Tomou um duche, que a revigorou. Enrolou uma toalha no
corpo, escovou os belos cabelos e deixou-os soltos sem os secar. Vestiu um
curto e florido pijama de algodão, enfiou um robe azul, calçou uns chinelos, e
foi para a cozinha. Abriu o frigorífico, procurou alguma coisa para cozinhar,
mas os dias de trabalho intenso, tinham-na impedido de ir às compras pelo que o
frigorífico estava praticamente vazio. Foi até ao quarto, pegou no telemóvel, e
pediu uma” pizza”. Pouco depois a campainha tocou. Paula pegou na carteira e
dirigiu-se à porta. Espreitou pelo óculo pensando tratar-se do entregador de
“pizzas” e surpreendeu-se ao ver quem estava do outro lado. A campainha soou de
novo enquanto ela hesitava se abria ou não a porta, mas o segundo toque acabou
por convencê-la. Aconchegou o robe ao peito e abriu a porta.
-Boa noite. Posso entrar?
Como resposta ela afastou-se para lhe dar passagem,
fechou a porta e encaminhou-o até à sala dizendo:
- Não te esperava.
- Talvez devesse ter avisado. Mas se o fizesse será que
me recebias?
- Talvez não. Não costumo receber visitas em casa, a não
ser de familiares. Mas senta-te. Queres beber alguma coisa?
- Não, obrigado
- Então dá-me cinco minutos por favor! Volto já.
Deixou-o só e dirigiu-se ao quarto, onde trocou
rapidamente de roupa. Já era embaraço suficiente receber o empresário em sua
casa. Mas recebê-lo de roupa de dormir, era demais.
-Bom, - disse ao entrar na sala envergando um conjunto de
calça e túnica. – O que é tão urgente que não podias, guardar para amanhã?
António abriu a pasta e retirou um envelope que ela
reconheceu.
- Amanhã é o último dia do mês. O teu pai deverá estar no
meu escritório às onze horas. Vou ficar em Sintra esta noite e não penso ir
amanhã ao escritório. Vim trazer-te todos os documentos da firma do teu pai bem
como o resgate da hipoteca, e um cheque que deve cobrir as necessidades
imediatas da empresa.Com o resgate da hipoteca e esse cheque, ficarão liquidados
todos os prejuízos que ele terá tido por minha causa. Peço-te que lhos
entregues amanhã de manhã. Diz-lhe que a partir de agora, está por sua conta,
eu não voltarei a interferir nos seus negócios.
- Desististe da vingança, mas não perdoaste. Por isso não
o queres ver, - disse ela
-Desisti da vingança por ti. E também pela Cidália,
porque me disseste que foi para ti a melhor das mães, e pelo Miguel que tanto
te ama.
- Que sabes do
Miguel? Nunca te falei dele.
- O meu sobrinho Pedro é o seu melhor amigo, e os amigos
falam uns dos outros. O teu irmão, não esconde de ninguém o amor e a
admiração que tem por ti. Por vocês desisti. Pelo teu pai, não o teria feito.
Talvez um dia eu consiga esquecer o que me fez sofrer e o possa perdoar. Mas
por enquanto não consigo, e por isso não quero voltar a vê-lo.
Tocaram a campainha e Paula levantou-se.
-Desculpa, tenho que ir abrir, tinha encomendado uma
“pizza” para o jantar. Deve ser o empregado da pizaria.
Era mesmo o jovem, com a “pizza”. Paula pagou, fechou a
porta e foi colocar a caixa na cozinha voltando de seguida à sala.
- Porque não me contas, o que o meu pai te fez?-
perguntou.
- Porque és demasiado
importante para mim, e não te quero envolver nesta história. Estive em Sintra
esta tarde. Pensei que ainda te encontrava, mas segundo Alice tinhas saído há
um quarto de hora. Fizeste um trabalho fantástico. Sei que vais lá estar
amanhã, mas tinha que resolver este assunto hoje. Por isso vim.E com o comentário da Ailime chegámos aos 40.000



