enorme surpresa. Ao sair do metro viu Isabel entrar no prédio onde ele morava. Ficou perplexo. O que é que ela ia fazer ali? De repente lembrou do encontro ali mesmo ao voltar a esquina. Será que estavam a morar no mesmo prédio? Não podia ser. Era absurdo demais.
Entrou no edifício e tocou a campainha da porteira.
- Boa noite D. Rosa. Preciso da sua ajuda. Disseram-me hoje, que uma amiga minha morava neste mesmo prédio. Uma senhora de nome Isabel Mendes. Será verdade?
- Boa noite, senhor Nuno. Mora uma menina no 2º D com esse nome, sim. Quer que  lhe dê algum recado?
- Não, por favor. Nem lhe diga que perguntei por ela. Um dia destes faço-lhe uma surpresa. Muito obrigado
Entrou no elevador. Sentiu uma vontade louca, de sair no segundo andar e bater-lhe à porta. Mas conteve-se e seguiu para o seu andar. Precisava pôr as ideias em ordem.
Que coisa. Como é que ele tinha ido morar precisamente para aquele prédio?
Era um absurdo. Até mesmo para ele, que era escritor.  Nunca se lembraria de escrever uma história assim. Não era credível. Aquilo  não podia ser coincidência. Alguém lá em cima os queria juntos. Devia ser por isso, que ele se impressionara tanto com ela, naquela manhã de nevoeiro. Nunca acreditara em histórias de amor à primeira vista. Sempre pensara que isso era fruto da imaginação delirante de certos romancistas. E ele até estava  vacinado contra as flechas do pequeno Cupido, desde a traição de Odete. Mas então que sentimento era aquele que o envolveu quando a segurou tremente nos seus braços? Que aos poucos,  foi minando todas as suas convicções e defesas em relação às mulheres? E que cada dia se tornava mais forte ao ponto de desejar passar o resto da vida a seu lado? Estava decidido. No dia seguinte seria o lançamento do seu livro e no Domingo levá-la-ia a casa dos pais. E depois… bem depois, iriam viver uma grande história de amor. Não era isso que o destino lhes andava a preparar?
Pensar que ela estava ali, à distância de quatro andares, desconcentrava-o Nessa noite não conseguiu acrescentar uma só linha à novela, mas o telefonema foi mais íntimo que nunca. Tão intimo, que os dois jurariam ter ouvido a tal palavra mágica. Fora ele que a pronunciara? Fora ela? Que importava isso, se era igualmente sentida pelos dois? 


Esperava poder pôr em dia os comentários neste fim de semana, as netas ficaram cá também no sábado porque os pais trabalharam, e no domingo o filho fez 40 anos e embora fosse uma festinha só para nós os quatro e as duas meninas, passámos o dia na casa deles.



