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28.5.19

UM PRESENTE INESPERADO - PARTE VII




- A sua irmã inventou essa história. Olhe para mim. Há dois anos tinha trinta e sete anos. Acha que me ia meter com uma jovenzinha de quem quase podia ser pai? Quem pensa que sou?
-Não sei. Não o conheço, mas não acredito que a Susana tivesse inventado semelhante história. Se não o conhecesse como iria saber da sua existência. De resto esta discussão não tem sentido. Basta que faça um teste de ADN e fica tudo esclarecido.
-Teste de ADN, pois claro. Como é que não me lembrei disso. Teria disponibilidade para fazer o teste amanhã?
-Hoje mesmo se quiser. Mas antes deixe-me dizer-lhe que não pretendo nada do senhor, e que só lhe dei conhecimento da existência da Matilde porque a minha irmã assim o desejava, e o deixou bem expresso, na carta de despedida como pôde ler. Ela acreditava que todas as crianças deviam conhecer e conviver com o pai. Espero que não tenha ideias de ma tirar, quando tiver a confirmação do teste. A Susana já estava em depressão quando ela nasceu, não tinha condições de tratar da sua pessoa, quanto mais de uma filha. E eu fui desde a primeira hora, a sua verdadeira mãe, a única que conheceu.
- Se a menina fosse minha, decerto que iria lutar por ela e trataria de lhe dar a melhor vida possível. Mas não corre esse risco, fique descansada. Esta tarde mesmo vou tratar disso. Pode dar-me um número de telefone para onde eu possa informar do dia e hora do exame?
Ela deu-lhe o número que ele registou no telemóvel. De seguida levantou-se e dirigiu-se para a porta. 
- Não quer ver a menina? perguntou Isabel
- Não há a mais remota possibilidade de que ela seja minha filha. Convença-se disso. E depois do teste vou impugnar essa certidão. Tenha a certeza.
Natália saiu da cozinha com a menina ao colo, logo depois que ela cerrou a porta, nas costas do empresário.
- Era o pai da Matilde? – perguntou enquanto lhe passava a criança para os braços.
- Não sei. Ele diz que nunca conheceu a Susana e afirma-se muito seguro disso. Inclusivo vai marcar um exame de ADN, para provar que não tem nada a ver com a menina. Disse-me que a Susana mentiu, que nunca se meteria com uma jovenzinha e se o fizesse assumiria as suas responsabilidades. E a verdade é que parecia sincero. Estou tão confusa.
- Está a querer fugir com o rabo à seringa, Como é que a Susana sabia da sua existência, para registar a menina em seu nome?
- Não sei Natália, ai, não puxes os cabelos à mãe, querida. Vamos já almoçar.
- Já lhe dei o almoço enquanto atendia o homem. Reparou bem nele?
- A Matilde está a cair de sono. Uma vez que já lhe deu o almoço, vou deitá-la e já conversamos.
Levou a menina para o quarto, mudou-lhe a fralda e deitou-a. Depois voltou à cozinha.


Estou de volta, mais logo já vou visitar-vos. Ontem cheguei super cansada da minha visita de estudo. Vários museus e um castelo,  em S. Bartolomeu de Messines e Silves. Fartá-mo-nos de andar, e de subir com um calor abrasador. Trinta e quatro graus à sombra. Daqui a dias estarão as fotos no "As minhas imagens." 
A quem perguntou pelo meu cunhado, ele está a recuperar, foi transferido do S, José para e Curry Cabral, já começou a fazer fisioterapia.