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26.1.19

MOSTEIRO DE SANTA MARIA DE COZ




Coz é uma das mais antigas povoações dos Coutos de Alcobaça.
Reza alguma História que sete séculos antes de Cristo, terão fundado os fenícios, próximo de Alcobaça, uma colónia a que deram o nome de Coz, ou Cós, em memória da ilha com o nome de Kos, de que então eram senhores, pertencente ao arquipélago de Esporádes, nas proximidades das costas da Ásia Menor.
Segundo alguns historiadores a construção deste mosteiro data de 1279, pelo abade do Mosteiro de Alcobaça, D. Fernando, cumprindo assim uma cláusula do testamento do rei D. Sancho II.  Este mosteiro seria construído, segundo esse testamento, para albergar as mulheres viúvas que levassem uma vida religiosa. Estas assegurariam o bom funcionamento do Mosteiro de Alcobaça, e fizeram o Mosteiro de Coz evoluir até se tornar num dos mosteiros mais ricos da Ordem de Cister, no início do séc. XVI.


 O Mosteiro não foi fundado, mas antes "fundamentado" pela existência das "mulheres piedosas" desde o inicio do séc. XIII e pelo consentimento da Abadia de Alcobaça.A localização primitiva do Mosteiro na baixa Idade Média, permanece uma incógnita embora se creia uma implantação coincidente com as reconstruções posteriores. O Mosteiro sofreu várias obras de reconstrução, reformas e redecoração, ao longo dos séculos, sendo a maior depois do terramoto de 1755, que o teria deixado muito danificado. 



Com a extinção das ordens religiosas em 1833, as monjas tiveram que partir para o Convento de Odivelas, e o Mosteiro foi vendido a particulares.
Seguiu-se o saque e a ocupação dos espaços. Deste mosteiro atualmente só resta a igreja, pertencendo a fonte, o celeiro e a adega, que lhe estavam anexos, a particulares e estando o restante em ruínas, nomeadamente os dormitórios que podemos apreciar no exterior, num plano perpendicular à igreja. Nesta fotografia se pode ver o que fizeram do Mosteiro.

Nesta planta se pode apreciar como seria grandioso este monumento. Tudo que tinha valor aqui foi roubado e empregue em outras construções.
Por exemplo, neste palacete em Alcobaça, que hoje é  um Colégio, foram utilizados os claustros do Convento de Santa Maria de Coz.  Vamos então visitar a igreja.
A igreja é composta por uma nave única com o altar-mor uma posição mais elevada. A nave da igreja está dividida em duas partes por um arco e uma grade de clausura em talha dourada, que separa totalmente a parte reservada às monjas da parte reservada ao público.

 Esta grade separava as monjas do resto do público. Mas não se pense que era apenas esta grade. Não. Do lado delas havia um grosso reposteiro que impedia qualquer olhar para o mundo. Imaginem que na parte do mosteiro hoje destruído, havia uma sala onde o publico ia para negociar com elas. Porque o convento tinha terrenos e elas precisavam comer. Assim arrendavam esses terrenos a troco de legumes e frutas. Ora bem havia uma grossa parede, com alguns furos para que elas pudessem conversar com o visitante, mas para que ele não espreitasse do outro lado havia uma cortina. E quando o negócio era feito, havia na parede uma roda onde eram colocadas as coisas e assim passavam de um lugar para outro sem que se vissem ou tocassem

Este lado era aquele onde o padre ia rezar a missa, o que estava aberto ao público.
 E este o lado onde as monjas estavam. Enquanto a parte pública tem azulejos até  metro e meio de altura, aqui toda a nave está revestida de azulejos.

 Aqui os diversos altares laterais. Nossa Senhora de Fátima.


 Destaque para o Purgatório de Josefa de Óbidos.

Nos posts do Mosteiro de Alcobaça, falei-lhes de S. Bernardo. Uma lenda diz que S. Bernardo era tão Santo porque foi alimentado com o leite da Virgem. Esta pintura representa isso. Neste quadro vê-se a Virgem com a mão no seio, de onde sai uma linha branca que vai para a boca de S. Bernardo. Na foto não se vê bem, foi tirada com telemóvel, não havia grande luz e não se podia usar flash.

 O altar em madeira folheada a ouro.
 No qual se destaca uma sagrada família muito rara. Pensa-se que poderá ser única. Senão reparem. 

 A Sagrada Família é sempre representada com Jesus bebé ao colo da mãe. Aqui vemos um menino de uns três anos caminhando entre os pais. 
 Pormenor das colunas

Sacrário
Fontes: Explicação do guia  
folheto do Convento



17.6.18

SETÚBAL - A PRINCESA DO SADO


Setúbal existe desde 1514, com foral concedido por D. Manuel I. Embora não haja, registo de nenhum outro foral, sabe-se que esta zona foi habitada pelos Fenícios, Gregos e Cartagineses, que vinham à Ibéria em busca do sal,  e mais tarde pelos Romanos, que se fixaram na margem sul do Sado (hoje Tróia) e lhe deram o nome de Cetóbriga. Data dessa data a recolha de sal como o demonstram as salgadeiras aí encontradas.

