Fosse
qual fosse o desfecho da tragédia que Gil vivia no momento, ele tinha tomado algumas decisões que
iria pôr em prática a partir do dia seguinte.
Quando
deixou o futebol, e embora se tivesse associado ao irmão, nunca pensou que o seu futuro passasse pelo empresariado, fizera-o apenas para fazer progredir o negócio, e a verdade é que o conseguiu,
pois, três anos depois abriram uma filial no Porto e ultimamente já estudavam a hipótese de abrir outra em Faro. De facto, ele ia pouco à firma, dedicando-se de alma e coração ao curso que terminara à pouco, e
à escrita. Era Marco quem a geria e a fazia crescer, embora nunca o tivesse conseguido se ele não se tivesse tornado sócio e não tivesse injetado na firma, uma boa quantia monetária.
Agora
ele ia doar os seus sessenta por cento da empresa ao irmão, de modo a torná-lo
completamente independente. Por outro lado, esperava montar uma boa clínica à
sua irmã, que se formara em medicina e que estava de momento a terminar a
especialização em neurologia em Nova Iorque. Depois com as suas vidas
estabilizadas, ele podia dedicar-se por completo, à escrita,
e à sua filha, se Deus permitisse que ela chegasse a nascer. Teria que
contratar uma boa ama para lhe ajudar com a menina, pois nada sabia de como
cuidar de um bebé.
Pouco
jantou. Estava física e emocionalmente cansado. E no dia seguinte teria uma
reunião com o irmão e o advogado, a fim de iniciar o processo de doação das
suas ações. Mais tarde, teria que entrar em contato com a agência de
emprego a fim de lhe enviarem algumas amas. Teria que fazer várias entrevistas,
a vida da filha era demasiado preciosa para a colocar nas mãos de uma ama mal
qualificada. Calculava que tivesse algum tempo, embora a bebé pudesse nascer a
qualquer momento se surgisse algum problema na mãe, que pudesse por em risco a
sua vida. Todavia ainda assim ela teria que estar algum tempo na incubadora.
Nem por um momento queria pensar, que a bebé poderia morrer antes de ver a luz
do dia. A filha era uma guerreira ia nascer saudável, apesar do corpo que a
estava a gerar estar apenas artificialmente vivo.
Todavia como passava as tardes no hospital,
ficava apenas com as manhãs para tratar dessas entrevistas.
Fazia-lhe
tanta falta a irmã. Decerto ela seria não só um grande apoio moral, como uma ajuda nos
primeiros meses de vida da sua filha. Apesar de já lhe faltar pouco mais de um mês para o
regresso, não podia pedir-lhe que interrompesse a sua vida e os seus sonhos
por sua causa.
Abrira
o portátil e como todos os dias, durante mais de uma hora pesquisou sobre bebés
prematuros. Depois desligou-o e dirigiu-se ao quarto no piso superior. Preparando-se para dormir, foi à casa de
banho, escovou os dentes, despiu-se e vestiu o pijama. Voltou
ao quarto e deitou-se. Porém a madrugava já se aproximava quando conseguiu
adormecer.