6.1.20

6 DE JANEIRO - DIA DE REIS




Então hoje é o dia de Reis. E com esta data, se encerram oficialmente as festas de Natal, a celebração do nascimento do Deus Menino, na figura humana de Jesus Cristo.
Referidos no Evangelho de São Mateus, os três Reis Magos tornaram-se uma figura importante da celebração do Natal, e é deles que herdámos a tradição de oferecer presentes nesta quadra festiva. Não se refere, na Bíblia, quantos foram nem como se chamavam, mas sabe-se que ofereceram três presentes a Jesus - ouro, que se oferecia aos Reis, incenso, conforme se oferecia aos sacerdotes, e mirra, que se ofertava aos profetas - e por essa razão, no século VII a sua história passou a ser contada como sendo os três Reis Magos do Oriente, a quem foram dados nomes e proveniências distintas, para que cada um deles representasse uma das raças conhecidas na altura:
- Belchior, também chamado Melchior ou Melquior - "o meu rei é Luz" - representava a raça branca, europeia, teria cerca de 60 anos, e ofereceu ouro, um metal muito valioso, que simbolizava realeza e virtude. Foi oferecido a Cristo por ele ser Rei de todos os Homens, pois na Antiguidade era um presente que costumava ser dado aos Reis.
- Gaspar - "aquele que vai inspecionar" - seria rei da Índia e teria cerca de 40 anos, representando o povo asiático. Ofereceu incenso, uma resina utilizada para fazer perfumes e em rituais religiosos, que ainda hoje é queimado nas igrejas. Era símbolo de espiritualidade e de oração e representa a missão com que Jesus veio à Terra: espalhar a Fé entre os homens. 
- Baltasar - "Deus manifesta o Rei"- teria cerca de 20 anos, representando a raça africana e tendo oferecido mirra, uma resina muito utilizada na medicina Chinesa para dores reumáticas e problemas de circulação. Na medicina Ocidental é usada em pastas de dentes e desinfetantes da boca. Antigamente valia mais que o seu peso em ouro. Também é utilizada em funerais e cremação. Simboliza o sofrimento de Jesus, que morreu para nos salvar.
Não se sabe exatamente quem eram estes homens, quantos eram, e de onde vinha., pois o Evangelho nada esclarece sobre isso. Sabe-se que o nome de Mago, era dado aos sábios e eruditos. O número de três, apareceu apenas num livro escrito pelo monge carmelita, João de Hildesheim no século XIV. O livro também oficializou os seus nomes que foram retirados de um friso de mosaicos da Igreja de Santo Apolinário em Ravena (Itália). Foi ainda este monge que incorporou a dor da pele de Baltazar, pois em nenhuma das representações anteriores, ele fora pintado assim.
O dia de Reis é celebrado em todo o mundo cristão, com algumas tradições curiosas. Em Portugal, temos o bolo-Rei, até há uns anos confecionado com um brinde e uma fava, que depois foram proibidos pela ASAE. E a tradição mandava, que aquele a quem saía a fatia da fava, teria que pagar o Bolo-Rei do ano seguinte. Também existe a tradição de se cantar de porta em porta As Janeiras, que Zeca Afonso celebrizou. Ainda em Portugal, há a crença de que se deve comer uma romã e guardar numa gaveta a sua coroa juntamente com uma nota para que a fortuna entre em casa.
Em Espanha é costume as crianças deixarem na janela os sapatos com capim, antes de irem dormir, a fim de alimentar os camelos dos Reis para que possam seguir viagem. 
 Na França e em Quebec (no Canadá), come-se o Galette des Rois (Bolo de Reis), que contém um brinde no seu interior.(Parece que o poder da ASAE, não chega lá) O bolo vem acompanhado de uma coroa de papel e quem encontrar o brinde na sua fatia, será coroado e terá de oferecer o bolo no ano seguinte.
Na Hungria as crianças vestem-se de Reis Magos e vão de porta em porta pedindo pelos Reis, Uma espécie do nosso pedido de pão por Deus.
Na Alemanha as crianças também vestidas de Reis, vão escrevendo as iniciais nas portas de cada um. 


6.11.19

OS SONHOS DE GIL GASPAR - PARTE X



-Adiante, lembras-te daqueles livros que te ofereci, e de  me teres dito quando leste o primeiro, que o autor parecia estar a descrever a nossa história?  Pois é mesmo a nossa história e o autor é este teu irmão.
- O quê? Tu és o misterioso Nuno Alvarez?
- Esse é o meu pseudónimo.
- Mas porquê? Porque não usaste o teu nome? – perguntou Marco admirado.
- Por duas razões. A primeira é que queria manter-me no anonimato. Assim se as obras fossem um sucesso, ninguém diria que o eram pelo meu passado de futebolista famoso, e se fossem um fracasso, também ninguém me diria que era um sapateiro a querer tocar rabecão, como dizia a nossa mãe. Segundo, sabes como a Sara era. Se soubesse do meu êxito literário, ia querer que frequentasse festas, que desse entrevistas, enfim que me tornasse numa estrela, junto da qual ela pudesse brilhar. Sabes que não sou, nem nunca fui assim. Depois o facto de a minha agente ser espanhola, e viver entre Paris e Nova Iorque, ajudou-me a manter o segredo. Coisa que não sei se conseguirei continuar a manter, uma vez que recebi uma ótima proposta para vender os direitos do “Almas sombrias” para o cinema.
- Bom, isto é que foi uma surpresa. E vais continuar a escrever?
-Enquanto a inspiração me deixar, sim.
Nesse momento foram interrompidos por Isabel a secretária.
- Desculpem, mas acaba de chegar o doutor Alcides.
-Mande-o entrar – disse Gil.
Ela retirou-se e segundos mais tarde, introduzia o advogado no escritório.
- Bons dias – saudou o recém-chegado, estendendo a mão para cumprimentar os dois irmãos.
- Bom dia - responderam em uníssono.
Depois do habitual cumprimento, Gil disse:
- Por favor, sente-se doutor.
- Desculpem-me, mas tenho trabalho na loja, - disse Marco encaminhando-se para a porta. - Se precisares de mim, chama-me.
-Está bem. Por favor diz à Isabel que nos sirva um café.
Marco saiu fechando a porta atrás de si.
- Bom doutor - começou Gil. - Pedi esta reunião, porque tenho várias instruções para lhe dar. Preciso que trate dos documentos necessários para que eu possa passar  a minha parte nesta empresa para o Marco. Não só desta loja, mas também da filial do Porto. Trata-se de uma doação, não de uma venda. Não tenho tempo para isto, e o meu irmão merece. Como sabe espero o nascimento da minha filha a qualquer momento e com o seu nascimento,  a minha vida ainda se vai complicar mais, pelo menos a nível de tempo.
- Lamento o que aconteceu com a sua esposa, - interrompeu o advogado. – Tão jovem, e ainda mais grávida! Este mundo está cada dia mais violento. Já apanharam os culpados?
-Não. A polícia não encontrou rasto do carro, e isso torna mais difícil chegar aos culpados.

