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29.6.20

ISABEL - PARTE XXXIV

Na Sexta-feira ao fim da tarde, Luís, teve uma enorme surpresa. Ao sair do metro viu Isabel entrar no prédio onde ele morava. Ficou perplexo. O que é que ela ia fazer ali? De repente lembrou do encontro ali mesmo ao voltar a esquina. Será que estavam a morar no mesmo prédio? Não podia ser. Era absurdo demais.
Entrou no edifício e tocou a campainha da porteira.
- Boa noite D. Rosa. Preciso da sua ajuda. Disseram-me hoje, que uma amiga minha morava neste mesmo prédio. Uma senhora de nome Isabel Mendes. Será verdade?
- Boa noite, senhor Nuno. Mora uma menina no 2º D com esse nome, sim. Quer que  lhe dê algum recado?
- Não, por favor. Nem lhe diga que perguntei por ela. Um dia destes faço-lhe uma surpresa. Muito obrigado
Entrou no elevador. Sentiu uma vontade louca, de sair no segundo andar e bater-lhe à porta. Mas conteve-se e seguiu para o seu andar. Precisava pôr as ideias em ordem.
Que coisa. Como é que ele tinha ido morar precisamente para aquele prédio?
Era um absurdo. Até mesmo para ele, que era escritor.  Nunca se lembraria de escrever uma história assim. Não era credível. Aquilo  não podia ser coincidência. Alguém lá em cima os queria juntos. Devia ser por isso, que ele se impressionara tanto com ela, naquela manhã de nevoeiro. Nunca acreditara em histórias de amor à primeira vista. Sempre pensara que isso era fruto da imaginação delirante de certos romancistas. E ele até estava  vacinado contra as flechas do pequeno Cupido, desde a traição de Odete. Mas então que sentimento era aquele que o envolveu quando a segurou tremente nos seus braços? Que aos poucos,  foi minando todas as suas convicções e defesas em relação às mulheres? E que cada dia se tornava mais forte ao ponto de desejar passar o resto da vida a seu lado? Estava decidido. No dia seguinte seria o lançamento do seu livro e no Domingo levá-la-ia a casa dos pais. E depois… bem depois, iriam viver uma grande história de amor. Não era isso que o destino lhes andava a preparar?
Pensar que ela estava ali, à distância de quatro andares, desconcentrava-o Nessa noite não conseguiu acrescentar uma só linha à novela, mas o telefonema foi mais íntimo que nunca. Tão intimo, que os dois jurariam ter ouvido a tal palavra mágica. Fora ele que a pronunciara? Fora ela? Que importava isso, se era igualmente sentida pelos dois? 


Esperava poder pôr em dia os comentários neste fim de semana, as netas ficaram cá também no sábado porque os pais trabalharam, e no domingo o filho fez 40 anos e embora fosse uma festinha só para nós os quatro e as duas meninas, passámos o dia na casa deles.



3.10.19

VIDAS CRUZADAS - PARTE XXII





- Olha só quem voltou. Vai buscar um pedaço de broa e um naco de presunto  que o Pedro deve estar com fome. E o almoço ainda demora muito?
E voltando-se de novo para o sobrinho. 
- Mas afinal porque voltaste? E porque é que a tua mãe não me avisou que vinhas? -voltou a perguntar andando nervosa à sua volta.
Pedro colocou o braço à volta dos ombros da tia e disse:
- Acalme-se tia. Vamos entrar que já lhe conto tudo.
Entraram e depois que a empregada se dirigiu à cozinha,  o jovem começou a contar tudo o que se passara consigo nos últimos meses, à tia que o escutava com o maior interesse. Quando terminou a senhora disse:
-Como deves ter sofrido, rapaz. Graças a Deus não contaste nada à tua mãe. Nem sei se ela resistiria à ideia de que ia ficar sem ti. Lembro-me bem como ela  ficou quando morreu o meu irmão. Muitas vezes pensei que se não fosses tu, ela teria ido atrás dele. Mas e agora? Como vais encontrar a rapariga? Devias ter sido sincero com ela.
- Ainda tenho a esperança de que o outro empregado tenha algum recado. Afinal era ele que estava na portaria quando a Rita partiu. Mas ele só entra às quatro. Agora se não se importa vou ligar à mãe. Já deve estar já em cuidado.
Quando terminou o telefonema, a empregada anunciava que o almoço estava pronto e dirigiram-se para a mesa.
Depois do almoço o jovem informou que ia dar uma volta pelas margens do rio, depois ia ao hotel e seguiria nesse mesmo dia para casa, pelo que se despedia já das duas. A tia insistiu para passar por lá antes da partida, a empregada ia arranjar-lhe um farnel para a viagem, porém o jovem recusou e  agradecendo a gentileza despediu-se das duas, prometendo dar notícias à tia quando tivesse novidades.
- E convida-me para o casório, se tudo correr bem,  - disse-lhe a tia quando ele já ultrapassava o portão.
- Claro - respondeu acenando num último adeus.
Pouco depois embrenhava-se no parque junto ao rio, recordando cada dia, cada gesto,  cada palavra trocada com Rita nos passeios que por ali fizeram.



