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7.6.18

CASAMENTO DE CONVENIÊNCIA. -PARTE XXII






Terminado que foi, aquele arremedo de lua-de-mel, o casal instalou-se provisoriamente no moderno apartamento do empresário no Parque das Nações. Pedro tinha decidido vendê-lo e comprar uma casa num local mais afastado da cidade. Uma casa com espaço suficiente para juntar a família sem que a sua privacidade saísse prejudicada. E que tivesse um jardim, onde o menino pudesse brincar em segurança.
Já tinha conversado sobre isso com Joana, e por isso naquela manhã ao regressar ao escritório, a primeira ordem que deu à sua secretária, foi a de pesquisar casas à venda nas zonas que previamente escolhera.
Entretanto no escritório, depois de ler a correspondência e tratar dos assuntos mais urgentes, Pedro dedicou-se a uma pesquisa que pareceria estranha a quem dela tivesse conhecimento. Pesquisou, artigos sobre violação, os traumas, as reações e os medos das vítimas. Depois procurou maneiras de agir, em páginas de psicólogos e sexólogos.
Depois de horas em que pesquisou e leu tudo o que encontrou sobre o assunto, levantou-se e foi até à janela. Pensou na volta que a sua vida dera em tão pouco tempo. Onde quer que o primo estivesse, deveria estar a divertir-se imenso com a última partida que lhe pregara.
Não que ele estivesse arrependido. Não estava. Pelo menos por enquanto. Joana era uma mulher de fibra e muito orgulhosa. Mantinha que só aceitava o seu dinheiro para a mãe e o sobrinho.
Ainda na véspera, reiterara a sua posição de manter a firma recém-criada e de continuar com a confeção de doces e salgados para festas várias. De momento continuaria a trabalhar na casa onde habitara, e onde vivia a mãe com o neto e a ama que ele contratara para o menino. Tinham decidido não separar o menino da avó naquela fase em que a mãe se encontrava tão fragilizada.  Continuando a trabalhar lá, não só fazia companhia à mãe, como vigiava o menino, o comportamento da ama, e continuava a contar com a ajuda de Antónia, sua vizinha, amiga, e agora também madrinha de casamento.   Ele gostaria mais, que ela encerrasse a firma e se dedicasse apenas à família e à vida no lar. Não precisava trabalhar, podia ter quantas empregadas necessitasse. Outra qualquer daria pulos de alegria de poder gastar o que quisesse. Ela não. Era muito independente, e essa independência poderia ser um sinal de que não iria prolongar o casamento para além dos dois anos, negociados no acordo.
Sentiu um aperto no peito, ao pensar nisso. Mas porque havia de temer? Afinal dentro de alguns meses, sairia a adoção do menino. E não era só isso  que lhe interessava?