27.8.19

A HISTÓRIA DE UM PAR DE BOTAS...DA TROPA II




                                            foto minha.



                                                   II

A Seca de Bacalhau, da Parceria Geral de Pescarias, da família Bensaúde, situava-se na Azinheira Velha, um local cheio de história, pois lá esteve sediada uma importante  base naval portuguesa, antes e depois dos descobrimentos. O local, situado na feitoria da Telha, era abrigado, estava afastado da base naval da Ribeira das Naus, embora funcionasse como complemento desta, mas suficientemente afastado, dos olhares dos espiões de outros países, que no século XV tentavam descobrir onde Portugal tentava chegar com os descobrimentos.
 Acresce a isto o facto da abundante madeira de qualidade, nos arredores, dos sapais do Coina, onde essa madeira era enterrada, num processo de preparação, para a construção das caravelas e de pertencer à histórica vila de Alhos Vedros, onde se refugiara D. João I, depois da morte da rainha, D. Filipa de Lencastre, vítima da Peste Negra que assolou a capital.
Era portanto na Azinheira Velha, que as naus eram construídas entre o Outono e a Primavera, chegando nesta à Ribeira das Naus para acabamento. Ou vice-versa, já que segundo a história, foi na Telha, no séc. XVI, na extinta Igreja de Santo André, que D. Manuel I terá assistido ao lançamento ao Tejo (1)  da Armada de Vasco da Gama. Atingida pelo terramoto de 1755 a feitoria foi destruída. Foi pois neste local cheio de história, que em 1891 a família Bensaúde, instalou a Parceria Geral de Pescarias, dedicada à indústria da pesca do bacalhau. A tão famosa Seca de Bacalhau, de que tanta vez, falo nas minhas histórias.
Em 1946, Manuel apaixona-se por uma das irmãs de um grande amigo, o Varandas, homem do norte como ele.
 Certo dia, logo no início do ano, o Varandas convidou o Manuel para ir com ele ao Seixal, onde ia visitar uma das suas irmãs a trabalhar na Seca, que aí existia. Para Manuel foi amor à primeira vista, pois ficou perdidamente apaixonado, mal viu a jovem. Ela porém não ficou muito interessada. Primeiro, porque Manuel tinha mais oito anos do que ela, segundo porque ele tinha fama de ser mulherengo, de não se prender a ninguém, e de gastar tudo o que ganhava, com “as meninas” em Lisboa.
Por pressão do irmão, mais velho, que ela respeitava, mais do que por amor, acabou por lhe aceitar namoro. Manuel estava perdidamente apaixonado. Tinha esquecido as idas a Lisboa, e tudo o que isso implicava. Todos os seus tempos livres serviam ao Manuel para ir ver a amada.
Na verdade a Seca da Azinheira, era conhecida por este nome, embora o seu verdadeiro nome, fosse Parceria Geral de Pescarias, e a Sociedade Lisbonense de Pesca de Bacalhau, conhecida por Seca do Picado, situada na Ponta dos Corvos, ficavam em frente uma da outra, apenas separadas pelo rio Coina.




