Cumprimentou as empregadas, e os poucos clientes que havia aquela hora, e dirigiu-se à cozinha, onde se encontravam Hugo o padeiro, Mário o pasteleiro, e os três ajudantes Maria, Acácio e Alfredo. Depois de os cumprimentar, perguntou:
-Como correram as coisas por
aqui durante a minha ausência?
- Se exceptuarmos o maior
movimento no sábado por termos fornecido os doces e o bolo de casamento para a
Quinta do Marquês, nos outros dias o movimento foi o habitual nesta altura do
ano - respondeu Mário.
- Bom, quero dizer-vos que
durante uns tempos vou ficar afastada. Daqui a pouco chegará a pessoa que
ficará a gerir o negócio. Trata-se da Inês, a minha amiga, que todos conheceis,
até por ser filha aqui do Mário. Quero que todos vós, a tratem com o mesmo
respeito com que sempre lidaram comigo. Confio em vós, para que esta casa, que de
certa maneira também é vossa, já que é o vosso local de trabalho, continue a
ser o que tem sido até hoje. Um local de referência para quem a procura. Do seu
sucesso, depende o meu e vosso ordenado.
- Vai para fora? – perguntou o
padeiro.
- De momento não.
- E vais ter coragem, de não
apareceres por aqui, morando a meia dúzia de metros? - perguntou Mário.
- A menos que por qualquer
razão me chamem, terei sim. Com a Inês na gerência, a minha presença aqui, pareceria
um ato de vigilância, como se não tivesse confiança no seu trabalho. Bom vou
para o escritório.
Pouco depois, recolhia e metia
num saco, os poucos objectos pessoais, que tinha na secretária. Depois abriu a
carta da eletricidade, registou no livro das despesas a importância e arquivou
a fatura.
Ligou o computador e verificou
o email da empresa, enquanto pensava na decisão que tomara. Ia sentir saudade
do movimento na pastelaria. Das conversas com os clientes, de ajudar a estender
ou a rechear as massas, do cheiro do pão acabado de sair do forno, que se
misturava com o aroma da canela, ou da baunilha, ou o cheiro forte do café.
Porém estava convencida que tomara a melhor atitude. Pelo menos durante a
gravidez. Apoiou os cotovelos na secretária, e apoiou a cabeça entre as duas
mãos abertas, precisamente quando Inês entrava no pequeno gabinete, que servia
de escritório.
- Bom dia! Não te sentes bem?
- Bom dia! Estou bem não te
preocupes. Estava apenas a pensar, nas saudades que ia sentir do movimento na
pastelaria. Foi a minha vida durante vários anos.
- Mas não tens que sentir
saudades, moras a meia dúzia de metros, podes estar aqui sempre que te apeteça.
- Eu sei, mas prefiro não vir.
Bom senta-te e vamos conversar. Ontem não falámos de ordenados, não sei quais
são as tuas expectativas quanto a isso.
- Não as tenho. Tu dirás o que
pensas que mereço em relação ao trabalho que irei executar, sem esquecer a
minha prática inexistente.
Teresa referiu uma quantia e
perguntou:
-Parece-te bem?