A exemplo de outras cidades ibéricas e do sul da Europa, o topónimo 'Setúbal' pode estar relacionado com o topónimo do rio que banha a povoação, referido pelo geógrafo árabe Edrisi (Muhammad Al-Idrisi), como denominar-se Xetubre (sendo esta a tese do Prof. José Hermano Saraiva). Seja como for, o topónimo ‘Setúbal’ e a cidade perdem-se no rasto dos tempos.
Porém os movimentos de areia, forçaram os habitantes a procurarem outro local para se fixarem. Escolheram uma área, hoje chamada o Bairro do Troino, situada na margem oposta à primitiva fixação, e aí se desenvolveu o núcleo gerador da actual cidade.
Com a nova localização e o desenvolvimento crescente, Setúbal  tornou-se no reinado de D. Afonso III, um dos principais portos do País a par de Lisboa, Porto e Faro. Como a povoação se ia tornando cada vez mais importante. é necessário criar mecanismos que a defendessem. Assim se iniciou, no reinado de D. Afonso IV,  a construção de muralhas, das quais ainda existem na cidade  alguns pedaços que delas, dão testemunho.

Ao longo do século XV, a vila desenvolveu actividades económicas, ligadas sobretudo, à indústria e ao comércio, tirando rendimentos elevados com os direitos cobrados pela entrada no porto.
Os primeiros conventos franciscanos, um deles o Convento de Jesus, foram construídos em Setúbal durante esse século.


A época dos Descobrimentos trouxe um grande desenvolvimento, tendo D. Afonso V, em
1458, partido do porto de Setúbal à conquista de Alcácer Ceguer.
 A construção de um aqueduto, em 1487, que conduzia a água à vila, iniciada por D. João II, (que era um apaixonado por Setúbal e que escolheu esta cidade para casr com D. Leonor em 1471) e terminou no reinado de D. Manuel. Este monarca reformou o foral da vila, em 1514, devido ao progresso e aumento demográfico que Setúbal tinha registado ao longo do último século.

Aqueduto e Igreja de Santa Maria, onde se realizou o casamento real.
Hoje é a Sé Catedral de Setúbal



O título de “notável villa” é concedido, em 1525, por D. João III. Foi este título que proporcionou a criação, em 1553, por carta do arcebispo de Lisboa, D. Fernando, de duas novas freguesias, a de S. Sebastião e a da Anunciada, que se juntaram às já existentes S. Julião e Santa Maria.
A cerca de dois quilómetros do centro de Setúbal, o Rei D. Filipe II mandou edificar uma fortaleza – de S. Filipe –, cujos trabalhos foram iniciados em 1582.
No início do século XVIII, a população setubalense solicitou que S. Francisco Xavier fosse eleito padroeiro da cidade.




O terramoto de 1755 destruiu e danificou muitos edifícios, tendo as freguesias localizadas na zona mais baixa de Setúbal sido as mais afectadas.
Ao longo do século XIX, o desenvolvimento económico e social transformou a vila num dos mais importantes centros comerciais e industriais do País. A elevação a cidade deu-se em 1860, por carta régia, após solicitação da Câmara, dois anos antes, ao Rei D. Pedro V.
Nessa altura, foi inaugurada a via-férrea Barreiro/Setúbal e, em 1863, a iluminação a gás.
 As obras de aterro sobre o rio iniciaram-se, fazendo nascer a Avenida Luísa Todi.



Setúbal foi elevada, em 1926, a sede de distrito e, em 1975, a cabeça de 
diocese.
 Na actualidade Setúbal oferece uma grande diversidade de interesses para quem nela quiser passar férias.
Desde os passeios pela serra da Arrábida, donde se pode ter uma magnifica panorâmica sobre a cidade e o rio, uma visita aos monumentos, dos quais destaco além do já citado Convento de Cristo, a casa-museu do Bocage, o poeta sadino, cujo monumento de encontra num largo com o seu nome


o museu do trabalho, 

 Uma mercearia antiga no museu do trabalho

a casa-museu do Corpo Santo

Reparem na beleza deste sacrário, na casa-museu

A casa-museu do Bocage

                                       
A praia do Portinho da Arrábida,



 o forte de S. Filipe, os golfinhos, Tróia, na outra margem do Sado, onde além das ruínas da vila românica, tem uma magnífica praia
Na gastronomia, a rainha de Setúbal é sem duvida a sardinha assada, mas outros pratos como o choco frito, o polvo, as ostras são pratos que não encontram igual em mais nenhuma parte do país. 
E depois temos as tortas e o queijo de Azeitão, e os vinhos da região de Setúbal

E então, vamos até Setúbal? 




Nota A primeira e ultima foto não são minhas.


Fonte
Wikipédia
 Apontamentos de visita de estudo

6.6.15

CONHECE?