                                  Antiga Seca do Seixal. 
                                  Foto de Hugo Gaito



1) Embora na história se fale de lançamento da Armada, ao Tejo, a feitoria estava no Coina, um afluente do Tejo e não nele. No entanto não sei se à época, os afluentes já estariam classificados, ou se todos eram considerados como sendo o Tejo. 
  



28.5.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE VII




- A sua irmã inventou essa história. Olhe para mim. Há dois anos tinha trinta e sete anos. Acha que me ia meter com uma jovenzinha de quem quase podia ser pai? Quem pensa que sou?
-Não sei. Não o conheço, mas não acredito que a Susana tivesse inventado semelhante história. Se não o conhecesse como iria saber da sua existência. De resto esta discussão não tem sentido. Basta que faça um teste de ADN e fica tudo esclarecido.
-Teste de ADN, pois claro. Como é que não me lembrei disso. Teria disponibilidade para fazer o teste amanhã?
-Hoje mesmo se quiser. Mas antes deixe-me dizer-lhe que não pretendo nada do senhor, e que só lhe dei conhecimento da existência da Matilde porque a minha irmã assim o desejava, e o deixou bem expresso, na carta de despedida como pôde ler. Ela acreditava que todas as crianças deviam conhecer e conviver com o pai. Espero que não tenha ideias de ma tirar, quando tiver a confirmação do teste. A Susana já estava em depressão quando ela nasceu, não tinha condições de tratar da sua pessoa, quanto mais de uma filha. E eu fui desde a primeira hora, a sua verdadeira mãe, a única que conheceu.
- Se a menina fosse minha, decerto que iria lutar por ela e trataria de lhe dar a melhor vida possível. Mas não corre esse risco, fique descansada. Esta tarde mesmo vou tratar disso. Pode dar-me um número de telefone para onde eu possa informar do dia e hora do exame?
Ela deu-lhe o número que ele registou no telemóvel. De seguida levantou-se e dirigiu-se para a porta. 
- Não quer ver a menina? perguntou Isabel
- Não há a mais remota possibilidade de que ela seja minha filha. Convença-se disso. E depois do teste vou impugnar essa certidão. Tenha a certeza.
Natália saiu da cozinha com a menina ao colo, logo depois que ela cerrou a porta, nas costas do empresário.
- Era o pai da Matilde? – perguntou enquanto lhe passava a criança para os braços.
- Não sei. Ele diz que nunca conheceu a Susana e afirma-se muito seguro disso. Inclusivo vai marcar um exame de ADN, para provar que não tem nada a ver com a menina. Disse-me que a Susana mentiu, que nunca se meteria com uma jovenzinha e se o fizesse assumiria as suas responsabilidades. E a verdade é que parecia sincero. Estou tão confusa.
- Está a querer fugir com o rabo à seringa, Como é que a Susana sabia da sua existência, para registar a menina em seu nome?
- Não sei Natália, ai, não puxes os cabelos à mãe, querida. Vamos já almoçar.
- Já lhe dei o almoço enquanto atendia o homem. Reparou bem nele?
- A Matilde está a cair de sono. Uma vez que já lhe deu o almoço, vou deitá-la e já conversamos.
Levou a menina para o quarto, mudou-lhe a fralda e deitou-a. Depois voltou à cozinha.


Estou de volta, mais logo já vou visitar-vos. Ontem cheguei super cansada da minha visita de estudo. Vários museus e um castelo,  em S. Bartolomeu de Messines e Silves. Fartá-mo-nos de andar, e de subir com um calor abrasador. Trinta e quatro graus à sombra. Daqui a dias estarão as fotos no "As minhas imagens." 
A quem perguntou pelo meu cunhado, ele está a recuperar, foi transferido do S, José para e Curry Cabral, já começou a fazer fisioterapia.

