- Mas tu és um homem famoso e muito rico. Como podes querer alguma coisa comigo? Não tenho mais que este pedaço de chão, esta casa, e a minha arte, que se me dá para viver não me deu fama, nem fortuna. Nem sequer sou uma beleza, como as mulheres com quem decerto estás habituado a conviver.
-
Subestimas-te querida. Embora digas que não és uma beleza, és uma mulher muito
bonita. O que acontece é que nunca te preocupaste muito com a tua aparência. Tenho a certeza, de que bastará um pouco de
maquilhagem, um novo penteado, e um tipo de roupa diferente, para que o patinho
feio que julgas que és, se transforme num cisne esplendoroso, capaz de deixar qualquer
uma dessas mulheres de que falas, cheia de inveja.
E
para que saibas, um homem não procura só beleza na mulher dos seus sonhos, embora
isso ajude muito numa primeira impressão. A minha falecida esposa, era uma mulher de
grande beleza e nunca me fez feliz.
Agora
chegou a hora da despedida. Conversei com a minha irmã, contei-lhe o que se
passou e expliquei-lhe porque não dei notícias. E pedi-lhe para informar a
polícia. Levas-me até à vila? Lá alugarei um carro que me leve a casa. Estou
ansioso por ver a minha filha, mas já parto com saudades tuas.
Com
dois dedos levantou-lhe o queixo e baixando a cabeça apoderou-se da sua boca,
pondo naquele beijo toda a paixão que ela lhe despertara.
Ela
enlaçou-lhe o pescoço e retribuiu com a mesma intensidade. Quando por fim ele a
afastou, ela murmurou baixinho escondendo o rosto no seu peito.
-
Faz amor comigo.
Ele afastou-a e mergulhou o olhar cheio de desejo nos doces olhos castanhos.
-Tens a certeza de que é isso que queres?
-Sim - balbuciou voltando a enlaçar-lhe o pescoço, o rosto corado, os olhos brilhantes de desejo.
Então ele pegou-lhe ao colo e levou-a para o quarto.
Horas
depois, despediam-se numa rua da vila.
-Vou
manter-me em contato. E aguardar ansioso pela tua resposta.
Agora
mais do que nunca, tenho a certeza dos meus sentimentos, e de que quero que
faças parte da minha vida.
-
Telefona-me esta noite. Quero saber como te sentes depois de reveres a família
- respondeu Luísa abraçando-o.
As mãos
dele afagavam-lhe os cabelos, os dedos roçando-lhe os lóbulos das orelhas. No
seu olhar o desejo misturava-se com uma imensa ternura.
-Amo-te
Luísa. Não te quero pressionar, mas por favor não me faças esperar muito!
Então
os seus lábios desceram sobre a sua testa, num terno beijo de despedida.
Depois
largou-a e afastou-se em direção a uma praça de táxis. Ela sentou-se ao
volante, e ficou quieta, olhando como que hipnotizada para as costas do homem
que falava com o motorista. Viu como abria a porta e a fechava depois de
entrar. Viu o táxi arrancar na direção contrária em direção a Coimbra, e só
quando ele desapareceu numa curva da estrada, limpou os olhos à manga da
camisola, ligou o motor, fez a manobra de inversão de marcha e regressou a
casa.