A Quinta Regaleira
Provavelmente os meus amigos portugueses conhecem. Eu não conhecia. Fui lá na Quinta-feira numa visita de estudo que adorei e aqui partilho um pouco.
A quinta é o resultado do sonho de um homem, Dr. António Augusto Carvalho Monteiro, que em 1893 comprou a quinta aos barões da Regaleira, concretizado por outro, o arquitecto e cenógrafo  italiano, Luigi Manini.
Não vou alongar-me na história da Quinta, uma busca pelo Google, e fica a saber tudo. E na própria visita é distribuído um folheto bem explicativo do local. Cliquem nas fotos para uma melhor visão do seu esplendor.



 O palácio, que na verdade era apenas a residência de férias de Monteiro Carvalho, conhecido na época pelo Monteiro dos Milhões, pela sua enorme fortuna, proveniente das minas que seu pai possuía no Brasil

 Orfeu, o Deus da música e da poesia, um dos nove residentes do passeio dos Deuses.


 Na parte superior ao Passeio dos Deuses, este magnifico banco, oferece ao visitante uns momentos de descanso.

 O lago da Gruta, terá segundo o guia, sido construído para ser a piscina de Monteiro Carvalho


 Ali ao lado, o Balneário, em obras de conservação, e este magnifico banco

Aqui uma fonte. que nos remete para a cenografia do arquitecto, pois se assemelha a uma cena cinematográfica, muito embora possa ter várias interpretações. A fonte encimada por 2 golfinhos arcaicos tem por cima uma balança, símbolo da justiça, que termina com duas fitas que se assemelham a serpentes, símbolo do pecado, mas também do conhecimento. Mais acima uma concha que simboliza o renascimento e dentro do circulo as iniciais de Monteiro Carvalho. Será? Ampliando a foto vão reparar que as pernas do M formam um peixe. E todos sabemos que o peixe é o símbolo dos primeiros cristãos. Então será que o MC quer dizer Monteiro Carvalho, ou Maria e Cristo? Rematam a fonte dois obeliscos.


 Por todo o lado, belas flores salpicam de cor o verde da mata.


 Por entre o verde surge exuberante a torre da capela.  Iremos lá mais tarde.


 A torre da Regaleira. Da cimo, com acesso por uma escada em caracol, podemos ter uma panorâmica de 360º

 O poço iniciático,  de 27 metros de altura, com uma enorme escadaria que poderá simbolizar o ventre materno, mas que terá também outras simbologias, nomeadamente a maçónica, ou se pensarmos nele como uma espécie de Torre de Babel, invertida, será um espaço de intensificação da relação entre a Terra e o Céu.  Este será sempre um mistério interpretado por cada um à sua maneira, já que Monteiro Carvalho, não deixou nada escrito, que nos diga o que ele tinha em mente com esta construção.  Ao contrario de outras fotos espalhadas pela net este está fotografado de baixo para cima, pois a entrada oferecida pelo guia, aos grupos seniores é a subterrânea, o que se justifica pela dificuldade de subir à entrada superior e descer os mais de 300 degraus de escada. 


 O Lago da Cascata

 Reparem nas rochas. Tudo é artificial, isto é construído pelo homem, e simultâneamente estas rochas parecem naturais, com desenhos formados pela água. E na realidade são naturais. Elas foram retiradas da Costa marítima de Peniche e "implantadas" aqui.

 Este lago não é muito profundo. 80 cm de água. Ao fundo emergem um passadiço de pedra para quem queira sair das grutas por elas. São muito utilizadas pelos mais jovens, a nós aconselharam-nos a não fazê-lo

Várias construções emergem entre o arvoredo.

 Esta porta dá acesso único ao púlpito na capela.  O que é curioso. Imaginem o sacerdote, dando a missa e depois de ler o evangelho sair para entrar no púlpito e fazer a homilia. 



Parte superior da Capela neomanuelina, tem como tema central Maria, com as cenas da Anunciação e Coroação de Maria.


Sob o tecto da entrada este símbolo. À Cruz sobrepõe-se um triângulo.  
Símbolo maçónico? Sim, mas também o símbolo da Santíssima Trindade. 
E sobre ele o "Olho de Deus"

 Altar e tecto da Capela. Sobre o altar um quadro da Coroação da Virgem, e ladeando o altar, duas portas. Uma daria lugar a um pequeno aposento onde o sacerdote se vestiria, a outra dava para a rua, e serviria para ele sair e entrar para para o púlpito.


E cá está ele, o púlpito. Ao lado uma pintura de Santo António no sermão aos peixes.


Frente ao púlpito este belo vitral com a representação do milagre da Nazaré. Em Sintra? Seria Carvalho Monteiro devoto da Senhora da Nazaré?
 O belo chão de mosaico, remete-nos aos descobrimentos.

 Perto da capela este belíssimo banco


 Já no Castelo, a Chaminé de uma das salas.
 Parte superior da chaminé onde se podem observar cenas de caça, na pintura e na pedra.
 O chão do Hall de entrada
De uma das janelas, observa-se o castelo dos Mouros.


E pronto . Isto é um pouco daquilo que podem ver. Mas há muito mais que ficou para uma segunda visita, pois o nosso horário não permitia mais. O ideal é passar lá o dia. Espero que tenham gostado.