26.1.19

MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE COZ




Coz é uma das mais antigas povoações dos Coutos de Alcobaça.
Reza alguma História que sete séculos antes de Cristo, terão fundado os fenícios, próximo de Alcobaça, uma colónia a que deram o nome de Coz, ou Cós, em memória da ilha com o nome de Kos, de que então eram senhores, pertencente ao arquipélago de Esporádes, nas proximidades das costas da Ásia Menor.
Segundo alguns historiadores a construção deste mosteiro data de 1279, pelo abade do Mosteiro de Alcobaça, D. Fernando, cumprindo assim uma cláusula do testamento do rei D. Sancho II.  Este mosteiro seria construído, segundo esse testamento, para albergar as mulheres viúvas que levassem uma vida religiosa. Estas assegurariam o bom funcionamento do Mosteiro de Alcobaça, e fizeram o Mosteiro de Coz evoluir até se tornar num dos mosteiros mais ricos da Ordem de Cister, no início do séc. XVI.


 O Mosteiro não foi fundado, mas antes "fundamentado" pela existência das "mulheres piedosas" desde o inicio do séc. XIII e pelo consentimento da Abadia de Alcobaça.A localização primitiva do Mosteiro na baixa Idade Média, permanece uma incógnita embora se creia uma implantação coincidente com as reconstruções posteriores. O Mosteiro sofreu várias obras de reconstrução, reformas e redecoração, ao longo dos séculos, sendo a maior depois do terramoto de 1755, que o teria deixado muito danificado. 



Com a extinção das ordens religiosas em 1833, as monjas tiveram que partir para o Convento de Odivelas, e o Mosteiro foi vendido a particulares.
Seguiu-se o saque e a ocupação dos espaços. Deste mosteiro atualmente só resta a igreja, pertencendo a fonte, o celeiro e a adega, que lhe estavam anexos, a particulares e estando o restante em ruínas, nomeadamente os dormitórios que podemos apreciar no exterior, num plano perpendicular à igreja. Nesta fotografia se pode ver o que fizeram do Mosteiro.

Nesta planta se pode apreciar como seria grandioso este monumento. Tudo que tinha valor aqui foi roubado e empregue em outras construções.
Por exemplo, neste palacete em Alcobaça, que hoje é  um Colégio, foram utilizados os claustros do Convento de Santa Maria de Coz.  Vamos então visitar a igreja.
A igreja é composta por uma nave única com o altar-mor uma posição mais elevada. A nave da igreja está dividida em duas partes por um arco e uma grade de clausura em talha dourada, que separa totalmente a parte reservada às monjas da parte reservada ao público.

 Esta grade separava as monjas do resto do público. Mas não se pense que era apenas esta grade. Não. Do lado delas havia um grosso reposteiro que impedia qualquer olhar para o mundo. Imaginem que na parte do mosteiro hoje destruído, havia uma sala onde o publico ia para negociar com elas. Porque o convento tinha terrenos e elas precisavam comer. Assim arrendavam esses terrenos a troco de legumes e frutas. Ora bem havia uma grossa parede, com alguns furos para que elas pudessem conversar com o visitante, mas para que ele não espreitasse do outro lado havia uma cortina. E quando o negócio era feito, havia na parede uma roda onde eram colocadas as coisas e assim passavam de um lugar para outro sem que se vissem ou tocassem

Este lado era aquele onde o padre ia rezar a missa, o que estava aberto ao público.
 E este o lado onde as monjas estavam. Enquanto a parte pública tem azulejos até  metro e meio de altura, aqui toda a nave está revestida de azulejos.

 Aqui os diversos altares laterais. Nossa Senhora de Fátima.


 Destaque para o Purgatório de Josefa de Óbidos.

Nos posts do Mosteiro de Alcobaça, falei-lhes de S. Bernardo. Uma lenda diz que S. Bernardo era tão Santo porque foi alimentado com o leite da Virgem. Esta pintura representa isso. Neste quadro vê-se a Virgem com a mão no seio, de onde sai uma linha branca que vai para a boca de S. Bernardo. Na foto não se vê bem, foi tirada com telemóvel, não havia grande luz e não se podia usar flash.

 O altar em madeira folheada a ouro.
 No qual se destaca uma sagrada família muito rara. Pensa-se que poderá ser única. Senão reparem. 

 A Sagrada Família é sempre representada com Jesus bebé ao colo da mãe. Aqui vemos um menino de uns três anos caminhando entre os pais. 
 Pormenor das colunas

Sacrário
Fontes: Explicação do guia  
folheto do Convento