19.6.17

SONHO AO LUAR - PARTE II

                                       

Passou os meses seguintes a sonhar com as férias junto da avó, para voltar a vê-lo. E apesar da diferença de idades, e de ele ter menos tempo por estar empregado, todo o tempo livre que tinha, passava-o com ela.
No ano em que fez quinze anos, não o viu, pois nesse ano, ele tinha viajado, com os pais, e as férias foram uma desilusão para ela. E mais um ano se passou, e de novo, chegaram as férias e desta vez ele estava lá. Triste, meio deprimido, com a recente morte dos pais num acidente de automóvel, apoiou-se na amizade e alegria de Isabel, e os dois estiveram mais unidos que nunca, ao ponto de na aldeia se dizer, que um era a sombra do outro. Isabel tinha acabado de fazer dezasseis anos, tinha mais de um metro e setenta de altura,  era demasiado magra, as suas ancas ainda não tinham arredondado, os seis eram como dois pequenos botões de rosa por desabrochar. Mas no peito batia um coração de mulher, que ansiava, por beijos e afagos do homem que amava. Sem qualquer suspeita, do que ela sentia, ele via-a apenas como aquilo que era, uma menina. E como tal a tratava. Continuavam a ser amigos inseparáveis, ria-se com as coisas que ela dizia, por vezes zangava-se e repreendia-a, enfim tratava-a como trataria uma irmã mais nova, se não fosse filho único.
Até à véspera da sua partida, altura em que ela tomara uma atitude, da qual ainda hoje se envergonhava.
-Confessara-lhe que o amava, e pedira-lhe com todas as letras que fizesse amor com ela, enquanto despia a blusa, mostrando-lhe os seios pequenos e túrgidos,como pequenos frutos, mal despontando da flor.
Inicialmente, ele ficara espantado. Depois começara a barafustar, apertou-lhe o braço com violência, obrigara-a a vestir a blusa, disse-lhe que nunca mais a queria ver, e virou-lhe as costas afastando-se.
Ela chegou a casa da avó com os olhos vermelhos e o coração dilacerado. Felizmente a avó parecera não dar por nada, e no dia seguinte ela regressou a casa dos pais. Durante cinco anos manteve-se afastada da casa da avó, com a desculpa do muito que precisava estudar durante as férias para se formar logo.
Quando se sentiu com forças para voltar, era já uma mulher muito diferente. Tinha vinte e um anos e o seu corpo tal como um botão de rosa que desabrocha numa flor espetacular, tinha-a transformado numa bela mulher. Mas Hélder não estava por lá, como não estivera nos outros cinco anos que se seguiram.


19 comentários:

✿ chica disse...

Puxa, que atitude dela! Estava mesmo bem disposta. E ele? Teve uma decisão acertada na época, mas e agora? Vamos esperar!!! Adorando! bjs, chica

AvoGi disse...

Retomo a leitura das histórias de amor ódio e traição. Esta é de....?
Kis :=}

Bell disse...

Adorei meu nome por aqui.

bjokas =)

Anete disse...

Uau... Será que ela cresceu interiormente?! Quero ver o que vem pela frente...
Um bj

Rosemildo Sales Furtado disse...

Ela errou, mas ele acertou, tomou uma atitude digna de um homem de bem. Gostando e aguardando.

Abraços,

Furtado

Maria Teresa de Brum Fheliz Benedito disse...

Atitude sábia dele, ela realmente uma criança na idade e na atitude.
Gostando muito.
Um abraço Elvira querida e felizes dias.

Os olhares da Gracinha! disse...

O amadurecimento pode facilitar a aproximação!
Bj

Beatriz Pin disse...

Vejo que está a empezar outra nova historia. Lin parte I e parte II e gostei da trama. Agardo poder seguila, a ver se é verdade, porque eu son moi deijada para este tipo de cousas. Agradezo seu comentario no meu blogue. Eu também visitei os castros que están perto de Braga fai pouco tempo. Vou ver se consigo que me avise cando publique algo novo. Uma grande aperta.

Beatriz Pin disse...

Lamento moito o que está a acontecer en Portugal e que ocurrera esta terrible desgraza. Aquí também hai lumes e hoje non se ve nada co fume. Temos sempre a ameaza de morte sobre nós en calqueira parte. Tamén Galiza esta de luto por Portugal.

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Elvira!
Não gostei da atitude da moça mas não posso julgar, tenho que aguardar pra ver... o rapaz foi sensato...
Gosto dos seus contos pois escreve muito bem...
Seja feliz e abençoada!
Bjm de paz e bem

Edumanes disse...

A atitude de Isabel foi de um desejo repentino. Do qual Hélder não se aproveitou, porque não sentiu o mesmo que Isabel sentiu naquele momento, de dar de beber à dor?

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Roaquim Rosa disse...

Boas
não sei como vai acabar este sonho , pois também eu como todos nós com certeza algum sonho já tivemos , mas que vai ser uma linda história de amor , disso não tenho duvidas.
JAFR

Prata da casa disse...

Ele via-a por aquilo que ela era então: uma menina. Agora, depois de adulta, as coisas serão diferentes.
Bjn
Márcia

aluap Al disse...

Na adolescência quase sempre elas gostam de homens mais velhos e mais das vezes eles rejeitam-nas. O tempo passou e esta mulher (nome??) com 21 anos parece que ainda hoje tem dificuldade em compreender essa atitude.
Um abraço.

Ailime disse...

Boa noite Elvira,
Ele tomou a atitude correcta dado ela ser ainda tão menina. Na época a diferença era mais notória.
Aguardo com entusiasmo o desenrolar da história.
Um beijinho,
Ailime

redonda disse...

Está-me cá a parecer que ele reagiu muito mal...talvez por gostar dela?

Jack Lins disse...

Decisão bem acertada dele, mas e agora?

Andre Mansim disse...

Mais um belo conto, caminhando bem.

Smareis disse...

Cara de atitude, gostei dele. Imagine se a paixão falasse mais alto. Garotas sempre procura homens mais velho, e muitos deles aproveita a oportunidade e depois da o fora. Ainda bem que ele não cedeu ao pedido da menina.
Adorando a história!
Um beijo!