Eram dez horas da manhã de segunda-feira, quando os três partiram para a aldeia na Beira Alta onde iam passar o Natal na casa dos pais de Helena. Nas vésperas tinham passado o dia no Centro Comercial, onde ela comprara para ele, várias peças de roupa. No inverno precisa-se muito mais roupa que no verão, especialmente no norte do país onde é mais rigoroso.
Almoçaram num dos restaurantes do Centro e depois levaram a criança ao cinema para assistir à sessão de Minions. Mais tarde passaram no supermercado, e comparam frango assado e batatas fritas para o jantar.
O menino adorou o dia, estava encantado, com tudo, especialmente com o “tio”. Helena nunca se tinha apercebido de como ele necessitava de uma figura masculina. Mas não era só Diogo que estava encantado com Fernando. Ela também estava. Tanto que receava estar a apaixonar-se por ele.
Sentia um formigueiro no corpo e as pernas tremiam-lhe, cada vez que ele lhe tocava, ainda que fosse apenas para a aliviar do peso do saco das compras. Dava por si, a fantasiar como seria fazer amor com ele. Sentir-se beijada e acariciada por ele. Aquilo não podia estar a acontecer. Raio de sorte a sua. A primeira vez que se apaixonara, fora por um traste, e agora ia apaixonar-se por um homem que não sabia quem era? Não devia ter-se metido naquele imbróglio, mas agora o mal já estava feito.
Felizmente que em casa dos pais, não teriam a intimidade que tiveram naquele fim de semana, e seria bem mais fácil a convivência sem constrangimentos. Tinham chegado a um determinado ponto da estrada, numa longa reta, quando ela parou o carro e voltando-se para ele informou.
- Foi aqui, na berma, naquele lado da estrada.
Ele não disse nada. Limitou-se a olhar, viu as três árvores mais à frente, alguns arbustos, e então perguntou:
- Não pensaste que podia ser uma armadilha, que podia alguém estar escondido naqueles arbustos?
- Claro que pensei. Mas também pensei que podia ser alguém em perigo de vida. Sou médica, e felizmente o meu instinto sobrepôs-se ao medo.
Ele pegou-lhe na mão e levou-a aos lábios.
-Obrigado.
Sentiu-se recompensada com a rouquidão da sua voz, e o brilho húmido do seu olhar.






