Durante uma hora conversaram animadamente. Contaram como se conheceram, falaram do casamento que se realizaria daí a oito dias, dos negócios de Paulo, e dos projetos de ambos para o futuro.
- Nós também temos uma novidade para vos dar, - disse
Olga, segurando a mão do marido.
Olga era uma mulher muito bonita. De estatura pequena,
teria pouco mais de metro e cinquenta, pele branca, cabelos da cor do trigo
maduro e lindos olhos azuis, mais parecia uma daquelas bonecas com que as
meninas brincam na infância. O seu aspeto delicado contrastava com o do marido
que ultrapassava o metro e oitenta, de ombros largos e ar robusto.
- Vamos dar um priminho ao Martim, - acrescentou o marido
com um sorriso de orelha a orelha.
- Que alegria, - disse Amelia abraçando a cunhada, e
colocando a sua mão sobre o ventre dela. - Não se nota nada
- Logo se notará. Acabei de fazer os três meses. Não
contámos antes porque sabes o que se diz.
Pelo rosto de Amélia perpassou uma sombra que ela logo
afastou com um sorriso.
- Estou tão feliz por vocês!
Enquanto isso os dois homens também se abraçavam alegres.
- Quem havia de dizer que íamos pertencer à mesma
família,- disse Paulo
- Sim. Mas vê lá como te portas, quero vê-los felizes.
- Não o desejas mais do que eu- retorquiu emocionado.
Pouco depois eles despediam-se e partiam.
Paulo abraçou a noiva.
- Querida, ainda não falamos na lua-de-mel. Não sei para
onde gostarias de ir nem por quanto tempo, mas nesta altura eu não poderei
afastar-me mais do que um par de dias. Mais tarde, quando conhecer melhor o
pessoal, e souber em quem posso confiar, prometo-te uma lua-de-mel como tu
mereces. Ficas triste?
- Não. A verdade é que também não poderia afastar-me
agora . Fui promovida há pouco tempo, vou ocupar o lugar do Carlos e estão a
acabar os dois meses, que me foram dados para tomar conta do lugar. E com estas
férias, o tempo tornou-se mais curto. Esperei mais de dez anos por esta
promoção, não posso falhar.
- Então estamos de acordo. Dois, três dias no máximo.
Para onde?
- Não sei. Eu gostava de ir aos Açores. O que achas?
- Eu ficarei feliz onde estiveres. Segunda-feira trato
disso.
Abraçaram-se e beijaram-se. Mas quando ele se levantou
para sair, ela pegou-lhe na mão, e sem palavras levou-o para o quarto.
Amanhã por ser dia dos namorados, não haverá esta história. Voltará quinta-feira