E hoje dia 3 volto a ir à consulta a Santa Maria. Já tenho os exames quase todos feitos, falta-me só um que está marcado para dia 11. Vamos ver o que me diz o médico. Estou tão saturada disto. E  porque estamos em Outubro, uma lembrança para todas as minhas amigas...




2.10.19

VIDAS CRUZADAS - PARTE XXI



Ela sentia-se feliz. Era bom ver de novo a alegria do filho. E foi com um sorriso que agitou a mão numa despedida uma hora mais tarde, quando o carro desapareceu na curva da estrada.
Pedro não era homem de velocidades. Por isso não acelerou mais do que o costume. Mas fez a viagem de seguida, não parando uma única vez, nem quando passou pela casa da tia Palmira. Tinha pressa de ver Rita. Queria contar-lhe o porquê do seu comportamento, dizer-lhe quanto a amava, e pedir-lhe que aceitasse partilhar o seu futuro, porque ele já não o imaginava sem ela. Estacionou no parque do hotel, e dirigiu-se à receção:
-  Bom dia. Por favor, podia avisar a menina Rita Sequeira de que Pedro Medeiros deseja falar-lhe.
 – Lamento. A menina Rita e a família já não estão neste hotel.
- Como assim? - perguntou empalidecendo. - Disseram-me que estariam cá até domingo...
 – Parece que anteciparam a partida. Ontem à tarde veio o chefe de família e esta manhã partiram os quatro.
Pedro  sentiu que o mundo ruía à sua volta. Sentiu-se tão mal, que o empregado perguntou:
- Quer um copo de água?
 – Não obrigado.  A menina Rita não deixou nenhum recado para mim? Meu nome é Pedro Medeiros.
 – Comigo não. Só se com o meu colega. Mas ele hoje, só entra às dezasseis horas.
-Obrigado. Eu volto mais tarde.
Arrependido de não ter tido uma conversa franca com Rita, mas recusando deitar fora a esperança de que ainda pudesse haver uma mensagem, Pedro dirigiu-se a casa da tia Palmira, que arregalou os olhos de espanto quando o viu.
- Então rapaz o que aconteceu? Porquê esta volta tão repentina? Estavas tão aflito com o emprego. Despediram-te? E porque é que a tua mãe não me avisou que vinhas?
E sem lhe dar tempo a responder voltou-se para a fiel empregada e disse:



16.10.16

VIDAS CRUZADAS - PARTE XXI



Ela sentia-se feliz. Era bom ver de novo a alegria do filho. E foi com um sorriso que agitou a mão numa despedida uma hora mais tarde, quando o carro desapareceu na curva da estrada.
Pedro não era homem de velocidades. Por isso não acelerou mais do que o costume. Mas fez a viagem de seguida, não parando uma única vez, nem quando passou pela casa da tia Palmira. Tinha pressa de ver Rita. Queria contar-lhe o porquê do seu comportamento, dizer-lhe quanto a amava, e pedir-lhe que aceitasse compartilhar o seu futuro, porque ele já não o imaginava sem ela. Estacionou no parque do hotel, e dirigiu-se à recepção:
- Queria falar com a menina Rita Sequeira. Por favor, podia avisá-la?
 – Lamento. A menina Rita e a família já não estão neste hotel.
- Como assim? - Perguntou empalidecendo. -Disseram-me que estariam cá até Domingo...
 – Parece que anteciparam a partida. Ontem à tarde veio o pai, e esta manhã partiram os quatro.
Pedro   sentiu que o mundo ruía à sua volta. Sentiu-se tão mal, que o empregado perguntou:
- Quer um copo de água?
 – Não obrigada. Chamo-me Paulo Medeiros. A menina Rita não deixou nenhum recado para mim?
 – Comigo não. Só se com o meu colega. Mas ele agora não está.
-Obrigado. Eu volto mais tarde.
Arrependido de não ter tido uma conversa franca com Rita, mas recusando deitar fora a esperança de que ainda pudesse haver uma mensagem, Pedro dirigiu-se a casa da tia Palmira que arregalou os olhos de espanto quando o viu.
- Então rapaz o que aconteceu? Porquê esta volta tão repentina? Estavas tão aflito com o emprego. Despediram-te? E porque é que a tua mãe não me avisou que vinhas?

E sem lhe dar tempo a responder voltou-se para a fiel empregada e disse: